sexta-feira, abril 21, 2017
quinta-feira, abril 20, 2017
Quem era o mais famoso espião nazista?
O mais famoso espião nazista era conhecido pelo codinome de Cícero, alcunha do turco Elyesa Bazna,
criado doméstico do embaixador inglês na Turquia Sir Hughe Knachbull-Hugessen.
Quando o embaixador dormia, muitas vezes embriagado, ele
entrava em seu quarto e mexia em sua pasta, fotografando documentos sigilosos
dos ingleses sobre a guerra.
Seu verdadeiro patrão era o vienense Moyzisch, adido
comercial junto à Embaixada alemã, dirigida por Von Papen, mas na verdade
Coronel da Gestapo ou da SS.
Cícero aproximou-se do coronel nazista graças ao seu
fraco por mulheres. Baixo e feio, ele precisava de dinheiro para sustentar suas
amantes. Assim, ele repassava de dia para Moyzisch muitos dos segredos de
guerra fotografados durante a noite em troca de 300 mil libras esterlinas.
Sua perdição foi seu gosto por mulheres. Um dia, ao
encontrar-ser com o coronel nazista, viu ao seu lado a secretária, um bela
moça, Cornélia Kapp. Não resistiu e passou longo tempo conversando com ela.
Para impresioná-la contou que era o famoso espião nazista. Não sabia que a
jovem era uma espiã a serviço do secreto norte-americano.
Depois de uma discussão com Moyzisch, a jovem Cornélia
fugiu, indo se refugir entre os norte-americanos e revelando o segredo sobre a
identidade de Cícero. Alertado, Elyesa pediu demissão e fugiu, levando consigo
as 300 mil libras esterlinas.
Começou a vender carros usados e depois tornou-se
empreiteiro, construindo na Turquia um luxuoso hotel, no estilo Hilton.
Mas se Cícero foi o mais famoso espião nazista, foi
também o mais enganado. Acontece que Moyzisch o havia pago com libras falsas.
Esse dinheiro fazia parte de um plano nazista para
derrubar a moeda inglesa, injetando moedas falsas em países neutros, como a
Turquia. Depois desistiram da idéia e usaram esse dinheiro para pagar o espião.
Os ingleses rastrearam o dinheiro de pagador em pagador e
finalmente chegaram a Cícero, que ficou sem um tostão e ainda teve de aturar a
desilusão de ver sua amante grega ir embora.
Essa foi apenas a primeira vez que Cícero foi enganado
por Moyzisch. Pouco tempo depois, o coronel escreveu e publicou um livro
intitulado Operação Cícero, de enorme sucesso. Elyesa Bazna não levou um
tostão. Depois o livro foi transformado em filme e o espião procurou o diretor,
que o expulsou achando que se tratava de um louco.
Em 1968 Cícero apresentou-se em um programa de televisão
dizendo-se paupérrimo e reclamando do governo alemão 250 milhões de marcos por
serviços prestados durante a guerra. Não recebeu um tostão.
Não existe pré-projeto de pesquisa
A palavra projeto vem do latim “projectu”,
que significa lançar para a frente. Ou seja, é algo que ainda não existe, é
algo que está sendo projetado, que só existirá concretamente no futuro.
Em ciência, projeto significa um
planejamento da pesquisa, com tema, delimitação, problema, hipótese,
metodologia etc. O futuro do projeto dará origema algo pronto, seja um artigo,
uma monografia, uma dissertação de mestrado, uma tese.
No entanto, de uns tempos para cá
tornou-se comum usar a expressão ‘pré-projeto” de pesquisa. Como é necessário
nomear o projeto final, passaram a usar projeto para o resultado da pesquisa.
Assim, a monografia vira um projeto, subvertendo completamente o sentido da
palavra “projeto”. Se está pronto, não pode ser projeto.
A situação é tão bizarra que dia
desses um amigo arquiteto disse que ia me mostrar o projeto de um prédio. Achei
que fosse uma maquete, ou uma planta baixa. Cheguei lá era o prédio pronto.
Provavelmente, em algum momento alguém
leu um projeto de pesquisa e comentou que estava tão ruim que não era nem um
projeto, mas um pré-projeto, ou seja um esboço. Alguém ouviu, achou a palavra
bonita e pensou que fosse um elogio. E aí começou a confusão de se chamar o
produto final de projeto e o que vem antes de “pré-projeto”.
Então, crianças: não existe
pré-projeto. Se ainda não está pronto, se é apenas um planejamento, é projeto.
E o produto final é o produto final, não um projeto, seja uma monografia, uma
dissertação ou um edifício.
Galeão
Galeão é uma obra de fantasia histórica escrita por Gian Danton que se passa em algum lugar do Atlântico, no século XVII.
Depois de uma noite de terror, em que algo terrível acontece, os sobreviventes descobrem que estão em um navio que não pode ser governado e repleto de mistérios. A comida está sumindo, alguém está cometendo assassinatos, uma mulher é violentada e o tesouro do capitão parece ter alguma relação com todo o tormento pelo qual estão passando.
Galeão mistura vários temas da ficção fantástica e outros gênero numa trama policial, já que um psicopata parece estar agindo entre os sobreviventes. A história torna-se, assim, um quebra-cabeça a ser desvendado pelo leitor.
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O uivo da górgona - parte 40
40
- Estão cada vez mais próximos! –
avisou Jonas.
- Melhor ir embora. Não é seguro
aqui. – pediu Alan.
Edgar olhou no relógio. Tinha
prometido quinze minutos para Zu e, apesar do perigo, queria cumprir a
promessa.
- Entrem no carro. Vou esperar de
motor ligado.
O professor ligou a chave e olhou
novamente o relógio. O urro dos zumbis estava cada vez mais próximo.
Faziam exatamente quatorze minutos
do prazo quando Zulmira apareceu na esquina. Segurava a galinha nos braços e
corria, desesperadamente. Assustada, Pimpinela cacarejava, mas era impossível
ouvi-la, tamanha era a balbúrdia da horda.
- Ela não vai conseguir. Estão
perto demais! – avisou Alan, lá atrás.
Edgar engatou a primeira e saiu
com o carro.
- Você vai....? – perguntou Jonas,
ao seu lado.
- Vou resgatá-la. Preparem-se para
abrir a porta de trás.
Ao contrário do que se esperava, o
carro foi na direção da horda. Passou por Zulmira e fez a volta. Alan abriu a
porta.
- Entre! – gritou Edgar.
Zu entrou e a menina ao seu lado
abriu um sorriso de felicidade.
Mas esse pequeno espaço de tempo
foi suficiente para que a multidão se aglomerasse ao redor deles.
Edgar engatou a primeira e tentou
sair. Mas não conseguiu. A multidão aglomerara-se à frente do carro, como uma
verdadeira parede humana.
- Pisa fundo! – pediu Jonas.
- Estou no máximo!
Os zumbis gritavam e batiam na
lataria do carro. Um deles acertou a janela com tanta força que ela se
estilhaçou em mil pedaços. A força usada fora enorme e provavelmente quebrou
sua mão, mas ele parecia não se importar. Com a outra mão tentou agarrar Sofia.
Em desespero, Edgar engatou a ré e
acelerou. Felizmente, a barreira atrás do carro era menos compacta e isso lhe
deu algum espaço para manobrar. A roda traseira pareceu passar sobre algo e
ouviu-se um gemido molhado. A manobra deu certo e agora havia menos pessoas na
frente.
Edgar acelerou.
O carro guinchou, suas rodas
patinando loucas contra o asfalto, mas enfim se livrou da multidão. Edgar
aumentou a velocidade e, viu, aliviado, os zumbis lá atrás, se afastando. A
experiência anterior tinha lhe ensinando a não seguir em frente para evitar que
a horda os seguisse, então virou à direita e depois à esquerda.
- Todo mundo bem? – disse, olhando
pelo retrovisor.
Havia vidro quebrado espalhado
pelo banco e Alan, Zulmira e Sofia tinham olhares assustados. A galinha se
aninhara no braço da dona, e tremia. Fora isso, pareciam bem. Ao menos, não
havia nenhum ferimento aparente.
- Ei, camarada, veja isso. – disse
Jonas.
Edgar olhou para a frente e por um
momento seu coração acelerou.
quarta-feira, abril 19, 2017
V de vingança é uma crítica ao nazismo?
V de vingança, mini-série em quadrinhos escrita por Alan
Moore e desenhada por David Lloyd, e transposta para a tela pelos irmãos Irmãos
Wachowski (Matrix), é uma crítica a todos os regimes totalitários, mas a
referência ao nazismo parece mais clara. Na história podemos ver os campos de
concentração, a perseguição a minorias étnicas e sexuais (gays e lésbicas) e o
controle do estado sobre todos os atos da população.
A história foi publicada originalmente entre 1982 e 1983
na revista britânica Warrior, mas ficou inacabada. Em 1988, com o sucesso de
outros trabalhos de Alan Moore, como Monstro do Pântano, a editora DC convenceu
os dois artistas a continuarem a série.
Em V de Vingança, o partido fascista chegou ao poder na
Inglaterra após uma guerra nuclear. Com ele vieram um controle estrito sobre a
população, com um sistema de espiões e câmeras, e a perseguição a grupos
minonitários, que eram presos em campos de concentração e serviam como cobaias
para pesquisas.
É justamente o sobrevivente de um desses campos de
concentração que se torna V, um misterioso anarquista que, inicialmente parece
estar apenas se vingando de seus algozes, mas, conforme a história avança,
percebe-se que seus planos são muito mais amplos.
V é culto e, embora execute friamente seu plano para
derrubar o regime, parece ser muito sensível.
A história de Valerie, uma lésbica companheira de prisão
de V, é um dos momentos mais marcantes da HQ e o único que foi transposto
literalmente para as telas. Através de Valerie, Alan Moore mostra o pavor dos
regimes totalitários a pessoas que não seguem um padrão de comportamento
sexual.
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Crepax: a psicanálise chega aos quadrinhos
O
quadrinho erótico sofisticado, surgido na França, encontrou na Itália o seu
ponto de maior sucesso de público e crítica.
Gonçalo
Júnior, no livro Tentanção à Italiana, diz que as HQs eróticas italianas foram
diretamente influenciadas pelos filmes de cineastas como Fellini, Visconti e
Pasolini e pelas transformações pelas
quais passava a sociedade italiana da época, que abandonava a rígida moral
católica para entrar de cabeça na revolução sexual.
Entre
os autores que se destacaram por colocar o quadrinho erótico italiano na
categoria de o mais popular e respeitado do mundo, um nome se destacou por ter
sido o primeiro a explorar o erotismo como uma forma de arte e pelo uso
arrojado da linguagem quadrinística: Guido Crepax.
Crepax
se interessou por quadrinhos desde muito pequeno. Aos 12 anos, ele fez a
adaptação do romance O Médico e o Monstro. Quando cresceu, estudou arquitetura,
engenharia e ficou famoso pelas capas de LPs e pelas ilustrações para livros,
revistas e publicidade. Com o tempo, começou a ser visto como um artista
gráfico revolucionário.
Em
1965 surgiu a revista Linus, voltada para fãs de quadrinhos. Era dirigido por
alguns dos mais importantes intelectuais italianos, entre eles o filósofo
Umberto Eco. Crepax foi convidado a colaborar por causa de seu trabalho gráfico
inovador. Para sua estréia, ele criou o personagem Neutron, uma espécie de
super-herói com poderes mentais. Logo na primeira história, ele é apresentado a
uma elegante fotógrafa chamada Valentina. A personagem chamou tanta atenção dos
leitores, que o desenhista resolveu transformá-la em protagonista, abandonando
Neutron.
Fisicamente,
a personagem era semelhante a Elisa Crepax, mulher do desenhista, com cabelo
curto e franja cobrindo toda a testa. Valentina lembrava também, e muito, a
atriz norte-americana Louise Brooks, estrela do filme “A caixa de Pandora”, de
1929. Crepax era tão apaixonado pelo filme que resolveu homenageá-lo em sua
série. Assim, Valentina resolvera adotar aquele visual após assistir ao filme,
como ele explicaria mais tarde.
A
personagem era independente e sensual, encarnando a mulher de seu tempo e tornando-se
símbolo da revolução sexual. Também se diz que foi em Valentina que Freud
encontrou os quadrinhos eróticos. Cada HQ de Valentina era como uma sessão de
terapia, na qual ela liberava suas fantasias eróticas com uma imaginação
desenfreada. Outro em ponto em contato com os anos 1960 eram as viagens
psicodélicas (embora estas não fossem motivadas por drogas). A personagem imaginava-se
em meio a fantasias lésbicas, sadomasoquisas e surreais.
Os
recursos gráficos usados por Crepax eram absolutamente inovadores para a época,
com closes, planos detalhes, cortes bruscos e uso genial do claro-escuro e da
hachura. Além disso, Crepax transformou os cenários e a até as roupas em
elementos que ajudavam a compor a história. Poucas vezes a lingiere foi
mostrada tão detalhadamente em uma HQ e certamente nunca a roupa íntima
feminina serviu tão bem aos propósitos eróticos.
Depois
do sucesso de Valentina, Crepax criou Bianca, uma aluna em um colégio interno,
e Anita, que ficou famosa ao fazer sexo com o televisor. Mas o auge da carreira
desse quadrinista foram as adaptações de obras literárias eróticas, como A
história de O, Emmanuele e A Vênus das peles.
Nessas
obras, Crepax não se esmerava em desenhar homens. Muito pelo contrário, eles
constantemente pareciam grotescos, mas caprichava nas mulheres. Elas eram
sempre altas, magras e sensuais.
Quando
Crepax morreu, em 2003, era uma celebridade que abrira as portas para que os
quadrinhos eróticos italianos fossem vistos como uma forma de arte.
Você sabe a diferença entre ficção e fraude?
Atualmente nos quadrinhos, na literatura, na arte, existem trabalhos tão hiper-reais, tão verossimilhantes que muitos acreditam que se trata de realidade. Por conta dessa confusão, há quem diga que trabalhos que utilizam essa estratégia são na verdade fraudes.
Isso aconteceu, por exemplo, com o e-book Delegado Tobias, de Ricardo Lísias. A narrativa usa recortes de jornais e documentos jurídicos fictícios e vários outros simulacros para tecer a narativa.
Alguém, ou ingênuo, ou mal-intencionado, denunciou-o à justiça por falsificação de documentos jurídicos e instalou-se um processo para investigar o caso. Justiça federal, Ministério Público Federal e Polícia Federal foram mobilizados para investigar o caso, com enorme gasto de dinheiro público. Quando ficou claro do que se tratava, cada órgão jogou a culpa no outro e todos declararam que não investigavam ficção. A própria justiça teve que declarar oficialmente aquilo que todo mundo deveria saber: falsificação é falsificação e ficção é ficção (por mais verossimilhante que seja).
A situação é simples: se o autor do livro tivesse entrado num fórum e adulterado documentos jurídicos reais, ele estaria cometendo uma fraude. Ao criar um documento jurídico e incluir em seu livro, o autor só está criando... ficção.
Um outro exemplo, famoso, agora na área de quadrinhos.
No final de cada capítulo de Watchmen, o leitor encontra uma série de anexos: matérias de jornais, recortes de artigos e até o prontuário médico do personagem Roschach.
Esses anexos são fraudes? Não.
Seria uma fraude se Alan Moore tivesse, por exemplo, ido em uma clínica médica e modificado o prontuário de um paciente real. Mas criar o prontuário médico de um personagem fictício é apenas... ficção!
Mas Gian, eu acreditei que determinado personagem de um quadrinho existia! No quadrinho que eu li tinha até a carteira de identidade dele! Isso não é uma fraude?
Não. Isso só demonstra que o autor do quadrinho conseguiu usar bem a verossimilhança para caracterizar esse personagem.
Isso seria uma fraude se, por exemplo, alguém criasse um personagem chamado Peter Parker e forjasse uma carteira de identidade dele para inscrevê-lo no tribunal eleitoral para que esse "personagem" pudesse votar. Ou usar essa identidade para pegar dinheiro emprestado e não pagar.
- Mas, Gian, o quadrinista cobrou pela HQ. Então ele teve lucro. Isso não é fraude?
Claro que não. Se fosse assim, qualquer um que vendesse uma HQ estaria incorrendo em fraude, já que toda HQ usa em maior ou menor grau, estratégias de verossimilhança.
O que caracteriza a fraude é a manipulação de DOCUMENTO OFICIAL visando prejudicar alguém. E todos nós sabemos, crianças, que uma história em quadrinhos não é um documento oficial. História em quadrinhos é apenas... ficção!
Como escrever quadrinhos
Usando como referência sua experiência de mais de 30 anos como roteirista de quadrinhos, Gian Danton explica neste livro os elementos básicos da construção de roteiro e principalmente as especificidades do texto para quadrinhos.
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O uivo da górgona
Um som se espalha pela cidade (ou pelo estado, ou pelo país, ou pelo mundo?). Um som que ouvido transforma as pessoas em seres irracionais cujo único o objetivo são os instintos básicos de violência e fome. É o uivo da Górgona.
Acompanhe a história dos sobreviventes neste livro de terror, uma história de zumbis diferente, em que qualquer um pode se transformar, bastando para isso ouvir o terrível uivo da górgona.
Escrito em capítulos curtos, o livro transforma o suspense em elemento de fantasia, prendendo o leitor da primeira à última página.
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O uivo da górgona - parte 38
39
Zu olhou à volta, indecisa. De
fato, era impossível ter certeza de para onde tinha ido a galinha. Então viu o
saco de lixo aberto. Aqui e ali vermes saindo dele.
A mulher lembrou-se que Pimpinela
gostava daqueles vermes e provavelmente teria tido sua atenção despertada pelas
coisinhas se remexendo no asfalto. Era uma boa aposta.
Mas, alcançado aquele ponto, nem
sinal da galinha. Talvez ela tivesse virado na esquina, mas para que lado?
Direita ou esquerda? A resposta era pura intuição. Confiando em seu faro, Zu
virou à esquerda.
Ia andando devagar, o olhar baixo,
atenta tanto aos sons quanto aos movimentos. Duas esquinas depois viu uma
lixeira. De onde estava não era possível ver a galinha, mas sabia, ou sentia
que estava indo na direção certa.
- Pimpinela! – gritou.
A galinha surgiu de trás do
lixeiro. Mas, praticamente junto com ela, apareceu um zumbi na esquina.
Zulmira estancou. Agora não era
apenas um zumbi, mas vários. Vinham descendo a rua e a tinham visto.
Pimpinela descia a rua, apavorada
e não demoraria para ser capturada pelo grupo. A mulher já tinha visto uma
horda daquelas devorando um cachorro e sentiu calafrios.
- Pimpinela, pimpinela! – gritou,
indo na direção da galinácea e torcendo para que desse tempo.
O grupo já se tornara maior quando
a galinha finalmente a alcançou e pulou em seus braços. Os zumbis estavam
próximos, muito próximos. Urravam de ódio, os corpos desconjuntados naquela
dança caótica.
Zulmira beijou a galinha e correu.
Correu como nunca correra em sua vida. Correu e rezou.
terça-feira, abril 18, 2017
O que é totalitarismo?
Totalitarismo é um regime político em que o Estado se
estende a todos os aspectos e níveis da sociedade, controlando a sociedade e os
indivíduos.
O totalitarismo geralmente é caracterizado por um partido
único e pelo extremismo ideológico, tanto de esquerda quanto de direita.
O totalitarismo é um fenômeno das sociedades de massas e
constantemente se ancora na propaganda e na psicologia das massas. A idéia é o
controle total da sociedade, transformada em uma massa homogênea, pronta a
seguir uma figura paterna, um líder, que lhe diga o que fazer. Não é por acaso
que Hitler era chamado de fuhrer (líder) e Mussolini de Dulce (líder).
Embora regimes como de Hitler e Stalin sejam antagônicos
do ponto de vista ideológico, eles têm em comum justamente o que define o
totalitarismo. Alguns autores acreditam que os regimes totalitários pretendem o
domínio total e universal da sociedade.
Uma das melhores definições da vida sob um regime
totalitário foi dada por George Orwell no romance 1984: “Se queres imaginar o
futuro, pensa numa bota pisando um rosto humano... para sempre!”.
Como cancelar serviços da NET
A NET é uma empresa que oferece serviços de TV a cabo, internet e telefone. A coisa mais fácil do mundo é conseguir contratar um serviço deles: você liga e às vezes no mesmo dia aparece um técnico para instalar o equipamento. Cancelar os serviços, no entanto, é um verdadeiro calvário.
Quando morava em Curitiba eu assinava um pacote de internet mais telefone passei por todas as dificuldades que todos enfrentam na hora de cancelar o serviço.
Assim, preparei um passo-a-passo para evitar que outras pessoas passem pelas mesmas dificuldades na hora de cancelar pacotes da NET:
1) Não ligue para o 0800. Eu liguei seis vezes. Em todas elas as ligações demoraram quase uma hora, com atendente me passando para atendente. Em todas eu, teoricamente, conseguia o cancelamento do serviço. Pedia inclusive que me enviassem por e-mail o número de protocolo. Quando ligava de novo, descobria que não havia nenhum registro de pedido de cancelamento.
2) Não se preocupe com número de protocolo. Mesmo quando mandam por e-mail, são apenas números, não dizem nada - até porque o e-mail não traz o assunto ao qual aquele protocolo se refere. Em um processo pode-se descobrir, por exemplo, que aquele número de protocolo se refere a uma gravação vazia. Número de protocolo de ligação não tem nenhum valor legal.
3) Leve o equipamento diretamente na loja. Eles agendaram dia para pegar equipamento e simplesmente não apareceram. Quando meu filho foi levar o equipamento na loja, descobriu que não havia nenhum registro de pedido de cancelamento (apesar das minhas seis ligações).
4) Exija na loja comprovante de entrega do equipamento e de cancelamento do serviço.
5) Se a conta estiver no débito automático, procure o banco para cancelar o débito automático. Mesmo depois de entregue o equipamento e cancelado o serviço, eles provavelmente ainda vão cobrar uma ou duas mensalidades. Eles fazem isso por uma razão muito simples: se o consumidor entrar na justiça, o máximo que irá conseguir será seu dinheiro de volta em dobro. O máximo. E quem vai contratar um advogado e ter todo stress de um processo judicial para receber 300 reais de uma cobrança indevida? Se o débito automático for cancelado e a NET colocar o nome do consumidor no SPC- Serasa, fica caracterizado o dano moral. Aí sim vale a pena um processo, pois os valores altos de indenização por inclusão indevida no SPC-Serasa compensam o processo.
segunda-feira, abril 17, 2017
A bomba atômica foi fundamental para a vitória dos Aliados?
Na manhã de dia 6 de agosto de 1945 um avião
norte-americano jogou sobre a cidade de Hiroshima, uma única bomba, de urânio.
Ela foi detonada a 600 metros de altura. Em segundos, mais de 100 mil vidas
humanas foram ceifadas. Os sobreviventes tiveram que lidar com um mundo de
terror: sombras de pessoas, gravadas da pedra, eram as únicas lembranças da
vítimas no epicentro da explosão, cavalos pegando fogo andavam pelas ruas,
vidros tinham explodido perto de pessoas, fazendo com que os cacos grudassem em
suas peles.
No dia seguinte, uma segunda bomba, agora de plutônio, foi
jogada sobre Nagasaki, provocando 80 mil mortes.
A pergunta que se faz até hoje é: era realmente
necessário utilizar as bombas atômicas? Ou: o lançamento das bombas foi
fundamental para o fim da II Guerra Mundial? A resposta a essas perguntas é
provavelmente não.
Em agosto de 1945 o III Reich já estava totalmente
destroçado, oferecendo pouquíssima resistência aos exércitos aliados. Além
disso, se fosse realmente para terminar a guerra, a bomba poderia ser lançada
contra Berlim.
A decisão sobre a bomba parece muito política do que
estratégica. Além do objetivo evidente de apressar a derrota do Japão, os EUA
pretendiam mostrar seu poder militar aos russos. Até aquela altura, os
norte-americanos tinham sido os aliados mais fracos na aliança que juntou Inglaterra,
Rússia e EUA. Com o lançamento da bomba atômica os americanos mostraram quem
seria a grande potência dali para a frente.
Além disso, provavelmente, os militares e cietistas
norte-americanos queriam saber o que aconteceria quando a bomba fosse usada
para matar pessoas. Ou seja, Hiroshima foi um espetáculo e um laboratório.
domingo, abril 16, 2017
Quadrinhos e totalitarismo
Este livro é baseado na dissertação de Mestrado de Douglas Pigozzi defendida na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, sob a orientação do Professor Doutor Waldomiro Vergueiro. A primeira parte do texto tem uma abordagem mais teórica acerca dos meios de comunicação de massas e de uma noção sobre o que é o pensamento (e prática) anarquista; a segunda é uma análise das relações entre as graphic novels V de Vingança, Watchmen e El Eternauta com as práticas sociais totalitárias.
O objetivo é promover uma reflexão acerca do modo como as histórias em quadrinhos podem auxiliar e enriquecer análises sobre o mundo contemporâneo e, neste caso, em específico, refletir de que modo um indivíduo ou uma fração de classe social ou, até mesmo, uma classe social exerce um controle sobre toda a sociedade civil por meio de condutas autoritárias e repressivas, no contexto ficcional destas histórias em ambientes totalitários.
Afinal, as graphic novels V de Vingança e Watchmen (ambas do roteirista Alan Moore) e El Eternauta (do roteirista Héctor Gérman Oesterheld) possuem um conjunto de simbologias e de noções políticas que auxiliam nas análises sobre a problemática do autoritarismo extremo. Leia mais
X-men: a revolução dos filhos do átomo
Embora
já começassem a chamar a atenção desde o início da nova fase, os X-men só se
tornaram um sucesso estrondoso a partir da saga de Protheus.
Protheus
era um mutante extremamente poderoso, capaz de manipular a realidade. Mas tinha
um defeito: para viver, precisava possuir corpos de pessoas, que não sobreviviam
muito tempo. Essa necessidade constante de corpos criaria uma verdadeira
carnificina por onde ele passava.
A
trama mostrava que a série era revolucionária e estava anos luz à frente da
maioria dos quadrinhos publicados na época.
Para
começar, havia a violência. Protheus era um vilão de verdade, que matava
pessoas friamente e representava um perigo real para a humanidade. A relação
dele com o pai, de amor e ódio, mostrava um aspecto psicológico avançado para
os gibis de super-heróis. Até mesmo seu poder de alterar a realidade, era algo
novo nos quadrinhos.
Diante
de um inimigo tão perigoso, só restou uma opção aos X-men: matá-lo usando
contra ele sua única fraqueza: o metal.
Na
década de 1970, super-heróis não matavam, sob circunstância nenhuma, mas a
revista dos X-men estava mudando padrões.
A
saga seguinte cairia como uma bomba nos gibis de super-heróis e seria a grande
responsável pela popularidade do título nos anos seguintes.
Os
autores resolveram trazer a Fênix de novo, mas como lidar com uma personagem
que tinha poderes muito maiores do que os dos outros membros? Simples:
transformando-a em uma vilã!
A
Saga da Fênix mostrava a personagem tendo flashbacks do que parecia ser uma
encarnação passada dela, em que ela participava do Clube do Inferno, sendo
esposa de um dos seus líderes, Jason Wyngarde. Na verdade, tratava-se de uma
trama de um antigo inimigo dos X-men, o Mestre Mental, que pretendia dominar a
heroína para usar seus poderes em interesse próprio.
A
revista começou a chamar a atenção dos chefões de Marvel e a equipe acabou
sofrendo duas interferências editoriais.
A primeira delas é que a Mansão X deveria justificar o nome de Escola
para Jovens Superdotados do Professor Xavier e, portanto, deveria ter pelo
menos um aluno. A segunda é que a revista deveria ser usada como trampolim para
o lançamento de uma personagem baseada na dance music, Cristal.
Claremont
e Byrne fizeram Xavier voltar à equipe e pedir para seus pupilos contatarem
duas novas mutantes. Uma delas era Cristal, a outra era uma jovem chamada Kitty
Pryde que tinha poderes de atravessar a matéria.
Kitty
Pride acabou sendo um achado, pois providenciou uma identificação com o público
jovem. Além disso, ela foi a primeira heroína declaradamente judia dos
quadrinhos.
Em
busca das duas novas mutantes, os X-men acabam tendo de enfrentar o Clube do
Inferno e uma nova vilã, a Rainha Branca. Essa personagem fez grande sucesso
com os leitores. Era loira, linda, e só usava roupas fetichistas.
Os
heróis conseguem derrotar os oponentes e decidem entrar na sede do Clube do
Inferno para descobrir porque estavam sendo caçados. Ao entrarem na sede do
clube, acabam sendo derrotados depois que o Mestre Mental toma o controle da
Fênix, que passa a se chamar Rainha Negra.
Um
único mutante sobrevive: Wolverine, e a ele resta a missão de libertar os
companheiros. As sequências em que ele anda pelos esgotos, derrotando os
inimigos é seu ponto máximo. A partir dali, ele se tornaria o herói mais
popular dos X-men e um dos mais populares dos gibis de super-heróis.
Wolverine
consegue libertar os amigos e Fênix, liberada do domínio do Mestre Mental,
vinga-se do Clube do Inferno. Mas a saga estava apenas chegando ao seu ápice.
Na sequência, Jean Grey perde o controle e transforma-se na Fênix Negra.
A
nova criatura derrotou facilmente os X-men e foi para o espaço alimentar-se.
Sua fome de poder era tão grande que ela sugaria a energia de uma estrela.
Byrne achou que devorar uma estrela não teria tanto impacto se nas proximidades
não tivesse um planeta habitado. Assim, ele retratou um planeta seres
inteligentes sendo destruído no processo.
A
idéia dos autores para a continuação dessa trama era simples: Fênix voltava
para a Terra, derrotava os X-men, mas o Professor Xavier, com a ajuda do lado
bom de Jean, acabaria afastando a Fênix Negra e reduzindo os poderes da heroína
aos níveis de quando ela se chamava Garota Marvel. Em seguida, a imperatriz
Lilandra, do Império Shiar, aparecia e levava os X-men para a Lua, onde eles
deveriam combater a Guarda Imperial. Com a vitória da Guarda, Jean passaria por
um processo no qual perderia todos os seus poderes e sairia do grupo. Com isso,
o problema dos super-poderes da Fênix (que dificultava a elaboração dos
roteiros) seria definitivamente resolvido.
Acontece
que nesse período a edição que mostrava a Fênix destruindo um planeta habitado
caiu nas mãos do editor-chefe da Marvel, Jim Shooter e esse ficou horrorizado.
Para ele, não havia a opção final feliz. A personagem tinha que sofrer. Ele
exigiu que a personagem fosse enclausurada num asteróide, onde seria torturada
por toda a eternidade. Claremont e Byrne, ao ouvir essa exigência, disseram:
Por que não a matamos de uma vez? E foi isso que fizeram. A edição, que já
estava pronta, foi retrabalhada para que a Fênix acabasse se suicidando para
evitar se transformar novamente na Fênix Negra.
A
morte da personagem causou uma comoção sem tamanho entre os fãs. Nunca tinha
acontecido de uma personagem importante, em plena ascensão, morrer nos gibis de
super-heróis. A edição com a morte esgotou rapidamente e, a partir daí o título
começaria seu caminho para se tornar o mais vendido do mercado.
Que super-herói foi criado para combater os nazistas?
Quase todos os heróis dos quadrinhos entraram no esforço
de guerra, ajudando na divulgação dos ideais norte-americanos. O Fatasma combateu
japoneses que invadiram as floresas de Bengala e até Flash Gordon voltou do
planeta Mongo para dar combate aos nazi.
Mas um herói foi criado especialmente para fazer frente a
Hitler: o Capitão América. O personagem era uma criação de dois artistas judeus,
o roteirista Joe Simon e o desenhista Jack Kirby.
Eles imaginaram
uma herói que teria como principal vilão o líder nazista e levaram a idéia para
Martin Goodman, chefão da Timely (atual Marvel). Este gostou tanto da idéia que
resolveu lançar uma revista às pressas. Afinal, o principal vilão poderia
morrer logo e a revista perderia a graça.
O gibi mostrava
como um franzino soldado, Steve Rogers, transformava-se em um super-soldado
graças a uma experiência científica.
No primeiro
número, o Capitão aparece dando um soco em Hitler, o sonho de 10 em 10 garotos
norte-americanos (especialmente os de descendência judia).
Como era de se
esperar, o gibi foi um sucesso e gerou muita polêmica. Joe Simon conta que a
editora foi inundada por uma torrente de cartas de ódio e telefonemas obcenos
cujo teor era: “morte aos judeus!”. O
prefeito de Nova York mandou uma guarnição para proteger os artistas e
telefonou pessoalmente, felicitando-os pelo seu trabalho na revista.
Os artistas,
entretanto, só foram perceber a extensão do sucesso do personagem quando
começaram a aparecer uma porção de imitadores.
Com o fim da guerra, Kirby e Simon abandonaram a Marvel para criar na
DC o último grande sucesso do gênero: Os Boys Comando.
Stan Lee tentou
continuar as histórias do Capitão América, transformando-o num professor que
combatia o crime nas horas vagas.
Kirby e Simon ficaram tão furiosos
que resolveram criar uma paródia do seu personagem: o Fighting Amerícan, um
super-herói que enfrentava vilões inaptos, com nomes ridículos, como
Super-Khakalovitch e Hotsky Trotsky.
Evidentemente, a versão de Stan Lee
não deu certo e a própria Marvel passou a desconsiderá-la.
Na década de 1960 o personagem
voltaria a alcançar sucesso, numa versão de Stan Lee e Jack Kiby, mas não se
envolveu na guerra do vietnã.
O Capitão
América foi o primeiro personagem de HQ a assumir abertamente um discurso
político.
sábado, abril 15, 2017
Como os aliados conseguiram decifrar a enigma?
A Enigma seria indecifrável, não fosse pela genialidade
de Alan Turing, um dos autores que dariam origem ao ramo da ciência conhecido
como cibernética.
O maior inimigo de um código secreto é a redundância. É ela que permite ao criptoanalista decifrar a mensagem. Na Enigma havia pouca redundância, mas, observando os textos que haviam sido decifrados, Turing percebeu uma redundância na mensagem. Muitas delas obedeciam a uma estrutura rígida. Ele descobriu, por exemplo, que os alemães mandavam relatórios sobre a previsão do tempo logo depois das seis horas da manhã. Dessa forma, uma mensagem interceptada nesse horário certamente conteria a palavra alemã para tempo, WETTER. Como havia um protocolo rigoroso sobre a formatação dessas mensagens, Turing poderia ter idéia até mesmo de onde a palavra WETTER estaria na mensagem. Descoberto o texto cifrado de WETTER, bastava ajustar a máquina que transformariam a palavra no texto cifrado. Feito isso, a Enigma revelava completamente seus segredos.
As mensagens decifradas pelos ingleses foram fundamentais para a vitória aliada na Segunda Guerra, tanto que Winston Churchill chegou a visitar o local em que ficavam os decifradores, em Bletchley Park.
Entretanto, Turing jamais pôde coletar os frutos de seu trabalho. Em 1952 ele foi se queixar em uma delegacia de que havia sido roubado. Ingênuo, ele revelou que estava tendo um relacionamento homossexual no momento do furto. A polícia prendeu-o, acusando-o de “Alta indecência, contrária à seção 11 da lei Criminal, Emenda de 1885”. Os jornais divulgaram a notícia, Turing foi julgado, o governo britânico tomou-lhe seu passe de segurança e o retirou dos projetos de pesquisa relacionados com o desenvolvimento do computador. No dia 7 de julho de 1954 ele foi para seu quarto, levando uma maçã e um jarro com cianeto. Mergulhou a maçã na solução e comeu. Com apenas quarenta e dois anos morria um dos maiores gênios da cibernética e da criptoanálise.
O maior inimigo de um código secreto é a redundância. É ela que permite ao criptoanalista decifrar a mensagem. Na Enigma havia pouca redundância, mas, observando os textos que haviam sido decifrados, Turing percebeu uma redundância na mensagem. Muitas delas obedeciam a uma estrutura rígida. Ele descobriu, por exemplo, que os alemães mandavam relatórios sobre a previsão do tempo logo depois das seis horas da manhã. Dessa forma, uma mensagem interceptada nesse horário certamente conteria a palavra alemã para tempo, WETTER. Como havia um protocolo rigoroso sobre a formatação dessas mensagens, Turing poderia ter idéia até mesmo de onde a palavra WETTER estaria na mensagem. Descoberto o texto cifrado de WETTER, bastava ajustar a máquina que transformariam a palavra no texto cifrado. Feito isso, a Enigma revelava completamente seus segredos.
As mensagens decifradas pelos ingleses foram fundamentais para a vitória aliada na Segunda Guerra, tanto que Winston Churchill chegou a visitar o local em que ficavam os decifradores, em Bletchley Park.
Entretanto, Turing jamais pôde coletar os frutos de seu trabalho. Em 1952 ele foi se queixar em uma delegacia de que havia sido roubado. Ingênuo, ele revelou que estava tendo um relacionamento homossexual no momento do furto. A polícia prendeu-o, acusando-o de “Alta indecência, contrária à seção 11 da lei Criminal, Emenda de 1885”. Os jornais divulgaram a notícia, Turing foi julgado, o governo britânico tomou-lhe seu passe de segurança e o retirou dos projetos de pesquisa relacionados com o desenvolvimento do computador. No dia 7 de julho de 1954 ele foi para seu quarto, levando uma maçã e um jarro com cianeto. Mergulhou a maçã na solução e comeu. Com apenas quarenta e dois anos morria um dos maiores gênios da cibernética e da criptoanálise.
sexta-feira, abril 14, 2017
Quem pediu para os americanos criarem a bomba nuclear?
Esse pedido foi feito pelo físico judeu Albert Einstein.
Ele escreveu uma carta para o presidente Franklin Roosevelt alertando para a
possibilidade dos nazistas estarem desenvolvendo tecnologia atômica. O
cientista pediu para o governo dos EUA ficar atento e intensificar as pesquisas
nessa área.
O presidente resolveu criar a bomba atômica antes dos
nazistas e para isso reuniu alguns dos seus melhores cientistas no projeto
Mahattan, investindo 20 milhões de dólares na pesquisa.
O resultado disso deixou aterrorizado o mundo com as
explosões atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki, em agosto de 1945, matando 120
mil pessoas com o uso de apenas uma avião.
A ironia disso é que a construção da bomba atômica só foi
possível graças ao trabalho de cientistas judeus que haviam ido para os EUA
fugindo do nazismo. O próprio Einstein era judeu. Se tivesse contado com esses
talentos, os nazistas provavelmente conseguiriam desenvolver a bomba antes dos
aliados.
Einstein se arrependeu do pedido, pois informações vindas
da Alemanha, após o seu pedido, mostravam que os nazistas estavam muito longe
de construir a bomba. Muitos cientistas criticaram o projeto, mas mesmo assim
ele continuou até seu final.
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