quarta-feira, abril 13, 2011

Os Estranhos Mundos de Phillip K Dick parte 4


Por Jefferson Nunes 
Os romances de Philip K Dick previam que a nação pós-anos 60 caminhava para uma era de repressão policial sem fim.
Em ‘Flow My Tears, The Policeman Said’ (1974), as autoridades se utilizam de sensores e mini-câmeras para resolver o mistério de um mendigo que pensa que  é um apresentador de talk show, mesmo que ninguém tenha ouvido falar dele. ‘A Scanner Darkly’ (1977) mostra um policial disfarçado,  em uma Los Angeles onde viciados vivem em áreas segregadas e o acesso aos shoppings é restrito àqueles com os cartões de crédito corretos. A  Scanner Darkly é seu livro mais engraçado e ao mesmo tempo comovente.
Em 1972, tentando escapar das confusões, das drogas e do caos de sua vida, K. Dick viaja para Vancouver, Canadá, onde é um dos principais palestrantes em uma convenção anual de escritores de FC. Em sua palestra "O Andróide e o Homem", K. Dick fascinou os jovens anarquistas, exibindo um elo em comum com eles, a disposição para desafiar o sistema, e os incitava a “construir melhores aparelhos eletrônicos em suas garagens que iriam superar os dispositivos desenvolvidos pelas autoridades". Phillip acreditava que a cada dia a raça humana estava se tornando mais brutal e mecanizada, enquanto que nossos “filhos”, os computadores, se tornavam cada vez mais sensíveis.
 Tendo dissertado sobre o iminente colapso da sociedade em seu discurso, K. Dick sofreu seu próprio colapso, dando entrada em uma clínica de reabilitação em Vancouver.
 Influenciado por um professor universitário que admirava seu trabalho e que queria ajudá-lo a mudar de vida, voltou para a Califórnia e mudou-se para o que chamava de "prisão de segurança”, um complexo de apartamentos em Orange County.
 Mas a serenidade de sua nova vida não duraria muito. Quando um grupo de autoridades francesas o visitou em Orange County, para discutir suas noções de "irrealidade", ele ofereceu-lhes uma exposição de suas opiniões, mas logo que saíram, ligou para o FBI e avisou que havia um bando de subversivos circulando pelo bairro.
A posição política de Dick nunca foi coerente. Ele dedicou ‘A Scanner Darkly’ ao procurador-geral Richard Nixon, e em seus diários ele trata a queda de Nixon como um acontecimento especialmente sagrado. Casou-se novamente e passou a se “limpar” das drogas, até mesmo escreveu  ao governo americano, oferecendo  ajuda na guerra contra as drogas.
Em março de 1974, Dick teve uma série de visões que o perseguiram pelo o restante de sua vida.
Um ataque de percepção e iluminação que durou algumas semanas. Os sinais desta experiência eram muitos: luzes multicoloridas, textos em latim antigo e russo, visões de uma enorme "prisão", mensagens de que o Império Romano nunca morreu... Quando tudo terminou, ele acreditava que tinha recebido a confirmação final de que o universo era na verdade falso.
Com seus escritos místicos, Dick não estava buscando um modo de converter os outros a suas crenças Cristãs Agnósticas, mas tentando compreender a si próprio. Nunca esteve satisfeito com suas especulações. Questionava sempre a realidade de suas alucinações, e o que as tinha provocado. Sinais de rádio vindos do futuro? Vitaminas solúveis em água? Um golpe?
Dizia sempre que : "A minha vida... é exatamente como a trama de qualquer um dos meus romances".
Em 76 abandonou sua última esposa e mudou-se para o norte de Sonoma onde viveu em um asilo e escreveu ‘A Transmigração de Timothy Archer’, que era uma mistura de livro de memórias e romance sobre seu amigo James Pike, ex-bispo da Igreja Episcopal da Califórnia, desaparecido no deserto da Jordânia na procura por Jesus.
No início dos anos 80, Dick esperava reviver. Com sua obra sendo redescoberta por jovens escritores e uma nova geração de leitores, e os royalties das edições de sua obra em alemão, francês e japonês chegando todo o mês, pela primeira vez, sua vida parecia em ordem.

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