domingo, outubro 18, 2026

Buggy a jato

 


Como era uma TV nova, a Manchete tinha que se contentar com os enlatados que nenhuma outra rede de TV já tinha os direitos. Foi assim que passaram o obscuro desenho Buggy a jato (Ricket Rocket no original).

O desenho é focado em um quarteto de adolescentes afro-americanos que atuam como “detetives”. Para ajudá-los eles criam, de sucata, um foguete que vive caindo aos pedaços. A semelhança deste com um buggy fez com que o pessoal da Manchete resolvesse batizar o desenho de Buggy a jato. Embora fosse extremamente covarde, o Buggy era geralmente quem conseguia tirar os adolescentes das frias nas quais eles se metiam.

No episódio “O mistério dos avisos” os protagonistas estão passando as férias em um asteroide quando aparece um alienígena gigante que exige que todos saíam do asteroide. Os “detetives” resolvem enfrentá-lo, no que o Buggy comenta: “Vão vocês, eu fico assistindo daqui”.

O alienígena usa estátuas e pedaços de pedra para criar monstros, que acabam sendo derrotados pelas crianças. Quando o prefeito do local pergunta se eles são detetives, Cosmo, o líder da turma, responde: “Sim, somos os melhores da galáxia”, no que o Buggy discorda: “Não, Cosmos, tem uma porção de outros”, e começa a listar diversos outros melhores.

Criado pela Ruby-Spears Productions, Buggy a jato parecia um Scooby-doo pouco inspirado, tanto que durou apenas 16 episóidos. Uma curiosidade: os donos da produtora tinham sido roteiristas da Hana-barbera e ajudado a criar Scooby-doo, o que mostra que em algum momento eles perderam a mão para esse tipo de história.

Demolidor contra o Dentes de sabre

 


No início de sua atuação no título do Demolidor, a roteirista Ann Nocenti estava nitidamente testando possibilidades. Afinal, substituir Frank Miller no título era um fardo e tanto. “Pressumi que as pessoas odiaram qualquer coisa que eu fizesse”, declarou ela.

Essa insegurança sobre que caminhos seguir fica bem nítida no número 238 de Daredevil.

Na história, o Dentres de Sabre está morando nos subterrâneos de Nova York e sequestra uma garota. Como ouve que o Demolidor é o defensor daquela região, ele decide enfrentá-lo.

O roteiro usa a briga entre vilão e herói como uma metáfora da violência instintiva. 


A motivação é fraca, mas é usada pela roteirista para abordar a questão da violência selvagem, instintiva. Esse mote fica claro logo no início da história, quando dois cachorros brigam num beco por um resto de comida. E, mais à frente, quando um gato caça um rato, mas não sabe o que fazer com ele. “Quando animais se tornam domesticados demais ou vivem num lugar artificial como esta cidade, eles ficam isolados demais da natureza de seus instintos. Ele anseia pela caçada, mas nunca vai saber por quê”, explica um homem a respeito dos gatos.

Assim, o arranca-rabo entre super-heróis era apenas uma desculpa para falar de outras questões, uma abordagem que Nocenti exploraria mais e com mais propriedade em histórias futuras.

O dólar furado

 


Não há como falar em faroeste espaguete sem falar em O dólar furado, filme de Giorgio Ferroni estrelado por Giuliano Gemma, lançado em 1965 (mesmo ano de Por uns dólares a mais, de Sérgio Leone).

O filme já nos prende desde a abertura, com uma animação com a trilha sonora genial de Gianni Ferrio. Os créditos vão passando enquanto pistoleiros duelam e portas de sallon se abrem e fecham, em perfeita sintonia com a música. Sério, se a abertura não te conquistar, nada mais irá fazê-lo.

A trama ocorre pouco depois da Guerra Civil Americana e é focada em um ex-soldado sulista, Gary O'Hara, cujo irmão resolve ir para o oeste tentar a sorte, já que a perspectivas no sul não são das melhores. Os irmãos combinam de se encontrarem tempos depois, em uma cidade na fronteira do oeste chamada Yellowstone.

Chegando em Yellowstone, Gary descobre que o preconceito contra sulistas é imenso em decorrência de um grupo de bandidos que pratica seus assaltos com uniforme do exército confederado. Apenas o homem mais rico da cidade, McCoy, o contrata para um serviço. Ele deve entrar no sallon desarmado e dar voz de prisão para um suposto bandido chamado Black Jack. No meio dos acontecimentos, ao olhar, no espelho, o protagonista descobre que Black Jack é ninguém menos que o seu irmão, Phill. Mas é tarde demais: Phil vira-se e atira nele e os homens de McCoy o matam alegando estarem defendendo um homem desarmado.

Os dois corpos são entregues a um casal de sulistas para que os enterrem em algum lugar, mas os mesmos descobrem que Gary sobreviveu graças a uma moeda de um dólar que parou a bala  - é o dólar furado do filme e um amuleto do herói.

Agora Gary O´Hara está de volta para se vingar do homem que provocou a morte do irmão. Mas a situação se complica quando a esposa dele vai até Yellowstone e é aprisionada pelos vilões.

Este é um faroeste italiano e a estética é suja, assim como a história. Nada de heróis limpinhos que sequer se despenteiam durante uma briga. Gary apanha muito, fica às portas da morte. A sequência em que ele é preso em uma cerca pelos vilões impressiona não só pela crueza, mas por ser um show de narrativa, principalmente pela sequência da reviravolta. É um ótimo exemplo, aliás, de como usar o movimento de câmera para contar a história.

Talvez uma das razões pelas quais o faroeste espaguete tenha feito tanto sucesso é que nele nós realmente acreditamos que o mocinho está de fato correndo perigo de morte, o que faz com que sua vitória final se torne ainda mais catártica, o que de fato ocorre aqui.

Clássico dos clássicos, O dólar furado figura entre os grandes do gênero.

A flor de vidro

 


Em 1995, George Martin, autor de Guerra dos Tronos, era um desconhecido no Brasil. A apresentação de sua novela a flor de vidro, publicada na revista Isaac Asimov Magazine 4, dizia o seguinte: “George R.R. Martin escreveu vários episódios de Além da Imaginação e um conto seu, publicado em 1985, ganhou um dos prêmios nébula daquele ano e concorreu ao oscar da ficção científica, o troféu Hugo”. Ou seja: era só mais um autor publicado pela revista. Entretanto, sua novela ganhou destaque na capa e abriu a revista, reflexo direto da qualidade da narrativa.
Martin propõe uma trama interessante: um jogo da mente. Três jogadores disputam como prêmios corpos de três prisioneiros. Se forem vencendores, ganham o novo corpo. Mas os jogadores podem também disputar entre si – nada impede, por exemplo, que um assuma o corpo do outro. Da mesma forma, os prisioneiros podem escapar ilesos, ganhando a liberdade.
A narradora é a Sábia, a mestra responsável por comandar o jogo, que se vê diante de uma situação inusitada quando um androide resolve participar. O androide que afirma ser um lendário herói espacial.
A narrativa de Martin é minunciosa, focada principalmente na caracterização dos personagens e na construção lenta da trama (características também fundamentais em Guerra dos Tronos). Há também as elipses, momentos não contados da trama, que o leitor deve deduzir, outra característica dos livros sobre Westeros.
Há também um forte tom alegórico, a começar pela flor de vidro do título, que torna-se um símbolo de toda a discussão por trás da trama.
E, claro, uma referência óbvia: a coisa toda parece um enorme RPG.

Kazar – somente para seus olhos


Kazar era um personagem de terceiro escalão da Marvel. Mas conquistou uma legião de fãs no Brasil ao ser publicado pela editora Abril dentro da revista do Homem-Aranha.

Boa parte da responsabilidade sobre isso era da equipe criativa formada por Bruce Jones no roteiro e Brent Anderson no desenho.

Exemplo da sintonia da dupla é a história Somente para seus olhos, publicada no número 6 da revista.



A história inicia com uma ótima sequência: Shanna está dormindo e a imagem vai se aproximando cada vez mais de seu rosto até focar num close de seu olho aberto espantando. O texto diz: “Todo seu corpo treme! O frio é muito intenso e suas pernas ameaçam desfalecer! De repente, Shanna percebe porque a montanha de seus sonhos brilha como alabastro... porque o chão, o céu e o ar ao seu redor estão cheios de flocos brancos e cintilantes de... neve!”. Segue-se uma sequência em que a garota acorda seu amado para mostrar a neve que envolve toda a Terra Selvagem, apenas para descobrir que é um tudo um sonho.



Essa pequena sequência serve tanto para estabelecer a relação entre os personagens quanto à perturbação cognitiva da personagem depois de ter passado pela máquina de transferir mentes. A máquina, na verdade, a colocou em contato com um sobrevivente de Atlândida, cujo corpo foi guardado em criogenia. Este se apaixona por Shanna e oferece a ela uma vida de imortalidade.

Em meio a esse conflito pessoal, surgem também conflitos físicos: um escorpião gigante e um pterodátilo.

No final, a dupla Bruce Jones e Brent Anderson consegue criar uma história simples e tocante.

No Brasil essa história foi publicada em Homem-aranha 17, da editora Abril.

Encantado

 


A princípio minha colaboração com a revista Causos do meio do mundo 2 era para ser com roteiro para apenas uma história. Mas conversando com a Natália Muniz, ela, que não ia desenhar nenhuma HQ, acabou se empolgando. Eu tinha gostado muito do quadrinho Jaguadarte, em especial da forma impressionante como ela tinha desenhado a cobra que ataca a tribo indígena, e sugeri que ela seria a pessoa ideal para desenhar uma história do Cabano.

Assim nasceu Encantado, uma HQ que reconta o mito das cobras Norato e Caninana.

Na história, o Cabano está em um bar quando um desconhecido lhe oferece pinga e narra a história das duas cobras abandonadas logo após o nascimento que se transformam em cobras gigantes de personalidades opostas: uma boa e uma má. A missão do Cabano será livrar Norato do encamento que o transformou.



Quando a Natália me enviou os primeiros esboços, fiquei impressionado, especialmente com a segunda página, que mostra as duas cobras em plena luta. A cena era grandiosa e captava perfeitamente o clima de terror da história.

No meu roteiro eu havia proposto que o corpo de uma cobra percorresse as páginas, com o rabo na primeira página e a cabeça na última. Natália fez isso tão bem que no final, o resultado da diagramação ficou melhor do que eu esperava.

Se em trabalhos anteriores, Natália se revelava uma artista promissora, aqui vemos ela em plena maturidade artística. Embora atualmente seja conhecida apenas no Amapá, não duvido que em breve a veremos concorrendo e até vencendo prêmios nacionais.



Em tempo: a revista Causos do Meio do Mundo pode ser adiquirida ao preço de 25 reais pelo e-mail jvggaia@hotmail.com.

As aventuras do Capitão América - Sentinela da liberdade

 

Publicada pela editora abril em 1992, As aventuras do Capitão América ia na contramão da maior parte do que se fazia na época – na chamada era Image. Com desenhos de Kevin Maguire e texto de Fabian Nicieza, a minissérie em quatro partes usava um estilo vintage para contar as primeiras aventuras do sentinela da liberdade.
O clima de matinê já era evidente desde as capas, com imagens em preto e branco como se fossem frames de cinema e chamadas espetaculares: Ação! Romance! Drama!
Nicieza trabalha muito bem os diálogos. 


O desenho de Maguire é perfeito para a proposta da série, com destaque para as expressões faciais dos personagens e diagramação que lembra a era de ouro (com quadros redondos, por exemplo).
Por outro lado, o texto de Nicieza não decepciona. Diante de um excelente narrador gráfico, como Maguire, seu texto poderia se tornar redundante, mas, ao contrário, seus diálogos são inspirados, com destaque para a caracterização de Bucky.
Boa parte do charme da série se deve à habilidade de Maguire com expressões faciais. 


É curioso que nessa onda de republicações e encadernados, nenhuma editora tenha pensado em trazer de volta essa história. 

sábado, outubro 17, 2026

A mulher-rei

 

A mulher-rei, filme dirigido por Gina Prince-Bythewood e estrelado por Viola Davis parte de uma situação real.

De fato, no século XIX, existiu no reino de Daomé, atual Benin, um grupo de guerreiras invencíveis, verdadeiras amazonas da África, chamadas de agojie.

A história inicia com uma incursão das agojie para libertar pessoas do reino de Daomé aprisionadas pelo império Oyo para serem vendidas como escravas.

O ataque é liderado por Nanisca, interpretado por Viola Davis. O protagonismo da história, entretanto, se equilibra entre Nanisca e Nawi, uma garota que, após atacar o velho que deveria ser seu noivo, é entregue por seu pai no castelo para se tornar uma guerreira. A história de Nawi mostra como participar das agojie poderia ser a única oportunidade de ascenção social para muitas mulheres, assim como a única forma de escaparem de um destino de eterna submissão. No castelo, onde são treinadas as agojie, só podem entrar mulheres e eunucos, de forma que ali se torna um local governado por mulheres.

Há um outro fato interessante: os habitantes de daomé cultuam um casal de gêmeos, o que faz com que todos os principais cargos, de general a rei, tivesse uma contraparte feminina.

Tudo isso é mostrado de forma muito competente no filme. Além disso, a trama envolvente: Nawi lutando para provar seu valor como guerreira e Nanisca busca de vingança contra o homem que no passado a aprisionou e a estuprou repetidas vezes. No final, descobre-se que o destino das duas é intimamente interligado.

O trailer, focado principalmente na ação, pode dar a entender que esse é o clima do filme, o que  não é verdade. Há um bom equilíbrio entre cenas de ação e cenas de desenvolvimento, com uma forte caracterização de personagens. Aliás, as cenas de ação merecem destaque em qualquer resenha. Os combates ganharam uma coreografia crua, brutal, que destaca bem a sanguinolência da guerra.

Em tempo: embora seja baseado em fatos reais, A mulher rei não é totalmente fiel aos fatos históricos. O filme inclui um forte discurso anti-escravista quando na verdade, as próprias agojie foram elemento importante no aprisionamento de escravos que seriam vendidos pelo reino de Daomé para traficantes. Mas ficção é ficção, e não história. O importante é produzir uma obra que envolva e faça o expectador acreditar naqueles fatos que são mostrados na tela, o que de fato acontece nesse filme.

O roteiro para quadrinhos e o cavalo dançarino

 

Nat Muniz parece ter nascido para desenhar temas regionais e em especial cobras. 

Alan Moore conta que, quando era criança, ficou fascinado com um show em um circo em que um músico tocava um violino e um cavalo dançava. O cavalo parecia ter sido tão bem adestrado que acompanhava o ritmo da música: se o violnista tocava mais lentamente, ele fazia movimentos mais lentos, se acelerava, o cavalo acelerava também.

Já adulto, ele descobriu que o que acontecia era exatamente o contrário. O músico ensinara o cavalo a dar alguns pulinhos – e só isso. Na verdade, era o violinista que acompanhava o ritmo dos movimentos do cavalo.

Segundo Alan Moore, o que acontece na relação entre o roteirista e o desenhista é exatamente assim. Parece que o roteirista está ditando tudo e o desenhista se adaptando ao roteiro, quando na verdade está acontecendo o contrário: o escritor está adaptando o roteiro ao desenhista. Para isso, é essencial que o roteirista saiba com quem está trabalhando e quais as suas maiores qualidades.

A história do Astronauta tinha tudo que o JJ Marreiro gostava de desenhar. 


Eu cheguei a ver o primeiro roteiro que Moore escreveu para o compadre Joe Bennett no título Supreme. Logo no início vinha uma observação: “Joe, eu percebi que você adora desenhar prédios expressionistas, então vamos colocar muitos nessa história”.

Quando escreveu uma história do Arqueiro Verde, para Klaus Jason, Alan Moore aproveitou ao máximo a capacidade desse desenhista, que durante anos foi arte-finalista de Frank Miller no Demolidor, para ambientação urbana. A história é repleta de prédios nos mais diversos ângulos.

Escrever um bom roteiro começa por conhecer o desenhista e saber no que ele é bom e aproveitar isso na história.  Já repararam que alguns dos melhores, senão os melhores trabalho de muitos desenhistas, foram realizados com Alan Moore?

A história de Moore para Klaus Jason aproveitava ao máximo a ambientaçã urbana.


Essa estratégia não só tira do desenhista o que ele tem de melhor como também faz com que ele se empolgue ao desenhar a HQ.

Um exemplo pessoal. Quando fui convidado a escrever uma história para o álbum MSP+50, em homenagem a Maurício de Sousa, fiquei muito feliz, e mais feliz ainda ao descobrir que seria desenhada pelo grande amigo JJ Marreiro, cujo trabalho admiro muito.

Entretanto, o peso da camisa, como se diz no futebol, acabou virando um problema. A responsabilidade de desenhar para um álbum tão importante fez o JJ travar. Eu escrevi dois roteiros e ele não desenhava.

Muitos diálogos e diagramação diferenciada na história para Kaic. 


Resolvi a situação usando a dica de Alan Moore sobre o cavalo dançarino: escrevi um novo roteiro colocando na história tudo que o JJ mais gosta. Assim, na história, o Astronauta encontra um apetrecho alienígena, a máquina do talvez, que mostra o que ele seria se não fosse um cosmonauta. Em uma versão ele era um cowboy, em outra versão um detetive ao estilo Sherlock Holmes etc...

Como sei que JJ Marreiro adora esses personagens clássicos, sabia que ele adoraria o roteiro e foi isso que aconteceu. Ele se divertiu tanto desenhando a história que acabou esquecendo a responsabilidade que era fazer um trabalho em homenagem aos 50 anos do Maurício de Sousa.

Isso, entretanto, não significa manter o desenhista numa zona de conforto. A partir daquilo que ele gosta de fazer, podemos propor inovações, algo que ele não está acostumado a fazer.

Mais uma página de Nat Muniz, só porque eu gostei muito. 


Recentemente, fui convidado a escrever roteiros para a revista do coletivo AP Quadrinhos e analisei o estilo das pessoas que iriam ficar responsáveis por desenhar minhas histórias. Também conversei com eles.

No caso do Kaic percebi que ele gosta de mostrar personagens, cenas de diálogos. Percebi também que havia abertura para uma diagramação mais arrojada. Fiz um roteiro que envolvia principalmente diálogos e estimulava uma diagramação inovadora. O resultado surpreendeu e me pareceu inclusive acima dos trabalhos anteriores dele.

No caso da Nat Muniz, eu tinha ficado impressionado com uma produção anterior dela, o fanzine Jaguadarte. Esse trabalho mostrou que o traço dela funcionava muito bem para temas regionais e ela parecia ter se esmerado ao desenhar a cobra da história. Assim, fiz um roteiro sobre a cobra grande e o resultado foi impressionante, especialmente a cena com a luta das duas cobras. Dá para perceber que ela curtiu muito fazer aquela sequência, tanto que foi a primeira que ela arte-finalizou. Eu comentei com ela: “você nasceu para desenhar cobras”.

Usar a tática do cavalo dançarino, além de ser uma consideração aos desenhistas, oferece um terreno fértil para que para que eles possam expressar aquilo que têm de melhor.

OMAC – gritos de guerra

 


A geração atual não sabe a importância de narrativas curtas. A maioria acha que só se consegue fazer uma boa histórias se for uma mega saga com centenas de páginas.

Antigamente, mesmo artistas especializados em mega sagas, como Jim Starlin, eram também muito bons em narrativas curtas. Um exemplo disso é a história de Omac “Grito de batalha” publicada em Warlord 9 e republicada no Brasil no número 9 da revista O guerreiro.

Starlin conta a batalha de St Louis, liderada por Omac.

De forma cronometrada, a história vai narrando os principais fatos da batalha, de 5:54, quando inicia o ataque aéreo até as 16:34, quando finalmente termina o conflito.



Starlin faz tudo: mostra as estratégias de guerra, faz sequências de humor irônico, como quando Omac salva a vida de um soldado que é morto logo em seguida, humaniza o herói e expõem uma forte mensagem pacifista enquanto, ao mesmo tempo, apresenta cenas espetaculares de batalha.

No final do dia, Omac recebe o relatório do sargento: eles perderam 15.352 homens, mas mataram 41.343. A página final, uma splash page, mostra Omac sentado sobre uma montanha de corpos enquanto reflete sobre se tudo isso valeu: “Foi um dia infernal!”.



Em apenas oito páginas, Jim starlin consegue fazer o que muitos quadrinistas atuais não conseguiriam em uma centena de páginas.

Balneário da Celina

 


O balneário da Celina, na comunidade do Curicaca, fica a 89 quilômetros de Macapá. É um dos mais belos balneários do estado, com água limpa,comida barata e até lugar para armar redes. Funciona todos os dias. 

Para ir, pegue a AP-070 (rodovia do Curiaú). Quando termina o asfalto, vire à direita na AP-340na direção da comunidade do Curicaca – o balneário fica logo depois de uma ponte de madeira. É fácil de achar, pois tem uma placa na beira da estrada.



É um local que vale a pena conhecer para relaxar e tomar um banho sem música alta. Quando fomos, comemos um peixe frito com arroz, feijão e vinagrete e tomamos um delicioso suco de taperebá.   

E mais um aspecto positivo: o balneário não tem som alto e não permite som alto. Uma das vezes em que fomos, um grupo colocou o carro na beira da água, abriu o porta-malas e ligou o som alto. A proprietária foi lá e pediu para desligar o som e tirar o carro das proximidades da beira-rio. Ou seja: é um ótimo local para relaxar, sem incômodos os barulhentos. 

Para quem quiser entrar em contato, o número deles é (96) 99110-8070.





Um político perseguido?

 


Cinder e Ashe

 


Poucas vezes houve, na história dos quadrinhos, uma dupla tão afinada quanto Gerry Conway e José Luís Garcia-Lopez. E um dos melhores exemplos desse afinamento é a minissérie Cinder e Ash, lançada pela editora Abril em 1989.
Cinder e Ashe são dois “peritos em controles de danos”, o que significa que eles são aquele tipo de pessoa que você procura quando está em apuros. A história inicia com os dois resgatando uma mulher que foi sequestrada por uma gangue e se recusando a devolve-la ao marido (eles descobrem que ela era agredida pelo esposo). 

A história é cheia de flash backs. 

Em seguida são procurados por um fazendeiro que está sendo perseguido por uma misteriosa corporação econômica, que, lhe sequestrou a filha – é o caso Starger que dá título à história. Por trás dessa história há muitos mistérios e um fantasma do passado: um agente da CIA que nos EUA usava Cinder como ladra e agenciava prostitutas que foi dado como morto e agora parece ter estar de volta.
Cinder é chamada assim por seu cabelo ruivo, que lembra brasas em chamas e Ashe, que a salvou no Vietnã e seu tornou seu parceiro e guardião, é cinzas, uma referência provavelmente aos cabelos grisalhos. Além disso, os nomes simbolizam a personalidade de cada um e a forma como se complementam.
Um fantasma do passado volta para atormentar os protagonistas. 


Só o desenho de Garcia-Lopez já valeria o preço da revista, mas aqui temos uma mistura perfeita de ação bem desenvolvida com aprofundamento de personagens. Conway destrincha a história por trás de cada dos dois ao mesmo tempo em que desenvolve o relacionamento entre os dois (que oscila entre o romântico e o paternal), alternando entre sequências de presente e flash back (com passagens entre uma e outra que lembram muito Watchmen).
Cinder e Ashe foi um dos melhores quadrinhos lançados em uma época em que as bancas estavam cheias de obras-primas.