segunda-feira, junho 30, 2008

Hoje o programa Café com Notícia (94,5, de 7 às 8:30 h) entrevistou o delegado Ericlaudio Alencar. Ele está fazendo uma pesada campanha para que o horário de funcionamento de casas noturnas seja respeitado.
Já vi gente dizendo que, ao invés de se preocupar com as casas noturnas, os policiais deveriam se preocupar com a violência. Acontece que uma coisa está diretamente relacionada com a outra. Todas as cidades que conseguiram diminuir sua criminalidade reduziram o horário de funcionamento de bares e boates. Exemplos: Diadema, Nova York e Bogotá.
Bogotá era uma das cidades mais violentas do mundo. Hoje tem um nível de criminalidade baixíssimo. Uma das coisas que as autoridades de Bogotá descobriram é que os policiais perdiam a maior parte do seu tempo atendendo ocorrências nesses estabelecimentos. Eram clientes que não pagavam, brigas de bar... Com as casas noturnas fechando mais cedo, o policiamente podia se concentrar em evitar os assaltos.
Parabéns à polícia civil e ao delegado Ericlaudio pela iniciativa.



Essas são as fotos da filmagem do curta-metragem O convite, resultado do curso que eu e o Alexandre Brito ministramos no SESC na semana passada. O outro curta chama-se Crime e Mistério. Ambos serão lançados amanhã às 17 h na sala do Cine SESC, no Araxá. Estão todos convidados. (As fotos são cortesia do aluno Zoar Monteiro)

Wall-E


Fomos assistir Wall-E, a mais recente animação da Pixel. É a história de um futuro em que a terra ficou tão cheia de lixo que os humanos patiram numa nave espacial, deixando robôs para fazerem a limpeza. Mas a contaminação era tão grande que a viagem que deveria durar cinco anos se estende por séculos. Enquanto isso, os humanos vão ficando cada vez mais alienados e gordos. Sintomáticas as cenas em que duas pessoas estão, uma do lado da outra, mas conversam pela internet, ou aquela em que as pessoas vão para psicina, mas não entram na água.
O personagem principal é um desses robôs deixados para fazer a limpeza, o Wall-E do título. Wall-E é mais humano que a maioria dos personagens humanos de outros filmes. Embora seja um robô, ele é tridimensional: é romântico, apaixonado, mas também covarde e medroso. Mas, quando surge uma robô chamada Eva, Wall-E precisará superar seus medos para conquistar seu amor e, talvez, salvar a humanidade. Embora a Pixel tenha ficado famosa pela tecnologia de animação em 3D, o que impressiona mesmo é o roteiro muito bem estruturado. Até mesmo um personagem terciário, como o robozinho responsável por desinfetar a nave (e que parece ter sido colocado no filme apenas para garantir algumas gags visuais) acaba tendo importância fundamental na história.
Além disso, o filme vale pela muito bem sacada crítica à tanto à alienação quanto à forma como estamos tratando o planeta.
De negativo apenas algumas forçadas de barra no roteiro. Os humanos, por exemplo, compram muito rápido a idéia de voltar para a Terra...

domingo, junho 29, 2008

Um novo olhar sobre o gato



Com seu ar enigmático, ele já foi associado a deuses e demônios ao longo da história. Hoje, após milênios de convivência com o homem, o bichano é o animal de estimação mais adaptado à vida moderna e um aliado considerável na hora de cuidarmos da nossa saúde. Leia mais

Comentário: boa essa matéria da revista Galileu sobre os gatos. Sempre gostei de gatos. Acho-os fascinantes. São inteligentes, misteriosos, indecifráveis. Só não temos um porque meu filho tem alergia aos pêlos. Outro que gosta muito de gatos é o escritor britânico Neil Gaiman. Um conto de mil gatos, que foi publicado na revista Sandman, mostra bem esse ar misterioso dos felinos. A HQ fala de um gato que percorre o mundo convencendo os gatos a sonharem com um mundo no qual são os gatos, e não os humanos que dominam. Segundo eles, se mil gatos se juntarem nesse sonho, isso acontecerá. Uma das melhores histórias da série Sandman.

Dinheiro no lixo

Um deputado amapaense pediu, e a caixa d´água do bairro do Congós já está sendo destruída. Essa caixa d´água foi construída por um prefeito, que, não tendo conseguido se reeleger a abandonou. Quem assumiu foi uma líder comunitária local e os moradores começaram a receber água em suas casas. Mas chegou um período em que a manutenção se tornou muito cara e a inadiplência muito alta, e ela desistiu. Ao invés do governo assumir a estação, resolveu destruir e jogar no lixo o dinheiro do consumidor. Enquanto isso, a água da Caesa chega nas casas a conta-gotas. Na época em que tinha ligação da Caesa aqui em casa, a pressão era tão baixa que a água só saia por uma torneira que ficava ao nível do chão. Mandei desligar e uso a água do poço artesiano, que não é tratada, mas pelo menos chega nas torneiras. A caixa d´água que está sendo destruída não poderia ser usada para melhorar a situação da distribuição? Na época em que ela funcionava, a água chegava forte nas torneiras... Lamentável! Dá vontade de pedir o dinheiro que pago em impostos de volta...

História dos quadrinhos

O homem de ferro

Em 1963, a Marvel vivia o auge da criatividade. Personagens como Homem-aranha, Thor, Hulk e Quarteto Fantástico revolucionavam os quadrinhos de super-heróis. Foi nesse ano que surgiu um dos personagens mais políticos da editora: o Homem de ferro.
Stan Lee queria fazer um personagem que fosse bilionário e inteligente, um ricaço (talvez em oposição ao pé-rapado Homem-aranha). Mas, como sempre acontecia com os personagens da Marvel, este precisava ter um ponto fraco, um pé de barro. O Demolidor, por exemplo, era cego. Que problema tornaria esse novo personagem frágil? ¨E se o nosso herói tivesse uma falha no coração? E se esse problema o obrigasse a usar um dispositivo metálico para se manter vivo? Ora, esse dispositivo poderia ser o elemento básico numa armadura capaz de lhe dar poderes, e, ao mesmo tempo, esconder sua identidade¨, pensou Stan Lee.
O personagem surgiu em plena guerra do Vietnã e foi usado como propaganda patriótica.
Assim, o herói é Tony Stark, um homem que fabrica armas para o exército norte-americano. Em um de suas visitas ao campo de batalha, ele é atingido por estilhaços de granadas e feito prisioneiro pelos vietcongs. O famigerado general comunista Wong Chu o obriga a construir uma arma para derrotar os exércitos da democracia, mas Stark usa o tempo para construir para si uma armadura capaz de mantê-lo vivo e derrotar as tropas comunistas.
Essa história foi publicada na revista Tales of Suspense 39, com grande sucesso (o que fez com que o personagem ganhasse um desenho animado). Posteriormente o herói metálico iria dividir a revista com o Capitão América, reformulado por Stan Lee e Jack Kirby.
Embora o uniforme do personagem tenha mudado muito desde aquela primeira aventura, alguns elementos se mantiveram inalterados: o problema de coração e o poder que se esvai quando a energia acaba, obrigando o herói a parar para recarregar... só o fator político que foi esquecido quando a guerra do Vietnã se tornou impopular entre os norte-americanos. Anos depois, escrevendo sobre o herói, Stan Lee fez um meã culpa: ¨Este conto foi escrito em 1963 e, nessa época, nós acreditávamos que o conflito naquela terra sofrida era uma simples questão de confronto entre o bem e o mal. De lá para cá, todos nós crescemos um pouco e, até hoje, estamos tentando nos livrar do trágico envolvimento com a Indochina¨.

sábado, junho 28, 2008

Este vídeo foi criado como atividade prática para o módulo Movimento do curso de pós-graduação em Artes Visuais do SENAC. Usei como base a idéia taoista de que a vida é movimento. Para representar isso, usei vários objetos no formato de círculo e a música Canção para minha morte, de Raul Seixas.

sexta-feira, junho 27, 2008

Cola


Existe uma espécie de guerra não declarada entre professores e alunos: os alunos estão sempre procurando maneiras mais eficientes de colar e os professores estão sempre bolando uma forma de acabar com a graça dos estudantes.
Quando eu era mais jovem, tinha um colega de cabelo black power que era particularmente útil nos dias de avaliação. Ele transformava o assunto em pequenos rolinhos de papel e enfiava na cabeleira. Na hora da prova, era só tirar o papel e fazer uma breve consulta. Como os rolinhos sempre voltavam para a cabeleira e ele nunca lavava a cabeça, o cabelo daquele rapaz era uma verdadeira enciclopédia de assuntos escolares.
Uma forma óbvia de colar é colocar as anotações debaixo da prova. Mas é também a mais perigosa. Uma vez percebi que uma aluna estava usando esse estratagema e me postei ao lado dela, esperando o descuido. O descuido não veio, mas também ela não fez mais nada. Ficou suando e olhando o tempo todo por cima dos ombros, coitada. Tive vontade de dizer: “Ei, pode usar essa cola!”, mas o instinto sádico falou mais alto.
Tem aquela de colocar a cola no meio das pernas, uma situação particularmente constrangedora. Dois professores estavam passando uma prova quando um perguntou ao outro: “Você viu a cola no meio das pernas daquela aluna?”. E o outro: “Mudou de nome?”.
Mas a minha lembrança predileta de colas aconteceu quando passei uma prova em uma turma famosa por usar colas. Elaborei quatro tipos de provas, mas fiz marcação cerrada, andando entre os alunos, para que eles não desconfiassem. No final, quando só havia uma aluna na sala, os outros acharam que todos já tinham terminado e entraram perguntando:
- Professor, tinha mais um tipo de prova?
Ao que eu respondi:
- Tinha quatro!.
A aluna que ainda fazia a prova levou as mãos à cabeça e gritou:
- Mais de um tipo? Ai meu Deus, estou ferrada!

quarta-feira, junho 25, 2008

O nome da águia

Um dos males de Machado de Assis foi ter, com sua obra de incontestável qualidade, a idéia de que um romance só vale pela análise psicológica dos personagens, ou pela construção sociológica da história. A predominância de Machado em nossa literatura fez com que o modelo literário brasileiro passasse a ser uma marcha lenta constante, como diz Guga Schultze em seu texto no Digestivo Cultural.
No Brasil, autores como Isaac Asimov, que sempre centraram suas obras na trama, seriam relegados pela crítica ao ostracismo. Claro que isso tem relação direta com diferença entre Brasil e EUA. A literatura norte-americana se formou em meio ao fenômeno da massificação e da industrialização. De repente, uma enorme massa de pessoas alfabetizadas e com dinheiro estava interessada em diversão e comprava tudo que saía, de jornais aos famosos pulp fiction, passado pelos gibis. Embora, evidentemente, houvesse autores que centrassem sua atenção mais na psicologia dos personagens, ou nas questões estilísticas, havia uma boa tradição de obras escritas com pé na trama. Uma tradição que vem de Edgar Allan Poe.
No Brasil, o guia literário sempre foi Machado, um funcionário público que escrevia livros, com ritmo de uma vela que queima, para um público aristocrático.
O único gênero em que a ênfase sobre a história pareceu sobreviver foram os livros juvenis e infantis. Foram neles que surgiram grandes autores, tais como Monteiro Lobato e Marcos Rey, que deliciaram gerações de leitores. Lobato, aliás, costumava dizer que não fazia literatura, para diferenciar sua obra dos "acadêmicos". Mas essas crianças e jovens, que moravam nos livros de Lobato ou de Marcos Rey, quando ficam adultos, ou se acostumam com a literatura brasileira em marcha lenta, ou buscam autores estrangeiros. São poucos os escritores que se dedicam a gêneros mais populares.

Essa longa introdução é, na verdade, para falar de O Nome da Águia (Novo Século, 2008, 320 págs.), de autoria de Alexandre Lobão. O livro não tem nada do que se tem visto como qualidade nos autores nacionais: não há longas análises de personagens, nem preocupações sociológicas. Também não há um estilo rebuscado. Há apenas uma história intrigante e bem amarrada, que poderia dar um bom seriado ou (melhor) uma história em quadrinhos.

Lobão, que é roteirista de cinema e quadrinhos, aposta todas as suas fichas na ação e no suspense causado pelos vários ganchos jogados ao longo da história. Além disso, o livro apresenta narrativas alternadas, um capítulo no presente e outro no passado, mostrando encarnações passadas dos personagens. Lembra os bons quadrinhos da década de 1980, período em que os artistas exploraram ao máximo as potencialidades narrativas da nona arte, em histórias pouco convencionais e não lineares.
A história de O Nome da Águia começa em 3497 antes de Cristo, numa pequena tribo de hebreus. Sete personagens recebem dons especiais. Entre eles, dois se destacam: Hebel encarna o amor de Yahweh; Qnah, a paixão.
A narrativa, em seguida, pula para o ano de 2012 depois de Cristo, quando um arqueólogo alemão descobre um documento em hebraico nos restos do bunker de Hitler e comunica a um amigo.
A partir daí, vamos acompanhando as descobertas dos dois cientistas e a perseguição sofrida por eles, alternadas com a narrativa das várias encarnações pelas quais vão passando Qnah e Hebel, que tomam rumos completamente diferentes. Enquanto Hebel difunde a palavra de Deus através de exemplos e da bondade, Qnah tenta fazê-lo através de impérios. Nesse sentido, a trama é um tanto óbvia. Torna-se evidente que Qnah irá encarnar reis, como Alexandre, O Grande e Alexandre Janeu, rei da Judéia ou mesmo Átila. Por outro lado, Hebel irá encarnar Buda e mesmo Jesus.
O interessante aí é não só adivinhar que personagens eles personificarão, mas perceber como o autor irá explicar as inevitáveis incoerências, como o fato de Qnah encarnar Herodes, que manda matar o menino Jesus, e depois irá encarnar papas ferrenhos defensores do cristianismo. Ou como esse personagem, sendo originalmente hebreu, virá a ser Hitler, o maior perseguidor dos judeus.
Surpreendentemente, Lobão consegue atar os fios soltos da trama, explicando até mesmo as incoerências. Essas incoerências, aliás, acabam se tornando, na narrativa, uma forma de ironia.
Algo interessante em O Nome da Águia é o uso da reencarnação. Num país em que há uma parcela considerável da população que acredita no espiritismo, é surpreendente que outros escritores não usem esses preceitos em seus escritos. Na verdade, os livros que falam sobre o assunto são exclusivamente religiosos.
Lobão percebeu a possibilidade narrativa que a reencarnação oferece, ao mostrar como a atuação dos personagens no presente está calcada em suas vidas passadas. E faz isso sem dogmatismo. Ele não quer converter o leitor, quer apenas usar um artifício narrativo pouco usual.
A edição da Novo Século contribui para o bom resultado da obra. Diagramação correta, papel de encorpado, capa com ilustrações em alto relevo. Só faltou uma maior preocupação com a revisão, especialmente com o tempo verbal, que oscila do passado para o presente, às vezes no mesmo parágrafo, como no trecho a seguir: "A multidão abriu espaço enquanto o grupo se encaminhava ao centro da aldeia. Lá chegando, Hebel e Qnah sobem em um pequeno palco no canto da área central". Não é o fim do mundo, mas essa ida e volta dos tempos verbais incomoda o leitor mais atento. De resto, O Nome da Águia acaba sendo um bom thriller de ação num mercado que carece desse tipo de obra.
Ps: Estou com mais um exemplar do livro. Quem quiser concorrer a ele, basta começar a comentar. O leitor que fizer mais comentários de hoje até o dia 20 de julho vai receber, em casa, o ótimo livro de Alexandre Lobão.

terça-feira, junho 24, 2008


A procura pelo curso de roteiro e produção de curta-metragens foi tão grande que o SESC preciso abrir uma segunda turmas, cujas aulas vão acontecer no final de julho. Para essa turma ainda tem oito vagas. As inscrições podem ser feitas no SESC Araxá.

A primeira turma já produziu e escolheu seus roteiros e sai amanhã para filmar...


Guerrilha matadora


Os publicitários responsáveis pela promoção da série Dexter, sobre um assassino, resolveram investir pesado em ações de guerrilha. Uma dessas ações foi colocar pedaços falsos de corpos humanos em vitrines de açougues com uma divulgação do seriado espetados. Conheça outra ações.

segunda-feira, junho 23, 2008

Como escrever quadrinhos - criação de personagens

Um dos primeiros problemas para se construir a história são os personagens. Toda HQ precisa de personagens, mesmo que sejam um gato, um dinossauro ou uma pedra rolando por um despenhadeiro.
A construção de personagens tem sido tema de teóricos teatrais, cinematográficos, etc... sem que se chegue a uma conclusão decisiva. De modo que não pretendo dar a última palavra sobre o assunto. Longe de mim. Mas posso dar alguma dicas.
A primeira delas é aprender a observar as pessoas. Da mesma forma que um desenhista precisa precisa ver um anão para desenhar um anão, um roteirista precisa conhecer e entender um neurótico para poder escrever sobre um personagem neurótico.
Há um exercício muito útil : observar as pessoas no ônibus. Escolha uma pessoa e comece a observá-la, dando uma de Sherlock Holmes. Através da aparência externa, tente descobrir quem é aquela pessoa, como ela pensa, de onde vem...
Por exemplo, se, de noite, você encontra no ônibus uma garota muito bem vestida, é provável que ela esteja indo para uma festa. Se ela estiver levando cadernos ou uma bolsa grande, essa teoria estará furada, pois pessoas normais não costumam levar cadernos para festas. Pelo tipo de roupa é possível imaginar para que festa ela está indo. Se ela olhar insistentemente no relógio, é provável que a tal festa signifique muito para ela. É provável que nessa festa esteja alguém importante. Um ex-namorado do qual ela ainda gosta, por exemplo. Ela sabe que a festa será uma grande chance para a reconciliação e por isso se sente ansiosa...
Você pode compor todo um perfil psicológico baseado nessas especulações. Essa garota poderá ficar numa espécie de "arquivo mental" para ser usada posteriormente em uma história.
Outra grande dica é pesquisar livros de linguagem corporal. Na maioria das vezes o corpo fala mais do que as palavras. O escritor policial Dashiel Hammett era um especialista no assunto. Suas descrições detalhadas dos gestos dos personagens muitas vezes indicavam ligações insuspeitas entre estes que iriam influenciar no final da história...
Um exemplo quadrinístico. Quem tiver conhecimentos mínimos de linguagem corporal vai percerber que o personagem Rorschach, de Watchmen, é um homossexual e nutre uma paixão platônica pelo amigo Nite Owl.
Ainda sobre a criação de personagens, é importante ter em mente o que ele significa, o que ele representa. Batman é um homem obcecado pela idéia de ordem. "O mundo só faz sentido se você o força a ter", ele diz em Cavaleiro das Trevas. Batman é o protetor de Gothan e, para cumprir a missão que ele mesmo se incubiu, vale qualquer coisa, até mesmo recrutar uma criança (no caso, o Robin).
A história Para um Homem que Tem Tudo, mencionada anteriormente, é um interessante estudo de personagem. Nela, descobrimos que o maior sonho de Super-homem é que Kripton não tivesse sido destruído. O maior sonho de Batman é que seus pais não tivessem morrido. Portanto, se seus sonhos tivessem se realizado, eles jamais seriam super-heróis. Super-homem sente-se um alienígena em nosso planeta, um órfão completo. Já Bruce Waine talvez se sinta culpado pela morte dos pais. Moore expõe sua opinião de que só pessoas neuróticas e infelizes se tornariam super-heróis.

domingo, junho 22, 2008

1408


Asssisti 1408, filme de terror baseado num conto de Stephen King. Confesso que não esperava muito, mas me surpreendi. A história é sobre um escritor cético, que se especializou em investigar quartos de hotel mal-assombrados. Depois de vários livros publicados sobre o assunto, ele nunca encontrou um caso real de assombração, até se instalar (a contra-gosto do gerente) no quarto 1408 de um hotel em Nova York.
É um caso clássico de suspensão de descrença. Na medida em que o protagonista se convence de que há algo de errado no quarto, nós também nos convencemos e quando a coisa fica escancarada, nós já embarcamos na viagem.
O que realmente gostei muito no filme foi o terror psicológico. Até aparecem fantasmas, mas eles não são o mais importante, ou o mais apavorante. Apavorante mesmo são os fantasmas do passado, que voltam para enlouquecer o herói.
História dos quadrinhos 39
O homem-aranha


O lançamento do Quarteto Fantástico foi uma verdadeira revolução no mercado, abrindo caminho para que a Marvel se tornasse a editora predileta dos fãs. Mas o personagem que melhor representaria esse método Marvel de fazer quadrinhos só surgiria em 1962. Trata-se do Homem-aranha.
Quando Stan Lee apresentou a idéia para o personagem, todos na editora, especialmente o dono, Martin Goodman, acharam que seria um fracasso. Afinal, ele não era rico, era cheio de complexos e falhas de caráter e nem ao menos era bonito, fisicamente. Além disso, todo mundo odeia aranhas.
Mas era justamente nesses pontos negativos do personagem que Lee apostava. Ele achava que os leitores iriam se identificar com aquele nerd que só se dava mal, era rejeitado por todos, mas, quando vestia sua máscara, tornava-se o grande herói da cidade. Para destacar ainda mais esses supostos aspectos negativos, Lee chamou Steve Ditko, que fazia Peter Parker franzino, com cara de nerd. Jack Kirby, o outro grande artista da editora, foi rejeitado por fazer o personagem musculoso. A idéia era mostrar um perdedor que se tornava o herói do pedaço.
O homem-aranha fez um sucesso imediato. A história mostrava o garoto frágil, Peter Parker, vítima de gozação dos outros, que ganha super-poderes ao ser picado por uma aranha radioativa. Inicialmente ele usa esses poderes para ganhar dinheiro, apresentando-se na TV, mas tudo muda quando ele deixa escapar um bandido, que depois irá matar seu tio Ben. A partir de então, ele passa a adotar como lema uma frase do tio: ¨Com grandes poderes vêm grandes responsabilidades¨ e usa suas novas habilidades para ajudar as pessoas e combater os criminosos. Como contraponto, Parker convive com uma tia super-protetora. Tornou-se comum a cena em que ele liga para tia, ainda vestido de homem-aranha, e ela lhe diz para tomar cuidado, usar agasalho para não se resfriar e, principalmente, tomar cuidado com o Homem-aranha.
A série levou ao extremo os temas já abordados no Quarteto Fantástico. O homem-aranha é extremamente humano. Ele fica doente, tem dúvidas sobre sua atuação com herói, recebe foras das namoradas... Os poderes recebidos parecem mais um fardo, um problema a mais para um garoto que enfrenta vários problemas, entre eles o aluguel do fim do mês. A morte da namorada Gwen Stacy, na década de 1970 mostrou a que ponto o realismo podia chegar: mesmo os protagonistas poderiam morrer.
Uma das histórias mais antológicas do personagem é aquela em que ele precisa conseguir um composto químico capaz de salvar Tia May, mas esse composto também está sendo procurado também pelo doutor Octopus. De repente o herói se vê preso sob uma pesada viga. A seqüência mostra, em várias páginas, ele tentando se livrar do obstáculo. Quando finalmente consegue levantar a viga, o frágil Peter Parker é mostrado (no desenho de Steve Ditko) como um homem musculoso. É como se o grande inimigo que ele precisasse vencer fosse a si mesmo e, ao se tornar vitorioso, ele se tornava um herói. Era algo com que os adolescentes de qualquer lugar do mundo podiam se identificar. Afinal, o que é a adolescência, senão um período de dúvidas, dramas e vitórias?
A grande qualidade dos artistas que passaram pelo personagem (Stan Lee e Gerry Conway nos roteiros, Steve Ditko, John Romita e Ross Andru nos desenhos) só fizeram resaltar o ar de mito que o personagem ganhou. Em todas as culturas há histórias de jovens guerreiros que são desprezados pelos demais, mas que, nos momentos decisivos, acabam salvando a aldeia, ou o reino, ou a cidade. Como Davi, vencendo o gigante Golias.

Hulk


Fomos assistir ao Hulk. Como eu já esperava, o filme é muito bom. Tão bom quanto o primeiro era ruim (tanto que o primeiro filme foi totalmente ignorado, começando-se do zero). Um problema sério do primeiro Hulk era a falta de equilíbrio entre ação e introspecção. A primeira metade do filme era totalmente introspectiva e a segunda metade era só ação. Outro problema era o desrespeito aos quadrinhos. Percebia-se claramente que o diretor não era fã de quadrinhos. Uma figura essencial no novo filme é o ator Edward Norton, fã da Marvel e do seriado da década de 1970. Ele colaborou com o roteiro e colocou várias coisas, ele sabia, iam agradar aos fãs. A origem do Hulk foi vinculada à do Capitão América, numa inspiração direta nas histórias do roteirista Mark Millar em Os Supremos. Foi introduzida a trama do Mr. Blue-Mr. Green, numa referência direta à fase do roteirista Bruce Jones no Hulk (também dessa fase vem o treinamento de Bruce Banner para controlar a emoção). Além disso, a transformação era sempre iniciada por um close-up nos olhos do personagem, que se tornavam verdes, como no seriado. Os ótimos efeitos especiais são a cereja do bolo.

Duas coisas me chamaram atenção no filme:

1 - a locação. O filme começa no Rio de Janeiro, na favela da Rocinha e esse cenário funciona muito bem. Lembro que, quando ministrava oficinas de roteiro, na década de 1990, sempre discutia com os alunos, reclamando de todas as histórias se passarem nos EUA. Eles me respondiam que o Brasil não era um bom cenário para uma história em quadrinhos. Hollywood, pelo jeito, discorda.

2 - a estratégia viral que a Marvel está adotando em seus filmes. No final do Homem de Ferro, aparece Nick Fury convidando Tony Stark para montar uma equipe. No final do Hulk, é o próprio Tony Stark que fala ao general Ross que eles estão montando uma equipe. Além da curiosidade de termos um personagem de um filme participando de outro, há aí uma estratégia muito bem bolada de divulgação do filme dos Vingadores. Isso vai gerando um burburinho entre os fãs, que vão, aos poucos, se encarregando de divulgar a produção. Marketing viral é isso: colocar o próprio consumidor para divulgar seu produto.

sábado, junho 21, 2008


Toda a loja de livros do Submarino está com frete grátis e muitos livros estão com desconto. Uma das atrações é o volume único das Crônicas de Narnia, a R$ 58,10. Esse vai para a estante!

CQC no congresso


Quem acompanha o programa CQC sabe que seus jornalistas foram proibidos de entrarem no Congresso graças ao senador Democrata (?) Efraim Morais. Isso está dando o que falar na net. A polêmica pode ser acompanhada no blog do Marcelo Tas. Aliás, só no Brasil que um partido formado por crias da ditadura militar poderia se chamar Democratas! É mais ou menos como se o partido dos latifundiários se chamasse Partido da Reforma Agrária...

É muita consciência!

Agora a moda em Macapá é as ecolas fazerem passeatas de conscientização. É passeata contra a violência doméstica, contra a dengue, contra a poluição... A dúvida é se isso realmente funciona. Um amigo me contava que viu uma passeata contra a dengue. No rastro dos estudantes, via-se um amontoado de copos plásticos, garrafas, sacos... ou seja, embora fosse contra a dengue, a caminhada ia deixando criadoros de mosquitos por onde passava. Dia desses vi uma passeata em comemoração ao dia do meio ambiente, ou algo assim. As crianças iam com cornetas, apitos, matracas... uma barulheira infernal. Parece que ninguém explicou a eles que cuidar do meio-ambiente inclui evitar a poluição sonora...

sexta-feira, junho 20, 2008

El eternauta

Eu já tinha lido alguma coisa do roteirista argentino Hector Oesterheld. Pouca coisa dele chegou ao Brasil. Dia desses, procurando no 4share, acabei encontrando a coleção completa da série Eternauta para baixar. Fiz o download da primeira parte e comecei a ler. Fiquei impressionado! A história é genial. Em muitos sentidos, lembra Jorge Luís Borges. O mundo é assolado por uma nevasca mortal. Todas as pessoas que têm contato com a neve, morrem. Para conseguir sair de casa, as pessoas precisam usar uma roupa especial, que evita o contato com a neve. A partir desse plot simples, ma engenhoso (baseado no livro Robison Crusoé), o roteirista consegue fazer uma história realmente inquietante, desenvolvendo a trama de maneira genial. Não bastasse isso, há o aspecto político. Quando a Argentina se transformou numa ditadura, Oestherheld transformou sua história numa metáfora política, criticando os militares. Os milicos não gostaram muito e mataram não só ele, mas todos os seus filhos. Da família inteira, só sobrou a esposa e um neto... Para baixar El eternauta, clique aqui.

Pantanal


Alguém aí está assistindo a novela Pantanal? Eu, sempre que posso, assisto um pouco. Pantanal foi a novela que me fez ver com outros olhos a teledramaturgia brasileira. E foi quando virei fã do texto do Benedito Rui Barbosa. Além do ótimo texto, a novela inovava, na época, pelos ângulos inusitados e pela locação no interior do país. Na época, todas as novelas brasileiras eram ambientadas no Rio de Janeiro e o Benedito chegou até a criar um núcleo no Rio, mas depois, quando começaram a sair os primeiros resultados do IBOPE, ficou claro que eram as tramas do Pantanal que seguravam a popularidade da novela e a participação do núcleo carioca foi reduzido a quase nada. Pantanal ainda parece agradar. Reexibida pelo SBT, tem alcançado picos de audiência de 15 pontos.