sábado, agosto 26, 2017

Presente do dia dos pais

Presente que ganhei de minha filha de dia dos pais. Faz tempo que estava procurando este livro, um dos poucos que não tinha de George Orwell (agora só falta um outro livro de ensaios).

Por que Auschwitz não foi bombardeada?


Desde o dia 7 de julho de 1944, aviões e bombardeiros norte-americanos e britânicos passaram a voar sobre as linhas ferroviárias que levavam a Auschwitz. Para bombardear as linhas ou o campo não seria necessário nem mesmo um desvio de rota. De julho a novembro de 1944, as áreas de Blechhammer e outros alvos próximos a Auschwitz foram atingidas dez vezes em operações que envolveram 2.800 aviões. No dia 20 de agosto, em uma operação com 227 aviões, 127 dos quais de grande porte, foram despejadas 1.336 bombas sobre a fábrica I.G. Farben-Monowitz, a menos de dez quilômetros a leste das câmaras de gás de Auschwitz. Estas permaneceram intactas. Entre os dias 7 e 20 de novembro, uma refinaria de petróleo, distante cerca de 75 km de Auschwitz, foi atacada dez vezes. O próprio campo foi atingido acidentalmente duas vezes. Muitas dessas missões voaram durante longo tempo sobre os trilhos da morte e bombardeá-los teria sido extremamente fácil. Os líderes judeus acreditavam, à época, que se fossem danificadas as estradas de ferro que levavam os judeus à Polônia haveria pelo menos um atraso nas deportações.
Então, surge a pergunta: por que os campos de concentração, ou as linhas ferroviárias que levavam até eles não era bombardeadas? Não faltavam apelos feitos pelas lideranças judaicas. Muitas pessoas que conseguiam fugir dos campos informavam os aliados sobre o que estava acontecendo e evidências mostram que Stalin, Roosevelt e Churchil já sabiam do holocausto desde 1942. Até mesmo fotografias foram tiradas dos campos de concentração.
Os comandantes aliados alegavam que os ataques aos campos não seriam viáveis e que a única forma de ajudar os judeus era apressando a derrota do III Reich. Além disso, argumentavam que ataques aos campos poderiam matar também os prisioneiros.

A verdade cada vez mais evidente é que não havia qualquer interesse por parte dos líderes Aliados em salvar judeus e outros povos perseguidos pelos nazistas. O único que parece ter se interessado pelo assunto foi Churchil, mas sua opinião não teve peso diante dos líderes da URSS e dos EUA.

sexta-feira, agosto 25, 2017

Gógol, entre risos e lágrimas



Não, você provavelmente nunca leu uma obra de Gogol. Mas certamente conhece alguma de suas histórias. Afinal, são muitas as adaptações para cinema, televisão e quadrinhos. Eu mesmo cheguei fazer duas HQs baseadas em suas histórias: Fobia (baseada em O Nariz) e A Inspeção (baseada na peça O Inspetor Geral), ambas desenhadas por Bené Nascimento (a primeira foi publicada pela Nova Sampa, a segunda pela revista Calafrio). O grande destaque de Gogol se deve ao fato de ter sido o iniciador da moderna literatura russa, que nos legou nomes como Tcheckov, Tolstoi e Gorki.

Nicolai Vassilievitch Gogol nasceu em uma pequena província da Ucrânia, no ano de 1809. Até mesmo a data de seu nascimento é controversa: 19 de março no calendário russo e 31 de março no calendário ocidental. O pai era um fazendeiro que, ao contrário de seus vizinhos, tinha rudimentos de cultura artística. Gostava de ler e usava as horas vagas para escrever peças satíricas. Gogol herdou dele o gosto pela pena. E herdou da mãe a extrema religiosidade que o levaria à morte.

Desde criança, Gogol sempre foi estranho. Na escola era chamado de "anão enigmático" porque falava pouco e tinha dificuldade para se relacionar com colegas e professores. Como o apelido sugere, também era pequeno. Seu grande sonho era ir para São Petesburgo. Imaginava-se com um bom emprego, instalado em um quarto com vista para o rio Nieva. Depois da morte do pai, conseguiu finalmente realizar o seu sonho, que acabou parecendo mais com um pesadelo. Tudo o que conseguiu em São Petesburgo foi um emprego burocrático medíocre, um salário insignificante e um quarto a grande distância do rio Rio Nieva. Para sobreviver, era obrigado a pedir dinheiro à mãe.

Por esses tempos, teve sua primeira decepção literária e revelou uma característica que o acompanharia por toda a vida: Gogol dava mais atenção às críticas que aos elogios. Seu poema Hans Kuchelgarten foi tão mal recebido pela crítica que o escritor recolheu todos os exemplares e os queimou. Só voltaria a escrever mais tarde, empolgado com a efervescência literária da época.

Na Rússia de então, os intelectuais se dividiam em dois grupos. Um deles defendia a aproximação com a cultura ocidental e o outro estava preocupado com a preservação da cultura russa. Gogol era um simpatizante do segundo grupo. No interesse de resgatar as tradições de sua terra, ele escreveu alguns contos sobre a Ucrânia para revistas e publicou uma seleção deles. O livro se tornou extremamente popular, especialmente por seu humor, que fazia rir os funcionários da gráfica que o imprimia.
Foi nessa época que Gogol conheceu Punchin, o maior poeta russo do período. Punchin foi uma espécie de guru para o jovem Gogol. Gogol chegou a dizer que tudo que escrevia o fazia pensando no que Punchin pensaria, e duas de suas principais obras, Almas Mortas e O Inspetor Geral, surgiram a partir de idéias do poeta.

A trama da peça O Inspetor Geral era simples: as autoridades de uma pequena aldeia tomam conhecimento de que um inspetor do governo chegará incógnito em breve para investigar certos abusos. Por acaso, um aventureiro passa por ali e os poderosos do local, achando que ele é o inspetor, fazem de tudo para suborná-lo. Essa história já foi adaptada para a TV, para o cinema, para os quadrinhos e até na série alemã de ficção-científica Perry Rhodan.

A obra mais genial de Gogol, no entanto, foi escrita em 1842. Trata-se de uma novela com o singelo título de O Capote. É a história de um pobre funcionário público que, a grandes custos, conseguia comprar um novo capote e é roubado no mesmo dia em que o inaugura.

Segue-se, então, uma via-crucis pela burocracia russa. Ao invés do capote, ele consegue apenas uma grande bronca de um alto funcionário, interessado em impressionar um amigo. Isso, unido a uma gripe que o pega por estar sem capote, e portanto, desprotegido do terrível frio de São Petersburgo, leva-o à morte. Seu fantasma então, passa a puxar o capote de todas as pessoas que se aventuram a sair à noite.

Como se vê, suas histórias eram simples, bobas até, como contos infantis. Nada de pretensões filosóficas ou pedantismo. Nosso escritor queria apenas contar histórias de seu país natal, o jeito de ser de sua gente, e talvez nisso resida o seu maior encanto. Suas histórias misturavam humor e tragédia naquilo que os críticos chamaram de risos entre lágrimas. Personagens como o funcionário publico de O Capote são ridicularizados, mas ao mesmo tempo, redimidos por sua humanidade.

Gogol se tornou imortal porque suas obras eram repletas de vida. Era a vida dos grandes heróis nacionais, como Taras Bulba, ou dos insignificantes funcionários públicos. Mas, apesar do sucesso, o escritor vivia entre anjos e demônios. Sempre ouvia mais as críticas do que os elogios. Quando a peça O Inspetor Geral estreou, os conservadores pediram a proibição da mesma, acusando o autor de ter caricaturado tanto o país quanto seus dirigentes. Gogol mergulhou em profunda depressão e viajou para a Europa.

Com o tempo, essas crises de depressão foram se tornando mais e mais freqüentes. No dia 11 de fevereiro de 1852, influenciado por um padre fanático, Gogol queimou todos os manuscritos da segunda parte de Almas Mortas e deitou para morrer. Não se alimentava, nem aceitava remédios. A 21 de fevereiro daquele ano, a Rússia perdeu um dos seus escritores mais queridos, o homem que abriu as portas para torná-la uma das capitais mundiais da literatura.

Quem foi George Smith Patton?


Patton foi um dos mais importantes e mais controversos generais da II Guerra Mundial. Ele foi responsável por uma campanha relâmpago na França. Seus carros avançavam tanto que corriam o risco de ficarem isolados no campo inimigo. Aparentemente só parou porque faltou combustível. Ao queixar-se com o general Montgomery, ele teria dito uma de seus polêmicas frases “Os meus homens podem comer cintos, mas os meus carros precisam de gasolina”.
Quando começou a ofensiva germânica nas Ardenas, Patton realizou sua maior proeza ao quebrar o cerco de Bastogne. Com esse feito, sua popularidade entre os norte-americanos aumentou consideravelmente, fazendo com que aumentasse também sua já enorme vaidade.   
Em 1918, durante a I Guerra,  Patton já havia dado mostras de sua personalidade ao tentar ocupar, acompanhado de apenas um soldado, uma colina ocupada pelo inimigo, ocasião em que ficou seriamente ferido.
Ele comandou o VII Exército na invasão à Sicilia, capturando Messina antes de seu rival, o britânico Montgomery, com quem mantinha um duelo pelas honras da opinião pública anglo-norte-americana.
Não era um grande estrategista, mas um especialista na arte da mobilidade.
Terminada a guerra, demonstrou pouco interesse pelo processo de desnazificação, a ponto de ser acusado de ajudar amigos nazistas.

Morreu em um acidente de automóvel em 1954. 

Quanto custa um deputado federal?


Algumas das melhores histórias do Super-homem





quinta-feira, agosto 24, 2017

O menino amarelo

   
Yellow Kid, de Richard Outcault, que foi publicado, pela pri­meira vez, em 1894, no jornal “New York World”. Nome do prêmio mais ambicionado da área de quadrinhos, “Yellow Kid’ na verdade, não é a primeira HQ do mundo. Aqui mesmo no Brasil, já existiam os trabalhos de Henrique Fleiuss (1861) e Angelo Agostini (1869). Entretanto, a obra de Ri­chard Outcault foi a pri­meira a ter uma reper­cussão mundial e a fir­mar as histórias em qua­drinhos como um meio de comunicação de massa.
“Yellow Kid” era pu­blicada numa página do­minical em cor amarela. Aliás, o amarelo surgiu na história por uma simples necessidade gráfi­ca: para testar a repro­dução dessa cor no jornal. O sucesso alcançado pelo personagem foi, cer­tamente, além das expectativas. Mi­lhares de leitores começaram a comprar os jornais, aos domingos, só por causa daquele garotinho simpá­tico, que passava suas mensagens em inglês infantil, escrito num camisolão. Ainda não existia o balão.
Há algumas controvérsias quanto ao surgimento do balão. Alguns autores dizem que ele surgiria no próprio Yellow Kid, outros afirmam que ele só foi surgir dois anos mais tarde, com “Os sobrinhos do capitão’ de Rudolf Dircks. O sucesso desses dois capetinhas pode ser avaliado pe­lo fato de que, até a década de 70, eles tinham sua própria revista no Brasil - um verdadeiro prodígio para garo­tinhos de 90 anos! Entretanto, independente de terem sido os Sobrinhos do Capitão ou Yellow Kid a usar o balão, o fato é que já na Idade Média se usava balões em tapeçarias.
O sucesso das HQs, no final do século XIX, fez com que os editores de jornais corres­sem atrás de artistas para produzi­rem páginas dominicais. Foi nessa onda que surgiu uma das mas lindas histórias de todos os tempos: “Peque­no Nemo no pais dos sonhos” Winson MacCay.
McCay era um fascinado pelas his­tórias oníricas. Antes de criar o pe­queno Nemo, já havia feito vários personagens sonhadores, entre eles uma série que focalizava os pesade­los provocados pelo excesso de comi­da. Mas “Pequeno Nemo” acabou. sendo a sua grande obra — nela ele juntou uma paisagem maravilhosa­mente estilizada com uma antevisão do surrealismo.
As histórias do garoto Nemo começavam e terminavam em uma pá­gina. Numa delas as pernas da cama ganham vida e começam a andar pe­la cidade — para desespero de Nemo, que acaba caindo. O último quadrinho mostra o garoto caído no chão do seu quarto. Como sempre, era só um so­nho.

A história começava com o garotinho dormindo e acabava com ele acordan­do, sem que houvesse uma divisó­ria muito nítida entre a realidade e o sonho. “Pequeno Nemo” foi a primei­ra história em quadrinhos a ser expos­ta no Museu de Arte de Nova York.

José Luís Garcia-Lopez


O nazismo é de esquerda?

Recentemente alguns políticos brasileiros têm propalado a noção de que o nazismo é de esquerda. Um dos principais argumentos para isso estaria no nome do partido: nacional socialista.
Para entender esse nome é importante entender o contexto histórico de surgimento e ascensão do partido.
Tratava-se de um partido pequeno, sem ideologia certa ou expressão política. Mas chamou a atenção da polícia, que resolveu investigar exatamente por causa do socialismo no nome. Para isso mandaram um espião comparecer a uma das reuniões do partido. O espião foi, voltou e disse aos seus superiores que o partido pretendia agregar trabalhadores (daí o socialismo no nome), mas não tinha ideologia certa e que seria muito mais interessante direcioná-lo para uma vertente mais nacionalista do que perseguir seus membros.
Foi o que fizeram: o espião foi mandado de volta ao partido com esse objetivo e com o tempo se tornou o líder, inicialmente usando uma retórica social, mas procurando afastá-lo da esquerda e aprofundando as raízes nacionalistas da agremiação.
O nome desse espião era Adolf Hitler.
Futuramente, quando seu controle já estava bem estabelecido, a retórica social sumiu de seus discursos, dando lugar a um discurso nacionalista e racista, que viria a ser a base do nazismo.
Ao contrário da esquerda, por exemplo, o nazismo não pregava uma luta de classes, mas uma união de classes (e empresários alemães tiveram grandes lucros com o nazismo – mesmo depois da guerra algumas das maiores empresas do mundo eram alemães).
Há quem argumente que o nazismo era de esquerda porque havia forte intervenção estatal na economia (o Fusca, por exemplo, foi produzido a pedido de Hitler). Mas se economia estatal fosse exemplo de esquerda, os faraós do Egito poderiam ser considerados governantes de esquerda, só para dar um exemplo.
Na verdade, o nazismo se vendia como uma terceira opção, para além a esquerda e da direita. Mas sempre teve o apoio e a simpatia da direita, desde o começo quando a polícia governamental concordou em deixar o partido existir mudando sua ideologia. O movimento neonazista norte-americano tem como lema "Unite the Right" (unir à direita).
Mas por que razão os políticos brasileiros insistem em afirmar que o nazismo é de esquerda, ainda mais quando temos exemplos igualmente assombrosos de ditadores notadamente de esquerda, como Stalin, que governou a Rússia com mão de ferro em um governo que provocou a morte de milhões de pessoas?
Por que é mais importante para esses políticos associar Hitler à esquerda, do que associar Stalin à esquerda?
A razão disso que é todos os donos de estúdios de Hollywood eram judeus. Da mesma forma, todos os donos de editoras de quadrinhos e praticamente todos os artistas nos anos 1940 eram judeus.

Assim, durante décadas, tanto em filmes quanto em quadrinhos, os nazistas foram mostrados como o paradigma dos vilões (vale lembrar que o Capitão América aparece socando o rosto de Hitler na capa de seu primeiro gibi e até Indiana Jones tem os nazistas como vilões). Até Star Wars tem vilões inspirados em nazistas. Assim, para esses políticos brasileiros, é mais fácil fazer todo tipo de malabarismo retórico para convencer que os nazistas eram de esquerda do que explicar quem foi Stalin. 

Os faraós eram de esquerda?

Estado grande e centralizador, culto ao líder, economia estatizada, os cidadãos não tinham armas de fogo... Óbvio que os faraós eram de esquerda (pelo menos segundo alguns políticos brasileiros). O primeiro faraó fundou o PT do antigo Egito.

O que é Berkut?


Berkut é o título de um romance escrito pelo irlandês Joseph Keywood. O livro trata da hipótese de que Hitler teria simulado seu suicídio e fugido. Na trama, Stalin não acredita na versão de suicídio e, para caçar o líder nazista, coloca em ação o seu melhor soldado, o feroz Vasily Petrov e seus comandados.
O título do livro é uma referência à águia dourda Berkut, usada pelos nômades russos para caçar lobos. Assim, a águia representa a Rússia e seu desejo de vingaça, e o lobo representa Hitler.

Embora admita que se trata de ficção, o autor explica no posfácio que muito do que é mostrado no livro é real, de modo que, de fato, pode ter mesmo acontecido uma simulação da morte do Fuhrer. Ele argumenta, por exemplo, que os russos em alguns momentos diziam que tinham o corpo do ditador, e depois desmentiam. Além disso, em 1946, eles levaram todos os sobreviventes do bunker para Berlim, onde fizeram um filme, usando os próprios nazistas, e não atores. A razão disso nunca foi explicada. Nenhum ocidental jamais viu esse filme. “Stalin queria Hitler. Sentia que o líder alemão o traíra, e o custo para os russos era estimado em 200 milhões de baixas – três vezes mais que o número de mortos nos campos nazistas”.  

Steve Rude


quarta-feira, agosto 23, 2017

Quem foi Dom Antonio Caggiano?


Dom Antonio Caggiano foi um cardeal católico que ficou famoso por organizar uma das principais rotas de fugas de criminosos nazistas.
Caggiano era bispo de Rosário, na Argentina, quando foi chamado a Roma, em 1946, para ser ordenado Cardeal. Lá ele transmitiu ao cardeal francês Eugéne Tisserant a informação de que o governo argentino estava aberto para receber “cidadãos franceses cuja atitude polícia durante a recente guerra pode tê-los exposto a medidas cruéis e retaliações”.
Na verdade, o bispo de Rosário era o porta-voz do ditador argentino Juan Perón. As razões de Perón incluíam gratidão pela ajuda dada pelos nazistas entre 1943 e 1945 e simpatia pelos ideais fascistas.

Nos meses seguintes, 300 a 500 criminosos de guerra foram para a Argentina com passaportes fornecidos pela Cruz Vermelha de Roma e sob a proteção do cardeal Antonio Caggiano. Muitos deles passaram a morar na Argentina, trabalhando em fábricas locais.  

O uivo da górgona


Um som se espalha pela cidade (ou pelo estado, ou pelo país, ou pelo mundo?). Um som que ouvido transforma as pessoas em seres irracionais cujo único o objetivo são os instintos básicos de violência e fome. É o uivo da Górgona.
Acompanhe a história dos sobreviventes neste livro de terror, uma história de zumbis diferente, em que qualquer um pode se transformar, bastando para isso ouvir o terrível uivo da górgona.
Escrito em capítulos curtos, o livro transforma o suspense em elemento de fantasia, prendendo o leitor da primeira à última página. 
Pedidos: profivancarlo@gmail.com. 

terça-feira, agosto 22, 2017

Quadrinhos: O início no Brasil

           
Ao folhear qualquer livro sobre histórias em quadrinhos - mesmo os escritos no Brasil - o leitor encontrará a informação de que a primeira HQ foi Yellow Kid, de Richard Outcoult. Nada mais falso. Antes do menino amarelo havia arte seqüencial sendo publicada na Alemanha, na França e outros países. Na verdade, os americanos, como fizeram com o avião, se aproveitaram do domínio que têm sobre a mídia para propagar o seu ponto de vista. O livro As Aventuras de Nhô-Quim e Zé Caipora, lançada pelo Senado Federal, em uma edição organizada pelo Coronel e estudioso Athos Eichler Cardoso, mostra que os norte-americanos não podem pedir sequer o mérito de terem criado os quadrinhos de aventura.
            Nhô-Quim e Zé Caipora são criações do ítalo-brasileiro Ângelo Agostini, um dos jornalistas e ilustradores mais importantes da imprensa brasileira. Agostini nasceu em Verceli, na Itália, passou a adolescência em Paris, onde estudou na Escola de Belas Artes. Veio para o Brasil ainda jovem e não quis mais voltar para a Europa. Aqui ele se tornou um símbolo da imprensa republicana e abolicionista. A Revista Ilustrada, fundada e dirigida por ele, era o periódico de maior prestígio no Brasil do final do século XIX, sendo o principal registro histórico e iconográfico da luta contra a escravidão. A publicação chegou a ter quatro mil assinantes, o que era um recorde absoluto para um país cuja maioria da população era analfabeta.
            O primeiro trabalho de Agostini com quadrinhos foi As Aventuras de Nhô-Quim. O primeiro capítulo foi publicado em 30 de janeiro de 1869, no jornal Vida Fluminense. A data, que revela claramente que somos muito anteriores aos norte-americanos (Yellow Kid é de 1896) hoje é comemorada como dia do quadrinho nacional. Ângelo Agostini deu nome ao mais importante troféu brasileiro de quadrinhos (do qual o autor deste texto foi o ganhador como melhor roteirista em 1999).
            Nhô-Quim contava a história de um caipira rico e ingênuo, que vai à corte e se envolve em todo tipo de trapalhadas. A história mostrava o conflito entre a cultura rural e urbana, o que fica evidenciado na seqüência em que Nhô pára para tomar um café e acaba perdendo o trem. Agostini usa a história do caipira para criticar os problemas urbanos, modismos e costumes sociais e políticos da época.
            Mas o melhor momento de Agostini é mesmo Zé Caipora. Obra de um artista maduro, a série antecipa os quadrinhos de aventura que tanto fizeram famosos personagens como Tarzan e Flash Gordon. O primeiro capítulo de Zé Caipora foi publicado em 27 de janeiro de 1883 nas páginas da Revista Ilustrada (sempre é bom lembrar que Yellow Kid é de 1893). O sucesso foi tão grande que a série chegou a ter quatro edições e serviu de inspiração para uma canção popular, peças teatrais e até dois filmes mudos. Zé Caipora era multimídia.
            Os primeiros capítulos são ainda humorísticos e o personagem se parece um pouco com Nhô-Quim, com o nariz em continuação com a testa. Depois, a história se torna mais aventuresca e o desenho se torna realista. Nessa segunda fase, o herói enfrenta onças, índios bravios e uma sucuri. O momento em que Zé, amarrado a uma árvore, serve como alvo para as índias treinarem sua pontaria no arco-e-flexa, é memorável e demonstra o perfeito domínio que Ângelo Agostini tinha da arte seqüencial. São cinco quadros mostrando o herói desviando-se das setas e parecemos ver seus movimentos.

            Além disso, há seqüências de panorâmicas, que só seriam usadas nos quadrinhos ianques com Tarzan, na década de 20 do século XX. Outra cena mostra até um sonho, com o desenho envolvido por nuvens para demonstrar que os acontecimentos não devem ser lidos de forma literal. Em suma, Agostini antecipou muitas das técnicas que só seriam usadas pelos norte-americanos muito tempo depois. 

Mano Juan, de Marcos Rey

Mano Juan é um lançamento da Global, editora que está publicando as obras completas de Marcos Rey. O livro, escrito na década de 1970 e lançado após a morte do autor, conta a história de um guerrilheiro ferido que chega a são Paulo e, sem ter a quem recorrer, procura um jornalista que escrevera diversos artigos sobre ele. Mas é a época da ditadura militar e o repórter teme se comprometer. Além disso, Dalila, uma atriz de pornochanchadas pela qual se apaixonara, lhe prometera para aquele dia uma noite de amor em troca da publicação de suas fotos no jornal. 
Marcos Rey é um dos grandes roteiristas de cinema do Brasil, tendo escrito diversas pornochanchadas e novelas (experiência que ele conta nos livros O roteirista profissional: televisão e cinema e Esta noite ou nunca. Esse olhar cinematográfico permeia a maior parte de sua obra, inclusive a juvenil, como O Mistério do Cinco Estrelas e O Rapto do Garoto de Ouro, mas é ainda mais visível em Mano Juan. O capítulo de abertura do livro é uma boa amostra desse tino visual: construído emtakes, mostra a chegada de um guerrilheiro a São Paulo e a balbúrdia da rodoviária num feriado prolongado:

"Como era sexta-feira da Paixão parte da população da cidade batia asas. São Paulo, parcialmente deserta, transformava-se numa amplo parque ideal ao adestramento de motoristas de carta nova. (...) O número de mulheres e crianças, superior ao de homens, contribuía para intensificar a irritante sonorização do ambiente, apenas dominada pela voz de uma locutora que anunciava a partida dos ônibus numa robotizada emissão vocal (...) O tumulto maior e mais angustiante concentrava-se nas escadas, a de degraus e a rolante, onde acontecia um massacre de proporções razoáveis. Inúmeros balcões e guichês de transportadoras informavam por escrito: 'Não há mais passagens' (...) Uma mulher grávida, segurando uma criança em cada mão, parecia ter perdido o marido e chorava, um grupo de cabeludos ameaçava destruir um dos balcões de passagens, um estrangeirão, loiro, tentava fazer-se entender".

A história toda parece ter sido escrita como um roteiro de cinema, inclusive com flash backs e e referências diretas a filmes em trechos como: "Batista diante daquela bem-rodada cena do cinema nacional, ficou cabreiro e começou a lançar olhares de pesquisa ao redor", "os seios, que só vira em filmes pornô, saltaram como molas, pagando na boca do caixa o trabalho das fotografias". 

Marcos Rey constrói a trama como um thriller de humor com personagens marcantes: o guerrilheiro saudoso da infância, o jornalista que o tempo todo divide o pensamento entre o medo de ser preso e a possibilidade de conseguir, finalmente, levar a atriz para a cama; a atriz de pornochanchadas que se deslumbra com a possibilidade de fama, mas se apaixona pelo guerrilheiro; o líder sindical que é respeitado pelos trabalhadores, mas em casa é tiranizado pela mulher... O autor apresenta uma verdadeira fauna de tipos que vão desfilando diante do leitor num verdadeiro plano sequência que vai das 19h10 da sexta às 4h05 da madrugada de sábado. 

O livro tem gosto da década de 1970 em que a tensão provocada pela ditadura militar se misturava à revolução sexual, à moda hippie de vestir e à profusão de gírias. Expressões como "cana brava", "manjo seu truque, malandro", "a velha teve outro balacobaco" ajudam a dar o clima do momento histórico.

Mano Juan foi escrito em 1978, mas permaneceu inédito até 2005. Em 2003, quando a Global negociou com a viúva Palma Donato a publicação de toda a obra de Rey, ficou acertado que, além dos títulos já publicados, a editora teria prioridade sobre esse inédito. Cumprindo o acordo, a viúva entregou à editora os originais datilografados. 

A Global fez um verdadeiro trabalho de fã, com uma edição belíssima, que segue o padrão das outras obras da coleção Marcos Rey, uma sugestiva capa Victor Burton, com imagens que simbolizam bem a trama, como uma loira, um revólver, uma garrafa de uísque e um botton de Che Guevara. Além disso, incluiu uma apresentação de Ignácio de Loyola Brandão, que acertadamente escreve: "Ele (Marcos Rey) foi um homem desprezado pela crítica, mas lentamente começa a ser reavaliado, revisado e sua obra reciclada. Era um narrador sutil e fino, e a prova está em cada página deste livro que inclusive é permeado pela mais intensa ironia, pelo sarcasmo. Quem nunca leu Marcos Rey pode começar por este Mano Juan". Bom conselho. 

Quem foi Alois Hudal?


Alois Hudal foi um bispo austríaco que ficou famoso por ter salvo vários criminosos nazistas, mandando-os para países da América Latina.
Hudal era de um seminário para padres alemães e austríacos em Roma. Nazista confesso, ele foi nomeado pelo Vaticano para visitar os nazistas presos na Itália.
Ele não só os visitou, como usou sua posição de destaque para providenciar a fuga da maioria desses criminosos. Ele os libertava com documentos falsos e os escondia no interior da Itália.

As autoridade começaram a desconfiar do esquema e o bispo decidiu que precisava tirar seus protegidos da Itália, enviando-os para a América Latina. Para isso ele lhes dava documentos falos emitidos pela Comissão de Refugiados do Vaticano, que os ajudava a conseguir passaporte com a Cruz Vermelha. Normalmente a Cruz Vermelha checava os registros, mas sendo recomendação de um religioso, a Cruz Vermelha não fazia perguntas, o que permitiu que muitos criminosos desaparecessem, alguns para sempre.

Glass | Sequência de Fragmentado e Corpo Fechado ganha sinopse oficial

 
A Universal divulgou a sinopse oficial de Glass, longa que é uma sequência de Fragmentado e de Corpo Fechado. Confira:
M. Night Shyamalan junta a narrativa de dois dos seus grandes trabalhos originais – Corpo Fechado, de 2000, e Fragmentado, do ano passado – em um explosivo e novo thriller de quadrinhos: Glass. De Corpo Fechado, Bruce Willis retorna como David Dunn, assim como Samuel L. Jackson como Elijah Price, também conhecido pelo pseudônimo Mr. Glass. De Fragmentado, James McAvoy reprisa seu papel como Kevin Wendell Crumb e suas múltiplas personalidades e Anya Taylor-Joy é Casey Cooke, a única sobrevivente do encontro com A Fera.
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Francesco Francavilla


segunda-feira, agosto 21, 2017

Valerian - o filme

Gostei de Valerian. O filme tem inegáveis problemas de roteiro (como o envolvimento romântico forçado dos personagens, com Valerian pedindo Laureline em casamento logo nos primeiros minutos), mas nada que realmente comprometa a história ou a verossimilhança do roteiro. 
A série Valerian se destaca pelos protagonistas carismáticos, mas principalmente por ter sido uma das melhores histórias em quadrinhos que desenvolveram o "sense o wonder". 
O roteirista Christin sempre foi um mestre do olhar antropológico futurista: em mostrar raças, situações, culturas e costumes extraterrestres e isso está bem preservado no filme de Luc Bresson.
O mercado que só existe em outra dimensão, a estação espacial que é ponto de centenas de raças, o pequeno mascote capaz de reproduzir tudo o que come, os mais variados tipos de seres com seus costumes estranhos para nós, tudo isso está ali, assim como o humor característico dos quadrinhos. Valerian é uma ótima diversão.