sábado, julho 21, 2018

Quem foi Joseph Mengele?


Mengue foi um dos principais criminosos de guerra nazistas, responsáveis por alguns dos momentos mais cruéis da perseguição a judeus, ciganos e outras minorias. No campo de Auschwitz era chamado de Anjo da morte.
Mengele nasceu na Alemanha, em 1911 e estudou medicina e filosofia na Universidade de Munique.  Foi discípulo de Ernst Rudin, um cientista que defendia que os médicos tinham o dever de eliminar criaturas indesejáveis, como judeus, ciganos, homossexuais e deformados.
Em 1943 foi designado para Auschwitz como Coronel-Médico da SS. Lá, comandou o massacre de judeus. Ao separar os que iam morrer dos iam sobreviver, ele escolhia para seu zoológico aqueles que seriam vítimas de suas terríveis experiências. Era realmente fascinado por gêmeos. Quando um deles morria, mandava imediatamente matar o outro para poder fazer uma autópsia simultânea, comparando as duas fisiologias.
Também gostava de anões de deficientes físicos. Apreciava de dissecá-los vivos, sem anestesia, na tentativa de provar que as deformidades eram fruto da miscigenação das raças.
Também comandou experiências sobre calor e frio, indentificando até que ponto o ser humano podia aguentar os extremos desses dois estados.
Há o caso de dois gêmeos, que ele amputou e uniu, para saber se haveria rejeição. Eles gritaram de dor até a morte por gangrena.
Ele também injetava pinta azul nos olhos de crianças, na tentativa de transformá-las em arianos puros.

Com o fim da guerra, fugiu e escondeu-se na Alemanha até 1949. Depois foi para a Argentina e para o Brasil, onde viveu num sítio próximo de São Paulo, ouvindo Mozart e Wagner e sustentado por amigos nazistas. Morreu afogado numa praia de Bertioga, em 1979. 

A arte polêmica de Caravaggio


Michelangelo Merisi da Caravaggio é um dos grandes nomes do barroco italiano. Sua obra é considerada uma das mais emblemáticas do período, entretanto provocou grande polêmica à época por retratar figuras bíblicas com feições de pessoas comuns da italiana renascentistas, inclusive prostitutas e cafetões amigos seus. Sua obra angariou severos críticos, mas também apaixonados admiradores. Confira algumas pinturas desse controverso artista.  










sexta-feira, julho 20, 2018

A Salamanca do Jarau



À primeira vista, título e capa de A Salamanca do Jarau podem assustar os leitores de quadrinhos. Afinal, o que é Salamanca? O que é jarau? E a capa não nos dá muitas pistas sobre o conteúdo. Entretanto, quem se aventurar a comprar essa graphic novel de Kipper (baseada na obra homônima de Simões Lopes Neto), editada pela editora Estronho, vai se surpreender com o que pode ser um dos melhores lançamentos do ano.
Kipper é um veterano dos quadrinhos (em 1991 ele fez a capa do volume Zona do Crepúsculo, com histórias minhas em parceria com o compadre Joe Bennett). Entre seus trabalhos mais famosos estão a revista Front.
Simões Lopes Neto é um dos grandes folclorista do Rio Grande do Sul, tendo reunido em sua literatura os causos e o modo de falar do gaúcho.
A Salamanca do Jarau narra uma história longa e complexa, que reúne a mitologia indígena do sul com as lendas europeias, em especial da moura encantada, princesas míticas que guardavam tesouros.
Blau Nunes, um típico gaúcho procura um velho mágico, conhece a história da Moura e passa por sete provas, ao final ganhando um prêmio que se revela uma maldição.
A linguagem do álbum é tanto mérito quanto dificuldade. Mérito porque dá o tom correto narrativa, dificuldade porque exige do leitor muita atenção para entender o que está sendo dito. Logo de entrada, temos: “Um dia, um gaúcho pobre, Blau de nome, guasca de bom porte. Mas que só tinha de seu um cavalo gordo, o facão afiado e as estradas reais. Estava conchavado de posteiro. Ali na estrada do rincão. E nesse dia andava campeando um boi barroso”.
Felizmente há um glossário no final do volume, que torna menos dificultosa a tarefa de entender o dialeto gaúcho.
Kipper é um quadrinista que une o talento sequencial ao melhor das artes plásticas.
Ou seja: é um volume lindo de ver e interessante de ler.
De negativo apenas o balonamento. O álbum lembra muito os quadrinhos europeus e ficaria com um ar ainda mais interessante se seguisse os tipos usados na Europa, ao invés da tipologia americana utilizada.

O seriado do Demolidor e a linguagem dos quadrinhos

Durante muitos anos se afirmou que os quadrinhos emburreciam as crianças, pois mostravam tudo e não deixavam nada para a imaginação. Quem disse isso, claro, nunca leu quadrinhos. A imaginação do leitor trabalha entre um quadro e outro, completando aquilo que não é mostrado. Essa é a grande característica da linguagem dos quadrinhos: elipses entre uma ação e outra que são completadas pelo leitor, que deve, obrigatoriamente, ser ativo nesse processo, ou não vai entender nada. 
Ao adptar quadrinhos para cinema e TV, diretores tentaram usar elementos da linguagem de quadrinhos, como requadros simultâneos, balões, onomatopéias. Mas o melhor acerto veio da série do Demolidor, que se apropriou dessas elipses: o expectador muitas vezes não vê o que está acontecendo, e apenas imagina, completa a ação que não é mostrada.
Numa época de filmes de ação desenfreada ou verborragia pseudo-intelectual, series como essa salvam o dia.

quinta-feira, julho 19, 2018

Planeta dos macacos


Planeta dos Macacos, filme de 1969, dirigido por Franklin J. Schaffner, é uma daquelas obras que, em meio à aventura e à ficção científica, fazem a plateia pensar. Nele, astronautas cruzam o espaço e caem numa terra estranha, em que os humanos são selvagens que não falam e os macacos dominam. Posteriormente fica claro que se trata de uma terra do futuro, na famosa cena de Charlton Heston diante da estátua da liberdade meio encoberta pela areia.
A sacada mais genial do filme (a revelação final) foi, provavelmente, obra do roteirista Rod Serling, que já havia usado um final parecido em um episódio do seriado Além da Imaginação, em que astronautas caem em um planeta e acabam se matando uns aos outros achando que não encontrarão água e comida para só depois descobrirem que estavam no deserto do Novo México.
A genialidade do filme está não só em ter cenas inesquecíveis, ou ser uma das melhores ficções científicas de todos os tempos, mas também em refletir sobre a questão do humano e a cegueira dos paradigmas.
O filme teve sequências, um seriado de TV, um desenho animado, a pífia refilmagem de Tim Burton e agora estreia mais uma série de filmes. Mas nenhuma dessas obras chega ao menos perto da pungente versão original de 1969.

Príncipe Valente, o grande clássico dos quadrinhos


O Príncipe Valente surgiu no do­mingo de 13 de fevereiro de 1937. O seu criador, Hall Foster, entretanto, o havia imaginado desde 1934, quando fazia as historias de Tarzan para a United Features Syndicate. Em 1936 ele ofereceu à distribuidora seu personagem medieval. Mas United queria que ele fizesse uma tira diária e, caso tivesse sucesso, passaria a uma página dominical colorida. Foster, de traço muito detalhado para tiras diárias, preferiu apresentar seu personagem à concorrente King Features Syndi­cate , a mesma que publicava o Flash Gordon de Raymond.
    A KFS aceitou na hora e, fevereiro de 1937 saia a primeira prancha de Príncipe Valente. O personagem deveria se chamar Arn, mas a distribuidora achou que Valente teria um maior impacto nas vendas. Foster aceitou, mas posteriormente deu o nome de Arn ao filho do protagonista.
    Príncipe Valente se passava numa Idade Média romântica, dos tempos do Rei Arthur. Assim, o jovem príncipe, descendente de um trono que foi tomado pelos bárbaros, vive várias aventuras até chegar a Camelot, tornando-se um dos membros da Távola Redonda. A pesquisa histórica é impressionante. Foster comprava livros e percorria museus, coletando informações sobre as roupas, costumes e arquitetura da época. Apesar de, visualmente, a história ser uma reprodução fiel do período histórico, Foster não se prendia à cronologia. Cavaleiros medievais conviviam com soldados romanos e até com dinossauros.
    Para não perder nada de seus desenhos detalhistas, Foster não usava balões. A narrativa e os diálogos eram acomodados abaixo dos quadros. Apesar disso, o autor explorou bem a linguagem dos quadrinhos, com seqüências dinâmicas poucas vezes vistas. Se o desenho está entre os melhores já surgidos nas histórias em quadrinhos, o texto não ficava atrás. Sem cair na redundância, eles complementavam perfeitamente as imagens.
A qualidade da historieta era tão notória (tanto em termos de desenho, quan­to de texto) que Príncipe Va­lente foi uma das poucas HQs poupadas pela caça aos quadrinhos da década de 50.
Príncipe Valente foi o primeiro personagem de quadrinhos a envelhecer, na proporção de um ano para cada dois anos dos leitores. Ele se casou, teve filhos e o príncipe Arn já é, hoje, mais velho do que seu pai era quando começaram as aventuras.
As pranchas de Príncipe Valente foram publicadas em álbuns luxuosos pela Editora Brasil-América – Ebal – com grande sucesso e essa coleção está sendo relançada pela Opera Graphica. Não existe colecionar sério de quadrinhos que não tenha pelo menos um livro dessa obra-prima em sua estante.

quarta-feira, julho 18, 2018

O cão da meia-noite, de Marcos Rey


No final do século XIX e início do século XX a literatura brasileira era dominada pelos parnasianos. Um dos princípios dessa corrente literária era a linguagem empolada, difícil, afastada do populacho. Monteiro Lobato foi o primeiro a se revoltar contra essa maneira de escrever - a ponto de se recusar a ser chamado de escritor, pois associava o nome à "alta literatura" e, por tabela, aos parnasianos. Para Lobato, a literatura devia falar a língua do povo, repetir suas gírias e modos de dizer. Posteriormente, essa proposta seria levada a cabo pelos modernistas, mas ninguém conseguiu encarnar a proposta de Lobato de maneira tão completa e perfeita como Marcos Rey. O grande autor de livros juvenis, cujo pai era encadernador na gráfica lobatiana, conseguiu como ninguém apanhar o jeito de falar de toda gente e transformá-lo em palavra impressa. Ótimo exemplo disso é o livro de contos O cão da meia-noite (Global editora, 216 páginas). 
No volume, Rey conta histórias de pessoas normais que acabam sendo envolvidas em algum tipo de drama. Algo em comum em todos eles é iniciar com um episódio cotidiano, pitoresco (como amigos que se encontram num bar, ou um homem que resolve adotar um cachorro), que vai se tornado mais e mais complexo ao correr das páginas. 

No primeiro conto, "Eu e meu fusca", vemos o que parece ser o relato apenas de um garoto viciado em seu carro, mas que logo se torna uma história policial no melhor estilo serial killer (provavelmente um dos primeiros textos ficcionais sobre o assunto escritos no Brasil). Todo narrado em primeira pessoa, o texto repete as gírias das ruas da década de 1960.

Em "O bar dos cento e tantos dias" um redator publicitário desempregado conhece um boêmio que lhe dá dicas de empregos (quase sempre furadas) enquanto lhe ensina a "observar o espetáculo da cidade" e seus personagens - um exercício que certamente o autor fez à exaustão, a se tirar pela fauna presente nesse livro. 

No conto que dá título ao livro vemos um homem que encontra um cachorro de rua e resolve leva-lo para casa e cuidar dele. Ocorre que se trata de um cão de rua, incapaz de viver preso. O que começa como um simples gesto de carinho acaba se tornando uma obsessão assassina e acabamos tendo mais uma história policial. Para entender "A escalação" é interessante saber que Marcos Rey foi roteirista de cinema, mais especificamente da pornochanchada, o que lhe permite falar com muita propriedade do assunto. No texto, um produtor cinematográfico reúne o elenco de seu novo filme, mas joga psicologicamente com cada um deles de modo a sempre ganhar. Ali temos desde o roteirista que aceita qualquer salário porque é perseguido pela ditadura e ninguém quer lhe dar emprego até a atriz decadente em busca de um papel que a traga de volta à cena. 

Muito difícil escolher o melhor conto num livro de pérolas como esse, mas se fosse necessário, eu escolheria "O adhemarista". O mote é simples, quase irrisório: um taxista que faz campanha para Adhemar de Barros num texto narrado por um amigo igualmente taxista. Nada demais. Mas Marcos Rey nos revela neste conto uma verve psicológica, um talento para coletar tipos e a capacidade de escrever como as pessoas de determinada época falavam de maneira ímpar. Saca só: 

"Aquela foi a semana mais quente que o Moa (Moacir) viveu na puta da vida. Nós, do ponto, é que sabíamos. Quente, digo, em toda parte. No carro, na rua, na sede do partido, na Lila, em casa. O homem estava envenenado, com fé em Deus e pé na tábua, dormindo só uma três horas por noite. Foi também a semana do papo, da lábia, da saliva, dia e noite de campanha, amarrando votos, aliciando os indecisos. Nunca vi na life um cabo eleitoral com tanta corda, tanta garra, tanto embalo".

Não bastasse a ótima análise do tipo fanático, que transforma política em torcida de futebol e coloca a eleição acima de tudo, Marcos Rey ainda constrói sua narrativa como um verdadeiro suspense policial, em que o mistério não é saber quem é o assassino, mas quem irá ganhar a eleição. 

"Soy loco por ti, América!", repete o tema de "A escalação". Nele, vemos uma festa de granfinos e estrelas do cinema e da televisão no dia anterior ao golpe militar. Regada a lança-perfumes, a festa, que começa tímida, torna-se um verdadeiro circo, com direito a gay enrustido, que de repente se interessa por uma atriz, para desespero de seu parceiro assumido, a atriz que humilha o produtor que a recusou antes da fama e anfitrião que filma tudo. 

Em "Traje de rigor" encontram-se no bar quatro homens muito diferentes: um publicitário (cujos slogans, como "Mil a vista e o resto a perder de vista", lhe renderam um ótimo salário), um jornalista decadente, que parece interessado unicamente em vender um revólver para qualquer um que encontre, um velho cantor igualmente decadente e um homem de família, com filho doente em casa, que quer apenas levar uma lata de leite em pó para casa. Esses quatro juntam-se numa inesperada jornada pela noite de São Paulo que a vai se revelando mais e mais surpreendente a capa página (o homem de família, por exemplo, acaba se mostrando o mais bôemio). 
Finalmente, em "Mustangue cor-de-sangue" acompanhamos o relato de um redator de um programa infantil estrelado por um anão que no dia-a-dia é um devasso e, na ocasião, resolve transar justamente com a vedete pela qual o escriba é apaixonado. O conto oscila entre as tentativas do anão e as fugas da moça, interessada em um contrato na TV e os planos do intelectual para salvá-la e, ao mesmo tempo, tirar sua casquinha da moça. Daria uma ótima pornochanchada, como muitas das que foram escritas por Marcos Rey para a boca do lixo na década de 1970. Aqueles que, quando crianças e adolescentes se deliciaram com as histórias de Marcos Rey para a coleção Vaga-lume irão se deliciar ao descobrir esse outro lado do escritor. 

Literatura, racismo e petróleo

Leia o trecho: "Ele propôs-lhe morarem juntos, e ela concordou de braços abertos, feliz de meter-se de novo com um português, porque, como toda cafuza, não queria sujeitar-se a negros e procurava instintivamente o homem numa raça superior à sua". Parece racista, não? Esse é só um dos muitos exemplos de racismo encontrados na obra de de... Aluísio de Azevedo. O romance O cortiço, por exemplo, é todo construído a partir de ideias racistas – é um livro cujo racismo é a base a partir da qual foi construída a trama. Da mesma forma, vários outros escritores brasileiros do final do século XIX e início do século XX eram racistas e rechearam suas obras de textos racistas.
No entanto, você nunca viu capas de revistas com destaque para o racismo de Aluísio de Azevedo. Nunca viu campanhas na internet ou memes com suas frases racistas. Por que não? Por que Azevedo, assim como outros escritores racistas, nunca mexeu com petróleo.
Lobato morou algum tempo nos EUA e percebeu que a base da riqueza e do desenvolvimento daquele país estava no petróleo e no ferro. E voltou ao Brasil disposto a puxar uma campanha: o petróleo é nosso. Foi boicotado de todas as maneiras. Seus sócios foram mortos, ele foi preso, poços que jorravam petróleo foram concretados. Quando um dos entusiastas da campanha do petróleo foi equivocadamente para a sede da Standard Oil (conhecida como Shell) achando que era uma empresa nacional, o diretor regional explicou-lhe algumas verdades: “Vocês partem do ponto de vista de que o petróleo é um negócio nacional, de cada país. Não é. O petróleo é um negócio internacional da Standar. Ela criou esse negócio no mundo e o mantém contra tudo e contra todos. Contra a vontade da Standard país nenhum tira petróleo que haja em suas terras”. 
Lobato denunciou a situação em um livro para crianças, O poço do Visconde, e em um livro para adultos, O escândalo do petróleo e do ferro. Toda uma geração cresceu sabendo a importância do petróleo para a economia de um país e como esse petróleo era cobiçado pelas grandes companhas estrangerias.
A campanha O petróleo é nosso, criada por Lobato ganhou força na década de 1950. Foi quando começou a primeira campanha contra Lobato: acusavam-no de ser comunista para desacreditá-lo. No final, o petróleo foi nacionalizado, mas quem ganhou os créditos foi Getúlio Vargas, o mesmo que havia perseguido Lobato anos antes justamente por conta do petróleo.
Em 2011 começou uma nova campanha. Agora com foco no racismo. O objetivo não era alertar para o fato de que a maioria dos escritores do final do século XIX e início do século XX eram racistas e esse racismo, fruto de sua época, se refletia em sua obra (a exemplo do romance O cortiço, cujo racismo permeia todas as páginas). Era focada única e exclusivamente em Monteiro Lobato. Nenhum outro escritor era sequer citado. Dava a impressão que Lobato tinha inventado o racismo no Brasil. Mães apavoradas devolviam livros de Lobato nas livrarias.
E o que estava acontecendo em 2011? Começava-se a discutir a venda dos direitos de exploração do pré-sal para empresas estrangeiras (foram vendidos alguns já naquela época e outras mais recentemente).          
Ninguém estrilou. Afinal, “O petróleo é nosso” passou a ser coisa de escritor racista. Coincidência? 

terça-feira, julho 17, 2018

Quem era Rudolf Hoss?


Rudolf Hoss foi o chefe do campo de extermínio de  Auschwitz-Birkenau, um dos mais terríveis instalados pelos nazistas e onde morreram pelo menos um milhão de pessoas.
Hoss nasceu na cidade de Baden-Baden, na Alemanha. Lutou na I Guerra Mundial, tendo recebido a cruz de ferro por sua participação no conflito.
Em 1922 filiou-se ao partido nazista.
Em 1934 entrou para a SS, a terrível polícia política nazi, mais especificamente na Unidade Caveira. .
Em 1935, foi transferido para o campo de concentração de Dachau, onde se destacou graças ao seus senso de responsabilidade. Depois tornou-se ajudante do chefe do campo de Sachsenhausen. Em 1939-1940, depois de aliar-se à Waffen SS, tornou-se comandante em Auschwitz, onde organizou a solução final e ficou amigo do médico Josef Mengele.
Lá ele chegou a testar ácido sulfúrico como forma de matar judeus, mas acabou se decidindo pelo pesticida Zyklon-B, um cianeto super-poderoso e tão mortal para os seres humanos que acabou substituindo métodos antigos, como o gás carbônico usado em outros campos.
Hoss foi capturado pelos birtânicos em 11 de março de 1945. Em 2 de abril de 1947, foi sentenciado à morte por enforcamento. A sentença foi executada no dia 16 de abril do mesmo ano, na entrada do que outrora fora o crematório do campo de concentração Auschwitz I.

Galeão


Galeão é uma obra de fantasia histórica escrita por Gian Danton que se passa em algum lugar do Atlântico, no século XVII.

Depois de uma noite de terror, em que algo terrível acontece, os sobreviventes descobrem que estão em um navio que não pode ser governado e repleto de mistérios. A comida está sumindo, alguém está cometendo assassinatos, uma mulher é violentada e o tesouro do capitão parece ter alguma relação com todo o tormento pelo qual estão passando.

Galeão mistura vários temas da ficção fantástica e outros gênero numa trama policial, já que um psicopata parece estar agindo entre os sobreviventes. A história torna-se, assim, um quebra-cabeça a ser desvendado pelo leitor.

Valor: 30 reais - frete incluso. 

Pedidos: profivancarlo@gmail.com. 

A arte vintage de JJ Marreiro


Cartunista, Quadrinista, Ilustrador, Escritor. Formado em Publicidade pela Universidade de Fortaleza. Três vezes vencedor do HQMix de melhor Fanzine (com o Manicomics) e dos troféus Prismarte, DB Artes e Pop Balões, criador dos personagens Zohrn, Mulher-Estupenda, Beto Foguete e da Tira Lucy & Sky. Marreiro começou a trabalhar com quadrinhos em 1991 ilustrando material de informática e ministrando aulas de desenho para crianças. Participou dos álbuns MSP + 50, Monica's, O Gralha-Tão banal quanto original, As Aventuras Perdidas do Capitão Gralha. Sua arte se destaca principalmente pelo estilo vintage, que emula perfeitamente o estilo dos grandes desenhistas da era de ouro. Seu trabalho pode ser visto no laboratorioespacial.blogspot.com e facebook/laboratorioespaciall. 
















segunda-feira, julho 16, 2018

Admirável mundo novo


Ao lado de 1984, de George Orwell e de Farenheit 451, de Ray Bradbury, Admirável mundo novo, de Adous Huxley, constituí a tríade das mais famosas obras distópicas.
As distopias surgem no início do século XX quando fica claro que o paraíso antevisto no século XIX não iria se concretizar. As pessoas da era vitoriana vislumbrava o futuro como um éden em que a tecnologia libertaria a humanidade do trabalho, da opressão e das doenças. Viveríamos um mundo de felicidade, dedicado apenas ao prazer. Mas a primeira guerra mundial e a difusão de regimes totalitários logo em seguida mostrou que o século XX seria o oposto. A tecnologia seria usada para oprimir e matar e ao invés de liberdade, seríamos escravos de regimes autoritários.
No mundo de Admirável mundo novo, as pessoas são geradas de forma artificial de acordo com classes rígida – os mais aptos intelectualmente são a classe dominante, com funções administrativas. Os mais aptos fisicamente exercem profissões como faxineiros. Desde pequenos, são condicionados através de um sistema subliminar que lhes ensina a serem felizes com sua posição na sociedade e se conformarem com as coisas como elas são.
É um mundo de falsa felicidade, embalado pela droga soma, consumida avidamente por seres vazios. Esse mundo é abalado pela presença de um selvagem, cuja presença questiona faz com que alguns questionem essa falsa felicidade.
Admirável mundo novo é um livro complexo, rico, mas se sua mensagem pudesse ser expressa em uma única frase, seria: nenhuma felicidade vale o preço da liberdade.

Terra de gigantes


Terra de gigantes foi o mais audacioso, criativo e caro projeto de Irwin Allen, o produtor de vários seriados de sucesso da década de  1960, como Viagem ao fundo do mar e perdidos no espaço.
A história se passa no ano de 1983, quando uma nave terrestre é envolvida por uma névoa magnética e transportada para um planeta 12 vezes maior que a Terra.
A nave ficou avariada, impossível de regressar, iniciando uma série de perigosas aventuras para os seus sete passageiros.
Os gigantes, em sua maior parte, são seres perigosos e desejam capturar os “Pequeninos”, como costumam chamá-los, a todo custo, visto que a tecnologia dos gigantes está 50 anos atrasada em relação à Terra. Logo no dia em que os Pequeninos chegam ao planeta,  já são vistos pelos gigantes e se tornam interessantes para estudos de cientistas, para servirem de brinquedo, ou mesmo para gerar lucro, como em um circo, por exemplo.
A população do planeta é controlada por um Regime Autoritário de Poder, muito assemelhado a ditaduras, que na época em que a série foi gravada, eram mais numerosas que nos dias atuais. Com isso, as histórias de Terra de Gigantes foram críticas evidentes ao autoritarismo.
Curiosidades
- Para dar maior impressão de que os atores gigantes realmente tinham alguns metros de altura, as cenas eram filmadas de baixo para cima, a uma certa distância.
- A maquete da nave Spindrift tinha praticamente 1,80m de comprimento e contou com peças já utilizadas em outras produções da Fox. Os assentos da cabine, por exemplo, foram usados no filme “O Planeta dos Macacos” (1968). Por sua vez, partes originais da Spindrift foram reutilizadas no filme “Cidade Sob o Mar” (1970).
- A equipe de criação e design era muito competente e conseguiu reproduzir bem alguns objetos em grandes dimensões, como hidrantes, câmeras, coleira de um cão, um esfregão ameaçador, tubos de ensaio, uma galinha com fome, drenos, rédeas de um cavalo, entre outros, mas quando um gigante pegava um pequenino, era sempre uma mão mecânica.
A série Terra de Gigantes foi retransmitida para mais de 80 países, incluindo da América Latina. No Brasil, a estreia foi pela TV Record de São Paulo, no dia 2 de março de 1969, às 18h30, um domingo.
Por volta de 1974, passou a ser exibida pela Rede Globo e, anos depois, pela TV Tupi.

Capas da Grafipar


Grafipar foi um das mais importantes editoras de quadrinhos brasileiras. Sob a liderança de Cláudio Seto, a editora montou um catálogo de dezenas de títulos, sempre com toques de erotismo.
Confira algumas capas dessa editora.






Flash Gordon e a aventura espacial


Buck Rogers, Dick Tracy e Tarzan causaram uma verdadeira revolução nas histórias em quadrinhos. O clima de aventura, o desenho realista e os cenários gran­diosos conquistaram os leitores.

Já não havia mais lugar para as tiras cômicas e um dos maiores syndicates da época, o King Features Syndicate entrou em desespero: Fazia-se urgente encontrar alguém que trabalhasse tão bem com a aventura quanto a con­corrência.

Para isso foi instituído um concurso interno. Quem acabou ganhando foi um ex-oficce-boy da empre­sa. Seu nome era Alex Raymond e seu personagem era Flash Gordon, um dos maiores sucessos da época.

          A história estreou num domingo, 7 de janeiro de 1934. Os leitores americanos abriram seus jornais e tive­ram um grande impacto. Lá es­tava um herói novo, diferente de todos os outros que o haviam an­tecedido. Era a primeira história de Flash Gordon, de Alex Ray­mond. De lambuja, vinha como complemento o personagem Jim das Selvas - também com dese­nhos de Raymond.

Flash Gordon veio para re­volucionar o conceito de aventu­ra. Nela predominava a imaginação: moças bonitas, homens-leão, povos submarinos, princesas estelares, vilões insa­nos e um herói ariano (exemplo perfeito de conduta e boas inten­ções) conviviam numa mesma pagina.

Flash Gordon não para­va. Mal conseguia se livrar de monstros pré-históricos e caia nas mãos de um imperador tirâ­nico. Era como se estivesse pas­sando por um eterno teste de provas.

A historieta - que tinha ro­teiros anônimos de Don Moore - tornou-se um sucesso absoluto de vendas. O traço forte e elegante de Raymond conquistou os leitores e conseguiu dar ao personagem uma imponência que ninguém nunca mais conseguiu.

Flash Gordon surgiu para concorrer com o grande campeão de vendas da época, Buck Ro­gers, mas com o tempo, Flash ultra­passou de longe o seu concorrente do século XXV. Praticamente junto com Flash Gordon, Raymond desenhou dois outros persona­gens nos moldes dos que já faziam sucesso na época: Jim das Selvas (baseado em Tarzan) e Agente Se­creto X-9 (para concorrer com Dick Tracy).

“Agente Secreto X-9” era de autoria do famoso escritor policial Dashiel Hammet e transmitia o clima de tensão que os gángsters impri­miam aos anos 30. Detalhe: esse trabalho de Hammet geralmente não aparece nas biografias do es­critor.

Já Jim das Selvas era, a principio, uma espécie de aventureiro, um caçador intrépido enfrentan­do todos os perigos da selva. Com o tempo, Jim começou a se envol­ver em tramas internacionais, mas nem por isso perdeu sua força.

Alex Raymond foi um dos maiores desenhistas dos quadri­nhos. O seu traço elegante in­fluenciou toda uma geração. Os seus persona­gens, entretanto, não tiveram muita sorte.

Depois da morte de Raymond, no final dos anos 40, Flash Gordon ainda passou por um bom momento no início da década seguinte nas mãos de Dan Barry (desenhos) e Harvey Kurtzman (roteiro). Mas, assim que Kurtzman saiu do roteiro a história perdeu muito do caráter onírico que tinha no início.

O grande seguidor au­têntico de Raymond a ilustrar seus personagens  foi All Williamson, que desenhou três números da revista do Flash Gordon e a tira do Agente Secre­to X-9 durante 13 anos.

Além do ótimo desenho e das tramas de matinê, terminando sempre em suspense, Flash Gordon é lembrado também pelas antecipações. Foi nessa história em quadrinhos que apareceu pela primeira vez a mini-saia, o raio laser e o forno microondas. Em um de seus boletins oficiais, a NASA admitiu que os quadrinhos do personagem foram usados para solucionar problemas de aerodinâmica dos primeiros foguetes espaciais norte-americanos. 
Flash Gordon também foi a grande fonte de inspiração para outra grande saga moderna: os filmes da série Star Wars. Como não conseguiu autorização para filmar o personagem, George Lucas criou a série Guerra nas Estrelas baseada em Flash Gordon.