sábado, outubro 15, 2011

II Encontro amapaense de estudantes de Letras

De 26 a 28 de outubro acontece na Unifap o II Encontro amapaense de estudantes de Letras. A programação é muito interessante e tem como um dos pontos altos uma palestra com o professor Pedrinho Guareschi, dia 28. No dia 27, às 19 horas, eu, a professora Adelma Barros e o professor Ed Carlos estaremos discutindo o tema Mídia e educação no anfiteatro da Unifap. Para conferir a programação completa, clique aqui.

Curso de assistente de câmera

Uma ótima oportunidade para que quer entrar na área de audiovisual.

sexta-feira, outubro 14, 2011

As capas do livro Galeão

O amigo JJ Marreiro, que foi meu parceiro no álbum MSP+50, criou duas propostas de capa para meu livro Galeão, um romance de fantasia histórica que se passa num navio perdido no Atlântico (clique aqui para saber mais). Gostei das duas versões, assim, gostaria de saber a opinião dos leitores. Deixem comentários dizendo qual versão gostaram mais.
Versão 1

Versão 2

Tributo à Legião Urbana


Realização: Fã-clube Legítimos Legionários 

Serão dois dias de evento (14 e 15/10)


1 - Dia 14/10 a partir das 16h - Na sala de Imagem e Som do MIS (Museu de Imagem e Som) no Teatro das Bacabeiras, haverá um WorkShop que falara sobre o movimento independente "liberdade ao Rock".

2 - Dia 14/10 - mesa redonda com sociólogos e professores universitários que falarão sobre o tema: "Música Urbana: O redescobrimento do Brasil através do Rock Nacional" .

3 - Dia 14/10 - apresentações de bandas locais na “Escadaria do Teatro"... Incluindo as bandas: Capital Morena, Eletrosfera, Geração Walkman (do movimento Liberdade ao Rock) e a banda Dezoito21. 

Dia 15 de outubro: na Praça da Bandeira a partir das 19h: Grande show com a apresentações de bandas locais com as melhores canções da Banda Legião Urbana:dentre as atrações estarão as bandas: The End, Resistência Pública (de Santana), Citotec, Além do Rádio, Slide e o cantor amapaense Geison Castro. 

Informações:  8116 5715, 8113 4634 e 9111 4355

Zumbi: mundo dos mortos



Terror, Suspense e Humor Negro em um mundo dominado pelos Mortos-Vivos!

Caos, horror e morte! Monstros apodrecidos à solta pelas ruas. A sociedade moderna à beira da destruição! Se os mortos saíssem de suas covas, a humanidade enfrentaria seu fim?

Produzida na Inglaterra pela editora Accent UK, a coletânea Zumbis: Mundo dos Mortos lança um olhar peculiar sobre os mortos-vivos, em histórias em quadrinhos inusitadas e inovadoras, cheias de momentos aterrorizantes, dramáticos, cômicos e trágicos em meio à luta pela sobrevivência.

Essas elogiadas histórias foram produzidas por alguns dos nomes mais aclamados da nova geração de quadrinistas ingleses, como Dave West e Marleen Lowe (O Que Aconteceu ao Homem mais Rápido do Mundo?), Leah Moore e John Reppion (Doctor Who, Sherlock Holmes), David Hitchcock (Madame Samurai),Kieron Gillen (Thor, X-Men), Andy Bloor (The Wolfmen) e Colin Mathieson(Zulu). Lançada em 2007 no Reino Unido, a coletânea logo se tornou sucesso de público e crítica, com tiragens que esgotaram-se rapidamente.

Para a edição brasileira, a Gal editora ganhou autorização para incluir histórias de quadrinistas nacionais, que exploraram o tema dos Mortos-Vivos com grande talento e humor:

"Zombie Talk": enquanto se preparam para a Zombie Walk, dois amigos conversam sobre filmes com Mortos-Vivos. Por Gustavo Daher, autor dos Toscomix.

"Meu Amigo Zumbi": o estranho e divertido relacionamento entre um garoto distraído e um Morto-Vivo que invade sua casa. Por Fábio Perez, ilustrador da RevistaRecreio.

"Pagando o Pato!": num mundo habitado por personagens de quadrinhos e desenhos animados, dois mercenários enfrentam uma perigosa missão numa cidade infestada por zumbis. Por Maurício Muniz, roteirista do projeto de animaçãoProcura-me, e Alvaro Omine, desenhista de Didi e Lili e Como ser Bom de Papo.

A edição também traz ilustrações de Danilo Beyruth (Bando de Dois), Affonso Solano (Matando Robôs Gigantes) e da dupla Antônio Santos e Cláudio Murena, do estúdio Camucada. A capa tem desenho de Alvaro Omine e Logotipo edesign de Andy Bloor, diretor de arte da editora Accent UK.

quinta-feira, outubro 13, 2011

Pérolas do jornalismo


O jornalista é médium?

Deus ex machina

Na Grécia antiga havia um recurso usado pelos maus roteiristas: quando não conseguiam resolver algo na trama, ou explicar o que estava acontecendo, um ator vestido de deus era baixado por um mecanismo  e resolvia a situação. Por exemplo: os personagens estão numa situação em que não há saída possível, o deus desce e os salva. Ou: há um furo monstruoso na trama, o deus descia e tentava explicar.
Isso era chamado de Deus ex machina e é uma falha grave de roteiro. 
Um exemplo clássico disso aconteceu em uma das edições da revista Calafrio. Havia um roteiro padrão na Calafrio, segundo o qual alguém muito mal era punido no final. Geralmente eram os mortos que voltavam do túmulo para se vingar. Mas nessa história, o vilão foi morto por um raio que atingiu seu carro. Só que, percebendo o furo, o roteirista colocou uma caveirinha no final, explicando: "Sim, eu sei que os pneus do carro criam um isolamento, protegendo as pessoas de raios, mas lembre-se: no mundo do terror, tudo é possível... hahahhahahahah".
Uma forma mais comum de deus ex machina é tirar a salvação dos heróis da manga. Tipo: eles estão sendo perseguidos e vão ser mortos pelos vilões. De repente aparece a polícia, do nada, e os salva.
Para evitar o deus ex machina, tudo na trama tem que ser amarrado. Em algum ponto lá atrás, alguém deveria ter chamado a polícia, mas, com o desenvolvimento da trama, o expectador esqueceu disso e só lembra na hora que vê a polícia chegando.
No filme Sinais, por exemplo, tínhamos uma menina com uma mania estranha: ela bebia água e deixava o resto em copos espalhados pela casa. No final, quando o ET invade a casa, há água por toda a casa, o que permite ao tio da menina usar isso para derrotá-lo (a água é como ácido para eles). Ou seja: o  roteirista pensou nesse final e providenciou uma explicação. Se os copos de água aparecessem do nada, o expectador iria dizer: ah, isso é mentira, e o pacto de verossimilhança seria destruído junto com os copos de água.


O pacto de verossimilhança pressupõe uma troca com o expectador: você acredita na minha história, em troca eu sou honesto com você. Vou, por exemplo, avisá-lo de quem é o assassino numa história policial (claro que essa pista é jogada no meio de outros fatos, e a tendência é esquecer, mas, quando vê o final, o expectador pensa: ah, mas era óbvio, como eu não percebi isso antes?).
O filme Sexto sentido é um exemplo disso: no final, quando descobrimos o que realmente aconteceu com o psicólogo, pensamos: caramba, era óbvio, porque não pensei nisso?
O filme Testemunha de acusação brinca com essa  situação: de repente aparece uma mulher, do nada, com provas que inocentam o acusado. Parece um deus ex machina, usado apenas para livrar a cara do personagem. Mas depois isso se revela parte de uma trama maior, que já estava sendo exposta ao expectador.

quarta-feira, outubro 12, 2011

Professores do RN são proibidos de usufruir da merenda escolar

De Francisco Francerle para a redação do Diário de Natal
O Estado, que gasta cerca de R$ 11, diariamente, com alimentação para os presos de Justiça, é o mesmo que nega R$ 0,30 para um prato de comida ao professor. Enquanto a alimentação ao preso é garantida, o diretor de escola que permitir a alimentação ao professor é ameaçado de responder administrativamente e criminalmente pelo ato. Três meses após a publicação da recomendação conjunta nº 001/2011, da 78ª Promotoria de Justiça e do Ministério Público Federal no Rio Grande do Norte (MPF/RN), proibindo a "terceiros" (leia-se, principalmente, professor) de compartilhar a merenda do aluno, a recomendação executada pelos gestores ainda não foi digerida pelos educadores. Enquanto isso, a Promotoria de Educação do Ministério Público já está investigando denúncias de gestores que estão descumprindo a recomendação. Leia mais

Comentário: Além de ganharem mal, os professores são tratados como bandidos. Ou até pior do que bandidos, pois esses têm refeição garantida. E depois ainda fazem anúncios na TV dizendo que a profissão deve ser valorizada...

Zoo - Jogos de Predadores


Nestablo Ramos Neto retoma o universo de Zoo em Jogos de Predadores, o segundo volume da série. Três meses depois dos eventos do álbum anterior, as coisas voltam a se complicar em Zoo.
Novos e velhos personagens se misturam numa trama de libertação e vingança, que explora também o passado, revelando origens e segredos do chimpanzé Sims e muitos outros. Mas será isso mesmo? Afinal, nada é o que parece no mundo de Zoo...
Com prefácio de Gonçalo Junior e colaborações de Eduardo Schloesser, Carlos Brandino eGlauco Guimarães, Zoo: Jogos de Predadores tem 160 páginas que contam com diversos extras e a participação especial de Zé Gatão, personagem criado por Eduardo Schloesser.
Criação de Nestablo Ramos Neto, Zoo é um universo onde os favorecidos agora são aqueles que um dia sofreram nas mãos humanas: os animais! Neste cenário, a humanidade é que é explorada, numa engenhosa crítica à forma cruel como o homem trata a vida animal. Em 2010, o primeiro álbum foi vencedor do Troféu Bigorna por "Melhor Publicação Aventura".
Edição com duas capas diferentes produzidas especialmente para colecionadores.
Confira um preview em http://hqmaniacs.uol.com.br/editora/default.asp?acao=publicacao&id_publicacao=51.

Previsão de lançamento: outubro de 2011.


SERVIÇO
Zoo - Jogos de Predadores
De Nestablo Ramos Neto
Prefácio de Gonçalo Junior
Formato 16,5 x 24 cm
160 páginas em cores
R$ 39,90
HQM Editora
www.hqmeditora.com.br

Câmara analisa projeto de lei que pune violência contra o professor


A Câmara dos Deputados analisa o Projeto de Lei 267/11, da deputada Cida Borghetti (PP-PR), que estabelece punições para estudantes que desrespeitarem professores ou violarem regras éticas e de comportamento de instituições de ensino. 

Em caso de descumprimento, o estudante infrator ficará sujeito a suspensão e, na hipótese de reincidência grave, encaminhamento à autoridade judiciária competente. 

A proposta muda o Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8.069/90) para incluir o respeito aos códigos de ética e de conduta como responsabilidade e dever da criança e do adolescente na condição de estudante.  

Indisciplina
De acordo com a autora, a indisciplina em sala de aula tornou-se algo rotineiro nas escolas brasileiras e o número de casos de violência contra professores aumenta assustadoramente. Ela diz que, além dos episódios de violência física contra os educadores, há casos de agressões verbais, que, em muitos casos, acabam sem punição.

O projeto, que tramita em caráter conclusivo, será analisado pelas comissões de Seguridade Social e Família; de Educação e Cultura; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
 
Fonte: Blog Falando francamente

Comentário: Minha mãe me contou uma situação que mostra bem a que ponto chegou a total inversão de valores: ela trabalhava em uma creche e foi separar um menino que estava batendo em uma menina. O garoto, de cinco anos, virou para ela e disse: "Não toca em mim, senão eu te denuncio para o Conselho Tutelar". E, segundo ela, muitas professoras estão sendo denunciadas apenas por advertir um aluno que está fazendo algo errado. O resultado disso estamos vendo nas ruas: um aumento geral da violência juvenil e uma geração que acha que pode tudo, que não tem limites, que quer levar vantagem em tudo. Não se trata de voltar aos tempos em que o professor era uma figura assustadora, mas é importante que os alunos saibam que, assim como têm direitos, têm deveres.

Açucena - o poder da Amazônia

Assisti ontem ao filme Açucena, o poder da Amazônia, primeiro longa metragem amapaense, do jovem cineasta André Araújo. Filmado com equipamento amador (assim como os filmes de Alexandre Magno), ele conta a história de uma bióloga que descobre uma fórmula restauradora, mas acaba sendo vítima da inveja de uma colega. A partir desse momento, a película passa a ser protagonizada pela filha da cientista, que é criada por uma tribo indígena.
É um filme de aventura e ação.
O roteiro poderia ser melhorado, especialmente por causa de dois ou três Deus ex machina que comprometem a suspensão de descrença em momentos específicos. Mas no geral, o expectador embarca na história e torce pela protagonista.
A direção tem vários momentos inspirados que revelam uma insuspeita intimidade com a linguagem cinematográfica para alguém tão jovem. O momento em que a garota vê os campangas "matando" a mãe é um deles. A câmera em câmera lenta se aproxima de um buraco na tela da janela e "pula" para dentro casa num plano sequência engenhoso, até focar na tatuagem de um dos bandidos.
Outro momento interessante é a passagem do tempo: as indiazinhas mergulham na água e quando saem já são jovens. Um trabalho interessante de edição.
Em suma: os jovens, com equipamento amador, mas boa ideias e criatividade, estão dando um banho em gente daqui do Amapá que tem equipamentos de melhor qualidade e não produz.
Estamos curiosos para ver a próxima produção do André Araújo.

Beatles na TV Pirata

terça-feira, outubro 11, 2011

O samurai de Curitiba

Recebi um presentão: o DVD O Samurai de Curitiba, com um documentário sobre o saudoso quadrinista Cláudio Seto. Seto foi uma figura importante não só para os quadrinhos, mas também para a comunidade japonesa de Curitiba. Na época em que morava em Curitiba, ele era uma espécie de guru dos quadrinistas locais: simpático, ele tratava muito bem todos que iam em sua casa. Esse lado simpático, simples, brincalhão, é retratado com maestria no documentário de Rober Machado e José Padilha. Atenção para os extras, em que são contadas histórias como a do irmão gêmeo (uma das grandes polêmicas: há quem acredite que ele tinha mesmo um irmão gêmeo e há quem diga que era só mais uma brincadeira) e do censor da Grafipar, que era fã de quadrinhos. Clique aqui para conhecer a página do DVD na internet.

Turma da Mônica na Globo

sábado, outubro 08, 2011

O desenho desanimado do Hulk



Embora a animação fosse sofrível, essas foram algumas das melhores adaptações já feitas de quadrinhos. Numa época em que era costume mudar tudo ao mudar de mídia, essas animações usavam até os desenhos originais. 

quarta-feira, outubro 05, 2011

Dissertação da História relaciona obra do roteirista de quadrinhos Alan Moore ao contexto da Guerra Fria


segunda-feira, 3 de outubro de 2011, às 7h13
Muitas vezes relegadas à categoria de mero entretenimento, as histórias em quadrinhos também abordam questões “sérias”, atuando como potenciais instrumentos de questionamento e mobilização política. Na primeira dissertação do programa de pós-graduação em História da UFMG dedicada exclusivamente à temática, o pesquisador Márcio dos Santos Rodrigues relacionou a obra do roteirista de quadrinhos inglês Alan Moore, produzida na década de 1980, ao contexto da Guerra Fria.
O objetivo foi evidenciar que grande parte das representações que aparecem em suas histórias são socialmente construídas a partir de elementos do mundo real condensados em narrativa orientada para fins políticos. Watchmen e V de vingança – duas séries do autor já adaptadas para o cinema – foram objetos de análise, para identificação de como elas se apropriaram de repertórios culturais de seu tempo, reproduzindo os dilemas e paradoxos da Guerra Fria.
O terror do fim do mundo vivenciado na época aparece no universo ficcional criado pelo “mago de Northampton”, como Moore é conhecido, por meio de artifícios como o posicionamento político de personagens, ideias divulgadas nas capas das edições ou inserções publicitárias ao longo das histórias. “O medo do perigo atômico era o tempo todo retratado na obra dele”, observa Rodrigues, que defendeu sua dissertação em setembro.
“Em determinado capítulo de Watchmen, havia a publicidade de uma bala chamada ‘Mmeltowns’. O nome é derivado da palavra que em inglês significa ‘fusão nuclear’”, revela. Mais do que inserir elementos da conturbada conjuntura geopolítica da época em seus mundos ficcionais, Moore convocava os leitores à reflexão. Em outra passagem deWatchmen, por exemplo, uma mulher é esfaqueada e violentada na porta de seu apartamento, enquanto os vizinhos assistem a tudo sem tomar qualquer providência. Já em V de vingança há uma transmissão televisiva em que o locutor denuncia: “Foram vocês que colocaram no poder uma sucessão de malversadores, larápios e lunáticos tomando um sem-número de decisões catastróficas”. Para Rodrigues, o autor chama atenção do leitor para o fato de que qualquer decisão política é legitimada pela população. “Ele aponta para o público, e é nesse sentido que seus quadrinhos desempenham a função de um objeto político”, analisa o recém-mestre.
 
Artífice da ‘invasão britânica’
Alan Moore nasceu em 1953, na pequena cidade industrial de Northampton, localizada em East Midlands, na Inglaterra. Nas últimas trêsdécadas, firmou-se como um dos principais autores no mundo das histórias em quadrinhos, sendo lembrado por ter introduzido no gênero elementos do cenário político dos anos 80. Foi um dos expoentes da chamada “invasão britânica” nos quadrinhos, iniciada na mesma década. Na ocasião, ao lado de outros roteiristas britânicos como Grant Morrison, Peter Milligan e Neil Gaiman, trabalhou em prol da valorização do gênero como manifestação cultural. Suas posições político-ideológicas puseram-no em choque com o mercado editorial de quadrinhos, com o qual mantinha relações cordiais no início de sua carreira. Prestes a completar 58 anos, o autor publica fora do circuito das grandes editoras. Algumas de suas obras já foram adaptadas para o cinema, embora ele se declare contrário à prática, exigindo que seu nome não figure nos créditos.
Personagens plurais
Anarquista, Moore viveu em um mundo bipolar dividido entre Estados Unidos e União Soviética sem defender nenhuma das duas potências. Aliás, seu trabalho buscava justamente diluir o maniqueísmo da Guerra Fria, desconstruindo a lógica de um conflito que não se pretendia efetivo, mas baseava-se no medo. “Em V de vingança, ele propôs uma mudança por meio do anarquismo”, acrescenta Rodrigues. Com vários substratos narrativos, as histórias de Moore apresentavam personagens de viés conservador ao lado de outros mais liberais, em uma grande variedade de posicionamentos. Embora não se possa falar em uma orientação hegemônica presente em sua obra, a contestação aparece em praticamente todas as suas produções ao longo da década de 80. O engajamento provém da concepção de Moore acerca desse tipo de narrativa, pois, para ele, “todo quadrinho é político”.
Embora frequentemente associados à literatura, os quadrinhos constituem uma forma de expressão com códigos próprios. Para Rodrigues, equiparar quadrinhos a literatura foi uma tentativa de pesquisadores de dar um verniz de nobreza às obras por meio de um rótulo que não era delas, já que as expressões literárias são socialmente mais aceitas. Alcunhas como “comics” (“cômicos”, em português), que é como esse tipo de gênero narrativo é chamado nos Estados Unidos, ou “funnies” (“engraçadinhos”), na Inglaterra, contribuíram para orientar a percepção de grande parte do público acerca dos quadrinhos. Para muitos, é ainda um gênero destinado exclusivamente ao divertimento.
Dissertação: Representações políticas da Guerra Fria: as Histórias em Quadrinhos de Alan Moore na década de 1980
Autor: Márcio dos Santos Rodrigues
Defesa: 13 de setembro, no Programa de Pós-gradução 
em História da Fafich
Orientador: Rodrigo Patto  Motta
(Boletim UFMG - Siga @UFMG_Boletim e curta no FB)

terça-feira, outubro 04, 2011

Dia de São Francisco

Uma convidada especial

Uma das veteranas do jornalismo amapaense e responsável pelo blog mais lido no Amapá, Alcinea Cavalcante esteve na segunda-feira, dia 3, conversando com os alunos do curso de Jornalismo da UNIFAP. Ela contou um pouco de sua experiência e muitas histórias de bastidores. Os alunos adoraram.

domingo, outubro 02, 2011

As áreas de ressaca e a irresponsabilidade ambiental do jornalismo amapaense

Uma coisa que tem me incomodado bastante é a mania dos jornalistas amapaenses de cobrarem melhorias (água, iluminação, conserto de pontes) em áreas de ressaca. Com a moda do tal jornalismo comunitário, todo dia se vê alguém na rua sendo entrevistado, cobrando essas melhorias. Em alguns casos, os jornalistas até voltam ao local para saber se as melhorias foram efetuadas.
É um exemplo claro da falta de compromisso ambiental do jornalismo.
Existe uma lei estadual que proibe a ocupação das áreas de ressaca. A razão para isso é simples: essas áreas são importantíssimas para a cidade: resfriam o clima, evitam enchentes, etc. Apesar de haver lei que proiba construções nessas áreas, o que vemos é mais e mais famílias construindo casas nessas regiões e, com isso, destruindo a vegetação locao (sem falar no lixo que é jogado na água). Segundo o Ministério Público, 90% das áreas de ressaca de Macapá já foram ocupadas. De acordo com o Promotor Haroldo Franco, Governo e Prefeitura têm feito cada veze melhorias nessas áreas, o que estimula mais e mais pessoas a se mudarem para as áreas de ressaca.O resultado está aí: um aumento geral do calor na cidade e logo teremos as enchentes.
Governo e prefeitura deveriam estar tirando as pessoas dessas áreas através de programas de habitação, e não promovendo melhorias, o que é contra a lei. Mas, mesmo assim, os jornalistas, dia a dia cobram essas melhorias e muitas vezes se colocam contra quem quer fazer cumprir a lei.
Dica: todo vez que veicular uma entrevista com um morador de área de ressaca cobrando melhorias, lembre que isso é ilegal e que o correto seria a retirada dessas famílias da área através de programas habitacionais.Afinal, jornalista também tem que ter responsabilidade ambiental.

PS: Para não dizerem que só critico, leia aqui um bom exemplo de matéria sobre as áreas de ressaca.

A informação

Claude Shannon

              Parte essencial da cibernética, o estudo da informação foi consagrado pela Teoria da Informação (T.I).
              A T.I. foi criada pelo matemático norte-americano Claude Shannon para resolver problemas técnicos de transmissão de informação.
              Os engenheiros da época acreditavam que era apenas uma questão de tecnologia conseguir transmitir uma maior quantidade de mensagens telegráficas com maior rapidez. Shannon demonstrou que cada canal tem uma velocidade e uma quantidade limite de informações transmitidas. A partir de um certo ponto, a mensagem começa a ser dominada por ruídos que prejudicam a recepção.
              Shannon também tornou possível a construção de computadores digitais ao substituir o sistema decimal pelo sistema binário. Ele foi, provavelmente, o primeiro pesquisador a tentar uma definição científica do conceito de informação: “Informação é uma redução da incerteza, oferecida quando se obtém resposta a uma pergunta”. (apud Epstein, teoria da informação, 35)
              Vamos imaginar uma situação. Dois candidatos A e B estão disputando uma eleição.
              O eleitor não sabe quem é o vencedor e liga o rádio para obter essa informação.Se o locutor dissesse: “O Vencedor foi A ou B”, a mensagem seria totalmente redundante, pois o ouvinte já sabe que o vencedor foi um dos dois concorrentes.
              A mensagem “A venceu” seria informação, pois diminui a incerteza do receptor.
              Entretanto, só há informação quando ocorre variedade de possibilidades. Quanto maior a quantidade de respostas possíveis, maior a quantidade de informação.
              Se a eleição tiver um único concorrente, digamos A, a mensagem “A venceu não teria qualquer informação”.
              Por outro lado, se houvessem três candidatos com chance real de se eleger, a mensagem “A venceu” seria mais informativa.
              Quanto maior a quantidade de possibilidades, maior a dúvida e, portanto, maior a quantidade de informação da mensagem “A venceu”.
              Imaginemos que a mensagem seja “A, B e C empataram”. Essa notícia teria muito mais informação do que “A venceu”, pois é muito improvável que três candidatos tenham exatamente o mesmo número de votos.
              Quanto mais improvável um acontecimento, mais informação ele tem.
              A mensagem “Há um elefante nas florestas da Índia” tem pouquíssima informação, pois há uma grande probabilidade de haver elefantes nas selvas indianas.
              Entretanto, a mensagem “Há um elefante solta na Avenida Paulista” tem alta carga de informação, pois a chance de isso acontecer é mínima.
              A idéia de informação está sempre ligada a algo diferente, improvável, fora do normal.