terça-feira, fevereiro 25, 2020

Batman vs Hulk

Depois do sucesso do encontro do Super-homem e Homem-aranha surgiu a ideia de realizar mais um crossover entre heróis da Marvel e da DC. Os escolhidos foram Batman e Hulk. Para realizar a história foi chamado o roteirista Len Wein (que já trabalhara na Marvel e estava na DC) e o desenhista José Luís Garcia-Lopez, o mais emblemático ilustrador da DC.
Um encontro entre o homem morcego e o gigante esmeralda é um desafio absoluto de roteiro. A diferença de poder entre os dois é tão gritante que torna qualquer trama difícil, ainda mais uma trama que deixasse os dois personagens com igual nível de protagonismo, como queria a direção das duas editoras.
Wein escolhe como vilões o Coringa e o Figurador, um personagem alienígena capaz de transformar sonhos em realidades, e usa esses dois personagens numa trama bem elaborada e muito mais complexa do que o crossover anterior das duas editoras.
Para começo de conversa, o Figurador não é retratado como um vilão clássico. Enquanto na DC a diferença entre heróis e vilões é uma linha muito clara, na Marvel essa diferença é muitas vezes é apenas de intenção – e outras vezes nem isso. Conhecendo bem a diferença entre as duas abordagens, Wein as explora corretamente. Assim, o Coringa quer transformar o mundo à sua semelhança (nessa época ele ainda não havia se transformado no psicopata que conhecemos atualmente), enquanto o Figurador só quer uma maneira de se salvar.
Na parte dos heróis, tirando um ou outro roteirismo (como Batman chutando a barriga do Hulk e fazendo-o aspirar um gás), temos uma boa dinâmica. Não fica óbvio que a coisa foi pensada milimetricamente para nenhum dos dois ter protagonismo.
Quanto aos desenhos... Garcia-Lopez conta que quando o convidaram para o projeto, mostraram o crossover anterior, desenhado por Ross Andru e ele duvidou que pudesse fazer algo tão bom. Não só fez, como superou o mestre Ross. Com arte final de Dick Giordano, o artista argentino faz com que cada página seja um deleite de dinamismo e perspectiva. Pena que o formatinho da Abril não favoreça a apreciação da arte.

5 ROTEIRISTAS de quadrinhos ESQUECIDOS que você deveria conhecer

Roteiro de quadrinhos: colocando texto nos balões

Há dois aspectos que se deve considerar ao escrever o texto numa história em quadrinhos. E, quando falo de texto, vale tanto para legendas quanto para diálogos.
O primeiro deles é que quadrinho não é literatura. O texto quadrinístico só existe em íntima coesão com a imagem. O roteirista deve pensar visualmente, imaginar como seu texto vai interagir com os desenhos e que tipo de impressão essa junção vai causar.
O segundo aspecto é que o roteirista deve saber quem são os personagens. O ideal é que até mesmo os personagens secundários tenham uma história. Quem são eles? Quais são suas motivações, quais são os seus medos, quais são suas esperanças? Há alguma história de vida que podemos contar sobre esse personagem e que ajudem a mostrar ao leitor quem é essa pessoa?
Essas duas preocupações sempre dominaram minha produção de roteiros. Exemplo disso é a história O farol, publicada pela editora Nova Sampa e, posteriormente, na editora norte-americana Phantagraphics, com o nome de Beach Baby.
Na história um casal está na praia quando vê surgir um farol. Eles entram no local para investigar e acabam se perdendo um do outro. A sequência que apresento abaixo mostra o momento em que o rapaz se perde da namorada, e se vê em local totalmente escuro, sendo dominado pelo medo. 
Eu e Joe Bennett trabalhávamos com o marvel way, um método que só funciona se o desenhista for um narrador nato, como é o caso do compadre. Nós discutíamos a história, ele ia para casa, fazia um rafe das páginas e me trazia. Era sempre um desafio escrever o texto, pois ele conseguia contar tudo só com imagens. Isso exigia o máximo do roteirista.
No caso dessa página, o que escrever? O desenho já explicava facilmente a situação: o rapaz estava perdido e entrando em desespero.
Não fazia sentido colocar o rapaz falando sozinho. Embora esse seja um recurso usando em algumas HQs, a verdade é que só malucos falam sozinhos.
Assim, preferi trabalhar os pensamentos do personagem, mas explicitados por um narrador em terceira pessoa, para conseguir o efeito desejado.
Reparem que o texto começa contando um detalhe sobre o personagem, uma pequena história da vida dele, mas segue num crescendo até a conclusão final. O texto do último parágrafo encaixa perfeitamente com a expressão do personagem, conseguindo um efeito tanto de impacto quanto de ironia.
 Reproduzo abaixo o texto:
“Fábio”
“Fábio”
“Fábio”
Ele repete o nome para si milhares de vezes.
Uma vez ele conheceu um ocultista, um homem  de óculos grosso e estante cheia de livros.
O homem disse que o nome de cada pessoa é um mantra para si mesmo.
Palavras sagradas que, repetidas várias vezes, trazem calma e paz de espírito.
Com Fábio isso não deu muito certo.

Mais uma prévia da capa do novo livro de Gian Danton

Mais uma prévia da capa do meu novo livro, que entrará na semana que vem no Catarse. Essa imagem já dá para ver melhor a pintura incrível do Chris Ciuffi, não? E aí vai mais detalhe sobre a história: é uma fantasia histórica que se passa no período da cabanagem.

O mestre do Kung fu

Na década de 1970, a grande moda eram as artes marciais. No cinema, os filmes de Bruce Lee eram sucesso de bilheteria. Na televisão, a série Kung Fu, com David Carradine (o “pequeno gafanhoto”) ganhava cada vez mais fãs. Não ia demorar muito, portanto, para que essa mania chegasse aos quadrinhos.
            A Marvel lançou o super-herói Punhos de Ferro, enquanto a DC lançou O Dragão do Kung Fu, sem falar nas pequenas editoras, que também publicaram revistas para aproveitar a febre. Mas o personagem mais famoso e mais emblemático dessa onda seria Mestre do Kung Fu, criado por Steve Englehart (roteiro) e Jim Starlin (desenhos).
            Os dois procuraram o editor-chefe da Marvel, Roy Thomas, com a proposta de adaptar para os quadrinhos o seriado de TV. Thomas lembrou que a série pertencia à Warner Bros, dona da DC. Então, ao oferecer a proposta para a Warner eles não só receberiam um não, como ainda dariam uma ótima idéia à DC Comics. Mas a editora do Super-homem já estava pensando em adaptar o seriado. Roberto Guedes, no livro A era de bronze dos super-heróis conta que Denny O´Neil teria alertado o Publisher da DC, Carmine Infantino,sobre a possibilidade da Marvel lançar esse material. “Não se preocupe. Se a Marvel lançar o Kung Fu, nós fazemos o Fu Manchu”. Fu Manchu era um vilão clássico dos pulp fiction (revistas baratas de contos, muito populares até a década de 1930). Roy Thomas ficou sabendo disso e resolveu comprar os direitos do personagem, transformando Fu Manchu no pai do herói da série.
            Assim, a revista em quadrinhos contava a história de Shang-Chi, um jovem mestre nas artes marciais, criado como uma arma viva por seu pai, Fu Manchu, que pretendia usá-lo para dominar o mundo. Ao descobrir as intenções de seu pai, Shang-Chi foge e se alia à agência britânica de espionagem, a MI-6, onde conhece aquela que seria sua namorada, Leiko Wu.
            A história estreou na revista Special Marvel Edition, 15 que passou a se chamar Master of Kung Fu a partir do número 17 por conta da popularidade do personagem.
            Embora Shang-chi tenha sido criado por Steve Englehart, foi Dough Moench que se estabeleceu no título, escrevendo as mais importantes histórias. Com a entrada de Paul Gulacy, estava formada a dupla favorita dos fãs.
            Gulacy tinha um traço fotográfico que espantou os fãs. Para tornar o trabalho mais realista, ele conseguiu uma cópia do filme Operação Dragão, projetou numa tela e fotografou as cenas congeladas. Assim, o personagem ficava com a cara de Bruce Lee.
            Gulacy desenhou a revista até o número 50, quando foi substituído por Jim Craig. Como este não conseguia cumprir os prazos, foi substituído por Mike Zeck.
            Mike Zeck costumava errar muito em anatomia e não tinha o traço fotográfico de Paul Gulacy, mas trouxe outras qualidades para a série. Seu desenho era fluido e elegante, e combinava muito bem com a nova fase do personagem, mais introspectiva. Depois das sagas centradas nas aventuras de espionagem, o gibi começou adentrar na filosofia zen budista e a explorar mais as relações entre os personagens.
            Esse foco ousado para um gibi de luta fez com que Mestre do Kung-Fu se destacasse de todas as revistas do gênero e durasse até o número 125, superando em muito o modismo das artes marciais. O último número, seguindo a linha introspectiva introduzida por Moench, mostrava o personagem se aposentando para se dedicar à filosofia oriental.
            Sem dúvida, a revista foi um dos grandes momentos da Era de Bronze dos quadrinhos americanos.  

segunda-feira, fevereiro 24, 2020

A arte impressionante de José Luis Salinas

José Luís Salinas é um desenhista de quadrinhos argentino. Sua carreira iniciou no final da década de 1920. Para a revista Patoruzu criou a série Hernán el Corsario, seu primeiro sucesso. Em 1949 mudou-se para os EUA onde passou a ilustrar a série de faroeste Cisco Kid, criado pelo escritor  O'Henry. Esse trabalho tornou-o conhecimento internacionalmente. Salinas, entretanto, se saía bem em qualquer gênero, especialmente quando seu trabalho exigia pesquisa histórica. 













Decadence, a HQ manifesto da dupla Gian-Bené


Decadence foi produzida para ser uma espécie de manifesto do novo tipo de horror que a dupla Gian Danton - Joe Bennett estava introduzindo no Brasil. Depois de uma rejeição inicial de alguns editores, o sucesso das primeiras histórias da dupla fez com que surgissem pedidos de novas histórias - e aí surgiu a ideia de fazer uma HQ que confrontasse o horror antigo, datado e o novo (não é à toa que o título da história é Decadence). Os dois quebraram a cabeça durante dias para tentar transformar isso numa trama, mas no final, a ideia acabou vindo num sonho de Gian Danton, que acabou sonhando até mesmo com a diagramação da história, logo transformada num rafe, seguido à risca por Joe Bennett. Decadence foi publicada na revisa Mephisto, terror negro. 

Fundo do baú - Esquadrão classe A


Esquadrão Classe A foi um dos seriados de maior sucesso em meados da década de 1980. No Brasil, passava no SBT e era um programa obrigatório para a garotada.
Em muitos sentidos, o Esquadrão era uma releitura dos Sete Samurais, filme clássico de Akira Kurossawa, no qual um grupo de samurais desempregados ajuda uma vila de agricultores atormentada por bandidos. Esse tema de heróis lidando com seus próprios problemas, mas encontrando tempo para ajudar pessoas necessitadas será a base de todos os episódios do seriado. Em todos eles, o grupo de soldados da fortuna é contratado por alguém com dificuldade com malfeitores.
Além da referência básica aos Sete Samurais, o Esquadrão trazia um contexto histórico. Veteranos da guerra do Vietnã, eles são condenados por um crime que não cometeram, conseguem fugir, mas têm sempre os militares em seus calcanhares.
O texto de abertura resumia bem o clima das histórias:
“Em 1972 uma unidade especial das forças armadas foi condenada no tribunal militar por um crime que não cometeu. Esses soldados logo conseguiram escapar da prisão de segurança máxima, se estabelecendo clandestinamente em Los angeles. Hoje, procurados pelo governo, eles sobrevivem como soldados da fortuna. Se você tem um problema, se ninguém pode ajudá-lo e se você puder achá-los, talvez você possa contratar o ESQUADRÃO CLASSE A”
A estrutura narrativa era quase sempre a mesma: fugindo dos militares, os heróis chegam em um local e se deparam com pessoas sendo oprimidas, seja por patrões cruéis, bandidos ou políticos. Comovidos, resolvem ajudar, mesmo sabendo que essa ajuda poderá fazer com que sejam finalmente pegos, o que quase acontecia, em todos os episódios.
A equipe era liderada pelo Coronel John Hannibal Smith (George Peppard), um líder nato, fanático por charutos. Bom ator, Hannibal costumava protagonizar o início dos únicos episódios em que a estrutura era um pouco diferente: nestes, alguém tentava contatar o grupo de soldados da fortuna, mas se deparava com alguém inconveniente, como um vendedor de cachorros quentes muito chato. Era o coronel. A maquiagem fazia com que mesmo os telespectadores mais assíduos fossem enganados, de modo que uma das diversões do seriado era tentar descobrir quem era Hannibal disfarçado. O nome do personagem é uma referência ao general cartaginês que quase destruiu o exército romano. Assim como o seu homônimo histórico, o líder da equipe é um grande estrategista e seus planos mirabolantes eram uma das atrações da série.  
Para concretizar seus planos, Hannibal conta com uma equipe bastante heterodoxa.
O Capitão H.M. Murdock é um especialista em pilotar qualquer tipo de aeronave, mas gastava a maior parte do tempo fazendo macacadas, conversando com a própria mão ou algo do gênero. Careteiro, Dwight Schultz, que interpretava o personagem, era um espécie de Jim Carrey da época e dava o toque humorístico ao seriado.
O tenente Templeton Cara-de-Pau , interpretado por Dirk Benedict, era o galã da série e o responsável por conseguir tudo necessário para colocar em ação os planos do Coronel. Com seu charme, ele conseguia tudo, mesmo que para isso precisasse trocar seus sapatos novos por uma bota de trabalhador.
Completando o grupo, havia o carismático Sargento Bosco Barracus ou B.A. (abreviação de Bad Attitude ou temperamento ruim), interpreado por Mr.T., um grosso de cabelos moicanos, mas que adorava leite, crianças e morria de medo de voar. Como em muitas missões era necessário embarcar num avião, ou num helicóptero, uma das atrações era tentar adivinhar que estratégia seria usada pelos outros para dopá-lo. Além disso, as brigas de B.A. com o Murdock criaram uma das grandes tensões do seriado, geralmente com resultados humorísticos. O personagem também era um gênio em mecânica e era essencial para colocar em prática os planos. Como a televisão da época não podia mostrar nada mais violento que algumas explosões e pessoas saltando, os roteiristas tinham que inventar geringonças, como uma máquina que atirava repolhos.
Mesmo com uma estrutura rígida e personagens estereotipados, o Esquadrão Classe A conseguia surpreender dar uma grande lição: é necessário ajudar os outros, deixando nossos interesses em segundo plano. 

Marketing: design


Uma das grandes pistas de qualidade é o design do produto. Nele são apresentados vários elementos que podem destacar o produto no ponto de venda, diferenciando-o de todos os outros.
A cor, por exemplo, é um elemento essencial. Um carro branco tem muito menos valor do que um carro de colorido metalizado. A cor aí está associada ao status.
Pense na cor dos detergentes, usados para lavar louça. Você já viu um da cor marrom? Provavelmente não, pois essa cor não passa a ideia de limpeza. Já a transparência está intimamente ligada à higiene.
Certa vez fizeram uma experiência para identificar os aspectos psicológicos relacionados à cor dos alimentos. Fizeram dois pudins de baunilha, mas colocaram corantes da cor marrom. Um deles recebeu pouco corante, o outro, bastante. Serviram essas sobremesas para um grupo de pessoas e perguntaram qual era o sabor. A resposta foi unânime: chocolate. Então perguntaram qual tinha sabor mais acentuado de chocolate. A resposta: aquele que estava mais escuro (pois tinha recebido mais anilina). A terceira pergunta pediu que o grupo identificasse o mais cremoso. A resposta: o que estava mais claro.
A cor pode ser usada para identificar o produto (o amarelo para a Maizena, o vermelho para a Coca-Cola, o azul para a Pepsi) ou para dar uma pista de qualidade (transparente, azul ou verde para produtos de limpeza).
As imagens constituem outro elemento importante do design. É comum ter fotos de pessoas que representam o público-alvo consumindo o produto ou fazendo atividades que demonstrem benefícios (a embalagem do Nescau Cereal costuma trazer pessoas praticando esportes).
Alguns cuidados são importantes na hora de escolher uma imagem para a embalagem. Os produtos alimentícios, por exemplo, apresentam fotos que provocam fome. A comida é fotografada de cima para baixo, da posição que a pessoa vê quando está comendo.
No caso de lingerie, as fotos nunca apresentam o rosto da modelo, para que a cliente possa “colocar seu rosto” ali, imaginando-se usando o produto.
Fotos e desenhos esquemáticos, geralmente no verso da embalagem, também ajudam o cliente a entender como usar o produto.
Outro elemento importante é a tipologia da embalagem. Uma letra gorda em um produto light estraga toda a embalagem. Assim, a escolha da tipologia é essencial para dar personalidade ao produto. Letras mais joviais podem ser usadas em produtos para jovens. Letras tradicionais em produtos cujo público seja conservador, ou que se queira dar um ar de sofisticação.
Existe uma certa ordem das palavras na embalagem. Primeiro, em destaque, vem o nome do produto. Depois vêm a designação do produtos e as informações complementares, que comunicam os atributos dele. Depois vêm os textos legais e obrigatórios, de acordo com a legislação.
A forma da embalagem é um elemento essencial para passar a personalidade do produto. Ela pode servir para diferenciá-lo, como aconteceu com a Coca-Cola, a aguardente Velho Barreiro e o queijo Polenguinho. Também é um ótimo elemento para destacar o produto no ponto de venda. O Nescau Cereal, quando surgiu, veio em uma embalagem grande, maior que a dos outros cereais, que era um verdadeiro outdoor no ponto de venda.

O ditador

O Ditador é um filme de Sacha Baron Cohen (Borat) lançado em 2012. Foi, certamente, a melhor comédia do ano, o tipo de filme que você ri tanto que acaba perdendo alguma coisa. As piadas já começam nos nomes: Alladim é o ditador de Wadyia, um país rico em petróleo que está criando sua própria bomba atômica (todos os meus amigos ditadores têm armas atômicas, reclama o protagonista, como uma criança birrada). Para evitar um ataque da ONU, ele precisa ir a Nova York fazer uma declaração. É quando ele sofre um atentado e é substituído por um sósia. O filme desconstrói as expectativas, fazendo o expectador torcer por um odioso ditador.
Difícil destacar qual a melhor cena. Talvez aquela em que o ditador muda o dicionário, trocando várias palavras pelo seu nome, inclusive positivo e negativo (o médico, com o resultado de um exame na mão pergunta ao paciente se ele quer a informação Aladim ou Aladim) ou aquela em que o ditador precisa aliviar os bolsos de peso e se descobre que ele levou uma garrafa de água de coco, três bananas e dois tijolos,ou a cena da corrida, que virou meme, na qual ele atira nos outros corredores, ou a cena em que ele defende os benefícios da ditadura, mas parece estar falando da democracia americana.

Uma prévia da capa do meu novo livro

Olha uma prévia da capa do meu próximo livro, Cabanagem. Trabalho lindo feito pelo Chris Ciuffi em tempo recorde. O projeto entra semana que vem no Catarse. Espero contar com seu apoio. Ah, ainda esta semana publico a capa inteira.

domingo, fevereiro 23, 2020

Escrevendo sátiras para a MAD

Quando fui convidado pelo Raphael Fernandes para a escrever uma sátira do BBB 9, o que seria minha estreia na MAD, confesso que tremi na base. A MAD tem um tipo muito característíco de humor. Anarquico, claro, mas que também obedece algumas regrinhas simples, que ajudam a cosia a ficar mais engraçada. Na época, fui para minha coleção e reli dezenas de sátiras tentando compreender o estilo. De lá para cá, já escrevi vários textos para a publicação. Não posso dizer que já sou um roteirista especialista em MAD, mas acho que posso compartilhar algumas das coisas que aprendi escrevendo e, principalmente lendo a MAD:  

1) Geralmente as sátiras iniciam com um painel grande, de apresentação. Pode ser apenas um quadro grande, uma página inteira, ou uma página dupla, como foi a minha sátira do BBB. A função dessa página é mostrar quem são os personagens e contar rapidamente a história que está sendo satirizada, o que abre caminho para que mesmo quem não conheça a obra original possa dar algumas gargalhadas.  Nesse painel é muito aconselhado fazer piadas visuais de fundo, como os BBBs dentro de uma bolha com uma placa: não dê comida aos animais


2) Cada quadro deve conter uma piada. Como geralmente as sátiras ocupam poucas páginas, a maioria dos roteiristas não desperdiça quadro: todos precisam ter algo engraçado. 


3) Diálogo bate-volta. Uma técnica muito usada pelos roteiristas é colocar um diálogo em três ou quatro momentos. Normalmente há uma piada no meio, mas o mais engraçado fica para o final. Eu usei esse recurso na minha sátira do filme Crepúsculo (que foi renomeada Prepúcio): 

Q2 – Mella está apresentando Fedward ao seu pai. Chále Swando está com um rifle nas mãos, granadas pelo corpo. Em suma, ele está preparado para ir à guerra.
Mella: Pai, vou sair hoje com Fédward.
Chále: Ótimo. Mas afaste-se dele quando eu começar a atirar...
Mella: Pai, o senhor disse que ia ser simpático!
Chále: E estou sendo... uso o rifle ou a bazuca? 

4) Duplo sentido. Esses diálogos bate-volta geralmente brincam muito com o duplo sentido. O verdadeiro sentido a primeira fala do personagem só é revelada na tréplica dele. Mais uma vez, uma sequência da sátira do Crepúsculo: 

Fédward e Mella estão na cena do quarto, do quase sexo. Penso que ele está se aproximando dela e ela está lá, esperando um beijo. Ele usa uma camisa com os dizeres EU RESISTO e ela com a camisa EU DESISTO.
Fédward: Tenho muita vontade de fazer uma coisa com você... mas preciso resistir!
Mella: Você está pensando em... sexo?
Fédward: Quem falou em sexo? Eu estava pensando em fazer compras no shoping! 


5) Non-sense. A graça do diálogo muitas vezes está em não fazer sentido, como na sátira de O Iluminado, escrita por Larry Siegel e desenhada por Angelo Torres (publicado no Brasil na MAD especial 3, Panini). Jeca Porrance está dirigindo na direção ao hotel quando o filho começa a falar com o dedo: 

Jeca: Doenty, tô um pouco preocupado com esse garoto! Ele sempre teve essas conversas idiotas com o dedo indicador? 
Doenty: Nem sempre! Só desde ontem, quando ele brigou com o mindinho! 
Jeca: Ufa! Jà tava ficando preocupado!  

O terror, o terror!


O terror é uma das emoções humanas mais básicas e fundamentais. Somos todos assombrados por algum tipo de fantasma. Talvez o medo seja a primeira emoção experimentada pelo ser humano, o medo de um mundo desconhecido que se encontra do lado de fora da barriga da mãe.
E o terror nos acompanha por toda a vida: ele está em filmes, seriados e quadrinhos, causando fascínio e repulsa.
Eu tive boa parte de minha carreira ligada ao terror. Quando comecei a escrever quadrinhos, esse era o único gênero – além do erótico – em que um brasileiro podia fazer quadrinhos. Meu grande parceiro na época era o compadre Bené Nascimento (Joe Bennett) e lembro que nos divertíamos muito imaginando as formas mais bizarras de matar ou dar um destino pior aos protagonistas. Também fazíamos piadas internas, em que cada um de nós era submetido a situações de terror. Em uma das HQs, um personagem com meu rosto sofria de medo de multidões e via seu corpo transformado em milhares de bocas em eterno falatório.
Como disse, era uma piada interna, mas hoje penso que, por trás do riso havia algo mais, como essa fosse uma forma de lidar com algo difícil. Quantas pessoas não riem diante de uma situação embaraçosa ou até mesmo perigosa? “Hahaha! Poxa vida! Esse carro quase leva o meu braço!”.
A verdade é que todos nós precisamos do terror por algum tipo de necessidade psicológica. Talvez o medo verdadeiro seja algo tão insuportável que precisamos de um treino para lidar com ele. É como as pessoas que se borram toda apenas em pensar em locais altos e são levadas por psicólogos para edifícios e incentivadas a enfrentarem seus medos de forma controlada.
Da mesma forma, você pega essa revista e exorciza seus fantasmas. Se a situação ficar realmente difícil, se a mão fria da morte parecer estar tocando sua fronte, basta fechar a revista e os demônios estarão ali, presos nas páginas fechadas, sob controle. Mas eles estarão lá acenando para você e, uma hora ou outra, você voltará a abrir as páginas e ler como o menino que morreu de medo na montanha russa, mas mesmo assim voltou para a fila.
Talvez a grande lição do terror é que nós podemos vencer nossos demônios.
A casa do terror é uma revista para aqueles que sabem que o medo pode ser um dos grandes segredos da vida, tão essencial quanto o amor e o oxigênio.
(editorial que escrevi para o primeiro número de A casa do terror) 

MAD 18 - No Limite do Senado

Na época da MAD 18 dois assuntos estavam na boca de todos: a volta do reality show No Limite e mais um dos inúmeros escândalos de corrupção no Senado, na época comandado pelo famoso bigodudo. Quando o Raphael Fernandes me convidou para fazer a sátira do No Limite pensei em juntar as duas coisas e assim surgiu No Limite do Senado, no qual os integrantes ficam presos em uma ilha e ganha a disputa quem consegue roubar mais dinheiro. O editor Raphael Fernandes teve a ideia de divulgar as imagens da história como se ela tivesse sido censurada por políticos, o que chamou ainda mais atenção para a HQ. Os desenhos ficaram por conta do Anderson Nascimento. 

sábado, fevereiro 22, 2020

Logomarcas

Logomarcas são essenciais para qualquer empresa. São geralmente o primeiro contato do consumidor com a empresa ou produto. E, como se diz, a primeira impressão é a que fica. Assim, uma logo criativa e diferente pode destacar o produto na cabeça do público.  Infelizmente, muitos empresários desprezam a importância da logo e mandam qualquer um fazer (geralmente um sobrinho que aprendeu a mexer no Corel Draw). Apresento abaixo alguns bons exemplos de logos e três desastrosos.





























E, para arrematar, as logomarcas desastrosas: