quinta-feira, setembro 06, 2018

The Superhero Evening Post

 Saturday Evening Post foi uma antológica revista norte-americana, mais conhecida pelas fantásticas capas com arte pintada por Norman Rocwell. Ficaram tão famosas que passaram a fazer parte do imaginário popular. The Superhoero Evening Post é uma série de ilustrações feitas por Ruiz Burgos homenageando as famosas capas da Evening, mas com o tema super-heróis. Para termos de comparação, coloquei no final do post uma capa original da revista.








Guerra dos Tronos e a manobra Kansas City

ATENÇÃO: Contém spoiller
O episódio de ontem de GOT(3o da sétima temporada) foi um bom exemplo do uso no roteiro da chamada Manobra Kansas City. Essa expressão surgiu no filme Cheque mate e exemplifica a técnica usada pelos mágicos: faça todos olharem para a direita, enquanto o que é realmente importante está acontecendo à esquerda. 
É um dos expedientes prediletos de George Martin e um dos atrativos da série, uma das razões pelas quais alguns episódios surpreendem o público.
No episódio em questão acompanhamos o ataque das forças de Danierys ao rochedo Casterly, sede da família Lannister. Sob a narração de Tyrion, acompanhamos como os soldados irão invadir o castelo através de uma passagem secreta ao invés de um ataque frontal. A narrativa enaltece as habilidades e motivações dos soldados da rainha dos dragões, que lutam por fidelidade e amor a ela. O heróismo da narrativa irá constrastar com o fracasso da missão, criando uma ironia narrativa que pega o expectador desprevenido.
Mas, enquanto ocorre o ataque, que parece um sucesso, acontece, Jamie Lannister está comandando um ataque aos Tyrell, o reino mais rico e estratégico dos sete reinos.
Ou seja: Danierys conseguiu um rochedo cujas riquezas já foram todas exauridas e Cercei agora tem em suas mãos uma riqueza incalculável, que irá abastecer seu exército e pagar suas dividas.
Aliás, o ataque aos Tyrell é uma pérola da elipse: vemos apenas o exército chegando e depois Jamie caminhando entre os defensores, mortos e, finalmente, conversando com a derrotada avó Tyrell.

O carrasco dos gibis


No início da década de 50, o psicólogo alemão naturalizado norte-americano Fredrick Werthan publicou uma obra que teve grande influencia sobre o futuro das histórias em quadrinhos. O Livro Sedução de Inocentes acusava os gibis de provocarem preguiça mental e delinqüência juvenil. Para Werthan, as crianças que liam quadrinhos se tornariam marginais e perderiam completamente o gosto pela leitura.
A campanha  de Werthan contra os quadrinhos teve início em 1948, com a publicação do artigo Horror in The Nursey na revista Collier. Como resultado direto do artigo, houve uma queima pública de quadrinhos na cidade de Birghnton, Nova York.
            Depois disso os jornais e revistas começaram a publicar crimes juvenis inspirados por revistas em quadrinhos. As crianças logo aprenderam que uma maneira fácil de se eximir da responsabilidade por seus atos era colocar a culpa nos gibis.
            Foi criada uma comissão no Senado Americano para investigar os supostos efeitos nocivos dos gibis sobre as crianças. Os editores foram chamados para depor, mas o depoimento que causou mais forte impressão foi o do psicólogo inimigo dos gibis. Suas palavras ainda ecoavam na opinião pública quando os senadores aconselharam os editores a criarem um código de censura, antes que alguém o fizesse por eles. As empresas da área entenderam o recado e imediatamente se reuniram para criar o Comics Code – um código que atrasou em mais de 20 anos o desenvolvimento dos quadrinhos na América. As revistas da EC Comics, as mais revolucionárias da época, foram quase que totalmente proibidas. A Mad se salvou apenas por ter mudado de formato, o que a deixou fora do código.
            Entretanto, as pesquisas de Fredrick Werthan, que deram origem ao livro Sedução dos inocentes, tinham erros metodológicos básicos e graves. O primeiro deles é o teste do falseamento. A metodologia científica prevê que um cientista deve criar uma hipótese e testá-la, procurando não provas de que ela está certa, mas provas de que ela está errada. Além disso, o cientista deve estar atento às chamadas variáveis intervenientes, aquelas coisas que não estão sendo estudadas, mas podem interferir nos resultados. Werthan não fez nem uma coisa nem outra. Ao invés de testar sua hipótese, ele procurou apenas provas de que ela estava correta. Ademais, ele ignorou completamente todas as outras variáveis que poderiam estar provocando a delinqüência juvenil. Num caso de um garoto que matou um homem por diversão, por exemplo, ele ignorou completamente o fato de que o garoto tinha diversas armas em casa e era fanático por elas para concentrar-se apenas no fato de que o garoto lia gibis.
Hoje em dia as pesquisas de Werthan são motivo de piada nos meios científicos, mas tiveram grande repercussão, criando um preconceito contra essa mídia que existe até hoje. 

quarta-feira, setembro 05, 2018

Júlio Verne, o viajante das idéias



Houve uma época em que milhões de crianças no mundo todo se deliciavam com viagens extraordinárias em que o mundo se revelava diante delas trazendo consigo as maravilhas de uma nova ciência: a geografia. Tudo graças a um escritor francês dotado de imaginação e rigor na busca de informações. Seu nome era Júlio Verne.
Quando Verne publicou seu primeiro romance,  Cinco Semanas Num Balão, em 1863, as descobertas científicas aconteciam a um ritmo cada vez mais rápido. Darwin publicara há cinco anos seu livro A Origem das Espécies, de Darwin. Há pouco tempo Pasteur divulgara suas descobertas, que derrubavam a teoria da geração espontânea de vida e lançava a teoria dos vermes como causadores de doenças. Entretanto, o povo, o cidadão comum, ainda via a ciência como uma desconhecida, uma curiosidade de laboratório, de interesse apenas de homens sábios. Pouco havia sido escrito que fosse do entendimento do homem comum e, principalmente, das crianças.
Cinco semanas num balão começou com o nome de A Viagem no ar. Em outubro de 1862, Júlio Verne apresentou o original para o editor Pierre-Jules Hetzel. Hetzel foi tão importante no direcionamento da carreira desse, então estreante escritor, que pode, de certa forma, ser considerado co-escritor. O livro era uma referência direta aos exploradores que revelavam os segredos da África. Nele, o doutor Samuel Fergunson, seu amigo Dick Kennefy e um empregado se aventuram do Zanzibar até o Niger em um balão, refazendo o percurso de muitos dos homens que desbravaram o continente. Hetzel fez várias sugestões para tornar a história mais palatável, inclusive a mudança do título para Cinco semanas num balão. Hetzel tinha tanta confiança no texto de Verne que o fez assinar um contrato para outros livros. O contrato dizia, abertamente que o objetivo dos livros era: “Resumir todos os conhecimentos geográficos, geológicos, físicos, astronômicos, acumulados pela ciência moderna e refazer, sob a forma atrativa e pitoresca que lhe é própria, a história do Universo”.   
Em Cinco Semanas Num Balão, Júlio Verne, com o auxílio de Hetzel, introduzira um novo tipo de novela - uma forma diferente de contar história, um misto de ficção e realidade.
Qualquer itinerário serviria para o Vitória, mas a viagem tornara-se mais real porque acompanhava claramente o percurso da expedição de 1850 levada a cabo pelos exploradores Richard Francis Burton e John Hamming Speke.
Quanto à construção do balão, Júlio Verne tornara-a perfeitamente praticável com seu complicado fogão que provocava a expansão do hidrogênio por meio de aquecimento, fazendo o aparelho elevar-se sem ser necessário sacrificar lastro. A idéia do balão duplo foi tomada de Mensnier de Laplace e Nadar; a bateria elétrica viera das experiências  de Albert Wilhehn Bursen e a luz brilhante do arco improvida para arrancar o desgraçado missionário lazarista às torturas infligidas pelos selvagens africanos viera dos manuscritos de Humphry Javoy.
Tudo isso deu à história uma verossimilhança que jamais se vira em um livro de aventuras, abrindo caminho para toda a literatura de ficção-científica do século XX. Mais: a obra de Verne se tornou a base do gênero Steampunk, um dos mais populares e importantes do século XXI.
Depois de Cinco semanas em um balão, vieram diversos outros livros, como Viagem ao centro da Terra, A volta ao mundo em 80 dias, Da Terra à Lua e, o mais famoso deles, 100 mil léguas submarinas.

Quem foi Julius Streicher?


Julius Streicher foi um militar e jornalista nazista, cujo jornal, o Der Sturner seria um dos principais elementos da máquina de propaganda hitlerista e de difusão do anti-semitismo. Ele chegou a publicar até mesmo um livro infantil, O cogumelo venenoso, como forma de difundir o ódio aos judeus entre as crianças germânicas.
Streicher nasceu em Augsburgo, na Baviera. Era filho de um professor católico. Ele foi professor primário até se incorporar ao exército alemão. Durante a primeira guerra, recebeU a cruz de ferro.
Quando a guerra acabou ele se envolveu com o anti-semitismo até que, em 1919 ajudou a criar a Wistrich, uma organização anti-semita que depois iria se integrar ao partido Nazi.  
Em 1923 criou o jornal Der Sturmer, que seria um dos principais veículos das idéias racistas do III Reich. O jornal chegou a ter uma tiragem de 800 mil exemplares.
As matérias do jornal difundiam preconceito, como os de que os judeus eram responsáveis pela depressão, ou que os judeus eram cafetões, que controlavam 90% das prostitutas alemãs.
Sua postura anti-semita fez com que ele se tornasse amigo de Hitler, amizade que iria continuar mesmo depois de uma briga com Hermann Goering por causa de matérias publicadas em seu jornal.

Quando acabou a guerra, Streicher foi preso e condenado à morte. Suas últimas palavras foram: "Heil Hitler".

terça-feira, setembro 04, 2018

A arte romântica de Delacroix


A maioria das pessoas atualmente, quando pensa em romantismo, pensa em romances amorosos e melosos, que, na história da arte estão mais associados ao período conhecido como rococó. O romantismo está na verdade associado a fortes emoções, a uma arte passional e muitas vezes engajada politicamente. Poucos nomes representaram tão bem isso na pintura quanto o francês Eugène Delacroix. Sua vida, aliás, foi absolutamente romântica e aventureira: ele visitou a África e chegou a se infiltrar em haréns (sua experiência na África se refletiria em vários temas de seus quadros). Sua arte se destacou destacou com temas sociais: seu quadro O massacre de Quios relatava um episódio dramático na guerra entre a Grécia e Turquia em que civis gregos foram massacrados. Seu quadro de denúncia incluía até mesmo uma criança mamando no seio da mãe morta, um episódio aparentemente real, relatado por um amigo. Seu quadro A liberdade guia o povo, sobre a revolta de 1930 em Paris, se tornou uma das obras de maior impacto político de todos os tempos.















Joyland, de Stephen King


Stephen King é mais conhecido pelos livros de terror. Entretanto, alguns dos melhores momentos dele foram em textos que pouco tinham do gênero, a exemplo da noveleta O corpo (que deu origem ao filme Conta comigo) ou o romance O corredor da morte (que deu origem ao filme À espera de um milagre). Em Joyland, King mostra que pode ser um mestre em outra modalidade: o policial.
A história se passa em um parque de diversões (o Joyland do título) assombrado por um assassinato: uma garota foi degolada no meio de um brinquedo (conhecido no Brasil como trem fantasma). O assassino nunca foi pego e tudo leva a crer que ele matou outras garotas. A moça assassinada aparece de tempos em tempos para trabalhadores do parque, pedindo ajuda.
O personagem principal é um jovem universitário que acabou de ser chutado pela namorada e aceita um trabalho provisório no parque. Juntam-se a ele dois outros estudantes: uma linda garota ruiva e seu namorado fortão e simpático.
Como o leitor certamente adivinhou, a trama gira em torno da tentativa de se descobrir quem é o assassino (e, numa óbvia contribuição Kingiana, acrescenta-se um garoto doente com dom mediúnico). Mas esse não é o forte de Joyland (embora providencie um final realmente eletrizante). O forte do livro é aquilo que King faz melhor: mostrar personagens cativantes em uma narrativa saudosista. O capítulo em que o garoto doente é levado para passear no parque é um dos pontos altos da obra – algo que só King, com sua narrativa rica e extremamente coloquial conseguiria fazer.
O livro emula os pulp fictions não só na trama, mas também na capa, com o título em fonte vintage, mostrando uma garota Hollywood com sua máquina fotográfica na mão olhando apavorada para alguém que se aproxima, tendo o parque de diversões ao fundo.
Esse estilo saudosista é bem resumido no trecho: “Essas são coisas que aconteceram há muito tempo, em um ano mágico em que o petróleo era vendido por onze dólares o barril. O ano em que meu coração foi partido. O ano em que perdi a virgindidade. O ano em que salvei uma linda garotinha de se engasgar e um velho bem cruel de um ataque cardíaco (...) Também foi o ano em que aprendi a usar uma língua secreta e a dançar o Pop Pop com uma fantasia de cachorro. O ano em que descobri que há coisas piores que perder uma garota”.

Surpreendentemente para King, o livro tem exatas 239 páginas, o que permite ler de uma sentada. 

segunda-feira, setembro 03, 2018

O que é Maus?

Maus, a história de um sobrevivente é a melhor história em quadrinhos já produzida sobre o holocausto. De autoria de Art Spielgman, o livro conta a história do pai do autor, um judeu polonês sobrevivente do campo de Auschwitz.

O livro fala da relação complicada entre pai e filho e como os efeitos psicológicos da guerra repercutiram por anos.

O livro, além da sinceridade absoluta, se destaca pelo ótimo tratamento gráfico, com suásticas avançando como sombras sobre os personagens judeus. A representação dos povos, embora use o antopormofismo (animais para representar seres humanos), um recurso já clássico nos quadrinhos e nos desenhos animados, o faz de forma a destacar a mensagem do autor e ressaltar o clima opressor do período nazista.

Assim, os alemães são representados como gatos e os judeus como ratos. Os americanos são cachorros, os suecos carneiros, os ciganos traças. A representação evoca a propaganda nazista, que, de fato retratava os judeus como ratos e os poloneses como porcos. Era também comum que os nazistas se referissem aos povos indesejados como insetos.

Sem ser melodramática, Maus mostrou e analisou a realidade dos judeus perseguidos pelos alemães, elevando as histórias em quadrinhos a um patamar jornalístico. Tanto que, em 1992, a graphic novel ganhou o Prêmio Especial Pulitzer. 

Grande parte do livro foi publicado em série na revista RAW, editada por Spiegelman. Foi publicado no Brasil em duas partes pela editora Brasiliense. Recentemente ganhou uma versão integrada pela editora Companhia das Letras

A era de ouro da DC



Em 2010 a DC Comics completou 75 anos. Para comemorar, a Panini lançou no Brasil uma coleção em quatro volumes, cada um reunindo histórias de um período: Era de Ouro, Era de Prata, Era de Bronze, Era Moderna.
O volume Era de Ouro reunia as primeiras histórias de alguns dos personagens mais populares da editora, a começar, claro, pelo Super-homem, o personagem que não só criou a DC como fundou todo um novo gênero nos quadrinhos.
A história que abre o volume é a primeira do Homem de aço, cuja capa se tornou célebre com o herói batendo um carro contra uma pedra enquanto malfeitores fogem apavorados. Essa história havia sido recusada por vários editores – e dá para perceber facilmente as razões. A trama é mal-engendrada, com pulos narrativos estranhos.
Depois de uma pequena introdução, na qual Jerry Siegel, o roteirista, estabelece a verossimilhança da história comparando o personagem às formigas que carregam várias vezes seu peso ou o gafanhoto capaz de dar saltos enormes, a história começa no meio. O Super-homem salta no ar com uma moça nos braços. Ela é a verdadeira culpada de um crime e o herói precisa convencer o governador a perdoar uma moça que será executada em seu lugar. Depois a história pula para outra trama e para outra, sem muita conexão.
A sequência do carro, apesar de famosa, é bizarra. Bandidos sequestram Lois Lane. O Super-homem pega o carro em que estão e o sacode, fazendo os bandidos caírem – o problema é que pela lógica, também a jornalista cairia do carro. Siegel, um garoto na época, estava nos seus primeiros passos como roteiristas e o que acaba se destacando é a arte de Joe Shuster. Seu desenho elegante certamente foi fundamental para o sucesso do personagem.
O volume traz também a origem do Flash, escrita por Gardner Fox e desenhada por Harry Lampert. Fox também escreve a história da Sociedade da Justiça. Seu texto estava muito longe do que viria a ser na era de prata, quando ele ajudaria a revolucionar os heróis DC. O roteirista parecia estar convencido de que escrevia exclusivamente para crianças – o que fica óbvio na história da Sociedade da Justiça, mas também pode ser percebida na origem do Flash.
Lendo essas histórias há coisas que parecem estranhas. Flash, por exemplo, se transforma no herói graças a um acidente provocado pelo fato dele estar fumando no laboratório de química! O interesse romântico do personagem, Joan, parece uma patricinha convencida, que se interessa pelo herói apenas quando ele usa suas habilidades recém-adquiridas para ganhar o campeonato de futebol americano. Além disso, o uniforme do Flash surge do nada, no meio da HQ.
As duas melhores HQs do volume são as dedicadas ao Capitão Marvel e à Mulher Maravilha.
O desenho de CC Beck no Capitão Marvel é simplesmente lindo. Com poucos traços, mas eficiente e com sequências que remetem diretamente à art decó, como no quadro em que aparece o metrô. O uniforme do personagem é igualmente bonito. Além disso, o roteiro de Bill Parker já nos apresenta um personagem acabado, e não em construção. Sua origem é bem estabelecida, assim como o clima das histórias, voltado para a magia – em oposição ao Super-homem, que era calcado na pseudo-ciência.
A melhor história do volume é a origem da Mulher Maravilha, escrita por Charles Moulton com desenhos de H. G. Peter.
Peter já era um desenhista de experiência quando embarcou no mundo dos quadrinhos e isso é facilmente perceptível pela forma competente como ele cria visualmente a Ilha Paraíso. Seu desenho tem um apelo vintage que o faz interessante até os dias atuais.
Mas o destaque vai mesmo para o texto de Moulton (pseudônimo do psicólogo William Marston). Marston tem pleno domínio da narrativa e cria sua própria versão da mitologia grega, atualizando-a e adequando à personagem.  Até mesmo quando os quadrinhos são substituídos por texto corrido acompanhado de ilustrações, a história não perde o encanto, tal a qualidade do texto.

O terror da EC


No início dos anos 1950, a nona arte viu nascer e morrer a melhor edi­tora de HQs de todos os tempos: a EC.
A editora tinha surgido no início da década de 40, publicando coisas insossas, como adaptações da Bíblia e coisas do gênero. Com a morte de Max Gaimes, em 1947, seu filho, William Gaines, foi obrigado a assumir a editora. Nessa época ele foi procurado pelo desenhis­ta e roteirista All Feldstein que tinha uma proposta completamente inova­dora. Em maio de 1950, Gaines e Feldstein lançaram uma nova linha de gibis: dois de histórias de crimes, dois de guerra e três de terror. Nes­sas revistas desfilaram os melhores artistas da época, de Joe Orlando a All Williamson.
O sucesso foi imediato. Milhares de garotos americanos passaram a devorar sua dose mensal de horror e fantasia. Escritores famosos, como Stephen King, eram fanáticos pela EC quando crianças. No filme “Con­ta comigo’ baseado num livro de King, um dos garotos aparece lendo uma revista da EC. Gente famosa, co­mo o escritor Ray Bradbury, colabo­rava com a EC.
Até aí, tudo bem. O problema é que a EC era uma editora crítica, tal­vez a primeira da historia dos quadri­nhos. A EC fazia propaganda pacifista durante a guerra da Coréia, questio­nava os heróis e as instituições ame­ricanas. Numa das histórias um homem é encontrado próximo de uma moça atropelada e é torturado uma noite inteira até admitir que cometeu o cri­me. No final da história o policial que o torturou vol­ta para casa e trata de limpar a mancha de sangue no pára-brisa de seu carro. Ele era o assassino...
A revolução da EC, entretanto, não ficou só no conteúdo. Mudou também a forma. Todas as histórias da EC seguiam um certo ritmo óbvio até o final - quando davam uma guina­da de 180 graus, numa conclusão totalmente imprevista. Isso desconcertava o leitor, levando-o a uma leitura criti­ca da realidade (se alguém se lembrou dos filmes de M. Night Shyamalan, acertou – o diretor de Sexto Sentido sempre foi fã de quadrinhos e transformou essa “virada” final na sua marca pessoal).
A festa não durou muito. Gaines foi chamado para depor numa comis­são do Senado americano liderada por Frederick Wethan e fez o que pôde para defender suas publicações. Não adiantou muito: as editoras (para as­segurar suas vendas) criaram um có­digo de ética que praticamente proibia as revistas da EC. O resulta­do foi uma das épocas mais medío­cres da história dos quadrinhos. Os grandes artistas, desiludidos com o fim da EC, deixaram de lado os qua­drinhos, indo a maioria parte deles pa­ra a publicidade.
      Das revistas da EC, a única a per­manecer foi a MAD — durante décadas uma das revistas mais vendidas nos EUA e no mundo. O curioso é que ela é pu­blicada pelo mesmo grupo proprietá­rio da DC — a editora que liderou o levante contra as revistas de Gaines...

domingo, setembro 02, 2018

RPM Olhar 43 - Por trás da Canção

Big Barraco Brasil


Eu sempre fui muito fã da MAD. Desde que comecei a ler quadrinhos com mais frequência, no início da adolescência e encontrei os sebos, era uma das minhas leituras prediletas. Em 2008 a revista voltou a ser publicada pela editora Panini, após um longo hiato, e eu resolvi entrar em contato com o editor, Raphael Fernandes, me oferecendo para escrever roteiros. O Raphael já conhecia meu trabalho, mas duvidou que eu pudesse escrever humor, já que eu era mais conhecido pelas histórias de terror. E me deu um desafio: fazer uma sátira do Big Brother Brasil. O Raphael é um dos cara mais malucos que já conheci e queria algo igualmente maluco, fora da caixa. Eu propus um Big Brother se passando em uma favela: o Big Barraco Brasil. A história foi bastante elogiada (inclusive por pessoas dentro da editora) e foi minha primeira colaboração para a revista. 

Loja Caverna irá participar do I Aspas Norte

Mais uma atração confirmada no I Aspas Norte - congresso de quadrinhos da região norte: a loja Caverna estará presente no evento com um stand vendendo quadrinhos e muito mais. A loja Caverna está sediada no terceiro piso do Macapá Shopping. Clique aqui para conferir o site da Caverna.

Homem-pássaro


Homem-pássaro foi um desenho animado criado pelo lendário Alex Toth para a Hanna-Barbera. Foi exibido entre 1967 e 1969 no canal NBC.
O personagem era um super-herói que combatia o crime a serviço de uma sociedade secreta, com ajuda de seu ajudante Birdboy e da ave Vingador.
O herói tinha os seguintes poderes:
Absorção solar espontânea: capacidade mágica de absorver energia solar e converter em vigor corporal, resistência física a danos físicos, gerar potentes raios de calor concentrado através das mãos e dedos, controlar a temperatura de um ambiente ou equipamento e produzir um “escudo” solar protetor de grande resistência contra ataques.
Voo: por possuir um par de asas é possível alçar grandes alturas e impulsionar-se através do ar em qualquer direção.
Regeneração ou fator de cura solar: capacidade de curar ferimentos e restaurar a própria saúde em alta velocidade desde que exposto à luz solar.
Capacidade de se comunicar com a ave Vingador.

No Brasil a série passou pela Band, pela Globo, e  pelo SBT. 

sábado, setembro 01, 2018

A arte espetacular de Horácio Altuna

Horácio Altuna é um desenhista argentino famoso pelo detalhismo de seu desenho e pela sensualidade de suas mulheres. No Brasil ele ficou conhecido em especial graças à revista Porrada Especial, publicada na década de 1990.












Castração química e estupradores




Um assunto que tem entrado na pauta do dia é castração química. Muitos defendem o procedimento como forma de “tratar” estupradores e impedir que eles cometam novos crimes.
Mas será que esse procedimento realmente funcionaria?
Um exemplo que pode nos dar um indicativo nesse sentido é o do russo Andrei Chikatilo. Chickatilo sofria de disfunção erétil. Ou seja, ele era incapaz de ter uma ereção. E era também estuprador.
Em 1978 ele sequestrou uma menina de 8 anos e tentou estuprá-la. Incapaz de conseguir uma ereção, ele, em um momento de fúria, esfaqueou a menina. Foi quando percebeu que podia conseguir prazer sexual de uma maneira muito mais satisfatória: matando. Gostou tanto do prazer que sentiu ao matar a vítima que se tornou um dos maiores assassinos em série de todos os tempos, com mais de 50 assassinatos.
A falta de ereção não impediu que ele cometesse os crimes, só direcionou para uma outra forma de satisfação sexual: o assassinato.
A maioria das pessoas parte do princípio de que o estuprador estupra para satisfazer o desejo sexual (ou ao menos no sentido mais convencional de satisfação sexual). Se essa fosse a questão, ele procuraria uma prostituta. O estuprador estupra porque o que mais o excita é a humilhação e sofrimento da vítima. A penetração é apenas um meio para isso, mas nem de longe o mais importante. Se não for capaz de ter uma ereção, o psicopata irá redirecionar isso para que realmente é a fonte de seu prazer: a humilhação, sofrimento e morte da vítima.
Para estupradores só existe uma solução: manter preso. 

Quem foi Martin Bormann?

Martin Bormann foi um importante oficial nazista, secretário pessoal de Adolf Hitler. Ele ingresou no partido nazista em 1924. De 1933 a 1941 foi chefe do grupo de comando da administração nazista.
Com o fim da guerra, desapareceu. Em 1946 foi condenado à morte à revelia pelo Tribunal de Nuremberg.  A partir de então, seu destino foi alvo de controvérsias.
Artur Axmann, ex-líder da Juventude Hitlerista, disse que seu corpo foi baleado e abandonado nos destroços de Berlim quando os oficiais nazistas deixavam a Chancelaria.
Antony Beevor, um dos mais importantes historiadores sobre a II Guerra, concorda com a versão de Axmann.
No entanto, o caçador de nazistas Simon Wiesenthal acreditava que Bormann havia escapado de Berlim usando um uniforme de soldado raso e se refugiado na América do Sul.

Em 1973, durante escavações subterrâneas em Berlim, foi achado um corpo e identificado como sendo de Bormann. A localização conferia com a indicada por Axmann. O pesquisador Joachim Fest afirmou que aquele é o corpo do oficial nazista, mas um teste de DNA só foi realizado em 1998, a pedido da Promotoria Pública. O resultado do exame confirmou a opinião de Fest.