segunda-feira, março 30, 2009


Já está nas bancas de Macapá o número 17 da revista Conhecimento Prático - Filosofia. Essa edição tem um artigo meu sobre o Conhecimento Artístico. Vale a pena conferir.

domingo, março 29, 2009

Caminho das Índias


A novela Caminho das Índias tem o mérito de ter chamado atenção para a Índia, o que deverá fazer com que muita gente descubra essa civilização ancestral. Também está tendo o mérito de colocar o tema psicopatas na pauta de discussões (considerando-se que a filha da autora foi morta por um psicopata, é surpreendente que só agora ela esteja tocando no tema). O problema é que os excessos da Glória Peres estão dando a idéia que na india vive-se uma eterna festa. Já surgiram até algumas piadas sobre o assunto:

O que o indiano faz quando acorda?
Ele dança!

O que o indiano faz antes de ir para o trabalho?
Ele dança!

O que o indiano faz quando perde o emprego?
Ele dança!

O que o indiano faz depois do almoço?
Ele dança!

O que o indiano faz na hora de dançar?
Ele descansa, afinal ninguém é de ferro!

O blog Algum Lugar publicou um artigo comparando os personagens de Watchmen com os personagens da Charlton, que lhes serviram de base. Para quem não sabe, Alan Moore bolou Watchmen quando a DC Comics comprou comprou a editora Charlton e os editores propuseram que ele pensasse numa histórias com os heróis da editora. Mas o conceito ficou tão revolucionário, que pediram a Moore que criasse outros heróis. Dizem que Joe Orlando, que gostava muito dos personagens da Charlton, se arrepende até hoje dessa decisão. Afinal, os Watchmen se tornaram um clássico e o heróis da Charlton só sobreviveram em aparições ocasionais na Liga da Justiça.

sexta-feira, março 27, 2009

Música do dia

O Vento vai Responder

(Zé Ramalho, adaptando Blow in the Wing, de Bob Dylan)
Quantos caminhos se tem que andar
Antes de tornar-se alguém
Quantos dos mares temos que atravessar
Pra poder na areia descansar
Quantas mais balas perdidas voarão
Antes de desaparecerem
Escute o que diz
O vento, my friend
o vento vai responder
Quantas vezes olharemos o céu
Antes de saber enxergar
Quantos ouvidos terá o poder
Para ouvir o povo chorar
Quantas mais mortes o crime fará
Antes de se satifazer
Escute o que diz
O vento, my friend
O vento vai responder
Quantos anos pode uma montanha existir
Antes do mar lhe cobrir
Quantos seres ainda irão torturar
Antes de libertar
Quantas cabeças viraram assim
Fingindo não poderem ver
Escute o que diz
O vento, my friend
O vento vai responder

quinta-feira, março 26, 2009

MAD 12 nas bancas de Macapá


Já está nas bancas de Macapá a MAD 12, edição de aniversário de um ano. Também é a edição em que faço minha estréia como roteirista da revista, com a sátira do BBB.

quarta-feira, março 25, 2009

Morre Donald Westlake


A notícia é de janeiro, mas como só soube agora, achei que não deveria deixar passar. Morreu Donald Westlake, um dos mais importantes escritores e roteiristas norte-americanos. Especializado em histórias policiais, Westlake teve alguns de seus livros adaptados para o cinema, como o filme O Troco, com Mel Gibson.
Eu conheci Westlake na Biblioteca Pública de Belém, com o livro que misturava humor e suspense: O Espião Pacifista. Nele, um militante pacifista é confundido com um terrorista e acaba, sem querer, infiltrando-se numa rede terrorista, servindo de espião para a CIA. Como se pode ver por esse plot, Westlake adorava tramas não-convencionais.
O que sempre me agradou nele foi a forma descontraida com que ele escrevia suas histórias e o humor ferino. Em O Espião pacifista, por exemplo, o protagonista sabe que está vigiado pela CIA, mas não denuncia porque depois ia ter que ter o trabalho de se livrar do lixo, já que os espiões recolhiam seu lixo. Uma delícia de humor.
O livro seguinte foi O incrível Roubo do Banco, em que policiais se juntam para assaltar um banco... e então A Vida Secreta de um homem sensual, uma deliciosa comédia sobre um escritor que produz livros eróticos, mas tem uma vida sexual totalmente frustrada. O interessante dessa obra é que a narrativa dos livros que ele escreve se mistura com o que está acontecendo ao escritor, mostrando como os fatos reais infuenciaram na obra e como a obra influencia na vida do escritor. Um livro delicioso, que foge do que se poderia esperar de um romance popular.

Quando o jornalista Lúcio Flávio Pinto esteve em Macapá, ele me pediu para levá-lo num sebo. Claro que fiz questão de levá-lo (Macaco quer banana?). Lá encontramos um livro do Westlake e descobri que tínhamos esse gosto em comum: ambos éramos fãs desse ótimo escritor policial.



O blog dos quadrinhos publicou um interessante artigo sobre ¨Oesterheld e seu Eternauta¨. Oesterheld é o mais importante roteirista da Argentina e um dos mais importantes do mundo. Foi o grande responsável pelo sucesso da HQ portenha.

A farsa do fantasma de Macapá

video

Há alguns dias publiquei aqui o vídeo do fantasma que teria aparecido na Gruta, um balneáreo em Macapá. De fato, o vídeo foi analisado por equipes de duas emissoras da cidade, e não encontraram nenhum sinal de truncagem. O vídeo não havia sido manipulado e estava lá, frame a frame. Mas, o que muita gente logo descobriu, é que o truque era muito mais simples e não necessitava nem mesmo de edição. Os garotos simplesmente aproveitaram uma falha de resolução dos celulares com câmera VGA, que borra o que estiver ao fundo se esse objeto estiver em movimento. Até meus filhos fizeram filmes de fantasmas assim. Esse vídeo é de alguns amigos professores.

terça-feira, março 24, 2009

Eu e os ratos


Um jovem piloto experimentava um monomotor muito frágil, uma daquelas sucatas usadas no tempo da Segunda Guerra, mas que ainda tinha condições de voar...
Ao levantar vôo, ouviu um ruído vindo debaixo de seu assento. Era um rato que roia uma das mangueiras que dava sustentação para o avião permanecer nas alturas.
Preocupado pensou em retornar ao aeroporto para se livrar de seu incômodo e perigoso passageiro, mas lembrou-se de que devido à altura o rato logo morreria sufocado.
Então voou cada vez mais e mais alto e notou que acabaram os ruídos que estavam colocando em risco sua viagem conseguindo assim fazer uma arrojada aventura ao redor do mundo que era seu grande sonho...
MORAL DA HISTÓRIASe alguém lhe ameaçar, VOE CADA VEZ MAIS ALTO...
Se alguém lhe criticar, VOE CADA VEZ MAIS ALTO...
Se alguém tentar lhe destruir por inveja e fofocas, e por fim, se alguém lhe cometer alguma injustiça, VOE CADA VEZ MAIS ALTO...

Os ameaçadores, críticos, invejosos e injustos são iguais aos "ratos", não resistem às grandes alturas. Pense nisso...

(Autor desconhecido - se alguém souber quem é o autor, deixe um comentário, ok?)

Há alguns dias, vinha esquentando a cabeça com um camundongo que insistia em entrar no meu escritório e fazer coco por onde ia. Tentei de tudo: coloquei veneno, tampei o pequeno espaço por onde ela entrava... nada adiantava. Então, a amiga Kiara, do blog Neste Instante, conseguiu para mim uma ratoeira adesiva, uma folha de papel adesiva com uma isca no centro. Foi batata. A catita rapidamente ficou presa no adesivo. Talvez haja algo a ser aprendido aí. Os ratos, sejam eles roedores de verdade, ou invejosos, trolls... um dia acabam sucumbindo sob o peso de sua própria ganância. E devemos sempre agradecer aos amigos que nos ajudam a sobreviver aos ratos, de quatro, ou duas patas...
O jornalista Corrêa Neto foi internado por causa de uma virose e está na UTI do hospital São Camilo. A notícia é do blog da Alcinéa Cavalcante. Estamos rezando por sua recuperação.

domingo, março 22, 2009

Edgar Morin e o pensamento complexo - parte 1

Um dos pensadores mais importantes da atualidade é o francês Edgar Morin. Suas idéias, inicialmente criadas para discutir a questão do conhecimento, espalharam-se por várias áreas e tornaram-se uma referência obrigatória na área de educação a partir do livro Os sete saberes necessários à educação do futuro, escrito a pedido da Unesco.
Essencialmente, a teoria de Morin baseia-se na critica ao que ele considera os três pilares da ciência moderna: a ordem, a separabilidade e as lógicas indutivas e dedutiva.
A busca da ordem sempre foi o interesse principal da ciência. Quando desconhecemos como algo funciona, aquilo é caótico para nós. Quando aprendemos sobre aquilo, a ordem se revela aos nossos olhos.
Há várias formas de definir ordem. A teoria da informação nos ensina que ordem é falta de varidade/informação. Já caos é variedade/informação em estado puro. Um relógio é um exemplo perfeito de ordem. Ele sempre fará as mesmas coisas, sempre se movimentará de maneira uniforme a totalmente previsível. Já a bolsa de valores é um fenômeno mais caótico, pois é muito mais difícil prever seus movimentos.
Uma outra maneira de definir ordem, complementar à anterior, é através da determinação. Fenômenos ordenados são determinados. Determinação sugere uma relação causal. Se determinado fenômeno ocorre, ele terá obrigatoriamente uma conseqüência.
Para Isaac Newton, Deus criou, no princípio, as partículas materiais, as forças entre elas e as leis fundamentais do movimento. Todo o universo foi posto em movimento desse modo e continuou funcionando, desde então, como uma máquina, governada por leis imutáveis.
A relação de causa e consequência é extremamente determinada na ciência clássica. Se solto uma pedra, essa obrigatoriamente irá cair, pois a lei da gravidade a força a isso.
A crença na determinação fez com que os cientistas e filósofos sonhassem com a possibilidade de decifrar a verdade definitiva. Essa ambição encontrou uma metáfora no demônio de Laplace. Laplace imaginou que, se uma inteligente tivesse todas as informações sobre todos os átomos do universo e fosse poderosa o bastante para calcular as relações de causa e conseqüência, o presente, o passado e o futuro se descortinariam diante de seus olhos.
A ciência clássica ignorava os fenômenos dinâmicos, que estão mais próximos do caos que da ordem. A bolsa de valores, o trânsito de cidade, as sociedades e até a vida humana são fenômenos que escapam ao determinismo.
Nas ciências humanas, até há pouco tempo, predominava um determinismo biológico ou social. Os adeptos do determinismo biológico chegaram ao seu extremo na eugenia. Para essa corrente de pensamento, os comportamentos são governados por traços genéticos. Assim, o filho de um sábio será também ele um sábio e o filho de um assassino será, também ele, um assassino. A eugenia defendia que apenas pessoas viáveis do ponto de vista social e biológico pudesse procriar e essa foi a base teórica para o nazismo.
No outro extremo, havia aqueles que diziam que o homem é fruto do meio. Uma pessoa criada em um meio intelectualizado se tornará um intelectual, independente de qualquer fator genético. Já uma pessoa criada em uma ambiente desfavorável intelectualmente não desenvolverá suas potencialidades.
O determinismo, tanto genético quanto social, se revelou falho. O atual presidente do Brasil é talvez o melhor exemplo do quanto é falho o determismo social. Quem poderia imaginar que um menino que saiu do sertão nordestino fugindo da seca um dia ia se tornar presidente do maior país da América Latina?
Edgar Morin diz que a complexidade nos dá a liberdade, pois nos livra do determinismo. Somos nós que construímos nosso próprio destino a partir de nossas escolhas, sejam elas conscientes ou não.
Como o Neo de Matrix, que deve decidir se toma ou não a pílula, constantemente nos vemos em encruzilhadas, em bifurcações. O que será de nosso destino será resultado direto do caminho que tomarmos.
Nada melhor do que uma frase do próprio Edgar Morin para demonstrar isso: “Quando penso na minha vida, vejo que sou fruto de um encontro muito improvável entre meus progenitores. Vejo que sou produto de um espermatozóide salvo entre cento e oitenta milhões que, não sei por sorte ou infortúnio, se introduziu no óvulo de minha mãe. Soube que fui vítima de manobras abortivas, que deram resultado com meu predecessor, mas ninguém saberá dizer porque escapei à arrastadeira. E cada vida é tecida dessa forma, sempre com um fio de acaso misturado com o fio da necessidade. Sendo assim, não são fórmulas matemáticas que vão dizer-nos o que é uma vida humana, não são aspectos exteriores sociológicos que a vão encerrar no seu determinismo
.”.

sexta-feira, março 20, 2009

Watchmen: o que eu esperava ver


Acho que uma das razões pelas quais muita gente não gostou de Watchmen, é que foram para o cinema com muita expectativa. Confesso que as minhas expectativa eram as piores possíveis Esse era o filme que eu esperava assistir:

O grupo Watchmen descobre que um terrível vilão está planejando explodir uma bomba atômica em Nova York. Nisso eles pedem a ajuda de Roschach, um vigilante que prefere agir sozinho, mas aceita liderar o grupo nessa situação especial.
Sob a liderança de Roschach, os heróis descobrem que o vilão é na verdade um amigo deles, Ozymandias, que ficou louco e se aliou aos terroristas islâmicos pensando que assim pode conseguir a paz mundial.
Este está superpoderoso graças a suas habilidade mentais, mas consegue ser derrotado no momento em que vai acionar a bomba, por Rorschach, claro.
No final, os heróis agradecem a ajuda do violento, mas esperto herói, e pedem que ele seja o líder do grupo. Ele agradece, mas diz que jurou combater a escória do mundo, principalmente os terroristas e acha que só pode fazer isso sozinho, pois um grupo grande chama muita atenção.
Termina com Rorschach andando de moto, a toda velocidade e, depois dos créditos, aparece o anúncio do filme solo do personagem, para 2010.

Spirit


O próximo filme baseado em quadrinhos, que deverá estrear em breve, será The Spirit, dirigido por Frank Miller. Muita gente está reclamando dos traileres, argumentando que o filme parece mais com Sin City que com The Spirit, mas Álvaro de Moya, amigo do criador do personagem, escreveu um texto defendendo Miller no Estadão. Leia aqui.

quinta-feira, março 19, 2009

Um texto meu sobre o livro Para ler o Pato Donald virou referência no verbete americanização, na Wikipédia. Confira.

Aos meus amigos

Quem é muito querido


O sucesso da novela Caminho das Índias criou um grande interesse pela Índia e fui convidado a colaborar com uma revista da editora Escala sobre o assunto. Foi um reencontro, porque sempre tive uma relação muito forte especialmente com a religião indiana. Na época da faculdade, elaborei um trabalho de antropologia sobre os Hare Krishna, uma observação participante, convivendo com eles numa comunidade rural que existia nos arredores de Belém. O Bhagavad Gita, principal livro religioso dos indianos, é até hoje uma das minhas leituras preferidas. Então foi interessante descobrir, através do meu amigo Matheus Moura, que existe uma versão do Bhagavad cantada por grandes astros da MPB. De Arnaldo Antunes a Arrigo Barnabé, cada um cantou uma parte do poema. Minha versão predileta é de Elba Ramalho, que acabou virando não só uma música religiosa e filosófica, mas um belo hino sobre a amizade. Abaixo, a letra da música:

Quem é muito querido

Quem é muito querido a mim
É muito querido a mim
Aquele que não inveja
Que é amigo sincero
De todos os seres vivos
Que não tem senso de posse
Que tem a mesma atitude
Na tristeza ou na alegria
Que é sempre determinado
Tendo a mente e o intelecto
Harmonizados comigo
É muito querido a mim
Harmonizados comigo
É muito querido a mim
Quem nunca perturba os outros
Nem se deixa perturbar
Além da dualidade
Do sofrimento e prazer
Livre do medo e da angústia
Também é muito querido
Aquele que não se apega
Nem ao prazer nem à dor
Que não rejeita ou deseja
Ao que agrada ou aborrece
Renunciando igualmente
É muito querido a mim
Renunciando igualmente
É muito querido a mim
Quem age do mesmo modo
Com amigos e inimigos
E não muda de atitude
No ostracismo ou na glória
No sucesso ou no fracasso
Que nunca se contamina
E sempre fica contente
Com o que lhe é oferecido
Este me é muito querido
É muito querido a mim
Este me é muito querido
É muito querido a mim

Sempre fui um crítico da revista Veja, mas não há como negar a importância histórica e política dessa revista, especialmente na época da ditadura militar. Pois agora a revista está disponibilizando todo o seu acervo na internet, desde a primeira revista, de 1968. Para acessar, clique aqui.

quarta-feira, março 18, 2009

Magia e literatura

Há algum tempo, em entrevista à revista Veja, o escritor Paulo Coelho declarou que não é mais um bruxo. Caminho oposto fez o roteirista inglês Alan Moore, autor de algumas das melhores histórias em quadrinhos de todos os tempos. Alan declarou que utiliza magia para escrever suas obras.
Para Moore, o ato de escrever está diretamente ligado à magia: “Eu percebi que você tem que ter cuidado com o que diz e escreve. Há algo de estranho no ato escrever. Recentemente li uma entrevista com a cartunista Carol Lay na qual ela menciona que tinha o cuidado de não desenhar nada de muito negativo em seus roteiros porque provavelmente aconteceria”.
Para Moore as idéias de magia e arte em geral estão ligadas desde o início da cultura: “As primeiras pessoas que conjuraram a imagem de um bisão na parede de uma caverna era magos para uma audiência que não tinha idéia de representação visual”.
Da mesma forma, as primeiras pessoas a empregarem a palavra escrita, numa fase em que a comunicação era extremamente rudimentar, eram tão inexplicáveis e misteriosas quanto o seriam os telepatas hoje. Afinal, através de algumas marteladas no barro elas conseguiam transmitir seus pensamentos a outras pessoas... “O fato de alguém conseguir enviar seus pensamentos para uma outra pessoa, registrar seus pensamentos e poder entender a passagem do tempo, tudo isso era visto como mágico”, diz Moore.
Não é uma coincidência que boa parte dos deuses dos panteões antigos eram também deuses da escrita ou da comunicação. Civilizações como a egípcia e a asteca revereciavam os escribas como verdadeiros representantes dos deuses na terra.
Em um de seus livros, A voz do fogo (publicado no Brasil pela editora Conrad), Alan Moore narra a história de sua cidade natal, Northampton, desde o período pré-histórico até a atualidade. Em um dos contos, um feiticeiro manda tatuar em sua pele o mapa da cidade e, a partir daí, o que ocorre a ele influencia a cidade e o que ocorre à cidade o influencia: “Esta aldeia é parte de mim. Suas doenças são as minhas. Se há besouros nas sementes dos campos ao sul, meus órgãos vitais aqui também são corroídos. Se as velhas rodas lá na Colina-da-fera caem na ruína e no esquecimento, os ossos de minhas costas ficam fracos tal como pedra amarela e se esfacelam ondee um raspa o outro. As pessoas são a pior parte. Quando Jebba Dente-quebrado fica louco e mata sua mulher e seus filhos, algo escorre de meu ouvido. Ou, se os irmãos Muito-cavalos estão em rixa, meus dentes ardem de dor”.
Da mesma forma, todo escritor é influenciado pela sociedade na qual vive e, ao mesmo tempo, a transforma com seus escritos.
Escrever pode ser uma elegia a um futuro melhor, uma promessa de dias mais felizes, como Júlio Verne e a era tecnológica ou Thomas Morus e a Utopia. Ou pode ser um exorcismo, uma forma de conter em palavras um futuro terrível e torna-lo impossível justamente porque foi escrito, como fez George Orwell em 1984.
Elegia ou exorcismo, escrever será sempre um ato de magia. Senão, como explicar que escritores possam fazer chorar ou rir, promover a esperança ou o desespero, o amor ou ódio?

Tem capítulo novo no blog Galeão. Confira.

terça-feira, março 17, 2009

O fantasma de Macapá

Esse filme foi rodado na Gruta, balneário de Macapá e mostra um suposto fantasma. Está sendo divulgado de celular em celular e uma cópia chegou até uma equipe de reportagem, que analisou frame a frame e não achou sinais de truncagem. A reação dos garotos também parece autêntica.
De fato, não há montagem, mas a imagem é falsa. Os garotos aproveitaram uma falha dos celulares com câmera VGA, que borra o que está ao fundo, em movimento, deixando a imagem parecida com um fantasma. 
A Kiara, do ótimo blog Neste Instante, está no Diga aí do blog da Alcinea Cavalcante. Vale conferir pela inteligência e humor dessa poetisa e cronista.

O 100 Grana publicou outra resenha de Watchmen, agora do Vinicius Passos, que teve uma percepção do filme muito parecida com a minha. Leia aqui.

Coloco abaixo o comentário que coloquei no texto do Vinicius:

Já que a adaptação era inevitável, pelo menos ela foi feita por um fã que, apesar de todas as concessões para tornar o filme palatável para o público que não leu a HQ, é fiel à obra original e, principalmente, ao significado dela. Ao contrário de V de Vingança, por exemplo, que parece ter sido feito por alguém que leu a HQ e não entendeu. Até mesmo o final, tão polêmico, é extremamente fiel à obra original. A idéia de ¨matar milhões para salvar bilhões¨está lá. Além disso, tem um toque de ironia, já que o que acaba arrasando Nova York é, teoricamente, justamente a ¨arma secreta¨ dos americanos. Esse filme é o mais perto que se poderia chegar de uma adaptação de Watchmen, mas as pessoas vão demorar a perceber isso. Vai ser um fracasso de bilheteria, mas vai virar cult em DVD.

segunda-feira, março 16, 2009

Revista Capitu


Acabei de receber a Capitu, revista do pessoal do Espirito Santo que tem uma colaboração minha, o texto humorístico ¨Impossibilidades quadrinísticas¨. Gostei muito do conteúdo voltado principalmente para o humor. Abaixo o release:


Capitu já está à venda

Já se encontra no mercado a esperada revista CAPITU, editada no obscuro, quente e ensolarado Espírito Santo. São 44 páginas de humor, com boas pitadas de inteligência e senso crítico. Há histórias em quadrinhos, charges, jornalismo mentira e até passatempos.

A primeira edição traz revelações surpreendentes sobre o aquecimento global e uma faceta desconhecida do Tim Maia. Outro destaque é uma incrível e dramática história de carnaval, inspirada em fatos reais.

Com tiragem de 1.000 exemplares e editada pelo jornalista Sacramento de Oliveira e pelo cartunista Turbay, CAPITU conta com colaborações de desenhistas e escritores do Espírito Santo, Rio de Janeiro, Amapá e dos Estados Unidos.
A publicação é aconselhável para maiores de 14 anos. A revista se encontra nas bancas da Região Metropolitana da Grande Vitória (ES), e também pode ser encomendada com os editores, através do e-mail revistacapitu@gmail.com.
A revista custa apenas R$ 4,90.
Editada com apoio da Lei Rubem Braga

Alcançamos as 100 mil visitas! O contador foi colocado algum tempo depois do blog ser criado (eu ainda estava me acostumando ao blogspot) e ainda tem os acessos do tempo em que ficamos no weblog, então o número real deve ser bem maior... Mesmo assim, é um número marcante. Aos leitores, meu muito obrigado.

A polêmica da trilha sonora

Escrever uma resenha, por mais que embasada, é sempre um ato subjetivo. A trilha sonora de Watchmen, por exemplo, tem gerado as mais variadas reações:
O site 100 grana odiou.
O blog Quem matou a tangerina adorou.

domingo, março 15, 2009

Watchmen, finalmente

Finalmente tive a oportunidade de assistir Watchmen completo.
Antes de mais nada, devo dizer que eu era um dos mais incrédulos com a possibilidade de Watchmen ser um bom filme, mas o que vi só confirmou a impressão que já tinha tido: é a melhor e mais fiel adaptação já feita de uma história em quadrinhos.
Era impossível fazer um filme totalmente fiel, pois são muitas tramas e subtramas. O pior é que a maioria das subtramas eram essenciais para a série (como a história em quadrinhos que o garoto lê na banca de revistas) e cortá-las sem prejudicar a trama principal deve ter sido algo muito difícil. O fato de pessoas que nunca leram Watchmen (foi o caso de minha mulher) terem entendido o filme é uma vitória por si só.
Além disso, há um grande respeito pela obra principal, pelo seu significado de crítica da autoridade, da guerra fria, etc. Claro que algumas coisas tiveram que ser deixadas de lado, como o enfoque científico, que foi tema de meu livro Watchmen e a teoria do caos. Também foi deixada de lado a discussão filosófica sobre o tempo, mostrada no capítulo em que o Dr. Manhattan está em Marte, olhando a foto, assim como a profundidade psicológica de Rorschach foi prejudicada. Também a origem do Ozymandias foi prejudicada.
Mas um filme que mantivesse tudo isso teria no mínimo de cinco horas de duração. Na gangorra entre tornar o filme popular e ser fiel à obra original, diretor e roteristas conseguiram algo que pode ser assistido tanto por fãs quanto por neófitos. Isso por si só é uma vitória.





Gostei até mesmo de algumas cenas que têm sido muito criticadas. A escolha da música The Sound of silence, de Simon e Garfunkel, para o enterro do Comediante deu um toque de ironia à cena, como que para destacar que ninguém realmente lamentava a morte do herói (?). A cena do orgasmo de Espectral-Coruja tem sido criticada por ter ficado engraçada, especialmente por causa da música Aleluia, de Leonard Cohen. Ora, um herói que brocha e depois consegue quando veste o uniforme é ou não é algo engraçado? O que o diretor fez foi só destacar algo que já existia na obra original. Ficou entre o erótico e cômico.


A mudança no final também faz sentido. Não sei se o final dos quadrinho funcionaria num filme. E até que acabou fazendo sentido... ligou com outros elementos da trama.

E, nossa, a atriz que fez a Laurie (Malin Akerman) realmente é muito linda!

sábado, março 14, 2009


Cada cor tem um significado e um impacto, inclusive sentimental, sobre a pessoa. Mas, depois de um tempo de exposição (30 segundos ou mais), a pessoa passa ver a cor oposta. O disco de Newton é usado para identificar qual é a cor oposta da que você está usando (seja na pintura de uma parede ou num anúncio publicitário).

Baixe aqui a apostila de Mídia impressa, em que falo desse assunto.

sexta-feira, março 13, 2009

Ficção científica é tema de curso de história

O curso de História da Universidade Federal do Paraná ofertará a disciplina "Tópicos Especiais de História e Ciência" neste primeiro semestre de 2009, ministrada pelo Prof. Dr. Dennison de Oliveira, tendo como objeto de estudo TODOS os episódios da série "Túnel do Tempo"!!!
"Programa: esta disciplina está voltada para o entendimento das relações entre História e Ciência a partir das representações destas categorias em uma série televisiva de origem norte-americana dos anos 1966/67 de enorme sucesso no Brasil e em todo o mundo, 'The Time Tunnel / O túnel do tempo'. Trata-se do produto da indústria cultural dos EUA que maior e mais duradoura [?] influência exerceu sobre o imaginário coletivo nacional no que se refere a formação das concepções de Tempo, História e Ciência e cujo impacto ainda hoje pode ser descrito e analisado. A disciplina se divide em duas partes. Uma primeira parte, de caráter teórico, engloba a leitura e discussão de textos relativos à indústria cultural, História contemporânea e da TV no Brasil. Uma segunda parte, de ordem prática, se refere à análise fílmica, da estética e do conteúdo dos episódios do seriado em si (30 capítulos), num exercício que se pretenda que seja tanto historiográfico quanto cinematográfico[,] servindo, inclusive, como avaliação da disciplina.
Unidade I - Indústria cultural, Imagem e História: questões gerais [...]Unidade II - História contemporânea: dos EUA e da ciência [...]Unidade III - TV no Brasil: determinantes históricos e estruturais [...]"
Horário: segundas e quintas-feiras, das 15:30 h às 17:30 h
Local: Edif. D. Pedro I da UFPR, 4º andar, sala 408 (a confirmar)
Informações: (41) 9115-6578kursk@matrix.com.br

quinta-feira, março 12, 2009

50 minutos de Watchmen


Sem tempo, mas curioso para ver Watchmen, fui ao cinema ver 50 minutos. Entrei na entrevista da Dr. Manhattan e saí na rebelião na prisão. Fiquei impressionado. Adaptar Watchmen era uma missão impossível. O roteirista que fez a primeira versão do texto, adaptando integralmente, diz que o filme deveria ter aproximadamente nove horas para ser totalmente fiel... mas era necessário diminuir para duas horas e meia. Diante, disso, é surpreendente como roteirista e desenhista conseguiram ser fiéis à obra original. Claro, as questões filosóficas e científica tiveram de ser colocadas de lado (o flash back do Dr. Manhattan em Marte foi reduzido a três minutos de filme), mas a situação de angústia de pessoas vivendo à beira do fim do mundo se manteve, assim como a complexidade dos personagens.
Watchmen é uma das grandes obras da humanidade, uma experiência estética que coloca em foco os dramas humanos, as questões filósoficas, científicas, políticas, as possibilidades de interpretação são imensas. Então, era óbvio que o filme não ia chegar nem mesmo aos pés da história em quadrinhos. Ainda assim, é, de longe, a melhor adaptação que já vi de uma obra de Alan Moore. Faz a versão cinematográfica de V de Vingança parecer um lixo.
Pelo menos foi essa a impressão que tive com os 50 minutos de filme que assisti. Vamos ver se essa impressão se mantém com a obra compelta.
Ps: Uma coisa que achei interessante foi ver toda essa pirotecnia e efeitos, típicos de filmes de super-heróis sendo usada em uma obra que foge completamente dos parâmetros desse gênero. Ficou irônico.

Ainda estão abertas as vagas do curso de Artes Visuais do SENAC na modalidade EAD. As inscrições podem ser feitas no endereço http://www.pos-ead.senac.br/. O curso é baseado em imagem de moda, pintura, escultura, filmes e fotografia.

quarta-feira, março 11, 2009

Reforma ortográfica

MAD 12: minha sátira do BBB




Há algum tempo eu contei aqui que estava colaborando com uma das mais famosas revistas de humor do mundo. Agora que a revista já está chegando às bancas, já dá par contar. Sim, eu sou o mais novo roteirista da MAD! E comecei numa edição que vai entrar para a história, com uma sátira do BBB e um brinde especial: um rolo de papel higiênico.


Confira o release:




MAD 12 comemora um ano sobrevivendo nas bancas


Tentaram de tudo, mas no final a idiotice venceu! Foram tantas doideiras neste primeiro ano da nova MAD que até parece que envelheci uns 5 anos (caiu tanto cabelo que eu pensei que o Chewbacca tinha morrido no ralo). Em compensação, a revista está mais retardada do que nunca e cheia de ideias birutas que vão te matar de rir!
Na MAD 12, fizemos uma sátira sacaneando o programa Big Barraco Brasil pra provar que um bando de descerebrados bombados presos em uma casa só pode dar numa coisa… uma bela duma cagada! Pra fazer essa sacanagem chamamos o Raphael Salimena pra desenhar e o maluco do Gian Danton pra escrever.
Também tem um teste pra descobrir que perfil de BBB você tem, que foi bolado pelo João Pinho e tem traços do estreante Juarez Ricci.
Pra não deixar barato, o Davi Kalil mostrou os bastidores da adaptação pro cinema de Dragon Ball Z. Também arrebentamos sem dó o filme mais emuxo do ano: Prepúc–, quero dizer, Crepúsculo. E mais: Aragonés, Obama, Baraldi, Crise Econômica, Spy vs. Spy e toda aquela babaquice que você já acompanha há um ano e não sabe por quê.
É possível ver uma prévia da revista neste link.

terça-feira, março 10, 2009

Linguagem corporal

Quero lhe pedir um favor. Dê uma olhada nessas duas garotas e diga quem é mais bonita. Não tentem racionalizar, simplesmente digam qual delas parece mais bonita e atraente.
Garota 1
Garota 2

Embora as duas fotos sejam quase iguais, a maioria dos leitores, deve ter achado a primeira jovem mais bonita. A única diferença entre as fotos é que, na primeira foto, a garota teve a pupila dilatada. A pupila dilatada demonstra interesse, inclusive sexual, e os homens são programados para reagir a esse fato achando bonitas garotas que estão interessadas neles. Uma estratégia evolutiva, sem dúvida, que demonstra bem as pequenas mensagens subliminares que nosso corpo envia e que são decodificadas por outras pessoas de forma inconsciente.
A nossa incrível capacidade de ler as mensagens subliminares enviadas pelo corpo de outras pessoas é demonstrada na situação de duas pessoas andando num corredor apertado. Na maioria das vezes, as pessoas desviam para lados opostos, evitando se trombar, sem que para isso precisarem trocar uma única palavra.
Vale lembrar que, na maioria das vezes, nem mesmo a pessoa que envia a mensagem, tem consciência disso. É um processo quase que totalmente incosciente de envio, recebimento e decodificação de mensagens.
Tudo na pessoa fala alguma coisa sobre ela: as roupas, os cabelos, os gestos, o sorriso, o olhar e até mesmo a forma como elas imitam inconscimente as outras, o chamado eco posicional. Subalternos costuma adotar posturas semelhantes às de seus chefes como uma forma de dizer: ¨Eu quero ser como você¨. Bons vendedores não só adotam posturas corporais semelhantes às de seus clientes, como ajustam o tom de voz para criar uma empatia.
O eco posicional pode revelar até mesmo interesse romântico. Lembro de uma vez em que vi um rapaz e uma moça num ponto de ônibus. Os dois obviamente estavam flertando, embora nenhum dos dois tomasse a iniciativa de iniciar a conversa. Mas o corpo deles falava, e muito. Quando ela cruzava as pernas, ele cruzava. Quando ele olhava para a esquerda, ela olhava. Quando ele coçava uma parte do corpo, ela coçava... e ficaram nesse jogo de repetições de movimentos por bastante tempo, seus corpos dizendo um para o outro: ¨Eu sou parecido com você e estou interessado. Venha conversar comigo¨.
Um bom conhecimento da linguagem corporal ajuda em quase todas as atividades. A mais óbvia é a área de marketing. Mas até um roteirista de quadrinhos deve ter um conhecimento preciso da linguagem corporal. No meu livro Roteiro para Quadrinhos eu falo, por exemplo, da sequência em que Alan Moore indicou que o personagem Rorschach, de Watchmen, é homossexual.
Nessa sequência, o herói teve uma briga com o amigo Coruja e os dois fazem as pazes. Rorschach pede desculpas e oferece a mão. O Coruja aceita as desculpa e aperta a mão do outro, mas Rorschach não quer largar. Reparem como o Coruja usa a outra mão para se livrar do aperto. Reparem também como o Coruja está constrangido. Ele olha para os lados, evitando o rosto de Rorschach, pois sabe que aquele não é um aperto de mãos normal, e, assim que se solta, afasta-se. Ao mesmo tempo, Rorschach acaricia a própria mão e as manchas em sua máscara formam um sorriso, talvez o único sorriso de toda a história. Sua postura corporal é de garotinho apaixonado...
Compre meu livro Roteiro para Quadrinhos no site da Pop Mídia:
http://www.popmidia.com.br/roteiro-para-hq

Robô programado para amar tem ataque obsessivo

Por Stella Dauer
Um robô programado para simular emoções humanas agiu fora do normal após passar um dia com uma pesquisadora e tentar evitar que ela fosse embora, bloqueando a porta de passagem e exigindo abraços.
Kenji, um robô da Robotic Akimu, empresa ligada à Toshiba, foi programado para emular todo tipo de emoção humana, inclusive o amor. Após uma assistente de pesquisa passar vários dias com o robô para estudar seu comportamento e instalar novas rotinas de aplicativos, este acabou perdendo o controle de si. Em um desses dias, quando a mulher tentou ir embora, se surpreendeu ao encontrar Kenji na porta que dava passagem para a saída. Além de se recusar a desbloquear a passagem, o robô começou a abraçar a assistente de pesquisa repetidamente.
A mulher só pode sair após pedir socorro por telefone a outros membros da equipe que estavam fora da sala. Eles conseguiram desligar o robô pelas suas costas e só então o sufoco passou. O site CrunchGear relata que, além dos abraços, Kenji expressava seu amor pela vítima com barulhos animalescos. Leia mais

Ps: É, o amor é perigoso...

Gian Danton: a origem do pseudônimo

Algumas pessoas têm me perguntado qual a origem do meu pseudônimo Gian Danton. Essa é uma pergunta comum, mas, olhando para trás, percebo que nunca escrevi sobre o assunto.
Gian Danton surgiu em 1989, quando comecei a publicar minhas primeiras histórias em quadrinhos, em parceria com Bené Nascimento (Joe Bennett). Um amigo de teatro, que já havia tido problemas com a ditadura militar, e vendo que minhas histórias poderiam ser consideradas subversivas, me aconselhou a usar um pseudônimo.
Além disso, na época eu estava inaugurando uma coluna no jornal O Liberal e já havia colunas de uns tais de Ivan Andrade e Ivan Oliveira (eu não havia pensado no Ivan Carlo).
Na época eu era quase obcecado pela revolução francesa. Tinha tudo que saía sobre esse fato histórico: livros, revistas, fascículos. E Danton era o personagem mais interessante dessa trama que mudou o mundo. Os outros dois grandes revolucionários pareciam mais bidimensionais: Marat era o revolucionário radical e Robespiere era o homem de costumes austeros, que levou a revolução na direção do terror.
Danton era revolucionário radical, mas também era humano, tanto que foi o único a se levantar contra o terror revolucionário, que matou milhares de pessoas (inclusive crianças), apenas porque eram nobres ou porque discordavam de Robespiere. Era também um bom-vivant, um homem divertido e inteligentíssimo, que tinha sacadas geniais. Quando ele foi julgado, tiveram que fazer um julgamento secreto e proibi-lo de falar, senão ele era capaz de convencer até os juizes (o julgamento era uma farsa, pois Danton estava condenado desde o início).
Quando o acusaram de ter se vendido para os nobres, por exemplo, Danton respondeu: ¨Vendido? Eu? Um homem como eu não tem preço!¨.
Adotei o nome Danton para homenagear esse homem interessantíssimo. No começo eu assinava Jean Danton, mas ficava estranho, especialmente na hora de assinar.
Na época eu me interessei pelo Barroco italiano e descobri um artista chamado Gian Lorenzo Bernini. Arquiteto, pintor, teatrólogo, escutor, Bernini foi para o barroco o que Leonardo Da Vinci foi para a Renascença.
Da junção dos dois nomes, um italino e outro francês, surgiu um nome único no mundo (pelo menos ainda não encontrei no google outra pessoa com esse nome) e foi com ele que fiquei conhecido. Mais tarde, quando tentei me livrar do pseudônimo, já era tarde: todo mundo me conhecia apenas como Gian Danton.

Record de visitas

Ontem tivemos 1.275 visitas, um record absoluto. Essa inflação de acessos aconteceu, evidentemente, por causa de meu texto no 100 grana sobre a base científica e filosófica de Watchmen. Com isso vamos chegar, antes do final de semana, a 100 mil acessos.

segunda-feira, março 09, 2009


O site 100 grana publicou um texto meu sobre as bases científicas e filosóficas que Alan Moore usou para escrever Watchmen. Para conferir, clique aqui.

O entrevista do blog Papo de Quadrinhos é o Raphael Fernandes, editor da MAD. Vale conferir.

Desrespeito ao consumidor


Falei aqui sobre o cinema ter pegado fogo no dia em que fomos assistir Watchmen. Uma fatalidade, sem dúvida, mas o que é realmente chato é a forma como foi tratado o consumidor. Na hora, ninguém sabia me dizer se o filme Watchmen havia queimado ou não. Ninguém sabia dizer se ia ter sessão ou não no dia seguinte (ontem) e me passaram um telefone para ligar. Liguei diversas vezes, para todos os números que conhecia(inclusive o geral, do shoping) e ninguém atendia. Diante de um fato desse, era importantíssimo criar algum canal de comunicação com o consumidor, para avisá-lo da situação. Imagino quantas pessoas foram parar lá no cinema, só para descobrir que o filme não estava passando. Pior: os anúncios na TV continuam saindo, e com horário errado. Na TV, o primeiro horário é às 16:30, no cinema é às 15 horas. Sem um número que a pessoa possa ligar para confirmar se o filme vai realmente passar e qual o horário, MUITA gente deve ter perdido a viagem... e saído de lá com cara de palhaço.
Esse, aliás, é um exemplo de que marketing não é propaganda, ou pelo menos não é só propaganda. O cinema até que está anunciando bastante, o que deve estar levando muita gente ao cinema. Pessoas que estão saindo insatisfeitas porque a comunicação não bate com a realidade.

Dove beleza real

O vídeo abaixo foi usado pela Dove para reposicionar seus produtos como sendo para mulheres de verdade, em oposição aos produtos de outras empresas, que seriam destinados a mulheres irreais. Esse novo posicionamento capitalizou a vontade das mulheres de serem valorizadas e aumentou em 30% o faturamento da empresa. Fez tanto sucesso que gerou várias imitações e parádias:







domingo, março 08, 2009

Em homenagem ao dia das mulheres


Um dos grandes problemas na estratégia promocional de amostra grátis é como distribuir essas amostras. Uma ótima solução encontrada foi o site Amostra Grátis, no qual o internauta pode pedir amostras que vão de camisinha a perfumes.

Igreja Católica e a coerência histórica

Como essa semana foi muito corrida, não tive tempo de comentar dois fatos que chocaram o Brasil.
O primeiro deles foi a menina de nove anos, violentada pelo padastro, grávida de gêmeos. Como não tem o aparelho reprodutivo totalmente formado, a menina (que tem apenas 33 quilos) precisou passar por um aborto, pois a gravidez colocava em risco sua vida.

O segundo fato que chocou o Brasil foi a declaração do arcebispo de Olinda e Recife, Dom José Cardoso Sobrinho, que não só condenou o aborto, como excomunhou todos os envolvidos: mãe da menina, médicos, integrantes de uma ONG que deu assistência à menina...
É uma inversão de valores: ao invés de excomungar o estuprador, a Igreja Católica excomunga as pessoas que estão dando assistência à vítima! E faz isso por nada: se a gravidez continuasse, muito provavelmente a menina morreria, assim como os bebês. Com o procedimento, salva-se pelo menos a garota.
Pelo menos a Igreja Católica está sendo coerente: vale lembrar que os padres envolvidos em pedofilia também não foram excomungados e muitos ainda continuaram exercendo suas funções.
Leia aqui um interessante texto sobre a inquisição.

História dos quadrinhos

Os companheiros do crepúsculo

Entre os artistas franceses da nova geração, surgidos na década de 1970, um nome se destaca não só pela qualidade dos desenhos, mas, principalmente, pelo ótimo roteiro. Trata-se de Français Bourgeon, criador da série Companheiros do Crepúsculo.
Bourgeon nasceu em Paris, França, em 1945 e começou sua carreira artística pintando vitrais em catedrais e restaurantes da Inglaterra. Esse começo ia ter grande influência em seu trabalho posterior, principalmente no detalhismo de seu traço.
Em 1973 ele começou a desenhar a série infantil Brunelle et Colin (com texto de Robert Genin) para a revista Lissete, mas seu primeiro trabalho mais autoral só viria em 1978, quando ele desenhou Malthe Guillaume para o texto de P. Dhombe.
Em 1979 surgiu a primeira série com roteiro seu, Passageiro do Vento, um clássico dos quadrinhos europeus. A personagem principal da série é Isa, uma moça boa de tiro que se veste de homem para trabalhar num navio.
Bourgeon conta que começou a fazer passageiros do vento para aproveitar seus conhecimentos sobre a marinha do século XVIII: ¨Pensei em fazer uma aventura de corte bastante clássico, no espírito das novelas de capa e espada... depois a aventura ficou em segundo plano e me dediquei a explicar a relação entre os personagens¨.
A série tem cinco álbuns. Os melhores são os três últimos, quando Isa, o marido e uma amiga vão para a África a bordo de um navio negreiro. Bourgeon mostra em detalhes o funcionamento do tráfico de escravos, o modo de vida dos negros, a relação entre as tribos (muitas da quais viviam de vender escravos aos brancos).
Embora a HQ denuncie as atrocidades cometidas contra os negros, os personagens não se dividem em heróis e vilões. Ao contrário, são tridimensionais, na tradição da boa literatura.
Em 1983, Bourgeon lança seu trabalho mais importante: a série Companheiros do Crepúsculo. Dessa vez a história se passa na Idade Média, que é mostrada com um realismo poucas vezes visto nos quadrinhos, inclusive em termos de violência. O autor mostra a fome, a peste, a luta entre plebeus e a nobreza... em um das seqüências, um grupo de soldados passa por uma vila, vindos da guerra e destroem tudo, violentam as moças, matam os homens e usam a barriga de uma gestante como alvo para sua flechas. Tudo baseado em fatos reais, documentados.
A história também flerta com o fantástico ao mostrar duendes e tradições da magia celta.
Os personagens principais são um cavaleiro de rosto deformado, que anda à procura da morte para acertar umas contas; um pajem que foi encontrado pendurado em uma forca e Mariotte, uma rapariga ruiva.
A moça acaba se tornando a personagem principal da série: ¨As mulheres têm em minhas histórias o mesmo papel que têm na vida de muitos indivíduos. Sem mulher eu não existiria, sem ela a vida não teria muito interesse¨.
Outro aspecto interessante em Companheiros do Crespúsculo é o fato do leitor nunca saber ao certo o que é realidade e o que é sonho. Essa impressão é particularmente forte nos dois primeiros números. No terceiro álbum, Bourgeon tornou mais realista a história, dedicando-se a analisar as relações sociais na época da Idade Média.

sábado, março 07, 2009

Perguntas sobre a crise

Sexto sentido e as elipses

Assisti Sexto Sentido, que comprei da coleção da Veja.

Como todo bom filme, a cada vez que assisto Sexto Sentido, encontro algo novo. Na primeira vez, claro, o que mais chamou a atenção foi o final surpresa, mas dessa vez o que mais me chamou a atenção foi a estrutura do roteiro, em especial o uso das elipses. A elipse é uma figura de estilo que consiste em suprimir uma palavra ou parte de uma frase. Por exemplo:

Daniel gosta de laranja, Kiara, de maçã.

Esse recurso é muito usado nos quadrinhos. Entre um quadro e outro, há uma elipse, um corte nas ações. Uma pessoa se aproxima da porta. No quadro seguinte, ela está saindo de casa. Os atos de pegar na maçaneta, girá-la e abrir a porta, fica subentendido. É uma elipse.

A forma como Shyamalan trabalha com elipses é genial, talvez a melhor características de seu estilo. Em sexto sentido, por exemplo, vemos Bruce Willis sendo baleado e a narrativa pula no tempo. Só no final do filme essa elipse é preenchida.

Quando o pequeno Cole pergunta à menina fantasma se ela quer dizer alguma coisa, temos mais uma elipse genial. A narrativa pula para o momento em que o garoto está chegando no velório da garota, onde encontrará a fita que revelará que a mãe a envenava. A conversa fica subentendida.

Essas elipses, além de estimularem a imaginação e a reflexão do leitor, tiram a narrativa do lugar comum, fugindo do óbvio.

Outra elipse que vai ter grande importância na história acontece em A Vila, do mesmo diretor. O pai da garota cega começa a lhe contar a verdade sobre o monstro que aterroriza o local e a narrativa salta para quando ela está na floresta, indo buscar remédio para o seu amado. Só muito depois descobrimos a verdade.

Bom roteirista é bom roteirista...

Watchmen pegou fogo em Macapá!

Apesar de eu ainda estar um pouco baqueado por causa de uma virose, fomos assistir Watchmen, até porque nas próximas semans provavelmente não vou ter tempo... e, advinhem? O filme pegou fogo! Sério! Para quem não sabe, o produto de que é feita a película é inflamável, embora as películas mais modernas raramente peguem fogo. O fato é que aconteceu. Chegamos atrasado e nos assustamos com o monte de bombeiros. Pelo que soube, o problema foi em Watchmen mesmo, o que significa que Macapá vai passar alguns dias sem o filme mais esperado pelos leitores de quadrinhos. É muito azar...

'Watchmen' dita novos rumos para adaptar quadrinhos ao cinema

Carla Navarrete Do Diário OnLine

Se você nunca leu a HQ de "Watchmen", provavelmente não está entendendo a recente comoção em torno do lançamento do filme, que estreia nesta sexta-feira nos cinemas de São Paulo e da região. Mas quem é fã com certeza vai abrir espaço na agenda nos próximos dias para conferir essa versão para as telas dirigida por Zack Snyder, o mesmo de "300".

Entre os conhecedores da ‘graphic novel'' (quadrinhos para adultos) de Alan Moore e Dave Gibbons que já assistiram o filme, os comentários têm sido unânimes: Snyder atingiu a perfeição em termos de adaptação cinematográfica, ao se manter o mais fiel o possível à HQ que o inspirou. Mesmo uma mudança no final da história foi considerada como sendo de acordo com a obra. Leia mais

sexta-feira, março 06, 2009

Versão apócrifa dos Watchmen?

Já imaginaram se os Watchmen tivessem ganhado uma versão animada na década de 1980, naquela linha de desenhos infames? Pois é, teve um doido que imaginou e fez: Harry Partridge. O resultado é hilário para quem conhece a história pela forma como os personagens foram descaracterizado. E pensar que quase sai um filme dos Watchmen tão ruim quanto isso... (o diretor chegou a declarar que eles queriam uma franquia e que nesse primeiro o filme o herói deveria matar o vilã!)

Com vocês, os Watchmen animados, mas infames:

quinta-feira, março 05, 2009


Recentemente fiz um roteiro para uma famosa revista de humor (segredo, segredo!) que foi ilustrado pelo Raphael Salimena. Fiquei impressionado com a qualidade do traço do homem e descobri que ele tem um ótimo blog, o Linha do Trem, que vale uma visita.

Depois eu conto que trabalho foi esse.

O homem anfíbio


Lendo o livro Ecologia e Biomidiologia, de Flávio Calazans, eu deparei com uma teoria que já conhecia pela obra de Desmond Morris (O Macaco nu): a de que o homem já viveu na água. Ou seja, de que somos anfíbios.
Essa teoria foi expressa pela primeira vez em 1930, pelo biólogo marinho Sir Alister Hardy. Comparando o ser humano com os macacos, ele percebeu várias diferenças, entre elas uma camada de gordura que temos sob a pele, que mantém a temperatura dos órgãos durante o mergulho. Só baleias e golfinhos têm tal característica.
Além disso, Hardy descobriu que nossos pêlos têm uma organização hidrodinâmica, ao contrário dos macacos, que têm pelos retos. Além disso, choramos lágrimas salgadas em abundância, como os leões marinhos, ao contrário dos macacos e outros animais das savanas. Nosso labirinto auricular nos dá mais equilíbrio que os primatas quando estamos imersos na água. Entre os dedos das mãos e dos pés temos uma membrana palmar que não pode ser observada nos primatas. Nosso nariz é hidrodinâmico, parece ter sido feito para mergulhar, ao contrário dos macacos.
Todas essas características somam-se a uma que parece ser reflexo subconsciente de nosso passado na água: os bebês humanos nadam sem medo e sem aprender.
Não há quem negue o fascínio que a água exerce sobre o ser humano. Sempre que quer se divertir, o homem se aproxima da água, seja em praias, piscinas ou rios. Nós, que moramos na região amazônica, tão abundante em rios e riachos, percebemos claramente o quanto as pessoas associam diversão com água. Parece que o ser humano se sente relaxado e feliz quando está nadando ou simplesmente próximo à água.
Todas essas características parecem colocar em xeque a idéia de que a origem do homem está nas savanas africanas. Talvez a origem da nossa espécie esteja no mar ou nos rios.
Talvez o nosso parente mais próximo não sejam os macacos, mas os golfinhos, que, como nós, saíram da terra e passaram a viver na água. Mas, ao contrário de nós, os golfinhos decidiram continuar por lá. Sorte deles.

Estratégia de lançamento de Watchmen tem Dr. Manhattan gigante

Antecipando-se à estréia mundial do filme Watchmen no dia 6 de março, a Paramount promoveu um espetáculo sem precedentes em Londres nesta última quarta-feira, 4.A imagem do Dr. Manhattan foi projetada no Rio Tâmisa, em um espelho d’água com 22 metros de altura por 30 metros de largura. Os organizadores garantem que é o maior espelho d’água do mundo e que foi criado especialmente para a ocasião. Leia mais no Papo de Quadrinhos.
Comentário: Curioso como as estratégias de lançamento de filmes estão cada vez mais elabordadas. Essa imagem gigane do Manhatthan lembra a intervenção urbana feita na Austrália quando do lançamento do filme Batman Begins.

quarta-feira, março 04, 2009

Unama oferece curso ‘Cinema x Quadrinhos’

Buscando estreitar a relação entre a Arte Cinematográfica e as HQ, a Unama - Universidade da Amazônia realiza entre os dias 16 e 30 deste mês o curso 'Cinema x História em Quadrinhos'. As inscrições estão abertas e podem ser feitas na Superintendência de Extensão (Supex) da Unama.
Arnaldo Corrêa Prado Junior ministrará o curso, que destacará os diversos personagens que se tornaram ícones nos comics e que foram adaptados para a “fotografia em movimento”. Arnaldo é engenheiro por formação e vice-presidente da Associação de Críticos de Cinema do Pará (ACCPA), tendo publicado críticas de cinema em diversos jornais locais. Leia mais

O Arnaldo foi meu orientador do TCC. Embora não fosse da área de comunicação (e, na verdade, na época fosse pró-reitor da UFPA, ele se disponibilizou a orientar a minha monografia, que foi o primeiro texto a falar, no Brasil, que Watchmen é baseado na teoria do caos. Fica a dica para quem mora em Belém.

Tem capítulo novo no blog do Galeão. Confira.
Para quem não conhece a história de Galeão, aí vai uma sinopse:
Galeão é uma obra de fantasia histórica que se passa em algum lugar do Atlântico, no século XVII. Depois de uma noite de terror, em que algo terrível acontece, os sobreviventes descobrem que estão em um navio que não pode ser governado e repleto de mistérios. A comida está sumindo, alguém está cometendo assassinatos, uma mulher é violentada e o tesouro do capitão parece ter alguma relação com todo o tormento pelo qual estão passando.Além da narrativa do navio, são mostrados flash backs dos personagens, revelando que todos eles têm algo a esconder.Galeão mistura vários temas da ficção fantástica e outros gêneros: os duplos de Edgar Alan Poe, o Aleph de Borges e outros, misturados com uma trama policial, já que um psicopata parece estar agindo entre os sobreviventes. A história torna-se, assim, um quebra-cabeça a ser desvendado pelo leitor.

terça-feira, março 03, 2009

Literatura nas bancas

A edição 22 da revista Discutindo Literatura (que agora mudou seu nome para Conhecimento prático Literatura) tem um artigo meu sobre a série de ficção-científica Perry Rhodan. A matéria está muito bem diagramada, o que valorizou muito o conteúdo.
Aliás, a revista como um todo deu um salto, principalmente visual, mas também em termos de conteúdo. A mudança da logo, por exemplo, foi muito bem vinda, caracterizando melhor o produto no ponto de venda (detalhe para o A no formato de livro) e dando um ar mais profissional.