quarta-feira, março 15, 2017

O uivo da górgona - parte 9


9
Jonas passou a mão pela testa. Estava molhada de suor.
- O som mexia com as pessoas. Aquela música ensurdecedora era... era como se as deixasse malucas. Uma das vizinhas estava na frente da casa. Era uma senhora idosa, acho que a pessoa mais amável que já conheci. Sabe o tipo vovozinha, querida por todos?
- Sei.
- Ela estava numa cadeira de macarrão, fazendo tricô, quando o som passou. O netinho estava brincando ao lado. Devia ter o que? Três anos? Quando o som começou a afetar as pessoas, ela segurou o garotinho pela garganta e enfiou a agulha de tricô no olho dele. O garoto começou a estrebuchar. Ela tirou a agulha e enfiou no outro olho.
- Sério?
- Sim. De repente, era como se todo mundo ficasse louco. Parecia que todo mundo queria matar ou machucar alguém.
- Mas você não foi afetado.
- Eu ouvi o som como todo mundo. Era ensurdecedor e eu coloquei as mãos nos ouvidos. Mas vi outras pessoas fazendo isso e elas também ficaram loucas. Não tenho a menor ideia de como continuei normal. Passei o resto da madrugada olhando da sacada. A loucura inicial foi diminuindo e as pessoas foram se acalmando, mas não voltaram ao normal. Ficaram, você viu...
- Ficaram como zumbis.
- Isso. – assentiu Jonas.

- E a garotinha? 

Skreemer


terça-feira, março 14, 2017

Quem pediu para os americanos criarem a bomba nuclear?

presidente Franklin Roosevelt alertando para a possibilidade dos nazistas estarem desenvolvendo tecnologia atômica. O cientista pediu para o governo dos EUA ficar atento e intensificar as pesquisas nessa área.
O presidente resolveu criar a bomba atômica antes dos nazistas e para isso reuniu alguns dos seus melhores cientistas no projeto Mahattan, investindo 20 milhões de dólares na pesquisa.
O resultado disso deixou aterrorizado o mundo com as explosões atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki, em agosto de 1945, matando 120 mil pessoas com o uso de apenas uma avião.
A ironia disso é que a construção da bomba atômica só foi possível graças ao trabalho de cientistas judeus que haviam ido para os EUA fugindo do nazismo. O próprio Einstein era judeu. Se tivesse contado com esses talentos, os nazistas provavelmente conseguiriam desenvolver a bomba antes dos aliados.

Einstein se arrependeu do pedido, pois informações vindas da Alemanha, após o seu pedido, mostravam que os nazistas estavam muito longe de construir a bomba. Muitos cientistas criticaram o projeto, mas mesmo assim ele continuou até seu final.

O que era a enigma?

Era uma máquina inventada pelos alemães capaz de cifrar uma mensagem com grande rapidez e enorme confiabilidade. Era parecida com uma máquina de escrever, com a diferença de que uma letra, ao ser escrita, era trocada por outra letra de um alfabeto codificado. Havia uma série de misturadores, o que faziam com que a mensagem fosse codificada em vários alfabetos cifrados. Além disso, havia cabos que trocavam as letras, assim o A poderia ser codificado como B e assim por diante.
A ordem interna dos misturadores e dos cabos podia mudar completamente o código e isso era feito todo dia pelos nazistas. Ou seja, a cada dia os germânicos tinham um código altamente seguro e diferente do usado no dia anterior, o que fazia com que os ingleses tivessem que decifrar o código diariamente. Além disso, a mesma máquina que era usada para codificar, poderia ser usada para decodificar. Um texto cifrado datilografado nela dava origem ao texto original.

Os ingleses conseguiram com os poloneses uma cópia da máquina Enigma, mas isso não ajudava muito, pois a Enigma poderia ser ajustada de acordo com 10.000.000.000.000.000 chaves diferentes. Seria necessário mais tempo do que a idade total do universo para chegar cada ajuste e, sinceramente, até lá a guerra já teria acabado.

O plano de Hitler para o mundo era um projeto estético?

Sim, Hitler queria criar um novo mundo, dominado por uma beleza ariana. O filme "Arquitetura da Destruição" (Suécia, 1989), de Peter Cohen mostra a evolução da proposta estética nazista.
Segundo do documentário, Hitler queria embelezar o mundo, mesmo que para isso fosse necessário destruí-lo.
Hitler, assim como alguns de seus mais próximos colaboradores eram intimamente ligados à arte. O ditador chegou a produzir algumas gravuras, que posteriormente foram usadas como modelos para obras arquitetônicas.
Os nazistas dizia que a arte moderna representava uma sociedade e um ser humano degenerados e estava relacionada ao bolchevismo e aos judeus. Hitler destacava a semelhança entre as figuras deformadas da arte moderna e as pessoas deficientes, provocadas, segundo ele, pela mistura de raças.
Em contraposição a isso, ele defendia o ideal de beleza ariana que fosse sinônimo de saúde. O mundo imaginado por Hitler seria domiando por homens e mulheres arianos, de corpos perfeitos e belos.

Para conseguir chegar a esse estágio ideal, era necessário eliminar a sujeira representada pelos judeus. Os nazista associaram a limpeza que deveria ser feita pelo trabalhador em sua casa e em seu local de trabalho, com a limpeza racial que deveria ser feita na Alemanha. . 

O uivo da górgona - parte 8


8
Jonas falava baixo e olhava em torno de tempos em tempos, como se suas palavras o fizessem alvo das criaturas:
- Eu moro aqui em cima do mercadinho. E tenho insônia. Nas noites em que não costumo dormir, costumo ficar na sacada do meu quarto, no andar de cima, olhando para a rua, para o movimento. Foi o que fiz ontem. Era... deixe-me ver... onze horas, onze e meia, meia noite? Tudo parecia normal. Muitas pessoas na rua, muitas na frente de suas casas ainda. Outras já começavam a se recolher. Uma noite normal como todas as outras. Então eu ouvi aquele som estranho e estrondoso. Parecia uma música, mas não era uma música. Parecia mais como se você colocasse dezenas de carros de som um do lado do outro e o resultado era uma... como dizer?
- Cacofonia? – atalhou Edgar.
- Sim, acho que seria isso. Então havia esse som estranho, em volume altíssimo, se aproximando. E esse som parecia mexer com as pessoas. Eu olhava para elas e elas pareciam se transformar. Não sei dizer ao certo o que era, mas aquela música mexia com suas mentes. E aquilo foi ficando cada vez mais próximo, até que pude perceber de onde vinha. Era uma espécie de carro de som, mas era bem maior, como um caminhão.
- Um veículo? Quem dirigia?

- Eu não conseguia ver. Ele passou na avenida principal, longe daqui. Além disso, logo parei de olhar para ele e olhei para a rua. Cara, foi o caos. 

Pateta faz história


O anti-intelectualismo


segunda-feira, março 13, 2017

Por que o eixo perdeu a guerra da África?

A principal razão para a vitória aliada no continente africano está na pequena ilha de Malta, tomada do domínio francês pelos ingleses em 1800.
Os alemães e italianos dependiam dos alimentos e equipamentos que vinham da Europa, da Sicícilia e indo para o porto de Tripolânia, no norte da África. A ilha de Malta, postada estrategicamente entre esses dois pontos, eram o local de onde saiam os ataques ingleses aos navios do Eixo.
Se os militares italianos fossem mais estratégicos, teriam atacado Malta logo no início da guerra, quando ela ainda estava desprotegida. Mas como isso não foi feito, os ingleses fortificaram a ilha a ponto dela se tornar inexpugnável.
Quando os alemães resolveram ajudar os italianos, tentaram tomar a ilha, mas foram rechaçados. Diante disso, e das perdas sofridas pelos alemães na ilha de Creta, Hitler desistiu de tentar tomar Malta. Foi um erro estratégico. Até 77% dos navios do Eixo que cruzavam o Mediterrâneo eram afundados pela marinha inglesa. Só um ataque, ao cargueiro alemão Preussen custou aos alemães 200 homens, mil toneladas de alimentos, 6 mil toneladas de munições, mil toneladas de combustível, 320 tanques e caminhões de transporte.

Com a rota de suprimentos e armas transformada em um cemitério de armas e homens, os Afrikan Korps não tiveram como resistir aos aliados. 

Qual a importância da guerra civil espanhola para os nazistas?

A guerra civil espanhola foi o principal campo de provas das novas técnicas de luta que seriam introduzidas pelos alemães.
A Alemanha enviou à Espanha centenas de carros de combate, aviões, artilharia, armamento individual e aproximadamente 5 mil especialistas militares, na maioria pilotos reunidos na Legião Condor.
Os estrategistas alemães usaram a Espanha para testar a guerra aérea, muito propagada pelos teóricos militares. Descobriram que os aviões da época eram deficientes para atingir objetivos estratégicos. Havia, por exemplo, a falta de precisão dos bombardeios. Isso levou os técnicos da Luftwaffe a desenvolverem um novo sistema de navegação, o X-Gerat e o Knickebein.
Os aviadores aprenderam a coordenar suas ações com as forças terrestres, fornecendo apoio e ágil poder de fogo. Os aviões junkers e Stukas tornam-se especialistas em bombardeamento em mergulho, que irá provocar muitas perdas nos combates da Polônia.
Os alemães compreendem que é necessário romper com as táticas em que os caças atacavam sozinhos, comuns na I Guerra. Assim, criam a formação de quatro, com dois pares, cada um contando com um líder e um ponteiro.

Mas o maior ganho dos nazistas com a guerra da Espanha foi a experiência adquirida pelos pilotos. Os que passavam pela escola espanhola voltavam para a Alemanha repassar sua experiência para os colegas, enquanto outros iam aprender na prática. Quando estoura a II Guerra Mundial, nem um outro país do mundo tem tantos pilotos experientes em combate. 

Fantasma


O Uivo da Górgona - parte 7


7
A multidão ficou ali por algum tempo, dividindo o que restava da mulher, depois voltou a se colocar em marcha, ao passo arrastado e àquele som irritante e monótono. Deixou atrás de si pouca coisa: um sapato, pedaços de roupas, tufos de cabelo, nada mais que isso.
O homem negro fez um gesto para Edgar, indicando que ficasse onde estava, e se levantou. Cauteloso, foi andando até a porta do mercado e olhou para fora.
- Foram embora! – disse, retornando.
- O que foi aquilo? Aquelas pessoas, aquelas pessoas comeram a mulher...
O outro franziu o cenho:
- Você não viu nada do que aconteceu esta noite?
- Eu dormi cedo. Estava cansado do trabalho. E meu quarto tem isolamento acústico.
- Talvez tenha sido sorte. Eu vi coisas piores que isso. Sabe-se lá o que essa garotinha viu! – disse, apontando para a menina ainda apertada ao peito de Edgar.
O outro estendeu-lhe a mão.
- As circunstâncias não são as melhores, mas meu nome é Jonas.
- Eu sou Edgar. O que é isso? O que está acontecendo? Que pessoas são aquelas?
O outro suspirou:

- Vou tentar começar do início. 

domingo, março 12, 2017

O que foi a guerra civil espanhola?

Em 1936 um governo de coalização de esquerda foi eleito na Espanha. A União Militar Espanhola, associação militar de caráter ultra-direitista e anti-republicana, preparou um golpe para derrubar o novo governo, mas os planos vazaram e os republicanos prenderam José Antonio Primo de Rivera, da Falange Espanhola Tradicionalista, e os principais generais de direita foram transferidos para localidades distantes. O general Manuel Goded foi enviado para as ilhas Baleares e o general Franco para as ilha Canárias.
Parecia que a ameaça de um golpe estava eliminada, mas novos acontecimentos políticos mudaram a situação. A discussão sobre as reformas estruturais, entre elas a reforma agrária, ganharam as ruas. Camponeses confiscavam terras de grandes proprietários, greves ocorriam em todo o pais. Como a Igreja estava nitidamente do lado dos grupos de direita, seminários e conventos eram incendiados. Essa agitações fizeram com que a burguesia moderada e católica se aliasse aos militares fascitas.
A revolta militar teve início em 17 de julho de 1936, nas cidades marroquinas de Melilla, Ceuta e Tetuán, mas logo se alastrou por toda a Espanha. O general Francisco Franco assumiu o comando do exército e estabeleceu contato militar com outros chefes militares que temiam o “perigo vermelho”.
Em julho daquele ano, Franco foi noemado pelos militares como Dirigente Máximo da Espanha Nacionalista.
O exército praticamente todo estava do lado de Franco. Os republicanos só contavam com os policiais e as massas de voluntários. Entre os republicanos havia os mais variados grupos, de anarquistas a democratas. 
Iniciou-se uma guerra civil que chamou a atenção do mundo. Voluntários vieram de diversos países para lutar contra os fascistas, entre eles o escritor inglês George Orwell, que posteriormente ficaria famoso com os livros A revolução dos bichos e 1984. A Rússia enviou armas e aviões para os republicanos, enquanto a Alemanha e a Itália abasteciam os nacionalistas.
Depois de uma severa resistência por parte das milícias populares, Franco finalmente entrou em Madri no dia 28 de março de 1939, instalando uma ditadura fascista.

Poucas pessoas perceberam isso na época, mas o resultado da Guerra Civil Espanhola iria traçar os caminhos da Europa a partir daquele momento.  

As vantagens de ser extremista

sábado, março 11, 2017

Quais foram os tesouros saqueados pelos nazistas?

Apesar de sua crueldade, os oficiais nazistas no geral tinham bom nível cultural e sabiam reconhecer a importância de obras de arte. Assim, conforme avançavam na sua escalada de ocupações, os alemães iam confiscando um dos maiores tesouros de todos os tempos.
Em 7 de abril de 1945, os oficiais norte-americanos desceram por um elevador a um esconderijo cavado a 700 metros de profundidade. Encontraram 550 sacos de ouro. Após dinamitarem uma porta, encontaram mais 7 mil sacos. Eram moedas de ouro da França, Suíça e EUA. Baixelas de ouro e prata, esmagadas para facilitar o armazenamento, empilhavam-se em caixas e arcas. Havia malas cheias de diamantes, pérolas e diversas outras pedras preciosas. Havia também dentes e ouro arrancados dos judeus nos campos de concentração.
Nos túneis os militares descobriram 400 toneladas de obras de arte, retiradas dos museus e de coleções particulares. .

Entre as preciosidades encontradas estava o famoso busto da rainha Nefertite do antigo Egito, com 3.000 anos.

sexta-feira, março 10, 2017

Como escrever quadrinhos

Pedidos: profivancarlo@gmail.com.

O que foi a noite dos longos punhais?

Foi uma iniciativa de Hitler para eliminar a influência de Ernest Rohm, comandante da SA. A SA havia surgido como uma milícia nazista na época dos confrontos com os socialistas. Mas com o tempo a agremiação foi se agigantando e Rohm assumindo um poder imenso. Em 1934, a SA já havia chegado a dois milhões de membros.
O tamanho e a influência da organização preocupavam tanto quanto o fato de que os soldados da SA pareciam mais fieís a Rohm do que a Hitler, assim ele começou a transferir seu apoio para a Schtztafel (Destacamento da Guarda), mais conhecida como SS. Esse destacamento usava um uniforme próprio, que lhe valia o apelido de camisas pretas e usava uma caveira como símbolo.
O mais importante é que a SS estava sob comando de Heinrich Himmler, extremamente fiel ao a Hitler, o que garantia total obediencia ao fuhrer.
Os dois homens elaboraram um plano para acabar com a força política de Rohm.  Juntamente com Goring, Himmler copilou metodicamente a lista dos membros mais importantes da SA e deu início à noite dos longos punhais. Na noite de 30 de junho de 1934, mais de mil homens de Rohm foram presos e exterminados.
Os grupos de excecução agiam tão rapidamente que as vítimas nem sequer descobriam o que estava acontecendo.

Hitler declarou que a ação era lamentável, mas necessária, pois o partido necessitava de um expurgo de sangue. 

O uivo da Górgona


Um som se espalha pela cidade (ou pelo estado, ou pelo país, ou pelo mundo?). Um som que ouvido transforma as pessoas em seres irracionais cujo único o objetivo são os instintos básicos de violência e fome. É o uivo da Górgona.
Acompanhe a história dos sobreviventes neste livro de terror, uma história de zumbis diferente, em que qualquer um pode se transformar, bastando para isso ouvir o terrível uivo da górgona.
Escrito em capítulos curtos, o livro transforma o suspense em elemento de fantasia, prendendo o leitor da primeira à última página. 
Pedidos: profivancarlo@gmail.com. 

quinta-feira, março 09, 2017

O que é o Mein Kampf?

Mein Kampf (Minha Luta) é um livro escrito por Hitler na prisão. Publicado na Alemanha, ele virou um best-seller e chegou a vender 300 mil exemplares antes mesmo da chegada dos nazistas ao poder. No livro ele defende que os judeus foram os responsáveis pela derrota do país na I Guerra Mundial e que  fizeram isso para obter ganhos pessoais. Também os comunistas eram acusados de provocar a inflação que destruía a poder de compra dos alemães.
No livro, Hitler advoga uma aliança entre alemanha, itália e inglaterra visando destruir a união soviética.
O livro recomenda o uso da força bruta como instrumento político: “O único meio de obter uma fácil vitória sobre a razão é o terror e a força”.
Hitler diz que o governante, quando for mentir, deve dizer uma grande mentira, e, quando for falar para a massas, deve tratá-la nivelando por baixo: “Os poderes receptivos das massas são muito limitados e seu entendimento é fraco”.
A linguagem do livro era confusa e de gramática duvidosa. Além disso, palavras como esmagar, força, cruel, terror e ódio permeavam o texto.

O livro foi recebido em outros países como um absurdo, mas criou uma legião de fãs na Alemanha. Atualmente a obra tem interesse apenas para colecionadores e grupos neo-nazistas. 

quarta-feira, março 08, 2017

Como Hitler se tornou ditador?

Hitler chegou ao poder na Alemanha não como ditador, mas como chefe de um governo de coalisão, e contando apenas com três ministros, de um total de onze, mas manobrou para ganhar, aos poucos, poder total.
Seu primeiro passo para isso foi um decreto que suspendia todas as garantias de liberdade individual sobre o pretexto de que o incêndio do Parlamento alemão era um sinal de que estava em curso um golpe de estado praticado pelos comunistas. Muitos historiadores acreditam que esse incêndio foi provocado pelos próprios nazistas como pretexto para perseguir adversários políticos.
As tropas da SA, incorporadas agora à polícia, usaram sua imunidade legal para prender e espancar judeus e deputados comunistas. Foram neutralizados assim todos aqueles que poderiam representar uma dificuldade para a ascenção nazista.
Em 23 de março, Hitler levou para aprovação no congresso o chamado Ato de Autorização, que dava ao novo chanceler poder de decretar leis sem consultar o congresso. Com todos os deputados oposicionistas presos, a medida foi facilmente aprovada.
Além disso, procurou estabelecer uma nova relação com as forças armadas, garantido que elas ficariam neutras durante a sua escalada rumo ao poder total. Em troca ele assegurou que faria tudo o possível para rearmar a Alemanha.

Com a morte de Hindenburg, Hitler acumulou também o cargo de presidente. Em 1934, para deixar claro seu controle absoluto sobre o governo, sugeriu que lhe fosse conferido o título de Fuhrer (líder). A inspiração era a Itália, onde o líder fascista Mussolini era chamado de Duce, líder em italiano.  

Promethea


O quadrinho europeu


            A Europa sempre foi um re­duto das HQs de qualidade. Na década de 30, Hergé havia cria­do o Tin Tin e, com ele, a escola belga de quadrinhos. Mas o grande  boom da oitava arte na Europa viria mesmo depois da II Guer­ra.
            Na época da guerra, os italianos e alemães proibiram que fossem importados quadrinhos americanos, que poderiam incentivar os jovens a entrarem na resistência.
            O desenhista Edgar Pierre Jacobs foi chamado para terminar uma história de Flash Gordon. Como não conhecia exatamente o personagem, fez modificações que depois levariam à criação dos personagens Blake e Mortiner, dois aventureiros que se envolvem em diversas situações perigosas e estranhas.           
            Surgiram vários outros heróis, seguindo a chamada linha clara (com um desenho limpo e elegante): Jijé fez, para a revista Spirou, o cowboy Jerry Spring, que influenciou toda a uma geração de personagens de faroeste.
            Já estava ali, em Jerry Spring, a essência do quadrinho franco-belga: desenho limpo, detalhamento de cenários, muitos quadros por página e muita pesquisa. O autor chegou a viajar para os EUA e para o México, a fim de conhecer de perto o cenário no qual se passariam as histórias.
            Em 1949, o editor Georges Dargaud adquiriu os direitos de publicação da revista Tintin na França, abrindo espaço para desenhistas locais. Com isso, os mercados francês e belga se aproximaram (a ponto de se tornarem uma só escola) e evoluíram muito.
            Seguindo a linha de faroeste, mas com foco no humor, Morris criou um cowboy que viria a se tornar célebre: o cowboy Lucky Luke (conhecido por ser mais rápido que sua própria sombra). Ao visitar os EUA para fazer pesquisa para seu personagem, Morris conheceu Goscinny, um francês que migrara para o novo mundo e passara pela Argentina antes de ir para a terra de Tio Sam. Diante da qualidade do texto do amigo e do humor ferino, Morris convidou-o a escrever as aventuras de Lucky Luke. Mais tarde, em parceria com Uderzo, Goscinny viria a criar o mais importante personagem da escola franco-belga: o gaulês Asterix.
            Outro personagem de sucesso desse início da HQ européia foi Alix, com histórias que se passavam na época do Império Romano e envolviam tramas muito bem elaboradas.

            Uma curiosidade sobre os quadrinhos europeus é que as histórias são publicadas em revistas seriadas e depois unidas em álbuns de luxo, o que deu ao quadrinho europeu status de arte. 

O uivo da górgona - parte 6


6
A mulher ainda se debateu um pouco mais, até soltar um último urro final, que parecia uma mistura de dor e desespero. Então a multidão começou a se afastar dela. Cada um trazia algo na mão. Inicialmente Edgar achou que a tivessem roubado, então olhou direito. Foi a menina com a boneca que o fez perceber o que estava acontecendo.
(oh, meu Deus, oh meu Deus, não!)
Ela se afastou carregando algo na mão e levando à boca, como se fosse um pirulito. Mas não era um pirulito, ou um picolé, era... Um dedo! Um dedo humano! Da mulher que fora encoberta pela horda. Edgar ainda podia ver o esmalte vermelho na unha, agora já desgastado.
A menina o levava à boca e chupava e lambia, como se fosse uma iguaria.. O dedo era grande demais para sua boca pequena, mas ela o mastigava abrindo e fechando muito a boca, sangue e saliva escorrendo de seus lábios.
Uma mulher se apropriara do fígado e parecia não se decidir entre mastigar e lamber o sangue que escorria. Outro dos zumbis tentou roubar-lhe o pedaço escarlate de carne, mas ela o repeliu com um rosnado. Este voltou ao seu pedaço de carne e a esqueceu. Devia ser um dos seios e ainda trazia consigo uma parte do tecido da blusa, mas o homem comia assim mesmo, sem fazer qualquer distinção entre roupa e carne.

Edgar fechou os olhos da menina em seu colo, apertando-a contra seu peito, mas até mesmo ele tinha que se segurar para não vomitar com a imagem da multidão se fartando com aquele banquete nojento. 

terça-feira, março 07, 2017

Grafipar, a editora que saiu do eixo


No final da década de 1970, Curitiba se tornou a sede da principal editora de quadrinhos nacionais. A produção era tão grande que se formou até mesmo uma vila de quadrinistas. No livro Grafipar, a editora que saiu do eixo, eu conto em detalhes essa história. O livro inclui também algumas HQs publicadas na época e análise das mesmas.
Pedidos: profivancarlo@gmail.com.

MAD - gripe aviária

Gripe aviária: roteiro meu, desenho de Raphael Salimena.

Como Hitler chegou ao poder?

Em 1932, a depressão se agravava cada vez em decorrência da queda na bolsa de valores. Havia 6 milhões de desempregados e a violência nas ruas se tornou comum. O general Hindenburg foi convencido por amigo a se candidatar mais uma vez à presidência e venceu Hitler por uma estreita margem de votos. O partido nazista já havia se tornado dominante em toda a Alemanha.
O general Hindenburg dizia que não queria “transformar esse cabo austríaco em chanceler”, preferindo alguém seguro e civilizado. Assim, ele nomeou para chanceler Franz von Papen, um aristocrata rico e elegante. Mas a força política dos nazistas eram grande demais para ser desprezada e o governo ofereceu o cargo de vice-chanceler a Hitler, que recusou. Ele queria o poder supremo, ou nada.
Hitler usou a imprensa nazista para atacar o novo chanceler e seu “ministério de barões”. Foi uma ataque tão brutal que Papen se viu forçado a renunciar. Hitler não aceitou o seu sucessor, Kurt von Schleicher. O governo foi obrigado a abaixar a cabeça e, humildemente, perguntar a Hitler o que ele queria. Ele queria a chancelaria. Os governistas concordaram, com a condição de que Papen continuasse como vice-chanceler.
Em 30 de janeiro de 1933 o velho general Hindenburg nomeou o cabo austríaco no cargo mais importante de toda a Alemanha. O nazismo chegara ao poder.


O sonhador


Fagin, o judeu


O edifício


O complô, de Will Eisner


Centenário de Will Eisner


Se estivesse vivo, Will Eisner, um dos maiores gênios dos quadrinhos estaria comemorando 100 anos. Saudações ao criador das graphic novels.
Em comemoração, vou publicar imagens de alguns trabalhos dele. 

O uivo da górgona


5
Edgar não entendeu porque a mulher estava fazendo aquilo. Ela corria e gritava, como se estivesse em uma crise histérica.
Não demorou muito para que a multidão a visse e ouvisse. Agora parecia um corpo compacto, um monstro que já não se arrastava como antes, mas se movimentava rapidamente, como um animal de rapina.
A mulher ficou lá parada, como que hipnotizada.
No último momento pareceu entender o que ia acontecer e tentou escapar. Mas já era tarde demais.
Um homem com um macacão azul segurou seus cabelos. A mulher gritava e puxava desesperadamente, e quanto mais fazia isso, mais firmes as mãos a agarravam. Então, num esforço supremo, ela conseguiu se livrar, deixando um enorme tufo de cabelos nas mãos do outro. Mas isso só serviu para aumentar a sua dor, pois nesse momento outro já havia agarrado sua perna e outro o braço.
A horda a envolveu, como formigas em volta de um doce. Edgar podia ver uma mão se esticando ou um pé, e ouvir os gritos de desespero e dor. Tentou levantar-se, talvez no impulso de ajudá-la, mas o homem negro o conteve com um gesto.

- Não faça barulho! 

segunda-feira, março 06, 2017

Sargento Rock


O que foi a república de Weimar?

A república de Weimar foi um governo democrático e progressista que se intalou na Alemanha após a I Guerra Mundial. Era um sistema parlamentarista em que o presidente da república nomeava um chanceler, que seria responsável pelo poder Executivo.
Quando a derrota na guerra se avizinhava, os militares e monarquistas entregaram o poder aos democratas, que seriam responsáveis pela república de Weimar. Muitos afirmam que foi um presente envenado, pois a situação após a guerra era desesperadora, com a Alemanha impedida de se desenvolver graças às reparações de guerra.
Entrentanto, a república de Weimar foi um campo fértil para o desenvolvimento cultural, especialmente garantido pela liberdade de expressão.
A alemanha viu nascer uma geração de artistas que revolucionaram campos como a música, a ópera, o teatro, o desenho, a literatura, as artes plásticas e o cinema.
Bertolt Brecht revolucionou o teatro ao propor um distanciamento crítico do público com relação ao espetáculo. Sua Ópera de três vinténs, com música de Kurt Weill, foi apresentada quatro mil vezes na Europa.
O expressionismo alemão se manifestou no cinema na forma de filmes que até hoje são clássicos, como Metrópolis, de Fritz Lang, O consultório do Dr. Caligari, de Robert Wiene, Emil e os detetives, de Billy Wilder e Nosferatu, de F. W. Murnau. Tais filmes mostavam o lado obscuro da alma humana, o que muito consideram uma antecipação do terror nazista.
A escola Bauhaus, liderada por Walter Gropius investiu no conceito de arte total, combinando pintura, escultura, desenhos de móveis e tecidos e influenciando não só a arte, mas também o design industrial.
Hitler considerava esse florescimento cultural um “liberalismo decante”. Sob seu governo, a arte moderna seria riscada da Alemanha. 

Imobiliária Auxiliar, em Curitiba

Evite.

Al Williamson


Entre os desenhistas surgidos na década de 1950, um deles se revelou um verdadeiro mestre, à altura de gente como Hall Foster e Alex Raymond. Seu nome era All Williamson.
Williamson nasceu em New York, no ano de 1931, mas logo sua família se mudou para a Colômbia, onde ele permaneceu até 1943. Durante a infância, All lia, basicamente, revistas em quadrinhos mexicanas com material mexicano e argentino. O quadrinho argentino iria influenciá-lo por muito tempo. Mas a sua grande inspiração foi o desenhista americano Alex Raymond. Williamson, ainda criança, assistiu uma fita do seriado de Flash Gordon e ficou encantado. A partir de então tornou-se absolutamente fã das histórias de Raymond. Quando voltou para os EUA, o garoto já se decidira que iria ser quadrinista. Assim, inscreveu-se na escola de Arte Visual, de Burne Hogart, desenhista de Tarzan. All era um bom aluno, mas o atrito entre os dois era inevitável: Hogart insistia que os alunos seguissem o seu estilo, e All preferia seguir o estilo de Alex Raymond. Apesar das desavenças, Hogart chegou a dar três páginas dominicais para que o jovem desenhista as trabalhasse a lápis.
Depois disso, All Williamson foi desenhando várias histórias até se tornar um dos desenhistas mais importantes dos anos 50 e 60 nos EUA. Entre 1952 e 55 ele trabalhou na EC Comics, que foi a meca dos quadrinhos de qualidade nos EUA  antes de ser perseguida pelo marchatismo. Depois disso, fez trabalhos a Warren (cujas histórias saiam no Brasil na extinta Kripta). Mas em 1966 o garoto que adorava os seriados de Flash Gordon teve a oportunidade de desenhar o seu herói. All Williamson desenhou três números da revista Flah Gordon (algumas dessas histórias saíram no Brasil em revistas da RGE). Foi o bastante para demonstrar que ele era o seguidor mais talentoso de Alex Raymond. Tanto que a King Features Syndicates o chamou para desenhar as tiras de Agente Secreto X9, outro personagem criado por Raymond. Os roteiros ficaram a cargo de Archie Goodwin. Goodwin tem uma característica interessantes. É um desses roteiristas que não conseguem trabalhar com super-heróis (suas histórias no gênero são sofríveis), mas que se movimenta muito bem no gênero policial. As histórias criadas por Goodwin para X-9 estão entre os melhores quadrinhos policiais de todos os tempos e são, inclusive melhores que algumas das histórias de Dashiell Hammett, que escrevia o personagem na época em que Alex Raymond desenhava.
            Goodwin e Williamson  reformularam completamente o personagem, dando à tira um toque de espionagem. O nome da tira, inclusive, foi mudado para Agente Secreto Corrigan. A dupla esteve a cargo do personagem de 1967 até 1980. Depois disso All Williamson fez poucos trabalhos pessoais e chegou até mesmo a fazer arte-final para John Romita Jr quando este desenhava o Demolidor. O que é lamentável, pois, embora Romita não seja um desenhista ruim, seu traço é bastante simples e não chega nem de longe à sofisticação de Williamson.
            All Williamson começou a desenhar X-9 numa época em que o feminismo estava em alta e, da revolução sexual parecia estar surgindo uma nova mulher. Seus desenhos refletem isso. As moçoilas que contracenavam com o agente secreto Corrigan não eram simples coadjuvantes, prontas a pedir socorro ao menor sinal de perigo. Ao contrário, eram mulheres liberadas e valentes. Williamson as fazia vestidas com calças justas e botas, mas ainda assim elas continuavam extremamente femininas.

            Outro trabalho importante do desenhista, até hoje lembrado pelos fãs, foi a quadrinização dos primeiros filmes da série Guerra nas Estrelas. 

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A fantástica história do homem que virou lenda

Pedidos: profivancarlo@gmail.com.

Carl Barks


O uivo da górgona


4
O grupo compacto se arrastava pela rua, como se fosse um só corpo. Havia homens, mulheres, crianças, idosos, entre eles. Parecia um enorme grupo de mendigos. Estavam todos maltrapilhos, suas roupas sujas, seus cabelos desgrenhados. Andavam como se não soubessem para onde ir, como se apenas um estivesse acompanhando o outro. Tinham olhares perdidos, vagos, como se a alma lhes tivesse sido arrancada e não sobrasse nada além de uma casca. Uma menina de uns seis anos andava entre eles, ia andando e arrastando uma boneca pelos pés. O cabelo da boneca era como uma vassoura limpando asfalto sujo, mas a menina parecia não se importar. Sua roupa estava muito imunda e havia uma grande mancha marrom em sua calcinha de renda.
Uma das pessoas, um velho, se aproximou demais de um rapaz e foi empurrado. Ele se levantou e rosnou para este, como um cachorro que rosna para outro. Os dois se encararam, mas um segundo depois pareceram esquecer isso e voltaram a se juntar ao coro.
Em outro canto, uma velha usava apenas um lado de uma pantufa, o outro pé arrastando uma meia encardida. Um óculo quebrado pendia de seu rosto, preso apenas por uma orelha, mas ela não fazia qualquer gesto para tirá-lo ou colocá-lo de volta.
(zumbis, pensou Edgar, parecem zumbis)

Então se ouviu um grito e uma mulher correu, atravessando a rua pouco à frente do grupo. 

Além da imaginação


domingo, março 05, 2017

The Man Comes Around - Johnny Cash (Logan End Credits Song)

Logan

O Wolverine foi o símbolo máximo de uma das piores épocas dos quadrinhos de super-heróis. Na década de 1990, a maioria dos heróis se tornaram clones do carcaju: violentos, rasos, cabeça-quente.
Depois de uma fase inicial interessante, nas mãos de Chris Claremont e John Byrne, o personagem se tornou apenas isso: um cara violento, cabeça-quente, que resolve tudo na porrada. E, isso, claro, se refletiu nos filmes do personagem (vale lembrar a introdução do primeiro filme, em que ocorre uma briga imensa por uma pedra que um empresário usava como peso de papel e que ele entregaria tranquilamente se alguém pedisse).
Assim, Logan é uma agradável surpresa por fugir completamente do padrão estabelecido para o personagem e mostrar uma profundidade inesperada.
(ATENÇÃO: SPOILER!)
Nesse novo filme, o Wolverine, muito a contragosto, tem que salvar uma garota que foi clonada a partir de suas células, sendo, de certa forma, sua filha. Agentes governamentais, envolvidos no projeto que criou a menina, farão qualquer coisa para tê-la de volta. Esse plot lembra muito o ótimo A incendiária, um livro pouco conhecido de Stephen King.
A película é um road movie: à medida em que fogem, a relação entre os dois vai se estabelecendo até culminar na cena de crédito, com a ótima música de Johny Cash. O professor Xavier completa o trio, com alguns dos melhores momentos do filme.
A história tem tudo na medida certa: violência, efeitos especiais (que você mal percebe) e até humor, sempre sempre resvala no humor negro.

Johnny Cash One (u2) legendado

Neonomicon


Garcia-López


Por que Hitler desistiu de chegar ao poder através de um golpe?

Hitler percebeu que o povo alemão era um defesor ferrenho da lei e da ordem. Por mais que aplaudissem seus discursos, eles jamais tolerariam uma derrubada violenta do governo.
Assim, ele empreendeu um projeto de chegar ao poder por meios legais. Quando saiu da prisão, em 1924, a Alemanha e o partido nazista haviam passado por várias mudanças. O partido estava fragmentado em várias facções rivais.
Em decorrência de pressões dos EUA, a França diminuíra consideravelmente o pagamento de reparações de guerra. Isso, unido à introdução de uma moeda estável, fizeram com que a economia alemã começasse a se reanimar.
A Alemanha era agora um país calmo, em crescimento, e aparentemente não havia espaço para a mensagem nazista, que florescera em meio ao caos social.
A Alemanha agora era a república de Weimar, um ambiente em que a arte florescia.
Ainda assim, Hitler continuou trabalhando para unir e fazer crescer seu partido.
A crise da bolsa de valores dos EUA, em 1929, fez voltar o caos social e Hitler aproveitou para conseguir mais e mais eleitores com sua retórica inflamada e emocional. Mais uma vez o dinheiro perdeu quase todo o seu valor e as pessoas se aglomeravam nas praças, ouvindo qualquer um que parecesse apresentar uma solução.

Foi nesse terreno fértil que o partido nazista cresceu.  

O uivo da górgona


3
O som fez com que se assustasse. Era um emaranhado de vozes desconexas, um engasgar coletivo sem sentido e apavorante.
- Esconda-se! – ordenou o homem negro.
Edgar sentou-se, as costas apoiadas na parede do mercado. A menina não parecera ter ouvido aquele som angustiante, mas quando viu os dois homens se escondendo, aproximou-se do mais velho e aconchegou-se em seu colo.
(ela está tremendo, ela está tremendo de medo)
Então o som foi se tornando cada vez mais presente, mais forte e mais assustador.
O homem negro estava atrás de uma gôndola e fez novamente o sinal para Edgar, pedindo silêncio. A menina o olhou, e se agarrou a ele.

Ele se arriscou a inclinar a cabeça e, por entre pacotes de salgadinhos, a imagem do caos apareceu para ele. 

sábado, março 04, 2017

Gene Colan


Esquadrão Atari


Como foi o julgamento de Hitler?

Hitler foi julgado pelo golpe da cervejaria em 1924. Ele pediu para fazer sua própria defesa e conseguiu causar grandes estragos com seus discursos. Disse que agira por amor à pátria e que sua missão era levar a Alemanha a uma era de grandeza. Ele acusou o governo de Weimar de ter apunhalado e oprimido o povo alemão.
Apesar de réu, Hitler contava com a simpatia do tribunal e da maioria do público. Além disso, as constantes manifestações nazistas faziam pressão sobre o Ministério Público, que preferiu não ser muito rigoroso com o caso. Em 1 de abril de 1924, Hitler foi condenado a cinco anos de prisão, com recomendação para uma próxima liberdade condicional.
Hitler virou herói nacional e passou a receber flores e presentes.  Ele conseguira transformar uma derrota em uma oportunidade.

O líder nazista ficou confinado na fortaleza de Landsberg em um confortável quarto, duas vezes maior que o apartamento que ele ocupava em Munique. Recebia alimentação decente, podia ler, escrever e receber visitas, além de presentes. Comentaristas da época dizem que sua cela vivia cheia de flores enviadas por admiradores. 

O uivo da górgona


2
Edgar se virou assustado. Era um homem negro de meia idade. Este levou o dedo indicador aos lábios e fez sinal de silêncio, depois puxou-o para o mercado.
- Mas o quê? – protestou Edgar.
- Silêncio! O barulho atrai eles. Deus queira que eles não tenham visto você!
- Eles quem?
O homem negro olhou-o, intrigado.
- Você não sabe de nada?
(o que, o que ele deveria saber?, pensou ele, enquanto sua pele se arrepiava)
- Vamos, entre antes que eles nos vejam.
Lá dentro, uma menina os esperava, os olhos assustados. Era uma garotinha branca, de cabelos castanhos claros, quase ruivos. Não podia ser filha do homem que o chamara. A menina vestia uma saia rosa e uma blusa branca rasgada. Seus cabelos estavam desgrenhados.

Então ele ouviu. 

sexta-feira, março 03, 2017

O mistério dos signos


Mestre do Kung Fu


Carlos Zéfiro


Na década de 70 Brasil era uma ditadura. O conservadoris­mo tomava conta do pais e até mesmo a Playboy era proibida de circular nas bancas (depois, quando foi liberada, não podia mostrar nus). Nessa época a única forma de se ter acesso ao tema sexo era através de revistinhas clandestinas, surgindas na década de 1950. Essas publicações eram chamadas de “catecismos” por ­que eram feitas no tamanho certo para serem colocadas dentro destes, já que a maioria dos garotos as comprava quando saía da missa.
Os catecismos eram assinados por Carlos Zéfiro. Não era um nome verdadeiro e ninguém sabia quem desenhava as histórias responsáveis pela educação se­xual de toda uma geração. Tam­bém, pudera.
Desde sua produção até a distribuição, os catecismos ti­nham todos os elementos de fil­mes de espionagem. Eles eram vendidos nas bancas dentro de outras revistas e com muito cui­dado, porque podia dar cana. Certa vez um general de Brasí­lia se indignou com as revisti­nhas e mandou investigar. Chegou até Hélio Brandão, o respon­sável pela edição das revistas. Hélio jamais revelou que Carlos Zéfiro era o pacato funcionário do serviço de imigração do Mi­nistério do Trabalho, Alcides Caminha.
Zéfiro reinou como o rei da sacanagem nas décadas de 1960 e 1970, em plena ditadura militar. Embora seu desenho fosse primitivo e ele copiasse descaradamente das mais diversas fontes, seus roteiros eram uma verdadeira investigação antropológica e sociológica sobre a sexualidade do brasileiro. Tanto que suas histórias acabaram chamando atenção de cientistas famosos, como o antropólogo Roberto da Matta, que chegou a escrever textos analisando seus quadrinhos e já se declarou fã do quadrinista.

Renegado durante décadas, Zéfiro só ganhou notoriedade muito recentemente ao ser homenageado na capa do disco Barulhinho Bom, de Marisa Monte. 

Agente secreto X-9


O uivo da górgona


1
Edgar encostou-se à parede do mercado, entre os sacos de salgados e os refrigerantes, e segurou a respiração. Em seus braços, a menina o olhava, aterrorizada e ameaçava chorar (oh, Deus, faça com que ela não chore, pensou ele. Não agora).
- Estão passando. – anunciou Jonas.
Ele podia ouvi-los. Podia ouvir seus pés arrastando pelo chão de asfalto, os grunhidos terríveis que soltavam, um ou outro rosnar.  Era como uma maré de ódio, fedor e caos.
Era irônico que para ele tivesse começado tudo com silêncio.
Apesar do quarto com isolamento acústico, que mantinha todo o barulho lá fora, tinha sido uma noite terrível, repleta de pesadelos. Em seu sonho havia uma música (não, não era uma música, um barulho, apenas um barulho) muito, muito alta. E, diante dele, seguia uma procissão de loucos e acontecimentos vistos rapidamente, como flashes sem sentido. Uma mulher grávida rasgava o próprio ventre, retirava o feto e o comia. Homens agrediam-se uns aos outros, que agrediam outros e outros e outros e outros, até que sobrasse apenas uma luta insana.
Quando acordou, percebeu que a cama estava molhada de suor. O ar condicionado não estava funcionando.
Sem energia num dia de calor, pensou ele, enquanto ia ao banheiro lavar o rosto.
De fato, só percebeu que havia algo errado quando saiu do quarto. Ficou por um instante parado, no meio da sala, tentando descobrir o que havia de estranho Então percebeu: o silêncio. Não havia barulhos lá fora.
(Estamos sem energia, pensou ele, é apenas isso, mas uma parte de sua mente dizia que não era só isso)
Não havia barulho algum. Nem mesmo um rádio, a vizinha gritando com o filho, nada.
No quintal, a mesma coisa: apenas o silêncio. Um pássaro aproximou-se, pousou no muro, olhou para ele, e foi embora, sem emitir qualquer barulho.
Ao sair na rua, espantou-se ao descobrir que ela se tornara um deserto. Olhou no relógio: oito horas. Nesse horário a rua costumava estar movimentada. Mães que retornando depois de levar seus filhos no colégio, vendedores, vizinhas fofocando. Mas não, não havia nada ali. Nenhum barulho, nenhuma pessoa. Como se toda a vida humana da terra tivesse desaparecido de um momento para o outro.
Duas ou três casas depois que ouviu o primeiro som, dentro de uma casa de muro alto e portão fechado. Vidro quebrado. Parecia uma vidraça sendo estilhaçada. O som foi acompanhado de um urro de dor e depois de outro barulho de vidro. Quem estaria fazendo aquilo? Alguém deixara cair uma placa de vidro e se machucara no processo? Mas porque o som continuara?
Edgar aproximou-se, mas o portão não permitia ver nada lá dentro. Assim, avançou e dobrou a esquina. Estava apenas de short e camiseta e não tinha a mínima ideia de porque estava fazendo aquilo, andando na rua, sem destino aparente, mas algo dentro dele lhe dizia que algo estava muito, muito errado.
Estava próximo ao mercado quando viu um grupo de pessoas se aproximando ao longe. Deviam ser umas vinte ou trinta e andavam lentamente, lado a lado uma com a outra.

Foi quando algo pegou em seu ombro. 

Hora do recreio


quinta-feira, março 02, 2017

Black Book


Como eram as comemorações ao putsch de Munique?

Uma das características da propaganda nazista era realibitar fatos do passado, mudado seu significado. O putsch da cervejaria havia sido um fracasso total e, em muitos sentidos, uma ópera cômica, mas Goebbels transformou-a numa tragédia.
Em 9 de novembro de 1935, Hitler institiu a comeração oficial da tentativa de golpe.
Dois templos de bronze foram construídos para abrigar os restos mortais dos nazistas que haviam morrido durante o putsch. Até mesmo os sarcófagos eram de bronze, destacando o ar grandioso do monumento.
Hitler percorreu toda a cidade em direção ao monumento. Tropas da SS e da SA iluminavam o trajeto com archotes. Ao chegar ao local, Hitler deteve-se diante dos ataúdes para um diálogo mudo. Depois, sessenta mil militares desfilaram em silêncio diante dos ataúdes.
Na manhã seguinte uma procissão comemorativa repetiu o trajeto do dia do putsch, com a mesma posição das autoridades e as mesmas vestimentas daquela época.

De acordo com Alcir Lenharo, do livro Nazismo: triunfo da vontade, esse recurso teatral exorcizava os acontecimentos de forma a corrigi-los historicamente a favor dos nazistas.   

quarta-feira, março 01, 2017

Doctor Who


Sandman


Quem era o Wessel do hino nazista?

Horst Wessel Lied, um dos hinos cantados nas convenções nazistas, era uma referência ao chefe da SA em Berlin, tornado mártir da causa ariana depois de sua morte.
Na verdade, Wessel eram um cafetão que explorava prostitutas em Berlin e acabou sendo morto por um comunista numa disputa por uma delas.
Mas Goebbels viu no fato uma oportunidade de criar um mártir para os nazistas. Toda a sua agonia foi acompanhada pelos jornais nazistas, de janeiro a fevereiro de 1930. O hino, composto em sua homenagem dizia: “Os camaradas vítimas da Frente Vermelha e da Reação/ marcham em espírito em nossas fileiras”.
Claro que não havia nenhum interesse na recuperação de Wessel e seu funeral foi tranformado em um evento de divulgação das idéias nazistas. Milhares de pessoas, com tarjas de luto, postaram-se nas ruas e calçadas. No elogio fúnebre, Goebels chamou-o de “cavaleiro dos tempos modernos, defensor das viúvas e órfãos”, um “socialista de cristo”. Seu nome era repetido diversas vezes e a multidão gritava “presente”.

Dessa forma, um cafetão foi transformado em herói nazista e propetor de viúvas.