segunda-feira, abril 11, 2011

Os Estranhos Mundos de Phillip K Dick parte 2

Por Jefferson Nunes

As frustrações de Dick com a ficção científica cresceram, e tornou-se evidente o seu descontentamento. Ao longo de sua carreira Dick ansiava por um público mais amplo e tentou escapar do gueto da ficção científica. Invejava escritores como Ursula K. Le Guin, que adquiriu uma reputação séria e era publicada no The New Yorker. Seus leitores, queixou-se Dick, eram “trolls e malucos."
Apesar da boa recepção da crítica e público, a situação financeira de Dick ainda era lastimável. Frustrado por não conseguir publicar seus contos de não-ficção (Nos anos 50 e início dos anos 60, escreveu uma série de contos, rejeitados pelos editores da época. Estes eram principalmente histórias muito sombrias sobre amores frustrados. Rejeitado pelo "mainstream" deixou de lado os escritos realistas em 1963 e abalado com o final do seu segundo casamento,  entrou em um período de descobertas, e renovação intelectual, deixando para trás a ficção científica tradicional e seus clichês,  passando a ser influenciado por autores como Kurt Vonneghut e William Burroghs, injetando em sua literatura doses cada vez maiores de experimentalismo e inovações.  
Foi a partir daí que passou a criar seu estilo próprio e peculiar : Passou a modificar o gênero da ficção científica a partir de dentro, ignorando as expectativas de seus editores.
Em particular, Dick violou as convenções da FC Hard, de que os enredos deveriam ser rigorosamente "extrapolativos" da ciência exata, e que deveriam ser "proféticos", tratando de futuros plausíveis.
Até o final dos anos 50, estas regras eram rigorosamente respeitadas.
Quando o editor Hugo Gernsback lançou sua revista Amazing Stories em 1926, deu inicio a ficção científica moderna. Ele contratou então, o genro de Thomas Edison como consultor. Em seu auge, a publicação, possuía uma estranha cláusula: Que os escritores utilizassem o "e se?"- e rigorosamente obedecessem as leis da ciência a partir daí. Após a Segunda Guerra Mundial, essas convenções caíram e a narrativa otimista foi substituída por distopias e questionamentos sobre as verdadeiras intenções da ciência.
 Os Escritores mais famosos, Asimov, Heinlen (escreveu Um Estranho Numa Terra Estranha, considerado o livro favorito dos hippies na época) e Bradbury (Bradbury não é considerado escritor de FC Hard, aliás ele é na verdade escritor de fantasia e fantasia científica, o que vai bem longe aos dogmas de precisão cientifica), permaneceram fieis aos dogmas  de Campbell, de precisão científica e profecia plausível.
Phillip K Dick era uma espécie de “Anti-Asimov”. Enquanto este dizia: "Nas minhas histórias eu sempre sugiro um mundo saudável". As realidades que saíam da mente de K. Dick eram, no mínimo, insanas. Campbell, o editor monarca da ficção científica pós-guerra, se recusava a publicar as histórias de Phillip por considerá-las "demasiadamente neuróticas”.
Dick estava atento a produção intelectual do final dos anos 50: a psicanálise existencial de Ludwig Binswanger, a cibernética de Norbert Weiner, a teoria dos jogos de John von Neumann, psicologia Gestalt e Carl Jung, o budismo tibetano e o I Ching.
Em 1962, lança aquela que e considerada por muitos a sua obra prima, ‘O Homem do Castelo Alto’. Um estudo de um universo alternativo em que o Eixo ganhou a Segunda Guerra Mundial. Um comerciante japonês de relíquias e um escritor começam a ter vislumbres de uma outra realidade onde os Aliados ganharam a Guerra. Esse romance foi escrito com a ajuda do I- Ching, cujas respostas ele utilizou para decidir os rumos da história e dos seus personagens.
 Os editores ignoraram, mas os fãs e escritores de ficção científica reconheceram o valor literário, concedendo o Prêmio Hugo de ficção cientifico em 1963.

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