sábado, novembro 04, 2017
A desconcertante arte de Escher
Escher foi um artista gráfico holandês especializado em gravuras. Suas imagens desafiavam o olhar com figuras impossíveis ou simplesmente inusitadas. Também gostava de fazer imagens que realizavam transformações geométricas ((isometrias). É um dos mais importantes artistas visuais do século XX.
sexta-feira, novembro 03, 2017
A estrada da noite
A estrada da noite conta a história de um astro do rock (Jude) que, ao comprar o paletó de um morto, começa a ser perseguido por seu fantasma, que o culpa pelo suicídio da filha (uma ex-namorada de Jude). O título se refere tanto à morte quanto à fuga do personagem principal, que pega a estrada com Georgia, sua atual namorada, e seus cachorros.
Joe Hill é o pseudônimo do escritor Joseph Hillstrom King, filho do mestre do terror Stephen King. Faz sentido: o sobrenome King traz, inevitavelmente, comparações com o pai, o que pode comprometer a avaliação de um escritor iniciante. Mas, mesmo feitas essas comparações, Hill se sai bem. Seu estilo é um mistura do estilo do pai com o de outros autores, como Neil Gaiman. Ele inclusive cita Alan Moore na epígrafe.
Do pai, Hill herdou a capacidade de criar personagens com os quais o leitor simpatiza. No início, todos os personagens parecem marionetes, chavões: Jude é um roqueiro barra-pesada e grosseiro e Georgia é uma menina desmiolada e fútil. Conforme passam pelas atribulações do enredo, os personagens crescem, ou nós os conhecemos melhor, e aprendemos a gostar e a torcer por eles.
Por outro lado, o autor mostra uma incrível habilidade para esticar a tensão e o suspense sem deixar que a linha se rompa. A forma como ele faz isso lembra mais Hitchock do que King.
Na comparação, Hill perde em um ponto: ao contrário do pai, ele não se preocupa em criar um clima para suas histórias antes de introduzir o fantástico. Em poucas páginas o primeiro ato acaba e os protagonistas já estão envolvidos no conflito. Em King, na página 10 você já gosta dos personagens, mas não sabe exatamente no que eles estão envolvidos. Com Hill é o contrário.
Por outro lado, o crescimento dos personagens é um ponto positivo. Numa visão mais metafórica, podemos dizer que os protagonistas estão sendo perseguidos não só pelo fantasma do paletó, mas por todos os fantasmas de seus passados.
Joe Hill é o pseudônimo do escritor Joseph Hillstrom King, filho do mestre do terror Stephen King. Faz sentido: o sobrenome King traz, inevitavelmente, comparações com o pai, o que pode comprometer a avaliação de um escritor iniciante. Mas, mesmo feitas essas comparações, Hill se sai bem. Seu estilo é um mistura do estilo do pai com o de outros autores, como Neil Gaiman. Ele inclusive cita Alan Moore na epígrafe.
Do pai, Hill herdou a capacidade de criar personagens com os quais o leitor simpatiza. No início, todos os personagens parecem marionetes, chavões: Jude é um roqueiro barra-pesada e grosseiro e Georgia é uma menina desmiolada e fútil. Conforme passam pelas atribulações do enredo, os personagens crescem, ou nós os conhecemos melhor, e aprendemos a gostar e a torcer por eles.
Por outro lado, o autor mostra uma incrível habilidade para esticar a tensão e o suspense sem deixar que a linha se rompa. A forma como ele faz isso lembra mais Hitchock do que King.
Na comparação, Hill perde em um ponto: ao contrário do pai, ele não se preocupa em criar um clima para suas histórias antes de introduzir o fantástico. Em poucas páginas o primeiro ato acaba e os protagonistas já estão envolvidos no conflito. Em King, na página 10 você já gosta dos personagens, mas não sabe exatamente no que eles estão envolvidos. Com Hill é o contrário.
Por outro lado, o crescimento dos personagens é um ponto positivo. Numa visão mais metafórica, podemos dizer que os protagonistas estão sendo perseguidos não só pelo fantasma do paletó, mas por todos os fantasmas de seus passados.
Propaganda: público-alvo
O
público-alvo da propaganda, como já foi visto, deve ser muito bem estudado. Para
saber como atingir em cheio o que realmente a empresa precisa, é necessário
conhecer algumas categorias de consumidores. São elas: consumidores potenciais;
consumidores atuais; empregados da empresa; intermediários e prescritores.
Os
Consumidores Potenciais são aqueles que ainda não são clientes da empresa, não
usam o produto, mas podem vir a usá-lo. No entanto, para isso ele deve ser conquistado.
Já
os Consumidores Atuais são os que usam o produto atualmente. A propaganda
voltada para esse público tem como objetivo manter a fidelidade e reforçar a
marca.
Os
Intermediários são, essencialmente, os vendedores, aqueles que atuam no PDV
diretamente com o público consumidor. Propagandas voltadas para eles têm o
objetivo de convencer os vendedores das lojas a dar destaque para o produto.
Uma boa ação deles acaba por resultar em melhores vendas, assim como o
contrário ocasiona fracasso total. A editora Escala, por exemplo, faz
informativos apenas para os donos das bancas de revistas, para convencê-los a
colocar suas publicações em destaque.
A
categoria dos Prescritores é formada por aqueles que não necessariamente usam o
produto, mas o prescrevem. Por exemplo, médicos, professores, dentistas. O
trabalho com eles é fundamental, pois geralmente eles lidam com os consumidores
potenciais. Amostras grátis são uma boa ação nesse caso.
No
caso dos Empregados, deve-se trabalhar com eles a fim de fazê-los serem os
maiores propagandistas do produto, mas poucas empresas se lembram disso. A
propaganda é essencial para trazê-los para junto da empresa e convencê-los a
serem, também, propagandistas dos produtos que ajudam a produzir. Tem muito
dono de empresa que se esquece de que os funcionários também são clientes, os
chamados clientes internos. Alguns até dificultam a compra de produtos por
parte desse público. Doação de produtos, comemorações, brindes, descontos nas
compras de produtos da empresa e outras ações de endomarketing
reforçam uma atitude positiva dos empregados com relação à empresa.
Em
algumas cidades, as engarrafadoras da Coca-Cola fizeram uma ação promocional
com seus funcionários para divulgar a cerveja da empresa. Chamava-se “Degusta
Kaiser”. Era escolhido um restaurante de grande movimento, no qual era feito um
encontro com funcionários. A cerveja era por conta da empresa e, claro, era
Kaiser. As pessoas que passavam por ali e viam tantos clientes bebendo Kaiser
pensavam: “Se tanta gente pede essa cerveja, talvez eu também goste.” Assim,
conquistando o cliente interno, a Kaiser conquistou também a preferência do
consumidor externo e até a liderança em algumas cidades.
É
importante lembrar que esses públicos serão mais bem abordados e perceberão de
forma mais positiva a propaganda se ela for acompanhada de outras estratégias
promocionais – como dar amostras grátis de remédios para que os médicos
distribuam entre seus clientes.
Camiño di Rato - Bagavad
Camiño di Rato é uma das mais longevas revistas alternativas brasileiras, editada pelo roteirista Matheus Moura. Eu colaborei com o número 8 com a história Bagavad. A HQ faz parte de uma série ficção científica com o tema humanidade. Os títulos de todas as histórias são referências a livros que de alguma forma têm relação com o tema. O narrador, em Bagavad é um homem que trabalhava na desinfecção de planetas que estavam sendo explorados. Desinfecção significava o extermínio de espécies indesejadas. Mas eles encontram algo surpreendente quando matavam seres monstruosos em um planeta catalogado com Y-17. A arte ficou por conta de Rodrigo Nemo, que variou perfeitamente entre sequências mais realistas e sequências lisérgicas, de acordo com a necessidade do roteiro.
As melhores HQs de super-heróis
Minha lista com os melhores quadrinhos de super-heróis. Concorda? Discorda? Deixe sua opinião na caixa de comentários.
Quarteto Fantástico, de Jack Kirby e Stan Lee
O gibi que reformatou no gênero dos super-heróis, criando o chamado "método Marvel", com heróis humanos. Destaque para a saga de Galactus, um dos momentos mais emocionamentes dos quadrinhos, em que as sagas cósmicas de Kirby se uniram perfeitamente ao texto humano de Lee. O melhor momento de uma dupla que só criou obras-primas.
Homem-aranha, de Gerry Conway e Ross Andru/Gil Kane/John Romita
A morte de Gwen Stacy, namorada do herói, foi um dos momentos mais dramáticos dos quadrinhos. Mas toda a fase de Conway no título é boa, com histórias que aproveitavam muito bem o clima psicodélico dos anos 1970 e vilões bizarros, como O Gibão. Diversão garantida.
A última caçada de Kraven
J.M.De Matteis se juntou ao desenhista Mike Zeck para fazer uma das poucas histórias realmente muito boas da fase do uniforme negro do personagem. O texto de De Matteis é poético e profundo e a arte de Zeck elegante.
Watchmen
Como seria o mundo se os super-heróis realmente existissem? Alan Moore e Dave Gibbons respondem a essa pergunta em uma HQ que revolucionou o mercado. Watchmen tem tantas camadas que pode ser analisada do ponto de vista científico, político, social, filosófico, etc.
Marvels
Depois de obras como Watchmen, parece impossível criar uma história com um enfoque novo no gênero super-heróis. Mas Kurt Buziek e Alex Ross conseguiram com uma HQ que mostra o ponto de vista das pessoas normais, que convivem com os heróis. A grande obra-prima dos anos 1990.
Piada Mortal
A história do Batman em que o Coringa é o astro e o conflito é psicólogico. Uma obra tão boa que influenciou diretamente duas versões para o cinema.
Cavaleiro das Trevas
A obra-prima de Frank Miller ecoou em quase todos os trabalhos posteriores. Miller mostrou um Bruce Wayne velho voltando a ser herói para tentar dar um jeito na cidade, que se tornou extramente violenta. Uma HQ revolucionária em quase todos os sentidos.
A queda de Matt Murdock
Um dos mais profundos trabalhos já feitos nos quadrinhos de super-heróis. O Rei do Crime descobre a identidiade do Demolidor e resolve destruir sua vida aos poucos, fazendo-o perder tudo que tem. Transformado em mendigo, Matt Murdock precisa dar a volta por cima e proteger a Cozinha do Inferno, bairro onde nasceu. Também merece destaque a arte de David Mazzuchelli.
Batman ano 1
Depois de Cavaleiro das Trevas, qualquer HQ do Batman seria apenas mais do mesmo. Mas Miller e Mazzuchelli mostraram que ainda era possível surpreender. Numa cidade dominada pelo crime, o herói surge com sede de vingança. Acompanhamos passo a passo sua transformação no herói mascarado numa história que amarra muito bem a origem do personagem.
Starman
James Robinson criou uma narrativa poética e bem elaborada para revonar esse personagem clássico da DC em uma história empolgante.
Super-homem - Para o homem que tem tudo e O que aconteceu com o homem de aço?
O principal personagem da DC iria ser reformulado e Alan Moore implorou para fazer pelo menos uma história com a mitologia do personagem, que seria apagada na reformulação. O resultado foram duas histórias, "Para o homem que tem tudo" (arte de Dave Gibbons) e "O que aconteceu com o homem de aço?" (arte de Curt Swan e Geoge Perez) que mostraram que nostalgia também podia ser revolucionária.
Os supremos
A obra de Mark Millar e Brian Hitch balançou a Marvel. Era para ser só uma versão alternativa dos Vingadores, mas fez tanto sucesso que se tornou a versão oficial da Marvel no cinema. A sequência incial, do Capitão América na II Guerra é um dos momentos mais empolgantes dos quadrinhos de super-heróis.
1602
Quando Neil Gaiman foi convidado a fazer uma série com os heróis Marvel, todos sabiam que ele não faria algo convencional. De fato, o autor de Sadman bolou uma história muito interessante, com heróis como o Demolidor, Thor e Nick Fury na Inglaterra governada pela rainha Elizabeth.
X-men, de Chris Claremont e John Byrne
Essa dupla representou para a Marvel dos anos 1980 o que foi Jack Kirby e Stan Lee para os anos 1960. A saga da Fênix em especial fez com que os mutantes se tornassem os personagens mais populares das décadas seguintes.
Miracleman, de Alan Moore e vários autores
Miracleman foi uma espécie de laboratório, em que Moore experimentou vários dos conceitos e estilos que viria a adotar em obras posteriores, como Watchmen. Foi também uma obra muito imitada. Sua visão extremamente realista dos super-heróis e, ao mesmo tempo, utópica, com um herói resolvendo, de fato, mudar o mundo, marcaram os quadrinhos.
Quarteto Fantástico, de Jack Kirby e Stan Lee
O gibi que reformatou no gênero dos super-heróis, criando o chamado "método Marvel", com heróis humanos. Destaque para a saga de Galactus, um dos momentos mais emocionamentes dos quadrinhos, em que as sagas cósmicas de Kirby se uniram perfeitamente ao texto humano de Lee. O melhor momento de uma dupla que só criou obras-primas.
Homem-aranha, de Gerry Conway e Ross Andru/Gil Kane/John Romita
A morte de Gwen Stacy, namorada do herói, foi um dos momentos mais dramáticos dos quadrinhos. Mas toda a fase de Conway no título é boa, com histórias que aproveitavam muito bem o clima psicodélico dos anos 1970 e vilões bizarros, como O Gibão. Diversão garantida.
A última caçada de Kraven
J.M.De Matteis se juntou ao desenhista Mike Zeck para fazer uma das poucas histórias realmente muito boas da fase do uniforme negro do personagem. O texto de De Matteis é poético e profundo e a arte de Zeck elegante.
Watchmen
Como seria o mundo se os super-heróis realmente existissem? Alan Moore e Dave Gibbons respondem a essa pergunta em uma HQ que revolucionou o mercado. Watchmen tem tantas camadas que pode ser analisada do ponto de vista científico, político, social, filosófico, etc.
Marvels
Depois de obras como Watchmen, parece impossível criar uma história com um enfoque novo no gênero super-heróis. Mas Kurt Buziek e Alex Ross conseguiram com uma HQ que mostra o ponto de vista das pessoas normais, que convivem com os heróis. A grande obra-prima dos anos 1990.
Piada Mortal
A história do Batman em que o Coringa é o astro e o conflito é psicólogico. Uma obra tão boa que influenciou diretamente duas versões para o cinema.
Cavaleiro das Trevas
A obra-prima de Frank Miller ecoou em quase todos os trabalhos posteriores. Miller mostrou um Bruce Wayne velho voltando a ser herói para tentar dar um jeito na cidade, que se tornou extramente violenta. Uma HQ revolucionária em quase todos os sentidos.
A queda de Matt Murdock
Um dos mais profundos trabalhos já feitos nos quadrinhos de super-heróis. O Rei do Crime descobre a identidiade do Demolidor e resolve destruir sua vida aos poucos, fazendo-o perder tudo que tem. Transformado em mendigo, Matt Murdock precisa dar a volta por cima e proteger a Cozinha do Inferno, bairro onde nasceu. Também merece destaque a arte de David Mazzuchelli.
Batman ano 1
Depois de Cavaleiro das Trevas, qualquer HQ do Batman seria apenas mais do mesmo. Mas Miller e Mazzuchelli mostraram que ainda era possível surpreender. Numa cidade dominada pelo crime, o herói surge com sede de vingança. Acompanhamos passo a passo sua transformação no herói mascarado numa história que amarra muito bem a origem do personagem.
Starman
James Robinson criou uma narrativa poética e bem elaborada para revonar esse personagem clássico da DC em uma história empolgante.
Super-homem - Para o homem que tem tudo e O que aconteceu com o homem de aço?
O principal personagem da DC iria ser reformulado e Alan Moore implorou para fazer pelo menos uma história com a mitologia do personagem, que seria apagada na reformulação. O resultado foram duas histórias, "Para o homem que tem tudo" (arte de Dave Gibbons) e "O que aconteceu com o homem de aço?" (arte de Curt Swan e Geoge Perez) que mostraram que nostalgia também podia ser revolucionária.
Os supremos
A obra de Mark Millar e Brian Hitch balançou a Marvel. Era para ser só uma versão alternativa dos Vingadores, mas fez tanto sucesso que se tornou a versão oficial da Marvel no cinema. A sequência incial, do Capitão América na II Guerra é um dos momentos mais empolgantes dos quadrinhos de super-heróis.
1602
Quando Neil Gaiman foi convidado a fazer uma série com os heróis Marvel, todos sabiam que ele não faria algo convencional. De fato, o autor de Sadman bolou uma história muito interessante, com heróis como o Demolidor, Thor e Nick Fury na Inglaterra governada pela rainha Elizabeth.
X-men, de Chris Claremont e John Byrne
Essa dupla representou para a Marvel dos anos 1980 o que foi Jack Kirby e Stan Lee para os anos 1960. A saga da Fênix em especial fez com que os mutantes se tornassem os personagens mais populares das décadas seguintes.
Miracleman, de Alan Moore e vários autores
Miracleman foi uma espécie de laboratório, em que Moore experimentou vários dos conceitos e estilos que viria a adotar em obras posteriores, como Watchmen. Foi também uma obra muito imitada. Sua visão extremamente realista dos super-heróis e, ao mesmo tempo, utópica, com um herói resolvendo, de fato, mudar o mundo, marcaram os quadrinhos.
Drácula vs Heróis Marvel
Drácula versus Heróis Marvel foi uma publicação da editora Abril que reunia encontros do famoso vampiro com super-heróis. Nessa edição temos dois clássicos da década de 1970. "A nau dos condenados", de Len Wein e Ross Andru é uma história de 1974 em que o Homem-aranha, em busca de um remédio para Tia May, vai até um navio onde está um médico que também é procurado por um bandido e pelo vampiro. "O príncipe dos vampiros" é uma história em que o Dr. Estranho enfrenta Drácula depois que esse mata seu criado. O roteiro de Marv Wolfman e desenhos de Gene Colan.
Os dois desenhistas por si só já valem o volume. Gene Colan, desenhista oficial de Drácula, nasceu para fazer terror.
Mas vale a pena comparar com os dois mestres do roteiro (e grandes amigos) Len Wein e Marv Wolfman trabalham seus textos, adaptando-os ao gênero. A história do Homem-aranha segue o estilo super-heróis. Já a HQ do Dr. Estranho envereda de fato pelo terror. Wein, que co-criaria um dos mais famosos clássicos do terror, o Monstro do Pântano, sabia que sua história do Aranha tinha que ter pouco texto e muitos diálogos e balões de pensamento, estética consagrada por Stan Lee. Já Wolfman (que depois ficaria mais conhecido pelos Novos Titãs) recheia seu roteiro de um texto denso, que funciona como a trilha sonora de um filme de terror.
Bons roteiristas não são apenas os que sabem escrever ou criar boas tramas: são também aqueles que conseguem adaptar seu texto a cada gênero.
Os dois desenhistas por si só já valem o volume. Gene Colan, desenhista oficial de Drácula, nasceu para fazer terror.
Mas vale a pena comparar com os dois mestres do roteiro (e grandes amigos) Len Wein e Marv Wolfman trabalham seus textos, adaptando-os ao gênero. A história do Homem-aranha segue o estilo super-heróis. Já a HQ do Dr. Estranho envereda de fato pelo terror. Wein, que co-criaria um dos mais famosos clássicos do terror, o Monstro do Pântano, sabia que sua história do Aranha tinha que ter pouco texto e muitos diálogos e balões de pensamento, estética consagrada por Stan Lee. Já Wolfman (que depois ficaria mais conhecido pelos Novos Titãs) recheia seu roteiro de um texto denso, que funciona como a trilha sonora de um filme de terror.
Bons roteiristas não são apenas os que sabem escrever ou criar boas tramas: são também aqueles que conseguem adaptar seu texto a cada gênero.
quinta-feira, novembro 02, 2017
O homem dos patos
No final da década de 1920, Walt Disney estava inconsolado. Ele havia acabado de perder os direitos sobre seu personagem Osvald, o coelho para Charles Mintz. Para compensar, ele criou outro personagem inspirando-se num camundongo que costumava visitar seu escritório. Assim nascia o divertido Mickey, com sua cabeça grande, pernas finas e sapatos grandes, como um menino que tivesse vestido os sapatos do pai. Inicialmente, o camundongo deveria se chamar Mortiner, mas Disney acabou mudando de idéia (alguns autores creditam a mudança à esposa do desenhista). Em 1928 estreou o primeiro curta-metragem do personagem, e também o primeiro desenho animado sonoro da história, tornando-se logo um sucesso.
Não tardou para que o personagem migrasse para as tiras. Floyd Gottfredson foi escolhido para fazer a adaptação.
Outro personagem surgido nas animações também logo ganharia sua versão em quadrinhos: o Pato Donald. O desenhista Al Taliaferro adaptou o filme A galinha sábia para as tiras e depois o resultado foi copilado em um gibi com grande sucesso.
Mas o personagem realmente só se tornaria célebre após a entrada de Carl Barks no título. Barks foi um fracasso em diversas profissões, de cowboy a carpinteiro, passando por condutor de mulas e impressor. Não conseguindo sucesso em nada, ele decidiu investir no sonho de ser desenhista. Seu primeiro trabalho foi numa revista humorística, mas um dia ele viu um anúncio da Disney, procurando animadores e se candidatou. Foi colocado no setor de roteiros e ajudou a criar gags visuais para mais de 40 curta-metragens.
Certa vez ele foi escolhido para participar de um longa do Pato Donald intitulado O Ouro do Pirata. O projeto não saiu do papel, mas mesmo assim Disney resolveu transformar o material em uma revista em quadrinhos e convidou Barks para fazer a adaptação. Foi um sucesso tão grande que a editora Dell-Western lhe ofereceu um emprego como quadrinista.
Barks estava, enfim, no seu elemento. Em 1947 ele criou o Tio Patinhas, baseado no personagem sovina do Conto de Natal, de Dickens. Criado para uma única história, ele agradou tanto que logo ganharia revista própria. Barks continou desenvolvendo a mitologia dos patos com a criação de outros personagens, como o inventor Professor Pardal e o sortudo Gastão.
Tio Patinha logo se tornou um personagem extremamente popular, graças quase que exclusivamente às histórias de Barks.
Segundo a enciclopédia Históira de los Comics, o que fazia de Barks um gênio não era sua criatividade ou seus desenhos, embora ambos fossem ótimos. O que o transformou em gênio foi a autenticidade dos mundos que criou. Essa autenticidade surgia tanto da experiência de vida quanto das pesquisas minuciosas que fazia para suas histórias.
Um exemplo de mundo criado é a vila quadrada, um local perdido nos Andes em que tudo era quadrado (até os ovos!) e as formas arredondadas eram proibidas.
As histórias de Barks embalaram a infância de milhões de crianças em todo o mundo. Quando ele parou de produzir, foi como se fosse criado um vácuo nos quadrinhos Disney. Hoje esses quadrinhos estão sendo cancelados em todo o mundo. No Brasil, a única revista que ainda vende bem é a luxuosa Clássicos Disney, que republica as histórias de Barks, e tem como públicos os adultos saudosistas de boas HQs.
Atualmente, o quadrinista Disney mais famoso é Don Rosa, um fã tão inveterado de Carl Barks que faz de todas suas HQs homenagens ao homem dos patos.
Marketing: tipos de agências
Normalmente,
quem faz os anúncios publicitários são as agências. Nem todas as agências são
iguais. No Brasil, chamamos de agência as empresas que cuidam da conta do
cliente, elaborando planejamentos de campanha. Além das agências, existem as
produtoras, especializadas em produzir partes da campanha. É normal que a
agência terceirize o trabalho de produção. As produtoras podem ser: produtora
de vídeo; produtora de impresso; produtora de internet.
Uma
agência que não terceirize seus trabalhos geralmente tem a seguinte estrutura:
- Departamento
Administrativo. É a gerência da agência, que cuida de toda a parte administrativa.
- Departamento
Comercial. É onde se cuida da prospecção (procura novos clientes, inclusive
verificando quais empresas estão sem agência) e atendimento (quem mantém
comunicação com os clientes atuais).
- Planejamento.
Cuida da campanha, planejando passo a passo tudo que será feito.
- Criação. Tem como
objetivo cuidar do processo criativo. Inclui redator, diretor de arte e
desenhistas.
- Mídia. É a parte
da agência que cuida da exibição do comercial, negociando preços e conseguindo
melhores condições para o cliente. Como geralmente têm bons contatos com
fornecedores, muitas vezes conseguem preços muito baixos, especialmente quando
se trata de impressos.
- Produção Gráfica.
É a que produz cartazes, outdoor, panfletos, cartilhas e todo o material impresso
que for ser usado.
- Produção Audiovisual. É a área em que se produzem os comerciais
de TV e os de rádio.
- Produção em Internet. Nem todas
as agências possuem esse departamento devido à novidade. Mas as que o têm
trabalham com a produção de páginas de internet, tanto da empresa como do
produto do cliente.
A
empresa pode contratar uma agência ou montar uma agência interna. No entanto,
poucos especialistas aconselham essa última opção. Agências internas, ou da
casa, costumam se tornar burocráticas e pouco criativas, além do que os
encargos sociais podem tornar grande o custo em comparação com o retorno. Mais
uma razão: na maioria das empresas não existe uma demanda constante de
trabalhos que justifique a existência de uma agência interna. Assim, muitas
empresas têm apenas um departamento de marketing, que terceiriza os trabalhos.
Não
é aconselhável ter uma grande rotatividade de agências, pois isso prejudica a
imagem institucional da empresa, dificultando o posicionamento. O ideal é
colocar a conta da empresa nas mãos de uma única agência, que deve ficar
responsável por todas as propagandas da empresa durante o período de um ano ou
mais.
Prêmio Jabuti de quadrinhos vai para um paraense
Quando eu e Joe Bennett começamos a produzir HQs, no início da década de 1990, praticamente não existia quadrinho paraense (exceto por algumas iniciativas isoladas). Logo depois surgiram grupo, como o Ponto de Fuga, Boca do Mundo, Casa Velha. Artistas começaram a trabalhar para os EUA e Europa e a terra das mangueiras foi se tornando uma referência.
A coroação desse processo acontece este ano quando o Jabuti, a mais importante premiação literária brasileira, premiou pela primeira vez um quadrinho - Castanha do Pará, de Gildati Jr.
Hoje, 27 anos depois daquele começo podemos dizer: os quadrinhos já fazem parte da cultura paraense e o estado produz algumas das melhores HQs brasileiras da atualidade.
A coroação desse processo acontece este ano quando o Jabuti, a mais importante premiação literária brasileira, premiou pela primeira vez um quadrinho - Castanha do Pará, de Gildati Jr.
Hoje, 27 anos depois daquele começo podemos dizer: os quadrinhos já fazem parte da cultura paraense e o estado produz algumas das melhores HQs brasileiras da atualidade.
War - histórias de guerra
Sempre fui fã de Eugênio Colonnese, um dos maiores desenhistas da era clássica dos quadrinhos nacionais. Assim, considerei uma honra quando o editor Franco de Rosa, da Opera Graphica, me convidou para reescrever os textos de algumas das histórias de guerra da década de 1960 desenhadas pelo Colonnese.
Além disso, eu iria escrever uma história inédita dele. “O gato e o rato” se passava na guerra do Iraque e era centrada em um soldado americano, mesclando os acontecimentos presentes com flash backs.
O desenhista fez a história toda em lápis, sem arte-final em um trabalho espetacular.
quarta-feira, novembro 01, 2017
Contos fantásticos no labirinto de Borges
Jorge Luís Borges é um dos escritores mais importantes de todos os tempos. Numa relação que vai do semiólogo Umberto Eco ao roteirista de quadrinhos Neil Gaiman, são muitos os autores influenciados por sua obra e suas ideias. São tantos os elementos borgeanos em O nome da rosa que há quem diga que o livro de Eco é quase um plágio do trabalho de Borges. A biblioteca do sonhar e o labirinto do Destino em Sandman, de Gaiman, são exemplos tipicamente borgeanos dessa HQ.
Identificar os autores influenciados por Borges é uma aventura fascinante, mas igualmente instigante é descobrir os autores que influenciaram esse grande escritor, ou que poderiam tê-lo influenciado. Esse é o objetivo de Bráulio Tavares na coletânea "Contos fantásticos no labirinto de Borges". O livro reúne desde autores que nitidamente influenciaram o autor argentino, como Edgar Alan Poe, até aqueles mais novos que ele, mas que trabalharam temáticas semelhantes e podem ter vivido uma relação de influência mútua, como é o caso de Ray Bradbury.
Um dos pontos altos da obra é o pósfacio escrito por Tavares em que ele analisa a obra de Borges e a relaciona com os contos escolhidos, destrinchando elementos em comum.
Um dos tópicos mais famosos é o do livro sonhado, mas jamais escrito. Borges adorava criar obras que não existiam. Tavares lembra que o truque é não escrever o livro que foi pensado, mas fingir que alguém o escreveu e comentá-lo: "Borges deve ter sonhado um dia em escrever um romance como A aproximação a Almotásim e deve ter julgado que era uma tarefa além de seu alcance (como voltaria a ocorrer em outro conto com título semelhante, "A busca de Averróis"). A falsa resenha com que cortou esse nó górdio gerou todo um novo gênero literário".
Outro ponto interessante do pósfacio é a discussão sobre as histórias policiais. Borges elevou o gênero a um patamar filosófico e Bráulio Tavares resgata isso, relacionando inclusive com outros temas recorrentes da obra borgeana, como o duplo e o espelho: "Para ocultar algo, basta virá-lo do avesso ou transformá-lo em seu contrário", explica, numa referência tanto ao conto de Poe quanto ao de Ellery Queen.
No ponto de vista de Borges, o mundo é uma combinação de símbolos que parecem dizer algo a quem seja capaz de interpretá-los. A função do protagonista no romance policial é justamente ser capaz de identificar a ordem nessa miríade de caos. Por essa razão, o autor de O Aleph defendia que a literatura policial era o último refúgio da lógica, da inteligência e da limpidez de pensamento: "A trama do romance policial não é improvisada livremente; ela é concebida com uma estrita lógica".
Quanto aos contos escolhidos para a coletânea, há grandes achados, alguns óbvios (como "A carta roubada", de Edgar Allan Poe) e outros que se aproximam da simples curiosidade.
Uma das gratas surpresas é o conto "A livraria", de Nelson Bond, um autor de pulp fictions, pouco conhecido no Brasil e raramente associado a Borges pela maioria dos leitores. Entretanto, seu texto explora com perfeição o tema dos livros nunca escritos.
Um autor famoso, mas poucas vezes relacionado com Borges é H. G. Wells. Tavares leu uma referência ao conto "O ovo de Cristal" no epílogo de O Aleph e durante anos tentou encontrar esse texto em coletâneas de obras de Wells. Felizmente achou essa pérola perdida e acrescentou-a ao livro. Nele um pacato negociante de antiguidades descobre um cristal com o qual pode ter contato com uma outra realidade. O conto dialoga diretamente com o Aleph, embora seja muito anterior.
Outro autor clássico que abrilhanta a coletânea é de Ambrose Bierce. Em "Um incidente na ponte de Owl Creek" um homem é condenado à forca durante a guerra civil americana. A narrativa, que inicia realista, mas logo se torna pura fantasia, com o tempo e a realidade se distorcendo para o protagonista.
Ainda dentro da fantasia, vale destacar A terceira expedição, de Ray Bradbury. Elogiar Bradbury é chover no molhado — ele foi o homem que levou a poesia para a FC e sua participação na coletânea só faz elevar o nível da mesma. Mais curioso é o conto "Carcassonne", de Lord Dunsany. Dunsany foi um autor muito popular no século XIX, mas hoje é praticamente desconhecido. Seu texto, muito bem escrito, mostra a influência não só sobre Borges, mas também sobre Lovecraft e Robert E. Howard.
No gênero policial, duas narrativas merecem destaque: "A honra de Israel Gow", de Gilbert K. Chesterton, e "O roubo do selo raro", de Ellery Queen. Ambos são ótimos exemplos daquilo que Borges destaca como diferencial do conto policial: as hipóteses feitas e descartadas até se chegar a uma que seja adequada (Curiosamente é o mesmo método proposto por Karl Popper para a metodologia científica). Os dois autores brincam com a própria capacidade de dedução, em especial o padre Brown, que, diante de um cenário aparentemente sem sentido, experimenta várias explicações aparentemente válidas, que vão sendo falseadas uma a uma.
O volume é, portanto, uma leitura das mais agradáveis tanto pelos contos quanto pelo excelente texto de Bráulio Tavares. É de se destacar também as ilustrações surreais de Romero Cavalcanti. Trata-se, portanto, de uma obra obrigatória na biblioteca de qualquer fã de Borges.
Identificar os autores influenciados por Borges é uma aventura fascinante, mas igualmente instigante é descobrir os autores que influenciaram esse grande escritor, ou que poderiam tê-lo influenciado. Esse é o objetivo de Bráulio Tavares na coletânea "Contos fantásticos no labirinto de Borges". O livro reúne desde autores que nitidamente influenciaram o autor argentino, como Edgar Alan Poe, até aqueles mais novos que ele, mas que trabalharam temáticas semelhantes e podem ter vivido uma relação de influência mútua, como é o caso de Ray Bradbury.
Um dos pontos altos da obra é o pósfacio escrito por Tavares em que ele analisa a obra de Borges e a relaciona com os contos escolhidos, destrinchando elementos em comum.
Um dos tópicos mais famosos é o do livro sonhado, mas jamais escrito. Borges adorava criar obras que não existiam. Tavares lembra que o truque é não escrever o livro que foi pensado, mas fingir que alguém o escreveu e comentá-lo: "Borges deve ter sonhado um dia em escrever um romance como A aproximação a Almotásim e deve ter julgado que era uma tarefa além de seu alcance (como voltaria a ocorrer em outro conto com título semelhante, "A busca de Averróis"). A falsa resenha com que cortou esse nó górdio gerou todo um novo gênero literário".
Outro ponto interessante do pósfacio é a discussão sobre as histórias policiais. Borges elevou o gênero a um patamar filosófico e Bráulio Tavares resgata isso, relacionando inclusive com outros temas recorrentes da obra borgeana, como o duplo e o espelho: "Para ocultar algo, basta virá-lo do avesso ou transformá-lo em seu contrário", explica, numa referência tanto ao conto de Poe quanto ao de Ellery Queen.
No ponto de vista de Borges, o mundo é uma combinação de símbolos que parecem dizer algo a quem seja capaz de interpretá-los. A função do protagonista no romance policial é justamente ser capaz de identificar a ordem nessa miríade de caos. Por essa razão, o autor de O Aleph defendia que a literatura policial era o último refúgio da lógica, da inteligência e da limpidez de pensamento: "A trama do romance policial não é improvisada livremente; ela é concebida com uma estrita lógica".
Quanto aos contos escolhidos para a coletânea, há grandes achados, alguns óbvios (como "A carta roubada", de Edgar Allan Poe) e outros que se aproximam da simples curiosidade.
Uma das gratas surpresas é o conto "A livraria", de Nelson Bond, um autor de pulp fictions, pouco conhecido no Brasil e raramente associado a Borges pela maioria dos leitores. Entretanto, seu texto explora com perfeição o tema dos livros nunca escritos.
Um autor famoso, mas poucas vezes relacionado com Borges é H. G. Wells. Tavares leu uma referência ao conto "O ovo de Cristal" no epílogo de O Aleph e durante anos tentou encontrar esse texto em coletâneas de obras de Wells. Felizmente achou essa pérola perdida e acrescentou-a ao livro. Nele um pacato negociante de antiguidades descobre um cristal com o qual pode ter contato com uma outra realidade. O conto dialoga diretamente com o Aleph, embora seja muito anterior.
Outro autor clássico que abrilhanta a coletânea é de Ambrose Bierce. Em "Um incidente na ponte de Owl Creek" um homem é condenado à forca durante a guerra civil americana. A narrativa, que inicia realista, mas logo se torna pura fantasia, com o tempo e a realidade se distorcendo para o protagonista.
Ainda dentro da fantasia, vale destacar A terceira expedição, de Ray Bradbury. Elogiar Bradbury é chover no molhado — ele foi o homem que levou a poesia para a FC e sua participação na coletânea só faz elevar o nível da mesma. Mais curioso é o conto "Carcassonne", de Lord Dunsany. Dunsany foi um autor muito popular no século XIX, mas hoje é praticamente desconhecido. Seu texto, muito bem escrito, mostra a influência não só sobre Borges, mas também sobre Lovecraft e Robert E. Howard.
No gênero policial, duas narrativas merecem destaque: "A honra de Israel Gow", de Gilbert K. Chesterton, e "O roubo do selo raro", de Ellery Queen. Ambos são ótimos exemplos daquilo que Borges destaca como diferencial do conto policial: as hipóteses feitas e descartadas até se chegar a uma que seja adequada (Curiosamente é o mesmo método proposto por Karl Popper para a metodologia científica). Os dois autores brincam com a própria capacidade de dedução, em especial o padre Brown, que, diante de um cenário aparentemente sem sentido, experimenta várias explicações aparentemente válidas, que vão sendo falseadas uma a uma.
O volume é, portanto, uma leitura das mais agradáveis tanto pelos contos quanto pelo excelente texto de Bráulio Tavares. É de se destacar também as ilustrações surreais de Romero Cavalcanti. Trata-se, portanto, de uma obra obrigatória na biblioteca de qualquer fã de Borges.
Hiper-realidade e simulacro nos quadrinhos do Capitão Gralha
Já está disponível para leitura, no site da FAV-UFG, a minha tese A fantástica história de Francisco Iwerten: hiper-realidade e simulacro nos quadrinhos do Capitão Gralha. O PDF pode ser baixado aqui.
Marketing: briefing
O
briefing é uma descrição geral da situação da empresa, do mercado e dos
concorrentes. É uma grande bobagem fazer uma estratégia de promoção para uma
empresa antes de ter um bom diagnóstico desses itens. Um bom briefing deve
analisar os pontos fortes e fracos da empresa. Deve analisar também o tamanho e
a tendência do mercado.
Em agências pequenas, o próprio publicitário faz o briefing, mas é uma situação
incomum e provavelmente pouco aconselhável, já que a experiência tem
demonstrado que a boa relação com os clientes não é exatamente uma
característica da equipe criativa. Na maioria das agências, fazer o briefing é uma obrigação do contato, que faz parte do
setor comercial.
Algumas
perguntas que devem ser respondidas pelo briefing:
- Quais os pontos fortes
e fracos do produto?
-
O que difere o produto dos seus concorrentes?
-
Quem são os concorrentes?
-
Qual a estratégia de comunicação atual da empresa?
-
Qual a estratégia de comunicação do concorrente?
-
Qual das duas estratégias tem funcionado melhor?
-
Qual o objetivo da campanha?
-
Quem é o público-alvo? Quais são os seus hábitos? Qual a sua classe econômica?
Onde ele vive?
-
O que o público-alvo espera do produto?
-
Qual a imagem que o público-alvo tem do produto? E do concorrente?
-
Qual é o padrão estético do público-alvo?
-
Quanto o cliente tem para investir?
Drácula vs Heróis Marvel
Drácula versus Heróis Marvel foi uma publicação da editora Abril que reunia encontros do famoso vampiro com super-heróis. Nessa edição temos dois clássicos da década de 1970. "A nau dos condenados", de Len Wein e Ross Andru é uma história de 1974 em que o Homem-aranha, em busca de um remédio para Tia May, vai até um navio onde está um médico que também é procurado por um bandido e pelo vampiro. "Opríncipe dos vampiros" é uma história em que o Dr. Estranho enfrenta Drácula depois que esse mata seu criado. O roteiro de Marv Wolfman e desenhos de Gene Colan.
Os dois desenhistas por si só já valem o volume. Gene Colan, desenhista oficial de Drácula, nasceu para fazer terror.
Mas vale a pena comparar com os dois mestres do roteiro (e grandes amigos) Len Wein e Marv Wolfman trabalham seus textos, adaptando-os ao gênero. A história do Homem-aranha segue o estilo super-heróis. Já a HQ do Dr. Estranho envereda de fato pelo terror. Wein, que co-criaria um dos mais famosos clássicos do terror, o Monstro do Pântano, sabia que sua história do Aranha tinha que ter pouco texto e muitos diálogos e balões de pensamento, estética consagrada por Stan Lee. Já Wolfman (que depois ficaria mais conhecido pelos Novos Titãs) recheia seu roteiro de um texto denso, que funciona como a trilha sonora de um filme de terror.
Bons roteiristas não são apenas os que sabem escrever ou criar boas tramas: são também aqueles que conseguem adaptar seu texto a cada gênero.
Os dois desenhistas por si só já valem o volume. Gene Colan, desenhista oficial de Drácula, nasceu para fazer terror.
Mas vale a pena comparar com os dois mestres do roteiro (e grandes amigos) Len Wein e Marv Wolfman trabalham seus textos, adaptando-os ao gênero. A história do Homem-aranha segue o estilo super-heróis. Já a HQ do Dr. Estranho envereda de fato pelo terror. Wein, que co-criaria um dos mais famosos clássicos do terror, o Monstro do Pântano, sabia que sua história do Aranha tinha que ter pouco texto e muitos diálogos e balões de pensamento, estética consagrada por Stan Lee. Já Wolfman (que depois ficaria mais conhecido pelos Novos Titãs) recheia seu roteiro de um texto denso, que funciona como a trilha sonora de um filme de terror.
Bons roteiristas não são apenas os que sabem escrever ou criar boas tramas: são também aqueles que conseguem adaptar seu texto a cada gênero.
A arte incrível de Geraldo Borges
Nascido em Fortaleza, Geraldo Borges trabalha com quadrinhos desde 1997, quando desenhou a Revista Capitão Rapadura. Representado pelo Chiaroscuro Studios, maior agência brasileira de artistas para o mercado americano, tem feito trabalhos para a Marvel (Nova), DC Comics (Liga da Justiça, Mulher-Maravilha, Batman, Lanterna Verde, Legião dos Super-heróis, Asa Noturna, Superman, Aquaman), Dark Horse (Ghost) e Dynamite (Pathfinder).
Atualmente é desenhista regular da série Angel Season 11, adaptação da série de TV criada por Joss Whedon, publicada pela Dark Horse. Além disso, é professor da Universidade Potiguar nos cursos de Design Gráfico e Jogos Digitais.
O pavio - regras de redação
Quando a Pavio foi lançada, após uma rejeição inicial, vários jornalistas quiserem colaborar com a revista. Para orientá-los, escrevi um conjunto de normas, um tipo de "Manual de redação do Pavio". Segue abaixo:
Caros colaboradores,
Ficamos muito felizes com seu interesse em colaborar com a revista O PAVIO, mas antes de embarcar nessa roubada, é importante que você saiba de algumas coisas:
1 – Nosso público-alvo são adolescentes universitários ou pré-universitários. Textos jornalísticos devem ser de assuntos de interesse desse público.
2 - A revista O PAVIO tem uma linguagem própria que não é necessariamente a linguagem padrão-formal. Os textos devem refletir o que se fala nas ruas, as gírias, as expressões regionais, ou seja, deve parecer uma conversa com o leitor.
3 – A linguagem da revista passa pelo aspecto visual. Ao invés de fotos, damos preferência a ilustrações e charges.
4 – Textos literários devem ser preferencialmente crônicas humorísticas. Textos curtos e com linguagem ágil.
5 – Há situações em que determinados temas não podem ser tratados de forma engraçada. Nesse caso, faça com que não fique excessivamente pesado, usando textos curtos.
6 – A revista O PAVIO é também um laboratório de jornalismo, de modo que não procuramos seguir o jornalismo convencial. Estilos diferenciados, como o gonzo jornalismo e o novo jornalismo são muito bem-vindos.
7 – Não se auto-censure ao escrever. Deixe que o editor censura você.
8 – Os limites são limites éticos. Não queremos ser processados.
9 – Revise seu texto e só o entregue depois que ele estiver ok. Já tivemos caso em que foi publicada a versão errada de um texto. Portanto, entregue só depois de ter certeza de que é isso mesmo que você deseja.
10 – Não se leve muito a sério. Aqui ninguém se leva a muito a sério e esse é por isso que conseguimos tirar sarro até de nós mesmos.
11 – Divirta-se ao escrever. Se você não se diverte, o leitor não irá se divertir ao ler.
2 - A revista O PAVIO tem uma linguagem própria que não é necessariamente a linguagem padrão-formal. Os textos devem refletir o que se fala nas ruas, as gírias, as expressões regionais, ou seja, deve parecer uma conversa com o leitor.
3 – A linguagem da revista passa pelo aspecto visual. Ao invés de fotos, damos preferência a ilustrações e charges.
4 – Textos literários devem ser preferencialmente crônicas humorísticas. Textos curtos e com linguagem ágil.
5 – Há situações em que determinados temas não podem ser tratados de forma engraçada. Nesse caso, faça com que não fique excessivamente pesado, usando textos curtos.
6 – A revista O PAVIO é também um laboratório de jornalismo, de modo que não procuramos seguir o jornalismo convencial. Estilos diferenciados, como o gonzo jornalismo e o novo jornalismo são muito bem-vindos.
7 – Não se auto-censure ao escrever. Deixe que o editor censura você.
8 – Os limites são limites éticos. Não queremos ser processados.
9 – Revise seu texto e só o entregue depois que ele estiver ok. Já tivemos caso em que foi publicada a versão errada de um texto. Portanto, entregue só depois de ter certeza de que é isso mesmo que você deseja.
10 – Não se leve muito a sério. Aqui ninguém se leva a muito a sério e esse é por isso que conseguimos tirar sarro até de nós mesmos.
11 – Divirta-se ao escrever. Se você não se diverte, o leitor não irá se divertir ao ler.
Um rock para caçador
Um rock para caçador foi uma antologia organizada pelo André
Caliman e publicada em 2014 pela Fundação Municipal de Cultura de Caçador. A
ideia era fazer uma homenagem aos clássicos do rock e, ao mesmo tempo,
interligar a história com a cidade catarinense de Caçador.
Além do próprio
Caliman, a edição contou com quadrinhos de vários feras, como Antonio Eder,
Fabrizio Andriani, Mário Cau, Will, Cleiton Patrick, José Aguiar e outros. Eu
colaborei com a história “O dia em que o velho louco visitou Caçador”. Minha
história era uma homenagem ao trio Sá, Rodrix e Guarabira, que revolucionou a
música brasileira com seu rock rural, no início da década de 1970. A história
cinta músicas do trio, como Zepelin e Mestre Jonas (mais conhecida atualmente
por causa do filme Meu nome não é Johny). A história foi desenhada pelo
antológico Biribinha, a figura mais misteriosa do quadrinho nacional.
Em tempo:
na época eu não pude participar do lançamento do álbum, mas no ano seguinte fui
a Caçador e fui recebido com enorme carinho pelo pessoal da Gibiteca de
Caçador.
Subscrever:
Mensagens (Atom)






















































