quarta-feira, outubro 04, 2017

Dez pessoas que eu seguiria

Meu filho ainda era pequeno quando isso aconteceu. Estava aprendendo a andar e eu o levava quando íamos comprar pão. Certa vez passamos por um rapaz sentado no meio-fio. Ele estava lá parado, sentado, o olhar perdido no nada, como se até mesmo pensar fosse um esforço grande demais. Com os passos pequenos de meu filho, demoramos a chegar na panificadora, e demoramos a voltar, mas quando voltamos, lá estava o rapaz parado, estático, bobo. Era como se ele estivesse apenas observando a vida passar diante dele.A experiência me marcou. Percebi que existem pessoas e pessoas. Existem aquelas que simplesmente passam pela vida e deixam a vida ir embora, sem fazer qualquer diferença. Por outro lado, existem aquelas que se destacam tanto que mudam o mundo, o nosso jeito de pensar, a nossa percepção das coisas. São os grandes, os gigantes, cujos passos deveriam ser seguidos. Eis a minha lista:


Monteiro Lobato

Ao pensar em alguém que fez a diferença em minha vida e na de muitas outras pessoas, o primeiro nome que me vem à mente é Monteiro Lobato. Lobato é muito mais do que um escritor de literatura infantil, embora ele tenha produzido uma obra genial nessa área. Lobato foi um visionário, alguém muito avançado para sua época. Mesmo sua abordagem da literatura infantil tinha muito de afronta aos pré-conceitos, afinal, na época essa era considerada uma área menor da literatura. Lobato me ensinou o valor da clareza, da importância de compreensão por parte do leitor. Ele escrevia sobre os temas mais difíceis e sempre de maneira agradável. Tenho visto tanta gente que acha que escrever é enrolar o leitor numa teia de dificuldades e palavras difíceis (muitas vezes usadas equivocadamente), e sempre penso: esse pessoal não leu Lobato. E Lobato era de uma sinceridade provocante, embora também fosse muito gentil (quando Mário de Andrade escreveu um texto matando-o, Lobato declarou: "Mário é grande, ele tem o direito de nos matar"). Uma de suas frases prediletas virou meu lema: "Isto acima de tudo: sê fiel a ti mesmo".


Alan Moore


Não há quem leia uma obra de Alan Moore e não passe a ver os quadrinhos de forma diferente. Moore revolucionou a maneira como as pessoas viam os roteiristas. Antes, as grandes estrelas eram os desenhistas, disputados a tapas pelas editoras. Parecia que os leitores só compravam as revistas por causa dos desenhos. Alan Moore produziu obras tão fantásticas que a simples menção de seu nome na capa de uma revista já é indício de boas vendas. Sua genialidade é tal que é muito difícil definir qual é a sua melhor obra. Miracleman, Monstro do Pântano, WatchmenV de VingançaDo Inferno, todos esses são obras-primas. E são como cebolas, que descascamos e descobrimos novos sabores, novas interpretações a cada leitura. A melhor obra é aquela que nos surpreende a cada leitura. Eu poderia passar o resto da minha vida lendo e relendo os trabalhos de Alan Moore e uma leitura jamais seria igual à outra.




Gandhi


A ética inabalável, o desprendimento pelo fruto de suas ações e a generosidade mesmo para com os inimigos são exemplos que deveriam ser seguidos por qualquer homem público. Infelizmente, os exemplos são poucos e, por isso mesmo, louváveis. Gandhi é um deles. A todos esses atributos, ele juntou mais outro: a inteligência e a estratégia. Até o início do século XX, os ingleses eram vistos como homens nobres e civilizados, que estariam tirando suas colônias da barbárie. A forma violenta como os ingleses reprimiram as pacíficas manifestações de Gandhi mostraram ao mundo uma situação invertida: o honrado britânico na verdade era um bárbaro, enquanto o pequenino hindu se comportava como um gentleman. Inteligência, acima da violência, essa foi a grande lição de Gandhi.




Hipátia

Entre 370 e 415 viveu em Alexandria uma filósofa chamada Hipátia. Filha do sábio Theon, ela foi criada para ser um exemplo do ideal helênico de mente sã, corpo são. Hipátia dominava a matemática, astronomia, filosofia, religião, poesia, as artes e a retórica. Dizem que andava pelas ruas ensinando Aristóteles, Platão e Sócrates a quem quisesse ouvir. O fato de ser mulher e o fato de estar esclarecendo o povo incomodou os cristãos fanáticos, que a pegaram na rua, tiraram suas vestes, deixando-a nua, e a levaram para uma igreja, onde ela foi retalhada com conchas até a morte. Depois seu corpo e suas obras foram queimadas. Mesmo sabendo que era perigoso, Hipátia foi fiel a si mesma até o último momento.



Chaplin 
A minha ligação com Chaplin é mais que estética. É espiritual. Alguém que tinha as mesmas crenças que eu e o mesmo tipo de inimigo. E Chaplin ensinou ao mundo que havia poesia até mesmo nos momentos mais tristes... Indico um filme menos conhecido, mas genial, que demonstra bem o tipo de história que Chaplin contava: Luzes da ribalta, sobre um palhaço que salva uma bailarina do suicídio.







Lao Tse

Foi o criador do taoísmo e de uma filosofia que valorizava a mudança, muito antes de Pitágoras. Para entender sua importância, é importante lembrar que, para muitos filósofos, existia uma essência imutável e a mudança era apenas aparente. Ao valorizar a mudança, o taoísmo nos dá uma dica sobre como lidar com o mundo e com a nossa própria vida. Também foi uma antecipação do anarquismo, ao dizer que o melhor governo é o que menos governa. DuchampO homem que revolucionou a arte, invertendo a lógica. Antes dele, o artista era visto quase como um artesão, alguém que tinha uma habilidade manual e a usava para criar coisas belas. Duchamp mostrou que artista é o autor da ideia. Fazer arte é idealizar, é pensar sobre o mundo e até sobre a arte. A mudança de foco trazida por ele permite, por exemplo, que Alan Moore, um roteirista de quadrinhos, seja considerado um grande artista.






Danton 
De onde acham que tirei meu nome? Em 1989, comemorava-se os 200 anos da revolução francesa e as bancas foram inundadas de publicações sobre o assunto. Comprei tudo que pude. E fiquei fascinado com a figura de Danton, o único dos revolucionários que se levantou contra o terror revolucionário, mesmo sabendo que isso lhe custaria a cabeça. Como dizia Lobato: seja fiel a ti mesmo. Até o fim. Gian Lorenzo BerniniAntigamente eu assinava Jean Danton. Mas parecia estranho. Não era um bom nome. Então, um dia, folheando um livro na biblioteca, acabei me deparando com um texto sobre Bernini. Fascinante. Ele representou para o barroco o que Leonardo da Vinci representou para a renascença. Era arquiteto, escultor, pintor, cenógrafo. Suas imagens tinham a perfeição dos renascentistas, mas eram mais emocionais, o que era destacado pelo uso da luz. Gostei muito, tanto que peguei dele o nome.


O estudante chinês que parou um tanque


Ninguém sabe seu nome, mas ele fez história. Ficou na frente de um tanque que vinha para reprimir os estudantes em protesto na Praça da Paz Celestial, em Pequim. O motorista tinha permissão de atropelá-lo, mas não o fez, comovido com aquele gesto que muito me lembra Gandhi. Eu vi essa cena quando lia sobre Danton e a revolução francesa. A cena marcou minha adolescência. Se eu morasse na China, estaria ali. E também seria provavelmente morto quando o governo chinês resolveu usar a violência para acabar com o protesto que pedia liberdade e lutava contra a corrupção. Um gesto para ser seguido por todos aqueles que não compactuam com os canalhas e ditadores. Todos aqueles que são fiéis a si mesmos.

A cultura visual e a emancipação do receptor

Durante décadas, todos os estudos sobre os produtos culturais sempre partiam do princípio de que havia uma única interpretação a respeito sobre eles. A teoria hipodérmica, por exemplo, não só acreditava nessa perspectiva, como ainda dava aos emissores poder absoluto sobre a audiência. Influenciada por essa ótica, a maioria dos estudos se voltava para quem emitia a mensagem ou para o poder de convencimento dos meios de comunicação. Até mesmo pesquisas mais recentes, como as do campo da semiótica, partiam, em grande parte, da premissa de que havia uma interpretação pronta, singular, e que cabia a uma autoridade (o semiólogo) destrinchá-la. 

Num outro polo, a história da arte, que também se interessava por esses produtos, via a arte como carregada de significados prontos, geralmente atrelados ao seu contexto histórico, que cabia analisar e aprender. 

Numa corrente mais política, analisava-se os produtos da indústria cultural a fim de revelar suas estratégias de dominação e "ensinar a tomar consciência" (tomar consciência significava ter a interpretação desejada por aqueles que pretendiam denunciar a ideologia nos meios de comunicação). Livros como Para ler o Pato Donald e Para uma leitura crítica dos jornais são exemplos dessa vertente condutivista. 

Hoje, uma das correntes mais recentes de estudos da imagem é a que se chama de cultura visual. Ela se interessa menos pelos produtores e muito mais pelo que as pessoas fazem com esses produtos (chamados de artefatos culturais), sendo o significado livre para diversas interpretações. Não há, segundo a cultura visual, uma instância autorizada para dizer que esta ou aquela leitura é a correta. As estratégias de emancipação do receptor são muito mais no sentido de ajudá-lo a se apropriar dos artefatos culturais - ou criar a seus próprios - do que de "conscientizá-lo" dentro de uma determinada leitura. 

Percebo esse posicionamento muito próximo ao que eu sempre entendi a respeito do assunto, desde que era criança. Fã de seriados e desenhos animados, eu nunca via na tela o que estava passando, estava sempre completando o roteiro na minha cabeça, preenchendo as brechas, enxergando dilemas éticos onde eles não eram visíveis, profundidade onde ela era apenas insinuada. Alguns dos episódios que mais me marcaram eu só vi uma cena, ou uma sequência, e completei o resto na minha cabeça (e mais tarde transformei em contos ou histórias em quadrinhos).

Alguns exemplos: 

No seriado Terra de gigantes, eu sempre imaginei que talvez os protagonistas não tivessem sido transportados para um planeta de gigantes, mas antes tivessem sido reduzidos durante a tempestade elétrica e estavam na verdade na Terra. Assistindo o seriado já adulto, descobri que essa perspectiva não existia na série. O roteiro deixava bem claro que eles haviam sido transportados para outra realidade. Até hoje acho minha leitura infantil mais interessante, inclusive do ponto de vista filosófico e científico, pois joga com questões, por exemplo, da teoria da relatividade. 
No seriado Fuga do século 23, eu sempre visualizei um dilema: os heróis estão fugindo de uma cidade governada por um computador, mas têm como colega de jornada um andróide. Assistindo novamente o seriado, descobri que os roteiristas nunca exploraram essa ironia que, no meu olhar, era um dos elementos mais interessantes da série. 
No seriado Viagem ao fundo do mar, o episódio que mais me marcou foi aquele em que eles chegam em Washington e a cidade está devastada. Por alguma razão, nunca consegui assisti o restante, mas completei o roteiro em minha mente e o usei posteriormente, quando escrevi a fanfic O portal das probabilidades, baseado no universo da série alemã Perry Rhodan.
Eu, desde muito criança, sempre fui muito anti-americano. Não me pergunte porque, eu simplesmente não simpatizava com a terra de Tio Sam. No entanto, paradoxalmente, meu super-herói predileto sempre foi o Capitão América. Quando criança, eu nunca associei o herói com o país, apesar do nome e do uniforme baseado na bandeira norte-americana. Na verdade quando, já adolescente, alguém me disse que o Capitão representava os EUA, para mim foi uma surpresa. Para mim ele sempre foi um símbolo de superação (era um garoto frágil, incapaz de lutar na guerra, que se habilita a uma experiência científica e se torna um super-soldado) e da luta contra o autoritarismo. Anos depois conheci a tese de Gerard Jones, publicada no livro Homens do Amanhã, de que o Capitão na verdade é um mito judaico, do frágil judeu, perseguido pelo nazismo, que se torna forte e dá a volta por cima. O filme recente veio ao encontro da minha visão infantil: nele, o Capitão se volta contra seu próprio país ao perceber que o discurso de segurança nacional está levando a um novo tipo de fascismo. 

Assim, cada um de nós vai completando, resignificando, apropriando dos artefatos culturais que chegam até nós. Quando alguém manda algo para o mundo, seja um quadro, um filme, um seriado, uma história em quadrinhos, ela deixa de pertencer a ele e passa a pertencer a quem recebe esse conteúdo.

Não querem que você saiba: escola tratava crianças como animais

Você não soube disso, claro. Os grupos interessados fizeram de tudo para abafar a informação.
Uma creche particular de Curitiba, que recebia recursos da prefeitura (no estilo de privatização proposto por alguns grupos - os mesmo que estão fazendo de tudo para abafar o caso) tratava as crianças como animais - as crianças eram obrigadas a comer comida estraga jogada no chão. Economizavam com tudo para ter maiores lucros - até com papel higiênico, sabão e outros itens de higiene.
Para saber mais, clique aqui.

Efeito Lúcifer - Milgram - Obediência à Autoridade

São Francisco de Assis: o santo relutante


Francisco de Assis é um dos santos mais populares do catolicismo. Difícil uma cidade grande que não tenha uma igreja em sua homenagem. No Nordeste, por exemplo, ele batizou o principal rio da região e pintores de rua o reproduzem em telas, na frente dos turistas, da mesma forma que artesãos fazem versões em madeira ou barro para vender, sempre na posição famosa, com ele envolto por passarinhos. No entanto, apesar da popularidade, sua história real é pouco conhecida. Mesmo católicos mais fervorosos desconhecem sua biografia e, quando conhecem, ela está envolta em mitos.
Foi com o objetivo de remediar essa situação que Donald Spoto escreveu Francisco de Assis, o santo relutante, recentemente lançado em uma edição popular da coleção Ponto de Leitura. É uma grande chance de conhecer o lado humano de um homem cuja vida se mistura com lendas baseadas em “idéias românticas sobre a era dos castelos, cavaleiros andantes, damas medievais e honra cavalheiresca, elementos mais adequados às páginas dos manuscritos com iluminuras ou a filmes de Hollywood, mas que não correspondem à vida real”, escreve o autor.

Donald Spoto é PHD em teologia pela Universidade de Fordham e foi professor universitário de estudos religiosos, literatura bíblica e misticismo cristão. Escreveu 18 obras, entre elas as biografias de Alfred Hitchcock, Laurence Olivier e Ingrid Bergman.  
Ou seja, é alguém que transita entre dois pontos: o estudo da religiosidade e a tradição das biografias jornalísticas. Embora o livro penda mais para as modernas biografias, é a veia teológica do autor que cria os momentos mais díspares. Suas tentativas de explicar sob uma ótica católica fatos da vida de São Francisco são os momentos menos interessantes do livro e parecem não encaixar direito na proposta que o próprio autor faz desde as primeiras páginas da biografia.
Felizmente, esses momentos são exceção e na grande maioria das páginas, Spoto consegue aproximar Francisco daquilo que ele mesmo escreve na introdução do livro: o playboy de Assis que resolveu se tornar mendigo não é uma propriedade da Igreja Católica. Afinal, sua primeira grande biografia moderna foi escrita por um protestante Francês. Um dos mais importantes pesquisadores franciscanos foi um bispo anglicano. E, por último, o Dalai Lama, ao visitar Assis, fez questão de ser fotografado no lugar que Francisco mais amava.
Francisco, aliás, não era Francisco. Seu pai estava ausente, em viagem de negócios para a França quando o garoto nasceu e a mãe lhe deu o nome de João, em homenagem a São João Batista, o profeta que pregava no deserto vestido com pele de camelo e se alimentava de mel e gafanhotos. Quando chegou, o rico comerciante de tecidos Pedro Bernardone, ficou furioso. Não convinha que seu filho tivesse o nome de um ermitão pobre e, como não era possível anular o nome, o pai fez questão de que ele fosse conhecido como Francisco, palavra que significava francês e que conotava elegância, já que a França na época ditava moda para o mundo.
Esses dois extremos: a elegância dos ricos e a humildade dos pobres vão ser o pêndulo sobre o qual o jovem Franc isco irá se equilibrar por grande parte de sua vida.
A cidade em que o rapaz vivia era conhecida na Itália como Nova Babilônia, por ser um local de franca libertinagem, onde o sexo se misturava à violência. Garotos de famílias ricas vagavam pelas ruas criando desordem e Francisco foi um deles. A atividade sexual desregrada era regra para os meninos e a maioria das meninas não permanecia casta e monogâmica. O casamento era abençoado pela Igreja, mas o adultério era esperado pela sociedade. Com seus maridos viajando a negócios ou para as guerras, as esposas ficavam acessíveis a amigos e estranhos. A maioria o fazia de bom grado, mas as que se recusavam eram constantemente estupradas.

Embora não haja provas de que Francisco tenha vivido essa dissolução sexual, o autor explica que também não há provas de que ele tenha resistido a ela. Afinal, ele era um líder entre os playboys de Assis, sempre envolvido com ceias tardias nas praças da cidade e piqueniques que reuniam os elementos menos recomendados da cidade. Além de serenatas para moças casadoiras.
Seria importante para a vida de São Francisco o fato de que a Igreja Católica vivia uma crise moral. Muitos padres tinham amantes. Outros  só pensavam em dinheiro e poder.
Na festa de São Nicolau, que acontecia todo ano em Assis, uma criança era  vestida como bispo, levada para uma igreja e participava de uma cerimônia sacrílega. Padres lascivos e mulheres  seminuas se juntava à orgia. Algumas delas eram coroadas com guirlandas e vendidas por uma noite para quem pagasse mais. A cerimônia simbolizava bem o nível de decadência da imagem da igreja católica. E Francisco chegou a ser líder de algumas dessas festas.
Sua vida de alegria, mas vazia, mudou  num dia em que voltava de uma propriedade do pai e parou na pequena e decadente igreja de São Damião para descansar. Um crucifixo sobrevivera ao tempo e lá ainda estava Jesus, que falou com o futuro santo: “Francisco, não vês que minha casa está sendo destruída? Vai, então, e conserta-a para mim”.
O santo, que a partir dali tomaria tudo ao pé da letra (ao ler na Bíblia a passagem em que Jesus dizia que quem o seguisse deveria se livrar das sandálias, ele decidiu andar apenas descalço) se colocou a consertar a igreja. Mas logo ficaria claro que sua verdadeira função seria restaurar a igreja como um todo, não por palavras de reprovação (ele jamais repreendia os padres, por mais corruptos e lascivos que fossem), mas pelo exemplo.
Sua vida de dedicação total a Jesus e aos pobres e excluídos  (entre eles os leprosos) seria o modelo que faria muitos se converterem. Embora posteriormente o movimento franciscano lhe fosse tirado das mãos e muitas vezes se tornasse um meio para conseguir poder, sua herança positiva permanece até hoje.

Da mesma forma que na época de Francisco, hoje vivemos uma crise moral em que dinheiro e poder são mais os valores mais importantes da sociedade. E assim como naquela época , sua biografia pode apontar para um novo tipo de vida. O livrode Spoto é uma boa introdução ao assunto. 

Marketing: a hierarquia das necessidades

A teoria da hierarquia das necessidades de Abraham Maslow afirma que as pessoas tendem a adotar uma hierarquia de necessidades, só subindo na pirâmide depois que as necessidades mais básicas estão satisfeitas.
As primeiras necessidades são fisiológicas e se referem a ações essenciais para a existência do ser humano, como comer, dormir, beber. Comidas e bebidas são exemplos de produtos voltados para a satisfação dessa necessidade. Outros produtos menos óbvios também focam nos benefícios fisiológicos: facas, garfos e pratos, por exemplo, ajudam a pessoa a comer.
 Satisfeitas essas necessidades, o indivíduo passa para as necessidades seguintes, de segurança. Ela consiste em se sentir seguro, livre de perigos. Muros, alarmes e cerca elétrica são produtos que se encaixam nessa necessidade.
A necessidade de relacionamento surge quando a pessoa sente que está segura, que não corre riscos. É a necessidade de fazer parte de um grupo, de ser querido e aceito. Sites de relacionamento, times de futebol e até cerveja são produtos focados nesse benefício.
Se o relacionamento consiste em fazer parte de um grupo, o status consiste em estar acima dele, ser admirado e invejado. Um carro Ferrari e um relógio Rolex são exemplos de produtos que fazem a pessoa se destacar dos demais, já que não é todo mundo que pode ter esses produtos. Da mesma forma, coleções são focadas em públicos que buscam status. Ter uma obra de arte assinada por um grande mestre da pintura diferencia a pessoa do restante dos mortais.

A autorrealização é uma necessidade mais sutil e representa a necessidade da pessoa de se sentir bem consigo mesma, de se sentir realizada. Pode ser desde uma viagem ao redor do mundo a um curso universitário ou mesmo uma religião. 

terça-feira, outubro 03, 2017

A insólita Família Titã

A Insólita Família Titã é uma espécie de tragédia grega protagonizada por um trio de super-heróis que recebem seus poderes inesperadamente e logo precisam resolver uma questão de convívio entre si, envolvendo o eterno conflito amor x ódio, o que torna essa aparentemente despretensiosa historieta em uma saga exemplar sobre a convivência e as atitudes humanas.Pedidos: profivancarlo@gmail.com. Valor: 25 reais (frete incluso)

O que não querem que você saiba: deputado comandava rede de pedofilia

O deputado Nelson Nahim (PSD-RJ) era o chefão de uma rede de pedofilia que sequestrava crianças a partir de 8 anospara mantê-las como escravas sexuais. As crianças eram mantidas prisioneiras e viciadas em cocaína. Chegavam a fazer 30 programas por dia em programas com algumas das pessoas mais ricas do Rio. 
A rede foi desmantelada pela polícia, mas o deputado passou apenas 6 meses preso e atualmente ainda é deputado. 
Provavelmente você não ouviu falar sobre o caso. Óbvio: existem grupos interessados em abafar o caso por motivação política. Para evitar que casos como esse venham a conhecimento público, agendam outros tipos de discussões. 
Para ler a notícia completa, clique aqui

O sucesso da literatura erótica feminina

Projeto gráfico inovador ajudou no sucesso dos livros.
Dia desses entrei no site da Saraiva e me surpreendi: os livros mais vendidos são todos livros eróticos para mulheres, em especial a trilogia 50 tons de cinza e seus similares. O sucesso desses livros tem pegado todo mundo de surpresa, inclusive as próprias mulheres, afinal, durante muitos anos o erotismo esteve sempre voltado para os homens. Eram os homens que assistiam aos filmes eróticos, que liam quadrinhos eróticos. Na editora Grafipar, por exemplo, a revista erótica Rose, com fotos de homens nus, foi criada, no final dos anos 1970 para mulheres e depois se descobriu que era comprada por gays. 
Segundo este texto, as mulheres finalmente estão se permitindo fantasiar.  
Por que tanto sucesso?
Uma das razões é que começaram a publicar livros eróticos escritos por mulheres para mulheres, com narrativas que focam no romance contextualizando o sexo. Outra: livros em série, que permitem à mulher acompanhar os personagens como se fosse uma novela. E, finalmente, o projeto gráfico totalmente inovador. Muita gente tem perguntado como as mulheres têm tido coragem de andar com um livro erótico nas mãos. Simples: a capa desses livros não parecem eróticas. Não há pessoas nuas  e, em especial, não há mulheres nuas. Normalmente são super-closes de objetos com grande simbologia.
Um exemplo disso é o livro Falsa Submissão, lançado no Brasil na década de 1990 e que foi um fiasco. Hoje, com o sucesso de 50 tons, foi relançado e virou sucesso. Comparem as duas capas.
Capa da década de 1990: nitidamente erótica e voltada para o público masculino.

Capa atual: o tipo de livro que uma mulher levaria na bolsa.

Um outro fator é que as mulheres têm a tendência de indicar às amigas o que gostam. Ou seja: o sucesso desses livros é puro buzz marketing.
Abaixo a capa de alguns outros livros eróticos de sucesso. Reparem como o projeto gráfico privilegia o público feminino, sem imagens explícitas, mas com closes de objetos simbólicos que evocam tanto fantasias sexuais quanto romance.


Marketing e a demanda sazonal

Um problema enfrentado por muitos empresários é a sazonalidade da demanda. Ou seja, em determinados períodos há uma grande procura e, em outros, a procura praticamente zera. É o que acontece com cinemas (que são muito procurados nos finais de semana, mas ficam vazios durante a semana), com roupas de praia, ovos de chocolate, perus, viagens de avião, hotéis etc. Existem casos em que essa sazonalidade é fácil de resolver. Um fabricante de ovos de páscoa pode passar a fabricar outros tipos de chocolate, por exemplo. Mas e no caso de um cinema ou um hotel? Não existe a opção de mudar de ramo quando a demanda baixa. Nesse caso, as promoções ajudam bastante. A ideia de reduzir o preço do ingresso no cinema pela metade nas quartas-feiras foi uma solução de gênio, que fez da quarta-feira um dos dias mais concorridos (inclusive com clientes que normalmente não vão ao cinema). Com isso se consegue uma correção de demanda, deixando-a mais equilibrada.
O marketing de manutenção é a situação mais cômoda, no entanto, também a mais perigosa. É quando a demanda é igual à oferta. Ou seja, tudo que a empresa fabrica é comprado. É uma situação perigosa porque a empresa pode se acomodar e parar de inovar, de investir em novos produtos, ou pode esquecer a importância da divulgação. A Coca-Cola é um ótimo exemplo de empresa que tem sabido administrar sua liderança de mercado, evitando que a demanda se torne declinante. Ela faz isso investindo pesado em publicidade e promoção de vendas, além de investir muito nos pontos de venda.
Existem situações em que a demanda se torna maior do que a oferta, e essa situação não pode ser revertida em curto prazo. Foi o que aconteceu com a crise do petróleo na década de 1970. Havia muita gente querendo consumir gasolina e pouco combustível disponível. Uma das maiores distribuidoras de combustível do mundo, a Shell, foi obrigada a fazer uma campanha para convencer as pessoas a economizarem gasolina. Um desses anúncios apelava para o sentimento familiar: “Agora que você vai precisar economizar gasolina, pode aproveitar para resgatar velhos hábitos, como caminhar com seu filho.”
O marketing de eliminação ocorre quando a demanda é indesejada e existe o interesse de acabar com aquele comportamento. É o caso, por exemplo, das campanhas da indústria de DVDs contra a pirataria, tentando convencer as pessoas a pararem de comprar produtos não-oficiais. O marketing também é usado em campanhas governamentais para eliminar comportamentos como o de dirigir embriagado.    

O Super-homem


Na década de 1930 dois jovens judeus, Jerry Siegel e Joe Shuster andaram por quase todas as editoras e sindicates da época tentando vender um personagem que haviam criado. Todo mundo achava que o personagem era irreal demais e dificilmente venderia bem. O nome desse personagem era Super-homem, um dos maiores sucessos dos quadrinhos de todos os tempos.

O personagem havia surgido em um fanzine de ficção-científica editado por Siegel, o Science Fiction. Era um homem pobre, escolhido na fila para sopa e submetido a uma experiência científica que lhe dava poderes de ouvir o pensamento das pessoas e comandar seu comportamento. Graças a esses poderes, ele se transforma no governante despótico do mundo. Ou seja, inicialmente, o Super-homem era um vilão.

Com o surgimento das revistas em quadrinhos baratas (que no Brasil foram chamadas de gibis), Siegel percebeu ali um mercado e decidiu transformar seu personagem em um herói, aos moldes de Doc Savage, herói da literatura pulp.

O super-homem unia todos os elementos da cultura pop norte-americana: o valentão bonzinho batendo nos malfeitores (como nos pulp fiction), a malha colante dos fisiculturistas da época e a dupla identidade.

Conta a lenda que numa noite abafada de verão, Siegel não conseguia dormir e passou insone, pensando em seu personagem. De quando em quando ele se levantava, tomava água e fazia anotações. Quando amanheceu, ele já tinha o personagem estruturado, com sete semanas de história.

A história não é bem assim. Na verdade, o Super-homem foi sendo estruturado com o tempo, de acordo com as diversas recusas dos editores. Os dois quadrinistas chegaram até a fazer uma versão mais hard, para uma revista masculina.

Os sindicatos de distribuição, editoras e até estúdios (como o de Will Eisner, que posteriormente iria criar o ótimo Spirit) recusavam a tira com observações do tipo “Trabalho imaturo” ou “Prestem mais atenção ao desenho”.

Quando a National precisou de uma história pronta para colocar em uma nova revista que estavam lançando e que precisava estar nas bancas o quanto antes, Sheldon Mayer se lembrou do Super-homem que estava na pilha de materiais rejeitados. Não se sabe se foi uma antecipação do sucesso ou se era simplesmente a coisa que estava mais à mão, mas o fato é que a editora mandou uma carta com os originais para os dois rapazes dizendo que se eles conseguissem transformar aquelas tiras em uma história de 13 páginas o quanto antes, eles a comprariam.

Assim, Action Comics estreou no dia 1 de junho de 1938, tendo o Super-homem na capa, na sua pose clássica, segurando um carro acima dos ombros, para espanto de bandidos que fogem desesperados. Era um trabalho grosseiro, como se diversas histórias estivessem coladas sem muito nexo, mas mesmo assim provocou uma revolução no mercado. Não era só o heroísmo, mas também o humor. Em uma seqüência, o Super-homem corre por fio de alta tensão, levando um bandido consigo. “Não se preocupe. Os passarinhos ficam nos cabos telefônicos e não são eletrocutados – desde que não toquem num  poste telefônico! Opa! Quase bati naquele ali!”. Era algo novo: um herói fazendo piada. Isso conquistou os garotos.

A revista começou a vender horrores. Os donos da editora National mandaram algumas pessoas perguntarem nas bancas o que estava provocando o sucesso do gibi e o que ouviram foi: “As crianças querem mais desse herói”.

Conforme aumentava a popularidade do herói, aumentavam também seus poderes. No começo, ele apenas dava saltos enormes, mas logo estava voando. No começo ele era imune a balas (famosa a cena em que bandido atiram e as balas ricocheteiam em seu peito), mas logo ele já era capaz de agüentar até uma bala de canhão. Em uma história o herói foi obrigado a entrar telhado a dentro porque suspeitava que numa casa se escondia um bandido. Para evitar que novos telhados fossem danificados, foi inventada a visão de raio x.

Se por um lado ele era o herói mais poderoso da Terra, por outro lado, em sua identidade secreta, ele era Clark Kent, um repórter bobalhão que era sempre passado para trás pela colega Lois Lane. A diferença entre eles era de apenas um óculos, mas mesmo assim Kent conseguia enganar a todos. Alguns roteiristas acreditaram que o alter-ego de Super-homem fosse mesmo um bobalhão, mas trabalhos mais recentes, como de Grant Morrison em All Star Superman mostram que na verdade, ele apenas se faz passar por bobalhão.

Essa falsa dualidade Super-homem x Clark Kent permite um processo de identificação e projeção. O leitor se identifica com Clark Kent, mas se projeta no super-herói e suas realizações.

Com o tempo foram adicionados novos elementos à mitologia do personagem. Surgiu a kriptonita para contrabalancear os poderes cada vez maiores do personagem. A kriptonita verde pode até matar o herói. Já a vermelha tem efeitos imprevisíveis, podendo transformar o herói até mesmo em um monstro. Foi criada uma fortaleza da solidão, no pólo Ártico, um local em que o personagem guarda recordações de seu mundo e de suas aventuras.


Com o tempo, ficou claro também que um personagem tão poderoso não poderia combater reles marginais e surgiram os super-vilões, como Lex Luthor, Bizarro e Brainiac.

segunda-feira, outubro 02, 2017

A arte impressionante de Kim Jung Gi

Kim Jung Gi é um dos mais expressivos nomes da geração desenhistas coreanos que fizeram do desenho um espetáculo. Em apresentações ao vivo ele faz rapidamente enormes painéis super-detalhados, com desenhos geralmente em perspectiva. Confira um pouco do trabalho desse mestre.












Por que o formatinho era bom?


Hoje em dia é praticamente um consenso entre os fãs de quadrinhos o ódio ao chamado formatinho. É quase impossível encontrar quem os defenda.
Eu sou um desses poucos moicanos.
Para começar, por uma questão econômica. Quem acha que hoje as coisas estão ruins não viveu os anos 1980. Naquela época, lançar quadrinhos em formatos maiores, em edições mais luxuosas, era impensável por uma razão muito simples: o povo simplesmente não tinha dinheiro para comprar. Além disso, havia uma quantidade enorme de crianças e jovens lendo quadrinhos - que só podiam consumir se as revistas fossem baratas.
Associada à essa questão financeira, havia outra. Como as revistas eram mix (geralmente juntando quatro ou cinco revistas americanas), se uma história não fosse boa, o leitor já estava no lucro. Se, por exemplo, a revista custava 5 reais, tinha 5 histórias, e uma não fosse boa, quatro reais ali tinham sido muito bem investidos.
Hoje em dia as revistas são caras e têm menos histórias. Uma revista de 10 reais com duas histórias, se uma das histórias não for boa, já é um bom prejuízo.
Outra questão é a economia de espaço. Formatinhos ocupam, na estante, metade do espaço de uma revista em formato americano. Para quem tem que ficar achando local onde colocar suas revistas, o formatinho vem bem a calhar.
E, finalmente, os formatinhos não eliminavam formatos diferenciados.
No final dos anos 1980 surgiram as graphic novels e minisséries. Tamanho maior, papel couchê, preço mais alto, mas principalmente uma qualidade de roteiro e desenhos superior. Histórias normais saíam em formatinho, papel jornal. Histórias melhores saíam em formato graphic novel. Então você podia comprar o formatinho, por um preço baixo, e guardar dinheiro para comprar uma graphic novel por mês.
Hoje em dia, tudo é tratado como se fosse graphic novel. Qualquer história mequetrefe tem tratamento gráfico e preço de graphic novel.

Pacto sinistro

Pacto Sinistro é filme noir tardio de Alfred Hitchock com roteiro de Raymond Chandler, o mestre da literatura noir. Na história, um tenista, Guy Haines , conhece num trem um rapaz, Bruno Anthony, que lhe fala de sua teoria a respeito dos crimes trocados. Bruno gostaria de matar o pai e supõe que Haines gostar que sua esposa fosse morta, já que ela lhe traiu e se recusa a dar o divórcio. Para Bruno, se um cometesse o crime do outro, jamais seriam descobertos. Haines toma a proposta como uma piada, e se espanta ao descobrir que a esposa foi morta. Começa um jogo de gato e rato de Bruno tentando convencer o tenista a matar seu pai. Ao mesmo tempo, Haines tenta impedir que o Bruno o incrimine pela morte da esposa. 
O filme é um ótimo exemplo do que Hitchock faz melhor: suspense, em especial com o uso genial das narrativas paralelas. A corda fica tensa durante toda a última metade do filme, com a história saltando de Haines para Bruno a cada minuto. Até mesmo quando os dois se encontram, o diretor consegue criar uma terceira linha narrativa, aumentando ainda mais o suspense.
Além do uso criativo das narrativas paralelas como elemento de suspense, o filme também se destaca pela ótima direção de atores. Um único olhar do personagem é capaz de transmitir todo o significado de uma cena.

Como escrever quadrinhos


O livro Como escrever quadrinhos ensina os fundamentos básicos do roteiro a partir da experiência do premiado roteirista Gian Danton. Valor: 25 reais (frete incluso). Pedidos: profivancarlo@gmail.com.

Mestres do terror 67

Está disponível já para envio a Mestres do Terror 67. Essa nova edição traz a estreia de três personagens em HQs.

Roteirizados por Lillo Parra, Anya, a filha caçula da família Drácula, desenhada por Laudo Ferreira inicia sua sangrenta carreira; e desenhado por Will Sideralman, A Coisa do Tietê, mostra o destino de um marginal transformado nas águas do poluído rio.

Greifo traz a nova versão de um homem amaldiçoado com a licantropia em O Amuleto. 

Raul Galli nos presenteia com mais uma HQ de seu Monstro de Frankenstein, que desta vez encontra um outro monstro famoso da literatura.

Uma HQ clássica de Rodolfo Zala.

Nas seções, Vampirelle, a vampira que ataca em Curitiba desde Maio cede uma entrevista exclusiva a revista. Mala dos Mestres, Capa Clássica, comentário de outras edições, a escritora Celly Borges estreia sua coluna com resenha de livros fantásticos, e a tradicional coluna de bastidores do relançamento das revistas da D-Arte.

Os últimos governos disseram e o editor acreditou, inflação não existe no Brasil, então o preço de capa está mantido em R$15,00 em 52 páginas de diversão.

O e-mail para pedidos é: revistacalafrio@gmail.com

A leitura te transforma




Tarefas de marketing


            Philiph Kotler, no seu famoso livro Administração de Marketing, diz que a atividade de marketing consiste em regular o nível, o tempo e o caráter da demanda, de modo a ajudar a empresa a atingir seus objetivos. Para isso, ele estabeleceu as tarefas de marketing. As tarefas de marketing dizem o que o marketing pode fazer.
            O marketing de conversão surge quando a demanda é negativa. Isso significa que a imagem do produto ou serviço é tão ruim que existem pessoas dispostas a pagar para não consumi-lo. Isso pode acontecer por um problema do produto ou por um evento negativo. A companhia de aviação TAM enfrentou esse problema após o desastre com um de seus aviões, no aeroporto de Cumbica, em 2007. A quantidade de pessoas que adquiriu medo de viajar de avião, especialmente com essa empresa, foi enorme. Entretanto, a TAM fez um excelente marketing de conversão, lançando uma campanha em que funcionários, inclusive responsáveis pela segurança de voos, assinavam embaixo. Até mesmo aviões foram pintados com a assinatura dos funcionários que garantiam a qualidade do produto. Com isso, a imagem da empresa mudou radicalmente.
O marketing de estímulo é necessário quando a demanda é zero. Ou seja, existe uma grande quantidade de produto para ser vendido, mas não há pessoas interessadas ou esse número é muito pequeno. Normalmente essa condição ocorre por desconhecimento a respeito dos benefícios do produto. Quando o Omo entrou no Brasil, a demanda por sabão em pó era zero. Afinal, as donas de casa brasileiras gostavam apenas de usar sabão em barra. A solução nesses casos costuma ser uma boa divulgação aliada a estratégias de amostra. Assim, o Omo não só investiu muito em publicidade como foram contratados demonstradores, que batiam de casa em casa, oferecendo pequenas quantidades do produto para que a dona de casa percebesse seus benefícios.
Sempre que um produto inovador é lançado, sua demanda precisa ser estimulada. Alguém sabia cozinhar usando um micro-ondas na década de 1970? Hoje em dia, entretanto, seu uso é corriqueiro. Para isso acontecer, muitos cursos de culinária com micro-ondas precisaram acontecer e muitas revistas de receitas utilizando o produto foram distribuídas.
O marketing de desenvolvimento é usado quando existe uma demanda, mas não existe o produto. Foi o que fez Ford ao criar o automóvel: muitas pessoas queriam ter um carro, porém não podiam pagar pelos caríssimos e inseguros carros artesanais. Curiosamente, o mais difícil nessa situação é perceber que existe uma demanda latente. Essa descoberta pode ser feita por meio de uma pesquisa de mercado ou até mesmo de uma simples conversa. O empreendedor que conversa com as pessoas e descobre que muitos gostariam de comprar alimentos saudáveis e resolve montar uma loja especializada está praticando o marketing de desenvolvimento.
O marketing de revitalização é usado quando a demanda está declinante. Ou seja, é um produto que já vendeu muito, mas perdeu mercado. Geralmente essa situação exige uma mudança geral no marketing mix. Um ótimo exemplo foi o feito com as sandálias Havaianas. Essas sandálias de borracha sempre foram campeãs de vendas, mas na década de 1990 eram vistas como um produto de pobres e velhos. O garoto-propaganda, Chico Anísio, ajudava a afastar os jovens. A mudança envolveu quase todo o mix: as propagandas passaram a contar com as mais jovens estrelas globais; o produto foi repensado, com o lançamento de novos modelos e novas cores. Além disso, as sandálias foram valorizadas no ponto de venda, com displays coloridos e bonitos. Até mesmo o aumento de preço contribuiu para a valorização do produto. Hoje as Havaianas são um sucesso absoluto de mercado, sendo vendidas até em lojas finas dos EUA e da Europa.  

Narcos, terceira temporada

Narcos chegou à terceira temporada com um desafio monstruoso: sobreviver à morte de Pablo Escobar. A interpretação de Wagner Moura foi tão marcante que parecia que ele estava carregando a série nas costas. Como continuar a série sem ele? Em especial porque os traficantes do Cartel de Cali não pareciam tão interessantes ou dúbios, exceto por Pacho Herrera, magistralmente interpretado por Alberto Ammann (a homossexualidade do personagem faz um contraponto à selvageria do personagem). 
A série, no entanto, conseguiu desenvolver a trama e os personagens de maneira competente. E introduziu um novo personagem: Jorge Salcedo (Matias Varela). Chefe da segurança do Cartel de Cali, ele vive a dubiedade de não se considerar alguém mal e jamais ter matado alguém, mas trabalhar para um cartel de drogas. As melhores cenas de toda a temporada sem dúvida são com esse personagem.
Embora a direção seja segura, o roteiro (de Chris Brancato, criador da ´serie) foi fundamental para que esta temporada desse certo. Trabalhando o tempo todo com narrativas paralelas, a trama deixa o expectador sempre no fio da navalha, em especial nos capítulos finais.
Narcos é uma das melhores séries da atualidade e mostra a que nível chegou a influência do tráfico de drogas: até mesmo governos que dizem combater as drogas, na verdade estão ligados a ele. Em países da América Latina, senadores, ministros e até presidentes parecem comer nas mãos dos carteis de drogas.

Sobre ensino religioso nas escolas

Bill Nye: "Se você é um adulto e decide não crer na ciência, tudo bem, mas por favor, não impeça as crianças de aprenderem sobre ela e deixem que elas tirem suas próprias conclusões". 

domingo, outubro 01, 2017

Superman – entre a foice e o martelo

Um dos princípios básicos da teoria do caos é a dependência sensível das condições iniciais – a percepção de que pequenas mudanças no início do processo pode provocar grandes mudanças a longo prazo. O roteirista Mark Millar parece usar esse princípio na sua aclamada série Superman – entre a foice e o martelo.
Na história, o bebê kriptoniano cai em uma fazenda russa, sendo criado em plena União Soviética stalinista. Essa pequena mudança geográfica (à certa altura um personagem se pergunta: já imaginaram se ele tivesse caído 12 hora antes?) provoca uma mudança global absoluta. Com uma figura indestrutível, capaz de se mover à velocidade do pensamento e super-poderosa, a URSS ganha a guerra fria. Quando, após a morte de Stalin, o Super-homem é alçado ao poder, o império soviético se estende pelo mundo.
Millar reimagina o universo DC: Lex Luthor, o arqui-inimigo do Homem de aço, torna-se a maior arma norte-americana contra o avanço do estado comunista. A Mulher Maravilha alia-se ao Super-homem e Batman, após ver seus pais sendo mortos por homens da KGB, torna-se um terrorista anti-sistema.
O roteirista consegue equilibrar esses elementos de forma segura e verossimilhante. Em nenhum momento a história parece forçada – tudo parece ser consequência óbvia do que veio antes – até mesmo o final duplamente surpreendente. Trata-se de uma verdadeira epopeia quadrinística que em nenhum momento resvala para o preto e branco. Ao contrário, explora muito bens os tons de cinza de personagens que acham, cada um a seu modo, que estão fazendo o melhor para o mundo.

Uma única palavra para descrever Superman – entre a foice e o martelo: obrigatório. 

O composto de marketing

                        
Uma coisa importante sobre o marketing é diferenciá-lo das vendas e, principalmente, da propaganda.
Para isso, é importante conhecer o composto de marketing, também chamado de marketing mix ou 4 p.
            Pesquisando o histórico de diversas empresas, os estudiosos de marketing descobriram que algumas se saíam melhor que outras. A razão do sucesso estava em quatro elementos que ele chamou de marketing mix ou composto de marketing.
            Para facilitar a compreensão, esses elementos foram resumidos em quatro Ps: Produto, Ponto de Venda, Preço e Promoção.
            Produto, ou serviço, é o elemento básico do marketing, aquilo que se vende ao cliente. A definição básica é de que produto é tudo aquilo que satisfaz uma necessidade do cliente e que, portanto, pode ser usado num processo de troca.
            Ponto de venda é o local em que esse produto é vendido e pode ser desde uma mercearia a uma sofisticada loja de departamentos, passando por um site como o Submarino ou uma consultora da Avon, que faz da casa do cliente seu ponto de venda.
Durante muitos anos convencionou-se atribuir ao ponto de venda (ou praça) um caráter físico. Alguns teóricos de marketing conceituavam o ponto de venda como o “local onde os produtos são comercializados” já que naquela época não havia nenhuma indicação que algum dia as pessoas poderiam fazer compras sem precisar ir a algum estabelecimento.
            O preço é o valor que o cliente está disposto a pagar. Não é um item puramente matemático. Ao contrário. O preço influencia diretamente na imagem que o consumidor tem do produto. Um preço alto valoriza o produto, enquanto que um preço baixo o torna popular, de forma que as decisões de preço devem seguir uma estratégia de marketing.
            O quarto P, promoção, é dividido em mais elementos, chamados de composto promocional: promoção de vendas, vendas, publicidade e propaganda, merchandising e relações públicas.
            Assim, é possível dizer que a propaganda e as vendas fazem parte do marketing, mas o marketing não se resume somente a elas. Na verdade, o marketing diz respeito a vários fatores que vão da pintura da parede da empresa à qualidade do produto apresentado, passando pela cor do batom da vendedora.