terça-feira, abril 12, 2011

Os Estranhos Mundos de Phillip K Dick parte 3


Por Jefferson Nunes
Movido por fracassos conjugais, práticas esotéricas e um coquetel diário de anfetaminas e scotch, K. Dick criou onze romances em um período de apenas poucos anos. Essa foi considerada sua fase mais criativa.
Em 1963, Philip K. Dick experimentou a primeira de uma série de "visões" que amplificaram sua angústia existencial. Deprimido por outro casamento infeliz e perturbado por lembranças do passado, Dick relatou que viu "um grande mal" no céu. Ele tinha "buracos vazios nos olhos”.
A partir desta visão surgiu o personagem Palmer Eldritch de ‘Os Três Estigmas de Palmer Eldritch’.
 Com esse romance, K. Dick nos colocaria em dúvida a solidez do nosso universo, a solidez de nós mesmos. Com Palmer Eldritch ele aperfeiçoou um de seus temas, a alucinação.
Em Ubik ele aperfeiçoaria o outro, a experiência da entropia, o início da "decadência, deterioração e destruição". Ubik é uma comédia de obsolescência forçada.
Estes dois romances deram a reputação de um mestre da ficção científica experimental, para o escritor . Mas K. Dick, como de costume, recebeu poucas recompensas financeiras. Em plena meia-idade morava em uma casa degradada, coberta de entulhos, em Santa Venetia, um depósito do submundo e de fugitivos da lei. Em 1968, lança sua outra obra-prima “Do Androids Dream o Eletric Sheep ?”(“ Sonham os Andróides com Ovelhas Elétricas?”, numa tradução livre). Neste romance o protagonista Rick Deckard tem como missão caçar uma gangue de andróides renegados e com o dinheiro da recompensa comprar uma ovelha de verdade, já que os animais estão quase extintos e apenas os mais ricos possuem animais verdadeiros. A obra é um estudo sobre o que nos faz humanos. Chegou aos cinemas em 1982 com o título Blade Runner – O Caçador de Andróides (Ridley Scott, EUA, 1982)
Brigas constantes com namoradas e o medo que o FBI e o IRS (Imposto de renda) o prendessem, fizeram K. Dick sucumbir a sérios ataques de pura paranóia. Sua paranóia não era totalmente sem fundamento, pois em 1957 a CIA interceptou uma carta que ele havia enviado a um físico soviético.
Em 1971 invadiram sua casa e roubaram seus documentos. K. Dick dedicou incontáveis horas de especulações sobre a identidade dos invasores. Ele suspeitava do FBI, dos Panteras Negras, de uma gangue de traficantes de drogas local, dos milicianos de direita e de si mesmo.

1 comentário:

  1. Esse é um grande livro "Podem, os androides, sonhar com ovelhas eletronicas?".

    Decidi ler o livro de tanto que falavam do filme (conhecido como Blade Runner). Falavam tão bem do filme que eu, nos meus 15 anos, já dizia que gostava do filme sem nem ter assistido.

    E não deu outra. O livro é, na minha opnião, segundo melhor livro do Dick.

    Depois eu fui assistir o filme já imaginando todo aquele mundo transpassado para o cinema.

    Nunca fui o tipo de cara que fica comparando adaptações, afinal, livro é livro e cinema é cinema são midias completamente diferentes mas, que decepção.
    Filme péssimo. Não é a toa que tenha sido um fracasso de bilheteria.

    Só não entendi o motivo de ser cult.

    Mas o livro é infinitamente recomendavel.

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