segunda-feira, outubro 30, 2017

Desespero

Acabei de ler Desespero, de Stephen King. Não é o melhor do mestre, mas King, mesmo que quando é ruim, é muito melhor que a maioria dos escritores comerciais.
A trajetória desse autor é interessante: na década de 1970 ele escreveu alguns romances bons, como O IluminadoZona Morta e Carrie. Essa fase terror teve seu auge no livro Cemitério, que provavelmente é o livro mais apavorante já escrito. Mas o auge mesmo foi no início dos anos 1990, com o livro Corredor da Morte, hoje chamado de À espera de um milagre por causa do filme, um belo livro cujos elementos fantásticos só servem para destacar a humanidade dos personagens.
Dali em diante, ele parece estar pendendo mais e mais para a fantasia e perdeu muito do charme que tinha antes. Seu enredos se tornaram fantasiosos demais, no meu entender. O que poderia ser uma história de violência doméstica com toques de terror, em Insônia, vira uma batalha campal entre o bem e o mau.
Desespero segue essa linha mais fantasiosa, em que o fantástico toma mais espaço que a caracterização dos personagens (o que dificulta ao leitor criar empatia com os mesmos). Mas ainda assim é um livro gostoso de ler. Impossível de parar de ler parece ser um adjetivo que foi grudado na testa de King e esse livro não foge à regra.
Desespero é uma pequena cidade mineira nos EUA. Quando um casal passa por um placa onde há um gato morto pregado, esse é apenas o prenúncio que virá. Eles são em seguida parados por um policial imenso, que mata o homem e prende a mulher. Para quem começa a ler, parece apenas uma história de psicopata, mas depois se percebe que há muito mais coisas em jogo, com entidades ancestrais e malignas envolvidas. A narrativa vai retornando no tempo e contando a história de todas as outras pessoas que estão presas com Mary. Entres eles a família Carver, cujo garoto David é o personagem mais consistente de todo o livro, embora seja também o mais fantástico. David encontrou Deus ao rezar para um colega que sofreu um acidente, e esse encontro vai ser fundamental na trama.

Desespero não é só um livro de terror, é também uma obra sobre crença e descrença, sobre como as pessoas deixaram de acreditar em algo maior e o vazio que isso deixou em suas vidas.

Mesmo quando escreve algo puramente comercial, King ainda tem algo a dizer.

Clássicos revisitados – Monstros noir


O segundo volume da coleção Clássicos Revisitados uniu dois assuntos diversos: monstros e policial noir. Para quem não conhece, o noir é um gênero policial surgido nos EUA que se diferenciava do tipo dedutivo (característico da Inglaterra) ao apresentar detetives durões, narrativa sarcástica, violência, femmes fatales etc. Eu escrevi a história “Frankstein Noir”, desenhada pelo amigo JJ Marreiro.
O roteiro já era repleto de referências, desde aos romances noir à literatura de H.P.Lovecraft.
Mas o desenhista acrescentou muito mais, a começar pela página de abertura, que emula a capa de um pulp fiction da década de 1930, com chamadas de capa e até preço. Marreiro também recheou a história de easter eggs (novamente, para quem não conhece o termo easter egg significa ovo de páscoa e é a brincadeira de esconder numa histórias referências visuais para serem encontradas pelo leitor da mesma forma que crianças encontram ovos na brincadeira de páscoa), principalmente na sequência da danceteria, na qual aparecem diversos personagens de quadrinhos, cinema e até artistas. 
Confira abaixo alguns previews e easter eggs espalhados pela história: 







Vereadores do ES querem banir livros de bibliotecas

Vereador Cézar Ronchi propôs a lei para proibir livros nas bibliotecas. 
Os vereadores Cézar Ronchi (PSDB) e Diony Stein (PMDB), da cidade Marechal Floriano, no Espírito Santo, fizeram um projeto de lei que proíbe livros que façam menção a sexo, drogas, violência, incesto, zoofilia, pedofilia e racismo da bibliotecas públicas ou comunitárias do município. 
A justificativa é proteger as crianças, mas a regra se estenderia a todos livros, mesmo aqueles escritos para adultos. 
A lista de obras que serão banidas caso a lei seja aprovada é imensa, vai de Monteiro Lobato a Charles Dickens, passando por Mário de Andrade, José Lins do Rego,Gilberto Freire, Will Eisner e Robert Crumb. Toda a literatura policial seria proibida. 

domingo, outubro 29, 2017

Marketing: ponto de venda virtual


Comumente chamados de e-commerce ou e-business, os PDVs virtuais atuam em três áreas básicas: serviços oferecidos aos clientes, o comércio e a colaboração empresarial (ponto este relacionado aos sistemas de interface entre os departamentos de uma organização).
Ao contrário dos PDVs convencionais, as lojas virtuais não precisam necessariamente ser chamativas, mas sim apresentáveis, funcionais e que alcancem a satisfação dos desejos de cada um dos seus clientes, ou seja, prezar pelo serviço prestado. Isso acaba acarretando ações fortes e bem estruturadas, pois inúmeros são os concorrentes que estão a todo momento aparecendo e oferecendo novos produtos, serviços e inovações. Dessa forma, os sites devem buscar sempre um “algo a mais” aos serviços tradicionais, seja no campo físico, seja no virtual.
Um grande exemplo é a loja virtual Submarino. Além das diversas promoções disponíveis no site, ainda é oferecido aos clientes – aqueles que têm cadastro na loja – descontos por ocasião, válidas somente por email. Esse tipo de serviço chama a atenção e reaquece a saída de determinado produto. Outro exemplo é o cartão Submarino. A loja já conquistou tamanha credibilidade perante seus consumidores que agora é capaz de disponibilizar, em parceria com a Visa e a Mastercard, um cartão próprio, válido não só na loja virtual, mas também em qualquer outro estabelecimento. O cartão Submarino, no caso, também serve como meio de fidelizar o cliente, pois dá descontos especiais quando usado na loja.
Para o e-commerce, também é interessante tomar cuidado para evitar alguns errinhos básicos. Primeiro: nunca colocar um nome complicado demais de digitar. Por exemplo, o jornal Folha de S. Paulo – um prestador de serviço –, tem como URL (nome dado ao endereço eletrônico) simplesmente o primeiro nome do jornal: folha.com.br. Outro bom exemplo de maneira correta de usar a URL é das Americanas. Todo mundo conhece a marca como Lojas Americanas, mas na hora de decidir pela URL foi colocado apenas americanas.com – no final facilita e fica charmoso.
Por outro lado, devem-se evitar nomes que levem cedilha (ç), separação com traço (-) e palavras com til (~) – pois esses elementos não podem ser usados. Também deve-se evitar misturar palavras de idiomas diferentes, além de nomes muito compridos. Um exemplo para não seguir é o da URL otimizacao-de-websites.com.

Outra dica com relação ao e-commerce é manter uma atualização constante. O usuário de internet procura fundamentalmente quatro coisas em um site: entretenimento, informação, interatividade e dinâmica. Se o PDV virtual preencher esses quatro requisitos, a chance de sucesso é muito grande. Um exemplo disso são os hotsites feitos para promover determinado produto. Muitas vezes são desenvolvidos jogos interativos em que o jogador/consumidor acumula pontos que podem ser trocados por descontos na hora de adquirir determinado produto. Esse tipo de ação aumenta a relação do consumidor com o produto/PDV.

Terror Magazine


Terror Magazine foi uma revista publicada pela editora Escala no final da década de 1990. A revista reunia contos, notícias, matérias especiais e quadrinhos. Eu colaborei com o primeiro número com a história “Monstros debaixo da cama”, com arte de Wilson Jr e cores de Alessandro Librandi. Na época estávamos vivendo o auge da fase Image nos quadrinhos e o desenho seguia essa linha, assim como as cores digitais e exagero de seus recursos (como se percebe no título da história). A HQ conta a história de um garoto capaz de gerar monstros. Mas seu poder sai do controle e se volta contra ele. 

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Sebos

Sobre sebos, confesso que sou viciado neles. Como venho de uma família com pouco dinheiro, que pouco valor dava aos livros, só comecei a ler regularmente depois que descobri a biblioteca pública e os sebos com seus preços convidativos.

O primeiro sebo que descobri não era propriamente um sebo. Era um cambista do jogo do bicho, que vendia revistas usadas, no entroncamento, em Belém. Com ele comprei uma grande quantidade de revistas em quadrinhos Heróis da TV, que eu revendia a um colega de turma, colecionador, ganhando o suficiente para comprar minhas próprias revistas.

Algum tempo depois mudamos para a Cidade Nova, também em Belém e lá descobri um sebo que merecia o nome (inclusive em termos de sujeira), mas que tinha os melhores preços que já vi num estabelecimento do tipo. Nessa época percebi que tinha uma espécie de faro para descobrir sebos. Geralmente eles ficam perto de feiras ou de rodoviárias. Isso os sebos populares, pois os sebos mais “chiques” costumam ficar em casas antigas de bairros do centro.

Ao mudar para Curitiba tive contato com um novo tipo de sebo que não conhecia: o sebo organizado. Havia alguns que até tinham o catálogo em computador. Foi lá que vi uma cena que me pareceu surrealista: uma mulher chegar com uma lista de livros perguntando quais tinha. Pode ser prático, mas não tem o mesmo charme de procurar item a item nas prateleiras. O interessante nos sebos é a incrível capacidade deles nos surpreenderem. As livrarias são um espaço de ordem, de determinação. Uma ou duas visitas a uma livraria são o suficiente para entende-la, para saber o que ela tem. Um sebo não. Em um sebo bom, como o são os de Curitiba, é possível ir todos os dias durante todo um mês e, a cada dia, descobrir uma novidade, uma obra-prima escondida. Sem falar que os bons sebos costumam ter alta rotação. Sempre está chegando novidades.

Ir aos sebos para mim é tão relaxante que passei a considerar uma terapia, capaz de curar depressão, tristeza ou qualquer outro mal do espírito. Sempre que eu não estava bem, visitava um sebo e saía de lá feliz. Como é meio complicado visitar diariamente um sebo sem comprar nada, eu costumava comprar a cada dia uma ou duas obras. Havia uma ótima coleção sobre história do Brasil, com mais de 100 exemplares. Comprei um a um. Hoje sei que essa não é exatamente uma ótima estratégia, pois comprando muito é quase certo que haja desconto. Mas para mim, só o fato de estar ali, cercado de livros, já era para mim um prazer.

Jorge Luís Borges dizia que sempre imaginou que o paraíso fosse uma espécie de biblioteca. Para mim, o paraíso deve ser como um sebo. A biblioteca, embora seja cheia de livros, é um espaço de ordem e determinação. Os sebos, ao contrário, são informação em estado puro, pura indeterminação.

Quando mudei para Macapá, o que eu mais sentia falta era de um sebo. Vivia falando em ir embora. Só me aquietei quando começaram a surgir os primeiros sebos. Na feira do Buritizal surgiu um rapaz vendendo os mais variados tipos de revistas, incluindo vários exemplares antigos da revista Heróis da TV, justamente as que eu comprava para revender ao meu colega de escola, quando morava em Belém. Esse não durou muito, mas logo depois surgiu o sebo do Ramos, na rua Tiradentes. No começo era um espaço mínimo, com poucos livros, nenhum quadrinho, e muitas revistas Veja antigas. Cheguei a comprar algumas Veja, só para incentivar. 
O  Ramos nunca foi a um sebo e não sabia direito como o negócio funcionava. Um dia, quando ele já tinha mais variedade, alguém chegou para ele e disse que as revistas em quadrinhos podiam se tornar raridades e valor milhões. O que ele fez? Pegou os gibis que tinha em estoque e aumentou o valor para 10 vezes o de banca. Assim, uma revista do Batman, da abril, em formatinho, que na banca custava R$ 2,50, ele passou a vender a R$ 25,00. Claro, não apareceu nenhum colecionador interessado em comprar uma revista que ainda podia ser achada nas bancas, danificadas pelo selo com o preço, por um preço tão alto.

sábado, outubro 28, 2017

A voz do fogo

Quem lia quadrinhos na década de 80 espantava-se com a capacidade narrativa do mestre inglês Alan Moore. E surgia sempre a dúvida: ele se sairia tão bem na literatura, sem o auxílio dos desenhos? A voz do fogo, seu livro recentemente lançado no Brasil pela Conrad Editora, prova que quem é bom, é bom em qualquer mídia.
A obra traça a trajetória de Northampton, a cidade natal de Moore, por meio de seus habitantes. A trama tem início quatro mil anos antes de cristo e prossegue até 1995. São vários contos interligados que nos dão um panorama geral da localidade e de sua evolução, mesclando magia, reencarnação e sacrifícios.
O primeiro conto, O porco do bruxo, é provavelmente o mais interessante e também o de leitura mais difícil. Gira em torno do drama de um garoto na Era Neolítica, abandonado pela tribo quando sua mãe morreu. Imagine, então, o desafio de redigir uma aventura em primeira pessoa cujo narrador ainda não domina a linguagem falada. Para tanto, Moore cria uma linguagem estranha, sem tempos verbais e com pouquíssimos pronomes. O resultado é fantástico, mas árduo.
Sinta só este exemplo: Agora olha eu para baixo, para a grama em fundo da colina, vê porcos. Porcos grandes, compridos, um atrás de outro, traçando a fêmea, pelo que parece. Ver faz um osso subir dentro de eu vontade. Eu e barriga de eu, junto, posso descer colina correndo até porcos, acertar pedra em um e fazer ele sem vida, para comer ele todo. Antes é eu juntando isso. Agora é fazendo isso.
O episódio que vem a seguir é igualmente interessante. Os campos de cremação é uma trama policial e de suspense ambientada no ano 2.500 antes de Cristo. Em viagem para conhecer seu pai, um bruxo de uma rica aldeia, uma jovem depara-se com uma esperta andarilha, que já havia feito de tudo, inclusive vender uma criança perdida da mãe como escrava. Ingenuamente, a menina conta-lhe detalhes da fortuna do seu genitor. A mau-caráter, então, mata a incauta e apresenta-se na aldeia, fazendo-se passar por ela. A grande questão é saber se a impostora será descoberta ou não. A todo instante, Alan Moore mantém-nos no fio da navalha, jogando com os nervos da personagem e os nossos.
Neste mesmo episódio, dá-se algo que define bem a atuação do autor. O velho bruxo tatua, no corpo, o mapa de Northampton e assim influencia a cidade, que, por sua vez, exerce influência sobre ele. O mesmo ocorre com Moore. Suas palavras são uma espécie de magia simbólica que molda e se deixa moldar pela cidade. Compreender como isso transcorre e descobrir as coincidências entre as diversas tramas é mais um dos atrativos do livro. Muitas vezes, a conclusão de uma narrativa dá-se apenas em outra. Além disso, há personagens fixas, como arquétipos, que surgem aqui e acolá, permeando os textos. 
Entalhando as palavras, Moore garante que, se o conteúdo mágico e holístico do livro não for suficiente para atrair o leitor, a poderosa narrativa cuidará de prender sua atenção até o último parágrafo. São, portanto, mais de trezentas páginas, mas que muito facilmente serão lidas num fôlego só.

Marketing: seleção do local


Assim como as variáveis anteriores, deve-se ter em mente alguns princípios básicos. Esses seriam, por exemplo, os vizinhos, tanto comerciais como residenciais. Instalar uma danceteria em área residencial pode ser uma furada.
O trânsito de pedestres, tantas vezes já mencionado, deve ser observado, pois o baixo movimento de pedestres indica que o PDV será pouco frequentado ou mesmo pouco visto. Há exceções, como quando já se tem uma clientela fixa e fiel, independente de transeuntes. Mas, ainda assim, a renovação desses clientes estará comprometida. Melhor investir em um local com alta rotatividade de pessoas.
Além da localização, a estrutura do PDV é extremamente importante. Vale a máxima: “a primeira impressão é a que fica.” As pessoas, no geral, são muito visuais. Se algo não as agradar à primeira vista, irão descartar o ponto. Um bom exemplo disso são as mercearias de bairro. Aquelas que tiverem uma melhor apresentação, mantendo-se sempre limpas, sem odores ofensivos, atrairão clientes que valorizam esses aspectos, os quais, na maioria das vezes, possuem maior poder aquisitivo. E o inverso também vale. Se a mercearia for feia, com paredes emboloradas, cheirando a cachaça, o público corresponderá ao ambiente.
Em se tratando da visibilidade da loja, ela não adianta estar, teoricamente, em um bom ponto de venda, se seus concorrentes (mesmo os potenciais) tiverem maior visibilidade e exposição. Estudar a melhor maneira de chamar atenção sem cair no esdrúxulo é o ideal. Mas cuidado: a poluição visual pode ser um desastre. Ao invés de atrair pode espantar os consumidores. Fazer placas excessivamente chamativas podem dar um ar “brega” para o estabelecimento, funcionando da mesma forma que a sujeira no interior.

O estacionamento é outro aspecto importantíssimo, principalmente em locais com trânsito intenso. Mesmo quando se têm vagas disponíveis nas ruas, é interessante manter um estacionamento próprio, visto que, além de facilitar a vida do cliente, agrega valor ao estabelecimento. Caso não haja espaço para criação de um estacionamento próximo, a saída é manter um convênio com um particular na proximidade. Isso demonstra preocupação da loja em minimizar o trabalho e os gastos dos clientes.

Entrevista com Carla Camuratti - 1995


Procurando material para usar como exemplo com meus alunos de Redação Jornalística, encontro essa entrevista-perfil sobre a Carla Camuraiti que escrevi para o jornal Folha de Londrina em 1995 (na época em que a Folha de Londrina era o melhor jornal do Paraná). Entrevista jornalística não é só perguntas e respostas.

A arte única de Alex Toth


Alex Toth é um desenhista norte-americano mais conhecido pelos seus desenhos de produção para a Hanna Barbera, para animações como Superamigos, Jonny Quest e Herculóides. Mas Toth também tem uma produção memorável nos quadrinhos, com o destaque para o Zorro que ilustrou para Disney. Seu desenho aparentemente simples, mas extremamente funcional e bonito influenciou diversos artistas. 








Vestígios - revista portuguesa de quadrinhos


Vestígios é uma revista alternativa portuguesa editada por Don Lay (proveniente da Guiné-Bissau). Eu participei com duas histórias: “Como ser enganado por um psicopata”, com arte de Antonio Eder, e Arlequim, com arte de Don Lay. “Como ser enganado por um psicopata” explica o que é um psicopatia a partir da minha experiência com o assunto, que fez com que eu me interessasse pelo tema. Arlequim se passava na época do regime militar no Brasil. A história foi adaptada por Don Lay, em especial por causa da linguagem, que era estranha para o público português. 


Feira literária de Santana


Eu vou estar lá autografando meus livros. Aguardo vocês lá.

sexta-feira, outubro 27, 2017

Superdeuses, de Grant Morrison

Grant Morrison é um dos mais importantes roteiristas de quadrinhos da atualidade. Foi um dos primeiros a experimentar a metalinguagem nos super-heróis, com o Homem-animal. Sua passagem por séries como Liga da Justiça e X-men são tanto memoráveis quanto polêmicas. Polêmicas, aliás, são também algumas de suas atitudes e declarações. Em outras palavras: é uma figura tão interessante quanto os personagens que escreve. Daí que o lançamento do livro Superdeuses (Seoman, 496 páginas) tem chamado tanta atenção. 

O volume inicialmente era para ser uma antologia de entrevistas dadas pelo roteirista, mas Peter McGuigan, agente do escritor, sugeriu que o livro ficaria bem mais interessante com textos inéditos e Morrison se viu escrevendo centenas páginas numa mistura de análise do mito dos super-heróis com biografia e críticas lisérgicas sobre filmes, quadrinhos e seriados. Um dos pontos interessantes do livro é a abordagem sobre a criação do mito dos super-heróis. Para ele, esses personagens "falam mais alto e com mais força frente aos nossos grandes medos, nossos desejos mais profundos e nossas maiores aspirações". 

Sua análise do surgimento mito, a partir do Super-homem, é um dos momentos mais inspirados do livro. Segundo ele, "O Superman original era uma reação humanista e audaciosa aos temores do período da Grande Depressão, do avanço científico desregrado e da industrialização sem alma (...) Se as perspectivas distópicas da época previam um mundo desumanizado, mecanizado, Superman sugeria outra possibilidade: a imagem de um amanhã decididamente humano, que entregava o espetáculo do individualismo triunfante exercendo sua soberania sobre as forças implacáveis da opressão industrial". 

Essa visão é corroborada pelo fato do personagem estar sempre destruindo máquinas, como na primeira aparição do personagem, em que ele aparece na capa de Action Comics segurando um carro sobre a cabeça, pronto a jogá-lo contra uma pedra. 

Se Superman merece uma apaixonada análise de sua primeira história, a outra estrela da DC, o soturno Batman, ganha de Morrison uma retrospectiva hilária dos desastres cinematográficos. Não é difícil imaginar o roteirista chapado com algum tipo de droga da moda assistindo a seriados, como os da década de 1940 e se divertindo a valer com seu humor ácido: "O Batmóvel era um conversível brega no qual Batman trocava de roupa no banco de trás enquanto o teto fechava e presto! O roadster facilmente identificável no qual Bruce e Dick tinham acabado de chegar, num piscar de olhos, virava o magnífico Batmóvel! Enquanto Batman se debatia para tirar as roupas e botar a fantasia de morcego, o dito Menino Prodígio assumia o volante ilegalmente e, quando era a vez do devasso Robin revirar-se para entrar nos trajes, Batman fazia as honras na frente. Era uma parceria lendária, afinal de contas". 

Um ponto que não poderia ficar de fora de um livro de Morrison é sua antológica briga com Alan Moore, autor de Watchmen, V de Vingança e outras séries de renome. O escocês Morrison é nitidamente fã do trabalho de Alan Moore e tem que fazer um verdadeiro contorcionismo verbal ao elogiá-lo ao mesmo tempo em que o critica: "Alan Moore era autodidata, ambicioso, de uma inteligência feroz e extravagante, e o maior truque no seu arsenal de grandes truques era parecer totalmente inovador, como se não houvesse história dos quadrinhos anterior ao seu surgimento". 

A eterna inimizade entre os dois rende alguns dos melhores momentos do livro, como quando Alan Moore diz que a graphic novel Asilo Arkhan, de Morrison, é "cocô embrulhado em ouro" e Morrison afirma que Watchmen é "um poema colegial de 300 páginas". Também vale destacar os trechos com as esquisitices de Morrison, como a fase em que ele praticava magia do caos vestido de travesti. Ou a vez em que ele mascou haxixe e se sentiu abduzido por extraterrestres que lhe revelaram o segredo do universo — segredo que ele, gentilmente, compartilha com os leitores do livro. 

Não se espere isenção de Morrison. Ele alfineta desafetos (como Moore), antigos amigos (como Mark Millar) e simplesmente ignora quem é da turma de Alan Moore, como Neil Gaiman, que merece apenas uma pequena menção na obra. Além disso, embora a Marvel rivalize com a DC na criação de mitos, ele se concentra muito mais nos heróis da DC, provavelmente reflexo de sua traumática passagem pelo título X-men. 

Um ponto positivo da edição brasileira é que ela é traduzida por Érico Assis, jornalista especializado em quadrinhos, que sabe do que Morrison está falando. Isso evitou, por exemplo, que nomes de personagens fossem traduzidos de maneira diferente da usual no Brasil. 



Um ponto negativo é a capa nacional, um assunto que não poderia ser ignorado em qualquer resenha mais séria. A capa original emula uma sequência de quadrinhos, com um planeta sendo destruído, um foguete sendo enviado ao espaço e o pequeno Karl-El sendo achado pelos Kents. O título e o crédito são distribuídos de maneira elegante entre os quadros. A edição nacional deixou a elegância de fora. Ela é dominada por um título que surge de um rasgão, em letras garrafais, lembrando o cartaz do Superman da década de 1970, com um fundo de estrelas. A capa original é lembrada apenas pela parte de baixo, em que aparecem um homem e uma mulher. Sem a sequência é muito difícil deduzir que são Martha e Jonathan Kent e que eles estão achando o superbebê. Espera-se que a capa seja repensada para a próxima edição. Afinal, Superdeuses é leitura obrigatória para fãs de quadrinhos e pessoas que desejam entender o fenômeno de super-heróis.

HQ inédita de Gian Danton e Antonio Eder

Raridade. Mexendo nos arquivos, Antonio Eder conseguiu descobrir uma história em quadrinhos inédita nossa. Nenhum de nós dois lembra porque ela foi feita - talvez fosse para uma revista de astrologia, talvez fosse para um fanzine, talvez fosse só para perder tempo mesmo 

Marketing: ponto de venda no shopping

Os locais tradicionais para abrir um ponto de venda são: shoppings, centro da cidade, bairros e de localização individual. Antes de escolher entre um desses ambientes, é necessário conhecer bem seu próprio negócio. Feito isso, é bom conhecer também um pouco de cada um dos pontos levados em consideração.
Os shoppings centers são ambientes, tanto fechados como abertos, que tendem a simular uma cidade. Na realidade, é uma microcidade. O seu maior diferencial é que reúne diversas atrações que convidam o público a frequentá-lo, mas o aluguel é caro. Compensará se o tipo de produto oferecido for destinado a esse consumidor exclusivista. É necessário, mesmo estando dentro de um shopping, analisar os concorrentes próximos visto que, teoricamente, todos os transeuntes estão propensos a comprar algo. Assim, a boa apresentação do PDV é indispensável para chamar a atenção do possível cliente.
Nos centros urbanos é um pouco diferente. Mesmo havendo a concorrência direta de outros pontos, há vários ruídos que podem atrapalhar um PDV. Placas, sons, pessoas entregando panfletos, tudo isso influencia no comportamento do possível cliente. Esses, quando procuram lojas no centro, geralmente são consumidores que buscam praticidade e rapidez, pois fazem suas compras nos intervalos do trabalho. O centro é caracterizado também pela predominância de pessoas de média a baixa renda. Os melhores locais no centro são os próximos das paradas de ônibus e de estacionamentos particulares.
Nos bairros, os consumidores procuram lazer e têm mais tempo para a escolha. Os melhores locais, portanto, são aqueles que contam com variedade no transporte coletivo.

Já a localização individual possui aluguéis mais baratos, porém é necessário um elevado investimento em publicidade para atrair os consumidores. A localização individual é preferível para as lojas especializadas. É o caso das pet shops, dos sex shops e das lojas para surfistas. São estabelecimentos que o consumidor já procura com o produto em mente. 

Os gatos

Os gatos foi meu primeiro livro publicado, no ano de 1998, pela editora Módulo com ilustrações de Antonio EderLuciano Lagares e José Aguiar.. É a história de uma menina cujo gato desaparece e vai procurá-lo e, claro, se envolve em muitas aventuras. As situações nas quais ela se envolve foram pensadas a partir de quadros famosos da história da arte. Entre os artistas homenageados estavam: Klint, Norman Rockwell, Matisse, Leonardo da Vinci, Lautrec, Van Gogh, Escher, Munch, Renoir. A capa mostrava a menina e seu gato dentro de um quadro de Miró. 



A Técnica Que Arruinou Os Filmes de Ação

quinta-feira, outubro 26, 2017

Ana Vilela - Trem-Bala [Clipe Oficial]

Francisco Iwerten: biografia de uma lenda


Informamos ao nosso distinto público que se encontra à venda o livro Francisco Iwerten - A Biografia de uma Lenda ao preço promocional de 15 reais apenas até o início do ano. Aproveite o clima natalino para presentear seus amigos com essa maravilhosa biografia. Interessados, favor contatar o senhor Gian Danton através do e-mail profivancarlo@gmail.com e mencionar este anúncio.