sexta-feira, junho 23, 2017

O estranho mundo de John Constantine


Esqueçam o filme meia boca de 2005, esqueçam keanu Reeves e a ensolarada Los Angeles. O verdadeiro John Constantine está nos quadrinhos  com seu sobretudo gasto, seus cigarros,  caminhando nas ruas de Londres  e tendo apenas como arma sua misteriosa mágica  e seu sarcasmo, enfrentando os piores perigos no submundo da magia.
Tudo começou quando os desenhistas do Monstro do Pantano,  John totleben e Steve bissete , que eram fãs  do  The Police e pediram para Alan Moore criar um personagem que fosse parecido com o baixista e vocalista da banda, Sting. Moore prontamente topou o desafio e criou um “místico dos quadrinhos da classe trabalhadora”.
“ Eu  sempre achei que os místicos das Hqs fossem homens respeitáveis de classe media sem nenhuma credibilidade nas ruas, então me veio a idéia de criar um tipo malandro e sem nenhum glamour” afirmou Moore anos atrás em entrevista.
Constantine estreou nas paginas de Swamp Thing 37 (junho de 1985) como um simples coadjuvante do Monstro do Pantano na saga “Gotico Americano”. O personagem  roubava a cena em todas as vezes que aparecia  e, em  1986  ( ano da grande revolução dos comics americanos ), ganhou revista própria, com roteiros do também britânico e subestimado, Jamie Delano.
Se Alan Moore criou o personagem, Jamie Delano o levou em frente e criou toda a mitologia que fundamenta suas estórias ate hoje. Delano criou sua origem, lhe deu uma estória de vida com amigos e todo um universo próprio.
Logo na sua primeira estória solo somos apresentados ao seu mundo perigoso e amoral. Na  estória em duas partes, Constantine tem que enfrentar um demônio da fome em plena Nova York. Somos apresentados ao seu fiel amigo Chas e uma característica particular do personagem: A estranha mania de sacrificar amigos em nome de uma causa maior.
Essa fase de Contantine é uma alegoria da era Thatcher. Jamie Delano usava como pano de fundo o caráter místico das estórias de constantine para criticar o governo neoconservador da primeira ministra e suas reformas neoliberais e quase fascistas.
Delano escreveu Constantine por 40 números e foi substituído pelo escritor irlandês Garth Ennis, o preferido pela maioria dos fãs.  Na sua saga de estréia  “Hábitos perigosos”. Ennis criou aquela que é certamente a estória mais cultuada do personagem.
Em “Habitos Perigosos”, encontramos  um John Constantine com os dias contados devido a um câncer no pulmão, resultado de anos e anos do abuso de cigarros, nosso anti-herói usa demônios do inferno na esperança de que pudesse enganar  a própria morte.
O Cosntantine de Ennis é muito mais malandro, cínico e manipulador. Para muitos essa e a melhor fase do personagem no qual praticamente todas as suas estórias são clássicas. O personagem já enfrentou desde demônios com sede de vingança, o próprio rei dos vampiros e até ameaças mais reais como o National Front (partido inglês de extrema direita).


Texto escrito em parceria com Jefferson Nunes

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