quarta-feira, agosto 31, 2016
Como vai funcionar o escola "sem partido"
Não é segredo para ninguém que políticos querem acabar com a educação pública e desviar os recursos para seus próprios bolsos. O sucateamento das escolas é um bom exemplo disso. A maioria das escolas não tem nem mesmo sabão nos banheiros. São salas de aula com goteiras, sem quadras, sem bibliotecas, sem laboratórios.
Mas existe um recurso obrigatório: o pagamento do salário dos professores. Não há como cortar isso.
O escola sem partido oferece uma solução satisfatória para isso. E o melhor: dando a entender que é algo positivo.
O plano é simples e está bem amparado por um projeto de lei extremamente amplo, que permite denunciar o professor por praticamente qualquer coisa que desagrade um aluno ou pai de aluno. O projeto inclui até a obrigação de cartazes na frente das salas de aula, estimulando os alunos a denunciarem seus professores. E, claro, se o professor denunciado for defendido pelos alunos, isso acaba sendo mais uma prova de que ele "doutrinou seus alunos". Ou seja: o projeto inteiro é feito para não permitir defesa.
Então:
1) Os pais são estimulados a denunciar professores.
2) O professor denunciado é demitido.
3) O diretor chama o pai e diz: "Olha, não temos professor para colocar no lugar dele e vamos juntar duas turmas".
4) O processo é repetido na mesma turma.
5) Quando já estão três ou quatro turmas reunidas numa única turma, o último professor é denunciado e demitido e é contratado um substituto temporário, com salário menor que um salário mínimo.
O melhor é que todos, inclusive os pais, ficam felizes. Genial, não?
E, para quem duvida que os concursos para professores temporários pagarão menos de um salário mínimo, melhor dar uma olhada aqui.
sexta-feira, agosto 19, 2016
Como resolver de maneiras simples problemas complexos
Os salários dos professores estão entre os mais baixos entre os profissionais com a mesma qualificação. Isso tem provocado uma fuga de professores a ponto de muitas vezes alunos passarem meses inteiros sem aula por falta de professor. Além disso, a maioria das escolas não tem biblioteca ou laboratórios. Em algumas não há nem mesmo cadeiras para os alunos se sentarem. Em algumas escolas a situação de higiene é tão grave que há verdadeiras epidemias entre os alunos. Nas regiões mais quentes o calor dentro das salas de aulas é insuportável. Como podemos resolver todos esses problemas?
Simples, vamos aprovar uma lei para persegui professores
terça-feira, agosto 16, 2016
Como foi o Gorpacon
Guarapuava é, segundo pesquisa da Amazon a partir de compras realizadas no site, a cidade mais nerd do Brasil. Então nada mais natural que a cidade sediasse um evento nerd: o Gorpacon, que aconteceu dias 13 e 14 de agosto. Tive a honra de ser um dos convidados do evento. Participei de mesa-redonda, lancei livros e conversei com leitores. E tirei muitas fotos. Abaixo, algumas delas.
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| Minha mesa no evento, com minhas publicações. |
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| Mesa do fã-clube Dr. Who. |
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| Mesa-redonda que participei sobre mercado literário. |
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| Exposição de esculturas do incrível Walmir Gustani. |
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| Mesa do fã-clube De volta para o futuro. |
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| Até o Dr. House compareceu à minha mesa. |
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| Mesa do fã-clube do Senhor dos Anéis. |
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| Mesa do fã-clube de Sherlock Holmes. |
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| Mesa do fã-clube de Jornada nas Estrelas. |
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| Mesa do fã-clube de Tim Burton. |
segunda-feira, agosto 15, 2016
Álbum paranaense do Gralha vence HQMIX
O livro paranaense “O Gralha – Artbook” (2015) venceu a categoria “Publicação Independente de Grupo” do tradicional Troféu HQMIX, uma espécie de “Oscar dos quadrinhos” no Brasil. O resultado da 28ª edição foi divulgado no início da tarde desta segunda-feira (15).
“É gratificante, pois deu uma trabalheira danada fazer o livro e o resgate do material”, diz um dos organizadores de “O Gralha – Artbook”, Antonio Eder. Junto com Leonardo Melo (“Clássicos Revisitados”) e Gian Danton (“A insólita família Titã”), Antonio pesquisou e resgatou material relacionado ao Gralha, personagem criado nos anos de 1990 por um grupo de nove artistas em Curitiba. Leia mais
quinta-feira, agosto 11, 2016
Os caçadores de comunistas-go
Além dos caçadores de pokemón, existe uma nova espécie nas redes sociais: os caçadores de comunistas-go.
São pessoas que passam o dia na redes sociais em busca de comunistas. Eles podem ser encontrados em qualquer lugar, em qualquer esquina ou atrás de qualquer armário. Qualquer um pode ser um comunista, da revista Veja a um site Neo-liberal.
Há um certo padrão nesses caçadores de comunistas. A maioria deles tinha uma vida extremamente confortável no início da Era Lula - época em que houve um boom da economia (ocasionado por uma série de fatores). A pessoa ganhava 20 mil reais ou mais por mês. E gastava 20 mil reais.
Quando começou a crise, as empresas tinham de decidir quem seria demitido. E, claro, demitiam o funcionário-problema: o que comprava briga com tudo mundo, que era antipático, que se sentia uma estrela insubstituível e era cheia de exigência. Ou seja: na hora de cortar, cortavam aquele que ninguém queria ter por perto. Em alguns casos a crise era apenas uma boa desculpa para demitir uma pessoa que já vinha dando problema há bastante tempo.
Essa pessoa, que, de uma hora para a outra se via sem 20 mil para gastar por mês - e que não havia economizado um único centavo, precisa achar um culpado. E os culpados, claro, só poderiam ser os comunistas.
Essas pessoas se transformam em caçadores de comunistas. E o primeiro comunista que encontram, óbvio, é o patrão que as havia demitido. Mas ainda há muitos comunistas a serem encontrados. Nunca se sabe de onde vai sair um comunista.
Gian Danton é um dos convidados da Bienal de Quadrinhos de Curitiba
Foi divulgada a lista de convidados nacionais da Bienal de Quadrinhos de Curitiba. Entre diversos nomes reconhecidos na área está o roteirista de quadrinhos e escritor Gian Danton. Clique aqui para conferir a lista completa.
terça-feira, agosto 09, 2016
Gian Danton é destaque em evento nerd em Guarapuava
A cidade paranaense de Guarapuava, localizada a 250 km de Curitiba, será sede de um encontro inédito de cultura nerd e HQs. Trata-se da GorpaCon 2016 – Primeira Convenção Regional dos Nerds de Guarapuava.
Programado para 13 e 14 de agosto deste ano, o evento terá entrada gratuita nas dependências daFaculdade Guairacá (Rua XV de Novembro, 7.050, Centro) no horário das 13h às 20h.
Um dos principais destaques da programação é o setor de quadrinhos, com lançamentos de livros e realização de debates.
Os quadrinhistas Gian Danton (A insólita família Titã) e Antonio Eder (O Gralha: Artbook) farão a divulgação em primeira mão do livro Francisco Iwerten – biografia de uma lenda – mistura de “biografia ficcional” e relato, a obra revela os bastidores de criação do mito em torno do personagem Gralha. Leia mais
‘Mestres do Terror’ com lançamento em evento nerd
Muito cuidado quando for ao banheiro. A Loira Fantasma pode estar à sua espera. Já numa floresta desconhecida, você corre o risco de encontrar Zora, a Mulher Lobo!
No entanto, o pior mesmo é topar com as histórias feitas por Gian Danton, Sidemar de Castro e Rodolfo Zalla. Elas despertam o medo mais latente que habita o ser humano; incluindo até mesmo aqueles que se dizem corajosos.
A nova edição da lendária revista brasileira de quadrinhos “Mestres do Terror” promete calafrios e sustos em seus leitores. Com exclusividade, a reportagem do CORREIO teve acesso às primeiras páginas do material. É promessa de leitura aterrorizante!
No próximo sábado (13), o editor Daniel Saks vem a Guarapuava para apresentar a edição 65 da “Mestres…”, recém-saída da gráfica nesta terça-feira (9). Saks e sua coleção de terror (revistas “Calafrio”, “Mestres…” e outros materiais) são uma das atrações da GorpaCon 2016, maior evento de cultura nerd/geek do Centro-Sul do Paraná.
Com entrada franca, a convenção inédita nos quase 200 anos de Guarapuava será no próximo fim de semana (dias 13 e 14 de agosto), nas dependências da Faculdade Guairacá, no horário das 13 às 20 horas.

História clássica na pena de Rodolfo Zalla
Inclusive, outro convidado do evento é um dos colaboradores da “Mestres…” #65: Gian Danton. Escritor e pesquisador, Danton iniciou no universo dos roteiros de quadrinhos nos anos de 1980, quando começou sua parceria com o desenhista Joe Bennett (conhecido pelos trabalhos para editoras como a Marvel Comics).
Nos anos de 1960/80, o gênero de terror era bastante forte no mercado editorial brasileiro, contando principalmente com produções feitas no país. Era o caso das revistas “Calafrio” e “Mestres do Terror”, criadas pelo artista Rodolfo Zalla (1931-2016) e publicadas pela D-Arte (estúdio e editora).
As duas publicações tiveram uma série histórica entre as décadas de 80 e 90. Nesse período, veteranos do quadrinho nacional e jovens talentos passaram por suas páginas, escrevendo e desenhando histórias nacionais. Um deles era Danton, que produziu clássicas aventuras de terror ao lado de Bennett.
MESTRES
Agora, a edição 65 de “Mestres…” apresenta material inédito de Gian Danton (roteiro), feito com o desenhista A. Lima. Em “Loira Fantasma”, uma lenda urbana dá as caras na primeira página da história.
Agora, a edição 65 de “Mestres…” apresenta material inédito de Gian Danton (roteiro), feito com o desenhista A. Lima. Em “Loira Fantasma”, uma lenda urbana dá as caras na primeira página da história.

Uma das história inéditas tem roteiro de Gian Danton
“Acho que o mais interessante dessa história é o fato dela brincar com a questão da lenda urbana. Mas é também uma HQ sobre um tema muito atual: a violência contra mulher”, explica o roteirista. Leia mais
quinta-feira, julho 28, 2016
Grade ou matriz curricular?
É comum ouvir os defensores do projeto escola sem partido falarem de uma tal de "grade da escola", que deveria ser seguida rigidamente pelo professor. Mas o que é essa tal de "grade da escola"?
Para começar, não existe grade da escola. Quer dizer, existe. Algumas escolas têm grades nas janelas. Mas o que a pessoa, especialista em educação, deve estar se referindo é a "grade curricular", um termo que não é mais usado há muito tempo. Hoje usa-se matriz curricular.
Grade significação prisão: é uma normatização rígida da educação que não deixa margem para adaptações.
Um ótimo exemplo de grade curricular é a frase "Vovô viu a uva". Crianças do Rio Grande do Sul ao Amazonas eram alfabetizadas com ela. Crianças que nunca tinham visto uma uva aprendiam a ler com uma frase que não lhe dizia nada. Mas todos deviam seguir a grade curricular, então todos os professores, de norte a sul, seguiam a grade curricular.
Já a matriz curricular permite adaptações, é flexível.
Um exemplo. Certa vez, quando lecionava redação, cheguei na sala de aula e descobri que os alunos só falavam do fim do mundo. No dia anterior, uma matéria do Fantástico mostrara um grupo de fanáticos que acreditava que o mundo iria acabar aquela semana. O livro me indicava um determinado tema para a redação, mas eu o modifiquei. Fizemos um pequeno debate sobre o que os alunos achavam sobre a questão do fim do mundo e depois cada um escreveu uma redação sobre o tema.
Isso é matriz curricular, algo, aliás, que o escola sem partido quer acabar. Pelo escola sem partido, todos os professores deverão seguir rigidamente um modelo rígido, inflexível. Voltaremos ao "Vovô viu a uva".
Para começar, não existe grade da escola. Quer dizer, existe. Algumas escolas têm grades nas janelas. Mas o que a pessoa, especialista em educação, deve estar se referindo é a "grade curricular", um termo que não é mais usado há muito tempo. Hoje usa-se matriz curricular.
Grade significação prisão: é uma normatização rígida da educação que não deixa margem para adaptações.
Um ótimo exemplo de grade curricular é a frase "Vovô viu a uva". Crianças do Rio Grande do Sul ao Amazonas eram alfabetizadas com ela. Crianças que nunca tinham visto uma uva aprendiam a ler com uma frase que não lhe dizia nada. Mas todos deviam seguir a grade curricular, então todos os professores, de norte a sul, seguiam a grade curricular.
Já a matriz curricular permite adaptações, é flexível.
Um exemplo. Certa vez, quando lecionava redação, cheguei na sala de aula e descobri que os alunos só falavam do fim do mundo. No dia anterior, uma matéria do Fantástico mostrara um grupo de fanáticos que acreditava que o mundo iria acabar aquela semana. O livro me indicava um determinado tema para a redação, mas eu o modifiquei. Fizemos um pequeno debate sobre o que os alunos achavam sobre a questão do fim do mundo e depois cada um escreveu uma redação sobre o tema.
Isso é matriz curricular, algo, aliás, que o escola sem partido quer acabar. Pelo escola sem partido, todos os professores deverão seguir rigidamente um modelo rígido, inflexível. Voltaremos ao "Vovô viu a uva".
segunda-feira, julho 25, 2016
As crianças criadas em bolhas
Um dos fenômenos mais
preocupantes da saúde pública atual são as alergias. Cada vez mais crianças se
tornam alérgicas a tudo, de animais domésticos a amendoim (nos EUA há escolas
em que é proibido entrar com amendoim, tamanha a quantidade de alunos alérgicos
a esse alimento).
Isso é provocado pela
super-proteção por parte dos pais. Se por um lado há milhares de crianças das
classes mais pobres que são criadas sem nenhuma assistência ou cuidado, no
outro oposto temos crianças cujos pais as protegem de tudo.
Antigamente as crianças
brincavam na rua, se sujavam, conviviam com cãs, gatos, galinhas, insetos,
andavam descalças. Hoje, os pais protegem as crianças de tudo: não pode andar
descalça, não pode ter contato com a terra, não pode tudo. O resultado: o
organismo não aprende a lidar com o mundo, tudo passa a ser considerado uma
ameaça, e como consequência o número cada vez maior de crianças alérgicas a
tudo.
Isso é ainda mais concreto
quando se trata de questões mais subjetivas. A mentalidade é de que as crianças
devem ser criadas numa bolha e protegidas de tudo. Não pode existir publicidade
infantil porque a criança que ver publicidade vai comprar descontroladamente,
vai comer descontroladamente.
Livros de Monteiro Lobato
devem ser proibidos na escolas porque as crianças negras precisam ser
protegidas do racismo do Sítio do Pica-pau Amarelo.
O projeto Escola sem partido é
um dos ápices dessa super-proteção. Crianças não podem na escola ter contato
com ideologias diversas das dois pais. Devem viver numa bolha idelógica em que
só se tem contato com aquilo que os pais acreditam, inclusive em termos
religiosos. A ideia de que a vida é feita de vários pontos de vista e que a
maturidade surge exatamente da percepção dessas diferenças e da análise crítica
das mesmas é inconcebível. O importante é proteger as crianças.
Quando o tema é sexo a bolha é
ainda mais encorpada.
Nas décadas de 1960 e 1970,
adolescentes e pré-adolescentes compravam em bancas os catecismos de Carlos
Zéfiro e era neles que descobriam o sexo. Se vivesse hoje em dia, Zéfiro seria
um escândalo. Jornaleiros seriam presos. Bolsonaro faria vídeos irados acusando
Zéfiro de pedofilia ou de estimular a sexualidade.
Na década de 1980 milhares de
adolescentes adentraram os mistérios da sexualidade com o famoso comercial do
primeiro sutiã que mostrava uma garota pré-adolescente ganhando seu primeiro
sutiã do pai. Sutil e bonito foi quase uma aula para muitos garotos e garotas
para aceitarem as transformações em seus corpos e lidarem com isso. Hoje em
dia, um comercial desse tipo seria impensável. Estrearia num dia e no dia
seguinte teríamos um vídeo irado de alguém afirmando que o comercial
incitava a pedofilia.
Amigos desenhista que divulgam
seus trabalhos no Facebook costumam reclamar que qualquer desenho um pouco mais
sensual é imediatamente denunciado por pais preocupados caso seus filhos vejam
aquela imagem. A paranóia por parte dos pais de impedir os filhos de terem
contato com qualquer coisa que tenha mínima relação com o sexo em alguns casos
alcança níveis extremos.
Não admira que a área da
medicina que mais cresca seja exatamente a das disfunções sexuais.
Superprotegidos de qualquer contato com qualquer coisa que lembre sexo, a nova
geração fica totalmente perdida quando finalmente adentra na vida sexual (e, no
outro extremo, as crianças criadas sem nenhuma orientação, cuja entrada na vida
sexual é acompanhada de doenças e principalmente gravidez indesejada).
Proteger as crianças virou
desculpa para proibir qualquer coisa. Não faz muito tempo, um deputado e
delegado da polícia federal pediu a proibição do filme Ted com a justificativa
de que não era adequado a crianças. Pouco importava que o filme fosse
direcionado a adultos. O importante era proteger as crianças e criá-las numa
bolha, longe de qualquer coisa que os pais considerem inadequado.
sábado, julho 23, 2016
sábado, julho 16, 2016
Biografia do criador do Capitão Gralha em pré-Venda
Na década de 1940 um
quadrinista curitibano criou um dos primeiros super-heróis brasileiros, o
Capitão Gralha com uma ampla galeria de histórias e vilões e foi resgatado na
década de 1990 por jovens artistas que, em sua homenagem, criaram o personagem
O Gralha. Ele, na verdade, numa existiu, mas se tornou lendário, ganhou prêmio,
tornou-se famoso e quase foi homenageado por uma escola de samba. É essa
história que é revelada no livro Francisco Iwerten – biografia de uma lenda, de
Gian Danton e Antonio Eder, editora Quadrinhópole, que está em pré-venda ao
preço promocional de 14 reais até o dia 29 de julho.
O livro é do tipo
vira-vira, com dois lados que se completam. Na primeira parte, é contada a
biografia fictícia de Iwerten como se ele de fato tivesse existido, sua vida,
seus anseios, as inspirações para o Capitão Gralha e as dificuldades com a
concorrência dos quadrinhos americanos e a perseguição local contra seu
personagem. No outro lado, é contada a história “real”, com o contexto da
criação de Iwerten e as consequências da história fake, que, de uma brincadeira
para dar verossimilhança ao personagem Gralha, escapou do controle de seus
autores e se tornou muito maior do que cada um poderia esperar. A lenda Iwerten
cresceu tanto que se chegou a dizer que ele foi um dos criadores do Batman.
Um dos destaques do
livro são as capas criadas por JJ Marreiro. No lado “A história do Capitão
Gralha”, Iwerten aparece em sua prancheta, ilustrando o capitão e tendo seus
quadrinhos ao fundo. No outro lado, em que se conta a história por trás da
lenda, Iwerten aparece dentro dos próprios quadrinhos, sendo desenhado por uma
mão em estilo realista. As capas representam os dois aspectos abordados na obra:
Iwerten como autor e Iwerten como personagem.
O livro traz ainda o
processo de criação visual de Iwerten, feita por JJ Marreiro e Fernando Lima a partir
de manipulação digital de fotos antigas.
Gian Danton e Antonio
Eder fizeram parte do grupo de autores que criou o Gralha e elaborou a lenda de
Iwerten e do Capitão Gralha. O livro integra a pesquisa doutorado em Arte e
Cultura Visual de Gian Danton realizada na FAV-UFG, sob orientação do professor
Dr. Edgar Franco.
Francisco Iwerten –
biografia de uma lenda - será vendido a
20 reais, mas na pré-venda sairá por 14 reais, com frete incluso. A pré-venda
vai até o dia 29 de julho, quando os exemplares começarão a ser enviados. Os
pedidos podem ser feitos para o e-mail: profivancarlo@gmail.com.
SERVIÇO
Pré-venda do livro
Francisco Iwerten – biografia de uma lenda, de Gian Danton e Antonio Eder
Valor: 14 reais (frete
incluso)
quinta-feira, julho 14, 2016
terça-feira, julho 12, 2016
Revelada a capa da biografia de Francisco Iwerten
Olha aí a capa da Biografia de Francisco Iwerten, o pioneiro dos super-heróis brasileiros. O design é de JJ Marreiro e Fernando Lima.
terça-feira, julho 05, 2016
domingo, julho 03, 2016
Escola sem partido: demissão, prisão e perda de bens
Ainda sobre o projeto Escola sem partido, é interessante verificar o cenário que descortina caso a lei seja aprovada.
Como já disse, uma lei que proíba o assédio moral nas escolas é bem-vinda, mas não é o caso. A lei parece ser ampla para enquadrar qualquer coisa que desagrade os pais de alunos.
Vejam o artigo terceiro:
"Art. 3º. São
vedadas, em sala de aula, a prática de doutrinação política e ideológica BEM COMO A VEICULAÇÃO DE CONTEÚDOS
OU A REALIZAÇÃO DE ATIVIDADES QUE POSSAM ESTAR EM CONFLITO COM AS CONVICÇÕES
RELIGIOSAS OU MORAIS DOS PAIS OU RESPONSÁVEIS PELOS ESTUDANTES".
Leiam a parte em destaque. O professor fica proibido de veicular qualquer conteúdo ou realizar qualquer atividade que vá contra as convicções religiosas ou morais dos pais ou responsáveis. Recentemente, em Manaus, alunos evangélicos se recusaram a fazer um trabalho sobre a África e ler clássicos como Iracema e Macunaína alegando convicções religiosas. Se a lei já estivesse em vigor, a situação se enquadraria perfeitamente na veiculação de conteúdos e atividades que entram em conflito com as convicções religiosas dos alunos.
No site da Escola sem partido há um modelo de notificação extra-judicial que pode ser usada pelos pais para ameaçar professores. No item 15 é dito que até conteúdos científicos (aqui provavelmente se referindo às ciências chamadas "duras", como física, biologia etc) deve-se tomar o máximo de cuidado para não desagradar pais de alunos:
"15.
Nesse domínio, ademais, a linha que separa a ciência da moral, além de
não ser muito nítida, pode variar de indivíduo para indivíduo, conforme o
estágio de amadurecimento, a sensibilidade e a formação de cada um. Portanto, ATÉ MESMO PARA FAZER UMA ABORDAGEM
ESTRITAMENTE CIENTÍFICA, O PROFESSOR DEVERÁ ATUAR COM O MÁXIMO DE CUIDADO, SOB
PENA DE DESRESPEITAR O DIREITO DOS ESTUDANTES E O DE SEUS PAIS."
Na mesma notificação extra-judicial, os professores que fizerem ou abordarem qualquer assunto que desagrade os pais são chamados de "abusadores de crianças" e ameaçados com prisão, demissão e perda dos bens: "9. Junto com a liberdade e o cargo ou emprego, esses abusadores de crianças e adolescentes podem perder ainda o seu patrimônio, caso os pais dos seus alunos ‒ que são muitos ‒ decidam processá-los por danos morais".
Em outras palavras: no futuro da escola sem partido, um professor poderá ser preso, demitido e até perder os bens apenas porque mandou um aluno ler livros como Iracema ou ensinou teoria da evolução.
Além dos péssimos salários, das escolas sucateadas, agora mais essa para os professores: a constante ameaça de demissão, prisão e perda dos bens por terem feito ou ensinado algo que desagradou os pais.
Ps: Vale lembrar que o projeto permite uma brecha que foi aproveitada pelo próprio autor da PL: político pode fazer campanha política em escolas. Leia aqui a matéria.
quinta-feira, junho 30, 2016
Querem decidir até se a Mônica usa aparelho
A mais nova polêmica é uma história da Turma da Mônica Jovem.
Na história, a turma encana com o fato da Mônica ter dentões e a maioria decide que ela deveria usar aparelho. A discussão termina com a dentunça dizendo que o corpo é dela e ela decide o que fazer com ele.
Existe um grupo cada vez mais forte no Brasil cujo objetivo é implantar um regime autoritário que acusou a história de ter sido escrita para encucar o feminismo na cabeça das jovens leitoras. Segundo eles, a deixa para isso estaria na frase: "Meu corpo, minhas regras", que seria um estímulo ao aborto.
Fãs de Bolsonaro não costumam ser conhecidos pela inteligência. Mas dessa vez exageraram, inclusive na teoria da conspiração. Não há na história a menor menção a aborto ou qualquer coisa parecida. A discussão inteira apenas é se a Mônica deve ou não usar aparelho.
No fundo, no fundo, o que incomoda é outra coisa.
O contexto ali é muito claro: existe de um lado o indivíduo e do outro, o coletivo (o grupo de amigos). O coletivo quer decidir sobre a vida da Mônica, sobre como ela deve ser e aparentar.
Entre o indivíduo e a pressão do coletivo, esse grupo de pessoas fica do lado do coletivo - querem decidir sobre como as pessoas levam suas vidas. Incomoda a eles que a Mônica decida continuar a ter dentes grandes quanto a pressão social é para que ela use aparelho.
Da mesma forma, querem decidir sobre como as pessoas vivem sua vida, sua sexualidade, sua aparência.
Esse pensamento é a base do comunismo: o coletivo está acima do indivíduo e o coletivo decide sobre a individualidade. Na URSS, por exemplo, as pessoas não podiam decidir que curso fazer - essa escolha era do estado. Se faltava médicos, a pessoa ia fazer medicina. Se faltava engenheiros, ia fazer engenharia.
A predominância do coletivo sobre a individualidade é a base do comunismo.
Ao se incomodarem com a história dos dentes da Mônica, esse grupo deixa ainda mais claro que são os comunistas que tanto dizem combater.
quarta-feira, junho 29, 2016
O nazismo era de esquerda?
Mas agora pululam na internet teóricos da conspiração dizendo que Hitler era de esquerda.
Pegam uma frase fora de contexto, uma moeda que ninguém sabe me dizer a procedência (que mostra uma foice e um martelo) e o nome do partido, que teria a palavra socialista.
Um dia escrevo um texto mais detalhado, mas, resumindo: Hitler aproveitava-se do que lhe daria popularidade.
Hitler surfava na onda que lhe parecia mais popular. Entrou como espião num partido que ficava entre o socialismo e o nacionalismo, tornou-se líder do mesmo e deu uma guinada na direção oposta do socialismo (embora, em um primeiro momento, o discurso socialista lhe tenha sido conveniente, para garantir o apoio dos trabalhadores do partido, que logo seriam convencidos de que o problema não era o capitalismo, mas os judeus).
Quando chegou ao poder, Hitler se tornou o mais feroz inimigo do socialismo e um grande amigo dos empresários, que ficaram ainda mais ricos em seu governo (eu cheguei a ter em casa uma televisão Telefunken, que era fabricada por uma empresa alemã da época do nazismo - e quem não conhece o Fusca, o carro alemão criado durante o governo nazista?).
Hitler se apropriou de um símbolo budista, transformando-o na suástica, e nem por isso era budista. Ele, como Bolsonaro, apenas se apropriava daquilo que achava que lhe seria interessante. Até a questão homossexual. Profundamente homofóbico, Hitler se aliou a um declarado homossexual, Ernest Rohm, líder das SA, espécie de gangues que funcionaram como braço armado do partido nazista. Quando chegou ao poder, Hitler que até então amava os gays, mandou matar Rohm e os principais líderes das SA e passou a mandar homossexuais para os campos de concentração .


Sobre a moeda comunista-nazista? Não era uma moeda. Era um broche do dia do trabalhador e tinha a foice o martelo porque essa foice e martelo fazem parte do brasão da Áustria, que não tinha e não tem nada a ver com comunismo. Muito antes do comunismo, o martelo e a foice já eram símbolos do trabalho da cidade e do campo. E a foice e o martelo não estão juntos, mas cada um em um lado das asas da águia nazista. Clique aqui para uma explicação detalhada do significado desse broche.
![]() |
| Brasão da Áustria. |
Mas numa coisa estão perfeitamente corretos: os nazistas, assim como os comunistas tinham muito em comum, em especial a ideia de que o autoritarismo é a solução e de que as liberdades individuais devem se curvar diante do coletivo.
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