segunda-feira, junho 15, 2026

O Pequeno Assassino

 


Ray Bradbury é um dos mais festejados escritores de ficção científica de todos os tempos. Seu texto poético trouxe lirismo e profundidade ao gênero, mas ele foi fundamental também para os quadrinhos de terror, como se pode perceber nas histórias reunidas no álbum O Pequeno Assassino, lançado pela editora L&PM no ano de 2007. A publicação reúne oito histórias publicadas originalmente na renomada editora EC Comics.



A primeira história, "Impressão Digital", com desenhos de Johnny Craig, já impressiona por apostar no terror psicológico, um subgênero até então pouco explorado nos quadrinhos. Nela, um homem mata outro e resolve limpar as digitais para não deixar vestígios na cena do crime. O que seria um procedimento simples, porém, torna-se um pesadelo representado por uma cesta de frutas de enfeite. Inicialmente, ele limpa apenas as de cima; depois, volta para limpar as de baixo. No decorrer da trama, ele retorna várias vezes aos mesmos objetos, enquanto limpa obsessivamente paredes, lustres e tudo mais na casa.



A segunda história, "O Som do Trovão" (adaptada no álbum como "Time Safari"), é talvez a mais famosa. Foi a partir do conto original que se popularizou o conceito de "Efeito Borboleta", segundo o qual pequenas mudanças no início de um fenômeno podem provocar grandes e imprevisíveis transformações. Na história, um grupo viaja ao passado para caçar um dinossauro que já estaria prestes a morrer. Um dos integrantes cai e pisa em uma borboleta, alterando todo o futuro. O texto mostra-se profético ao ilustrar a Teoria do Caos. A arte é de Al Williamson, especialista em desenhar cenários fantásticos e dinossauros.



Outra história que chama a atenção é "A Mulher que Gritava", com desenhos de Jack Kamen. Nessa HQ, uma garotinha ouve uma mulher clamando por socorro debaixo da terra, em um terreno baldio. Ninguém acredita na menina, nem mesmo seus pais, que a obrigam a jantar antes de qualquer coisa e se recusam a ajudá-la. Quando ela e um rapaz tentam finalmente desenterrar a vítima, são impedidos pelo dono do local — que, subentende-se, é o responsável pelo crime. A agonia da criança em sua tentativa vã de alertar os adultos torna esta a história mais tensa do álbum.



Por fim, "Veneno, Veneno!" destaca-se tanto pelo desenho de Jack Davis quanto pelo texto marcante. A narrativa capta com perfeição a excentricidade de um professor que odeia crianças por desconfiar que elas escondem, sob a aparência inocente, um instinto assassino.

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