segunda-feira, maio 08, 2017

Quem era Mussolini?

Benito Mussolini foi um ditador italiano, que reinou absoluto no país de 1922 a 1943. Mussolini foi uma das maiores inspirações para Hitler, mas durante a II Guerra Mundial os dois tiveram um relacionamento que misturava admiração, inveja e ódio.
Mussolini era filho de uma família de classe média baixa, de orientação socialista. Quando cresceu tornou-se um socialista radical, ligado aos internacionalistas, um grupo que rejeitava o patritismo, visto como uma emoção burguesa e pregava uma revolução na Itália como forma de estabelecer o socialismo em todo o mundo. Desde esse início ele acreditava que a violência era um meio legítimo de se conseguir ganhos políticos.
Durante a I Guerra Mundial, ele editou um jornal contrário à entrada da Itália na guerra, mas, aos poucos, foi mudando seu enfoque até chegar a apoiar claramente o conflito. Foi então expulso do partido socialista.
Em 1919 criou os Fasci Italiani di Combatimento, agremiação que futuramente daria origem ao partido fascista. Com uma oratória notável e um uso eficiente da propaganda política foi ganhando espaço na cena política italiana.
Em 1922 organizou a marcha sobre Roma, uma farsa propagandística que pretendia mostrar o poder dos fascistas (Mussolini nem mesmo estava presente na marcha, tendo chegado de comboio).
O uso de propaganda aliado à força fez com que ele chegasse ao cargo de primeiro-ministro, a convite do rei Vitor Manuel III.
Sua chegada ao cargo foi apenas o primeiro passo para que ele conseguisse poder absoluto, acumulando várias funções.
Para se solidificar no poder, Mussolini conseguiu o apoio da Igreja Católica através do Tratado de Latrão, que admitiu a existência do Estado do Vaticano e indenizou a Igreja por perdas territoriais.
Mussolini tinha a idéia de que a Itália deveria dominar o mundo, como fizera séculos antes, durante o Império Romano.
Para mostrar a volta da grandiosidade da Itália, Mussolini mandou contruir monumentos farônicos. Alguns eram tão grandiosos que nunca chegaram a ser realizados, como uma praça do tamanho da área urbana de Roma no século XV, dominada por uma estátua de 25 andares de Hércules de cassetete com as feições inspiradas em Mussolini.
Tais obras pressionaram as finanças públicas, prejudicando a economia do país. Para acalmar os insastisfeitos, Mussolini embrenhou-se numa campanha militarista e colonialista. Para isso, ele escolheu um país que não tinha qualquer chance de reagir, a Etiópia. Esse país não tinha força aérea. Os soldados etíopes ainda lutavam com lanças e mosquetes. Foi uma vitória fácil, que terminou com a morte de 500 mil etíopes e apenas 1.500 italianos. Mussolini chegou a declarar a amigos que preferia que mais italianos tivessem morrido “para que a guerra parecesse mais séria”.
A opinião pública internacional se mostrou indignada com essa ação, o que alimentou o nacionalismo italiano.
Com a chegada de Hitler ao poder, Mussolini se tornou seu principal aliado, mas durante a Guerra foi muito mais uma pedra no sapato do que uma ajuda para o fuhrer.
A estrutura militar italiana era desorganizada, com generais que não entendiam do assunto e só haviam conseguido esse cargo por razões políticas. Além disso, a corrupção havia comprometido seriamente as tropas. Era comum, por exemplo, que as botas compradas pelo exército viessem com sola de papelão. O país só tinha dois holofotes. Dos três mil aviões da força aérea, apenas mil funcionavam. Os pilotos não tinham treinamento suficiente e a Marinha sofria com a falta de combustível.
Assim, constantemente exércitos alemães tinham que se deslocar para ajudar os italianos, como o que aconteceu na Grécia, atrasando ações importantes, como a invasão da Rússia.
Finalmente Mussolini foi retirado do poder pelos italianos e chegou a ser preso. Foi libertado por paraquedistas alemães, numa ação ousada, e enviado para a República de Saló, uma parte da itália que ainda estava sob domínio alemão.

Quando os alemães fugiam da itália tentou ir junto disfarçado de soldado, mas foi descoberto. Em 28 de abril de 1945 foi executado por guerrilheiros italianos e seu corpo pendurado num poste. 

domingo, maio 07, 2017

Ravage - o primeira HQ de Joe Bennet na Marvel

Em meados da década de 1990, Bené Nascimento começava a produzir seus primeiros trabalhos para os EUA, com o nome de Joe Bennett. Depois de trabalhar alguns anos para editoras menores, em 1992 ele finalmente chegou à Marvel desenhando um personagem do universo 2099: Ravage. Sua edição de estréia no título contou com capa metalizada, valorizando ainda mais seu traço.

O que era um panzer?

Panzer é a abreviatura de "Panzerkampfwagen", algo como "Veículo Blindado de Combate". Foi tão importante na II Guerra que seu nome virou sinônimo de tanque alemão.
O termo panzer foi agregado ao nome das unidades militares nazistas que operavam com veículos blindados, surgindo assim as divisões panzer, os regimentos panzer e os exércitos panzer. Cada divisão panzer agregava dois regimentos de carros de combate, totalizando 320 tanques, quatro batalhões de infantaria motorizada e elementos de artilharia auto-propulsada.
O panzer 3, muito usado na primeira fase da guerra contra a Rússia, foi planejado para servir de suporte à infantaria. Pesava 24 toneladas e desenvolvia velocidade de 35 quilômetros por hora. Era um bom tanque, embora o limitado canhão de 50 mm não conseguisse causar danos ao tanque T-34 dos russos, fazendo com que ele fosse substituído pelo panzer 4. No entanto, sua estrutura com três homens, um artilheiro, um carregador e um comandante, fez escola por deixar o comandante livre para concentrar-se em comandar o tanque.

O panzer 4 foi o carro mais importante entre os blindados alemães. Foi produzido até o final da guerra, tendo sidos fabricadas oito mil unidades. Ele pesava 25 toneladas, desenvolvia uma velocidade de 38 quilômetros por hora. Tinha um canhão de 75 mm, com 87 projéteis. Seu tiro tinha um alcance de 200 metros.  

Crise nas infinitas terras


No início da década de 1980, a cronologia da editora DC Comics era uma bagunça. O problema todo havia começado em 1961, quando Gardner Fox, responsável pela criação de Joel Ciclone e de sua versão da era de Prata, o Flash, resolveu fazer um encontro entre os dois personagens. A história “Flash de dois mundos” marcou a DC ao apresentar uma explicação que na época parecia muito criativa: o personagem clássico e o personagem moderno faziam parte de dimensões diferentes.
Posteriormente, a DC Comics (que na época se chamava National) começou a comprar personagens de outras editoras e, para acomodá-los, inventou novas Terras alternativas.
Os escritores começaram a juntar personagens de terras diferentes e a criar cada vez mais terras. Chegou num ponto que ficou difícil tanto ler as histórias quanto escrevê-las, pois ninguém conseguia entender direito como funcionava aquele universo com infinitas Terras alternativas.
Nessa época, o escritor Marv Wolfman, que vinha fazendo muito sucesso com os Novos Titãs, leu uma carta na seção de correspondência da revista do Lanterna Verde na qual um leitor reclamava: “Vocês deviam ajeitar a continuidade da DC” e teve a ideia de fazer uma grande história, em homenagem aos 50 anos da história da editora, que juntasse vários personagens e, ao mesmo tempo, desse uma arrumada na casa.
O personagem chave seria um vilão não aproveitado dos Novos Titãs, chamado Monitor, cuja função seria conseguir informações sobre os heróis para vendê-las aos inimigos. O Monitor foi transformado em herói, mas ganhou uma contrapartida negra: o Antimonitor, cujo objetivo seria destruir os universos paralelos. Ao final da Crise nas Infinitas Terras, sobraria uma única realidade e os personagens que não morreram durante a história foram acomodados nela.
A diretoria da DC Comics adorou a ideia de um grande crossover entre os personagens da editora e deu carta branca para Wolfman. Inclusive, escalou para a empreitada George Pérez. Os dois eram a escolha óbvia para o projeto, pois Wolfman sabia trabalhar muito bem com histórias que envolvessem muitos personagens e Pérez adorava desenhar muitos heróis em um único quadro. Em Crise, ele teria a chance de desenhar todos os personagens da editora, nem que fosse em uma única sequência.
Com a Crise, a DC mostrava que não era uma editora que vivia só de nostalgia, mas, ao contrário, consolidava a posição de inovadora. Afinal, além de mexer com toda o universo DC, Wolfman matou dois personagens queridos dos fãs: Flash e a Supermoça. E os personagens mais famosos, como Batman, Super-homem e Mulher Maravilha, foram reformulados.
O Super-homem ganhou uma nova versão, com traços e roteiros de John Byrne, que vinha do sucesso dos X-men. Batman foi reformulado por Frank Miller em Ano Um e a Mulher Maravilha ganhou uma nova versão, muito mais mitológica, com traço e roteiro de George Pérez.

Crise nas Infinitas Terras deixou três legados. O primeiro foi quanto à cronologia, um legado que com o tempo foi desaparecendo à medida em que novos roteiristas inventavam novas terras paralelas. O segundo legado foi quanto à obra em si, pois Crise foi uma ótima história em quadrinhos, com bom roteiro e bom desenho. O terceiro legado foi o negativo: a partir do sucesso de Crise, tanto a Marvel quanto a DC se viram tentadas a fazer mega-crossovers juntando todos os seus personagens sempre que as vendas iam mal. A maioria com qualidade muito inferior ao trabalho de Wolfman e Pérez. Como essas mega-sagas ocupavam todas as revistas da editora por um período, isso afastou novos leitores, que logo desistiram de comprar todos gibis de um mês para entender um único número.  

Alex Ross


sábado, maio 06, 2017

Creepy


O que impediu que Hitler atacasse a URSS na primavera?

O ataque foi retardado por um problema criado pelos italianos. Mussolini parecia precisar de uma vitória fácil para mostrar a Hitler e para isso invadiu, de surpresa, a pequena Grécia, em outubro de 1940. Dizia que Hitler só saberia de sua vitória pelos jornais. Mas os gregos não só os expulsaram, como ainda avançaram pela Albânia, ocupada pelos italianos.
O ditador italiano teve que pedir ajuda a seu amigo alemão e Hitler decidiu enviar tropas. A guerra relâmpago foi implacável e a Grécia foi tomada rapidamente, mas faltava a ilha de Creta, defendida não apenas por gregos, mas também por ingleses. Seguiu-se uma luta encarniçada, que terminaria com a vitória alemã. Em seguida, o ditador tentou convencer a Iuguslávia a aderir ao Eixo, mas, antes que tivesse sucesso, o país sofreu um golpe de estado praticado pelo general Simovic, contrário aos nazistas. Em 6 de abril de 1941, Hitler invade a Iuguslávia, que tinha um exército numeroso, mas com armamento obsoleto. O país se rendeu em 11 dias.
No final de abril de 1941 Hitler já dominava toda região das Balcãs, mas o atraso da campanha da rússia lhe seria fatal.


O filósofo da contracultura


Hebert Marcuse é um dos mais importantes filósofos da chamada Escola de Frankfurt. E também um dos que mais se distanciaram do pensamento apocalíptico que caracterizou essa escola. Enquanto Adorno chamava a polícia para reprimir os jovens revoltosos de 1968, na Alemanha, Marcuse era o líder intelectual da garotada que pretendia fazer uma revolução baseada em princípios de liberdade e beleza. A influência de Marcuse na década de 60 era tão grande que se dizia que a juventude seguia três Ms: Marx, Mao, Marcuse. 

A crítica à racionalidade técnica irá direcionar toda a sua obra. Para ele, a instrumentalidade das coisas tornava-se a instrumentalidade dos indivíduos. Em outras palavras, o ser humano era visto como uma coisa, como um instrumento, e não como um indivíduo. Ao invés do homem dominar a máquina e tecnologia, como previa a utopia iluminista, era o homem que estava sendo dominado pela máquina e pela tecnologia. As pessoas são transformadas em coisas, reproduzidas em seqüência, massificadas, como produtos saindo de uma linha de montagem. 

Marcuse denunciou a criação do chamado homem unidimensional: um indivíduo que consegue ver apenas a aparência das coisas, nunca indo até a sua essência. O homem unidimensional é conformista, consumista e acrítico. Ele se acha feliz porque a mídia lhe diz que ele é feliz e, quando se sente triste, vai ao shopping, fazer compras. 

Para Marcuse, as mudanças só ocorreriam se houvesse a liberação de uma nova dimensão humana. Um princípio básico deveria permear essa nova revolução: a liberdade.

A nova sociedade, que surgiria das ruínas da sociedade consumista, deveria ter uma dimensão estético-erótica e, no lugar do consumismo, do conformismo, da competição, surgiriam os valores da felicidade, da paz e da beleza. 

À pergunta de Adorno "É possível fazer poesia depois de Auschwitz?", Marcuse vai responder positivamente. A arte ainda é possível, desde que seja uma arte revolucionária, que denuncie a sociedade unidimensional e leve aos receptores os novos valores. Curiosamente, Marcuse vai encontrar justamente em um produto da Indústria Cultural, tanto criticada pela Escola de Frankfurt, um exemplo dessa arte revolucionária: as músicas de Bob Dylan.

Segundo o filósofo, "A arte só pode cumprir sua função revolucionária se ela não fizer parte de nenhum sistema, inclusive o sistema revolucionário". O artista deve não consolar, mas instigar o seu público e fazê-lo rever seus valores. A trajetória de Bob Dylan demonstra bem isso. Quando achou que seu público estava acostumado com suas músicas políticas, ele lançou um disco não político.

No campo dos quadrinhos, o melhor exemplo talvez seja o roteirista britânico Alan Moore. Suas histórias sempre apresentaram uma dimensão crítica, seja do sistema (em V de Vingança), seja da potencialidade destrutiva da ciência, representada pela bomba atômica (em Watchmen e Miracleman). Quando seus fãs se acostumaram com seu trabalho mais intelectualizado, ele passou a fazer histórias de super-heróis para a editora Image.

Assim, para Marcuse, a nova arte não seria uma peça de museu, mas algo vivo, a expressão de um novo tipo de homem. Em alguns momentos, a recusa da obra de arte poderia ser uma forma de fazer arte.

Esse pensamento influenciou o movimento da contracultura, com seus fanzines, revistas alternativas e rádios livres. Outra conseqüência foi a anti-arte, um movimento que, em sua versão mais branda, procura demonstrar o equívoco da arte como ornamento, como peça de museu. Um exemplo disso foi o barquinho pirata colocado pelo estudante de jornalismo Cleiton Campos no meio de obras famosas durante a última Bienal. O quadro de Cleiton não tinha qualquer valor artístico, mas valor de atitude. Colocar em dúvida o aspecto sacramental da arte pode, também, ser um tipo de arte. 

Alex Ross


O uivo da górgona


Um som se espalha pela cidade (ou pelo estado, ou pelo país, ou pelo mundo?). Um som que ouvido transforma as pessoas em seres irracionais cujo único o objetivo são os instintos básicos de violência e fome. É o uivo da Górgona.
Acompanhe a história dos sobreviventes neste livro de terror, uma história de zumbis diferente, em que qualquer um pode se transformar, bastando para isso ouvir o terrível uivo da górgona.
Escrito em capítulos curtos, o livro transforma o suspense em elemento de fantasia, prendendo o leitor da primeira à última página. 
Pedidos: profivancarlo@gmail.com. 

sexta-feira, maio 05, 2017

Hulk


O que foi a operação Barbarossa?

Foi a tentativa nazista de invadir a Rússia, aniquilando o exército soviético. Esse ataque evidentemente contrariava o tratado assinado com a URSS e ia contra boa parte dos oficiais alemães, que discordavam de uma guerra em duas frentes. Mas depois das dificuldade enfrentadas pelos alemães na batalha da Inglaterra, Hitler convencera-se de que precisava do petróleo, alimentos e metais estratégicos da Rússia. Além disso, ele temia uma aliança entre URSS, Inglaterra e EUA. Temia mais ainda que a União Soviética tivessem tempo de se preparar para uma guerra contra a Alemanha.
Para convencer seus oficiais, Hitler destacou o péssimo desempenho dos russos na invasão da Finlândia: “O Exército Vermelho é uma estrutura podre. Basta chutar a porta da frente, que tudo irá desmoronar!”.
O plano do fuhrer era invadir e dominar a União Soviética em, no máximo, 17 semanas, antes do inverno, usando a tática de Blitzkrieg.
Para isso, ele dividiu suas forças em três grupos de exércitos.
O grupo norte deveria marchar em direção a Leningrado e seria ajudado por forças finlandesas. Contava com 29 divisões de infantaria, 570 tanques uma divisão da Luftwaffe.
O grupo de exércitos centro deveria tomar as cidade de Minski e Smolenski, além de contribuir para a destruição do exército russo norte. Só depois da tomada de Leningrado é que as forças nazistas deveriam rumar para Moscou. Um oficial objetou que o objetivo deveria ser Moscou, mas Hitler respondeu que Moscou era apenas um nome, lembrando de Napoleão, que conquistara Moscou, mas perdera a guerra.

Finalmente, o grupo de exércitos sul tinha como objetivo conquistar a Ucrânia, lançando ataques até a cidade de Kiev através do rio Dnieper. Depois deveria avançar pelo rio, impedindo uma retirada russa. Feito isso, deveria atacar pela retaguarda, exterminando o exército russo. 

quinta-feira, maio 04, 2017

O que é o revisionismo?

O revisionismo é uma corrente histórica que procura provar que não existiu o holocausto. Na maioria ligada a grupos neo-nazistas, esses autores divulgam suas idéias em sites e livros. Segundo eles, Hitler era um homem bondoso que só reagiu a um plano dos poloneses e judeus para invadir a Alemanha.
Eles dizem que o genocídio não aconteceu e, se aconteceu, Hitler não tinha conhecimento do assunto, já que nunca foi encontrado um documento no qual o líder nazista desse a ordem “Matem os judeus”.
Entre os argumentos apresentados, dizem que era impossível usar o gás Zyklon B nas câmaras de gás, pois a grande quantidade de gás necessária para essa operação provocaria a contaminação das pessoas que recolhiam corpos ou provocariam uma explosão. Argumentam também que morreram apenas 50 mil pessoas, a maioria inimigos do regime, e vítimas de uma epidemia de tifo.
A origem do revisionismo está no livro O drama dos judeus europeus, de Paul Rassinier. Ele fazia parte da resistência francesa e ajudava a criar redes de fuga para aqueles que eram perseguidos pelos nazistas. Denunciado, ele foi preso no campo de Buchenwald. Lá ele não viu câmaras de gás e concluiu que elas eram apenas imaginação dos sobreviventes de outros campos. Ocorre que Buchenwald ficava em plena Alemanha e não era um campo de concentração, mas um campo de trabalhos forçados.
As idéias revisionistas têm sido contestadas uma a uma por dados, como relatos de sobreviventes, depoimentos de oficiais alemães, fotografias, análises demográficas (demonstrando a diminuição brutal da população judia após o holocausto) e outros. São toneladas de provas.
Sabe-se, por exemplo, que o gás Zyklon B é muito mais mortífero para humanos do que para piolhos, de modo que seria necessária uma pequena quantidade desse gás para matar as pessoas nas câmeras, pessoas aliás, já sufocadas pelo ambiente apertado e com pouco ar. Além disso, quem retirava as vítimas não eram os alemães, mas os prisioneiros.  

Cada forno de Auschwitz tinha capacidade de processar 2 milhões de pessoas por ano, uma estrutura desnecessária se o objetivo fosse matar apenas 50 mil pessoas.   

Família Titã


No inicio da década de 1990, o desenhista Joe Bennett ainda não tinha iniciado sua vasta produção para o mercado norte-americano de super-heróis, no qual atuaria com personagens como Batman, Homem-Aranha, Thor e tantos outros. Ele ainda assinava seus trabalhos como Bené Nascimento.
Na época, um segmento que andava em alta era o de quadrinhos eróticos, e Bené tinha total liberdade de criação para realizar seus trabalhos para a Editora Sampa. Foi nessa fase que ele, em parceria com o escritor Gian Danton, produziu diversas HQs focadas no horror e na fantasia.
A Insólita Família Titã foi publicada nessa época em diversas revistas eróticas (numa tiragem total de mais de 150 mil exemplares), e ganhou muitos fãs, além de ter conquistado novos adeptos a partir do ano 2000, quando foi difundida na Internet.
Em 2014 a editora Opera Graphica relançou a história no formato de álbum de luxo, com textos sobre a importância da história e biografia dos autores, além de mais uma HQ, Powers, tornando-se um item de colecionador para os fãs dos super-heróis brasileiros.
Valor: 25 reais, frete incluso. 
Pedidos: profivancarlo@gmail.com. 

Novos Titãs


Durante décadas, todo super-herói deveria ter um parceiro mirim. Batman tinha Robin, o Arqueiro Verde tinha o Ricardito. Aquaman tinha o Aqualad. A Mulher Maravilha tinha a Moça Maravilha. Acreditava-se que os parceiros mirins eram o chamativo para a garotada por serem alguém com quem as crianças poderiam se identificar. Em 1964, a DC Comics teve a ideia de reunir os principais heróis juvenis em um grupo chamdo Turma Titã. Mas, surpreendentemente, o gibi não se saiu bem nas bancas. Na verdade, o grupo só viria a fazer sucesso na década de 1980, quando começou a ser escrito por um roteirista que odiava parceiros juvenis.
Marv Wolfman vinha de uma vitoriosa carreira na Marvel, onde escrevera alguns dos principais heróis da editora. Ao passar para a DC, fizera uma exigência: nada de histórias fechadas ou de parceiros.
Wolfman não gostava de histórias fechadas porque o que lhe dava prazer era justamente a possibilidade de desenvolver personagens. O ódio pelos parceiros tinha origem nas suas lembranças de infância: “Eles nãos e comportavam como eu e minha turma. Usavam uma gíria antiquada que nenhum garoto real usaria. Caramba! A maioria dos meus amigos nem usava gíria! Os parceiros também eram muito respeitosos com os mais velhos”. Além disso, eles eram desenhados muito, muito pequenos, só um pouco mais altos do que a cintura do herói. Difícil para um pré-adolescente se identificar com um personagem tão subserviente.
Curiosamente, Wolfman acabou propondo escrever exatamente a Turma Titã para mostrar como de fato deveriam ser esses heróis. Os fracassos anteriores haviam sido tão retumbantes que a diretoria da DC Comics disse não. Wolfman explicou que seria uma versão totalmente nova, com novos personagens e versões atualizadas dos parceiros clássicos. Criou até um novo nome: Novos Titãs. Acabou convencendo.
O roteirista acreditava que todos os bons heróis são nascidos na tragédia e que isso influencia em suas ações. Assim, a origem de cada um dos heróis acabaria influenciando suas ações e seu jeito de ser. E a maioria dos Titãs tinha origens dramáticas. Estelar era uma princesa alienígena cujo pai a vendeu como escrava para salvar o seu mundo. Ravena era uma terrestre cuja mãe engravidara de um demônio interdimensional. Ciborgue odiava o pai, que o transformara para salvá-lo da morte. “O mote dos Titãs começou e continuou como o novo em oposição ao velho e filhos em contraste com os genitores”, escreveu Wolfman sobre o assunto.
Além do conflito com os pais, os Titãs tinham conflitos entre si. Ravena, por exemplo, era tímida e pacifista. Estelar, uma guerreira nata, era extrovertida.
Para desenhar a revista foi chamado George Pérez, que havia se especializado em desenhar grupos e seria chamado sempre que se precisava mostrar vários heróis ao mesmo tempo. Seu traço realista encaixava perfeitamente com a proposta da revista de mostrar os heróis juvenis numa abordagem mais séria.
A dupla acreditava que a revista não duraria mais do que seis edições, mas o primeiro número vendeu muito até por conta de uma boa campanha de marketing da DC Comics. Mas as vendas começaram a cair a partir do número 2. Até o sexto número, que bateu recordes de vendas. A partir daí, Os Novos Titãs se tornaram uma das revistas mais populares da década de 1980.
O número 6 mostrava o início da saga de Trigon, o demônio que dominara toda uma dimensão e era pai de Ravena, que reunira os Titãs justamente para combater sua ameaça. A história unia os principais elementos que fariam o sucesso dos Titãs, especialmente o embate pais-filhos. Além disso, Trigon era um vilão de verdade. Não era um simples palhaço, como o Coringa, mas uma ameaça real para toda a humanidade.

Novos Titãs uniam boas tramas, vilões realmente terríveis e heróis adolescentes que realmente pareciam adolescentes. Tudo isso contribuiu para transformar o gibi em um sucesso.   

O uivo da górgona - parte 50


50
O portão se abriu lentamente, com um rangido. Quando havia alcançado uma largura de dois metros, Roberto parou-o com o controle.
- Vou começar a fechar o portão. – avisou. Vocês saem um a um. Quando estiverem fora, eu libero a garota.
- Como vamos saber que vai cumprir sua palavra? – rugiu Alan.
- Vão ter que confiar. A opção é eu matar a garota.
Jonas foi o primeiro a sair. Depois Zulmira, a galinha no colo. Alan e Edgar ficaram por último, indecisos se saiam ou não.
- Saiam. – ordenou Roberto.
- Aproxime-se mais. Queremos ter certeza de que vai soltar garota.
Roberto soltou um suspiro e avançou na direção do portão, ao mesmo tempo em que Alan saia.
Edgar segurou o braço da menina, enquanto se afastava na direção da rua. O portão vinha se fechando sobre eles. Quando já estava totalmente do lado de fora, puxou-a para si. O portão se fechou com um tranco.
Zu pulou sobre Sofia:
- Finalmente! Você está bem, menina, você...
Mas não continuou. Soltou a menina e olhou para as próprias mãos tingidas de escarlate:

- Sangue! 

Doutor Estranho


Galeão


Galeão é uma obra de fantasia histórica escrita por Gian Danton que se passa em algum lugar do Atlântico, no século XVII.

Depois de uma noite de terror, em que algo terrível acontece, os sobreviventes descobrem que estão em um navio que não pode ser governado e repleto de mistérios. A comida está sumindo, alguém está cometendo assassinatos, uma mulher é violentada e o tesouro do capitão parece ter alguma relação com todo o tormento pelo qual estão passando.

Galeão mistura vários temas da ficção fantástica e outros gênero numa trama policial, já que um psicopata parece estar agindo entre os sobreviventes. A história torna-se, assim, um quebra-cabeça a ser desvendado pelo leitor.

Valor: 25 reais - frete incluso. 

Pedidos: profivancarlo@gmail.com. 

quarta-feira, maio 03, 2017

O amigo da onça


Por que o Brasil não entrou na guerra ao lado dos nazistas?

O ditador brasileiro Getúlio Vargas sempre teve grande simpatia pelos movimentos fascistas. Além de compartilhar idéias autoritários, o Brasil de Vargas matinha ótimas relações comerciais com a Alemanha. Na década de 1930 esse país virou o segundo maior mercado para produtos brasileiros. Em 1936 militares treinaram com a Gestapo, a polícia política de Hitler. Então por que o Brasil não apoiou o Eixo? A espionagem inglesa foi a responsável por essa reviravolta. Os ingleses forjaram uma carta que mudaria os rumos da nossa história ao sugerir que Hitler e Mussolini ridicularizavam Vargas e o povo brasileiro.
Na época operava no Brasil a companhia aérea Lati, de origem italiana e que abastecia a rede de espionagem nazista no país. Os ingleses roubaram uma carta do presidente da Lati, general Aurélio Liotta, para identificar a tipografia da máquina que ele usava. Então foi escrita uma outra carta, reproduzindo exatamente até o carimbo do general.
O destinatário da carta era Vicenzo Coppola, presidente da Lati. O conteúdo era bastante ofensivo, chamando Vargas de covarde. Em determinado ponto, o povo brasileiro era chamado de macaco.

Como fazer com que a carta chegasse a Vargas? Para isso foi contratado um ladrão, que efetuou um roubo na casa de Coppolo. O assalto foi amplamente divulgado pela imprensa. Algum tempo depois um homem, identificando-se como o assaltante, procurou a sucursal da United Press, agência norte-americana de notícias, e entregou a carta. Bastou isso para que o ditador brasileiro soubesse da história e ficasse uma fera. Pouco tempo depois o Brasil entrava na guerra ao lado dos aliados.  

Francisco Iwerten - biografia de uma lenda


Na década de 1940 um quadrinista curitibano criou um dos primeiros super-heróis brasileiros, o Capitão Gralha com uma ampla galeria de histórias e vilões e foi resgatado na década de 1990 por jovens artistas que, em sua homenagem, criaram o personagem O Gralha. Ele, na verdade, numa existiu, mas se tornou lendário, ganhou prêmio, tornou-se famoso e quase foi homenageado por uma escola de samba. É essa história que é revelada no livro Francisco Iwerten – biografia de uma lenda, de Gian Danton e Antonio Eder, editora Quadrinhópole, que está em pré-venda ao preço promocional de 14 reais até o dia 29 de julho.
O livro é do tipo vira-vira, com dois lados que se completam. Na primeira parte, é contada a biografia fictícia de Iwerten como se ele de fato tivesse existido, sua vida, seus anseios, as inspirações para o Capitão Gralha e as dificuldades com a concorrência dos quadrinhos americanos e a perseguição local contra seu personagem. No outro lado, é contada a história “real”, com o contexto da criação de Iwerten e as consequências da história fake, que, de uma brincadeira para dar verossimilhança ao personagem Gralha, escapou do controle de seus autores e se tornou muito maior do que cada um poderia esperar. A lenda Iwerten cresceu tanto que se chegou a dizer que ele foi um dos criadores do Batman.  

Um dos destaques do livro são as capas criadas por JJ Marreiro. No lado “A história do Capitão Gralha”, Iwerten aparece em sua prancheta, ilustrando o capitão e tendo seus quadrinhos ao fundo. No outro lado, em que se conta a história por trás da lenda, Iwerten aparece dentro dos próprios quadrinhos, sendo desenhado por uma mão em estilo realista. As capas representam os dois aspectos abordados na obra: Iwerten como autor e Iwerten como personagem.
O livro traz ainda o processo de criação visual de Iwerten, feita por JJ Marreiro e Fernando Lima a partir de manipulação digital de fotos antigas.

Valor: 20 reais (frete incluso)

O uivo da górgona - parte 49


49
Quando entrou no cômodo, a primeira coisa que Edgar viu foi a mulher deitada sobre a maca. Ela gemia, tentando gritar, mas seus lábios estavam costurados. Suas pernas e seus braços tinham sido cortados e a pele costurada. Podia-se ver o sangue coagulado em volta dos pontos, como uma obra de um costureiro bizarro e escatológico. Essa primeira visão quase o fez vomitar, mas ao olhar para o lado se conteve. Roberto estava ali, puxando Sofia contra si. Uma faca pequena, mas muito brilhante e nitidamente afiada apertava o pescoço da garota. Zu estava ao seu lado, apontando uma faca para ele, o olhar transtornado de ódio.
- Parados aí. – avisou Roberto. Parados aí ou eu corto a jugular da menina.
Jonas e Alan haviam entrado na sala e estavam como ele, desorientados, incapazes de reagir. Apenas Zu permanecia dona de si, a faca apontada para o outro.
- Corta ela e eu faço você em pedacinhos! – gritou.

Mal se recuperou do susto, Edgar apontou o martelo que carregava para Roberto. Mas estava diante de um impasse. Se fizessem algum gesto mais efetivo, corriam o risco de matar a garota.
A mulher sobre a maca gemeu, seus olhos gritando em desespero.
- Meu Deus, ele... ele... – murmurou Alan lá atrás.
- Sim, eu cortei os braços e as pernas dela. – completou Roberto. Ela está aí há dois dias, desde que começou a coisa toda. Eu sabia que haveria pessoas sozinhas, desesperadas e precisando de ajuda. Então saí para caçar... Conseguem imaginar que ela se sentiu feliz ao me ver? Foi muito fácil trazê-la para casa... eu me diverti muito com ela me divertirei mais. Infelizmente, apesar de todos os meus cuidados, ela morrerá em breve...
Alan avançou para ele:
- Seu maldito!
Mas Edgar o segurou.
- Não é a primeira vez que você faz isso. – disse Jonas apontando para a parede repleta de facas.
- Nem de longe. A perfeição só se consegue com a prática. Antigamente minhas vítimas morriam rápido. Hoje consigo fazê-las sofrer muito antes do último suspiro.
- Você ia fazer isso com a gente? – Indagou Alan, a mão apertando o facão.
- Eu ia matá-los um a um, no tempo certo.
- Nós iríamos desconfiar...
- Com tantos zumbis lá fora? Os primeiros, bastaria colocar a culpa nos zumbis e quando os outros percebessem, já estavam naquela maca... A primeira seria essa curiosa aqui. – disse Roberto, apontando a faca para Sofia.
A menina engoliu em seco. Era surda e não tinha ouvido as palavras do homem, mas sabia que estava em perigo.
- Escute. – começou Edgar. Estamos em quatro. Se você matar a menina, morre. Solte a menina e o deixamos em paz.
- A mulher da maca... – contestou Alan.
- A mulher da maca já está morta. Mesmo que conseguíssemos salvá-la, ela morreria em breve. Vamos salvar Sofia. E então, o que me diz?
Roberto suspirou, balançando a cabeça:
- Eu acho que ainda não entenderam. Eu vou matá-los. Todos vocês. Vou encontrá-los e matá-los um a um.
- Talvez sim, mas não hoje. Entregue a garota e vamos embora. Mate ela e nós o matamos.

- Muito bem. Vão na frente. No portão eu libero a menina. 

O profeta da aldeia global


Alguns filósofos têm idéias tão independentes que é absolutamente impossível encaixa-los em uma corrente de pensamento. É o caso do canadense Marshall McLuhan. Um dos pesquisadores de comunicação mais criticados de todos os tempos, e também um dos mais influentes, McLuhan criou teorias que delinearam nossa visão de mundo e nos fizeram ver com outros olhos os Meios de Comunicação de Massa. Seu pensamento pode ser resumido em três teorias: os meios de comunicação como extensões do homem, os meios são as mensagens e aldeia global. 

Para McLuhan, o homem age sobre a natureza criando extensões de seu próprio corpo. Uma metáfora disso nos foi apresentada no filme 2001 - uma odisséia no espaço, de Stanley Kubrick. Vários antropóides estão guerreando quando um deles tem a idéia de pegar um osso e utiliza-lo como arma. Rapidamente ele percebe que aquela extensão de seu braço era mais eficiente do que o braço em si. Ao final da cena, ele joga o osso para cima e este se transforma em uma nave espacial. 

Kubrick queria dizer que o mesmo princípio unia tanto o osso quanto a espaçonave: ambas eram extensões do corpo humano. Se o osso era extensão do braço, a nave era uma extensão do pé. Isso mesmo: o pé. Qualquer forma de transporte, seja um cavalo, uma carroça, um navio ou um avião, nos ajuda a nos movimentarmos e, portanto, é mais eficiente que simplesmente andar. 

Da mesma forma, quase tudo que temos à nossa volta é uma extensão de nosso corpo ou de nossos sentidos. A roupa é extensão da pele, a faca é uma extensão dos dentes, o livro é uma extensão de nossa memória. Assim, todo meio de comunicação também é uma extensão: o rádio da boca (para quem fala), do ouvido (para quem ouve), a televisão dos olhos e do ouvido, o computador de nosso cérebro, etc.

Outra teoria importante de McLuhan foi expressa na frase "os meios são as mensagens". McLuhan queria dizer que não fazia sentido estudar os conteúdos do rádio, da televisão ou da internet. O importante é que todo meio de comunicação modifica a psicologia a forma de organização social das pessoas que o utilizam. 

Para McLuhan, "a mensagem de qualquer meio ou tecnologia é a mudança de escala, cadência ou padrão que esse meio ou tecnologia introduz nas coisas humanas".

Para exemplificar, é possível voltar à época em que o homem se organizava em pequenas aldeias. Nesse período, a comunicação era predominantemente oral. As pessoas recebiam informações pelo ouvido e olho era um sentido a mais que nos permitia, por exemplo, captar o gestual de quem falava. Havia um contato direto entre o emissor e o receptor. Além disso, era uma comunicação com envolvimento e voltada para a prática. Ao ensinar o neto a pescar, o vovô não gastava horas falando sobre os aspectos teóricos do pescar. Ele pegava anzol, caniço, isca e, ao mesmo tempo em que falava, mostrava para o garoto como se fazia, e este, em seguida, repetia a ação. 

O tipo de comunicação utilizado não permitia que as pessoas se organizassem em grupos muito grandes, pois a aldeia, segundo definição de McLuhan, é o grupo de pessoas que consegue ouvir o líder. De fato, entre os indígenas brasileiros, quando um agrupamento se torna muito grande, ele se divide em duas aldeias. 

A invenção da escrita mudou tudo. Com um novo e eficiente meio de comunicação, foi possível criar grandes agrupamentos humanos. Além disso, os líderes, que até então tinham poder relativo, tornaram-se reis com poder absoluto. Através da escrita eles podiam enviar suas ordens a todos os súditos. Por outro lado, através dos escribas, o governante podia controlar a produção de riqueza e instituir impostos. A escrita inventa também o universo classificador, em que todas as coisas definidas pelas classes nas quais se encaixam. Esse universo trabalha com categorias mutuamente excludentes e hierarquicamente organizadas. Assim, um gato, no universo classificador, é um animal, vertebrado, mamífero, felídeo, etc...

Antes da escrita havia apenas os universos relevante (em que as informações são definidas pela importância que têm para cada pessoa) e relacional (em que as informações são definidas pelas suas relações com as outras coisas). Por exemplo, para o universo relacional, o gato é o animal que caça o rato.

O universo classificador criou condições para o surgimento da burocracia e do exército, com sua hierarquia. 

Nova revolução ocorre quando é inventada a imprensa. Com essa nova forma de comunicação, as informações se popularizaram e agora cada pessoa podia ler o seu livro ou o seu jornal sozinho (antes era mais comum que as pessoas lessem em grupos). Com isso surge a idéia de individualidade e de direito autoral. Como os impressores achavam mais rendoso publicar nas línguas nacionais do que em latim (já que o público era bem maior), a imprensa também acaba criando a idéia de nação e de nacionalismo. A popularização da informação tira dos mosteiros o papel de detentores da informação. Tudo isso enfraquece o poder do Papa e cria condições para o surgimento das monarquias absolutas e do protestantismo.

McLuhan chamou Galáxia de Gutemberg a esse mundo criado pela imprensa.

O pensamento linear, que já se delineava no mundo da escrita, torna-se o padrão na Galáxia de Gutemberg: todas as coisas devem ser organizadas de forma que haja uma relação de início, meio e fim, como, aliás, acontece com os livros.

McLuhan percebeu que em sua época (década de 60), uma nova revolução estava se delineando motivada pelos novos meios de comunicação de massa, em especial a televisão. Para ele, a TV e o rádio estavam devolvendo o ouvido ao homem, que havia caído em desuso na Galáxia de Gutemberg. 

Por outro lado, a TV, por ser um meio frio (de baixa resolução), levava a um maior envolvimento por parte do receptor, da mesma forma que ocorria na época em que vivíamos em aldeia.

Para o filósofo canadense, a TV e as canções pop estavam novamente unindo pensamento e ação. Isso podia ser percebido nos protestos contra a guerra do Vietnã. O fato de a TV mostrar as atrocidades cometidas pelos soldados norte-americanos levou a população dos EUA a se mobilizar contra a guerra. O exercito norte-americano sabe muito bem dessa força da imagem televisiva, tanto que na Guerra do Golfo impediu as emissoras de TV de mostrarem detalhes do conflito.

Com a criação da internet um novo mundo começa a se delinear. O surgimento de uma rede de comunicação impossível de se controlar, na qual os emissores também são receptores, muda muita coisa. Recentemente li uma matéria sobre um grupo de pessoas em diversos países que distribui pela internet informações que são ignoradas ou distorcidas pela televisão e outros meios de comunicação. 

Isso nos leva a outra teoria de McLuhan: a idéia de aldeia global. Se, nos primórdios da humanidade, uma aldeia era definida pela quantidade de pessoas que podiam ouvir o líder, hoje o mundo todo pode ouvir as comunicações de uma liderança. Da mesma forma que na aldeia todos sabiam todos os acontecimentos de forma quase instantânea, hoje se sabe de tudo a velocidade incrível. 

Os atentados terroristas que demoliram os Word Trade Center demonstraram isso bem. O mundo parou para ver esse fato. Para se ter uma idéia do alcance do acontecimento, no dia seguinte, na capital do Camboja, houve uma cerimônia budista pelas almas das pessoas que morreram nos atentados. Uma foto dessa cerimônia mostrava uma garotinha cambojana segurando uma bandeira dos EUA. Os atentados de 11 de setembro mostram que McLuhan estava certo: o mundo é cada vez mais uma aldeia e cada vez mais as fronteiras nacionais deixam de ser importantes. 

Alex Ross


terça-feira, maio 02, 2017

Como escrever quadrinhos - verossimilhança

O uivo da górgona - parte 48


48
Edgar acordou com o grito. A casa tinha isolamento acústico, de modo que o grito só podia vir de dentro. Era um grito de mulher. Atordoado, ficou alguns instantes deitado, indeciso sobre se levantava ou não, se o grito tinha sido real ou um sonho. Então veio um novo grito, ainda mais forte e desesperado. Um grito feminino.
Assustado, levantou-se num átimo e calçou o tênis. Quando chegou ao corredor, Jonas e Alan já estavam lá.
- Você ouviu? – perguntou Alan.
Edgar fez que sim com a cabeça.
- Parecia a voz da Zu. Veio lá de baixo.
Desceram cuidadosamente as escadas. Os instrumentos que haviam selecionado para se defenderem dos zumbis haviam ficado na sala e cada um se armou com um deles.
Ficaram lá, parados, olhando um para o outro, temendo falar, incapazes de tomar uma decisão, até que Jonas apontasse para a porta que haviam sido proibidos de entrar.
- Está aberta. – disse.
Edgar foi na frente. A porta dava para uma espécie de corredor ao final do qual uma espécie de sala se abria em L. De onde estava, era impossível ver o que havia na sala, mas ele sabia que havia pessoas ali pelas sombras na parede.
Olhou para trás, trocando um olhar com Jonas para que fizesse silêncio e avançou.
Na parede, ao final do corredor, facas dos mais variados tipos e tamanhos. Isso de alguma forma parecia um mau agouro. Para que alguém precisaria de tantas facas?

Mas nada podia prepará-lo para o que veria a seguir. 

Jornal da BD


Qual era o gás usado nas câmaras de extermínio?

Nas câmeras de gás usava-se o Zyklon B. O nome, em alemão, significa ciclone, o que dá idéia de sua força. Baseado no ácido cianídrico, era usado inicialmente como pesticida, mas logo descobriu-se que ele tinha o inconveniente de envenenar humanos. Na verdade, ele era mais mortal para humanos que para piolhos e pulgas.
Acredita-se que em 1941 os nazistas começaram a usá-lo para assassinato de massa no campo de Auschwitz.
O veneno era fornecido pelas empresas alemãs Degesch e Testa. Os nazistas pediam que o veneno fosse produzido sem odor, para não advertir as vítimas, que muitas vezes achavam que iam tomar banho. Acabavam mortas por envenenamento e sufocamento. Relatos de sobreviventes dizem que muitos se aglomeravam uns sobre os outros nas portas, na tentativa de sair ou ao menos respirar.
O mais irônico é que o gás Zyklon foi criado por um judeu alemão, Fritz Haber. Este era um cientista renomado, ganhador do Nobel de química de 1908 pela descoberta da síntese do amoníaco. Esse composto permitiu a criação de fertilizantes e explosivos sem a necessidade de matéria-prima natural.
Em 1934, com a chegada de Hitler ao poder, Haber fugiu para a Inglaterra, onde lecionou na Universidade de Cambridge até sua morte súbita, ainda naquele ano.


Promethea


Camelot 3000


Camelot 3000 foi uma maxisérie em 12 capítulos publicada pela DC Comics entre 1982 e 1985 com roteiro de Mike W. Barr e arte do britânico Brian Bolland. Um dos primeiros trabalhos da chamada invasão britânica nos quadrinhos americanos, a série fez grande sucesso e ajudou a DC Comics a sair de uma grave crise que a assolou no final dos anos 1970 e início da década de 1980.

A ideia por trás de Camelot 3000 era ousada: e se Rei Arthur e seus cavaleiros voltassem em uma Inglaterra futurística para combater uma invasão alienígena? Afinal, conta a lenda que Arthur voltará sempre que o país esteja ameaçado...

Além de Arthur, voltam os outros cavaleiros da Távola redonda, mas estes, ao contrário do Rei, não ficaram hibernando, mas reencarnaram. Assim, a primeira parte da história trata justamente da procura dos mesmos.

Há cavaleiros negros, japoneses, mas os mais diferentes são os que mais cativaram os leitores. Sir Tristão renasceu como mulher e descobre isso justamente quando está se casando com um sargento. Posteriormente ela conhece a reencarnação de Isolda, sua amada em outra vida e descobre que ainda é apaixonada por ela. Tristão sente-se um homem no corpo de uma mulher. A relação Tristão-Isolda foi, provavelmente, o primeiro namoro lésbico de uma grande editora norte-americana.

Sir Percival, conhecido por sua docilidade é agora um neo-humano, seres monstruosos e irracionais usados pelo sistema para combater seus inimigos. Da mesma forma que Tristão, ele não aceita seu novo corpo.

Além disso, o triângulo amoroso Guinevere – Arthur – Lacelot volta a se formar, com a rainha traindo o rei.

A história era tão inovadora para a época que chegou a ser censurada no Brasil, principalmente as cenas entre Tristão-Isolda.

Se nas décadas de 1960-1970 a Marvel Comics eram a editora na qual as coisas aconteciam, obras como Camelot 3000, Monstro do Pântano, Esquadrão Atari e Novos Titãs mostravam que, em meados dos anos 1980, a editora das inovações era a DC Comics.

Além do ótimo roteiro de Mike Barr, Camelot 3000 contava com o desenho detalhista e inovador de Brian Bolland. Oriundo da revista inglesa 2000 AD, Bolland trouxe um ar de realismo poucas vezes visto nos quadrinhos da DC Comics. Além disso, suas mulheres estavam entre as mais sensuais dos quadrinhos da época. Sua popularidade foi tão grande que posteriormente, ele ficou encarregado apenas de fazer capas para a DC. Dizia-se que qualquer gibi que tivesse um capa feita por ele venderia bem.


Camelot 3000 marcou época e mostrou que os comics americanos não precisariam ficar presos apenas ao gênero super-heróis para fazer sucesso. Além disso, preparou caminho para o selo Vertigo, especializado em quadrinhos para adultos.

segunda-feira, maio 01, 2017

A divulgação científica nos quadrinhos

Em dezembro de 1997 defendi, no programa de pós-graduação da Universidade Metodista de São Paulo, a dissertação de Mestrado A divulgação científica nos quadrinhos: análise do caso Watchmen, um trabalho inovador não só por mostrar que Watchmen foi baseado na teoria do caos (algo que eu já havia feito em meu TCC, defendido em 1993), como em analisar a relação entre a ciência e os quadrinhos, algo que serviu de base de muitos trabalhos, em especial sobre o uso de quadrinhos nas aulas de ciência. 
Essa dissertação foi disponibilizada durante muitos anos no site da Virtual Books, que acabou saindo do ar. Assim, resolvi disponibilizá-la através de um blog.  Para conhecê-lo, clique aqui

Alex Ross


Homem-animal


O Lobinho


Hyania - grande criação de Mozart Couto


À PALO SECO - BELCHIOR

Quem eram os meninos do Brasil?


Meninos do Brasil é título de um famoso filme da década de 1970, baseado no romance homônimo de Ira Levin, dirigido por Franklin J. Schaffner  e que incluia no elenco figuras como Gregory Peck e Laurence Olivier.
No filme, um jovem militante anti-nazista descobre, na América do Sul, que nazistas fugitivos planejam matar 10 homens. Antes de ser morto ele consegue avisar um caçador de nazistas (baseado na figura real de Simon Wiesenthal), que passa a investigar o assunto. Ele acaba descobrindo que a morte dos homens faz parte de um projeto para trazer Hitler de volta.
Na trama, haviam sido produzidos clones do ditador alemão e inseminadas mulheres com as mesmas características da mãe de Hitler. Também as famílias deveriam ter os mesmos aspectos, com um pai dominador, que deveria morrer quando os clones ainda fossem jovens.
O responsável pelo programa de clonagem é o próprio Joseph Mengele, o anjo da morte, que, em algum país da América do Sul, continua realizando suas experiências macabras, como injetar tinta azul nos olhos de crianças.
O filme torna-se um emocionante triller de suspense, com o caçador de nazistas tentando impedir a morte dos pais dos clones.

O filme fez grande sucesso e a interpretação de Gregory Peck ajudou a formar a imagem que a maioria das pessoas têm sobre Mengele, um homem culto, mas cruel.  

HQ francesa que inspirou Star Wars é lançada no Brasil

RIO — O lançamento de “Star wars”, em 1977, deu início a um fenômeno. O universo de fantasia do diretor George Lucas cativou o mundo com uma saga que envolvia robôs, seres de outros planetas, viagens espaciais e protagonistas heroicos.
Aquele sucesso, contudo, soou estranho para dois franceses. Dez anos antes, o escritor Pierre Christin e o artista Jean-Claude Mézières haviam lançado uma história em quadrinhos que, de certa forma, “antecipava” muitas das criações de Lucas. Publicada a partir de 1967, a série “Valerian” tem uma protagonista empoderada que se vestia com trajes exóticos, um aventureiro preso num bloco de pedras, um vilão que usava máscara para esconder as queimaduras do corpo, além de naves e aliens que pareciam desenvolvidas sob os mesmos moldes do filme de Lucas.
Comparação de cenas de 'Valerian' e 'Guerra nas estrelas' - Reprodução
Nos anos seguintes, da mesma forma outras produções como “Conan, o bárbaro” (1982) e “Avatar” (2009) apostaram num visual muito mais próximo de “Valerian” do que seus realizadores aceitaram admitir.
— Eu escrevi duas vezes para o George Lucas em 40 anos. E nunca obtive uma resposta. Ninguém tampouco o ouviu mencionar a influência de “Valerian” uma única vez — afirma Mézières, aos 78 anos, em entrevista ao GLOBO. — Se hoje se comenta sobre a influência dos meus desenhos em “Star wars”, é porque eu e alguns amigos jornalistas falamos sobre isso. Mas não passo a vida assistindo a filmes e me perguntando “o que roubaram do meu trabalho?”. Sei que foi usado muitas vezes. Mas... Vamos em frente.
Os fãs brasileiros podem tirar suas conclusões sobre como a história da dupla Valerian e Laureline, um casal de agentes que viajam no tempo e no espaço, influencia até hoje outras obras de ficção científica. O clássico quadrinho francês começa a ser relançado no Brasil, em sete volumes que trarão as 21 graphic novels publicadas até 2010. O trabalho é da editora Sesi-SP, e a expectativa é que os três primeiros volumes estejam disponíveis ainda em 2017. O primeiro chega às livrarias agora em maio.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/cultura/livros/hq-francesa-que-teria-inspirado-star-wars-relancada-no-brasil-21277764#ixzz4frwL1pqu