quarta-feira, julho 26, 2017

Quem foi Varian Fry?



Varian Fry era um jornalista norte-americano, responsável por  salvar milhares de intelectuais da perseguição nazista. Era um jovem culto e refinado, conhecedor de vinhos e artes plásticas. Gostava de ler poesia e observar pássaros.
Fry era um “yuppie” de nossos dias. Vestido de forma impecável, com um cravo vermelho na lapela, ele parecia estar mais interessado em sua própria beleza do que nos bem-estar de outras pessoas. Seus amigos o descreviam como “um jovem exuberante e agradável, culto e bonito”.
Entretanto, se parecia um dandy na maneira de se vestir, Fry tinha outra característica que seria essencial em sua missão. Ele odiava injustiças e estava sempre pronto a combatê-las. Seus pais costumavam dizer que, ainda estudante, Fry abandonara a escola altamente conceituada que freqüentava por considerar humilhantes algumas de suas tradições.
Embora não tivesse nenhum treinamento militar ou de espionagem, ele se tornou uma figura-chave na fuga de milhares de intelectuais perseguidos pelo nazismo ao se oferecer como representante do Comitê de Resgate de Emergência, organização que providenciava a fuga de refugiados.


Experiências e livros

Monteiro Lobato já disse que um país se faz com homens e livros. Da mesma forma, um homem se faz de experiências e livros. Não há formação intelectual que não passe pela leitura.
O convite para integrar o especial "Biblioteca Básica" do site Digestivo Cultural me fez pensar em todos os livros que, de uma maneira ou de outra, ifluenciaram minha formação.
O mais remoto deles, parece-me, é pouco conhecido da geração atual. Mas fez as delícias de todos os jovens devoradores de livros da década de 80. Falo de Aventuras de Xisto, de Lúcia Machado de Almeida, publicado na época na coleção Vaga-lume.

Esse foi o primeiro livro que li (não estou contando os pequenos livros infantis dos quais guardo poucas lembranças). Devia ter algo em torno de 10 anos. Pode parecer uma discrepância eu ler meu primeiro livro aos 10 anos, mas há de se considerar que eu cresci em uma família pobre, na qual livros eram um luxo supérfluo.
Só consegui convencer minha avó a me dar o dinheiro para esse livro porque ele ia ser utilizado na escola. Na época vivíamos na pequena cidade de Mococa, no interior de São Paulo.
Eu mesmo fui à livraria, no outro lado da cidade e comprei o livro. Antes que o dia terminasse eu já o tinha lido inteiro. No dia seguinte, dia de frio, coloquei uma cadeira no quintal e, enquanto tomava um sol, li pela segunda vez.
Uma semana depois a professora iniciou a leitura em sala de aula, mas o rapaz responsável por ler o primeiro capítulo não havia nem mesmo aberto o livro. “Alguém já leu o livro?”, perguntou a professora. Eu levantei a mão: “Já li cinco vezes, professora”.
Aventuras de Xisto influenciou meu gosto pela história, especialmente pela história medieval. O clima sombrio e fantasioso também influenciou muito minha literatura. Minha novela O Anjo da Morte é uma espécie de Aventuras de Xisto para adultos. Gostaria de dar destaque também para as ilustrações do livro, de autoria de Mário Cafiero. Sempre imaginei ter uma história desenhada por ele.

Depois disso, eu não tinha mais como convencer minha avó a comprar outros livros e só fui voltar a ler uns quatro anos depois, quando descobri a biblioteca pública e os sebos. Foi época de conhecer Monteiro Lobato.
Não houve um livro específico que tenha me influenciado. Nessa época lia tudo que me chegava às mãos do autor paulista. Curiosamente, li primeiro sua literatura adulta, depois a infantil. Na literatura adulta, Urupês é sem dúvida a obra-prima. Lobato estava menos preocupado em fazer literatura e mais em causar uma impressão no leitor. Lembro que a primeira vez que li me pareceu um livro de terror... Da literatura infantil, História do mundo para crianças é, certamente, a obra que li mais vezes. Lobato era uma dessas inteligências enciclopédicas, que escreviam sobre tudo e em tudo deixavam um gosto delicioso.

Mais ou menos por essa época, tinha um amigo que colecionava a revista Heróis da TV e descobri um sebo que as vendia por um preço irrisório. Eu comprava as revistas e as vendia pelo dobro do preço, e assim conseguia dinheiro para comprar minhas próprias revistas. Antes de vender as revistas, eu passava o final de semana lendo. Só muito tempo depois fui perceber o quanto essas leituras me influenciaram, especialmente as histórias do Mestre do Kung Fu, de Dough Moench (roteiro), Paul Gullacy e Mike Zeck (desenhos).

1984, de George Orwell, foi a leitura que mais influenciou o período da universidade. Quando já estava no final do livro, fui comprar adubo para minha avó (que adora plantas). Como o troco demorasse, encostei no balcão e comecei a ler. Só sai de lá depois de ter lido a última palavra, para espanto dos balconistas. 1984 é um livro que deixa uma marca em quem o lê. É impossível sair dele o mesmo.
Também da época da Faculdade, O Nome da Rosa, de Umberto Eco foi um livro que prendeu minha atenção. Às vezes desconfio que só gostei tanto dele porque a ambientação era quase a mesma de Aventuras de Xisto. Em todo caso, li-o três vezes. Na primeira, o que mais me chamou atenção foram os detalhes sobre a história da Idade Média. Na segunda, os aspectos relacionados às teorias da comunicação (especialmente semiótica e teoria da informação). Na terceira, eu já estava mais interessado em detectar as influencias de Jorge Luís Borges sobre a obra.

Chegamos em Borges. O que mais me marcou no autor argentino não foi um livro, mas um conto: "O Aleph". O texto parecia uma versão literária de meus estudos sobre teoria do caos. A partir daí comecei a devorar tudo que me caía as mãos sobre o autor portenho. 
"O Aleph" me foi emprestado por um colega de redação na Folha de Londrina. Foi também ele quem me emprestou Crônicas Marcianas, de Ray Bradbury. Eu já havia lido Farenheith 451, mas esse parecia uma versão menor de 1984, de Orwell. Crônicas Marcianas tinha vida própria e fez com que eu me interessasse pela literatura de ficção científica norte-americana.
De Bradbury para Isaac Asimov foi um passo. Além das histórias de robôs, sempre me fascinaram seus textos de divulgação científica. Asimov produziu um verdadeiro tijolo, Cronologia das descobertas cientificas, que foi meu livro de cabeceira durante o mestrado.
Uma história em quadrinhos que mudou a minha forma de ver o mundo foi Watchmen, de Alan Moore e Dave Gibbons. Moore virou de cabeça para baixo os comics norte-americanos ao mostrar os super-heróis de uma perspectiva realista. Histórias de heróis cuja vestimenta é uma fantasia sexual se misturam com casos de personagens que deixaram escapar bandidos porque precisavam ir ao banheiro. Pode parecer humorístico, mas a perspectiva não era essa. Moore realizou uma obra profunda sobre a condição humana em meio ao caos. O subtexto baseado na teoria do caos e na geometria fractal passou despercebido pela maioria dos leitores e só se tornou corrente no Brasil após o meu trabalho de conclusão de curso de graduação.

Já que falamos em teoria do caos, Caos: a criação de uma nova ciência, de James Gleick, é outro livro que exerceu grande influência sobre mim ao me mostrar o poder desse novo paradigma para explicar fenômenos não deterministas. Fenômenos deterministas são aqueles que seguem um padrão fixo, como um relógio. Para a ciência clássica, todo o universo era determinista. A teoria do caos demonstrou que esse modelo do universo como um relógio não corresponde à realidade. A maioria dos fenômenos, por mais determinados que pareçam, podem mudar de comportamento de uma hora para outra em decorrência de pequenas alterações, chamadas de efeito borboleta.
A teoria do caos foi uma das bases da teoria de Edgar Morin. Esse autor francês produz tanto que é quase impossível destacar um livro mais importante. Ciência com consciência, Sete saberes necessários à educação do futuro e A Cabeça bem-feita são alguns dos mais famosos. Morin defende uma nova visão de mundo, diversa daquela inaugurada por René Descartes, segundo a qual, para conhecer algo, é necessário dividir esse algo em pequenas partes e estudá-las um a uma.
Para Morin, as partes não podem ser vistas senão em sua relação com o todo. A teoria do caos demonstrou que tudo está relacionado. Uma pequena borboleta batendo suas asas na China pode desencadear uma série de eventos que redundam em uma tempestade em Nova York.
Morin critica a fragmentação dos saberes e defende uma ciência que vê as coisas em suas relações com outras coisas. Pensando bem, isso tem tudo a ver com a filosofia oriental que aparecia nas páginas das histórias em quadrinhos do Mestre do Kung Fu. Talvez tudo esteja mesmo interligado.

terça-feira, julho 25, 2017

O cão da meia-noite

No final do século XIX e início do século XX a literatura brasileira era dominada pelos parnasianos. Um dos princípios dessa corrente literária era a linguagem empolada, difícil, afastada do populacho. Monteiro Lobato foi o primeiro a se revoltar contra essa maneira de escrever - a ponto de se recusar a ser chamado de escritor, pois associava o nome à "alta literatura" e, por tabela, aos parnasianos. Para Lobato, a literatura devia falar a língua do povo, repetir suas gírias e modos de dizer. Posteriormente, essa proposta seria levada a cabo pelos modernistas, mas ninguém conseguiu encarnar a proposta de Lobato de maneira tão completa e perfeita como Marcos Rey. O grande autor de livros juvenis, cujo pai era encadernador na gráfica lobatiana, conseguiu como ninguém apanhar o jeito de falar de toda gente e transformá-lo em palavra impressa. Ótimo exemplo disso é o livro de contos O cão da meia-noite (Global editora, 216 páginas). 
No volume, Rey conta histórias de pessoas normais que acabam sendo envolvidas em algum tipo de drama. Algo em comum em todos eles é iniciar com um episódio cotidiano, pitoresco (como amigos que se encontram num bar, ou um homem que resolve adotar um cachorro), que vai se tornado mais e mais complexo ao correr das páginas. 

No primeiro conto, "Eu e meu fusca", vemos o que parece ser o relato apenas de um garoto viciado em seu carro, mas que logo se torna uma história policial no melhor estilo serial killer (provavelmente um dos primeiros textos ficcionais sobre o assunto escritos no Brasil). Todo narrado em primeira pessoa, o texto repete as gírias das ruas da década de 1960.

Em "O bar dos cento e tantos dias" um redator publicitário desempregado conhece um boêmio que lhe dá dicas de empregos (quase sempre furadas) enquanto lhe ensina a "observar o espetáculo da cidade" e seus personagens - um exercício que certamente o autor fez à exaustão, a se tirar pela fauna presente nesse livro. 

No conto que dá título ao livro vemos um homem que encontra um cachorro de rua e resolve leva-lo para casa e cuidar dele. Ocorre que se trata de um cão de rua, incapaz de viver preso. O que começa como um simples gesto de carinho acaba se tornando uma obsessão assassina e acabamos tendo mais uma história policial. Para entender "A escalação" é interessante saber que Marcos Rey foi roteirista de cinema, mais especificamente da pornochanchada, o que lhe permite falar com muita propriedade do assunto. No texto, um produtor cinematográfico reúne o elenco de seu novo filme, mas joga psicologicamente com cada um deles de modo a sempre ganhar. Ali temos desde o roteirista que aceita qualquer salário porque é perseguido pela ditadura e ninguém quer lhe dar emprego até a atriz decadente em busca de um papel que a traga de volta à cena. 

Muito difícil escolher o melhor conto num livro de pérolas como esse, mas se fosse necessário, eu escolheria "O adhemarista". O mote é simples, quase irrisório: um taxista que faz campanha para Adhemar de Barros num texto narrado por um amigo igualmente taxista. Nada demais. Mas Marcos Rey nos revela neste conto uma verve psicológica, um talento para coletar tipos e a capacidade de escrever como as pessoas de determinada época falavam de maneira ímpar. Saca só: 

"Aquela foi a semana mais quente que o Moa (Moacir) viveu na puta da vida. Nós, do ponto, é que sabíamos. Quente, digo, em toda parte. No carro, na rua, na sede do partido, na Lila, em casa. O homem estava envenenado, com fé em Deus e pé na tábua, dormindo só uma três horas por noite. Foi também a semana do papo, da lábia, da saliva, dia e noite de campanha, amarrando votos, aliciando os indecisos. Nunca vi na life um cabo eleitoral com tanta corda, tanta garra, tanto embalo".

Não bastasse a ótima análise do tipo fanático, que transforma política em torcida de futebol e coloca a eleição acima de tudo, Marcos Rey ainda constrói sua narrativa como um verdadeiro suspense policial, em que o mistério não é saber quem é o assassino, mas quem irá ganhar a eleição. 

"Soy loco por ti, América!", repete o tema de "A escalação". Nele, vemos uma festa de granfinos e estrelas do cinema e da televisão no dia anterior ao golpe militar. Regada a lança-perfumes, a festa, que começa tímida, torna-se um verdadeiro circo, com direito a gay enrustido, que de repente se interessa por uma atriz, para desespero de seu parceiro assumido, a atriz que humilha o produtor que a recusou antes da fama e anfitrião que filma tudo. 

Em "Traje de rigor" encontram-se no bar quatro homens muito diferentes: um publicitário (cujos slogans, como "Mil a vista e o resto a perder de vista", lhe renderam um ótimo salário), um jornalista decadente, que parece interessado unicamente em vender um revólver para qualquer um que encontre, um velho cantor igualmente decadente e um homem de família, com filho doente em casa, que quer apenas levar uma lata de leite em pó para casa. Esses quatro juntam-se numa inesperada jornada pela noite de São Paulo que a vai se revelando mais e mais surpreendente a capa página (o homem de família, por exemplo, acaba se mostrando o mais bôemio). 
Finalmente, em "Mustangue cor-de-sangue" acompanhamos o relato de um redator de um programa infantil estrelado por um anão que no dia-a-dia é um devasso e, na ocasião, resolve transar justamente com a vedete pela qual o escriba é apaixonado. O conto oscila entre as tentativas do anão e as fugas da moça, interessada em um contrato na TV e os planos do intelectual para salvá-la e, ao mesmo tempo, tirar sua casquinha da moça. Daria uma ótima pornochanchada, como muitas das que foram escritas por Marcos Rey para a boca do lixo na década de 1970. Aqueles que, quando crianças e adolescentes se deliciaram com as histórias de Marcos Rey para a coleção Vaga-lume irão se deliciar ao descobrir esse outro lado do escritor. 

segunda-feira, julho 24, 2017

O que era o Comitê de Resgate de Emergência?


Após a invasão da França, todos os intelectuais não alinhados ao regime nazista, em especial os judeus, corriam sério risco. Eram artistas, filósosofos e cientistas que haviam feito da Europa o centro intelectual do mundo. No verão de 1940, a França de Vichy concordou em prender e extraditar para a Alemanha todos os que se opunham ao regime nazista e que, nos anos anteriores à eclosão da Segunda Guerra Mundial, vindos de todas as partes da Europa, haviam-se refugiado na França.
Como a maioria dessas pessoas era notória, escondê-los era muito difícil. Assim, um grupo norte-americano auto-intitulado Comitê de Resgate de Emergência resolveu salvar essas pessoas.
Para viabilizar essa operação o grupo arrecadou a quantida de três mil dólares, uma pequena fortuna na época, e contou com o apoio de Eleanor Roosevelt, esposa do presidente norte-americano, que providenciou 200 vistos especiais.
Os escritores Thomas Mann e o diretor do Museu de Arte Moderna, Alfred H. Barr Jr fizeram uma lista com 200 nomes represententativos da intelectualidade européia e que corriam risco de serem mortos pelos nazistas.
Para levar em frente a operação, só um voluntário se apresentou: Varian Fry.

Indo para a França, Fry levou a operação muito além dos objetivos iniciais, salvando não apenas 200, mas milhares de pessoas. 

domingo, julho 23, 2017

Francavilla


Por que os EUA viraram o centro cultural do mundo?


Pode não parecer, mas a resposta a essa pergunta está diretamente ligada ao nazismo. Ao chegar ao poder, Hitler perseguira todos os intelectuais alemães não alinhados, fazendo com que muitos fugissem do país. Exemplo disso são os membros da Escola de Frankfurt, na maioria socialistas e judeus. Todos fugiram para os EUA. Além disso, a maioria dos artistas que haviam feito da Alemanha a capital da cultural durante a república Weimar, fugiram ou foram perseguidos. Nomes como o do diretor Billy Wilder, que fariam obras-primas nos Estados Unidos.
Quando Hitler invadiu a França, todos os intelectuais que haviam se refugiado ali foram obrigados a fugir e o local mais seguro que encontraram foi a América.
O Comitê de resgate de emergência teve papel essencial mudança de foco, ao ajudar artistas judeus a fugirem.
Mesmo depois da guerra, muitos judeus não se sentiam seguros na Europa e foram para os EUA. O cineasta judeu Roman Polanski, por exemplo, era um sobrevivente da Polônia sob jugo nazista.
Alguns dos mais importantes nomes do cinema, tanto na direção, roteiro quanto produção, são judeus. Muitos deles fugiram da Europa. Outros são filhos dessas pessoas.
Na área de quadrinhos, praticamente todos os nomes mais importante são judeus. São muitas as análises que apontam o quanto o surgimento dos super-heróis teve a ver com o medo que esses artistas sentiam da perseguição. Esse medo foi bem catalizado no personagem Capitão América.


sábado, julho 22, 2017

Quem foi Denise Madeleine Bloch?


Conhecida pelo codinome "Ambroise", Denise Madeleine Bloch foi uma das mais importantes agentes do SOE em solo francês.
Filha de pais judeus, ela iniciou suas atividades na resistência aos nazistas em 1942, com a identidade de Danielle Willams. Trabalhava como operadora de rádio e ajudava o agente Brian J. Stonehouse, codinome "Celestin", até ele ser preso, em 24 de outubro de 1942.
Ela foi em seguida para Marselha, onde um agente entregou-lhe documentos secretos. Muriel se ofereceu para levá-los para Lyon. Mas Jean Maxime Aron, receoso de deixá-la ir sozinha, insistiu em acompanhá-la, juntamente com outro membro da Resistência. A Gestapo os esperava na estação. Aron foi preso, mas Denise conseguiu escapar da prisão e se escondeu numa casa nos arredores de Lyon. Permaneceu inativa até janeiro de 1943, quando os agentes Philippe de Vonnécourt e George Reginald Starr a contatam. Por algum tempo trabalhou para a SOE na cidade de Agen, mas, em abril, após a prisão de 2 agentes, Denise foi enviada a Londres, levando mensagens e relatórios sobre a situação da Resistência, na França.
Ela tinha importantes informações aos seus superiores. Disse, por exemplo, que os agentes enviados à França não podiam ser muito jovens, pois os alemães costumavam prender rapazes aleatoriamente e enviá-los para trabalhar na Alemanha. Além disso, deveriam falar francês fluente, pois todas as pessoas com sotaque estrangeiro eram deportas para campos de concentração.
Madeleine não quis ficar na segurança na Inglaterra e insistiu em ir para a França, onde acabou sendo presa pela Gestapo. Foi mandada para a Alemanha onde seria torturada até a morte.

Denise tinha 29 anos, ao morrer. Sua memória é reverenciada com uma placa com seu nome, no Cemitério Militar de Brookwood Commonwealth, em Surrey. 

sexta-feira, julho 21, 2017

Xuxulu




Quem foi Muriel Tamara Byck?


Conhecida pelo codinome "Violette", Muriel foi uma das mais importantes agentes do SOE (Departamento de Operações Especiais), que fazia ações de sabotagem e espionagem na Europa sob controle nazista.
Filha de judeus franceses naturalizados britânicos, ela era uma jovem atraente, de longos cabelos negros. Era inteligente e dominava vários idiomas. Falava fluentemente francês, russo e alemão.
Quando eclodiu a guerra, ela se ofereceu como voluntária para trabalhar na cruz vermelha. Depois afiliou-se à Associação Feminina de Auxílio à Força aérea, sendo depois contratada pelo SOE em decorrência de seu ótimo francês.
Parecia tão jovem que os seus superiores exigiram que ela se maquiasse para aparentar mais idade. Relatos da época dizem que ela estava ansiosa para ser enviada a uma missão. Logo ela foi escalada para ir à França com o codinome de Benfeitora.
Ela recebeu três identidades falsas, a principal delas com o nome de Michele Bernier. Sua missão era recrutar agentes locais, treiná-los e avisar Londres para que fossem providenciados codinomes. Seu superior era o major Philippe de Vonnecourt.
Na propriedade de Vonnecourt, ela fazia transmissões para a Inglaterra, nunca no mesmo horário e nunca usando o mesmo transmissor. Um dia um alemão a viu pelos buracos do barracão que ela usava como base e saiu para avisar o superior. Muriel limpou o local, tirando de lá tudo que pudesse parecer suspeito. No final, o soldado acabou sendo preso por desperdiçar o tempo de seu superior dizendo que uma linda mulher estava fazendo transmissões radiofônicas.
Muriel acabou pegando minigite e morrendo em solo francês. Em Romorantin, o memorial em sua homenagem é muito visitado, não apenas por descendentes dos membros da Resistência, mas também pelos habitantes da região. Ainda em solo francês, sua memória é reverenciada com uma placa no memorial da "Seção F", em Valencay. Na Inglaterra, no memorial da Igreja de St. Paul, Wilton Place, Knightsbridge; e no memorial do Liceu Francês, de Kensington.


quinta-feira, julho 20, 2017

PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA - EDUARDO BUENO

O que era o SOE?


SOE era a sigla da Special Operations Executive (Departamento de Operações Especiais), um órgão do governo britânico cujo objetivo era infiltrar agentes na Europa ocupada pelos nazistas, ajudando a resistência, transmitindo informações e fazendo sabotagens.
Milhares de agentes da SOE foram infiltrados, especialmente na Polônia e na França ocupada.
Tais agentes mostraram imensa coragem, pois poderiam ser pegos a qualquer momento. Apesar disso, eles sabotavam ferrovias, equipamentos de transportes e qualquer outra estrutura que pudesse ser usada pelos nazistas.
Boa parte dos agentes da SOE eram judeus, dispostos a ajudar a derrotar Hitler. Também mulheres faziam parte dessa rede de resistência. Na França duas agentes judias, Muriel Tamara Byck e Daniele Bloch, se destacaram por suas ações ousadas.


Homens do amanhã

Homens do Amanhã, de Gerard Jones (ed. Conrad) é, desde já um dos melhores livros já escritos sobre quadrinhos, mas, mais ainda, um dos mais importantes obras sobre a cultura de massa norte-americana.
O livro conta a história dos criadores do personagem Super-homem, Jerry Siegel e Joe Shuster.
O título é uma referência ao apelido do herói antes dele ser chamado de Homem de Aço, mas é também uma referência aos homens que iniciaram a indústria dos gibis. Eram todos eles, desenhistas, roteiristas e editores, judeus ou filhos de judeus que haviam emigrado para a América fugindo da perseguição na Europa. Viviam em situação miserável, num ambiente hostil de gangues e exploração e morando em casas tão precárias que a maioria das pessoas tinha que dormir nos corredores. Eles não tinham presente, por isso as mães diziam que eles eram homens do amanhã. O futuro lhes reservaria a glória.


O livro é destaque não só pela história de Jerry Siegel e Joe Shuster, mas também pela forma detalhada com que conta a história dos personagens que transformaram sonhos em um negócio lucrativo. Vale destacar também as ótimas análises do ambiente histórico em que esses fatos se deram.


Na era de ouro dos quadrinhos, início dos anos 40, a demanda por gibis era tão grande que qualquer um que apresentasse qualquer projeto, por mais maluco que fosse, era aceito. Jones conta a história de um grupo de garotos que escreveu e desenhou uma revista inteira em um final de semana, comendo ovos cozidos na banheira e bebendo leite, porque o editor precisava colocar a revista na gráfica na Segunda-feira.


Lendo Homens do amanhã descobre-se, por exemplo, que Bob Kane, o criador de Batman, dificilmente escrevia ou desenhava suas histórias. O principal roteirista era Bill Finger e os desenhistas eram uma miríade de fantasmas, alguns dos quais ficaram famosos depois. Até mesmo uma coleção de quadros de palhaços que ele gostava de exibir para as garotas em seu apartamento era obra de outro desenhista.


Os desenhistas trabalhavam como loucos e os editores ficavam ricos. Certa vez Jerry Siegel escreveu para a DC pedindo parte dos direitos autorais e o, na época contador e posteriormente sócio, Jack Liebowitz, respondeu que a empresa estava tendo prejuízo e que portanto eles não tinha direito a nada. Mas mandou um cheque de 500 dólares como demonstração de boa-vontade. Isso numa época em que só a revista do Super-homem vendia um milhão de exemplares, fora as mochilas, lancheiras e programas de rádio.


O super-herói era o mito do judeu americano: "Histórias de identidade secreta sempre obviamente encontraram eco entre os filhos de judeus imigrantes, em virtude da necessidade de máscaras; máscaras que permitiam à pessoa tornar-se americano, moderno, consumidor das coisas do mundo. Mas ao mesmo tempo, permitem fazer parte de uma sociedade antiguíssima, ser um elo de uma velha cadeia sempre estivesse no seio seguro daqueles que conheciam seu segredo". O Capitão América corporificou ainda mais esse mito: "Ele é o garoto subnutrido do gueto que adquire uma força desmedida ao agarrar as oportunidades americanas". Não é à toa que quase todos os personagens de quadrinhos se engajaram na guerra contra os nazistas, e muitos de seus criadores participaram do esforço de guerra criando quadrinhos institucionais ou propagandas. Jack Kirby, o quadrinista mais durão que já existiu, foi para o front e recebeu uma barra de chocolate, um rifle M-1 e ordens de ir lá matar Hitler.


Para eles, portanto, deve ter sido muito doloroso quando, no início dos anos 50, o psicólogo judeu Fredrick Wertham acusou os super-heróis de serem nazistas.
Wertham era influenciado pela escola de Frankfurt, em especial pelo filósofo Theodor Adorno. Adorno era um crítico ferrenho da Indústria Cultural. Dizia que a cultura transformada em produto, tinha o objetivo de despertar paixões e depois fornecer uma resolução falsa e reconfortante, que deixava o consumidor com uma sensação de bem-estar incompatível com as realidades da vida. Para Adorno, isso afastava as pessoas da verdadeira arte, individualizada, que provocava desconforto e fazia pensar.
Muitos pensadores têm destacado o fato da Escola de Frankfurt revelar uma visão elitista da cultura, mas nem o maior crítico dessa corrente poderia imaginar o que Werthan provocou, a partir das idéias de Adorno. Em várias cidades houve queimas públicas de gibis. Voluntários passavam de casa em casa, perguntando para os pais se havia quadrinhos em casa e convencendo-os da periculosidade dos mesmos. O material recolhido era colocado em um caminhão e queimado em praça pública. Depois de Werthan, só o que sobrou foram os gibis mais inocentes e foram varridos completamente das bancas qualquer quadrinhos que provocassem inquietude ou que fizessem pensar.


Quando a comissão que investigava a deliquencia juvenil foi a Nova York e Wertham foi confrontado com Bill Gaines, editor da EC Comics (talvez a melhor editora de quadrinhos de todos os tempos), sua fala revelou como era seu método científico. Ele destacou uma história chamada O Açoitamento, em que um racista reúne os amigos para matar um garoto mexicano com quem sua filha está namorando. No final da história, o homem acaba matando a filha, ao invés do garoto. Era, obviamente, uma crítica ao racismo, mas Wertham só enxergou nela racismo: "Hitler era um principiante comparado à indústria de quadrinhos. Ela ensina aos jovens o ódio racial já desde os 4 anos de idade, antes que tenham aprendido a ler".
O método hipotético-dedutivo, o mais aceito pela comunidade acadêmica, diz que o cientista deve procurar provas de que sua hipótese está errada. Uma tese só era válida se passasse no teste do falseamento. Wertham fazia o oposto. Ele escolhia detalhadamente os exemplos que confirmavam suas idéias e ignorava todo o resto.

Mas o grande vilão do livro de Gerard Jones é mesmo Jack Liebowitz. Imigrante judeu e socialista, ele chegou aos EUA fugindo da perseguição na Rússia. No novo mundo, transformou-se em contador de sindicatos, sempre de olho na utopia socialista sonhada por sua família. Na época da depressão financeira, arranjou um emprego na editora DC como contador e foi responsável pelo equilíbrio financeiro da empresa (que então publicava pornografia e tinha ligações com a máfia) no período da Lei Seca. Com o tempo foi galgando poder e se tornou responsável por garantir os direitos do Superman para a DC, deixando Jerry Siegel e Joe Shuster à míngua. 
Na década de 1960, os principais artistas da casa (Gardner Fox, Curt Swan, Bill Finger e outros) fizeram um movimento por direitos autorais sobre as vendas, remuneração sobre impressões, planos de saúde e aposentadoria. "Sei como se sentem. Também já fui socialista quando era jovem", disse ele, e os despachou com as mãos abanando. Ninguém consegue ser um capitalista selvagem tão bem quanto um ex-comunista...

quarta-feira, julho 19, 2017

Francesco Francavilla


O que aconteceria se os nazistas tivessem ganhado a guerra?


Os historiadores acreditam que, se Hitler tivesse ganhado a guerra na Europa, haveria duas potencias mundiais: Os EUA e a Alemanha. A guerra fria aconteceria entre esses dois países.
Embora esse cenário fosse bom para a Alemanha, seria desastroso para a Europa como um todo. A enconomia nazista era baseada na exploração de outros povos. Depois de tomar todas as riquezas dos judeus e exterminá-los, os nazistas passariam a explorar a mãos-de-obra eslava. Países como Polônia, Ucrânia, Rússia e Iuguslávia seriam apenas um local de onde os nazistas retirariam recursos naturais através de populações escravas.
Os nazistas, diretamente ou através de ditadores simpáticos, dominariam toda a Europa e uma parte da África. Os norte-americanos dominariam a América Latina.
Os judeus, ciganos e testemunhas de Jeová seriam completamente exterminados da Europa. Os poucos sobreviventes se refugiariam na América.
Como boa parte dos melhores cientistas da época eram judeus, isso provavelmente daria uma vantagem tecnológica para os EUA.
O nazismo provocaria uma onda de racismo na Europa, de modo que não haveria tantos imigrantes árabes e latinos.
Os craques brasileiros provavelemente não seriam aceitos nos times europeus.
É provável que, com a vitória da Alemanha, a Argentina se tornasse um país nazista. Isso talvez levasse a um conflito entre Brasil e Argentina.


terça-feira, julho 18, 2017

O mundo petrificado


A questão da realidade sempre foi um dos meus temas mais caros. Escrevi contos, uma novela (O anjo da morte), artigos acadêmicos e esse é o tema principal de minha tese. Afinal, o que é o real? Como podemos distingui-lo da ficção, da fantasia e até de alucinações? Essas são questões que me interessam e que norteiam tanto minha produção literária quanto acadêmica.
Vasculhando minha biblioteca encontro o livro que provavelmente angariou meu interesse pelo assunto. O pequeno livreto de bolso, em papel jornal, foi comprado em um sebo de Curitiba, no dia 04 de janeiro de 1995. O título original era “The New Words of Fantasy”, mas a antologia, organizada por Terry Carr, foi batizada no Brasil como “A era de Aquário”, provavelmente em referência à característica new age, comum a todos os contos.
Dos textos, li alguns e esqueci e simplesmente pulei outros. Um, entretanto, me chamou atenção: “O mundo petrificado”, de Robert Shecley. O texto fala de um homem, Lanigan, que acorda de um sonho cada vez mais recorrente e terrível. Ele teme que este mundo de sonhos substitua o mundo real e é essa perspectiva que o apavora. Nós o acompanhamos em sua ida ao psicólogo. O escritor, habilidoso, vai nos dando pequenas pistas: o relógio de ouro torna-se de chumbo, as horas simplesmente pulam, o concreto se liquefaz sob os pés do vizinho, uma torrente de água corta sua rua e um barco a vapor com chaminés amarelas cruza os céus.
O psicólogo se vê diante de um desafio, única solução possível de cura: provar para o paciente que o mundo em que vivem é real, mais real do que seu sonho que vai cada vez mais tomando conta da realidade.
“Sabemos que uma coisa existe porque nossos sentidos nos dizem que ela existe”, explica o psicólogo. “Como constatamos a retidão de nossas observações? Comparando-as com as impressões sensoriais de outros homens”. Ou seja: a realidade é aquilo que a maioria das pessoas concorda que é.
Lanigan desmaia e acorda. Quando sai do consultório, percebe que o ciclo se completou: finalmente, o mundo terrível de seu sonho se tornou o mundo real. Um mundo petrificado, sem vida. Nele, o banco da esquina seria sempre um banco, nunca se transformaria num mausoléu, num avião ou nos ossos de um monstro pré-histórico. Seu relógio seria sempre de ouro e jamais se transformaria em chumbo. Barcos jamais singrariam o céu verde ou púrpura.
A habilidade do escritor nos tira o chão sob os pés, fazendo com que reflitamos sobre o que é o real, pois nos identificamos com o protagonista e acreditamos, durante todo o conto, que as torrentes de água singrando ruas, ou o morcego que sai do paletó do psicólogo eram alucinações, quando na verdade, eram aquilo que o homem enxergava como real, ou o que era real em uma realidade paralela.
Bons textos mexem conosco, nos fazem olhar perdidos para o nada, absortos com pensamentos que nunca tivemos ou ideias que nunca cogitamos. O pequeno conto de Robert Shecley cumpre muito bem essa função.

Como cancelar serviços da NET


A NET é uma empresa que oferece serviços de TV a cabo, internet e telefone. A coisa mais fácil do mundo é conseguir contratar um serviço deles: você liga e às vezes no mesmo dia aparece um técnico para instalar o equipamento. Cancelar os serviços, no entanto, é um verdadeiro calvário.
Quando morava em Curitiba eu assinava um pacote de internet mais telefone passei por todas as dificuldades que todos enfrentam na hora de cancelar o serviço.
Assim, preparei um passo-a-passo para evitar que outras pessoas passem pelas mesmas dificuldades na hora de cancelar pacotes da NET:

1) Não ligue para o 0800. Eu liguei seis vezes. Em todas elas as ligações demoraram quase uma hora, com atendente me passando para atendente. Em todas eu, teoricamente, conseguia o cancelamento do serviço. Pedia inclusive que me enviassem por e-mail o número de protocolo. Quando ligava de novo, descobria que não havia nenhum registro de pedido de cancelamento.

2) Não se preocupe com número de protocolo. Mesmo quando mandam por e-mail, são apenas números, não dizem nada - até porque o e-mail não traz o assunto ao qual aquele protocolo se refere. Em um processo pode-se descobrir, por exemplo, que aquele número de protocolo se refere a uma gravação vazia. Número de protocolo de ligação não tem nenhum valor legal.

3) Leve o equipamento diretamente na loja. Eles agendaram dia para pegar equipamento e simplesmente não apareceram. Quando meu filho foi levar o equipamento na loja, descobriu que não havia nenhum registro de pedido de cancelamento (apesar das minhas seis ligações).

4) Exija na loja comprovante de entrega do equipamento e de cancelamento do serviço.

5) Se a conta estiver no débito automático, procure o banco para cancelar o débito automático. Mesmo depois de entregue o equipamento e cancelado o serviço, eles provavelmente ainda vão cobrar uma ou duas mensalidades. Eles fazem isso por uma razão muito simples: se o consumidor entrar na justiça, o máximo que irá conseguir será seu dinheiro de volta em dobro. O máximo. E quem vai contratar um advogado e ter todo stress de um processo judicial para receber 300 reais de uma cobrança indevida? Se o débito automático for cancelado e a NET colocar o nome do consumidor no SPC- Serasa, fica caracterizado o dano moral. Aí sim vale a pena um processo, pois os valores altos de indenização por inclusão indevida no SPC-Serasa compensam o processo.

Direto da estante - livros sobre psicopatas


Qual era a arma mais famosa dos nazistas?


A arma que acabou ficando mais famosa e, portanto, conquistando colecionadores, foi a pistola Luger P 08. ela foi criada em 1906 e adotada pelo exército alemão na I Guerra Mundial.
Quando teve início a II Guerra sua produção foi reiniciada, sendo prozidos quatro milhões de exemplares.
A Luger é uma pistola elegante, fácil de manusear e atirar, mas, segundo especialistas, não merece a reputação que acabou ganhando. Sua manufatura é bastante dispendiosa. O mecanismo tem muitas peças miúdas que requerem usinagem e montagem cuidadosas, e as molas têm de ser fabricadas com certo cuidado. O sistema de culatra articulável é sensível às variações da potência do cartucho, o que pode emperrar o funcionamento da arma.

A arma pode emperrar com lama, poeira, gelo e neve. Uma vez que o mecanismo não é coberto, nada impede que esses elementos entrem nele, travando a arma. Esses problemas fizeram com que a Luger fosse substituída, no final da guerra, pela Walter P-38. 

segunda-feira, julho 17, 2017

Francavilla


Os alemães sabiam do holocausto?

Para o historiador Daniel Goldhagen, os alemães sabiam muito bem o que estava acontecendo. Não só sabiam, como participavam e se beneficiavam do holocausto. Exemplos disso são os pertences de judeus enviados para a Alemanha e doados à população.
Para Goldhagen, o anti-semitismo estava intimamente enraizado na cultura alemã e tinha origem na igreja cristã. 
Em seu livro A Igreja Católica e o holocausto ele reflete sobre passagens do novo testamento que são claramente anti-semitas.
Milhões de alemães participaram das atrocidades da guerra e, quando perguntados porque o faziam, diziam que só estavam cumprindo ordens, pois o anti-semitismo era imposto pelo governo nazistas.

No entanto, houve vários casos de alemães que se recusaram a participar das matanças e mesmo assim não foram punidos. Alemães que eram casados com judias e que se recusaram a renegá-las conseguiram salvá-las. 

sábado, julho 15, 2017

Francavilla


Do Inferno

Jack, o estripador é uma das figuras mais famosas da cultura pop. O psicopata que matou uma série de prostitutas no bairro pobre de Whitechapel no final do século XIX foi retratado em dezenas de livros, filmes e até quadrinhos. Assim, espantou a muitos quando Alan Moore, anunciou que faria sua própria versão da história. Àquela altura não parecia possível acrescentar mais nada à lenda do assassino.

Entretanto, Do Inferno, publicada em capítulos entre 1989 e 1996, com desenhos de Eddie Campbell, trouxe um olhar totalmente novo, revolucionário para a história.

O primeiro ponto relevante foi o detalhismo. Moore fez uma extensa pesquisa, e incluiu até mesmo referências bibliográficas ao final do capítulo. Todas as sequências são devidamente referenciadas e, quando ficção, isso é destacado no anexo.

O detalhismo da pesquisa se revela, por exemplo, na forma como é retratado o modo de vida das prostitutas. Lendo a história e o apêndice descobrimos, por exemplo, que a gíria inglesa para a genitália feminina, na Inglaterra vitoriana, era “Hairy-Ford-Shire”, um torcadilho com “Hartfordshire” e que o preço de uma rápida relação sexual era de três pêni. Geralmente o ato consumava-se de encontro a uma parede ou cerca, com ambos os envolvidos em pé, razão pela qual era chamado de “thrupenny uprght” (vertical três pêni). Como método anti-concepcional, a mulher retinha o membro do homem entre as coxas, evitando a penetração (claro que sem o conhecimento do cliente).

                Com um pagamento desses, dificilmente as moças conseguiam dinheiro o suficiente para uma cama e acabavam dormindo em bancos de madeira. Para evitar que caíssem, o dono do banco as amarrava e, no dia seguinte, desamarrava quando queria que elas fossem embora, provocando um verdadeiro desmoronar de mulheres.

Moore transformou a história numa investigação social, política, filosófica e mágica.

                Em Do Inferno, o capítulo que mostra a morte da primeira mulher em Whitchapel é também o que mostra a concepção de Hitler. De fato, pela data de seu nascimento, acredita-se que o futuro Füller teria sido concebido em agosto de 1888, mesmo mês do primeiro assassinato.

                A coincidência não é apenas curiosidade. Alan Moore usa o fato para embasar a idéia principal de sua obra: Jack, o estripador inaugurou o século XX.

Na história, ele Jack é o médico da família real, chamado pela Rainha para resolver um possível escândalo: o princípe engravidou uma moça e se casou com ela. O caso foi abafado, com a moça sendo internada em um asilo e submetida a uma lobotomia. Mas agora suas amigas prostitutas estão fazendo chantagem, ameaçando revelar o caso para a imprensa.

Ao invés de simplesmente matar as garotas, o médico resolve transformar os assassinatos num ritual de magia, criando um século tão frio e sanguinolento quanto ele. De fato, o século XX foi caracterizado por ditadores sanguinolentos, que fizeram do assassinato em massa uma arte.


Aliás, o capítulo em que Jack, na companhia de sua cocheiro, faz um passeio por Londres, dissertando sobre toda a magia envolvida na arquitetura da cidade, é um dos melhores da série – senão o melhor. Para escrevê-lo, Moore pesquisou tanto sobre magia que depois fez uma série exclusivamente sobre o assunto: Promethea. 

O que é funcionalismo e intencionalismo?


Funcionalismo e intencionalismo são duas correntes de pensamento que tentam explicar o massacre efetuado pelos nazistas.
Os funcionalistas acham que a idéia da solução final só surgiu para os nazistas em 1942, com o fracasso da política de deportação de judeus e outas raças indesejáveis e com as derrotas sofridas na Rússia. Para os defensores desse ponto de vista, as fantasias de exterminação delineadas por Hitler em Mein Kampf e outras literaturas nazi eram mera propaganda e não constituíam planos concretos. Um aspecto que tem se destacado é a semelhança desse ponto de vista com a defesa dos oficiais nazistas durante o julgamento de Nuremberg.

Os intencionalistas acreditam que, desde os primeiros passos de segregação de judeus, os chefes nazistas intencionavam matar milhões de pessoas de raças inferiores. A literatura nazista parece corroborar esse ponto de vista.   

sexta-feira, julho 14, 2017

Xuxulu





Como eram identificados os prisioneiros dos campos de concentração?


A grande quantidade de prisioneiros fazia com que se tornasse necessário um método rápido de identificação, especialmente para aqueles que fossem enviados para fazer trabalhos fora do campo. Esse método deveria mostrar, ao primeiro olhar, a que categoria o preso pertencia, pois cada categoria tinha um tratamento diferente.
Os judeus usavam dois triangulos amarelos, formando a estrela de davi, com a palavra judeu escrita no meio. Os que eram considerados apenas parcialmente judeus usavam apenas um triangulo amarelo.
Os dissidentes políticos e socialistas usavam um triângulo vermelho.
O triângulo roxo era destinado aos testemunhas de jeová.
O triângulo azul era usado para imigrantes.
O triângulo castanho destinava-se a ciganos.
As lésbicas usavam um triângulo negro, assim como os álcoolatras.
Os homossexuais usavam um triângulo rosa.

Finalmente, o triângulo verde era destinado aos criminosos comuns, que recebiam privilégios especiais  e tinham poder sobre os outros prisioneiros. 

quinta-feira, julho 13, 2017

Marvels

Em meados da década de 1990 os quadrinhos americanos estavam dominados por revistas sem roteiro, desenhos sem preocupação anatômica, cores digitais e personagens raivosos, como Wolverine e Justiceiro. Foi quando uma minissérie surgiu, criada por dois desconhecidos. Marvels, de Kurt Buziek (roteiro) e Alex Ross (desenho) era em tudo o oposto disso, mas mesmo assim fez enorme sucesso, provocando uma guinada no mercado dos comics.
O primeiro embrião da minissérie surgiu quando Alex Ross apresentou à Buziek a ideia de fazer uma minissérie pintada com histórias fechadas dos principais heróis da Casa da Ideias. Ross não havia imaginado nada em comum que ligasse as dez histórias.
Buziek trouxe uma inovação para a proposta: mostrar o impacto que os super-heróis teriam sobre a vida de pessoas reais. Quando dois super-seres lutavam nos céus de Nova York, o que acontecia com as pessoas lá embaixo? Com os pedestres, taxistas e motoristas e ônibus? Como suas vidas seriam afetadas? Isso se deve ao fato de Buziek ter começado a ler quadrinhos já adolescente, o que o levava pensar em coisas que não eram mostradas nos gibis, tais como imaginar se as garotas tinham em seus quartos pôsteres de Johnny Storm vestindo nada mais que calças jeans.
Os dois artistas apresentaram a proposta para vários editores da Marvel, mas embora a maioria tivesse adorado a arte de Ross, ninguém se interessou em publicar. Até que o projeto caiu na mesa do editor-chefe da editora, Tom DeFalco, que fez uma sugestão que mudaria os rumos da série: que tal, ao invés de contar histórias inéditas dos heróis a partir da perspectiva de pessoas normais, a história focasse em recontar os principais eventos dos quadrinhos Marvel, mostrando-o sob essa perspectiva inovadora?
O diferencial da série já aparecia logo nas primeiras páginas, na sequencia que mostrava o embate entre o Príncipe Submarino e o Tocha Humana original. A arte maravilhosa de Ross mostrava os dois através de um plano inferior, como e alguém os estivesse vendo de baixo para cima e o texto de Buziek afirmava: “Deve ter sido como ler sobre um balé aéreo, maravilhoso e emocionante. E talvez fosse. Mas não para nós. O que nós vimos foi carnificina, destruição e confusão”.

O departamento de Marketing da Marvel ainda tentou incluir o Justiceiro, ou Wolverine na história como forma de ajudar nas vendas. Mas os autores bateram os pés: sua história seria uma homenagem à Marvel Clássica. E fizeram bem: Marvels foi um sucesso absoluto, de público e de crítica. E revolucionou os quadrinhos americanos.  

Galeão


Galeão é uma obra de fantasia histórica escrita por Gian Danton que se passa em algum lugar do Atlântico, no século XVII.

Depois de uma noite de terror, em que algo terrível acontece, os sobreviventes descobrem que estão em um navio que não pode ser governado e repleto de mistérios. A comida está sumindo, alguém está cometendo assassinatos, uma mulher é violentada e o tesouro do capitão parece ter alguma relação com todo o tormento pelo qual estão passando.

Galeão mistura vários temas da ficção fantástica e outros gênero numa trama policial, já que um psicopata parece estar agindo entre os sobreviventes. A história torna-se, assim, um quebra-cabeça a ser desvendado pelo leitor.

Valor: 25 reais - frete incluso. 

Pedidos: profivancarlo@gmail.com. 

Por que os nazistas perseguiam os ciganos?


Os Ciganos sempre foram perseguidos na Europa. Da mesma forma que os judeus, eles formavam uma espécie de párias dentro da sociedade. Um dos aspectos que fez com que eles ganhassem uma péssima imagem foi o fato deles lidarem com profissiões mal-vistas pela igreja católica, ligadas ao entretenimento (músicos, dançarinos e advinhos), à morte (açougueiros) e à sujeira (ferreiros). Na Idade Média, dizia-se que os pregos que prenderam Jesus na cruz tinham sido feitos por um cigano.
Precoceitos desse tipo motivaram várias perseguições. Quando a Penísula Ibérica foi retomada dos árabes, os ciganos foram expulsos de lá. No século 16, eles também foram expulsos da França. Um lei inglesa proibia ser cigano. Nas Balcãs e na Romênia eles foram transformados em escravos.
Os nazistas se apropriaram dessa tradição ao perseguirem os ciganos, mas os antropólogos alemães se depararam com algo inesperado: o fato dos ciganos serem descendentes dos arianos. Seriam, na verdade, arianos que teriam voltado para a Europa depois de terem ido para o Oriente.
Esse dilema foi resolvido pelo professor Hans Gunter, que escreveu: “Os ciganos retiveram na verdade alguns elementos da sua origem nórdica, mas eles descendem das classes mais baixas da população dessa região. No decurso da sua migração, eles absorveram o sangue dos povos circundantes, tornando-se assim uma mistura racial oriental, asiática-ocidental com uma adição de ascendência indiana, centro-asiática e europeia”.

Em outras palavras, os ciganos eram arianos decandentes, rebaixados pela mistura racial e, como tal, deveriam ser também perseguidos.