domingo, maio 21, 2017

Lobo solitário


Na década de 1980, quando a maioria dos mangás (quadrinhos japoneses) ainda era desconhecida no Ocidente, uma história de quase 9000 páginas teve uma influência decisiva sobre alguns dos principais artistas de vanguarda norte-americana, em especial Frank Miller (Seu clássico Ronin de 1983 e considerado o primeiro “Mangá Ocidental”). O nome desse trabalho é Lobo Solitário.
A ideia para a série surgiu quando o roteirista Kazuo Koike leu que o clã Ogami, que detinha o posto de executor oficial do Xogum, caiu em desgraça, sendo substituído pela família Yagyu. O autor imaginou que os Ogami poderiam ter sido vítimas de uma tramóia política, mas que dois sobreviventes, pai e filho, buscariam vingança. Estava criada a ideia principal de Kozure Ookami (O lobo acompanhado de seu filhote – traduzido no Brasil como Lobo Solitário).
Para desenhar a história, ele chamou Goseki Kojima. Este havia adaptado para os quadrinhos clássicos do teatro Kabuki, além do romance de Renzaburo Shibata sobre os ninjas, de forma que era considerado na época o maior especialista em Japão medieval.  Os dois já vinham  tabalhando juntos  no  mangá  Kubikiri Asa (Samurai Executor), em 10 Volumes (1972-1976), um Gekiga (manga para o publico adulto masculino) Assim, era a escolha óbvia e acertadíssima.
A série estreou em setembro de 1970, na revista semanal Action, com grande sucesso. A visão realista do período feudal japonês foi um fenômeno de vendas, milhões de exemplares foram vendidos, gerando sete longas metragens para o cinema, uma serie de TV (que chegou a ser exibida pelo SBT no começo dos anos 80 com o titulo de o Samurai Fugitivo). Lobo solitário foi publicado entre Setembro de 1970 e  abril de 1976 tornado-se clássico absoluto da gigantesca industria japonesa de mangas.
 Lobo Solitario foi o primeiro mangá a ser publicado fora do Japao, foi traduzida pelo inglês pela então recém-nascida ediora Dark Horse. No Brasil, a saga do Lobo Solitário começou a ser publicada em 1988, um ano depois do lançamento nos Estados Unidos, trazida pela editora Cedibra (em nove edições, todas em formato americano) que publicavam apenas duas estórias por edição formato muito distante do original que tinha em media 300 paginas. Em 1990, a editora Sampa começou a publicar o título em formato não-cronológico. Porém, em 1993, a publicação foi interrompida.
Mas no ano de 2005 a publicação foi retomada, desta vez pela Editora Panini, após um longo processo de aprovação. A Paninni repeitou o formato original de formatinho com 300 paginas , e lançou os 28 volumes da serie para a alegria dos faz brasileiros que esperaram vinte anos para ter em mãos o eletrizante desfecho da saga.
Lobo Solitário seguia a linha de guerreiros samurais, mas levava o gênero a um patamar nunca antes igualado. Nas paginas de suas 28 ediçoes, desfilavam estórias que mostravam o período Edo de forma nada glamourizada, muito distante  da visão romântica  das novelas da japonesas.
Um dos segredos era justamente a figura de Daigoro, o filho de Ito Ogami. Uma criança que acompanha o pai em um caminho de vingança e sangue. Daigoro roubava a cena em algumas estórias com sua inocência e esperteza, era o contraponto perfeito à extrema violência da saga.
Outro aspecto que colaborou para o sucesso foi o desenho de Kojima, com belos planos cinematográficos que lembravam os filmes do metres Akira Kurosawa.
Kojima transformava violência em poesia, nunca na historia das HQs a violência foi tão bela, sem contar o erotismo do seu traço nas cenas cruas de sexo.
Transcorridas três décadas do fim do épico original, a saga dos Ogami ganhou sua primeira continuação no Japão, focada justamente em Daigoro. Com o título de Shin Kozure Ookami (Novo Lobo Solitário e Filhote, em tradução livre para o português), a nova série tem início no momento exato onde a original termina. Os 11 volumes da publicação foram licenciados pela editora Dark Horse  que deverá lançá-los no mercado norte-americano sob o nome de Shin Lone Wolf & Cub.

A terceira parte da saga está atualmente sendo publicada no Japão em capítulos, como parte da revista de mangás JIN. Seu primeiro volume encadernado foi lançado em setembro de 2007.

Texto produzido em parceria com Jefferson Nunes

Sem comentários:

Enviar um comentário

Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.