sábado, julho 27, 2013

Dr. Estranho


Em 1963, Stan Lee resolveu dar uma mexida na revista Strange Tales. O gibi sempre trazia duas ou três histórias de aventura ou fantasia em cada edição, mas não tinha personagens fixos. Com o sucesso da revista do Quarteto Fantástico, o roteirista e editor deduziu que poderia aumentar as vendas de Strange Tales publicando histórias solo do Tocha Humana. Deu certo e as vendas foram um sucesso. Se um herói funcionava, talvez dois funcionasse mais ainda. Foi assim que surgiu o Dr. Estranho, o herói místico da Marvel que se tornou símbolo da geração hippie. 
Lee se baseou nas lembranças de infância, quando ouvia no rádio o programa Chandu, o mágico. Ele ficava eletrizado quando uma voz portentosa anunciava: “Channnnndu, o mágico!” e um gongo soava. Lee decidiu que seu novo personagem teria aquela aura de mistério. O nome do personagem foi tirado do título da revista em que ele iria estrear. Para desenhar, Lee chamou Steve Ditko (o co-criador do popular Homem-Aranha) , um mestre da narrativa visual, que se adequava muito bem ao clima mágico da série.

Uma das características interessantes do personagem é que Stan Lee criou vários encantamentos, dando-lhe aquele ar portentoso que tanto admirava em Chandu. Assim, ao invés de simplesmente dizer: “Homem-aranha, desapareça!”, ele dizia algo como “Demônios da escuridão, deuses do alvorecer, pelas chamas de Faltine, façam o Aranha desaparecer”. Os nomes estranhos, como Dormannu e olho de Agamoto ajudaram a compor a mitologia do personagem com muita propriedade.
Doutor Estranho era Stephen Strange, um cirurgião genial, mas arrogante e egoísta, que fica impedido de operar após um acidente de carro. Procurando uma cura, ele vai até a Índia, atrás do Ancião, o Mago Supremo. Lá ele descobre que o discípulo Mordo quer matar o mestre, mas como este lhe impôs um encanto de silêncio, ele aprende as artes mágicas para conseguir quebrar o encanto, tornando-se um mago.
O primeiro grande festival hippie aconteceu em 1965, em São Francisco com o titulo de “A Tribute to Dr. Strange”, a repercussão na época foi enorme o que levou Stan Lee a dar entrevista para várias emissoras de TV (Nada mal para um cara que pensou varias vezes em largar a profissão e tinha vergonha de dizer que escrevia quadrinhos).
A  possível explicação para o sucesso do personagem dentro da contracultura está ligado diretamente a seus enredos recheados de temas esotéricos e filosofia oriental. Esse público se tornou ainda mais fiel quando o personagem começou a ser escrito pro Steve Englehart e desenhado por Frank Brunner, na década de 1970. Os roteiros se tornaram surreais, com o personagem atravessando dimensões e até mesmo entrando na mente de seu mestre.  A arte de  Brunner se encaixava perfeitamente nesse tipo de narrativa ao abusar de perspectivas distorcidas lembrando viagens psicodélicas e com o grafismo muito próximo das revistas underground como a Zap comics de Robert Crumb.
Embora não tenha sido o primeiro místico a ser criado nos quadrinhos, o Doutor Estranho se tornou um dos magos mais queridos e de maior sucesso justamente por quebrar com as regras desse tipo de HQ com suas estórias que usavam e abusavam de conceitos esotéricos de magos como Aleister Crowley e Blavatsky muito distante dos “Abakadrabas” que permeavam esse estilo ate então.

(Texto escrito em parceria com Jefferson Nunes)

1 comentário:

  1. Um dos meus personagens favoritos em Marvel vs capcom de ps3

    ResponderEliminar