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quinta-feira, janeiro 01, 2026

Balneário do Alegre

 


O balneário do Alegre fica a aproximadamente 15 km de Macapá. Indo pela rodovia do Curiaú, pouco depois da Casa Grande é possível ver a placa à esquerda da estrada. Depois são mais alguns poucos quilômetros por um ramal de terra. A entrada é dez reais por carro.

A placa fica à esquerda da pista par quem está vindo de Macapá. 


É um local bastante agradável, com boa comida, linda paisagem e som não tão alto. Foi construído um tablado sobre a água, que permite que crianças se divirtam sem riscos.

Um tablado dá mais segurança às crianças. 

A bela paisagem do Curiaú é um dos atrativos. 

O ingresso é dez reais por carrro. 

A comida é gostosa e o preço em conta. 


Mas o balneário tem dois problemas.

Nos finais de semana o balneário lota. Geralmente vamos dia de semana ou sábado de manhã cedo.

Outra complicação é o período de seca (verão amazônico): a água baixa muito e fica suja. Então é melhor ir no período de chuvas.

Fora isso, é uma ótima opção para quem quer um balneário próximo de Macapá.

Quadrinhos hiper-reais na revista Nós

 


A revista Nós, da Universidade Estadual de Goiás, dedicou um de seus números mais recentes aos quadrinhos. Entre vários artigos de alguns dos principais pesquisadores de quadrinhos do Brasil, um texto meu sobre a hiper-realidade e simulacro nos quadrinhos do Capitão Gralha.
Para acessar a revista, clique aqui.

O macaco que se fez homem

 

O macaco que se fez homem foi um dos primeiros livros de Monteiro Lobato. Lançado em 1923, depois seus dez contos foram espalhados por outros dois livros do autor: Cidades Mortas e Negrinha. Ao relançar a obra de Lobato, com um novo e inovador formato gráfico, a editora Globo resolveu manter a programação original dos livros, reunindo novamente os dez contos em volume separado.
O livro é um apanhado de textos diversos, que vão da alegoria à experimentação, passando pelos famosos “causos” do autor.
O conto que dá nome ao livro é provavelmente o mais fraco do volume. Lobato constrói uma alegoria satírica sobre a origem do homem (a humanidade teria sua origem em um macaco que caiu da árvore, bateu a cabeça e desenvolveu uma coisa chamada inteligência).
Lobato passa longe de ser um bom alegorista (como era Machado), mas tem seus momentos inspirados, em especial quando Deus prediz o destino do macaco vitimado pela queda e seus descendentes: “Seu engenho criará engenhosíssimas armas de alto poder destrutivo – e empolgado pelo ódio se estraçalharão uns aos outros em nome de pátrias, por meio de lutas tremendas a que chamarão de guerras, vestidos macacalmente, ao som de músicas, tambores e cornetas – esquecidos de que não criei nem ódio, nem corneta, nem pátria”.
Os melhores textos da antologia são os chamados “causos” lobatianos. Há no volume aos montes e todos muito bons: do homem que se dizia o salvador da lavoura nacional e que, ao ter sua própria fazenda, vê às voltas com uma inesperada nuvem de gafanhotos à história do homem azarado, desrespeitado por todos, inclusive pelos filhos, que vê sua sorte mudar ao tornar-se cego. Todos trazem uma estrutura bem elaborada, que inclui humor, ironia e profundo conhecimento da alma humana. E são narrados como quem conta uma história a um ouvinte em um bar ou farmácia, como era comum na época.
Um dos textos que fogem dessa estrutura é “Tragédia de um capão de pintos”, um dos destaques do livro. Lobato conta a história de um galo perneta, incapaz de gerar filhos, que é colocado para cuidar de três pequenas aves: um pinto, um marrequinho e um peruzinho. Antecipando em vários anos A revolução dos  bichos, de George Orwell, Lobato se debruça sobre os animais da fazenda, narrando a história do ponto de vista deles, inclusive sobre as injustiças de que são vítimas. O trecho sobre como os animais viam cada habitante humano da fazenda e os nomeavam é particularmente interessante. Tragédia de um capão de pintos é uma história sensível, que, em muitos sentidos, reflete outro conto famoso, Negrinha, ao mostrar o ponto de vista da vítima contra os poderosos, donos de seus destinos.
Também merece destaque “Marabá”, um texto experimental que mostra o quanto Lobato era próximo da estética modernista. A certo ponto o autor simplesmente ignora a forma literária a e começa a narrar a história como roteiro cinematográfico, inclusive sugerindo ao produtor o nome da atriz que deveria protagonizar o filme.
Embora seja um volume de contos, a filosofia de vida de Lobato perpassa todos os textos, a exemplo de “Fatia de vida”. Na introdução do conto, Lobato contrapõe os que pensam por sua própria cabeça e o “toda gente”. O “esquisitão” é quem se nega a aderir ao moloch social, a abraçar cegamente um grupo ideológico, político ou religioso. É um suspeito, um indesejado. Se puderem, eliminam-no: “Assombramo-nos ao recordar os crimes de grupo que enchem a história – Santo Ofício, guerras, matanças religiosas”.

Não olhe para cima

 

Não olhe para cima, filme de Adam McKay foi obviamente feito pensando nas mudanças climáticas. Mas acabou se tornando uma metáfora para qualquer de crise que envolva negacionismo científico, como a pandemia de covid 19.

Na trama, dois cientistas de uma universidade pouco conhecida descobrem um cometa e percebem que ele está vindo diretamente para a Terra. É um corpo celeste maior do que que o acabou com os dinossauros e pode representar o fim da vida no planeta.

Começa assim a jornada dos mesmos para alertar as pessoas e tentar convencer as autoridades a agirem. 

O que parecia uma missão simples se torna um verdadeiro pesadelo. Muitas pessoas não acreditam no cometa, outros querem tirar proveito político da situação e um empresário quer ganhar dinheiro explorando os minérios contidos no cometa.

Os paralelos com a pandemia são óbvios demais para serem ignorados, em especial para quem observa os comentários das matérias sobre o assunto.

Assim como a presidente dos EUA, muitos se recusam a acreditar que existe um perigo real. Dados coletados por cientistas usando metodologia científica e revisados pelos seus pares têm o mesmo peso de teorias da conspiração malucas elaboradas por gente que não têm a menor noção de como a ciência funciona.

Cientistas são chamados de comunistas por quem acha que o cometa vai gerar empregos.

Outros alegam que “cientistas comunistas” querem acabar com a liberdade (aparentemente a liberdade de serem atingidos por um cometa).

Surge até mesmo o movimento “Não olhe para cima”,  a melhor representação da dissonância cognitiva: se você não olhar cima, não verá o cometa e ele não existirá. Lembra todas aquelas pessoas invadindo hospitais para provar que a pandemia de covid-19 não existia? Ou todas as outras que faziam vídeos afrimando que caixões estão sendo enterrados vazios para apavorar a população? Lembram do presidente endossando todos esses discursos?

Na dissonância cognitiva, os fatos devem se adaptar à ideologia e a pessoa não consegue ver a verdade mesmo que ela lhe bata na cara (ou neste caso, a atinja com um cometa).

A dissonância cognitiva não é afetada pela realidade. O filme não mostra, mas fica subentendido que mesmo minutos antes do impacto, muitos ainda continuariam acreditar que tudo é uma mentira de “cientistas comunistas”.

Não olhe para cima tem sido apresentado pela Netflix como uma comédia, mas o filme se parece muito mais com um drama. Afinal, é difícil rir da burrice humana quando ela pode levar nossa espécie e até mesmo todo a vida do planeta à destruição.

Guerras Secretas – Guerreira frenética

 

O número da sete da série Guerras Secretas começa com o surgimento da Mulher Aranha! Do nada ela aparece no planeta de Beyonder e se oferece para lutar ao lado dos heróis, incluindo uma demonstração de força ao jogar uma pedra para o alto. 

A Mulher Aranha surge do nada. 

É possível que Shooter tenha decidido que a história precisava de uma nova heroína, ou simplesmente queria promover a nova personagem, com o novo uniforme (que iria antecipar o uniforme preto do aranha). Como precisava dar alguma explicação, ele simplesmente colocou um diálogo no qual a garota diz que que todo o subúrbio de Denver foi parar lá, o que é uma explicação muito mais forçada do que dizer que Beyonder simplesmente transportou a heroína para o local.

Vulcana implora para Encantor. 


Mais uma vez, era Shooter tirando personagens da cartola, como um mágico.

Além disso, Mike Zeck parecia estar de saco cheio da HQ (Dizem que Shooter infernizou a vida do desenhista durante a produção da série). Ele estava nitidamente de má vontade. Quando a Gangue da Demolição vai até ao acampamento dos heróis e joga a Vespa pela escotilha, Zeck desenha apenas palitinhos.  

Mike Zeck estava desenhando só palitinhos em alguns quadros.


Apesar dos problemas, a partir desse número surge um aspecto positivo. O roteirista parecia mais a vontade com a trama e consegue jogar ganchos e criar um ritmo narrativo. Quando Vulcana descobre que o amado Homem Molecular está mortalmente ferido, ela implora para Encantor para ser transportada até ele – e essa faz em troca de um preço, criando uma deixa para conflitos futuros.