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domingo, setembro 27, 2026

Verossimilhança hiper-real na revista Cajueiro

 

Meu artigo Verossimilhança hiper-real nos quadrinhos de Alan Moore foi publicado na revista Cajueiro. No artigo, eu analiso uma estratégia, usada por Alan Moore, para fazer com que seus quadrinhos pareçam reais a ponto de alguns leitores acreditarem que aquilo que é narrado aconteceu de fato. Alguns exemplos: os anexos de Watchmen e a série 1963, que emula perfeitamente as revistas da Marvel na década de 1960.


A edição, totalmente dedicada aos quadrinhos, tem a colaboração de vários grandes nomes da pesquisa em quadrinhos no Brasil, como Gazy Andraus, Natania A S Nogueira e Valéria Fernandes Da Silva.
Para acessar os artigos, clique no link:https://seer.ufs.br/index.php/Cajueiro/issue/view/1023 

domingo, setembro 20, 2026

Artigo sobre a evolução dos textos nos quadrinhos

 


 
A revista Imaginário é uma das mais importantes publicações acadêmicas do Brasil sobre quadrinhos e cultura pop. No número 21 ela trouxe um artigo meu, escrito em parceria com Rodrigo Bandeira, sobre como texto evoluiu nos quadrinhos americanos, indo desde a abordagem redundante em que texto e desenhos competiam para transmitir as mesmas informações, até o uso criativo e revolucionário do texto. 


O texto é resultado de mais de 30 anos lendo e estudando quadrinhos. Quando comecei a escrever roteiros, uma das coisas que percebi é que, para ter bons textos, precisa saber "ler" as HQs. Isso significava uma leitura mais apurada, em que eu procurava distinguir os elementos do roteiro, em termos de estrutura e de texto. Quando gostava de algo, eu me perguntava: o que faz disso uma obra tão boa? Quais as caracteríticas do texto que fazem com que ele seja uma leitura tão agradável? 

Com o tempo essa leitura mais apurada foi se transformando em textos e artigos. Esse artigo em especial é meio que um resumo do que descobri nesses 30 anos a respeito de como os quadrinistas foram melhorando a parte textual dos quadrinhos. 

Uma curiosidade é que o artigo foi escrito durante a pandemia, enquanto eu estava convalescendo de covid-19. Rodrigo Bandeira, que aparece como co-autor, me ajudou bastante, conseguindo informações, imagens, dando ideias. 

Leia mais sobre essa edição: 

Para acessar a revista clique aqui. 

Para ir direto ao meu artigo, clique aqui. 

domingo, setembro 13, 2026

Decadence, a HQ manifesto da dupla Gian-Bené

 


Decadence foi produzida para ser uma espécie de manifesto do novo tipo de horror que a dupla Gian Danton - Joe Bennett estava introduzindo no Brasil. Depois de uma rejeição inicial de alguns editores, o sucesso das primeiras histórias da dupla fez com que surgissem pedidos de novas histórias - e aí surgiu a ideia de fazer uma HQ que confrontasse o horror antigo, datado e o novo (não é à toa que o título da história é Decadence). Os dois quebraram a cabeça durante dias para tentar transformar isso numa trama, mas no final, a ideia acabou vindo num sonho de Gian Danton, que acabou sonhando até mesmo com a diagramação da história, logo transformada num rafe, seguido à risca por Joe Bennett. Decadence foi publicada na revisa Mephisto, terror negro. 

domingo, setembro 06, 2026

A difícil arte de escrever quadrinhos

 


A difícil arte de escrever quadrinhos foi um fanzine publicado no ano de 1997 como edição especial do Sequência, zine editado por mim e pelo Antonio Eder.

O título surgiu de algo que eu já vinha percebendo no meio quadrinístico. Embora houvesse uma preocupação muito grande com o desenvolvimento do desenho nos quadrinhos nacionais, a mesma preocupação não se aplicava aos roteiros. O desenho era visto como algo difícil, que demandavam um longo aprendizado de técnicas que iam da perspectiva à anatomia. Já o roteiro era visto como algo que não demandava “prática nem habilidade” (como se dizia na época).

Essa visão se aplicava inclusive aos editores, a maioria dos quais publicava qualquer HQ cujo desenho estivesse bom e não tivesse erros grosseiros de ortografia. Aspectos como construção de personagens, da trama ou qualidade do texto normalmente eram solenemente ignorados. Tanto que praticamente todo desenhista brasileiro já tinha publicado pelo menos uma história com roteiro próprio (muitas vezes como forma de ganhar um pouco mais de dinheiro, pois acumulava o pagamento de desenho e roteiro). Por consequência, todo desenhista de quadrinhos no Brasil passava a ser visto, automaticamente, também como roteirista.

Assim, escrever quadrinhos não só era difícil por todas as técnicas e habilidades necessárias, mas também porque o roteirista não era valorizado. 

O objetivo do fanzine, portanto, era valorizar os roteiristas e mostrar que sim, para escrever quadrinhos é necessário aprender uma série de técnicas e habilidades. Mas havia também a intenção ajudar as novas gerações, que não precisariam aprender tudo do zero, como foi o meu caso. Quando comecei a escrever quadrinhos eu não sabia nada de nada do assunto e único livro que eu tinha lido sobre roteiro era um do Doc Comparato, sobre roteiro de cinema (quando tentei usar, o resultado foi desastroso, afinal cinema não é quadrinhos). Eu só fui saber como se formatava um roteiro muito tempo depois, quando vi um roteiro do Júlio Emílio Brás.

Esse fanzine foi, portanto, o embrião de obras posteriores, como os livros O roteiro nas histórias em quadrinhos, Como escrever quadrinhos e A bíblia do roteiro de quadrinhos.

Uma curiosidade é que um desenhista de Curitiba pegou ódio de mim graças ao trecho do zine no qual eu insinuava que Rorschach era apaixonado pelo Coruja.

Para baixar o fanzine, clique aqui. 

domingo, agosto 30, 2026

Casal serial killer

 


Certa vez fui vítima de um psicopata. Felizmente não era um psicopata assassino, mas esse fato me levou a pesquisar sobre o assunto colecionando livros, matérias de jornais, tudo que pudesse coletar sobre o assunto.

Desse interesse surgiu a ideia de fazer uma série para a revista Calafrio focada em psicopatas famosos.

Uma dessas histórias foi Casal Serial Killer, publicada na Calafrio 64 e desenhada pelo Marco Cortez.
A HQ contava a saga de Paul Bernardo e Karla Homolka, uma dupla canadense que, quando não estava frequentando as colunas sociais, estava sequestrando, escravizando e matando garotas. O casal chegou a abusar e matar (acidentalmente) até mesmo a irmã de Karla.
A minha ideia no roteiro era fazer a página como se fosse um convite de casamento. O desenhista aproveitou essa ideia apenas no título.

A prisão dos homens que nunca existiram


O universo Intempol nasceu em 1998, no conto Eu matei Paolo Rossi, de Octavio Aragão, publicado na antologia Outras copas, outros mundos. Nesse texto surgiu o conceito de Intempol, uma polícia do tempo. Octavio foi expandindo esse conceito ao longo dos anos, criando um verdadeiro multiverso multimídia, que inclui desde a literatura até os quadrinhos (quem sabe, no futuro, expansão também para o audiovisual).

Uma das atrações desse multiverso é a série de antologias em quadrinhos Intempol, com um time selecionado de artistas. Eu tive a honra de ser convidado para colaborar com o volume 3 dessa série. Para escrever, recebi uma "bíblia" contendo todas as informações sobre esse universo complexo e fascinante. Resolvi criar uma história focada no prisioneiro de uma cadeia temporal — um homem que foi preso por um crime que ainda não cometeu. Achei o conceito interessante especialmente pela possibilidade de explorar paradoxos temporais.

Para ilustrar a história, foi escolhido Alexandre Lancaster, artista com vasta experiência em mangás, que trouxe uma camada de grandiosidade para a trama. As imagens da prisão são deslumbrantes em todos os sentidos — o tipo de ilustração na qual se pode passar horas observando e descobrindo detalhes.

O álbum pode ser adquirido na Amazon.


quarta-feira, agosto 26, 2026

Duelos – Em Oeste Bravio

 


Um gênero que descobri tarde, mas do qual acabei virando fã, foi o faroeste. No início dos anos 80, quando comecei a ler quadrinhos não infantis, os cowboys estavam em decadência e as bancas eram dominadas pelos super-heróis (e pelo terror, no caso das revistas nacionais). A primeira série do gênero a chamar minha atenção foi Blueberry, publicada pela editora Abril (lembro que estava lendo uma das histórias no ônibus, indo para a universidade, e, quando cheguei lá, estava tão envolvido com a trama que sentei no corredor e só entrei na sala quando terminei de ler tudo).

Algum tempo depois, descobri Ken Parker e, mais recentemente, Buddy Longway, só para citar algumas das séries que mais me marcaram. Entretanto, até há pouco tempo, eu não tinha produzido nenhum roteiro de faroeste. Minha primeira história em uma publicação do gênero saiu no número 3 da revista Oeste Bravio, da editora Ink&Blood (a mesma da revista Calafrio).



Para minha sorte, o editor Daniel Saks escolheu para desenhar a história Duelos ninguém menos que Jairo Moreno, um dos melhores artistas da publicação — com um traço tão bom que já colaborou até mesmo com a editora Bonelli. Na história, um garimpeiro chega a uma cidade depois de um longo tempo isolado, mas a encontra aparentemente abandonada. Para sua surpresa, duas mulheres, uma professorinha e uma dançarina do saloon, saem à rua e começam um duelo que termina com a morte de ambas, em uma cena totalmente improvável. Como se vê, a HQ, embora seja de faroeste, tem um toque de Além da Imaginação.

Uma curiosidade é que, embora o faroeste seja um gênero eminentemente armamentista, a história é uma crítica exatamente à proliferação desordenada de armas.

A revista custa 20 reais e pode ser comprada pelo e-mail revistacalafrio@gmail.com . 

A revista custa 20 reais e pode ser comprada pelo e-mail 

domingo, agosto 23, 2026

MAD 15 - Gripe suína

 

Guia MAD de sintomas da gripe suína foi minha quarta colaboração com a famosa revista de humor. Boa parte do texto, claro, eram piadas com porcos e/ou com o Palmeiras. Alguns dos sintomas também faziam referência ao país de onde se acreditava que vinha a gripe, o México. Hoje em dia se sabe que a gripe nem veio do México nem é proveniente de porcos, mas nas época isso deu uma boa sátira. Os desenhos ficaram por conta de Juarez Ricci e o roteirista Matheus Moura me ajudou no roteiro. 

quarta-feira, agosto 12, 2026

Lembrança de Sangue


Casas mal-assombradas são um tema recorrente nas histórias de terror. Em "Lembrança de Sangue", HQ publicada na revista Calafrio nº 88, eu utilizo essa premissa, mas com outro enfoque: e se as aparições fossem, na verdade, um aviso? Essa história surgiu a partir de um sonho — que figura na própria abertura da narrativa —, no qual uma garota foge de um perigo indeterminado e, ao tentar alertar uma idosa sobre a ameaça, depara-se com uma xícara cheia de sangue. Quando acordei, estas palavras ainda ecoavam em minha mente: "Começou com sangue. Terminou com sangue" — frase que abre e encerra a narrativa. A história foi espetacularmente desenhada por Andrios Moreira, cuja habilidade artística conseguiu captar com perfeição o clima sombrio do roteiro.

A revista pode ser adquirida atráves do e-mail revistacalafrio@gmail.com. 


sábado, julho 25, 2026

Ajuricaba e o uso dos quadrinhos na educação



No ano de 2024, o amigo Romahs me presenteou com um exemplar do álbum de quadrinhos Ajuricaba, escrito por Ademar Vieira, desenhado por Jucylande Júnior e arte-finalizado por Tieê Silva. Há obras que chegam até nós no momento exato. Eu estava justamente começando a direcionar meu interesse para a pesquisa de temas amazônicos, e a leitura de Ajuricaba revelou-se um verdadeiro divisor de águas.

Ali estava a Amazônia narrada com propriedade pelos próprios amazônidas, exibindo uma qualidade técnica e estética que não devia absolutamente nada aos grandes clássicos dos quadrinhos mundiais. Escrever um artigo analisando a obra sob a perspectiva decolonial e investigando sua aplicação no ambiente educacional foi um desdobramento natural e inevitável dessa experiência. O estudo foi finalmente publicado na revista Estação Científica.

Mais do que uma análise acadêmica, esse artigo é um convite para reconhecermos a força da nossa própria cultura. Ajuricaba prova que a ancestralidade e a resistência amazônica podem e devem ocupar o centro das atenções na nona arte. Para quem quiser aprofundar essa reflexão e conhecer como os quadrinhos podem transformar o ensino de história e cultura regional, o artigo completo já está disponível para leitura no site da revista EstaçãoCientífica. 



quinta-feira, julho 16, 2026

A Força dos Quadrinhos do Norte: Do Diagnóstico ao Troféu Mapinguari

 


No ano de 2025, realizei uma pesquisa sobre o Prêmio Angelo Agostini, a mais antiga premiação de quadrinhos do Brasil. Meu interesse era mapear como as premiações se dividiam em termos regionais. Embora esperasse uma predominância natural do Sudeste — e, principalmente, de São Paulo —, o resultado final ainda assim me surpreendeu.

Em toda a história do prêmio, até aquela data, apenas 0,7% das estatuetas haviam sido destinadas à Região Norte. De toda a imensidão da Amazônia Legal, somente os estados do Amazonas e do Amapá tinham sido laureados em alguma categoria. Em contrapartida, a predominância do Sudeste era esmagadora: no ano de 2023, por exemplo, absolutamente todos os premiados pertenciam a essa região.



Essa pesquisa foi apresentada no I Encontro Internacional do Aspas e publicada originalmente como capítulo do livro Quadrinhos: Conceitos e Linguagens.

Como consequência direta e transformadora desse diagnóstico, foi criado o Troféu Mapinguari, uma premiação voltada exclusivamente para valorizar e destacar os quadrinistas do Norte. Além disso, de lá para cá, o próprio Prêmio Angelo Agostini passou por um processo de democratização e se tornou muito mais representativo. O impacto foi tamanho que, na última edição, a Amazônia conquistou três merecidos vencedores.

Ficou curioso para conhecer os dados completos e os detalhes dessa análise? Baixe o livro Quadrinhos: Conceitos e Linguagens e confira o estudo na íntegra.

domingo, maio 31, 2026

Artigo sobre Jornalismo em quadrinhos na revista Domínios da Imagem

 



Para quem não é da área acadêmica, uma informação interessante é que as revistas são avaliadas por um fator chamado Qualis, que pode ser A, B ou C (cada um tem sua subcategoria numérica, como A1, A2, A3). As revistas qualis A, obviamente, são as mais rigorosas em suas avaliações, de modo que é muito mas difícil publicar nelas. Minha primeira publicação em uma revista A aconteceu na Domínios da Imagem, com o artigo Histórias em quadrinhos não ficcionais e jornalismo como território do imaginário. 

O artigo foi escrito em parceria com Marcos Dickson, um velho amigo e parceiro da época da faculdade. Todos os trabalhos em grupo nós fazíamos juntos, pois nossa dinâmica, desde aquela época era muito boa. Geralmente dividíamos os capítulos, ficando metade para cada. Depois nos reuniamos para um ler o capítulo do outro e fazer a revisão. Nessa mesma reunião escrevíamos a introdução e a conclusão, um método que sempre funcionou muito bem e garantiu ótimas notas. 



Com o surgimento do Google Docs esse método pôde se tornar mais elaborado, com cada um contribuindo um pouco com cada parte. 

Confira o resumo: 

O presente artigo tem o intuito de explorar os processos híbridos da linguagem jornalística com as histórias em quadrinhos baseadas em fatos reais, não ficcionais, que passaram a ser chamadas de jornalismo em quadrinhos, nas quais vemos a apropriação de técnicas jornalísticas, principalmente dos recursos extraídos do new journalism, para construir seu discurso, indo além da fronteira do real e do ficcional abrindo espaços para novas experiências do consumo da informação jornalística. Propormos analisar esses espaços narrativos não ficcionais instrumentalizando os conceitos de jornalismo de subjetividade (MORAES, 2022), estratégias do sensível (SODRÉ, 2006) e Tecnologias do Imaginário (DURAND, 1988, SILVA, 2006).

Para ler o artigo, clique aqui. 

quarta-feira, maio 20, 2026

O Bom professor – Artigo na revista Educação

 



No ano de 2002 eu lecionava em faculdades particulares e uma coisa me incomodava: a ênfase excessiva no cumprimento de prazos acadêmicos.

Nos questionários aplicados aos alunos no final de semestre havia diversas perguntas do tipo: “O professor começa e termina a aula no horário correto?”; “O professor entrega as notas no prazo” etc.

Mas não havia uma única pergunta sobre se o professor dominava o conteúdo ou se tinha didática para ensinar esse conteúdo. O bom professor era, rigorosamente o que cumpria todas as regras burocráticas, por mais que não soubesse nada do assunto ou não tivesse a menor noção de metodologia educacional.

Na época eu vira um ótimo professor ser demitido por, por exemplo, chegar atrasado para a aula. Esse mesmo professor tinha uma produtora e continuamente levava seus alunos para lá e passava muitas vezes a madrugada com eles filmando ou editando. Mas para a direção só o que contava era o que ele fazia na sala e no horário de aula. 



Nessa época, uma das faculdades em que eu trabalhava assinava a revista Educação, da editora Segmento. Resolvi escrever um artigo sobre o assunto e mandei para a publicação. Para minha surpresa, ela foi publicada na última página da edição 68, um espaço privilegiado reservado a artigos de opinião.

O editor escolheu um trecho interessante do artigo para o destaque gráfico: “Aprender também pode significar ter de mudar os modelos mentais preestabelecidos de que só se aprende em sala de aula”.

domingo, maio 17, 2026

MAD 14 - Prepúcio

 

A sátira do filme Crepúsculo foi meu terceiro roteiro para a MAD. Foi um sufoco porque o filme ainda não havia estreado e tive que conseguir uma versão pirata. Fora isso, foi uma sátira que meio que se escreveu sozinha. O desenho ficou a cargo do grande Raphael Salimena. Nós enchemos a história de piadas de fundo, em especial na página dupla de apresentação dos personagens. Em um dos cantos aparecemos eu, o desenhista e o editora Raphael Fernandes como turistas. Eu comento: “Nossa, nessa cidade todos são virgens” ao que o editor responde: “Até os DVDs são virgens” enquanto segura o DVD “Fiz pornô e continuei virgem” (sim, existiu um filme com esse título!). Gosto particularmente da sequência do pai da Mella Swando com Fedward Cúllen.
Em tempo: já fui chamado de machista, racista e homofóbico por causa dessa capa, então gostaria de esclarecer que não desenhei a capa muito menos era o editor que escolhia a capa. 

quarta-feira, maio 13, 2026

Literatura de fantasia na revista Letras Escreve

 


 
A revista Letras Escreve publicou, no número 2, volume 13, um artigo meu sobre a Literatura de Fantasia. No artigo eu discuto o conceito de fantasia e apresento um breve histórico do gênero.

Esse artigo tem uma trajetória curiosa.

Ele surgiu de uma palestra em um evento sobre literatura de gênero. A organizadora pediu para eu falar sobre literatura de fantasia e, ao final da palestra, solicitou um artigo com o conteúdo da dita para integrar um livro.


Passou um ano, dois anos, nada do artigo ser publicado. Ao final do segundo ano, a organizadora do evento deu uma devolutiva, solicitando diversas modificações, em especial dezenas de notas de rodapé explicativas (ela pedia, por exemplo, uma nota de rodapé explicando quem era o Conan). Fiz as mudanças e o texto quase dobrou de tamanho... mas não foi publicado. Passou mais um ano, outro ano.
Recentemente, eu soube que a prestigiosa revista Letras Escreve ia publicar um dossiê sobre Imaginários, Mito e Linguagem e resolvi arriscar, afinal, a literatura de fantasia tem tudo a ver com imaginários e mitos. Mas enviei o texto original, sem as dezenas de notas explicativas.
Para minha surpresa, as duas organizadoras do dossiê adoraram o artigo. Como ele não se encaixava diretamente na bibliografia usada no dossiê, ele foi publicado na seção livre.
Para acessar a revista, clique aqui. 

domingo, maio 10, 2026

Quadrinhofilia

 

Quadrinhofilia foi o nome de uma antologia de trabalhos do quadrinista curitibano José Aguiar publicada pela editora HQM no ano de 2008. Aguiar desenhou três histórias minhas, duas adaptações de contos: Em entropia um astronauta sozinho em uma estação espacial vê a terra sendo invadida por naves extraterrestres; Invasão é uma história de terror no estilo dos filmes B dos anos 1950.
Mas nosso melhor trabalho juntos é a adaptação do filme expressionista O Gabinete do Dr. Caligari. Caligari é um dos maiores clássicos do terror e um dos meus filmes prediletos de todos os tempos.
Lembro que foi um trabalho de fôlego: assistimos ao filme mais de uma vez, fazendo anotações e comentando aspectos relevantes para a adaptação.

O resultado foi uma história em quadrinhos que resgata toda a complexidade da obra original, inclusive com seus diversos sentidos.

A página que mostra pela primeira vez o sonâmbulo Cesare é a minha preferida, com o personagem avançando pelos quadrinhos, o que destaca sua figura alongada e soturna ao mesmo tempo em que quebra com a normatividade da diagramação dos quadrinhos da mesma forma que Caligari quebrou com diversas convenções do cinema da época. 

quarta-feira, maio 06, 2026

MAD 13 – Rephorma hortográfica

 




Na MAD 13 eu estava em minha terceira participação na antológica revista de humor da qual eu era fã desde criança. Na época estava entrando em vigor a reforma ortográfica e o editor Raphael Fernandes teve a ideia fazer piada com isso. Para isso, colocamos o professor Pasquale (devidamente renomeado como Pasquase) explicando a rephorma hortográfica. Uma das mudanças se daria no trânsito, onde os palavrões agora seriam politicamente corretos. FDP, por exemplo, passaria a ser “Faça o dispor de passar”. Os desenhos ficaram a cargo de Juarez Ricci. 

domingo, maio 03, 2026

Revista polonesa Krakers

 

Zulu é uma história em quadrinhos com texto meu (a partir de uma ideia de Walter Klattu) e arte do grande Will. É um exercício de narrativa paralela: enquanto Zullu enfrenta os perigos para cumprir sua missão de matar a Medusa, eu conto, com o texto. No final, as duas tramas se juntam e fica claro porque só ele seria capaz de matar a Medusa. Essa HQ foi publicada na revista polonesa Krakers no ano de 2015. É curioso ver meu texto em uma língua incompreensível para mim.

quarta-feira, abril 29, 2026

Spaceballs

 

Spaceballs foi lançado no ano 2000. Foi o sexto volume da coleção Fantástica, organizada por Cesar T. Silva e Marcelo Simão Branco, ambos editores do zine Megalon.
O título da história é uma referência à música homônima do Pato Fu. Para quem não conhece, Spaceballs é uma letra pacifista sobre pessoas com seus longos cabelos que atravessam o universo. Eles não têm a glória da guerra porque simplesmente não acreditam na guerra. Isso me levou a refletir sobre como a ficção-científica, em especial a space opera, é militarista. Até mesmo Jornada nas Estrelas, uma série pacifista, tem militares como protagonistas.
O editor apresentou assim o livro: “Nesta edição a ação vai para o espaço, literalmente. Um grupo de revolucionários hippies sequestra uma astronave e, sem usar de qualquer organização hierárquica, conseguem lubridiar todo o aparelho repressor do estado totalitário que domina o mundo em sua realidade. Uma história bem ao gosto dos leitores que apreciam a aventura no estilo agradável e bem desenvolvido de Gian Danton”.
A coleção Fantástica foi um marco na ficção-científica brasileira. Em formato de bolso, edição praticamente artesanal, custava 20 reais a assinatura com todos os números. Foram iniciativas como essa que seguraram a FC nacional em uma época em que as editoras tinham banners nos quais se lia: “Não aceitamos originais de ficção-científica, fantasia e terror”.

domingo, abril 26, 2026

A casa das mil portas

 


A casa das mil portas foi um projeto idealizado por Nemo Nox e lançado em 2005. O site reunia centenas de microcontos escritos por blogueiros brasileiros e portugueses.
Para quem não conhece,  microconto é (segundo da definição de Nemo Nox),  “uma história em prosa contada em cinqüenta letras ou menos. Se parece pouco é porque é realmente pouco. Fazer um microconto é um desafio literário, uma tentativa extremamente econômica de contar ou sugerir uma história inteira. Um microconto exemplar, e possivelmente o mais famoso de todos, é do escritor guatemalteco Augusto Monterroso: "Quando acordou, o dinossauro ainda estava lá."
Eu fui um dos escritores-blogueiros convidados a participar do projeto, que na época ganhou grande destaque na mídia.
O site ainda existe e pode ser acessado aqui: http://www.nemonox.com/1000portas/index.php