terça-feira, outubro 26, 2010

Nosso Lar

Nosso Lar é um dos grandes best-seller brasileiros. Escrito pelo espírito André Luiz, através do médium Chico Xavier, popularizou a literatura espírita com a história de um médico em uma colônia espiritual. Publicado em 1944, o livro já vendeu mais de 2 milhões de exemplares e gerou uma versão cinematográfica assinada por Wagner de Assis (A Cartomante). 

Bastante conhecido, o enredo do livro inicia com o narrador chegando aoUmbral após a sua morte. O relato lembra muito as descrições do inferno católico, com o protagonista assediado por formas diabólicas de expressões animalescas. Ele sofre ali por oito anos, até finalmente ser levado para a colônia espiritual de Nosso Lar. A grande falta do médico, que o leva ao Umbral, é o ceticismo e o orgulho, que fazem com que ele demore tanto a pedir ajuda.

Uma vez na colônia, André Luiz é iniciado nos mistérios da vida espiritual, da cura, da comunicação com os vivos etc. Há, em todo o livro, um excesso de adjetivos que atrapalha a leitura: o aposento é confortador; as luzes, cariciosas. Mas essa característica, hoje considerada um vício de linguagem, era comum na maioria dos autores antigos. Fora isso, o livro passaria tranquilamente por uma boa obra de ficção científica da primeira metade do século XX. 

A linguagem antiquada foi facilmente resolvida na versão cinematográfica com uma bem pensada atualização. Mas a história apresentava um outro problema: um certo caráter de"diário de viagem", que torna difícil sua adaptação para a sétima arte. Um filme precisa ter uma trama, com conflitos e uma estrutura narrativa que caminha na direção da resolução do conflito.

Em Nosso Lar, todos são bons demais e não existe uma possível figura de vilão. Da mesma forma, não há um destino que represente o conflito, já que os personagens gozam de livre-arbítrio. Em suma: não há quase nenhum conflito visível na obra original. Como transportar isso para o cinema sem que o resultado seja duas horas de sono?

O diretor Wagner de Assis optou por focar a narrativa no conflito interno dos personagens (apenas sugerida no livro), especialmente André Luiz e Eloísa, uma moça que aparece rapidamente no livro se lamentando de ter morrido antes de casar e de saber que seu noivo encontrou uma nova esposa.



André Luiz luta contra a arrogância, o egoísmo e o ceticismo (e, no final do filme, contra o ciúme), e Eloísa quer a todo momento voltar para seu noivo. Boa parte da narrativa se sustenta nessa sustentação. André será capaz de ultrapassar seus conflitos internos, e, dessa forma, ajudar a moça, fazendo com a que a trama paralela se una à principal num roteiro bem costurado.

Ou seja: o diretor optou por uma inteligente estrutura narrativa, que prende o espectador exatamente pela identificação. Alguns talvez se identifiquem com André, outros com Eloísa.

Se o roteiro é competente e enxuto, a direção é outro ponto forte. Os efeitos especiais são grandiosos (o filme custou 20 milhões de reais, boa parte deles gastos com efeitos), mas usados em favor da narrativa. Não há efeitos apenas pelo efeito, como Hollywood muitas vezes tem feito. Entretanto, muitos que assistiram à fita comentaram que gostaram de ver esse nível de efeitos num filme nacional de FC ou fantasia. 

O diretor também trabalha muito bem a imagem, em ótimas cenas sem diálogos, como no reencontro de André Luiz com sua esposa. Com pouquíssimas falas, toda a tensão da situação é repassada aos espectadores. 

 

Há algumas cenas que chamam a atenção dos mais atentos: quando começa a II Guerra Mundial, a colônia espiritual recebe centenas de desencarnados. A maioria deles usando a estrela de Davi (judeus), mas há também pessoas com outros símbolos usados em campos de concentração, o que se relaciona com os ensinamento de Chico Xavier de que o sofrimento liberta. A mesma cena traz um conteúdo de tolerância religiosa que se reflete também na cena da sala do governador, cujas paredes ostentam símbolos das principais religiões terrenas.

Sobre a questão da II Guerra, Chico conta, no livro, que os nazistas, ao morrerem na guerra, fugiam dos que iam resgatá-los, chamando-os de "fantasmas da cruz". Esse ponto, no entanto, não foi explorado pelo filme.

Outro aspecto curioso da versão cinematográfica é inverter o paradigma convencional do ser humano com relação à dualidade vida-morte. EmNosso Lar, vemos personagens chorando e lamentando a partida de entes queridos que vão reencarnar. Nesse ponto o roteiro foi particularmente eficiente ao mostrar que vida e morte são apenas dois lados da mesma moeda em um ciclo de reencarnações. Chega, inclusive, a brincar com isso, como na cena em que uma senhora reclama que o marido estava sempre muito doente, "Mas morrer que é bom, nada!". 

Nosso Lar conta com uma equipe internacional: o fotógrafo suíço Ueli Steiger (O dia depois de amanhã, Godzilla, 10.000 a.C), os canadenses da Intelligent Creatures para os efeitos especiais (Watchmen), a diretora de arte brasileira Lia Renha (A muralha, Hoje é dia de Maria, Auto da Compadecida), e o músico Philip Glass (As horas, O ilusionista).

É um filme que irá agradar tanto aos espíritas quanto aos não espíritas ou simples simpatizantes da doutrina. Mesmo aqueles que forem assisitir Nosso Lar apenas como um filme de ficção científica provavelmente irão gostar. Prova disso é que apenas 5 dias após o lançamento ele já ultrapassou a marca de um milhão de espectadores.


Texto originalmente publicado no Digestivo Cultural.

sábado, outubro 23, 2010

Fundação denuncia esquema golpista patrocinado pela CIA no Brasil

Não bastasse o governador eleito do Rio Grande do Sul e ex-ministro da Justiça, Tarso Genro, denunciar “uma campanha de golpismo político só semelhante aos eventos que ocorreram em 1964 para preparar as ofensivas” contra o então governo estabelecido, o jornal da Strategic Culture Foundation – a partir de sua seção norte-americana, especializada em geopolítica – publicou, nesta semana, reflexão na qual avalia o esforço dos setores mais conservadores dos EUA para denegrir as “imaturas” democracias da América Latina e do Caribe.
No artigo intitulado “Elections in Brazil and the US Intelligence Community” (Eleições no Brasil e a comunidade de inteligência dos EUA), assinado pelo analista Nil Nikandrov, a instituição lembra que “o Brasil nunca pediu permissão para afirmar o seu direito à soberania e à posição de independência na política internacional em causa ao longo dos oito anos da presidência de Luiz Inácio Lula da Silva, e era amplamente esperado que G. Bush acabaria por perder a paciência e tentar domar o líder brasileiro. Nada disso aconteceu, embora, evidentemente, porque os EUA se sentiram sobrecarregados demais com problemas com a Venezuela para ficar trancado em um conflito adicional na América Latina”. Leia mais

sexta-feira, outubro 22, 2010

Dica de site

Uma novidade divertidíssima é o site Diário de Barrelas, que mistura humor e jornalismo em matérias fictícias que parecem de verdade, mas não são.Coloco abaixo uma das matérias mais interessantes.

“Milhões de pessoas morreram durante Governo do PT”, ataca PSDB

milhoes mortos governo  “Milhões de pessoas morreram durante Governo do PT”, ataca PSDB
Dados do próprio Governo comprovam que milhões de pessoas morrem no país.
Para colocar fogo na corrida presidencial, o líder do PSDB no Congresso, o deputado Lacerda Abadia (PSDB-SE) disparou nesta sexta-feira fortes ataques ao governo do presidente Lula. Segundo Abadia, dados preliminares do resultado do Censo 2010 revelam que milhões de brasileiros morreram desde 2003.
“Quando o PT assumiu o governo, cerca de 8,5 milhões de brasileiros tinham 85 anos de idade ou mais. Hoje, oito anos depois, quase todos esses brasileiros estão mortos. É um absurdo, o presidente Lula assistiu essa carnificina e nada fez!”, vociferou o deputado.
Desde 2003, o número de mortos no país é medido pela Agência Nacional de Falecimentos, criada por Lula no início de sua administração.
“O Lula e a Dilma adoram falar que o PSDB não governava para os pobres ou que privatizava as estatais. Mas sempre se esquecem de dizer que, conosco no governo, todos esses quase 9 milhões de cidadãos estavam vivos. Porém, quando o PT assumiu, eles faleceram. Isso foi obra de Deus?”, questionou Abadia.
A direção nacional do PT rebateu as críticas do tucano afirmando que no mesmo período, milhões de pessoas nasceram no país.
“Durante o governo do PSDB, milhões de pessoas também morreram. Infelizmente, muitas delas já não estão mais entre nós para fazer a diferença nessas eleições”, declarou o senador petista Roberto Peixoto. “É uma fatalidade”.

quarta-feira, outubro 20, 2010

Nova logo?

Os leitores costumazes devem ter percebido uma diferença na cabeça deste blog: a logo mudou. Esta nova logo foi feita por um aluno do curso de Design do CEAP, o Édipo Tomé, que leu, gostou do blog e se proprôs redesenhar a logo. E então, gostaram? Se a maioria dos leitores gostar, ela fica. Então, a bola está com vocês... A pedidos, coloco também a logo antiga, para comparação.

Amapá comemora Dia Internacional do Cinema de Animação


Pelo terceiro ano consecutivo o Amapá comemora o DIA (Dia Internacional de Cinema de Animação), 28.10. No estado, três cidades receberão as mostras: Macapá, Santana e Itaúbal. Na capital a programação será realizada pelo FIM (Festival Imagem-Movimento) e pelo MIS-AP (Museu da Imagem e do Som do Amapá) e acontecerá no Teatro das Bacabeiras a partir das 16 horas.
O evento será composto por cinco mostras que atingem todos os públicos e primam pela acessibilidade:
·         Mostra para deficientes visuais (classificação livre);
·         Mostra para deficientes auditivos (classificação livre);
·         Mostra infantil (classificação livre);
·         Mostra nacional (classificação 12 anos);
·         Mostra internacional (classificação 14 anos);
Essa diversidade toda reflete um momento especial do cinema de animação no Brasil. Ele vem crescendo consideravelmente e já conta com público expressivo, além de editais de financiamentos específicos e cada vez mais cursos e mostras. Prova disso são as mais de 400 cidades que compõem o evento deste ano. No dia 28.10, quando os relógios marcarem 19H30MIN (horário local), todos os estados do Brasil estarão olhando para a tela sensibilizada por imagens animadas. É simplesmente o maior evento simultâneo de audiovisual do Brasil.
Por trás da data, no longínquo ano de 1892, portanto três anos antes do cinematógrafo dos irmãos Lumierre, Émile Reynaud iniciou um mundo mágico: realizou a primeira projeção do seu teatro óptico no Museu Grevin, em Paris, sempre lá não é mesmo? Os franceses inventaram o cinema da animação, a fotografia e o cinema. Essa projeção foi a primeira exibição pública de imagens animadas (desenhos animados) no mundo. Foi para comemorar esta data que a Associação Internacional do Filme de Animação (ASIFA) lançou o evento, contando com o apoio de diferentes grupos internacionais filiados. Em 2010 o Dia Internacional da Animação está sendo realizado em 30 países.
Além das mais de seis horas de filmes inéditos no Amapá provenientes de diversos lugares do globo, a programação do DIA conta com refinado tempero local: na ocasião será lançada oficialmente a programação do VII FIM (Festival Imagem-Movimento), evento audiovisual com DNA amapaense que está, assim como o DIA, comemorando sete anos de existência.
Então temos um bom programa para o dia 28.10, com certeza não vai faltar animação a todos os públicos que comparecerem ao Teatro das Bacabeiras. Agende-se, porque outro evento desses, só ano que vem.
Serviço:
DIA – Dia Internacional do Cinema de Animação
Data: 28.10.2010
Local: Teatro das Bacabeiras
Hora: A partir das 16H

terça-feira, outubro 19, 2010

Dica de blog

Uma boa dica de blog é o Contraversão, do Rafael Fernandes, editor da MAD. Coloco abaixo uma parte de um dos posts mais interessantes, sobre os anjos da noite. Para conhecer, clique aqui.

Mês passado tive uma experiência que me quebrou as pernas e me fez ver o centro de São Paulo com outros olhos! Imagine como é distribuir comida para os moradores de rua depois das 23h com os voluntários da Anjos da Noite, uma ONG. Não, eu não sou nenhum daqueles babacas que acham que tem que fazer isso pra “ir pro céu”. Nem mesmo tava com vontade de ir, mas acho que foi isso que tornou tudo ainda mais marcante!
Quem queria ir de verdade era minha noiva Michelle, que me chamou umas 10 vezes, mas eu sempre inventava uma desculpa para não ir. Calma, não sou nenhum desalmado! Só acho que a maioria das ONGs costumam fazer apenas “pilantropia”, dando dinheiro pra golpistas que ainda pagam de bonzinhos.
Chegou uma hora que eu tive que dar o braço a torcer, mas se era pra ir teria que fazer de coração e foi o que eu fiz. Mesmo porque não era uma boa idéia deixá-la ir sozinha. Então, paguei pra ver qual era a desse grupo.

domingo, outubro 17, 2010

Tropa de Elite 2

Fomos assistir Tropa de Elite 2. O risco das continuações é repetir uma fórmula e se tornar pura redundância. Isso não acontece com Tropa de Elite 2. Em muitos sentidos, são dois filmes diferentes. Se o foco do primeiro é o tráfico, o foco do segundo são as milícias. Parece uma mudanças pequena, mas que amplia muito tanto as possibilidade narrativas quanto do ponto de vista da análise  da situação atual do Rio de Janeiro. Se a questão da ligação de políticos com bandidos já se insinuava no primeiro filme, no segundo isso se torna o principal foco.

Do ponto de vista de roteiro, o segundo filme não tem um ponto importante, que chamou a atenção no primeiro: o treinamento do BOPE. Isso torna a primeira parte desse segundo filme muito menos interessante. O suspense e ação começam mesmo a partir do momento em que o BOPE invade uma favela, um efeito borboleta que irá provocar vários outros fatos. Para evitar que o expectador perdesse o interesse, a história começa no presente, com a cena do atentado ao agora Tenente Coronel Nascimento sofrendo um atentado e todo o resto é contado em flash back.
Em suma, um filme que merece as imensas filas que estão se formando nos cinemas.

Comercial com a Turma da Mônica

Maurício de Sousa sempre se detacou pelo ótimo uso de seus personagens em propagandas. Isso desde a década de 1960. Abaixo, um comercial das ervilhas Jurema que conta com a participação da Turma da Mônica, inclusive do Nico Demo, um personagem que durante anos esteve fora dos gibis e só agora está retornando em séries de tiras históricas.



E, abaixo, um comercial do extrato de tomate Elefante. A piada aí está no fato da mãe da Mônica ter pedido um extrato de tomate elefante e a Mônica ter levado o Jotalhão. Com o sucesso desse anúncio muitas crianças, ao ir à mercearia, não pediam extrato de tomate, mas um elefante.

sábado, outubro 16, 2010


Jingles

Os jingles são elementos essenciais em uma boa campanha publicitária e, muitas vezes, são a verdadeira estrela. Exemplo disso foi a campanha do guaraná Antartica que revolucionou o mercado de refrigerantes associando o guaraná à pizza e à pipoca. Lembro que na época, comer pizza com outro refrigerante era quase uma heresia. Um efeito colateral da propaganda: toda vez que o anúncio passava na TV, aumentavam os pedidos de entrega de pizza a domicílio.
O interessante dos jingles é que eles podem ser usados tanto no rádio quanto na TV, quando ganham o reforço das imagens.





sexta-feira, outubro 15, 2010

10a reunião do Clube de Cinema

Amanhã, 16.10, haverá a 10ª reunião do Clube de Cinema do MIS. O tema da sessão será:

EXTRAS DE FILMES

Seguidos de discussões sobre as formas de fazer filmes. A sessão inicia as 18:30, no auditório do MIS, segundo piso do teatro das Bacabeiras, entrada franca.

quinta-feira, outubro 14, 2010

Entes Perpétuos revela segredos da criação de Neil Gaiman

 

A Editorial Kalaco está lançando o livro Entes Perpétuos. Uma obra que se dedica a desvendar o “Universo Onírico de Neil Gaiman”, que foi constituído a partir do lançamento da intocável série da DC Comics Sandman. Um sucesso de público e crítica, que arregimentou uma verdadeira legião de leitores- especialmente do sexo feminino –no plano das HQs adultas.

O idolatrado escritor inglês Neil Gaiman, adora futebol. Tentou abraçar a profissão de jornalista, mas consagrou-se logo como roteirista de quadrinhos. E seu talento para a escrita o conduziu a literatura e assim conquistou o mundo. Depois de tantos anos de êxito, não só no estrangeiro como também nas bancas e livrarias daqui, Gaiman acaba de inspirar um livro sobre sua carreira escrito por um brasileiro.Heitor Pitombo passou anos pesquisando a obra do escritor e o resultado foi Entes Perpétuos, um compêndio dedicado aos fãs do argumentista e àqueles que querem entender a razão do prestígio desse artista inglês.

Heitor Pitombo já fez de tudo na área das letras. Mas é com os quadrinhos que ele se realiza profissionalmente. Criou, em 1990, a primeira página de jornal diário no Rio de Janeiro dedicada exclusivamente à cobertura da cena de quadrinhos no jornal Tribuna da Imprensa. Participou da organização de todas as edições da Bienal Internacional de Quadrinhos do RJ e de eventos como a Comic Mania e o Festival Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte. Trabalhou ativamente na editoria de quadrinhos da Editora Record durante os anos 90 e escreveu para quase todas as revistas especializadas que foram editadas no Brasil no período, como aHerói, a Heróis do Futuro, a HQ Express e a Comix Book Shop Magazine. Em 1998, ganhou um HQ Mix pelo CD-ROM O Universo dos Super-Heróis. Como tradutor de HQs, colaborou para a Panini Comics, a Opera Graphica e a Pixel Media. Fez a pesquisa iconográfica para o Almanaque dos Quadrinhos da Ediouro e assinou a coluna Comic Riffs nas revistas independentes Moshe Jukebox.

Entes Perpétuos- O Universo Onírico de Neil Gaiman é quase um almanaque sobre a obra do astro britânico. O livro traz um compêndio de tudo do roteirista que foi lançado no Brasil, lista obras que nunca foram publicadas em português, navega pela sua carreira literária, e destaca uma entrevista inédita de Gaiman, concedida para o autor e depoimentos de seu parceiro mais frequente, o ilustradorDave McKean.

Em tempo: O livro Entes Perpétuos- O Universo Onírico de Neil Gaiman esta presente neste Fest Comix, onde estará sendo autografado por seu autor Heitor Pitombo.


Entes Perpétuos- O Universo Onírico de Neil Gaiman
Autor: Heitor Pitombo

Formato 16 x 23 cm
192 páginas
Preço: R$ 39,00
Distribuição exclusiva: Comix Book Shop
fones: (11) 3951-5029 – (11) 3951-5037

Editorial Kalaco

Caligari: do cinema aos quadrinhos


Caligari: do cinema aos quadrinhosGian Danton
Série Veredas, 19
João Pessoa: Marca de Fantasia, 2010. 44p. Ebook em pdf.
978-85-7999-016-8
Arquivo grátis (solicite cópia ao editor).

Em 1920, na Alemanha, um filme alcançou o prestígio de ser um dos mais importantes da história mundial e, sem dúvida, o mais influente do cinema alemão. Trata-se de O Gabinete do Dr. Caligari , dirigido por Robert Wiene e escrito por Hans Janowitz e Carl Mayer. Sua influência foi tão grande que cunhou-se o neologismo caligarismopara se referir ao cinema expressionista alemão.
Alguns dos méritos desse filme foram a utilização de cenários pintados representando um clima sufocante de um estranho ambiente urbano e a história repleta de flash backs , com final surpreendente. Estes elementos inovadores para a época mostraram que o cinema poderia ir muito além de uma simples diversão popular, abrindo caminho para sua ascensão à sétima arte.
Em Caligari: do cinema aos quadrinhos , o roteirista Gian Danton (Ivan Carlo Andrade de Oliveira) analisa o filme desde a elaboração do roteiro à sua influência para o cinema mundial e em especial para o cinema alemão. Aborda também questões polêmicas, como a moldura introduzida no roteiro por Fritz Lang, e os cenários pintados com a técnica expressionista, que permitiu à película mostrar uma realidade mental, absolutamente revolucionária para a época.
Em complemento ao estudo, Gian Danton apresenta a adaptação do filme para os quadrinhos, trabalho realizado em parceria com o desenhista curitibano José Aguiar. O processo criativo da adaptação também é analisado, o que transforma o livro numa peça didática, mas com a leveza de quem é um reconhecido e premiado roteirista de quadrinhos.
Caligari, do cinema os quadrinhos , é uma obra essencial tanto para os fãs de cinema quanto os de quadrinhos. 

Para pedir uma cópia, escreva para: editora@marcadefantasia.com

Propaganda é isso aí - Havaianas



terça-feira, outubro 12, 2010

E-book Exploradores do Desconhecido

Clique aqui para baixar o e-book Amanhã é ontem, com os Exploradores do Desconhecido, criados por mim e pelo desenhista Jean Okada. Para ler on-line, clique aqui.

quarta-feira, outubro 06, 2010

10 anos de Digestivo Cultural


O mais importante site cultural do Brasil está aniversariando. Trata-se do Digestivo Cultural. Há nove anos eu participo dessa história. Eu já conhecia o Digestivo e lia suas colunas. Um dia, recebi uma ligação do Júlio Daio Borges , dono do site, me convidando para ser um dos colaboradores. Na época eu lecionava no curso de comunicação. E o Digestivo acabou se transformando na leitura predileta dos alunos de jornalismo. Na época era difícil criar um site ou blog, então, a forma da garotada se expressar era mesmo comentando nos sites mais badalados, como o Digestivo.
Ter coluna naquela época era coisa de doido: uma por semana. Como muitas vezes os textos eram resenhas, era o pique de ler um livro por semana e resenhar. O alívio era dado pelos textos, a maioria na área de comunicação, que faziam a delícia dos alunos e provocavam discussões acaloradas em sala de aula. Algumas vezes essas discussões iam para os comentários, embora eu não fosse, nem de longe, um dos colunistas mais polêmicos.
O primeiro texto que publiquei no Digestivo foi uma resenha do livro Baudolino, de Umberto Eco, no dia 10 de dezembro de 2001. Eu fazia uma referência entre o romance e o conceito de obra aberta, também de Eco. Uma garota comentou: “obrigada!!!!!! vcs me salvaram...... estou com uma resenha crítica para fazer sobre "obra aberta"”.
 Pelo menos não pediu para eu fazer o trabalho por ela, como já aconteceu em diversas ocasiões. Como muitas vezes meus artigos tratavam de assuntos acadêmicos, tornou-se muito comum receber e-mails do tipo: “Preciso de texto sobre esse assunto para segunda-feira para entregar na faculdade. Sem falta, ok?” Outros são até mais exigentes: “A professora pediu um trabalho sobre esse assunto com duas páginas. Pode me mandar ainda hoje?”.
Meu segundo texto foi uma resenha do livro Para ler o Pato Donald, que provocou muita polêmica. Uma senhora me acusou de fazer parte da esquerda festiva, que “curte o final de semana em Búzios enquanto se planeja para passar as férias na Europa”.
Foi outro aprendizado: logo descobri que muita gente não consegue diferenciar o resenhista do autor da obra. Quem escreve sobre quadrinhos com certeza já recebeu comentários do tipo: “Vocês deviam ter colocado outro vilão no filme do Superman”.
Pode parecer que não, mas escrever para o Digestivo era sim muito divertido , e leitores que me confundiam com o autor e outros que queriam trabalhos de escola só tornavam a coisa ainda mais divertida. 
Mas chegou a um ponto que as atividade profissionais tornaram impossível continuar com uma coluna semanal de 5 mil toques. Deixei de ser colunista do Digestivo, mas continuei sendo leitor e colaborador ocasional. Os especiais de final de ano tornaram-se uma tradição, não só para escrever, mas também para ler os dos outros. Lembro que no primeiro especial, um dos colaboradores escreveu um texto delicioso que contava exatamente a dificuldade de escolher o que de melhor havia acontecido em termos culturais no ano anterior.
Em 2009, o Júlio me convidou para voltar a ser colunista. Escaldado com a possibilidade de não dar conta do recado, recusei. Ele tentou e tentou de novo, até dizer a palavra mágica: a coluna seria mensal, não semanal.
Desde então tenho publicado um texto a cada mês, sentindo muito orgulho de ser um dos primeiros colaboradores do site. E espero ainda estar no Digestivo quando ele fizer 20 anos.

50 anos do Cebolinha

Neste mês de outubro, o personagem Cebolinha, criado por Maurício de Sousa completa 50 anos e o blog Planeta Gibi fez uma retrospectiva histórica do personagem, desde sua primeira aparição aos dias atuais. Para ler, clique aqui. Acima, uma das primeiras imagens do personagem, na época em que ele ainda era cabeludo.

terça-feira, outubro 05, 2010

O grão de mostarda


Uma jovem mulher, tendo perdido seu primeiro filho, estava tão desolada e aflita que perambulava pelas ruas, implorando algum remédio mágico que restituísse a vida do menino. Alguns se afastavam com piedade; outros riam e a consideravam louca; ninguém tinha palavras para consolá-la. Até que um velho sábio, notando seu desespero, disse:
- Existe apenas um homem em todo o mundo que pode fazer esse milagre. Ele é o ser perfeito e reside no alto da montanha. Vai até ele, e pede.
A jovem mulher subiu a montanha e, de pé diante do ser perfeito, suplicou:
- Ó Buda, devolvei a vida de meu filho.
E Buda disse:
- Volte para a cidade, vá de casa em casa, e traga-me um grão de mostarda de uma casa onde ninguém jamais tenha morrido.
O coração da jovem mulher estava cheio de esperança quando ela desceu a montanha às pressas e correu para a cidade. Na primeira casa em que bateu, disse: “Buda me mandou conseguir um grão de mostarda de uma casa que nunca tenha conhecido a morte”.
- Nesta casa, muitos já morreram – disseram-lhe.
Ela seguiu para a próxima casa, e perguntou de novo.
- Impossível contar o número dos que já morreram aqui – foi a resposta.
Foi à terceira casa, e à quarta, à quinta casa, e mais e mais, através da cidade, e não pôde encontrar uma só casa, que a morte já não tivesse visitado.
Assim, a jovem mulher voltou ao topo da montanha.
- Trouxeste o grão de mostarda? – perguntou o Buda.
- Não – disse ela – nem procurarei mais. A dor e o desespero me tornaram cega; pensava que somente eu tinha sofrido nas mãos da morte.
- Então, por que voltaste? – insistiu o ser perfeito.
- Para pedir que me ensine a verdade – respondeu a mulher.
E foi isto que o Buda lhe disse:
- No mundo do homem e no mundo dos deuses, a Lei é uma só: todas as coisas são passageiras.

A3 na Mundo dos Super-heróis

Cartões criativos

O cartão é um elemento importantíssimo para qualquer profissional. Se ele for criativo, então... Abaixo, alguns exemplos muito interessantes. 



















segunda-feira, outubro 04, 2010

Aniversário

Este mês o blog completa sete anos. O Ideias surgiu em outubro de 2003, no Weblogger. Como esse blog acabou dando bug, fica difícil dizer exatamente em que dia foi feita a primeira postagem. Mas certamente foi em outubro. Passei muito tempo tendo pouquíssimos leitores. Hoje, a média é de 1.200 visitantes diários. Se for contar a fase do Weblogger, já passamos, e muito, das 500 mil visitas. Obrigado a todos que nos visitam. Continuem conosco.

Especial Nietzsche

Já está nas bancas o livro da coleção Guias da Filosofia dedicado ao pensador alemão Nietzsche. A obra traz um artigo de minha autoria, escrito em parceria com Jefferson Nunes, Nietzsche, um ícone pop, que analisa a influência de sua obra em filmes, quadrinhos e na música. O Jefferson assina mais dois textos nessa coletânea. O amigo Matheus Moura também assina um artigo. O livro custa R$ 14,90 e pode ser comprado também no site da editora Escala.

sábado, outubro 02, 2010

Sebos


Sobre sebos, confesso que sou viciado neles. Como venho de uma família com pouco dinheiro, que pouco valor dava aos livros, só comecei a ler regularmente depois que descobri a biblioteca pública e os sebos com seus preços convidativos.


O primeiro sebo que descobri não era propriamente um sebo. Era um cambista do jogo do bicho, que vendia revistas usadas, no entroncamento, em Belém. Com ele comprei uma grande quantidade de revistas em quadrinhos Heróis da TV, que eu revendia a um colega de turma, colecionador, ganhando o suficiente para comprar minhas próprias revistas.


Algum tempo depois mudamos para a Cidade Nova, também em Belém e lá descobri um sebo que merecia o nome (inclusive em termos de sujeira), mas que tinha os melhores preços que já vi num estabelecimento do tipo. Nessa época percebi que tinha uma espécie de faro para descobrir sebos. Geralmente eles ficam perto de feiras ou de rodoviárias. Isso os sebos populares, pois os sebos mais “chiques” costumam ficar em casas antigas de bairros do centro.


Ao mudar para Curitiba tive contato com um novo tipo de sebo que não conhecia: o sebo organizado. Havia alguns que até tinham o catálogo em computador. Foi lá que vi uma cena que me pareceu surrealista: uma mulher chegar com uma lista de livros perguntando quais tinha. Pode ser prático, mas não tem o mesmo charme de procurar item a item nas prateleiras. O interessante nos sebos é a incrível capacidade deles nos surpreenderem. As livrarias são um espaço de ordem, de determinação. Uma ou duas visitas a uma livraria são o suficiente para entende-la, para saber o que ela tem. Um sebo não. Em um sebo bom, como o são os de Curitiba, é possível ir todos os dias durante todo um mês e, a cada dia, descobrir uma novidade, uma obra-prima escondida. Sem falar que os bons sebos costumam ter alta rotação. Sempre está chegando novidades.


Ir aos sebos para mim é tão relaxante que passei a considerar uma terapia, capaz de curar depressão, tristeza ou qualquer outro mal do espírito. Sempre que eu não estava bem, visitava um sebo e saía de lá feliz. Como é meio complicado visitar diariamente um sebo sem comprar nada, eu costumava comprar a cada dia uma ou duas obras. Havia uma ótima coleção sobre história do Brasil, com mais de 100 exemplares. Comprei um a um. Hoje sei que essa não é exatamente uma ótima estratégia, pois comprando muito é quase certo que haja desconto. Mas para mim, só o fato de estar ali, cercado de livros, já era para mim um prazer.


Jorge Luís Borges dizia que sempre imaginou que o paraíso fosse uma espécie de biblioteca. Para mim, o paraíso deve ser como um sebo. A biblioteca, embora seja cheia de livros, é um espaço de ordem e determinação. Os sebos, ao contrário, são informação em estado puro, pura indeterminação.

Quando mudei para Macapá, o que eu mais sentia falta era de um sebo. Vivia falando em ir embora. Só me aquietei quando começaram a surgir os primeiros sebos. Na feira do Buritizal surgiu um rapaz vendendo os mais variados tipos de revistas, incluindo vários exemplares antigos da revista Heróis da TV, justamente as que eu comprava para revender ao meu colega de escola, quando morava em Belém. Esse não durou muito, mas logo depois surgiu o sebo do Ramos, na rua Tiradentes. No começo era um espaço mínimo, com poucos livros, nenhum quadrinho, e muitas revistas Veja antigas. Cheguei a comprar algumas Veja, só para incentivar. 
O  Ramos nunca foi a um sebo e não sabia direito como o negócio funcionava. Um dia, quando ele já tinha mais variedade, alguém chegou para ele e disse que as revistas em quadrinhos podiam se tornar raridades e valor milhões. O que ele fez? Pegou os gibis que tinha em estoque e aumentou o valor para 10 vezes o de banca. Assim, uma revista do Batman, da abril, em formatinho, que na banca custava R$ 2,50, ele passou a vender a R$ 25,00. Claro, não apareceu nenhum colecionador interessado em comprar uma revista que ainda podia ser achada nas bancas, danificadas pelo selo com o preço, por um preço tão alto.

sexta-feira, outubro 01, 2010

Editora portuguesa aceita trabalhos sobre golfinhos

A editora portuguesa Qual Albatroz está  à procura de um Parceiro no Brasil que colabore  no “Projeto Celacanto”.
Trata-se de um Fanzine anual de Banda Desenhada, Ilustração Texto e Poesia, Música e Vídeo dedicado a um animal ameaçado. O lema do projeto é “Fazer Arte pelo Planeta”, e vem como uma forma da editora se envolver (e envolver os outros) numa causa importante dos nossos dias, bem como  divulgar o trabalho de jovens criadores.
Os melhores trabalhos selecionados serão impressos. Depois, os lucros da venda do fanzine são doados a uma instituição que investiga e protege o animal-tema. Já foram feitos dois números, o primeiro sobre o Albatroz e o segundo sobre o Lobo.
Este terceiro número, que sairá em 2011, será sobre o Golfinho/Boto, cetáceos protegidos tanto em Portugal quanto no Brasil.
Para consultar o regulamento, clique aqui.
O blogue oficial do projeto é www.projectocelacanto.blogspot.com