terça-feira, agosto 07, 2018

A arte extraordinária de Nilson Muller


Nilson Muller é um dos mais importantes ilustradores publicitários do Paraná. Foi o primeiro cenógrafo de televisão do Paraná e durante vários anos atuou como desenhista free-lancer para o mercado editorial e publicitário. Ele desenhou o álbum do Palhaço Zequinha, foi o criador do personagem Zé Gotinha, colaborou para a logo do Açúcar Diana e foi um dos criadores do personagem “O Gralha”. Atualmente, aos 75 anos, trabalha com ilustração digital e como artista plástico. Sua arte pintada se destaca pela beleza, riqueza de detalhes e perfeição anatômica, além da ótima composição. Confira o trabalho desse grande mestre. 













É verdade que o mascote dos soldados nazistas era um judeu?


Sim, o menino que era usado em filmes de propaganda e era chamado de o nazista mais jovem do III Reich, era, na verdade, um órfão judeu.
Ilya Galperin era um menino judeu que teve toda a sua família morta pela SS durante a invasão da Bielorússia.
O menino, de apenas cinco anos, viu todos os homens do local serem enfileirados e mortos. “Eu não queria morrer, então no meio da noite eu tentei escapar. Dei um beijo na minha mãe e corri para as colinas ao redor da vila.”. se não fosse isso, teria morrido junto com sua mãe e seus irmãos. Ele ficou lá na floresta, escondido, até que os tiros parassem, então tentou buscar ajuda.
Ele batia nas portas das pessoas, implorando por ajuda. Elas lhe davam pão, mas o mandavam embora.
Ilya Galperin passou nove meses na floresta, até ser denunciado por um homem à SS e levado para um local de execuções.
Ele então se aproximou de um soldado e lhe disse: “Antes de me matar, poderia me dar um pedaço de pão?”. O soldado o levou para trás de um prédio. “Você é judeu e isso não é bom”, afirmou o soldado. “Eu não quero te matar, mas se eu te deixar aqui, você vai morrer. Vou te levar comigo, te dar um novo nome e dizer aos outros que você é um órfão russo”.
A solidariedade daquele sargento alemão, Jekabs Kulis, não só salvou o menino, como lhe deu um destino totalmente imprevisto. Como tinha todas as características de um garoto ariano, o menino, rebatizado de Alex Kurzem, tornou-se um símbolo da juventude nazista.
Eles lhe deram um uniforme, uma pequena arma e uma pistola. A função do garoto era fazer pequenos serviços, como pegar água, mas seu principal trabalho era manter elevado o moral as tropas.
Ele protagonizava filmes de propaganda e era até usado para atrair judeus para a morte. Nas estações de trem que levavam os judeus para a morte, Alex distribuía chocolate para fazê-los entrar nos vagões.
Quando a guerra estava perto do fim, ele foi entregue a uma família da Letônia. Depois foi para a Austrália, onde manteve seu passado em absoluto segredo.
Em 1997, ele decidiu revelar o segredo para sua família e começou uma jornada para descobrir mais sobre seu passado com o filho, Mark. Depois de visitarem a vila onde ele nasceu, eles descobriram que seu nome verdadeiro era Ilya Galperin e recuperaram um filme no arquivo da Letônia em que Alex aparecia com uniforme completo da SS.

Big Barraco Brasil


Eu sempre fui muito fã da MAD. Desde que comecei a ler quadrinhos com mais frequência, no início da adolescência e encontrei os sebos, era uma das minhas leituras prediletas. Em 2008 a revista voltou a ser publicada pela editora Panini, após um longo hiato, e eu resolvi entrar em contato com o editor, Raphael Fernandes, me oferecendo para escrever roteiros. O Raphael já conhecia meu trabalho, mas duvidou que eu pudesse escrever humor, já que eu era mais conhecido pelas histórias de terror. E me deu um desafio: fazer uma sátira do Big Brother Brasil. O Raphael é um dos cara mais malucos que já conheci e queria algo igualmente maluco, fora da caixa. Eu propus um Big Brother se passando em uma favela: o Big Barraco Brasil. A história foi bastante elogiada (inclusive por pessoas dentro da editora) e foi minha primeira colaboração para a revista. 

segunda-feira, agosto 06, 2018

O Capitão Marvel


O Super-homem foi o iniciador e também o personagem símbolo da era de ouro dos quadrinhos,  e, por mais que aparecessem mais e mais super-heróis, parecia que nenhum deles nunca iria ter fôlego para bater o Homem do amanhã. Isso até surgir o Capitão Marvel, o herói de maior sucesso da era de ouro.
O rei da era de ouro surgiu na Fawcett, uma editora de um ex-oficial da I Guerra Mundial. Ele entrara no mercado publicando revistas de piadas, mas, diante do sucesso dos gibis, resolveu publicar também seu Super-homem. Assim, ele pediu ao editor Bill Parker e ao ilustrador C.C. Beck que se encarregassem da empreitada. Os dois criaram o Capitão Trovão. Para diferenciar, eles decidiram que as explicações para os poderes do personagem não seriam científicas, como no caso do Homem de aço, mas mágicas.
Assim, Billy Batson é um jovem repórter de rádio escolhido por um mago para ser campeão da verdade. Para se transformar, ele precisa dizer a palavra SHAZAN!, sigla que lembra heróis clássicos da mitologia (Salomão, Hércules, Atlas, Zeus, Aquiles e Mercúrio). Cada herói se relaciona a uma qualidade do herói. Assim, Salomão representa a sabedoria, Hércules a força física, Atlas o vigor, Zeus o poder, Aquiles a coragem e Mercúrio a velocidade.
Ao dizer pela primeira vez a palavra, um raio o atingiu e ele se transformou no mortal mais poderoso do planeta.
O Capitão Marvel estreou na revista Flash Comics, numa edição distribuída a poucas pessoas, feita apenas para garantir os direitos sobre o personagem. Mas, para azar da Fawcett, uma outra editora lançou, no mesmo mês, uma revista com o mesmo nome. Assim, a revista precisou ter seu título alterado para Whiz Comics e o personagem foi lançado oficialmente em fevereiro de 1940, agora renomeado como Capitão Marvel. As histórias fizeram sucesso imediato, ameaçando rapidamente o reinado do Super-homem. A razão disso é que o personagem explorava muito melhor os limites (ou falta de limites) do gênero superheroiesco. Além disso, o desenho de CC Beck até hoje enche os olhos dos fãs. Para completar, havia os ótimos roteiros de Bill Parker, que depois seria substituído pelo igualmente competente Otto Binder.
Binder não só continuou a tradição de seu predecessor, como ainda tornou mais complexo o universo do personagem, introduzindo novos elementos em sua mitologia. Assim, o Capitão Marvel ganhou um companheiro, Capitão marvel Jr., e uma companheira, Mary Marvel. O interesse dos leitores era tão grande que os personagens da família Marvel se espalharam por duas outras publicações: Wow Comics e Master Comics. Também havia toda uma, uma das melhores que já povoaram os quadrinhos (o único super-herói que rivaliza com ele, em termos de originalidade de seus inimigos, é com certeza o Batman). Dos adversários do Capitão Marvel, dois se destacam: o Dr. Sivana, descrito como o cientista mais maluco do mundo, que deu ao Capitão Marvel seu apelido mais famoso, o de Big Red Cheese (Grande Queijo Vermelho); e o Senhor Cérebro, uma minhoca verde de óculos, que se comunicava utilizando um amplificador de voz.
O sucesso acabou incomodando a National, que publicava o Super-homem, e esta entrou na justiça contra a Fawcett acusando-a de plágio de seu principal personagem.  
A batalha judicial prolongou-se durante anos, encerrando-se em 1953 com um acordo proposto pela Fawcett, que havia decidido, devido às baixas vendas de sua revista, abandonar a publicação de histórias em quadrinhos e dedicar-se a outras atividades.
Devido a esse acordo, o Capitão Marvel mergulhou no limbo durante o restante dos anos 50 e todos os anos 60 no mercado norte-americano, retornando a ser veiculado somente durante a década de 70. No Brasil, no entanto, ele foi republicado normalmente durante os anos 60, pela Editora Rio Gráfica, do Rio de Janeiro. E, no Reino Unido, teve até um substituto, o Marvelman, atualmente conhecido como Miracleman, um personagem que nos anos 1980 revolucionaria os quadrinhos nas mãos de Alan Moore.

Roteiro de quadrinhos: menos é mais


Um sábio já dizia que escrever é cortar palavras. Em nenhum outro gênero textual isso é tão verdadeiro quanto nos roteiros para quadrinhos.
Quadrinhos é a arte da síntese. Escrever muito com pouquíssimas palavras. Tanto que muitos escritores que se aventuraram a produzir quadrinhos deram com os burros n´água.
Um dos poucos que fizeram obras-primas foi Paulo Leminiski. No começo dos anos 1980, ele escreveu algumas histórias para a editora Grafipar, de Curitiba e, mesmo poucas, entraram para a história dos quadrinhos nacionais. A razão é que Leminski vinha da publicidade, em que a síntese é essencial, e foi muito influenciado pela poesia hai-kai, também muito sintética, além de intimamente relacionada à imagem. Em outras palavras, quando foi para os quadrinhos, o poeta sabia que quadrinhos não são literatura.
Um exercício interessante é observar a evolução do texto de Stan Lee ao longo de histórias como as do Quarteto Fantástico. Nas primeiras HQs o texto parecia transbordar dos balões. Depois foram diminuindo, diminuindo e, ao mesmo tempo, tornaram-se mais poéticos, mas sensíveis. Ou seja: ao mesmo tempo em que diminuíam de tamanho, iam ficando mais elaborados.
Quando comecei a escrever quadrinhos, eu logo descobri algumas dicas básicas: evita-se, por exemplo, orações subordinadas e frases que digam o que o leitor está vendo. Por que dizer “Flash, que corria velozmente, salvou a moça!”?  Além de contar algo que o leitor já está vendo, o “que corria velozmente” só serve para entulhar o balão de texto. Além disso, nos quadrinhos, uma única palavra pode dizer muito.

A história Orquídea Negra, de Neil Gaiman mostra bem isso. Em uma sequência genial, o texto diz apenas: “Então o sonho me leva para longe... e/uma/vez/mais/eu/desco/ca/in/do”. Difícil não se sensibilizar com a beleza poética dessa sequência, em que o texto se une perfeitamente aos quadrinhos. Aliás, essa sequência lembra muito a poesia concreta, um movimento literário brasileiro que influenciou muito, adivinhem? Paulo Leminski.  

domingo, agosto 05, 2018

Quem foi Varian Fry?



Varian Fry era um jornalista norte-americano, responsável por  salvar milhares de intelectuais da perseguição nazista. Era um jovem culto e refinado, conhecedor de vinhos e artes plásticas. Gostava de ler poesia e observar pássaros.
Fry era um “yuppie” de nossos dias. Vestido de forma impecável, com um cravo vermelho na lapela, ele parecia estar mais interessado em sua própria beleza do que nos bem-estar de outras pessoas. Seus amigos o descreviam como “um jovem exuberante e agradável, culto e bonito”.
Entretanto, se parecia um dandy na maneira de se vestir, Fry tinha outra característica que seria essencial em sua missão. Ele odiava injustiças e estava sempre pronto a combatê-las. Seus pais costumavam dizer que, ainda estudante, Fry abandonara a escola altamente conceituada que freqüentava por considerar humilhantes algumas de suas tradições.
Embora não tivesse nenhum treinamento militar ou de espionagem, ele se tornou uma figura-chave na fuga de milhares de intelectuais perseguidos pelo nazismo ao se oferecer como representante do Comitê de Resgate de Emergência, organização que providenciava a fuga de refugiados.

Revistas da Grafipar


Grafipar foi uma das mais importantes editoras brasileiras de quadrinhos. Especializada em quadrinhos eróticos, ela inundou as bancas no final dos anos 1970 e início dos anos 1980 com uma enorme variedade de revistas com a nata dos quadrinhos nacionais. Confira algumas capas da editora.

















Primeiro congresso de HQs no AP terá palestras, oficinas e lançamentos de publicações

Por Carlos Alberto Jr, G1 AP, Macapá
 
Público poderá participar de oficinas, palestras e apresentar publicações inéditas durante o congresso (Foto: Igum D'jorge/Arquivo Pessoal)Público poderá participar de oficinas, palestras e apresentar publicações inéditas durante o congresso (Foto: Igum D'jorge/Arquivo Pessoal)
Público poderá participar de oficinas, palestras e apresentar publicações inéditas durante o congresso (Foto: Igum D'jorge/Arquivo Pessoal)
Com a proposta de oportunizar os estudos acadêmicos voltados para as histórias em quadrinhos, acontecerá pela primeira vez no Amapá um congresso voltado para a chamada nona arte. As inscrições para participar do "Aspas Norte", tanto como público ouvinte, quanto para envio do resumo de trabalhos acadêmicos, ficam abertas até o dia 31 de julho.
O evento será realizado nos dias 25 e 26 de outubro, no campus Marco Zero da Universidade Federal do Amapá (Unifap).
Para os acadêmicos que apresentarão artigos, os resumos devem ser enviados para o e-mail: aspasnorte@gmail.com. A divulgação dos aprovados será no dia 15 de agosto e a taxa da inscrição varia de acordo com a categoria da participação.
Com o tema "A Linguagem dos Quadrinhos", o congresso terá palestras, oficinas, lançamentos de publicações e a apresentação de trabalhos de pesquisa. Entre os convidados estarão o gaúcho Iuri Andréas Reblin, especialista em teologia e quadrinhos, e o mineiro Edgar Silveira Franco, roteirista e doutor em artes. Leia mais aqui

Em tempo: as inscrições como ouvintes vão até o dia 24 de outubro e podem ser feitas aqui. A participação no Congresso como ouvinte valerá um certificado de 20 horas. 

Narcos, terceira temporada

Narcos chegou à terceira temporada com um desafio monstruoso: sobreviver à morte de Pablo Escobar. A interpretação de Wagner Moura foi tão marcante que parecia que ele estava carregando a série nas costas. Como continuar a série sem ele? Em especial porque os traficantes do Cartel de Cali não pareciam tão interessantes ou dúbios, exceto por Pacho Herrera, magistralmente interpretado por Alberto Ammann (a homossexualidade do personagem faz um contraponto à selvageria do personagem). 
A série, no entanto, conseguiu desenvolver a trama e os personagens de maneira competente. E introduziu um novo personagem: Jorge Salcedo (Matias Varela). Chefe da segurança do Cartel de Cali, ele vive a dubiedade de não se considerar alguém mal e jamais ter matado alguém, mas trabalhar para um cartel de drogas. As melhores cenas de toda a temporada sem dúvida são com esse personagem.
Embora a direção seja segura, o roteiro (de Chris Brancato, criador da ´serie) foi fundamental para que esta temporada desse certo. Trabalhando o tempo todo com narrativas paralelas, a trama deixa o expectador sempre no fio da navalha, em especial nos capítulos finais.
Narcos é uma das melhores séries da atualidade e mostra a que nível chegou a influência do tráfico de drogas: até mesmo governos que dizem combater as drogas, na verdade estão ligados a ele. Em países da América Latina, senadores, ministros e até presidentes parecem comer nas mãos dos carteis de drogas.

sábado, agosto 04, 2018

A arte saudosista de Norman Rocwell

Norman Rocwell foi o mais popular ilustrador norte-americano, em especial por causa das capas que fez para a revista The Saturday Evening Post durante mais de quatro décadas. Seus temas refletiam assuntos da época, como os direitos civis para os negros e a II Guerra Mundial, mas se destacavam principalmente pelos temas saudosistas. Em contraste com uma América que se industrializava e se tornava, aos poucos, a maior potência econômica do mundo, as imagens de Rocwell refletiam a pureza de outros tempos e a inocência das crianças. Quando morreu, milhares de pessoas compareceram ao seu funeral e sua casa foi transformada em museu, deixada exatamente como estava no dia de sua morte. Conheça o trabalho desse grande ilustrador e mergulhe em uma viagem repleta de saudosismo.

















Metrópolis: um marco do cinema


Metrópolis é um dos filmes mais importantes da história. Dirigido por Fritz Lang e lançado em 1927, a película veio no rastro do expressionismo alemão (Lang havia sido co-roteirista de O gabinete do Doutor Caligari, filme fundador do expressionismo no cinema), o que se reflete principalmente pelos cenários grandiosos e pela interpretação marcante. 
A história deve muito ao clássico A máquina do tempo, de H.G. Wells: no ano de 2016, ricos vivem na superfície e têm sua vida paradisíaca sustentada pelos pobres trabalhadores, que vivem no subsolo operando máquinas monstruosas.
A história foca em um casal: Freder, filho do magnata dono da cidade, e Maria, uma benfeitora dos pobres, que acredita na paz entre as duas classes. Os dois se conhecem quando Maria leva crianças pobres para a superfície e é imediatamente enxotada. O rapaz, fascinado, desce, procurando por ela e vê uma máquina explodindo e matando vários operários.
A situação se complica quando um inventor enlouquecido cria um robô com as feições de Maria capaz de enfeitiçar a todos com sua beleza. Seu objetivo é provocar uma revolta dos operários que resultaria na destruição da cidade.
Metrópolis criou a base do que viria a ser a ficção científica cinematográfica (a exemplo de Star Wars e Wall-E), desde a ação initerrupta aos cenários deslumbrantes e visual dos robôs.
O impacto sobre os quadrinhos não é menos relevante. Basta lembrar da cidade do Super-homem, Metrópolis, uma referência óbvia ao clássico de Fritz Lang.

sexta-feira, agosto 03, 2018

Quem foi Denise Madeleine Bloch?


Conhecida pelo codinome "Ambroise", Denise Madeleine Bloch foi uma das mais importantes agentes do SOE em solo francês.
Filha de pais judeus, ela iniciou suas atividades na resistência aos nazistas em 1942, com a identidade de Danielle Willams. Trabalhava como operadora de rádio e ajudava o agente Brian J. Stonehouse, codinome "Celestin", até ele ser preso, em 24 de outubro de 1942.
Ela foi em seguida para Marselha, onde um agente entregou-lhe documentos secretos. Muriel se ofereceu para levá-los para Lyon. Mas Jean Maxime Aron, receoso de deixá-la ir sozinha, insistiu em acompanhá-la, juntamente com outro membro da Resistência. A Gestapo os esperava na estação. Aron foi preso, mas Denise conseguiu escapar da prisão e se escondeu numa casa nos arredores de Lyon. Permaneceu inativa até janeiro de 1943, quando os agentes Philippe de Vonnécourt e George Reginald Starr a contatam. Por algum tempo trabalhou para a SOE na cidade de Agen, mas, em abril, após a prisão de 2 agentes, Denise foi enviada a Londres, levando mensagens e relatórios sobre a situação da Resistência, na França.
Ela tinha importantes informações aos seus superiores. Disse, por exemplo, que os agentes enviados à França não podiam ser muito jovens, pois os alemães costumavam prender rapazes aleatoriamente e enviá-los para trabalhar na Alemanha. Além disso, deveriam falar francês fluente, pois todas as pessoas com sotaque estrangeiro eram deportas para campos de concentração.
Madeleine não quis ficar na segurança na Inglaterra e insistiu em ir para a França, onde acabou sendo presa pela Gestapo. Foi mandada para a Alemanha onde seria torturada até a morte.
Denise tinha 29 anos, ao morrer. Sua memória é reverenciada com uma placa com seu nome, no Cemitério Militar de Brookwood Commonwealth, em Surrey. 

Capes anuncia o fim das bolsas de mestrado e doutorado

A Capes (COORDENAÇÃO DE APERFEIÇOAMENTO DE PESSOAL DE NÍVEL SUPERIOR) lançou uma nota dia 1 de agosto anunciando que, em decorrência dos cortes orçamentários, irá cortar todas as bolsas de mestrado e doutorado. Além disso, será descontinuado o programa Universidade Aberta, que oferecia cursos de especialização em educação para professores na modalidade EAD. Até mesmo os programas de cooperação internacional serão afetados pelos cortes no orçamento.
Em nenhum outro momento da história recente do Brasil a situação da educação e da pesquisa foi tão grave e isso irá provocar uma fuga de cérebros - quem puder fazer mestrado e doutorado em outros países e ficar por lá, o fará.
Lembro que na época em que aprovou a PEC do teto de gastos, muitos conhecidos meus comemoraram dizendo que finalmente o dinheiro público ia ser investido no que realmente importava. Pelo jeito, o que realmente importa é a farra dos políicos.

quinta-feira, agosto 02, 2018

Caverna do Dragão


Caverna do Dragão foi um desenho animado criado em 1983, nos Estados Unidos, baseado no RPG Dungeons and Dragons. Entre os seus criadores estão o roteiro de quadrinhos Mark Evanier, famoso pelo personagem Groo.
A série mostrava as crianças entrando em uma espécie de trem fantasma que se transformava em um portal para uma dimensão repleta de dragões, magos, anões e diversas outras criaturas mágicas. Nesse mundo eles conhecem o Mestre dos Magos e o vilão Vingador. A maioria dos episódios girava em torno da tentativa dos mesmos de voltarem para a terra, algo que eles nunca conseguiam.
No Brasil, assim como nos EUA, a série foi um enorme sucesso. Entretanto, ela foi descontinuada depois da terceira temporada, no auge da fama. Na verdade, nem mesmo o último episódio dessa temporada foi produzido. A razão é que a empresa responsável pela marca Dugeon and Dragons faliu e a produtora CBS e a Marvel resolveram parar a produção.
O fato de não ter sido um final transformou o desenho em uma lenda urbana. Começaram a surgir vários finais alternativos, escritos na forma de fanfic. O mais famoso deles dizia que as crianças estavam no inferno e que o Mestre dos Magos e o Vingador eram a mesma pessoa.
Entretanto, existiu o roteiro de um episódio final da terceira temporada com o título de Réquiem. Escrito por Michael Reaves, que pode ser considerado o final oficial:"Este episódio foi escrito de forma que tivesse um duplo sentido, ambíguo e triunfante: se o desenho não continuasse, o final seria satisfatório; se continuasse, o episódio serviria de trampolim para uma nova direção". Esse episódio deveria se chamar redenção, mas os produtores acharam que o título era muito explícito.
Recentemente o roteirista disponibilizou o roteiro na internet e o brasileiro Reinaldo Rocha fez a versão em quadrinhos. 

A origem do Batman


O surgimento do Super-homem foi um fenômeno de vendas sem precedentes. Logo todo editor estava pedindo a seus artistas que fizesse cópias daquele heróis. Uma dessas cópias surgiu um ano mais tarde, em 1939 e ficaria tão famoso quanto o Homem de aço: o Batman.
Bob Kane, assim como os criadores de Super-homem, era um garoto judeu que sonhava se tornar uma estrela com os quadrinhos. Seu pai era gráfico do New York Daily e conhecia um pouco do negócio (o que faria grande diferença na hora de negociar os direitos autorais).
Bob queria criar um super-herói que fizesse tanto sucesso quanto o super-homem. Acontece que ele não era exatamente um intelectual, e não conseguia escrever a histórias. Quando ele conheceu o jovem escritor Bill Finger, foi um casamento perfeito. Embora Finger pretendesse se tornar um escritor sério, ele também era apaixonado pelos pulp fiction e estava disposto a produzir qualquer coisa que lhe rendesse dinheiro.
Procurando inspiração para sua criação, Bob Kane vasculhou sua coleção de Flash Gordon e se deparou com os homens-pássaros desenhados por Alex Raymond. Ele então apresentou para Finger um herói vestido de vermelho, com asas mecânicas, chamado Homem-pássaro.
Finger achou que não era uma boa idéia. Como o personagem ia estrelar uma revista chamada Detetive Comics, ele pensava que deveria ter um ar mais soturno, uma criatura noturna, furtiva, envolta em uma capa preta. Que tal se fosse inspirado num morcego? Eles bolaram então um personagem vestido de cinza, com uma capa preta recortada, um capuz com orelhas e olhos que pareciam apenas frestas, dando um ar assustador ao conjunto. Para completar o conjunto, colocaram um morcego no peito do herói (para imitar o S do Super-homem) e lhe deram um cinto de utilidades com mil e uma bugigangas.
Os editores da National acharam o personagem perfeito para a Detetive Comics, mas Kane se negou a vender os direitos totais do personagem. Seu pai consultou um advogado e conseguiram um bom contrato que garantia muitos direitos para o desenhista. Posteriormente, quando Jerry Siegel e Joe Shuster tentaram conseguir na justiça os direitos do Super-homem, estes procuraram Bob para que ele entrasse com eles no processo. Ao invés de fazer isso, ele procurou a editora e negociou um contrato ainda melhor para ele.
Batman estreou no número 27 da revista Detetive Comics, em maio de 1939 e foi um sucesso imediato. Como Bill Finger não conseguia dar conta de todos os roteiros, Kane pediu à editora um segundo roteirista e apareceu Gardner Fox, que, na primeira história, mostrou o personagem levando um tiro. Isso definiu algo que ficaria claro nos anos seguintes: o personagem era o oposto do Super-homem. Enquanto um era a luz, o outro era as trevas. Enquanto o Super-homem vivia na ensolarada e otimista Metrópolis, Batman se esgueirava pelos becos escuros da corrompida Gothan City. Se o Super-homem era invencível e gostava de ricochetear balas em seu peito, o Batman era falível, um humano normal, que só ganhava graças à sua astúcia e ao cinto de utilidades.
Por muito tempo os leitores achavam que Bob Kane fazia todos os desenhos (a sua assinatura constava em todas as histórias), mas logo surgiram vários desenhistas fantasmas. Entre eles, Jerry Robinson, Jim Mooney e Sheldon Moldoff. Na época, Kane ficou famoso e costumava levar garotas em seus carrões para ver sua mansão adornada por uma série de quadros de palhaços pintados por ele. Dizia-se que até esses quadros haviam sido feitos por um desenhista fantasma.
Com o tempo, a descoberta de que muitas crianças liam a história fez com que fosse introduzido um parceiro mirim, o Robin. A partir de então, todo herói que se prezava tinha que ter um parceiro infantil. Geralmente eram eles que vendiam lancheiras para crianças.

quarta-feira, agosto 01, 2018

O último dos moicanos



Grandes clássicos da literatura em quadrinhos é uma coleção francesa lançada em banca no Brasil pela Del Prado. Foram dezenas de volumes reunindo uma equipe de quadrinistas da linha franco-belga em suas adaptações.
O último dos moicanos, oitavo volume da coleção, traz roteiro de Marc Bourgne e desenhos de Marel Uderzo (irmão de Albert Uderzo, co-criador do Asterix). A história tem como pano de funo a guerra entre franceses e ingleses pelo domínio da América do Norte e, claro, ingleses e franceses se aproveitavam da rivalidade entre as diversas tribos para trazê-las para sua influência. Na trama, as duas filhas de um general inglês são sequestradas por um índio aliado dos franceses. Um grupo se forma para resgatá-las formado por índios aliados, ingleses e um aventureiro.
Embora o desenho seja bonito, acaba se tornando pouco eficiente por conta da narrativa truncada e sem ritmo. Há, por exemplo, situações de suspense que se apresentam no penúltimo quadro de uma página e se resolvem no último (bons roteiristas colocam o suspense no último quadro, forçando o leitor curioso a virar a página). Em outro momento, os personagens simplesmente aparecem como prisioneiros de uma tribo, sem maiores explicações. O final é ainda mais truncado, deixando uma sensação de anti-clímax. Além disso, o texto é excessivamente narrativo, parecendo muito mais uma literatura ilustrada.