quarta-feira, maio 23, 2018

A arte comestível de Ju Duoqui

Ju Duoqui é uma artista chinesa famosa por recriar obras clássicas da pintura usando... comida! Batatas transformam-se em Napoleão, Tofu vira Monalisa. Confira a obra dessa artista original. 








terça-feira, maio 22, 2018

Esquadrão Atari

            
Em 1984, a editora DC lançou uma versão em quadrinhos baseada nos jogos de vídeo-games da Atari. Não era a primeira adaptação de games da Atari, mas esse estava destinado a entrar para a história como um dos melhores trabalhos da era de bronze dos quadrinhos. A equipe criativa era composta por dois grandes nomes dos comics: o roteirista Gerry Conway e o desenhista José Luis Garcia Lopes.
            Gerry Conway, nascido em 1952, começou a escrever quadrinhos ainda na juventude com histórias para revistas de histórias curtas da DC Comics, como a House of Secrets, mas seu grande sonho era trabalhar com um título de super-heróis. Graças a um amigo, ele conheceu Roy Thomas, editor da Marvel, lhe entregou um argumento e pediu que ele desenvolvesse. Roy gostou do resultado e, com 19 anos, Conway foi efetivado no cargo de roteirista oficial do Homem-aranha.
            Apesar de inseguro no início (as primeiras histórias eram co-escritas com o desenhista do título, John Romita Senior), Conway logo se destacou e acabou escrevendo algumas das mais importantes histórias do aracnídeo na década de 1970, entre elas a controversa morte de Gwen Stacy. Conway foi também, junto com o desenhista Ross Andru, responsável pela criação do Justiceiro, que surgiria como personagem secundário na série do Aranha, mas se tornaria um dos mais populares da Marvel na década de 1980.
            Em meados da década de 1970, ele foi contratado pela DC, onde faria o primeiro crossover entre as duas maiores editoras do mercado norte-americano: o encontro de Superman e homem-aranha.
            José Luis Garcia Lopez nasceu na Galícia, mas mudou para a Argentina ainda jovem, onde leu muito quadrinho norte-americano, especialmente os trabalhos de Alex Raymond e Roy Crane.
            Indo para os EUA, Garcia Lopes substituiu Joe Kubert na revista Tarzan, o que acrescentaria mais uma influência seu traço, já que na época era comum um desenhista que entrava num título imitar o anterior, para os leitores não sentirem o impacto da mudança.
               Depois de trabalhar para a Charlton, ele se fixou na DC Comics, onde desenvolveria um dos traços mais dinâmicos e bonitos dos comics americanos. Seu visual do Super-homem atlético praticamente redefiniu a imagem do Homem-de-aço. Uma das imagens mais famosas, do personagem arrebentando correntes com a simples flexão dos músculos do peito, é de autoria de Garcia Lopes.
Garcia Lopes foi responsável pelo traço do segundo grande encontro da década de 1970: entre o Hulk e Batman, com roteiro de Len Wein.
Esquadrão Atari juntava, portanto, dois dos nomes mais importantes da era de bronze dos quadrinhos americanos. E ambos não decepcionaram. A primeira história mostrava personagens bastante originais: os mercenários Dart e Blackjack, o gigante bebê, que é seqüestrado de seus planeta natal, a telepata Morféa, vinda de uma civilização em que as crianças são criadas sem identidade (e sempre se refere a si mesmo como “este ser”), o ladrão Paco Rato, o rapaz Tormenta, que tem a  capacidade de se teleportar e seu pai, Martin Champion, um homem obcecado com a idéia de que o universo está sendo ameaçado por uma força poderosíssima chamada Destruidor Negro. Esse time improvável irá se juntar, alguns contra a vontade, para salvar o universo.
Embora a primeira história fosse essencialmente uma apresentação de personagens, ela já apresentava algumas das mais interessantes características da série: a ação vertiginosa e o suspense muito bem trabalhado. A estrela dos primeiros números é Dart, que junto com seu namorado Blackjack vão cobrar uma dívida e são atacados por um exército, mas conseguem escapar. A sequência inicial mostrava os dois lutando contra os soldados do general Ki numa página dupla que é um dos momentos mais clássicos dos quadrinhos da era de bronze. Dart e Blackjack estão no quadro maior, que é invadido por uma mão vinda de fora do quadro, apontando uma arma para Dart. Na sequência lateral, a heroína nocauteia o dono da mão. Ali estão os elementos que fariam de Garcia Lopes um dos desenhistas mais requisitados para capas: a composição inovadora, o dinamismo e o perfeito domínio da anatomia.   
Se Garcia Lopes tinha perfeito domínio da parte visual, Gerry Conway se revelou um mestre do roteiro, com uma ótima caracterização de personagens, narrativas paralelas, e uma trama muito bem costurada. Os dois, inclusive, voltariam a se encontrar anos mais tarde, na minissérie Cinder e Ash, com grande sucesso.
A dupla foi responsável pelo título até o número 12. O número 13 contou com roteiro de Conway e desenhos do estreante Eduardo Barreto, que emulava o estilo de Garcia Lopes. No número 14 a equipe se modificou completamente com a entrada de Mike Baron no texto. Ainda assim a revista continuou com um bom nível de qualidade até o número 20, quando a trama finalmente fechou.

No Brasil, Esquadrão Atari era uma das principais atrações de revistas como Herois em Ação e Superamigos. Infelizmente, questões de direitos autorais com a Atari fizeram que com essa série não fosse republicada, razão pela qual poucos leitores da nova geração conhecem essa obra-prima da ficção-científica. 

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Lobato marketeiro



Monteiro Lobato, quem diria, não foi só um grande escritor. Foi também um dois primeiros, senão o primeiro marketeiro de nosso país.
Quando Lobato comprou a Revista do Brasil, na década dede 1910, ele resolveu publicar também livros, mas encontrou um panorama desolador: o Brasil só tinha 40 livrarias! “Mercadoria que só dispõe de quarenta pontos de venda está condenada a nunca ter peso no comércio de uma nação”, pensou lá consigo o escritor.
Ele detectara um problema básico do marketing livreiro. Pode parecer incrível, mas até então ninguém se preocupara com a falta de pontos de venda para os livros. Talvez porque o livro não fosse visto como um produto.
A solução encontrada por Lobato para o problema foi, no mínimo, original. Ele pediu aos correios uma relação de casas comerciais relativamente sérias. Conseguiu 1200 endereços. Mandou para todos uma carta circular que revelava suas idéias mercadológicas: “Vossa Senhoria tem o seu negócio montado e quanto mais coisas vender, maior será seu lucro. Quer vender também uma coisa chamada livro? Vossa Senhoria não precisa se inteirar do que essa coisa é. É um artigo comercial como qualquer outro, batata, querosene, bacalhau”.
Todos toparam o negócio e em pouco tempo a editora passou dos 40 pontos de venda para mais de mil.
A resposta foi imediata. As tiragens que antes eram de 400 ou 500 exemplares, pularam para três mil e começaram a sair cinco, seis, sete edições por semana.
Mas Lobato não parou. Ele sabia que também era necessário promover seu produto. E poucos escritores brasileiros foram tão eficientes no item promoção. Ele chegou a transformar o Jeca-tatu(que era um personagem...) em garoto propaganda do Biotônico Fontoura, antecipando a estratégia (muito usada hoje) de utilizar personagens famosos para ajudar a vender produtos.
Há quem diga até que a polêmica com os modernistas foi apenas uma jogada de marketing, planejada com seu amigo Osvald de Andrade. Sem as críticas de Lobato, é possível que o modernismo não tivesse decolado no Brasil. Foram elas que chamaram atenção para o movimento. E para quem fica imaginando as razões de Lobato, aí vai uma dica: ele era o editor de dois modernistas, Menoti Del Picha e Osvald de Andrade. E ele mesmo declarou, anos mais tarde, que os livros dos modernistas só venderam bem enquanto durou a polêmica.
Mas a grande jogada de marketing foi mesmo com relação à literatura infantil. Lobato percebeu que havia uma grande demanda insatisfeita: milhares de baixinhos que eram completamente esquecidos pelas editoras. Antes do Sítio do Pica-Pau Amarelo praticamente não havia livros para crianças no Brasil. E o que havia era de péssima qualidade, histórias sem graça, moralistas.
Monteiro Lobato trouxe para o público infantil um produto totalmente novo: histórias divertidas, cheias de ação, com personagens fixos e, o principal, nada de lição de moral. As crianças eram estimuladas a tirarem suas próprias conclusões.
Além disso, os livros traziam também uma inovação no design: eram todos ilustrados pelos melhores desenhistas da época. Alguns traziam até ilustrações coloridas. Um contraste com as publicações infantis do período que eram feias, pesadas e difíceis de ler.
Lobato estava década(s) à frente de seu tempo. Ele foi o primeiro a perceber o potencial mercadológico do público mirim.
A televisão(brasileira) só despertou para esse potencial na década de 70, justamente com o sucesso do seriado do Sítio do Pica-Pau Amarelo. (Mas antes havia outros sucessos importados, como Vila Sésamo)
Todo bom profissional de marketing sabe, hoje, que a melhor maneira de vender alguns (tipos de)produtos é investir no público infantil. Bom exemplo disso são os achocolatados, como Toddy, Quick e Nescau. Antes o design desses produtos era feito para chamar a atenção das mães. Hoje as embalagens desses produtos pretendem agradar aos baixinhos, pois descobriu-se que são eles que decidem qual achocolatado levar para casa.
A criança é um consumidor impulsivo, mas também exigente. Quando não gosta de algo, diz logo. Talvez por isso as estratégias de marketing de Lobato tenham dado certo por tanto tempo: seus livros eram realmente muito bons. Tanto que até hoje não foram superados(importante dizer em que quesito: vendagem? Se for qualitativamente, seria melhor citar a fonte) por nenhum outro escritor brasileiro.
Lobato nos demonstra uma das leis básicas do marketing: não adianta investir em promoção, ponto de venda ou preço se, no final das contas, o produto não tiver qualidade.

Valerian e Laureline


Em 1967 surgia nas páginas da revista Pilote uma série que iria mudar para sempre a ficção científica nos quadrinhos. Chamava-se Valerian – agente espácio-temporal e era produzida por dois novatos, o roteirista Christin e o desenhista Mézières.
Em sua primeira história, que daria origem ao álbum “Maus sonhos”, o desenho ainda parecia simplista e os roteiros ingênuos. Mas já era possível perceber  que havia algo ali, especialmente quando o agente Valerian, em viagem temporal para a Idade Média encontra uma moça, Laureline, que conquista os leitores e se torna personagem fixa da série.
Os artistas eram dois jovens franceses que havia se mudado para os EUA na infância e se reencontraram na adolescência. Com o dinheiro do primeiro álbum eles comprariam sua passagem de volta para o país natal, onde iriam revolucionar os quadrinhos.
O segundo álbum “A cidade das águas movediças” já trazia um traço mais seguro e um roteiro mais bem amarrado, além de referências que mostravam o quanto a obra dialogava com o pós-modernismo. O mafioso Sun Rae foi inspirado no músico de jazz Sun Ra. O cientista Schroeder, além da referência óbvia ao personagem pianista da tira Peanuts, tinha as feições de Jerry Lewis no filme O professor Aloprado.
Mas seria no terceiro álbum, “O império dos mil planetas” que a dupla acertaria a mão, definindo o estilo que os diferenciaria de tudo que havia sido feito até então em termos de ficção científica. Foi nesse álbum que a vocação de Mézières para criar cenários exuberantes se revelou. Também foi nessa história que Christin mostrou sua capacidade de criar civilizações extraterrestres e seus hábitos culturais.
A sequência inicial, mostrando a feira do planeta-império, é primorosa.
Nela descobrimos que mercadores comercializam schalmis, espécie de conchas gigantes, onde as pessoas se recolhem em busca de esquecimento. Conhecemos as pedras vivas de Arphal, que se fixam à pele como as mais belas jóias. Ou os raríssimos spiglics de bluxte, que vivem sobre a cabeça de seus donos, transmitindo a eles perene felicidade através de telepatia.
A série fez tanto sucesso na Europa que Valerian e Laureline, dois nomes que não existiam, tornaram-se populares a ponto de muitos pais batizarem seus filhos com eles.
Outra consequência é mais polêmica. Desde que saiu o primeiro filme de Star Wars, o desenhista percebeu várias coincidências entre o filme e suas imagens publicadas no álbum.
O visual de escrava da princesa Lea no filme “O retorno de Jedi”, por exemplo, é muito parecido com o de Laureline em “O país sem estrelas”. A nave usada pelos personagens é semelhante à Millennium Falcon, além de várias outras semelhanças.
Além disso, a personalidade independente da princesa Lea está muito mais para a Laureline do que para as princesas das histórias clássicas de ficção científica, que ficava paralisadas diante do perigo, esperando serem salvas pelos heróis.

O sonho dos autores de ver sua história adaptada para o cinema irá finalmente se realizar: o cineasta Luc Besson adaptou a história para a telona e previsão de estreia é ainda para este ano. 

segunda-feira, maio 21, 2018

Como os nazistas usavam a propaganda?



Hitler dava grande destaque à importância da propaganda. Para ele, a derrota da Alemanha na I Guerra Mundial estava diretamente ligada à boa propaganda dos inimigos.
Para ele, a propaganda deveria funcionar como a artilharia antes da artilharia numa guerra. A propaganda deveria quebrar a principal linha de defesa do inimigo antes do avanço do exército.
Para o líder nazista, a propaganda deveria ser sempre popular, dirigida às massas e nivelada por baixo: “As grandes massas têm uma capacidade de recepção muito limitada, uma inteligência modesta, uma memória fraca”.
Por isso, a propaganda deveria restringir-se a pouquíssimos pontos, repetidos incessantemente. Era necesário não dispersar o foco e atenção, de modo que, se fosse necesário despertar o ódio do povo a vários inimigos, tornava-se necessário agrupá-los em um só grupo, mostrando que todos faziam parte da mesma categoria.
O essencial era atingir o coração das pessoas, e não a razão. A massa, segundo Hitler, seria como as mulheres, incapaz de compreender argumentos racionais, mas facilmente tocada por uma “vaga e sentimental nostalgia por algo forte que as complete”.
Não havia nenhum limite moral ou ético para a propaganda nazista. Se fosse necessário mentir, o correto era mentir dizer uma grande mentira, de modo que nem passasse pela cabeça do povo ser possível uma tão profunda falsificação da verdade.

Pistas de qualidade



           
            Um dos conceitos mais interessantes do marketing é o de pistas de qualidade, ou qualidade aparente. Esse conceito surgiu da idéia de que o consumidor comum não tem como avaliar a qualidade técnica de um produto. Só um especialista em nutrição, por exemplo, pode avaliar com segurança a qualidade de uma refeição. Só um especialista em eletrônica pode avaliar a qualidade técnica de um eletrodoméstico.
            Mas o consumidor, quando compra, precisa ter alguma indicação, algo que o ajude a escolher entre este ou aquele produto. Percebendo isso, os marketeiros começaram a colocar nos produtos demonstrações visíveis da qualidade técnica. Isso foi chamado de qualidade aparente, ou pista de qualidade.
            Essa situação foi muito bem exemplificada mais de mil anos atrás, quando surgiu a suspeita de que a mulher de Júlio César o estaria traindo e ele abriu uma investigação. Um amigo abordou-o: "Mas, César, você sabe que sua mulher é fiel". "À mulher de César não basta ser fiel, tem que parecer fiel", respondeu ele. É possível que a história seja inventada, ainda mais levando em consideração os costumes sexuais liberais do romanos, mas serve para demonstrar o conceito: um produto não só tem que ter qualidade, ele precisa aparentar qualidade.
            Por exemplo, alguém já viu toalhas de hotel de cor escura? Elas são geralmente brancas, pois numa toalha branca a limpeza é visível. Se houver um mínimo de sujeira, o consumidor imediatamente identificará.
            Uma das mais famosas lojas dos EUA, a Stew, é especializada em carnes e laticínios. O dono da loja faz questão que nos banheiros haja sempre flores frescas e que a limpeza seja impecável. A explicação dele é que, como o consumidor não vê a produção de seus produtos, o banheiro é um dos maiores indícios da higiene com que esses produtos são fabricados.
            Entrar num restaurante e encontrar um banheiro sujo, imundo, é uma pista de falta de qualidade, e são poucos os consumidores conscientes que continuarão no estabelecimento, pois a falta de limpeza no banheiro provavelmente reflete a falta de limpeza na cozinha.
            Muitas empresas que trabalham com comida procuram tornar transparentes a produção de seus produtos. É o caso do McDonalds, cuja cozinha é aberta e fica visível para o cliente.
            No supermercado, a transparência da embalagem, no caso do feijão, permite ver a qualidade do produto. É por isso, também, que a água mineral é vendida em embalagens transparentes ou azuladas (o azul lembra limpeza).
            Numa loja, uma vitrine bem trabalhada, com produtos novos e atraentes, é pista de qualidade que levará o consumidor a comprar. Ao contrário, uma vitrine com produtos velhos, amassados, fora de moda ou empoeirados é pista de falta de qualidade. 
            Costumo comprar pão em uma padaria longe de casa, mas que tem toda uma preocupação com a qualidade aparente. O caixa fica longe dos pães, os vendedores não pegam em dinheiro e são orientados para usarem touca e luvas. Antigamente usavam um avental branco. Foi introduzido um novo uniforme, de cor escura, mas a cor escura não passava a idéia de limpeza e eles voltaram a usar o avental.
            Infelizmente, em Macapá são poucos os empresários como esse dono de panificadora, que se preocupam com as pistas de qualidade de seus produtos.
            O exemplo mais absurdo que vi foi com um vendedor de batatas fritas na área próxima da Fortaleza de São José. Além de não usar luvas, toucas ou avental, ele não tinha uma espátula ou colher para recolher as batatas e colocar no copinho e fazia isso com a mão... a mesma mão que pegava o dinheiro dos fregueses. O uso de um colher era medida simples e básica de higiene e, portanto, pista de qualidade (pelo menos uma, no meio de tantos absurdos).
            Vendo aquilo, eu desisti de comprar a batata. Argumentei que era falta de higiene e que tal atitude facilitava a propagação de doenças. Isso só fez com que o vendedor ficasse furioso comigo.

A arte incrível de Geraldo Borges


Nascido em Fortaleza, Geraldo Borges trabalha com quadrinhos desde 1997, quando desenhou a Revista Capitão Rapadura. Representado pelo Chiaroscuro Studios, maior agência brasileira de artistas para o mercado americano, tem feito trabalhos para a Marvel (Nova), DC Comics (Liga da Justiça, Mulher-Maravilha, Batman, Lanterna Verde, Legião dos Super-heróis, Asa Noturna, Superman, Aquaman), Dark Horse (Ghost) e Dynamite (Pathfinder).
Atualmente é  desenhista regular da série Angel Season 11, adaptação da série de TV criada por Joss Whedon, publicada pela Dark Horse. Além disso, é professor da Universidade Potiguar nos cursos de Design Gráfico e Jogos Digitais.












domingo, maio 20, 2018

A indústria cultural


O conceito de Indústria Cultural foi veiculado pela primeira vez em 1947, por Horkheimer e Adorno, no texto "A dialética do Iluminismo". O termo foi cunhado em oposição à cultura de massa, que dava a idéia de uma cultura surgida espontaneamente da própria massa.
Para Adorno, a idéia de que os produtos da Indústria Cultural vêm do povo é equivocada, pois a Indústria Cultural, ao aspirar à integração vertical de seus consumidores, não apenas adapta seus produtos ao consumo das massas, mas também determina esse consumo.
O termo Indústria Cultural  é mais adequado, pois deixa bem claro que tais peças culturais são produtos fabricados para serem consumidos, assim como sabonetes e carros.
É importante notar, como destaca José Marques de Melo, que as reflexões da escola de Frankfurt foram feitas durante "a transição da sociedade industrial para a sociedade da informação, tendo a emergente indústria cultural como protagonista hegemônico.
Adorno e Horkheimer partem da constatação de que a sociedade industrial não havia realizado as promessas do iluminismo humanista. O desenvolvimento da técnica e da ciência não trouxe um acréscimo de felicidade e liberdade para o homem.
Considerando-se, diz Adorno, que o iluminismo tem como finalidade libertar os homens do medo, tornando-se senhores de si e liberando-os do mundo da magia, do mito e da superstição, e admitindo-se que essa finalidade pode ser atingida por meio da ciência e da tecnologia, tudo levaria a crer que o iluminismo instauraria o poder do homem sobre a ciência e a técnica. Mas o que ocorreu foi justamente o contrário. Liberto do medo mágico, o homem tornou-se vítima de um novo engodo: o progresso da dominação técnica.
Ao invés do libertar a humanidade, o progresso da técnica acabou por escravizar o homem, alienando-o.
Os meios de comunicação de massa, resultado direto de desenvolvimento da técnica, tiveram papel importante nesse processo de escravização da massa.
Segundo os pensadores frankfurtianos, a reprodutibilidade técnica tirou tanto da cultura popular quanto da cultura erudita o seu valor real. O resultado, a Indústria Cultural, não conduz à experiência libertadora da fruição estética.
O próprio princípio da reprodução deformaria a obra, pois ela seria nivelada por baixo, evitando sempre que possível aqueles elementos que poderiam interferir no seu caráter de produto.
Exemplo disso podemos ver na adaptação da Disney para o clássico “O Corcunda de Notre Dame”, de Victor Hugo. A história foi "adocicada" para se tornar mais palatável ao consumidor...
Assim, a Indústria Cultural pretende alienar, e não conscientizar; acomodar, e não incitar.
Para os frankfurtianos, os produtos da Indústria Cultural teriam três funções:
A.    ser comercializados;
B.    promover a deturpação e a degradação do gosto popular;
C.   obter uma atitude sempre passivados seus consumidores.
Como são feitos para serem vendidos, os produtos da Indústria Cultural jamais devem desagradar os compradores. A produção é homogeneizada e nivelada por baixo.
Para Adorno, a visão crítica por parte do expectador não é possível dentro da Indústria Cultural, pois "A transformação do ato cultural em valor suprime sua função crítica e nele dissolve os traços de uma experiência autêntica".
Embora seja fundamental para a análise dos meios de comunicação de massa, em especial na primeira metade do século passado, a noção de Indústria Cultural tem sido objeto de diversas críticas.
Martellart, por exemplo, desconfia que Adorno e Horkheimer estigmatizaram a Indústria Cultural em decorrência de seu processo de fabricação atentar contra certa sacralização da arte: "Na verdade, não é difícil perceber em seu texto o eco de um vigoroso protesto erudito contra a intrusão da técnica no mundo da cultura".
Além disso, as idéias da escola de Frankfurt, mesmo atacando o conformismo, acabaram se tornando um discurso conformista, de pessoas que, confortavelmente em suas poltronas ou empregos, apenas criticam a indústria cultural, sem, no entanto, apresentar qualquer opção.

sábado, maio 19, 2018

O plano de Hitler para o mundo era um projeto estético?



Sim, Hitler queria criar um novo mundo, dominado por uma beleza ariana. O filme "Arquitetura da Destruição" (Suécia, 1989), de Peter Cohen mostra a evolução da proposta estética nazista.
Segundo do documentário, Hitler queria embelezar o mundo, mesmo que para isso fosse necessário destruí-lo.
Hitler, assim como alguns de seus mais próximos colaboradores eram intimamente ligados à arte. O ditador chegou a produzir algumas gravuras, que posteriormente foram usadas como modelos para obras arquitetônicas.
Os nazistas dizia que a arte moderna representava uma sociedade e um ser humano degenerados e estava relacionada ao bolchevismo e aos judeus. Hitler destacava a semelhança entre as figuras deformadas da arte moderna e as pessoas deficientes, provocadas, segundo ele, pela mistura de raças.
Em contraposição a isso, ele defendia o ideal de beleza ariana que fosse sinônimo de saúde. O mundo imaginado por Hitler seria domiando por homens e mulheres arianos, de corpos perfeitos e belos.
Para conseguir chegar a esse estágio ideal, era necessário eliminar a sujeira representada pelos judeus. Os nazista associaram a limpeza que deveria ser feita pelo trabalhador em sua casa e em seu local de trabalho, com a limpeza racial que deveria ser feita na Alemanha. .

Livro reúne contos de Lovecraft



Contos reunidos do mestre do horror cósmico é, provavelmente, o mais completo volume de Lovecraft já publicado no Brasil. É uma impressionante coletânea em quatro ciclos: Ciclo de Cthulhu, ciclo dos sonhos, miscelânea e juvenília. Para os fãs do pai do horror contemporâneo o volume traz a possibilidade de acompanhar a elaboração da mitologia lovecraftiana cronologicamente. Assim é possível perceber como o autor foi construindo essa mitologia. Ajuda também os pequenos textos que introduzem cada conto. Além disso há nada menos que nove textos sobre o autor e sua obra, desde uma biografia até a análises sobre a ideologia de Lovecraft aos filmes baseados em sua obra. 
O volume, em capa dura, foi financiado via Catarse (eu fui um dos que apoiaram o projeto). Atualmente pode ser comprado no site da editora: https://www.editoraexmachina.com.br/product-page/contos-reunidos-do-mestre-do-horror-c%C3%B3smico.

A arte espetacular de Dave Hoover


Dave Hoover foi um ilustrador, animador e quadrinista norte-americano. Ele é mais conhecido nos quadrinhos por seu trabalho nas séries Wanderes (DC) e Capitão América (Marvel). Também desenhou histórias do personagem Tarzan. Uma de suas características mais fortes é a sua haibilidade para desenhar mulheres. 












sexta-feira, maio 18, 2018

Grade ou matriz curricular?

É comum ouvir pessoas falarem de uma tal de "grade da escola", que deveria ser seguida rigidamente pelo professor. Mas o que é essa tal de "grade da escola"?
Para começar, não existe grade da escola. Quer dizer, existe. Algumas escolas têm grades nas janelas. Mas o que a pessoa, especialista em educação, deve estar se referindo é a "grade curricular", um termo que não é mais usado há muito tempo. Hoje usa-se matriz curricular.
Grade significação prisão: é uma normatização rígida da educação que não deixa margem para adaptações.
Um ótimo exemplo de grade curricular é a frase "Vovô viu a uva". Crianças do Rio Grande do Sul ao Amazonas eram alfabetizadas com ela. Crianças que nunca tinham visto uma uva aprendiam a ler com uma frase que não lhe dizia nada. Mas todos deviam seguir a grade curricular, então todos os professores, de norte a sul, seguiam a grade curricular.
Já a matriz curricular permite adaptações, é flexível.
Um exemplo. Certa vez, quando lecionava redação, cheguei na sala de aula e descobri que os alunos só falavam do fim do mundo. No dia anterior, uma matéria do Fantástico mostrara um grupo de fanáticos que acreditava que o mundo iria acabar aquela semana. O livro me indicava um determinado tema para a redação, mas eu o modifiquei. Fizemos um pequeno debate sobre o que os alunos achavam sobre a questão do fim do mundo e depois cada um escreveu uma redação sobre o tema.
Isso é matriz curricular.

Sonerd -Sugestão Literária - Parte 1 - Gian Danton - O Uivo da Górgona

Agulha Hipodérmica – o poder e os efeitos dos meios de comunicação de massa


Em 2002 eu organizei a coletânea Agulha Hipodérmica – o poder e os efeitos dos meios de comunicação de massa com vários artigos de pesquisadores brasileiros.
A teoria hipodérmica foi a primeira teoria da comunicação – e partia do princípio de que a mídia tinha poder absoluto sobre as pessoas, injetando seus conteúdos diretamente no cérebro da audiência.
Era influenciada pela experiência de Pavolv com um cachorro. O cientista russo percebeu que se tocasse uma sineta toda vez que dava comida ao cão o estímulo sineta era associado à comida e, depois de algum tempo, o simples som da sineta provocava a salivação. Isso gerou o esquema Estímulo-resposta, aplicado à comunicação com os teóricos defensores da teoria hipodérmica.
Embora esta seja a teoria mais antiga no campo da comunicação, este foi o primeiro livro exclusivamente sobre o assunto lançado no Brasil.

quinta-feira, maio 17, 2018

Qual a importância da guerra civil espanhola para os nazistas?



A guerra civil espanhola foi o principal campo de provas das novas técnicas de luta que seriam introduzidas pelos alemães.
A Alemanha enviou à Espanha centenas de carros de combate, aviões, artilharia, armamento individual e aproximadamente 5 mil especialistas militares, na maioria pilotos reunidos na Legião Condor.
Os estrategistas alemães usaram a Espanha para testar a guerra aérea, muito propagada pelos teóricos militares. Descobriram que os aviões da época eram deficientes para atingir objetivos estratégicos. Havia, por exemplo, a falta de precisão dos bombardeios. Isso levou os técnicos da Luftwaffe a desenvolverem um novo sistema de navegação, o X-Gerat e o Knickebein.
Os aviadores aprenderam a coordenar suas ações com as forças terrestres, fornecendo apoio e ágil poder de fogo. Os aviões junkers e Stukas tornam-se especialistas em bombardeamento em mergulho, que irá provocar muitas perdas nos combates da Polônia.
Os alemães compreendem que é necessário romper com as táticas em que os caças atacavam sozinhos, comuns na I Guerra. Assim, criam a formação de quatro, com dois pares, cada um contando com um líder e um ponteiro.
Mas o maior ganho dos nazistas com a guerra da Espanha foi a experiência adquirida pelos pilotos. Os que passavam pela escola espanhola voltavam para a Alemanha repassar sua experiência para os colegas, enquanto outros iam aprender na prática. Quando estoura a II Guerra Mundial, nem um outro país do mundo tem tantos pilotos experientes em combate.

Mata-me, ó Deus

"Mata-me, ó Deus", graphic com roteiro de Marcos Guerra e arte de Marcos Garcia e Carlos Alberto é um dos trabalhos mais instigantes lançados no FIQ.
O roteiro, que lembra muito Jodorowsky, trata de um mundo pós-apocaliptico em que os continentes foram invadidos pela água e o clima se tornou um perene inverno. 
Nesse mundo um viajante vai em busca de um alquimista em busca de ouro para reconstruir a economia do planeta. Mas o que encontra é algo muito além disso (difícil dizer sem spoiler).
Embora o texto seja preciso, poético, é uma história visual. E, nesse sentido, os dois artistas fizeram um trabalho fenomenal, que lembra muito o grande Watson Portela.
Filosofia, religião e uma arte realmente impressionante.

Hoje tem rádio pop!