terça-feira, maio 23, 2017

A marca da pantera

Os anos 60 foram o auge da luta pelos direitos civis nos EUA. Figuras como Martin Luther King e Malcom X serviam de inspiração para milhões de negros americanos, cansados de serem tratados como cidadãos de segunda classe.
A Marvel comics era a editora que na época estava mais antenada com os anseios daquele momento de mudanças profundas. Stan Lee e Jack Kirby faziam sua própria revolução nas paginas coloridas das Hqs.
Em 1966 a dupla criou um personagem coadjuvante no numero 52 do  Fantastic Four, era o príncipe africano T'Challa, mais conhecido como o Pantera Negra o primeiro herói negro dos comis americanos.  A polemica não ficava apenas no nome (que  Stan Lee ficou receoso em utilizar), uma alusão direta ao movimento Black Panther que fez tremer a direita americana nos anos 60, mas em como o personagem era apresentado.
Até aquela época os negros eram retratados pelos comics americanos de forma caricata e preconceituosa, como por exemplo o Ebano ajudante do the Spirit de Will Eisner ( que anos depois pediu desculpas a comunidade negra pelo modo racista com que escrevia o personagem) dentro do estereotipo do Pai Tomas, o do negro preguiçoso, burro e malandro.
Pantera Negra é o nome do  uniforme cerimonial da nação africana de Wakanda. Filho do rei T'Chaka, T'Challa  ingeriu na infância uma poção preparada  com uma erva mágica em forma de coração, que, de acordo com uma antiga tradição, deve ser ingerida por todos os futuros reis de Wakanda em um ritual secreto. A poção desperta os poderes do "Espírito da Pantera": força e agilidade sobre-humanas e sentidos super-aguçados.

Antes de obter os poderes, porém, T'Challa praticou todas as artes marciais do mundo e estudou nos melhores colégios (e universidades) da Europa e dos Estados Unidos, onde se formou como físico. Esta formação, por sinal, permitiu que ele no futuro criasse seu uniforme feito de Vibranium, um metal que absorve som e impacto e que é a principal fonte de renda de Wakanda, o "país mais rico e desenvolvido tecnologicamente de toda África do Norte".
Embora tenha sido criado na era de prata, o personagem ficou realmente famoso na era de bronze, quando estreou aventuras próprias, escritas por Don MacGregor e desenhadas por Billy Graham. A partir do número 5 da revista Jungle Action, de 1973, os leitores puderam acompanhar o herói em uma aventura em que ele volta para a África para combater uma revolta armada liderada pelo vilão Terror Negro. Roteirista e desenhista não perderam a oportunidade de aprofundar a mitologia e a personalidade do Pantera Negra. As histórias eram eletrizantes e o desenho de Graham perfeitos para mostrar a savana africana. A série também apresentou ótimos vilões, como o Salamander Kruel e Rei Cadáver.
Com uma visão inovadora de um  personagem negro, com doses de nobreza, inteligência e principalmente falando de um reino da Africa distante da miséria e de todos os esteriotipos vendidos pelas produções de Hollywwod, o Pantera Negra abriu caminho para uma nova visão dos heróis negros dos quadrinhos (Falcao, Raio Negro,  Lanterna Verde John Stuart etc) e no cinema ( Blade).

Ainda  hoje o principe T'Challa e seu uniforme negro são símbolos do orgulho negro. 

Texto escrito em parceria com Jefferson Nunes. 

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