sexta-feira, agosto 18, 2017

Quais foram os maiores massacres da II Guerra Mundial?


Excetuando as mortes ocorridas nos campos de extermínios, os maiores massacres da guerra aconteceram na Rússia. Calcula-se que cerca de três mil pessoas teriam morrido diariamente durante o cerco alemão à cidade Leningrado, em 1941. Sem rota de saída, a cidade ficou sem comida e virou palco de epidemias. Faltava também aquecimento e combustível. Para aplacar a fome, algumas pessoas praticavam o canibalismo, comendo até mesmo seus mortos.

Outro grande massacre, agora de alemães, aconteceu quando os soviéticos bombardearam o cruzeiro alemão Wilhelm Gustloff, em 1945. Teriam morrido sete mil pessoas, o que faz desse o maior desastre naval da história, superior inclusive ao naufrágio do Titanic, que vitimou cinco mil pessoas.  

quinta-feira, agosto 17, 2017

Salvat lançará coleção A espada selvagem de Conan

O site O Vício deu hoje uma notícia há muito aguardada pelos fãs: finalmente será lançada no Brasil a coleção de álbuns da Espada Selvagem de Conan. O primeiro volume será vendido a R$ 9,90 e já está à venda em alguns estados, como forma de testar o mercado.
Confira a notícia aqui
Um dono de banca do Espírito Santo fotografou a edição nacional e colou na rede. 


Quem foi Wilm Hosenfeld?


Quem assistiu ao filme O Pianista deve ter ficado intrigado com o oficial nazista que salva Wladislaw Szpilman, escondendo-o no sótão de uma casa e lhe levando comida. O nome desse oficial era Wilm Hosenfeld e cartas suas recentemente publicadas revelam que ele não só salvou o pianista, como outras pessoas, pois discordava do genocídio praticado pelos alemães.
Hosenfeld era um veterano da Primeira guerra Mundial, na qual lutou muito jovem. Como outros alemães, sentia-se ressentido com o Tratado de Versalhes e achou uma resposta para suas ansiedades no partido nazista. Alistou-se em 1939, tendo participado da invasão da Polônia, mas seu entusiasmo com o nazismo terminou no dia em que viu uma criança ser executada por ter roubado um pouco de feno.
Sua revolta era expressa em cartas à mulher. Em uma delas dizia: "Envergonho-me de fazer parte dos culpados por uma tragédia tão grande, sem poder auxiliar as vítimas" . Em outra afirmava: “Pode um alemão ainda mostrar-se ao mundo? É para isso que nossos soldados morrem na frente de batalha? A história não conhece nada igual. Talvez os arcaicos tenham praticado o canibalismo. Mas nós que conduzimos a cruzada contra o bolchevismo, como podemos abater homens, mulheres e crianças em pleno século XX? Seremos normais? A culpa é tão grande que nos faz afundar no chão de vergonha.Será que o demônio adotou forma de gente?”.
Como forma de resistência, começou a esconder fugitivos, a fornecer comida e documentos falsos. Salvou tantos quanto pôde. Mesmo as cartas enviadas à família já seriam suficientes para condená-lo à morte, mas mesmo assim ele continuou praticando o bem até ser preso pelos russos.  Apesar dos apelos de muitas pessoas que tiveram sua vida salva por ele, Stalin não abrandou sua pena, condenando-o a 25 anos de trabalhos forçados, praticamente uma condenação à morte na União Soviética stalinista. Ele morreu em 1952, num campo de prisioneiros, aos 57.

Sua vida demonstra que, mesmo para os que estavam diretamente envolvidos com o regime, havia como fazer algo para evitar o massacre de pessoas. 

Steve Rude


quarta-feira, agosto 16, 2017

O ataque a Pearl harbour foi orientado por espiões?


O ataque japonês a Pearl harbour foi um dos momentos mais importantes da II Guerra Mundial, pois apressou a entrada dos EUA no conflito. Uma investigação efetuada pelo coronel norte-americano Franck Knox mostrou que muitos cidadãos de origem nipônicas, moradores de Honolulu, no Havaí, faziam espionagem para os japoneses e orientaram os ataques.
Uma prova disso é que os aviões atacaram preferencialmente os hangares cheios de aviões, ignorando completamente os que estavam vazios.
Aparentemente agricultores eram usados para espionar as intalações militares. Enquanto iam entregar verduras aos comissários de bordo dos navios de guerra, procuravam conhecer as unidades da esquadra norte-americana em Pearl Harbour.
Um japonês, preso por usar um transmissor de ondas curtas, durante o ataque a Pearl Harbour, era um negociante que durante 20 anos fora um frequente visitante do quartel de Schofield, posto militar do exército norte-americano.

Além disso, parece que os próprios norte-americanos treinaram alguns dos pilotos que os atacariam. Alguns dos japoneses abatidos tinam anéis de academias de aviação dos EUA.

Joyland


Stephen King é mais conhecido pelos livros de terror. Entretanto, alguns dos melhores momentos dele foram em textos que pouco tinham do gênero, a exemplo da noveleta O corpo (que deu origem ao filme Conta comigo) ou o romance O corredor da morte (que deu origem ao filme À espera de um milagre). Em Joyland, King mostra que pode ser um mestre em outra modalidade: o policial.
A história se passa em um parque de diversões (o Joyland do título) assombrado por um assassinato: uma garota foi degolada no meio de um brinquedo (conhecido no Brasil como trem fantasma). O assassino nunca foi pego e tudo leva a crer que ele matou outras garotas. A moça assassinada aparece de tempos em tempos para trabalhadores do parque, pedindo ajuda.
O personagem principal é um jovem universitário que acabou de ser chutado pela namorada e aceita um trabalho provisório no parque. Juntam-se a ele dois outros estudantes: uma linda garota ruiva e seu namorado fortão e simpático.
Como o leitor certamente adivinhou, a trama gira em torno da tentativa de se descobrir quem é o assassino (e, numa óbvia contribuição Kingiana, acrescenta-se um garoto doente com dom mediúnico). Mas esse não é o forte de Joyland (embora providencie um final realmente eletrizante). O forte do livro é aquilo que King faz melhor: mostrar personagens cativantes em uma narrativa saudosista. O capítulo em que o garoto doente é levado para passear no parque é um dos pontos altos da obra – algo que só King, com sua narrativa rica e extremamente coloquial conseguiria fazer.
O livro emula os pulp fictions não só na trama, mas também na capa, com o título em fonte vintage, mostrando uma garota Hollywood com sua máquina fotográfica na mão olhando apavorada para alguém que se aproxima, tendo o parque de diversões ao fundo.
Esse estilo saudosista é bem resumido no trecho: “Essas são coisas que aconteceram há muito tempo, em um ano mágico em que o petróleo era vendido por onze dólares o barril. O ano em que meu coração foi partido. O ano em que perdi a virgindidade. O ano em que salvei uma linda garotinha de se engasgar e um velho bem cruel de um ataque cardíaco (...) Também foi o ano em que aprendi a usar uma língua secreta e a dançar o Pop Pop com uma fantasia de cachorro. O ano em que descobri que há coisas piores que perder uma garota”.

Surpreendentemente para King, o livro tem exatas 239 páginas, o que permite ler de uma sentada. 

Galeão


Galeão é uma obra de fantasia histórica escrita por Gian Danton que se passa em algum lugar do Atlântico, no século XVII.

Depois de uma noite de terror, em que algo terrível acontece, os sobreviventes descobrem que estão em um navio que não pode ser governado e repleto de mistérios. A comida está sumindo, alguém está cometendo assassinatos, uma mulher é violentada e o tesouro do capitão parece ter alguma relação com todo o tormento pelo qual estão passando.

Galeão mistura vários temas da ficção fantástica e outros gênero numa trama policial, já que um psicopata parece estar agindo entre os sobreviventes. A história torna-se, assim, um quebra-cabeça a ser desvendado pelo leitor.

Valor: 25 reais - frete incluso. 

Pedidos: profivancarlo@gmail.com. 

O uivo da górgona


Um som se espalha pela cidade (ou pelo estado, ou pelo país, ou pelo mundo?). Um som que ouvido transforma as pessoas em seres irracionais cujo único o objetivo são os instintos básicos de violência e fome. É o uivo da Górgona.
Acompanhe a história dos sobreviventes neste livro de terror, uma história de zumbis diferente, em que qualquer um pode se transformar, bastando para isso ouvir o terrível uivo da górgona.
Escrito em capítulos curtos, o livro transforma o suspense em elemento de fantasia, prendendo o leitor da primeira à última página. 
Pedidos: profivancarlo@gmail.com. 

terça-feira, agosto 15, 2017

Groo, o errante



Groo é uma sátira dos quadrinhos de espada em magia (a exemplo de Conan), criado por Sérgio Aragonés, famoso por seu trabalho na revista MAD.
Aragonés elaborou seu personagem na década de 1970, mas na época a política de direitos autorais das editoras americanas não era favorável aos criadores e o cartunista guardou a ideia na gaveta.
Quando a Marvel criou a linha Epic, em que os direitos ficavam com os criadores, Aragonés resolveu publicar uma história de seu personagem.
Para isso ele convidou o amigo e Mark Evanier, que ficou responsável pelos textos e diálogos.
O personagem foi publicado pela primeira vez na revista Destroyer Duck #1, em 1981 e logo alcançou grande sucesso. Afinal, não só era sátira de um dos personagens mais populares da Marvel, como também era uma das melhores revistas de humor já lançadas.
Logo o personagem ganhou título próprio pela Pacif Comics. O título depois passou pela Epic, Image e atualmente Dark Horse.
No Brasil o personagem apareceu pela primeira vez na coleção Graphic Novel, número 14, em uma história que mostrava a “morte” do personagem.
Um  dos atrativos de Groo é toda a caracterização bolada por seus criadores. Apaixonado por queijo derretido, Groo é burro como uma porta, um desastre ambulante e um guerreiro invencível. E afunda todos os barcos nos quais entra. Quando ele entra em uma cidade, os moradores sabem que estão perdidos, por melhores que sejam suas intenções (em uma sequência, um homem pergunta a outro: “Este é Groo?”, ao que o outro responde: “Não pode ser, nós ainda estamos vivos”).
A série tem também uma rica galeria de personagens secundários. Entre eles o Sábio, que tem sempre um provérbio pronto para qualquer situação e sempre tenta impedir que Groo se torne um desastre; o Menestrel, que narra as histórias, sempre em rima; Rufferto, cão fiel companheiro de Groo, tão fascinado por seu dono que acha até mesmo que ele é inteligente; Taranto, um saqueador que sempre tenta se aproveitar da ingenuidade de Groo. Além da enorme quantidade de reis que veem seus reinos destruídos pela simples presença de Groo.

Uma curiosidade é que Groo se encontrou já com Conan em uma história publicada pela Dark Horse.

Francesco Francavilla


Francesco Francavilla


segunda-feira, agosto 14, 2017

Morreu Álvaro de Moya

Faleceu hoje Álvaro de Moya. 
Moya foi um dos primeiros pesquisadores de quadrinhos do Brasil. Era também quadrinista e foi um dos idealizadores da primeira exposição internacional de quadrinho do mundo, realizada em São Paulo, em 1951. 
Eu conheci Moya no final da década de 1980, quando descobri o livro Shazan na biblioteca da UFPA. O livro, organizado com ele e com artigos de diversos autores (eles eles Jô Soares), foi durante muitos anos uma das principais, senão a principal referência sobre quadrinhos no Brasil. Eu lia e relia, em especial os capítulos escritos pelo próprio Moya. Sua análise sobre as HQs Spirit, de Will Eisner, faziam com que qualquer um se apaixonasse pela obra de Eisner.
Moya não escrevia academicamente. Seu texto era fluído, irresistível e certamente foi através dele que muitos se apaixonaram não só pelos quadrinhos, mas também pelo estudo dos quadrinhos.
Eu o conheci em meados da década de 1990, em uma palestra na Gibiteca de Curitiba na qual tive o prazer e honra de conversar com ele e comprar um exemplar autografado de Shazam!, um dos itens mais queridos da minha biblioteca. 


Ah, além disso ele foi autor de vários outros livros sobre quadrinhos e foi um dos pioneiros da TV brasileira.
Hoje os quadrinhos são valorizados como arte e há os mais diversos estudos sobre eles, nos mais diversos pontos do país. Boa parte dessa valorização se deve ao trabalho pioneiro desse grande mestre.
Descanse em paz, Álvaro de Moya.

Por que os nazistas não desenvolveram a bomba atômica?


Durante muito tempo se acreditou que o atraso do programa nuclear alemão era fruto da sabotagem  do cientista Werner Heisenberg. Isso porque, em 1941 em uma reunião em Copenhague, na Dinamarca, ele revelou ao amigo Niels Bohr, que os alemães estavam avançando no sentido de dominar a tecnologia atômica.
O fato dele ter avisado o amigo e do programa não ter avançado com a rapidez necessária fez muitos historiadores acreditarem que Heisenberg teria sabotado ou, no mínimo atrasado o programa nuclear alemão.
Cartas descobertas recentemente demonstram que talvez essa não seja a versão correta da história.
Na carta, Heisenberg dizia que os nazistas iam ganhar a guerra com a bomba atômica e não demonstrava qualquer remorso por isso. Aparentemente ele não estava avisando o amigo, mas se gabando da ciência nazista.
Pelo jeito, Heisenberg simplesmente fracassou, apesar de seus melhores esforços, não conseguindo produzir a bomba. Ao falar sobre o assunto com Bohr, ele estava tentando descobrir o que o amigo sabia, ou seja, fazendo uma espionagem que o ajudasse em suas dificuldades.

Isso explica porque Bohr interrompeu inesperadamente a reunião em Copenhague e porque acabou com uma longa amizade que mantinha com o heisenberg. Bohr teria compreendido o isso significava para o futuro do mundo e teria ficado indignado com a falta de ética do amigo. 

Júlio Verne, o viajante das idéias



Houve uma época em que milhões de crianças no mundo todo se deliciavam com viagens extraordinárias em que o mundo se revelava diante delas trazendo consigo as maravilhas de uma nova ciência: a geografia. Tudo graças a um escritor francês dotado de imaginação e rigor na busca de informações. Seu nome era Júlio Verne.
Quando Verne publicou seu primeiro romance,  Cinco Semanas Num Balão, em 1863, as descobertas científicas aconteciam a um ritmo cada vez mais rápido. Darwin publicara há cinco anos seu livro A Origem das Espécies, de Darwin. Há pouco tempo Pasteur divulgara suas descobertas, que derrubavam a teoria da geração espontânea de vida e lançava a teoria dos vermes como causadores de doenças. Entretanto, o povo, o cidadão comum, ainda via a ciência como uma desconhecida, uma curiosidade de laboratório, de interesse apenas de homens sábios. Pouco havia sido escrito que fosse do entendimento do homem comum e, principalmente, das crianças.
Cinco semanas num balão começou com o nome de A Viagem no ar. Em outubro de 1862, Júlio Verne apresentou o original para o editor Pierre-Jules Hetzel. Hetzel foi tão importante no direcionamento da carreira desse, então estreante escritor, que pode, de certa forma, ser considerado co-escritor. O livro era uma referência direta aos exploradores que revelavam os segredos da África. Nele, o doutor Samuel Fergunson, seu amigo Dick Kennefy e um empregado se aventuram do Zanzibar até o Niger em um balão, refazendo o percurso de muitos dos homens que desbravaram o continente. Hetzel fez várias sugestões para tornar a história mais palatável, inclusive a mudança do título para Cinco semanas num balão. Hetzel tinha tanta confiança no texto de Verne que o fez assinar um contrato para outros livros. O contrato dizia, abertamente que o objetivo dos livros era: “Resumir todos os conhecimentos geográficos, geológicos, físicos, astronômicos, acumulados pela ciência moderna e refazer, sob a forma atrativa e pitoresca que lhe é própria, a história do Universo”.   
Em Cinco Semanas Num Balão, Júlio Verne, com o auxílio de Hetzel, introduzira um novo tipo de novela - uma forma diferente de contar história, um misto de ficção e realidade.
Qualquer itinerário serviria para o Vitória, mas a viagem tornara-se mais real porque acompanhava claramente o percurso da expedição de 1850 levada a cabo pelos exploradores Richard Francis Burton e John Hamming Speke.
Quanto à construção do balão, Júlio Verne tornara-a perfeitamente praticável com seu complicado fogão que provocava a expansão do hidrogênio por meio de aquecimento, fazendo o aparelho elevar-se sem ser necessário sacrificar lastro. A idéia do balão duplo foi tomada de Mensnier de Laplace e Nadar; a bateria elétrica viera das experiências  de Albert Wilhehn Bursen e a luz brilhante do arco improvida para arrancar o desgraçado missionário lazarista às torturas infligidas pelos selvagens africanos viera dos manuscritos de Humphry Javoy.
Tudo isso deu à história uma verossimilhança que jamais se vira em um livro de aventuras, abrindo caminho para toda a literatura de ficção-científica do século XX. Mais: a obra de Verne se tornou a base do gênero Steampunk, um dos mais populares e importantes do século XXI.
Depois de Cinco semanas em um balão, vieram diversos outros livros, como Viagem ao centro da Terra, A volta ao mundo em 80 dias, Da Terra à Lua e, o mais famoso deles, 100 mil léguas submarinas.

John Cassaday


domingo, agosto 13, 2017

Os nazistas tentaram construir uma bomba atômica?


Sim. A descoberta recente de historiadores mostra um diagrama mostrando uma bomba nuclear nazista.
O desenho, no entanto, é apenas um rascunho, e não indica que os nazistas estiveram realmente próximos de construir uma arma desse tipo, embora provavelmente estavam mais perto esse objetivo do que se pensava anteriormetne.
O diagrama foi publicado na revista Physics World pelos historiadores Rainer Karlsch e Mark Walker, professor de história do Union College em Schenectady, nos Estados Unidos
A idéia dos nazistas era combinar uma mini-ogiva nuclear com um míssil. Os militares da época acreditavam que poderiam construir a bomba em seis meses, mas a controvérsia sobre a quantidade de urânio necessária para isso atrapalhou tudo. O físico Werner Heisenberg sustentava que deveria ser uma grande quantidade. Anotações de pesquisadores, encontradas Karlsch sugerem que se pensava em cinco quilos, um número muito próximo ao de fato usado pelos norte-americanos.

Entrentanto, o professor Paul Lawrence Rose, autor de um livro sobre o programa nuclear nazista, diz, por mais que alguns cientistas tenham chegado perto da quantia certa de urânio, o grupo de Heisenberg provavelmente continuou insistindo em uma quantidade maior. 

sábado, agosto 12, 2017

Como era o bunker de Hitler?


O bunker, um abrigo subterrâneo, foi o local em que Hitler passou os últimos dias da II Guerra Mundial. O bunker tinha 16 ambientes, incluindo dormitórios, salas de lazer e refeitório. Havia também uma ala que servia de hospital militar e outra que servia de refúgio para desabrigadas e grávidas. O projeto original incluia torres de vigia e guaritas, mas em 1945, quando os soviétivos tomaram o abrigo, essas partes ainda não haviam sido construídas.
O local ficava 12 metros abaixo do solo e tinha 250 metros quadrados. Havia tuneis que permitiam chegar ao metrô de Berlim, caso fosse necessário escapar por ali.
Hitler passou seus últimos dias nesse comando, comandando os poucos exércitos que ainda lhe eram fiéis ou que não haviam se entregado aos aliados. Os aliados sabiam da existência do bunker, mas não conheciam detalhes.

Foi no bunker que Hitler cometeu suicidio, com um tiro, no dia 30 de abril de 1945. muitos oficiais seguiram seu exemplo. Os que não queriam morrer fugiram pelos túneis. Logo a notícia da morte do ditador se espalhou entre os soldados alemães que ainda resistiam. No dia 2 de maio o Exército Vermelho ocupou o bunker. O primeiro-tenente Ivan Klimenko foi o primeiro a entrar no local. Por esse gesto, foi nomeado herói da União Soviética.     

sexta-feira, agosto 11, 2017

Quais foram as decobertas da ciência nazista?


Até há pouco tempo, achava-se que as experiências nazistas em campos de concentração eram apenas demonstrações de sadismo, sem qualquer tipo de metodologia científica que tornasse os resultados válidos. No entanto, pesquisa recente, realizado pelo Instituto Max Planck, na Alemanha, mostra que os nazistas avançaram em diversas áreas.
As pesquisas sobre hipotermia (efeito do frio sobre o corpo humano), por exemplo, só puderam avançar graças à total falta de ética dos cientistas nazis. Eles colocavam prisioneiros em banheiras repletas de gelo para saber quanto tempo uma pessoa aguentava em frio extremo e o que melhorava a expectativa de vida, uma pesquisa importante em vista dos aviadores alemães que caiam nos mares gelados do norte da Europa. Eles descobriram, por exemplo, que protegendo o pescoço, aumentavam a chance de sobrevivência, razão pela qual os coletes salva-vidas a partir de então passaram a ter uma proteção para o pescoço.
Além disso, os nazistas fizeram pesquisas importantes, relacionando, estatisticamente, o cigarro com o câncer de pulmão.
Na área de anatomia, os alemães eram os únicos que tinham a possibilidade de dissecar pessoas vivas para ver como funcionava o organismo. Sigmund Rascher, responsável pelo campo de concentração de Dachau, dizia que era o único que de fato conhecia a fisiologia humana, pois “fazia experiências com homens, e não com ratos”.

A grande questão é se temos autorização ética para usar os resultados dessas pesquisas.  

Cereal Killer

quinta-feira, agosto 10, 2017

CURIOSIDADES sobre CLUBE DOS CINCO

O que aconteceu com as crianças do projeto raça pura ariana?


Em 1935, foi criado na Alemanha a Fundação Lebensborn, uma organização que tinha como objetivo criar arianos perfeitos para serem usados como soldados pela SS.
Para isso, foram agrupados em um campo luxuoso e confortável moças e rapazes considerados da raça pura ariana. A idéia é que eles transassem e tivessem filhos, que depois seriam criados pelo estado germânico. Nessa busca do ser humano perfeito, os rapazes tinham direito de acasalar com várias mulheres de origem ariana.
Todos os integrantes do campo tinham cabelos loiros, olhos azuis e pele clara, o que correspondia ao ideal nazista de beleza (curiosamente, Hitler não atendia a nenhum desses requisitos).
Muitas das crianças encontradas em territórios ocupados pelos alemães também eram enviadas a esses campos e passavam por um processo de lavagem cerebral visando sua germanização. As que não se adaptavam a esse processo eram enviadas a campos de concentração.

Quando o mundo descobriu essa experiência, muitos se perguntaram o que teria acontecido com essas crianças, geradas de forma absolutamente fria e criadas sem carinho ou convívio familiar. A análise dessas crianças mostrou que muitos se tornaram autistas, infelizes, depressivas e com desvios comportamentais. 

Direto da minha estante: coleção Groo


Steve Rude



Xuxulu





Autobiografia musical

Até os 14 anos mais ou menos eu costumava dizer que não gostava de música. As referências que eu tinha a respeito eram os bregas que se ouvia em casa... e Erasmo Carlos, nos dias muito eruditos.
Acho que tinha também um disco do Roberto Carlos, do início da fase decadente. Meus dois tios e meu padrastro eram caminhoneiros e por isso compraram o disco que tinha o famoso refrão: ¨No volante eu penso nela/ Já pintei no pára-choque um coração e nome dela¨.
Então eu não gostava de música. Até que um dia estava na casa de um amigo e ele me chamou no corredor para ouvir uma música que tocava no rádio de sua irmã: era Eduardo e Mônica, do Legião Urbana. A canção me arrebatou como se eu estivesse passando por um êxtase estético.
Eu nunca havia ouvido algo que falasse de maneira tão singela e inteligente do que sentíamos. Nós éramos como o Eduardo, tão indecisos sobre a vida e sobre todas as outras coisas. A canção fez tanto sucesso entre nós que costumávamos cantá-la na frente do colégio, antes da campainha tocar.


Com o tempo fui conhecendo outras músicas do Legião Urbana e aprendendo que as músicas podiam expressar o que sentíamos, fosse alegria ou tristeza.
Um dia minha namorada (e atual esposa) gravou para mim uma fita com um mix de músicas que achava legais. No final da fita havia três músicas de Raul Seixas. O restante, daquele lado, era Milton Nascimento. Devolvi a fita e pedi para gravar o lado todo com o Raulzito. Eu o descobrira algum tempo antes, numa oficina de bicicletas. O pneu furou e, sem ter o que fazer, fiquei lá, ouvindo o que tocava no som da oficina. Era justamente Ouro de Tolo. Fiquei impressionado ao perceber que, apesar de muito popular, a música tinha uma letra genial, uma bela reflexão filosófica sobre o sentido da vida. A letra era a personificação do que deveria ser a atitude de um artista:

“Eu devia estar contente porque eu tenho um emprego
Sou dito cidadão respeitável e ganho quatro mil cruzeiros por mês
Eu devia agradecer ao Senhor por ter tido sucesso na vida como artista
Eu devia estar feliz porque consegui comprar um corcel 73

Eu devia estar alegre e satisfeito por morar em Ipanema
Depois de ter passado fome por dois anos aqui na cidade maravilhosa
Eu devia estar contente por ter conseguido tudo o que eu quis
Mas confesso abestalhado que eu estou decepcionado”

Muito tempo depois, quando tive contato com o livro O Mundo de Sofia, lembrei de Rauzito ao ler a descrição do maravilhamento e inquietude diante do mundo que deveriam caracterizar o filósofo. Estava tudo ali, em Ouro de Tolo.Raul Seixas me mostrou que músicas podiam falar de qualquer assunto, de filosofia à política e ainda assim serem populares. Mostrou também que a popularidade não significa falta de qualidade.Aos 19 anos eu já conhecia algo de música, mas ainda não havia sido apresentado aos Beatles. Um dia uma professora de redação jornalística me convidou para ir na casa dela. Chegando lá me deparei com uma enorme coleção de CDs e LPs. Eu nunca tinha visto um CD. "Escolhe um disco", ela encorajou. Escolhi Sgt Peppers, dos Beatles, até hoje o meu disco predileto do quarteto de Liverpoll.Nunca poderia imaginar o êxtase que me arrebatou ao ouvir as músicas. Era como se, ao embalo de Lucy in The Sky With Diamonds, eu viajasse nos acordes. 

Legião Urbana e Raul Seixas eram bons, mas Beatles eram divindades que compunham músicas com poder sobrenatural.Lembro que pouco tempo depois conversei com um amigo sobre o assunto e ele riu: "Agora que você descobriu os Beatles?!". Antes tarde do que nunca.Juntei o pouco dinheirinho que tinha e comprei, em loja, os três grandes discos do quarteto: Sgt. Peppers, Revolver e Magical Mistery Tour em fita cassete (sim, naquela época vendia-se discos em fitas cassete).
Nessa mesma época, descobri Pink Floyd. Quem me apresentou essa banda de rock progressivo foi o meu compadre Bené Nascimento. Hoje ele assina Joe Bennett e desenha histórias para a DC Comics, mas na época ele era só um desenhista despontando no mercado nacional e meu principal parceiro em histórias de terror. O tom depressivo das músicas de Pink Floyd combinava perfeitamente com o horror denso e psicológico que fazíamos. Combinou tanto que virou quase uma obsessão. Ouvíamos Pink Floyd de manhã, tarde e noite.

Em 1993 eu me mudei para Curitiba e sofri com a frieza do povo local. Curtibanos são muito simpáticos, mas também pouco calorosos. Para quem vinha de Belém do Pará (um lugar onde se faz amizade no ônibus), foi um choque. Nessa difícil adaptação, ajudou muito uma música: O Mundo ainda não está pronto, do Pato Fu.
Quem acha que o mundo é tudo na vidaInfelizmente não sabe de nadaInclusive eu também não seiInclusive eu também não seiMas pelo menos eu estou, eu estouEu estou aqui gritando:AAAHHHHH, eu estou aqui gritando
Uma letra simples, mas que permitia várias interpretações. O grito poderia ser o meu grito diante da nova situação.

Nessa época, claro, eu desprezava Roberto Carlos. Brega era o mínimo a dizer do homem que, na minha infância, bradava um refrão para caminhoneiros. Então, um dia, quando ainda morava em Curitiba, ouvi uma versão da música “Todos estão surdos” cantada por Chico Science e me surpreendi. A letra era muito boa, filosófica até. Não parecia o mesmo Roberto Carlos que fazia músicas para gordinhas ou mulheres de óculos.
Outro dia, um cabeludo falou:
"Não importam os motivos da guerra
A paz ainda é mais importante que eles".
Esta frase vive nos cabelos encaracolados
Das cucas maravilhosas
Mas se perdeu no labirinto
Dos pensamentos poluídos pela falta de amor.
Muita gente não ouviu porque não quis ouvir
Eles estão surdos!

Isso me levou a pesquisar melhor a discografia do “rei”. Comecei por um disco mais antigo, da década de 1960, Roberto Carlos em ritmo de aventura. As letras não eram geniais, mas a música era ótima. Um bom rock. Aí fui comprando os discos na sequência. Quem for ouvindo a obra de Roberto Carlos cronologicamente descobrirá que o cantor passou por uma evolução óbvia. Cada disco da década de 1970 parece ser melhor do que o outro. O som ficou menos rock, mas as letras ficaram mais reflexivas. Como as letras sempre foram o que mais me chamou atenção, o discos de RC da década de 1970 eram um profundo campo de descobertas.
Havia letras com narrativas paralelas, como em “Rotina”, em que acompanhamos o dia-a-dia de um casal apaixonado:
Estou chegando para mais um diaDe trabalho que começaEnquanto lá em casa ela despertaPra rotina do seu diaEu quase posso ver a água mornaA deslizar no corpo delaEm gotas coloridas pela luzQue vem do vidro da janela
E havia letras com fundo psicológico, como em Traumas:
Minha mulher em certa noiteAo ver meu sono estremecido
Falou que os pesadelos sãoAlgum problema adormecido
Durante o dia a gente tentaCom sorrisos disfarçar
Alguma coisa que na almaConseguimos sufocar

Roberto Carlos, na década de 1970, tornou-se um compositor reflexivo, com letras ricas em interpretação que vão muito além das obras mais famosas. Descobri-lo coincidiu justamente com um período em que eu mesmo me tornava mais reflexivo.
Como sempre, a boa música é aquela que expressa os sentimentos de quem a ouve.

quarta-feira, agosto 09, 2017

Por que os SS devolveram as braçadeiras num penico?


A SS sempre foi a menina dos olhos dos nazistas. Soldados treinados e muito fiéis a Hitler, eram a elite do exército nazista. A quarta divisão Panzer SS era a elite da elite. Em 1945 eles se introduziram como cunha no front ucraniano, uma tática usada com sucesso em outras ocasiões, mas não conseguiram rompê-la.
Hitler ficou tão furioso que ordenou que fossem retiradas as braçadeiras com seu nome do uniforme dos SS.
Os SS devolveram não só as braçadeiras, mas também as condecorações, dentro de penicos. Além das braçadeiras, foi também o braço de um dos soldados mortos, ainda portando a braçadeira.

A partir desse dia, Hitler começou a lamentar: “Agora até os meus SS me traíram!”.

A revista que deu origem aos Contos do Cargueiro Negro

 As histórias de piratas que deram origem aos Contos do cargueiro negro (o gibi que o garoto lê em Watchmen). Presente do amigo Antonio Eder.

A história secreta da Mulher Maravilha

A Mulher Maravilha é uma das personagens mais importantes do universo dos super-heróis. Junto com Batman e Super-homem, ela forma a tríade da DC Comics. Entretanto, enquanto vários outros personagens têm suas origens bem definidas e conhecidas, a Mulher Maravilha é um incógnita mesmo para fãs de quadrinhos. Poucos, por exemplo, sabem de sua ligação com o movimento feminista, com o detector de mentiras e com o bondage. Quase ninguém do meio sabe que seu criador era um psicólogo, criado de uma categorização psicológica atualmente redescoberta e de uso corrente em diversas áreas.
É com objetivo de clarear algumas dessas questões que Jill Lepore escreveu A história secreta da mulher maravilha, lançada este ano pela editora Best Seller.
Um dos grandes méritos do livro é conectar as histórias da fase de ouro da personagem com a história de vida de seu criador, com diversos exemplos tirados dos quadrinhos.
William Moulton Marston colocou tudo em sua personagem: o feminismo com o qual ele e suas esposas estavam envolvidos, seus desafetos (um professor serviu de modelo para um vilão) e até problemas de seus filhos, que eram resolvidos nas páginas dos gibis.
No início do século XX a situação da mulher era tal que um juiz declarara, em sentença, que uma mulher que não estivesse disposta a morrer de parto não deveria praticar sexo. O movimento feminista se destacou na luta pelo controle de natalidade. Mulheres chegavam a ser presas apenas por ensinarem outras mulheres métodos contraceptivos.
Nesse contexto, intimamente ligado a esse movimento, se estabelece o psicólogo William Moulton Marston, criador do detector de mentiras e autor do livro As emoções das pessoas normais, o primeiro a defender o homossexualismo como algo normal (“As pessoas têm que aprender que os componentes amorosos que existem dentro de si, que elas passaram a ver como anormais, são totalmente normais”).
Marston tinha uma família incomum: além de seu casamento convencional, tinha duas outras esposas. Uma delas era filha da primeira mulher a ser presa por defender o controle de natalidade. Nesse arranjo familiar incomum havia mais um elemento: o bondage, técnica sexual de imobilização com cordas ou correntes. Embora a autora afirme Marston não praticava bondage (um dos filhos, entrevistado por ela, disse que nunca viu nada disso em casa), é difícil acreditar que alguém tão apaixonado por tema ficasse apenas na teoria.
Além de psicólogo, Marston era também roteirista de cinema, tendo escrito diversos roteiros na época dos filmes mudos.
Apesar de suas qualificações e seu constante esforço de marketing pessoal, em determinado ponto ele não conseguia trabalho como professor (as cartas de recomendação, obrigatórias para conseguir emprego, eram identificadas com o mesmo código que se usava para homossexuais, provavelmente em razão de seu arranjo famíliar e preferências sexuais).
Quando, após um artigo escrito por sua esposa Olive para uma revista com sua opinião sobre os quadrinhos (ela escrevia como se fosse uma pessoa desconhecida que ia até ele tomar conselhos), ele foi convidado a participar do conselho editorial da DC e propôs a criação de uma personagem feminina, em oposição à grande quantidade de heróis masculinos da época. Mais que uma personagem feminina, seria uma personagem feminista.
A Mulher Maravilha foi uma junção de tudo. Seus braceletes era os braceletes usados por Olive (a esposa que escrevera o artigo), sua arma era uma corda e ela enfrentava vilões machistas que vociferavam contra o poder feminino e a participação cada vez maior da mulher na sociedade (em especial no período da II Guerra, em que as mulheres foram chamadas para ocupar os postos de trabalho, em substituição aos homens que haviam ido para a guerra) e havia sempre mulheres e mais mulheres amarradas ou acorrentadas.
A autora Jill Lepore investiga e esclarece todo o imaginário feminista que deu base para a personagem. Em uma história em que a Mulher Maravilha enfrenta o cartel do leite (um plano nazista para esfomear as crianças da américa), a heroína lidera uma passeata montada em um cavalo, da mesma forma que uma líder feminista havia feito em uma manifestação pelo sufrágio, em 1913.
A revista da personagem estava tão alinhada ao movimento feminista que havia uma sessão chamada “Mulheres maravilhas da história”, com histórias reais de mulheres que conseguiram grandes feitos e serviriam de exemplo para as leitoras.
A personagem chegou até mesmo a ser eleita presidente dos EUA (em uma história que se passava em um futuro distante).
Tudo mudou quando Marston morreu, em 1947.
A diretoria da DC colocou em seu lugar um roteirista manifestadamente machista, que odiava a personagem, Robert Kanigher. Quando tomou completamente as rédeas da heroína, encomendou ao novo desenhista uma capa em que a Mulher Maravilha, sorridente, tolinha, é carregada indefesa por Steve Trevor, que a ajuda a atravessar um riacho. A personagem forte, que se tornara presidente dos EUA, agora era uma mulher indefesa e precisava desesperadamente de um marido. A sessão sobre Mulheres Maravilhas da história se transformou em uma coluna sobre casamento. Na década de 1960, tiraram-lhe os poderes e o uniforme, descaracterizando completamente a personagem.
Mesmo na década de 1970, em que a heroína foi redescoberta pelo movimento feminista, a DC voltou a colocar como roteirista e editor Kanigher, que marcou o fato matando, em uma história, a primeira editora da personagem, que na época era favorável à volta da personagem às suas origens.
O livro de Lepore tem méritos inegáveis. O principal é a interligação contínua entre as histórias da personagem e a vida de seu criador. Um aspecto negativo provavelmente é o destaque excessivo à abordagem feminista, deixando outros aspectos sem maior destaque – entre eles os bastidores dos quadrinhos da era de ouro (ela nem mesmo cita a relação entre Marston e outros criadores de quadrinhos da época). Também a questão do bondage é abordada por cima, e apenas por seu reflexo nas histórias. Ainda assim, é um livro importante para entender essa que é uma das personagens mais importantes dos quadrinhos mundiais. 

terça-feira, agosto 08, 2017

Aberlardo e Heloísa

Pedro Abelardo foi um dos mais importantes filósofos da Idade Média. Diante da questão entre realistas (que, influenciados por Platão, acreditavam que as palavras universais, como "homem", tinham existência real) e nominalistas (que acreditavam que os universais eram apenas nomes, não tendo existência nem na natureza, nem na mente), ele apresentou um terceiro caminho, o conceitualismo, que sintetizava elementos dos dois e pregava que os universais são conteúdos da mente derivadas das coisas. Com suas ideias e novas formas de ensinar, ele criou a base do ensino universitário. Mas, para além de suas ideias, Abelardo ficou mais conhecido por ter protagonizado uma das mais famosas histórias de amor de todos os tempos, influenciando o que viria a ser o romantismo. 

Depois de passar por diversas cidades e ser perseguido por sua genialidade e espírito rebelde, Abelardo chegou em Paris em 1113 e começou a lecionar na escola de Notre Dame. Nessa época já era um professor famoso e suas aulas eram concorridas. Sua metodologia revolucionária quebrava com a metodologia platônica, maravilhando os alunos com o jogo de argumentação. 

Foi nesse período que ele conheceu uma jovem de 17 anos que chamava a atenção de todos por sua beleza e inteligência, Heloísa. Interessado em conquistar a moça, o filósofo se aproximou do tio (o cônego Fulberto), com a qual ela vivia e se ofereceu para ensinar à moça gratuitamente, em troca de moradia na casa. O cônego não só aceitou a oferta, como confiou a sobrinha inteiramente à orientação do filósofo, que poderia, inclusive, castigá-la severamente caso esta não se aplicasse nos estudos. 

Inicialmente o tio acompanhava os dois em suas lições, que geralmente aconteciam à noite, quando o filósofo voltava de suas aulas, mas depois, confiando na fama de casto de Abelardo, passou a deixa-los a sós. "Assim, com a desculpa do ensino, nós nos entregávamos inteiramente ao amor, e o estudo da lição nos proporcionava as secretas intimidades que o amor desejava. Enquanto os livros ficavam abertos, introduziam-se mais palavras de amor do que a respeito da lição, e havia mais beijos do que sentenças; minhas mãos transportavam-se mais vezes aos seios do que para os livros e mais frequentemente o amor se refletia nos olhos do que a lição os dirigia para o texto", escreveu Abelardo no livro A história das minhas calamidades. O casal chegou até mesmo a simular surras corretivas para dissimular as atividades românticas e não levantar suspeitas. 

Então começa a tragédia: Fulberto flagra o casal e expulsa Abelardo de casa. Mas nessa época Heloísa já estava grávida. Ainda tremendamente apaixonado por ela, Abelardo a tira às escondidas da casa do tio e a leva para sua terra natal, onde ela fica, na casa de uma irmã do filósofo, até dar à luz ao filho do casal, Astrolábio. 


Nesse meio tempo, Abelardo procura Fulberto e se oferece para se casar com a moça, desde que isso fosse mantido em segredo, a fim de que sua reputação não fosse prejudicada. 

Heloísa, no entanto, não concordava com o plano. Segundo ela, o casamento acabaria com a carreira do amado, pois, na época, acreditava-se que um verdadeiro filósofo deveria ser celibatário. Cícero, por exemplo, ao ser instado a casar com a irmã de Hírcio, respondeu que não podia consagrar-se igualmente a uma mulher e à filosofia. "Quem poderia, aplicando-se às meditações sagradas ou filosóficas, suportar o vagido das crianças, as cantarolas das amas que embalam e a multidão barulhenta da família?", indagava Heloísa. No final, o casal concordou com o casamento, desde que ele fosse totalmente secreto. Unidos pela benção nupcial, foram cada um para lado e se viam apenas às escondidas. O tio, envergonhado com a situação, passou a divulgar o casamento. 

Abelardo, para evitar o falatório, enviou Heloísa para um convento de monjas. Ultrajado, o tio arquitetou uma vingança que se tornaria célebre: mandou castrá-lo. Além da ferida, havia a vergonha: na época os eunucos eram considerados impuros e proibidos até mesmo de entrar nas igrejas. 

Ferido no corpo e na alma, humilhado, Abelardo internou-se no mosteiro de Saint-Denis, tornando-se um monge para o resto da vida. Heloísa, com apenas 20 anos, ingressou definitivamente no convento. Desde então, os dois nunca mais se viram, apenas trocaram cartas nas quais lamentavam a má sorte que os jogara naquela situação. 

Túmulo do casal></P> Túmulo do casal<BR><BR><BR><BR>
Os dois jamais deixaram de se amar, como atesta uma das cartas de Heloísa:
Túmulo de Abelardo e Heloísa no Cemitério Padre Lachaise.

Abelardo morreu em 1142, com 63 anos. Heloísa conseguiu que se construísse uma sepultura em sua homenagem. Quando ela morreu, em 1162, foi sepultada ao lado de seu amado. Conta-se que ao abrirem a sepultura de Abelardo para enterrar Heloísa, seu copro ainda estava conservado e se mantinha de braços abertos, como se esperasse a chegada de sua amada. Em 1817 os restos mortais dos dois amantes mais famosos da Idade Média foram levados para o cemitério do Padre Lachaise. 
A história dos dois deu origem a um filme, Em nome de Deus, de 1988, de Clive Donner.

Houve uma conspiração nazista para tomar o poder nos EUA?


Aparentemente havia sim, gente nos EUA pensando em tomar o poder para instalar um governo nazista. Em 1944, foram julgados 28 homens e duas mulheres por terem conspirado contra o governo norte-americano.
Os advogados de defesa alegaram que os réus simplesmente havia exercido seu direito constitucional à livre-opinião. Os réus disseminavam informações de que a causa das potências do Eixo era a da Justiça e que o governo e o congresso norte-americanos eram controaldos por comunistas e judeus.

Entre eles havia Joe McWilliams, apelidado de Fuhrer de mentira. Ele costumava fazer comícios em praça pública, em Nova York, louvando Hitler e condenando judeus.  Outro réu famoso era James True, criador do movimento América em Primeiro lugar, que inventara o quebra-cabeça, um cacetete duro para bater em comunistas e judeus, que tinha até versão feminina. 

Francesco Francavilla


segunda-feira, agosto 07, 2017

Vereadores de Curitiba do Escola sem partido denunciam projeto que usa quadrinhos em escola

Vereadores de Curitiba, ligados às igrejas evangélicas e capitaneados pelo vereador Thiago Ferro se revoltaram e acionaram o projeto Escola sem partido contra uma escola da cidade que fazia um movimento a favor da aceitação de crianças com deficiência. O projeto tinha imagens autorizadas por Maurício de Sousa. Entre outras atividades, as crianças cantariam a seguinte letra: 

Negro, branco, pardo ou amarelo
Alto, baixo, gordo ou magricelo
Moreno, loiro, careca ou cabeludo
Deficiente, cego, surdo ou mudo (…)
A gente é o que é
A gente é demais
A lista é imensa
Viva a diferença! 

Os vereadores denunciaram o caso à secretaria de educação de Curitiba. 
Para além do discurso contra a diversidade e aceitação das diferenças, o caso eco o preconceito contra os quadrinhos. O vereador Thiago Ferro teria tido tal reação se o projeto não envolvesse quadrinhos? 
Estaríamos diante de uma nova cruzada contra os quadrinhos como a que se viu nas décadas de 1950 e 1960 - época em que a leitura de quadrinhos era caso de polícia? 
Matéria do Diário do Paraná de 30 de junho de 1960. Estaríamos vivendo uma nova cruzada contra os quadrinhos? 
Saiba mais sobre esse incrível caso aqui