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sexta-feira, maio 29, 2026

Liga da Justiça – A espaçonave dos escravos

 


Uma das estratégias mais curiosas do editor Julius Schwartz era produzir uma capa com uma situação inusitada e instigar seus roteiristas a bolarem uma história a partir daquela imagem. É o que acontece, por exemplo, no número 3 da revista da Liga da Justiça, em que o grupo aparece remando uma nave espacial no formato de barco e sendo comandado por um alienígena, enquanto a legenda anunciava uma "nave espacial de escravos", numa referência direta às galeras romanas.

O vilão força a Liga a combater seus inimigos. 


Na história, um ditador extraterrestre chamado Kanjar Ro aprisiona a humanidade com um raio paralisante e exige que a Liga o ajude a derrotar seus inimigos, governantes de outros planetas, como condição para que a humanidade seja libertada de seu estado de letargia. Individualmente ou em dupla, os heróis descem aos planetas desses governantes e os aprisionam.

Gardner Fox, o roteirista, era também escritor de ficção científica e tinha sólida base científica, que é demonstrada na história. A certa altura, por exemplo, o Caçador de Marte decide aprisionar um extraterrestre de metal usando um gancho de magnetita, mas tudo o que ele encontra no planeta é hematita. “Com minhas técnicas marcianas de transmutação, adicionarei um átomo de ferro e um de oxigênio à hematita... para obter magnetita!”.

Gardner Fox introduzia informações científicas no roteiro. 


Em outra sequência, Lanterna Verde e Flash são lançados ao espaço por um fragmento de terra coberto por fragmentos de enxofre. Como o enxofre é amarelo, isso impede que o Lanterna possa usar seus poderes.

Outro aspecto que chama atenção é o fato de todos os governantes extraterrestres serem tratados como vilões, mesmo aqueles que fizeram nada mais do que se defender de ataques.

Os heróis agem em duplas. 


Apesar de toda a criatividade e conhecimento científico de Gardner Fox, a padronização extrema da história a torna monótona. Os heróis sempre são quase vencidos, chegando a uma situação da qual não parece haver saída, para logo em seguida escaparem e resolverem tudo em poucos quadros. Além da repetição de situações, fica a impressão de que Gardner Fox se preocupava muito em desenvolver as tramas e se preocupava pouco com a resolução das mesmas.

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