sábado, janeiro 19, 2019

As aventuras do pequeno Xuxulu


Vidro


M. Night Shyamalan é o diretor de Hollywood que melhor entendeu os quadrinhos. Prova disso é seu novo filme, Vidro, que fecha a trilogia iniciada em Corpo Fechado.
A película é, essencialmente, uma grande homenagem aos quadrinhos.
Tudo é pensado como homenagem e referência. Além das referências óbvias, que são expressas em diálogos entre os personagens, há os nomes de personagens, como Crumb (Robert Crumb foi o papa do quadrinho underground). Mas há mais: a vilã, por exemplo, é uma psicóloga que acredita que os super-heróis são um gênero nocivo (os mais ligados vão se lembrar do psicólogo Fredrick Werthan, que na década de 1950 realizou uma verdadeira cruzada contra os gibis).
Neste filme vemos finalmente o confronto do Senhor Vidro, a Horda e o Vigilante. Mas não espere um filme pipoca. O foco é muito menos nas brigas e muito mais no desenvolvimento dos personagens, na exploração de suas personalidades. Nós descobrimos, por exemplo, porque o vigilante, embora seja invulnerável, pode ser morto com a água. A genialidade de Vidro é muito melhor explorada e exemplificada. Ele é mostrado aqui como alguém frágil apenas fisicamente, mas cujos dotes intelectuais são espantosos, como um grande jogador de xadrez, que antecipa todas as jogadas de seus adversários.
A direção também remete diretamente aos quadrinhos. Shyamalan na maioria das vezes não mostra as ações, mas o resultado delas, como nas elipses quadrinísticas.
O roteiro encaixa os três filmes como um quebra-cabeças muito bem elaborado. E o plot twist final é digno do diretor de Sexto Sentido.
Não vá esperando um filme dos Vingadores. Mas se você gosta de quadrinhos e gosta de filmes inteligentes, Vidro é uma ótima pedida.  

O demônio da mão de vidro

O demônio da mão de vidro foi um dos episódios mais emblemáticos do seriado The Outer Limits, conhecido no Brasil como Quinta dimensão. Escrito por Harlan Ellison, ele nele, um homem do futuro volta à década de 1960. Desmemoriado, ele descobre que sua mão de vidro é na verdade um computador, mas faltam três dedos. Ao mesmo tempo, ele está sendo perseguido por extraterrestres que invadiram a terra no futuro. Esse enredo influenciou tanto O Exterminador do futuro que James Cameron foi obrigado a colocar o nome de Harlan Ellison nos créditos. A adaptação para quadrinhos foi publicada no Brasil na série Graphic Globo, n. 2. A adaptação fez algum sucesso, mas passou despercebida principalmente em decorrência do desenho de Marshall Rogers ser comportado na comparação com outras graphics que eram publicadas na época. Ainda assim, é uma ótima leitura.

A impressionante arte detalhista de Alex Niño

Alex Niño é um artista filipino nascido em 1940. Em 1971 ele foi recrutado por Joe Orlando para trabalhar na DC Comics e começou uma aclamada carreira nos comics americanos, com passagens pela Marvel, Heavy Metal e Warren. Aqui no Brasil ele ficou conhecido principalmente através da revista Kripta. Seu desenho detalhado com páginas duplas impressionantes estavam entre os mais queridos pelos leitores.  










sexta-feira, janeiro 18, 2019

A banca do Zé, um dos últimos sebos de rua de Belém

Durante décadas Belém teve uma tradição de sebos de rua. No auge dos quadrinhos em formatinho da Abril, era fácil encontrar centenas desses gibis empilhados em sebos. Um dos que mais se destacavam era o sebo do Zé, perto do mercado do São Brás. O destaque não eram só os preços módicos e o material de qualidade, mas principalmente a simpatia do Zé, um dos melhores vendedores que já conheci. O Zé conhece cada um de seus clientes, o que cada um gosta, o que lê, o que compra.
Eu frequento esse sebo desde 1986. Quando mudei para Macapá, demorava uns seis meses ou mais para ir. Em uma dessas vezes ele me pediu para voltar no dia seguinte porque tinha reservado algumas coisas para mim. Voltei e me surpreendi: ele tinha guardado um saco de estopa cheio de graphic novels, cada uma cinco reais. Eu só não levei o que já tinha. Agora em janeiro voltei lá e ele tinha guardado coisas para mim. Quando fui ver, eram verdadeiras preciosidades dos quadrinhos."Eu guardo para quem eu sei que vai valorizar e conservar esses quadrinhos", me disse ele.

Enquanto estava lá, passou um casal, a esposa brasileira, o marido japonês. Quando saíram, o Zé me contou: o homem havia lutado na II Guerra Mundial e estava em Hiroshima quando caiu a bomba, mas nos campos, o que salvou sua vida. E ele comprava qualquer livro sobre o Japão na II Guerra, de modo que o Zé sempre reservava para ele qualquer livro que aparecesse lá sobre o assunto. O exemplo mostra bem o quanto ele conhece bem cada um de seus clientes.
Pouco tempo depois chegou um cliente querendo a Bíblia de estudos. Ele tirou de trás do balcão. "Esse é um dos livros mais roubados", explicou ele. "Então não deixo à mostra".
A simpatia e os clientes fixos fizeram com que a banca do Zé sobrevivesse em meio ao fechamento geral dos sebos de rua de Belém.
Para quem gosta de quadrinhos e literatura o sebo do Zé é parada obrigatória .
O sebo do Zé fica próximo do Mercado de São Brás, no cruzamento das ruas José Bonifácio com Faria Brito.

Dia do Quadrinho Nacional em Macapá - programação

O Dia do Quadrinho Nacional será comemorado em Macapá na Biblioteca Pública Professora Elcy Lacerda no dia 26 de janeiro. Confira a programação:

Dia 26 de janeiro
Entrada FRANCA

Programação do Auditório

14h00 - abertura do evento.

15h00 - contação de história no auditório.

16h00 - bate-papo com Messias e Israel Guedes sobre quadrinhos no Amapá e publicação independente.

17h00 - palestra com o Gian sobre história do quadrinho nacional.

18h00 - Quiz sobre Quadrinhos Nacionais no auditório.

A partir de 18h30 - Exibições de filmes relacionados a quadrinhos nacionais.


Programação em outros espaços da Biblioteca

A partir de 15h00 - RPG (saguão).

A partir de 15h00 -  Swordplay (área verde).

15h30 até 17h00 - Oficina de desenho (sala de informática).

A partir de 17h00 - Escape Game (sala de informática).

A partir das 14h00 - exposição dos originais de Joe Bennett (sala de processamento técnico).

Alunos ficam sem aula por falta de professores em escola no Santa Etelvina

Manaus (AM)
Leitores do Portal A Crítica denunciaram que a Escola Municipal Professora Sara Barroso Cordeiro, no bairro Santa Etelvina, Zona Norte de Manaus, está sem aulas por falta de professores.
Segundo a cozinheira Sara Sousa, 27, os problemas na unidade começaram quando a gestão e funcionários do local foram mudados. A sala da filha dela, que está no 4º ano do Ensino Fundamental, está sem aula há pelo menos uma semana, diferentemente de outras turmas que não vêem um professor há meses.
“A sala do 2º ano está sem professor há três meses. A do 5º ano, há dois meses”, fala. E isso acontece tanto no turno matutino quanto no vespertino. Leia mais

Projeto de pesquisa: revisão de literatura

A revisão de literatura não é uma simples relação de obras. É um texto que resume o pensamento dos principais autores que trataram do assunto.

Serve para demonstrar que o aluno teve contato com os conceitos e teorias básicas sobre o tema e está preparado para iniciar o trabalho.

Também serve para demonstrar que ao orientador ou à banca que o aluno não pretende reinventar a roda (ou seja, fazer uma pesquisa que já foi realizada).

EXEMPLO DE REVISÃO DE LITERATURA

A revisão de literatura abaixo trata do tema hipótese. Veja como o texto apresenta uma visão ampla sobre o assunto, com destaque para os avanços mais recentes nessa área de conhecimento.

A visão que positivista da ciência excluiu a ciência qualitativa em favor de uma ciência empírica de base indutiva, provavelmente baseada na frase de Newton hypotheses non fingo, “não formulo hipóteses”. No livro Princípios Matemáticos, no capítulo Escólio geral, Newton assim se manifestou sobre o assunto:
Mas até aqui não fui capaz de descobrir a causa dessas propriedades da gravidade a partir dos fenômenos, e não construo nenhuma hipótese; pois tudo que não é deduzido dos fenômenos deve ser chamado uma hipótese; e as hipóteses, quer metafísicas ou físicas, quer de qualidades ocultas ou mecânicas, não têm lugar na filosofia experimental. Nessa filosofia as proposições particulares são inferidas dos fenômenos, e depois tornadas gerais pela indução.
(NEWTON, 2000, p. 258)
Assim, a não criação de hipóteses levava o cientista a lidar diretamente com os fatos, sem pré-conceitos a respeito deles, numa atitude considerada neutra.
Tal visão foi fundamental para a epistemologia desenvolvida pelo Círculo de Viena. Essa corrente de pensamento expressou a convicção de que apenas o método indutivo poderia diferenciar a ciência do pensamento especulativo da pseudo-ciência (JAPIASSU, 1988).
No método indutivo, o cientista tem apenas a pergunta, mas não a resposta. Ele pesquisa um assunto estudando caso após caso, esperando que a ciência lhe dê a resposta na forma de uma generalização que possa vir a ser aplicada a todos os casos posteriores.
Karl Popper, no entanto, demonstrou que a via da indução levava a ciência a um impasse. Ele se perguntou como é possível que casos singulares possam ser usados para a criação de uma teoria geral.
A essa questão, Popper responde dizendo que, por maior que seja o número de enunciados observacionais verificados, não temos o direito de concluir pela existência da verdade de uma teoria universal. E a razão que ele dá é a seguinte: uma teoria universal afirma algo que ultrapassa, de muito, aquilo que pode ser expresso numa enorme quantidade de enunciados observacionais. (JAPIASSU, 1988, p. 94).
Em lugar da indução, Popper propõe, como princípio científico, o método hipotético dedutivo.  “A partir de uma idéia nova, formulada conjecturalmente e ainda não justificada de algum modo – antecipação, hipótese, sistema teórico ou algo análogo – podem-se tirar conclusões por meio da dedução lógica”. (POPPER, 2003, p. 33).
A visão epistemológica de Popper baseia-se no princípio do falseamento, segundo o qual só é científico o enunciado que possa vir a ser falseado. Assim, cabe ao cientista realizar uma hipótese dedutiva e coloca-la à prova. à prova, confrontando-a com os dados empíricos. “Daí se segue que todo teste genuíno de uma teoria é uma tentativa de refutá-la. Uma teoria é testável na medida em que for possível dizer em que condições ela seria dada como falsa.” (CARVALHO, 1994, p. 70)
A partir de Popper, a hipótese passou a ser parte fundamental do trabalho científico a ponto de alguns autores afirmarem que um trabalho não é científico se não tiver por base uma hipótese.
         Valdir Viegas afirma que a hipótese é a ferramenta do cientista:
Hipóteses desempenham papel importante no processo de pesquisa científica, quer do ponto de vista pragmático, quer do ponto de vista lógico. Pragmaticamente, a hipótese é uma garantia de via metódica na busca da explicação, evitando a dispersão do pesquisador; sob o aspecto lógico, ela tende a conduzir o pesquisador com mais eficácia até as causas de um fenômeno. (VIEGAS, 1999, p78).
Segundo Köche (2002, p.109), “O principal objetivo da investigação científica é, justamente, o de saber se essa sugestão apresentada, isto é, essa hipótese, enquanto enunciado objetivo e independente do pesquisador, será corroborada ou faseada.”.
Kerlinger (1980, p. 38) afirma que “Problemas e hipótese são semelhantes. Ambos anunciam relações, só que os problemas são sentenças interrogativas e as hipóteses são sentenças afirmativas. Às vezes são idênticos em substância.”. Para esse autor, a diferença entre os dois está na especificidade. Hipóteses são mais específicas, o que, aliás, lhes confere a possibilidade de falseamento. Assim, hipóteses generalistas, como “Vai chover amanhã” não são científicas.
Para Rúdio (2002), a hipótese deve ter as seguintes características: plausível; consistente; específica; verificável; clara; simples; econômica e explicativa.   
Eva Maria Lakatos e Marina de Andrade Marconi, no livro Metodologia do trabalho científico, afirmam que as hipóteses podem ser básica e secundária. “A principal hipótese é denominada hipótese básica, podendo ser complementada por outras, que recebem a denominação de secundárias.”(LAKATOS; MARCONI, 1991, p. 104). Para as autoras, as hipóteses secundárias são afirmações complementares à básica, abarcando em detalhes o que a hipóteses afirma em geral, englobando aspectos não especificados na básica, identificando relações deduzidas na primeira, decompondo em pormenores a afirmação geral e apontando outras relações possíveis de serem encontradas. 

REFERÊNCIAS

CARVALHO, Maria Cecília M. de (Org.). Construindo o saber. Campinas: Papirus, 1994.
CERVO, A. L. ; BERVIAN, P. A. Metodologia científica. São Paulo: McGraw-hill, 1983.
JAPIASSU, Hilton. Introdução ao pensamento epistemológico. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1988.
KERLINGER, Fred N. Metodologia da pesquisa em ciências sociais. São Paulo: EPU, 1980.
KÖCHE, José Carlos. Fundamentos de metodologia científica. Petrópolis: Vozes, 2003.
LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Metodologia do trabalho científico. São Paulo: Atlas, 1991.
NEWTON, Isaac. Princípios matemáticos, Óptica, o peso e o equilíbrio dos fluídos. São Paulo: Nova Cultural, 2000.
POPPER, Karl. A lógica da pesquisa científica. São Paulo: Cultrix, 2003.
RÚDIO. Franz Victor. Introdução ao projeto de pesquisa. Petrópolis: Vozes, 2002.

quinta-feira, janeiro 17, 2019

PET SEMATARY "Dead Is Better" TV Spot [HD] Jason Clarke, John Lithgow, A...

Receita de bolo de laranja

INGREDIENTES

  • 4 ovos
  • 2 xícaras (chá) de açúcar
  • 1 xícara (chá) de óleo
  • suco de 2 laranjas
  • casca de 1 laranja
  • 2 xícaras (chá) de farinha de trigo
  • 1 colher (sopa) de fermento

MODO DE PREPARO

  1. Bata no liquidificador os ovos, o açúcar, o óleo, o suco e a casca da laranja.
  2. Passe para uma tigela e acrescente a farinha de trigo e o fermento.
  3. Leve para assar em uma forma com furo central, untada e enfarinhada, por mais ou menos 30 minutos.
  4. Desenforme o bolo e molhe com suco de laranja.

As aventuras do pequeno Xuxulu


Crepax: a psicanálise chega aos quadrinhos


O quadrinho erótico sofisticado, surgido na França, encontrou na Itália o seu ponto de maior sucesso de público e crítica.
Gonçalo Júnior, no livro Tentanção à Italiana, diz que as HQs eróticas italianas foram diretamente influenciadas pelos filmes de cineastas como Fellini, Visconti e Pasolini e pelas transformações  pelas quais passava a sociedade italiana da época, que abandonava a rígida moral católica para entrar de cabeça na revolução sexual.
Entre os autores que se destacaram por colocar o quadrinho erótico italiano na categoria de o mais popular e respeitado do mundo, um nome se destacou por ter sido o primeiro a explorar o erotismo como uma forma de arte e pelo uso arrojado da linguagem quadrinística: Guido Crepax.
Crepax se interessou por quadrinhos desde muito pequeno. Aos 12 anos, ele fez a adaptação do romance O Médico e o Monstro. Quando cresceu, estudou arquitetura, engenharia e ficou famoso pelas capas de LPs e pelas ilustrações para livros, revistas e publicidade. Com o tempo, começou a ser visto como um artista gráfico revolucionário.
Em 1965 surgiu a revista Linus, voltada para fãs de quadrinhos. Era dirigido por alguns dos mais importantes intelectuais italianos, entre eles o filósofo Umberto Eco. Crepax foi convidado a colaborar por causa de seu trabalho gráfico inovador. Para sua estréia, ele criou o personagem Neutron, uma espécie de super-herói com poderes mentais. Logo na primeira história, ele é apresentado a uma elegante fotógrafa chamada Valentina. A personagem chamou tanta atenção dos leitores, que o desenhista resolveu transformá-la em protagonista, abandonando Neutron.
Fisicamente, a personagem era semelhante a Elisa Crepax, mulher do desenhista, com cabelo curto e franja cobrindo toda a testa. Valentina lembrava também, e muito, a atriz norte-americana Louise Brooks, estrela do filme “A caixa de Pandora”, de 1929. Crepax era tão apaixonado pelo filme que resolveu homenageá-lo em sua série. Assim, Valentina resolvera adotar aquele visual após assistir ao filme, como ele explicaria mais tarde.
A personagem era independente e sensual, encarnando a mulher de seu tempo e tornando-se símbolo da revolução sexual. Também se diz que foi em Valentina que Freud encontrou os quadrinhos eróticos. Cada HQ de Valentina era como uma sessão de terapia, na qual ela liberava suas fantasias eróticas com uma imaginação desenfreada. Outro em ponto em contato com os anos 1960 eram as viagens psicodélicas (embora estas não fossem motivadas por drogas). A personagem imaginava-se em meio a fantasias lésbicas, sadomasoquisas e surreais.
Os recursos gráficos usados por Crepax eram absolutamente inovadores para a época, com closes, planos detalhes, cortes bruscos e uso genial do claro-escuro e da hachura. Além disso, Crepax transformou os cenários e a até as roupas em elementos que ajudavam a compor a história. Poucas vezes a lingiere foi mostrada tão detalhadamente em uma HQ e certamente nunca a roupa íntima feminina serviu tão bem aos propósitos eróticos.
Depois do sucesso de Valentina, Crepax criou Bianca, uma aluna em um colégio interno, e Anita, que ficou famosa ao fazer sexo com o televisor. Mas o auge da carreira desse quadrinista foram as adaptações de obras literárias eróticas, como A história de O, Emmanuele e A Vênus das peles.
Nessas obras, Crepax não se esmerava em desenhar homens. Muito pelo contrário, eles constantemente pareciam grotescos, mas caprichava nas mulheres. Elas eram sempre altas, magras e sensuais.
Quando Crepax morreu, em 2003, era uma celebridade que abrira as portas para que os quadrinhos eróticos italianos fossem vistos como uma forma de arte.

quarta-feira, janeiro 16, 2019

Cola não cola


Existe uma espécie de guerra não declarada entre professores e alunos: os alunos estão sempre procurando maneiras mais eficientes de colar e os professores estão sempre bolando uma forma de acabar com a graça dos estudantes.
Quando eu era mais jovem, tinha um colega de cabelo black power que era particularmente útil nos dias de avaliação. Ele transformava o assunto em pequenos rolinhos de papel e enfiava na cabeleira. Na hora da prova, era só tirar o papel e fazer uma breve consulta. Como os rolinhos sempre voltavam para a cabeleira e ele nunca lavava a cabeça, o cabelo daquele rapaz era uma verdadeira enciclopédia de assuntos escolares.
Uma forma óbvia de colar é colocar as anotações debaixo da prova. Mas é também a mais perigosa. Uma vez percebi que uma aluna estava usando esse estratagema e me postei ao lado dela, esperando o descuido. O descuido não veio, mas também ela não fez mais nada. Ficou suando e olhando o tempo todo por cima dos ombros, coitada. Tive vontade de dizer: “Ei, pode usar essa cola!”, mas o instinto sádico falou mais alto.
Tem aquela de colocar a cola no meio das pernas, uma situação particularmente constrangedora. Dois professores estavam passando uma prova quando um perguntou ao outro: “Você viu a cola no meio das pernas daquela aluna?”. E o outro: “Mudou de nome?”.
Mas a minha lembrança predileta de colas aconteceu quando passei uma prova em uma turma famosa por usar colas. Elaborei quatro tipos de provas, mas fiz marcação cerrada, andando entre os alunos, para que eles não desconfiassem. No final, quando só havia uma aluna na sala, os outros acharam que todos já tinham terminado e entraram perguntando:
- Professor, tinha mais um tipo de prova?
Ao que eu respondi:
- Tinha quatro!.
A aluna que ainda fazia a prova levou as mãos à cabeça e gritou:
- Mais de um tipo? Ai meu Deus, estou ferrada!

Projeto de pequisa: hipótese

A hipótese é uma resposta provisória para o problema. É sempre representada por uma frase afirmativa e deve, preferencialmente, estabelecer a relação entre as mesmas variáveis do problema:

EXEMPLO:

PROBLEMA: O uso do computador torna as pessoas mais solitárias?

HIPÓTESE: O computador promove a socialização de tímidos.

         As hipóteses podem ser indutivas ou dedutivas. Se forem indutivas, pesquisa-se vários casos para se chegar a uma lei geral. Parte-se do singular para o universal. A hipótese dedutiva parte do universal para o singular. Assim, formula-se uma lei geral, que deve ser confirmada ou falseada pelo estudo dos casos. Atualmente a hipótese dedutiva é mais usada.
         Lembre-se: sua hipótese pode ser confirmada ou falseada.
         Sua hipótese deve permitir o falseamento, assim, quanto mais específica for, melhor. Popper já dizia que o enunciado “Vai chover amanhã” não é científico, pois certamente vai chover amanhã em algum lugar do mundo. É impossível falsear essa hipótese.
         Imaginemos o seguinte problema:
         A doença X é causada por uma bactéria ou um vírus?
         A hipótese pode ser ou “A doença X é causada por uma bactéria” ou “A doença X é causada por um vírus”.  A hipótese: “A doença X é causada por uma bactéria ou por um vírus” não é científica, pois é difícil de ser falseada.
         Rudio (2002, p.990) explica que uma hipótese deve ser: a) plausível; b) consistente; c) específica; d) verificável; e) clara; f) simples; g) econômica; h) explicativa.
         A seguir, analisaremos cada um desses critérios.
Plausível
A hipótese deve indicar uma situação possível de ser admitida. Assim, diante da problemática “O remédio X cura a inflamação de garganta?”, não serve a formulação: “O remédio X cura imediatamente não só a inflamação de garganta, como a diarréia, o câncer de mama e alergia”. A hipótese não é científica porque, primeiro, nenhum remédio cura imediatamente uma doença e, segundo, nenhum remédio consegue curar doenças tão díspares quanto inflamação de garganta, diarréia e câncer de mama. Formulações desse tipo são características da pseudociência, não da ciência.

Consistente
         A consistência indica que a hipótese não está em contradição com o conhecimento científico existente. Ela também indica que o enunciado não tem contradições internas. Assim, não serve a hipótese: “O remédio X cura a inflamação de garganta, pois essa  doença não tem causas físicas e só pode ser curada  através de um processo espiritual”. A hipótese está errada, pois o conhecimento científico tem demonstrado que a inflamação de garganta tem sim causas físicas. Além disso, o enunciado tem uma contradição interna. Se a doença só pode ser curada através de um processo espiritual, então um remédio físico não pode curá-la.
         É importante notar que há situações incomuns em que as hipóteses vão contra o paradigma dominante. Entretanto, essas hipóteses revolucionárias são baseadas em fatos científicos que não se encaixam na explicação do paradigma, as chamadas anomalias.

Específica
         O enunciado deve ser específico. Hipóteses muito amplas são impossíveis de serem falseadas. Assim, não serve a hipótese: “O remédio X cura doenças”. Quais são as doenças que ele cura? Em que situação? Outro exemplo: “Em qualquer caso, em qualquer situação, o uso de psicotrópicos levará seus consumidores a praticarem crimes”. É impossível observar qualquer caso, qualquer situação referente a esse fenômeno. Por outro lado, uma hipótese específica caracteriza-se como científica: “Os jovens do bairro do Congós em Macapá, envolvidos em crimes no ano de 2000, na sua maioria, são consumidores de drogas psicotrópicas”.

Verificável
         A hipótese deve ser verificável em termos do conhecimento científico atual. Assim, a hipótese “O remédio X cura doenças de origem espiritual” não é científica porque não tem como investigar o espírito humano. Outro exemplo de hipótese que não pode ser verificada: “Os crimes são cometidos por influência de forças malignas”

Clara
         A hipótese deve ser a mais clara possível. Termos não muito claros devem ser evitados, assim como frases repletas de períodos compostos. Exemplo: “Num contexto holístico humano, dentro de uma perspectiva pós-moderna do neoliberalismo contigente, o remédio X pode servir de paliativo numa situação de enfermidade crônica”.
Simples e econômica
         Deve-se evitar todas as palavras que não são necessárias à hipótese. Não enrole ou use uma linguagem pomposa. Exemplo: “Diante do problema dado, pode-se afirmar que o remédio X, de ótima fórmula, cura a doença Y, que tantas vítimas tem feito”. Para começo, toda a parte inicial da hipótese pode ser simplesmente eliminada. “Diante do problema dado” não acrescente nada à hipótese. Ademais, expressões como “de ótima fórmula” ou “que tantas vítimas tem feito” só servem para embelezar a frase, mas não trazem nenhuma informação. Podem, portanto, ser cortadas.

Explicativa


         A hipótese deve, obrigatoriamente, se relacionar com o problema. Uma hipótese que não responda à problemática não tem utilidade. Assim, diante do problema “O remédio X cura a doença Y? “ não serve a hipótese: “O remédio X tem um sabor agradável”.

terça-feira, janeiro 15, 2019

X-MEN: revolução nos filhos do átomo


Embora já começassem a chamar a atenção desde o início da nova fase, os X-men só se tornaram um sucesso estrondoso a partir da saga de Protheus.
Protheus era um mutante extremamente poderoso, capaz de manipular a realidade. Mas tinha um defeito: para viver, precisava possuir corpos de pessoas, que não sobreviviam muito tempo. Essa necessidade constante de corpos criaria uma verdadeira carnificina por onde ele passava.  
A trama mostrava que a série era revolucionária e estava anos luz à frente da maioria dos quadrinhos publicados na época.
Para começar, havia a violência. Protheus era um vilão de verdade, que matava pessoas friamente e representava um perigo real para a humanidade. A relação dele com o pai, de amor e ódio, mostrava um aspecto psicológico avançado para os gibis de super-heróis. Até mesmo seu poder de alterar a realidade, era algo novo nos quadrinhos.
Diante de um inimigo tão perigoso, só restou uma opção aos X-men: matá-lo usando contra ele sua única fraqueza: o metal.
Na década de 1970, super-heróis não matavam, sob circunstância nenhuma, mas a revista dos X-men estava mudando padrões.
A saga seguinte cairia como uma bomba nos gibis de super-heróis e seria a grande responsável pela popularidade do título nos anos seguintes.
Os autores resolveram trazer a Fênix de novo, mas como lidar com uma personagem que tinha poderes muito maiores do que os dos outros membros? Simples: transformando-a em uma vilã!
A Saga da Fênix mostrava a personagem tendo flashbacks do que parecia ser uma encarnação passada dela, em que ela participava do Clube do Inferno, sendo esposa de um dos seus líderes, Jason Wyngarde. Na verdade, tratava-se de uma trama de um antigo inimigo dos X-men, o Mestre Mental, que pretendia dominar a heroína para usar seus poderes em interesse próprio.
A revista começou a chamar a atenção dos chefões de Marvel e a equipe acabou sofrendo duas interferências editoriais.  A primeira delas é que a Mansão X deveria justificar o nome de Escola para Jovens Superdotados do Professor Xavier e, portanto, deveria ter pelo menos um aluno. A segunda é que a revista deveria ser usada como trampolim para o lançamento de uma personagem baseada na dance music, Cristal.
Claremont e Byrne fizeram Xavier voltar à equipe e pedir para seus pupilos contatarem duas novas mutantes. Uma delas era Cristal, a outra era uma jovem chamada Kitty Pryde que tinha poderes de atravessar a matéria.
Kitty Pride acabou sendo um achado, pois providenciou uma identificação com o público jovem. Além disso, ela foi a primeira heroína declaradamente judia dos quadrinhos.
Em busca das duas novas mutantes, os X-men acabam tendo de enfrentar o Clube do Inferno e uma nova vilã, a Rainha Branca. Essa personagem fez grande sucesso com os leitores. Era loira, linda, e só usava roupas fetichistas.
Os heróis conseguem derrotar os oponentes e decidem entrar na sede do Clube do Inferno para descobrir porque estavam sendo caçados. Ao entrarem na sede do clube, acabam sendo derrotados depois que o Mestre Mental toma o controle da Fênix, que passa a se chamar Rainha Negra.
Um único mutante sobrevive: Wolverine, e a ele resta a missão de libertar os companheiros. As sequências em que ele anda pelos esgotos, derrotando os inimigos é seu ponto máximo. A partir dali, ele se tornaria o herói mais popular dos X-men e um dos mais populares dos gibis de super-heróis.
Wolverine consegue libertar os amigos e Fênix, liberada do domínio do Mestre Mental, vinga-se do Clube do Inferno. Mas a saga estava apenas chegando ao seu ápice. Na sequência, Jean Grey perde o controle e transforma-se na Fênix Negra.
A nova criatura derrotou facilmente os X-men e foi para o espaço alimentar-se. Sua fome de poder era tão grande que ela sugaria a energia de uma estrela. Byrne achou que devorar uma estrela não teria tanto impacto se nas proximidades não tivesse um planeta habitado. Assim, ele retratou um planeta seres inteligentes sendo destruído no processo.
A idéia dos autores para a continuação dessa trama era simples: Fênix voltava para a Terra, derrotava os X-men, mas o Professor Xavier, com a ajuda do lado bom de Jean, acabaria afastando a Fênix Negra e reduzindo os poderes da heroína aos níveis de quando ela se chamava Garota Marvel. Em seguida, a imperatriz Lilandra, do Império Shiar, aparecia e levava os X-men para a Lua, onde eles deveriam combater a Guarda Imperial. Com a vitória da Guarda, Jean passaria por um processo no qual perderia todos os seus poderes e sairia do grupo. Com isso, o problema dos super-poderes da Fênix (que dificultava a elaboração dos roteiros) seria definitivamente resolvido.
Acontece que nesse período a edição que mostrava a Fênix destruindo um planeta habitado caiu nas mãos do editor-chefe da Marvel, Jim Shooter e esse ficou horrorizado. Para ele, não havia a opção final feliz. A personagem tinha que sofrer. Ele exigiu que a personagem fosse enclausurada num asteróide, onde seria torturada por toda a eternidade. Claremont e Byrne, ao ouvir essa exigência, disseram: Por que não a matamos de uma vez? E foi isso que fizeram. A edição, que já estava pronta, foi retrabalhada para que a Fênix acabasse se suicidando para evitar se transformar novamente na Fênix Negra.
A morte da personagem causou uma comoção sem tamanho entre os fãs. Nunca tinha acontecido de uma personagem importante, em plena ascensão, morrer nos gibis de super-heróis. A edição com a morte esgotou rapidamente e, a partir daí o título começaria seu caminho para se tornar o mais vendido do mercado.

Dez dicas para roteiristas de quadrinhos


1 - Não leia só quadrinhos. Um bom roteirista de quadrinhos lê de tudo: livros, revistas, jornais etc.
2 - Não leia só quadrinho americano ou japonês. Argentina, Inglaterra, França, Itália e Brasil são países que produzem ótimas HQs, que você deve conhecer.
3 - Sempre pesquise. Se sua história é sobre um advogado, pesquise livros jurídicos, pesquise sobre como funciona a justiça. Se for sobre o Egito, procure livros de história. 
4 - Não tente contar a história do universo. Comece com histórias curtas.
5 - Faça com que seu roteiro seja agradável para o desenhista. Se for necessário contar uma piada para que a leitura do roteiro seja mais agradável, conte.
6 - Imagine a cena visualmente antes de escrevê-la. Se houver mais de uma ação, divida em mais de um quadrinho.
7 - Produza. Seu texto só vai melhorar se você produzir continuamente.
8 - Use como referência grandes roteiristas, mas aos poucos busque estabelecer um estilo próprio.
9 - Não seja um colonizado. Esqueça Nova York. Faça histórias sobre sua realidade. Se o leitor viver a mesma realidade que você, a identificação será mais fácil.
10 - Seja obetivo. Não encha os balões de texto desnecessário. Nunca diga com o texto algo que o desenho já está dizendo.

As aventuras do pequeno Xuxulu


segunda-feira, janeiro 14, 2019

Thor – Ragnarok




A dupla Jack Kirby – Stan Lee foi responsável por criar a maior parte da mitologia Marvel. Todo o trabalho da dupla é digno de nota, mas foi em Thor que a habilidade de Kirby para criar mundos e conceitos e a habilidade de Stan Lee para o dramático e épico encontraramseu ponto mais alto. E, de todo o trabalho da dupla no personagem, a saga de Ragnarok é o pico absoluto.
Na história, Mangog, um mostro que encarna milhões de seres que em tempos antigos tentaram invadir asgard e foram detidos por Odin. Agora o mostro foi libertado e quer vigança. Para isso, ele pretende tirar a espada de Odin da bainha, provocando o Ragnarok, o fim dos tempos. Para piorar, Odin está dormindo o sono do qual não pode despertar, de modo que resta a Thor e seus amigos tentarem impedir a ameaça que pode destruir todo o universo.
Essa saga se estendeu dos números 153 a 157 da revista The Mighty Thor, reunidas no volume XIII da coleção e graphics clássicas da Salvat.
A história começa com o fim de uma saga anterior. Thor lança o troll Ulik no abismo das sombras e, ao se agarrar em uma saliência, ele descobre o local onde Mangog está preso e o liberta.
Isso era resultado da maneira como a dupla Lee-Kirby construía a trama de Thor: como uma grande saga, em que tudo se interligava. Assim, o final de uma trama ensejava o início de outra.
Há um intervalo em que Thor e Loki lutam na Terra (com Thor se transformando em Donald Blake, recurso muito usado na época para aumentar o suspense) e a deusa Sif sendo ferida mortalmente.
Mas é quando Mangog avança na direção de Asgard que a trama, que já estava eletrizante, esquenta de vez. O ritmo narrativo é alucinante como uma ópera que vai num crescendo até o final apoteótico. O desenho de Kirby vai se tornando mais grandioso a cada quadro e o texto de Lee marca o tom épico. “Então o momento é este!”, diz Thor, à medida em que o monstro se aproxima para retirar a espada e provocar o Ragnarok. “É aqui que lutamos! Aqui resistimos! E, se o destino assim decretar... é aqui que todos pereceremos!”.

Projeto de pesquisa: problema

Todo trabalho começa com um questionamento, uma pergunta que deve ser respondida. De acordo com Köche , um problema inteligente é aquele que contem uma possível resposta e delimita a pesquisa, além de relacionar duas ou mais variáveis: “Um problema de investigação delimitado expressa a possível relação que possa haver entre, no mínimo, duas variáveis conhecidas. Deve ser uma pergunta inteligente, isto é, que indique os possíveis caminhos que devem ser seguidos pelo investigador”.

Assim, o problema abaixo não é uma pergunta inteligente:

Qual o impacto das novas tecnologias sobre o comportamento das pessoas?

         O que há de errado com ele? Primeiro, ele não delimita a pesquisa, segundo ele não faz relação entre variáveis. O mesmo problema poderia ser melhor expresso da seguinte maneira:

O uso do computador torna as pessoas mais solitárias?

Formulado assim, o problema nos dá uma idéia de como deveremos fazer a nossa pesquisa e até a respeito da metodologia necessária para responder a essa pergunta. Ele estabelece uma relação entre uma variável independente (uso do computador) e uma variável dependente (aumento de solidão).
         A problemática deve ser elaborada de forma clara e precisa.
         Um outro exemplo:
         Qual a causa do grande número de assassinatos com armas brancas em Macapá?
         A problemática acima, embora seja uma pergunta, não cumpre a função de delimitar a pesquisa e indicar uma relação entre variáveis.
         O mesmo problema seria melhor descrito da seguinte maneira:
         O grande número de assassinatos com armas brancas em Macapá é provocado pelo uso abusivo de bebidas alcoólicas?
         Redigida assim, o problema dá ao pesquisador uma boa noção de como fazer a pesquisa. Ele deverá procurar uma relação entre os assassinatos com arma branca (variável dependente) e o consumo abusivo de bebidas alcoólicas (variável independente).
         Segundo Rudio (2002, p. 94), o problema deve apresentar três qualidades fundamentais: a) enunciar uma questão cuja melhor solução seja uma pesquisa; b) apresentar uma questão que possa ser resolvida através de processos científicos; c) ser factível com relação à capacidade de pesquisa do investigador. 
         Assim, indagar quantos dias tem o ano não é um problema científico, pois a resposta é conhecida e não é necessário pesquisar para descobri-la.
         Da mesma forma, questões que não possam ser resolvidas cientificamente não servem. Por exemplo: qual é a cor das asas dos anjos? Até o momento, a ciência não desenvolveu instrumentos que permitam descobrir a resposta para essa pergunta. Esse, portanto, não é um problema científico.
         Quanto ao item c, muitas vezes os alunos escolhem um problemática que demanda grandes recursos ou toda uma equipe. Exemplo: “O papel da mulher sofreu alterações na literatura de todos os países do mundo na virada do século XIX para o século XX?”. Uma problemática dessas é impossível de ser realizada por um único pesquisador. Semelhante tema poderia ser melhor formulado da seguinte maneira: “O papel da mulher sofreu alterações significativas na literatura brasileira durante a virada do século XIX para o século XX?”.

domingo, janeiro 13, 2019

Quadrinhofilia

Quadrinhofilia foi o nome de uma antologia de trabalhos do quadrinista curitibano José Aguiar publicada pela editora HQM no ano de 2008. Aguiar desenhou três histórias minhas, duas adaptações de contos: Em entropia um astronauta sozinho em uma estação espacial vê a terra sendo invadida por naves extraterrestres; Invasão é uma história de terror no estilo dos filmes B dos anos 1950.
Mas nosso melhor trabalho juntos é a adaptação do filme expressionista O Gabinete do Dr. Caligari. Caligari é um dos maiores clássicos do terror e um dos meus filmes prediletos de todos os tempos.
Lembro que foi um trabalho de fôlego: assistimos ao filme mais de uma vez, fazendo anotações e comentando aspectos relevantes para a adaptação.

O resultado foi uma história em quadrinhos que resgata toda a complexidade da obra original, inclusive com seus diversos sentidos.

A página que mostra pela primeira vez o sonâmbulo Cesare é a minha preferida, com o personagem avançando pelos quadrinhos, o que destaca sua figura alongada e soturna ao mesmo tempo em que quebra com a normatividade da diagramação dos quadrinhos da mesma forma que Caligari quebrou com diversas convenções do cinema da época.