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sexta-feira, abril 18, 2025

Conan – Na montanha da deusa-lua

 


A história Na montanha da deusa-lua, escrita por Roy Thomas com desenho de John Buscema e Pablo Marcos, é uma continuação de uma história anterior, A libertação de Thuga Khotan, baseada numa história de Robert E. Howard. Nessa história é citado que o irmão da princesa salva pelo bárbaro havia sido preso pelo soberano de Ophir, que não sabia se o devolvia por um resgate ou o entregava ao rei de Koth, que oferecia um vantajoso tratado. Howard só cita isso no meio do conto, mas Thomas percebeu que essa informação por si só já daria outra história.

Publicada em Savage sword of conan 3, a história mostra o cimério indo até o reino de Ophir resgatar o rei aprisionado.

A criada entrega para o rei inimigo a localização do príncipe de Khojara. 


Acontece que Vateesa, a aia da rainha, enciumada do romance desta com Conan, resolve contar para o rei de Koth onde o rei de Khojara está escondido. Este manda seu melhor homem, Sergius, para trazer o príncipe aprisionado.

Ou seja: além da própria dificuldade da tarefa (a fortaleza de Ophir fica no alto de uma montanha), Conan terá que enfretar também esse outro grupo e ainda a traição de Vateesa, o que torna a trama bastante movimentada.

Embora pareça preguiçoso com o texto, Roy Thomas capricha nos diálogos. À certa altura, por exemplo, os personagens estão subindo a montanha quando um dos soldados reclama: “Por favor, comandante! Mais devagar... o caminho é estreito... e estamos uma altura muito grande... se cairmos...”. “Então cairemos”, responde o cimério.

Conan, sozinho, vale por um exército. 


Um problema da história é a personalidade da criada, que na HQ anterior parecia muito devotada à rainha e é quem lhe traz a solução para seu problema, ao sugerir que ela visite o templo de Mitra. Aqui sua personalidade é reduzida apenas à traição.

O desenho de John Buscema, embora eficiente, é simples, especialmente se comparado à grandiosidade de A libertação de Thuga Khotan, quando o traço de Buscema foi arte-finalizado por Alfredo Alcala.

Apesar dos pesares, é uma boa história, com todos os bons elementos das histórias de Conan. E um ótimo exemplo de como Roy Thomas conseguia aproveitar brechas na cronologia original de Conan para bolar novas tramas.

sábado, outubro 26, 2024

A arte impressionante de Gian Lorenzo Bernini

 


Bernini foi o grande artista do barroco italiano. Era pintor, escultor, arquiteto, teatrólogo. Seu domínio da técnica da escultura era tamanho que ele parece transformar mármore em pele humana.











sexta-feira, junho 09, 2023

Fundo do baú - Túnel do tempo


The Time Tunnel (no Brasil, O Túnel do Tempo) foi um seriado de TV realizado por Irwin Allen nos anos 60, que mostrava as viagens no tempo de dois cientistas: (Robert Colbert, como Doug Phillips, e James Darren, como Tony Newman).
Eles eram monitorados por uma equipe que permanecia no laboratório e os acompanhavam em seus deslocamentos no tempo através de imagens que recebiam pelo Túnel do Tempo. A equipe estava sempre tentando encontrar um meio de trazê-los de volta, ou então tentavam ajudá-los por intermédio dos recursos de que dispunham, como precárias transmissões de voz ou envio de armas ou equipamentos, quando possível. Quando tudo falhava, tiravam-nos de uma época e os enviavam para alguma outra data incerta do passado ou do futuro, dando início a um novo episódio.
Os personagens viajavam pelos mais diferentes períodos históricos, indo parar até mesmo no Titanic pouco antes dele afundar.  
Nos episódios eram utilizados imagens de arquivo de filmes da Fox, como O Mundo perdido, Príncipe Valente e até do seriado viagem ao fundo do mar. A regra da televisão na época era: lavou, tá novo.

Devido ao elevado custo de produção, esse seriado durou apenas uma temporada, com 30 episódios.

terça-feira, novembro 22, 2022

Biocyberdrama: um universo em quadrinhos

  


Mozart Couto é dos mais importantes desenhistas de quadrinhos do Brasil. Seu traço anotomicamente perfeito ilustrou algumas das melhores histórias nos gêneros fantasias e ficção científica da HQB. Edgar Franco é um dos nomes fundamentais dos quadrinhos poéticos filosóficos, um gênero surgido em nosso país que teve grande destaque a partir da década de 1990 através de fanzines e publicações alternativas. Seu traço flerta com o onírico mostrando figuras impossíveis em cenários surreais. A junção desses dois talentos tão diferentes deu origem ao Biocyberdrama, um dos mais importantes álbuns de quadrinhos lançados em 2013.
A própria origem da publicação é uma saga. Em 2000, influenciado pelas ideias de artistas e filosóficos que tratam da pós-humanidade, Edgar Franco produziu o fanzine Biocyberdrame e enviou para várias pessoas. Uma delas foi Mozart Couto, que adorou a ideia e propôs uma parceria, o que deu origem a um primeiro álbum, com o primeiro capítulo. Os outros sete capítulos levaram 12 anos para serem feitos e reunidos na edição publicado este ano pela editora UFG. Uma edição, aliás, que faz juz ao conteúdo: um papel interno de alta gramatura, uma capa em policromia com um emblemático desenho de Mozart e uma sobrecapa em PB que se fecha sobre as páginas, formando um box.

A maioria dos leitores de quadrinhos tende a ir direto para a história, mas nesse caso, vale a pena parar no início e ler o Prefácio de Edgar Franco, no qual ele disserta sobre a fundamentação teórica da obra. Em um texto agradável, é apresentado todo um fundamento que permite uma leitura muito mais aprofundada da HQ e dá a dimensão do universo e da mitologia criada por ele – talvez o aspecto mais impressionante dessa HQ cheia de predicados.
Franco explica que os membros artificiais estão se tornando cada vez mais perfeitos. Cientistas e artistas defendem a possibilidade de transplantar a consciência para um chip de computador e tornar-se imortal, num movimento que foi batizado de Extropy.  “Vivemos em um momento de ruptura do humano, o qual nos compele a abrir os olhos para as implicações morais, éticas, socioculturais das mudanças drásticas de comportamento, percepção e paradigmas, que vêm atreladas às inovações nos campos da biotecnologia, da cibernética, da robótica, da telemática e da comunicação”.
A partir dessa percepção, Franco criou um universo pós-humano em que o mundo se divide em três grupos: humanos resistentes, tecnogenéticos e extropianos.
Os tecnogenéticos são fruto da hibridação entre humanos, animais e vegetais, permitidos pelo avanço da engenharia genética.
Os extropianos são pessoas que transmitiram sua consciência para corpos robóticos, vivendo, assim, eternamente.
Os resistentes são pessoas que resistem às mudanças extropianas e tecnogenéticas. Reproduzem-se sexualmente e imitam o modo de vida dos antepassados.

Cada um desses grupos tem detalhados os seus sub-grupos, método de reprodução, tecnologia, relação com a morte e organização social, uma mitologia que permite o surgimento de dezenas de histórias. A versão contada no álbum Biociberdrama é apenas uma dela. Nesse álbum acompanhamos o protagonista, Antônio (uma referência ao líder messiânico Antônio Conselheiro, de Canudos), um humano resistente indeciso entre o mundo tecnogenético e extropiano. A partir dessa base intimista, de conflito interno do personagem, visualizamos o mundo e suas relações sociais, políticas e culturais. Com o passar das páginas, no entanto, o drama pessoal torna-se também um drama social. Nessa sociedade perfeita de incrível avanço tecnológico, nesse paraíso terrestre, existe uma serpente: a intolerância. Essa intolerância se mostra na forma de atentandos terroristas, em especial dos tecnogenéticos contra os extropianos.
Franco namora com a teoria do caos ao mostrar como pequenos (e grandes) fatos vão provocando mudanças na sociedade e nos personagens. Os personagens, aliás, são tridimensionais e vão passando por mudanças ao longo da trama. Imperfeitos, traem, agem por vingança e muitas vezes por ganância (como no caso do peregrino que foge com as oferendas de um grupo que se destina a uma vila religiosa-resistente).
O leitor acompanha essa história que dura anos numa verdadeira saga e, ao mesmo tempo se surpreende com as reviravoltas, afeiçoa-se aos personagens e intriga-se com a complexidade imaginada pelo roteirista.
Sobre o desenho, um único porém: no primeiro capítulo Mozart Couto parecia estar influenciado, ou tentando aproveitar a onda dos mangás, um estilo interessante, mas que não tem absolutamente nada a ver com seu estilo. A partir do capítulo dois, o desenhista parece se livrar dessa influência e torna seu traço cada vez mais próximo do estilo que o tornou famoso na década de 1980 em revistas de editoras como a Grafipar.
Para os leitores mais interessados, vale a pena ler o Pósfacio, em que Edgar Franco destrincha todas as referências utilizadas em sua obra. Pós-moderno, o roteirista espalhou pela obra diversas citações, que vão do ciberartista brasileiro Eduardo Kac à artista francesa Orlane, que realiza operações plásticas em seu corpo com tomando como referência obras-primas da pintura, passando pelo escritor de ficção científica visionário Phillip K. Dick. Para os fãs, mais um agrado: o fanzine Biociberdrame, que deu origem a tudo vem completo, como anexo do volume.
Em suma: uma edição imperdível com dois mestres do quadrinho nacional.

domingo, abril 24, 2022

A marca da maldade

 

A Marca da maldade é um clássico noir temporão. E pensar que Orson Welles foi convidado para dirigir por engano (o astro Charlton Heston achou que ele fosse o diretor e os produtores deixaram para agradar o ator). Apesar do filme ter sido cortado pelos produtos, percebe-se a marcada de Welles em cada fotograma. O roteiro de Welles, baseado na obra de Whit Masterson também é genial. Uma história que parece simples vai se tornando mais e mais complexa, até terminar com um final totalmente irônico. Curtam a cena inicial, esse incrível plano sequência.

domingo, junho 27, 2021

Jornada nas estrelas: Metamorfose

 


McCoy, Kirk e Spock estão voltando para a Enterprise levando uma comissária acontemetida de uma grave enfermidade e que morrerá se não for tratada. É quando a nave auxiliar é interceptada por uma criatura energética e forçada a pousar em um planeta próximo. Lá eles descobrem um ser humano que se revela ser o criador da dobra espacial. Mas ele deveria estar morto há muitos anos? Como ainda estava ali, vivo?
Esse é o enredo de “Metamorfose”, episódio da segunda temporada da série clássica. O enredo parece interessante e tem aquele sense of wonder que iria caracterizar alguns dos melhores episódios de Jornadas. No entanto, o resultado é um episódio arrastado, que parece ter sido pensado para metade do tempo de tela.
É também um episódio em que a maioria das coisas não se encaixa. Descobre-se que Cochrane, o criador da dobra espacial, foi salvo e rejuvenecido pela criatura energética chamada Companheiro e foi o Companheiro que levou a Galileu ao planeta, para que o seu parceiro tivesse companhia humana.
Aí começam os problemas. Primeiro Kirk e Spock tentam matar a criatura (em total contradição com outros episódios em que o encontro com “monstros” é resolvido com diálogo e compreensão de suas motivações). Quando finalmente decidem conversar, tentam convencer Companheiro a salvar a comissária e ele se recusa dizendo que não pode. Ora, se ele salvou Cochrane da morte, porque não pode também salvar a comissária? Qual o sentido de levar companheiros para Cochrane e deixá-los morrer? Quando Kirk descobre que o companheiro na verdade é companheira, Cochrane se revolta e diz que foi usado, mas quando a criatura entra na comissária, ele aceita a situação e até se apaixona por essa junção das duas – paixão instantânea!
A impressão que dá é que o roteirista Gene L. Com pensou num conceito interessante, mas não conseguiu desenvolvê-lo.

quinta-feira, setembro 24, 2009

terça-feira, agosto 18, 2009

segunda-feira, agosto 25, 2008