Ray Bradbury é um dos mais festejados escritores de ficção
científica de todos os tempos. Seu texto poético trouxe lirismo e profundidade
ao gênero, mas ele foi fundamental também para os quadrinhos de terror, como se
pode perceber nas histórias reunidas no álbum O Pequeno Assassino, lançado pela
editora L&PM no ano de 2007. A publicação reúne oito histórias publicadas
originalmente na renomada editora EC Comics.
A primeira história, "Impressão Digital", com
desenhos de Johnny Craig, já impressiona por apostar no terror psicológico, um
subgênero até então pouco explorado nos quadrinhos. Nela, um homem mata outro e
resolve limpar as digitais para não deixar vestígios na cena do crime. O que
seria um procedimento simples, porém, torna-se um pesadelo representado por uma
cesta de frutas de enfeite. Inicialmente, ele limpa apenas as de cima; depois,
volta para limpar as de baixo. No decorrer da trama, ele retorna várias vezes
aos mesmos objetos, enquanto limpa obsessivamente paredes, lustres e tudo mais
na casa.
A segunda história, "O Som do Trovão" (adaptada no
álbum como "Time Safari"), é talvez a mais famosa. Foi a partir do
conto original que se popularizou o conceito de "Efeito Borboleta",
segundo o qual pequenas mudanças no início de um fenômeno podem provocar
grandes e imprevisíveis transformações. Na história, um grupo viaja ao passado
para caçar um dinossauro que já estaria prestes a morrer. Um dos integrantes
cai e pisa em uma borboleta, alterando todo o futuro. O texto mostra-se
profético ao ilustrar a Teoria do Caos. A arte é de Al Williamson, especialista
em desenhar cenários fantásticos e dinossauros.
Outra história que chama a atenção é "A Mulher que
Gritava", com desenhos de Jack Kamen. Nessa HQ, uma garotinha ouve uma
mulher clamando por socorro debaixo da terra, em um terreno baldio. Ninguém
acredita na menina, nem mesmo seus pais, que a obrigam a jantar antes de
qualquer coisa e se recusam a ajudá-la. Quando ela e um rapaz tentam finalmente
desenterrar a vítima, são impedidos pelo dono do local — que, subentende-se, é
o responsável pelo crime. A agonia da criança em sua tentativa vã de alertar os
adultos torna esta a história mais tensa do álbum.
Por fim, "Veneno, Veneno!" destaca-se tanto pelo
desenho de Jack Davis quanto pelo texto marcante. A narrativa capta com
perfeição a excentricidade de um professor que odeia crianças por desconfiar
que elas escondem, sob a aparência inocente, um instinto assassino.





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