sábado, junho 23, 2018

Ofizine


Em 1993, nas calouradas do curso de Comunicação da Universidade Federal do Pará, me convidaram para ministrar uma oficina de fanzine. Eu ainda era aluno da universidade e acho que fui o único estudante a ministrar oficina.
A oficina fez tanto sucesso que quando eu saí de Belém, outras pessoas continuaram, inclusive egressos desse primeiro curso. O resultado prático foi o Ofizine, que, pelo que me disseram, teve várias edições.
Certa vez estava na rodoviária de Londrina, após participar do congresso Intercom quando uma moça veio convesar comigo. Disse que tinha participado daquela primeira oficina e tinha gostado muito e ainda guardava o fanzine que havíamos feito. Quando a encontrei de novo, na feira do livro de Belém, ela já tinha feito concurso e era professora do curso de comunicação da UFPA – e ainda lembrava dessa oficina.

Tom Strong - nos confins do mundo

O último volume da série Tom Strong volta a trazer roteiristas e artistas convidados (com a volta de Alan Moore na última história). O grande destaque sem dúvida é a participação de Michael Moorcock, famoso escritor de fantasia, criador do personagem Elric. 
Moorcock coloca o herói em uma história de piratas dimensionais. Há várias referências aí: o investigador metatemporal que contata Tom Strong é nitidamente uma referência ao Dr. Who e o vilão da história parece ter saído diretamente Melniboné (a ilha de Elric). O desenho de Jerry Ordway se encaixa perfeitamente na narrativa, com um traço mais sujo que a média da seríe. Steve Moore constrói uma HQ explorando os elementos pulp fiction do personagem. Joe Casey escreve uma história em que Pneuman começa a assumir comportamento estranho para um robô e Peter Hogan costura uma ponta solta da série.
E, claro, temos a volta de Alan Moore, na última história, interligada com a saga final de Promethea. Alan Moore é Alan Moore, de modo que mesmo que as outras histórias sejam boas, esta é um salto de qualidade no texto, a ponto de tornar interessante uma HQ em que nenhuma ação de fato acontece (embora o final nos reserve uma grande virada).

A arte impressionante de Gian Lorenzo Bernini



Bernini foi o grande artista do barroco italiano. Era pintor, escultor, arquiteto, teatrólogo. Seu domínio da técnica da escultura era tamanho que ele parece transformar mármore em pele humana.












Quem foi Oscar Schindler?


Oskar Schindler  foi um empresário tcheco que ficou famoso por salvar 1.200 trabalhadores judeus do holocausto.
Schindler se tornou membro do partido Nazista assim que a Alemanha anexou a região dos Sudetos, em 1938. Quando a  Polônia foi invadida, ele se mudou para o país pensando em ganhar dinheiro aproveitando a mão-de-obra escrava de judeus. Ele abriu, então, uma fábrica de esmaltados e conseguiu trabalhadores do gueto de Cracóvia.
Em março de 1943 o gueto foi desativado. Os moradores foram mortos e os sobreviventes enviados ao campo de concentração de Plaszow. Os trabalhadores de Schindler ficavam o dia todo na fábrica e à noite voltavam para o campo de concentração.
Mas a grande ação humanitária de Schindler aconteceu em  1944, quando os administradores do campo receberam ordens de desativá-los e enviar todos os judeus para campos de extermínio.
Schindler subornou os oficiais para convencê-los de que precisava de operários especializados. Com isso fez uma lista com 1200 nomes, incluindo crianças, que acabaram sendo salvos do holocausto e enviados para uma fábrica adquirida por ele na sua cidade natal de Zwittau-Brinnlitz. Ainda teve de subornar mais oficiais, pois o trem que levava as mulheres foi desviado e enviado para Auschiwitz.
Nos últimos dias da guerra, com a proximidade do exército russo, Schindler fugiu para a Alemanha, em território controlado pelos norte-americanos e ingleses.
Ele acabou se livrando de ser preso graças aos depoimentos dos judeus que ajudara.
Terminada a guerra, ele estava falido graças ao dinheiro investido na compra dos judeus. Mas o Estado de Israel lhe deu uma pensão vitalícia em agradecimento por seus atos humanitários.
Schindler plantou uma árvore na Avenida dos Justos, no Museu do Holocausto.
A história foi filmada por Steven Spielberg com o nome de A Lista de Schindler. Esse filme é considerado pelo diretor e pela crítica como sua melhor realização e lhe valeu o Oscar de melhor direção de 1994.

Na maioria das listas de melhores filmes de história, A Lista de Schindler aparece em primeiro lugar. 

sexta-feira, junho 22, 2018

Grafipar, a editora que saiu do eixo


No final da década de 1970, Curitiba se tornou a sede da principal editora de quadrinhos nacionais. A produção era tão grande que se formou até mesmo uma vila de quadrinistas. No livro Grafipar, a editora que saiu do eixo, eu conto em detalhes essa história. O livro inclui também algumas HQs publicadas na época e análise das mesmas.
Pedidos: profivancarlo@gmail.com.

Antologia PsyVamp


Em 2011 a editora Infinitum lançou a antologia Psyvamp. Eu participei com o conto  "Canção de terror" com uma abordagem diferente sobre vampiros.
Na minha história, o vampirismo é uma espécie de doença transmitida através do sangue.
A protagonista é uma moça que entra em uma seita secreta e, ao ser iniciada bebendo o sangue, descobre que foi infectada. A trama gira em torno da fuga dela e de seu namorado e da perseguição dos outros integrantes da seita.
Alguns devem se lembrar que existiram mesmo tribos de adolescentes que bebiam o sangue uns dos outros, o que serviu de inspiração para o conto. Como vários outros lançamentos da Infinitum, este tinha um belíssimo design, a começar pela capa.

Papo de 5ª: Batman

Um estranho em uma terra estranha



A primeira coisa a se dizer sobre Um estranho numa terra estranha é que é impossível fazer uma resenha do mesmo sem contar boa parte da história (a não ser que seja um texto apenas com frases genéricas). Portanto, se você não gosta de spoiller, pare aqui mesmo.
Dito isso, vamos aos fatos. Heinlein era um escritor de livros juvenis de FC e pretendia escrever um livro adulto. A sugestão de tema veio de sua esposa Virginía: que tal uma versão ficção científica de Mogli, tendo, no lugar de um menino criado por lobos, um humano criado por seres extraterrestres? Heinlein percebeu que esse mote lhe permitiria avançar muito além de questões juvenis. Alguém criado em outro planeta teria uma visão de mundo completamente diferente dos terráqueos, o que lhe permitiria discutir muitos temas: filosofia, sexo, religião, tabus, comportamentos.
A história ganhou corpo quando o autor soube dos manuscritos coptas do século 2, com evangelhos da heresia gnóstica. Um dos principais autores da gnose era Valentino de Alexandria. Assim, o protagonista ganhou nome: Valentine Michael Smith (ele será normalmente chamado de Mike na maioria das vezes). O título, até então era o Herético.
Henlein levou mais de 10 anos para escrever sua obra e só resolveu lançá-la quando percebeu que a censura aos livros nos EUA havia afrouxado.
Quando publicado, o livro fez sucesso mediano, mas se tornou um best-seller quando foi redescoberto pelos hippies no final da década de 1960, tornando-se um dos principais livros do movimento.
O início do livro é tão divertido quanto uma dor de dente. A narrativa se concentra na fuga do hospital onde o garoto de marte estava incomunicável e nas tratativas com o governo no sentido e garantir sua segurança e liberdade. Em meio a essa trama de pseudo-espionagem e negociações, só o que salva é a figura de Jubal, um advogado-médico-escritor que adota o garoto de marte e negocia por ele. Jubal é uma das figuras mais carismáticas da literatura de ficção científica. Velho, ranzina, irônico, cínico, vive em uma casa cercado por lindas secretárias. Ele é o ponto filosófico da trama. Muito antes que o Homem de marte comece a colocar em dúvidas a filosofia, religião e tabus humanos, Jubal já o faz com sua lógica certeira e desconcertante.
Uma vez livre, Mike e a enfermeira que o salvou, Jill irão percorrer os EUA em um verdadeiro road movie. Mike, por exemplo, usa seus poderes de telecinésia para trabalhar em um circo como mágico, mas o número não faz sucesso porque, embora os truques sejam bons demais, ele não entende da psicologia humana. Isso o leva a devorar livros e se interessar por religiões.
Quando finalmente consegue grokar em plenitude, Mike monta sua própria igreja.
Abre parêteses
O livro introduziu diversas palavras “marcianas”, a mais famosa delas foi grokar, tão popular que chegou a ser dicionarizada.
Fecha parêteses
Um estranho em uma terra estranha é, portanto, a trajetória do personagem, tentando entender a humanidade, a si mesmo.
É uma obra mais focada em discutir questões filosóficas do que realmente contar uma trama (embora ela exista), com longas discussões entre os personagens sobre os mais variados aspectos da existência, em especial as religiões. Como o foco é este, há poucas descrições, ou mesmo trechos narrativos.
Vendo o que ocorreu na década de 1970, com o movimento hippie e seus gurus, é impressionante como o livro de Heinlein antecipou tudo – ou talvez tenha influenciado os acontecimentos. O livro ficou tão famoso entre os hippies, que era muito comum pessoas invadirem a casa de Heinlein querendo compartilhar água (para desgosto do autor, que nunca quis ser um guru).
Aqui vale mais uma discussão, sobre se a arte antecipa o futuro ou cria o futuro, que bem poderia estar presente no livro.
Em suma, não leia Um estranho em uma terra estranha esperando encontrar uma narrativa convencional, uma trama, ou mesmo uma mensagem. Este é, acima de tudo, um livro que sucita perguntas e questionamentos – e que nos deixa olhando para o nada após lê-lo.
Grokou?

quinta-feira, junho 21, 2018

Como os aliados conseguiram enganar os nazistas na Itália?

Documento fake usando na operação Mincemeat.

Quando, em julho de 1943, as tropas aliadas desembarcaram na Sicília, iniciando a invasão da Itália, foi muito fácil esmagar os poucos inimigos que ainda estavam por lá. A razão disso foi um estratagema que envolveu um defunto e uma carta falsa.
O plano, intitulado Operação Mincemeat (Carne moída) foi idealizado pelos oficiais da força aérea britânica Ewen Montagu e Archibald Cholmondley.
A questão por trás dessa operação é que os aliados já tinham conquistado todo o norte da África. Dali para a Itália o caminho natural era a Sicília, mas a ilha era muito bem guardada por tropas italianas e alemãs. Só um milagre os tiraria de lá. Um milagre ou a idéia de que os aliados viriam por outro lugar. Para fazer com que as tropas do Eixo acreditassem que a invasão se daria pela Sardenha, ilha ao norte da Sicília, os dois oficiais prepararam cartas falsas, com essa informação. Havia dois problemas. O primeiro era como fazer essas cartas chegarem aos alemães e a segunda era como fazer com que eles acreditassem no engodo.
Para que o plano desse certo, foi inventado um oficial britânico, o major William Martin, cujo navio afundaria enquanto estivesse levando os planos para as tropas britânicas na África. Para fazer o papel do major eles usaram o corpo de um indigente que morrera de pneumonia. Seu pulmão estava cheio de água, da mesma forma que estaria se ele tivesse morrido afogado.
O major recebeu uniforme, indentidiade militar e uma pasta, acorrentada a seu pulso, com cartas pessoais e objetos pessoais.
Assim que terminaram de caracterizar o defunto, ele foi solto por um submarino nas proximidades da costa da Espanha, que não estava em guerra, mas tinha boas relações com o Eixo.
Os peritos alemães não duvidaram da autenticidade do material e as tropas foram deslocadas para a Sardenha. 

Os syndicates


Um dos fatores mais importantes para a popularização das histórias em quadrinhos em todo o mundo foi a criação dos syndicates. Acusados pe­los nacionalistas de terem sufocado os quadrinhos regionais, impondo a do­minação norte-americana, os syndi­cates são empresas distribuidoras de tiras de páginas dominicais.
     O primeiro syndicate surgiu de­vido ao problema jurídico com os per­sonagens da série “Os sobrinhos do capitão’.
     Essa HQ foi baseada em uma história infantil alemã, Max e Moritz, de autoria do poeta e cartunista Wilheim Bush. Essa obra, publicada originalmente em 1865, chegou a ser lançada no Brasil com o nome de Juca e Chico, com tradução de Olavo Bilac.
     Ainda menino, William Randolph Hearst viajou para a Europa com sua mãe e lá comprou diversos livros, entre eles Max e Moritz.
     Anos mais tarde, quando já era um magnata da imprensa norte-americana, decidiu incluir quadrinhos infantis em seu periódico, o New York Journal, e lembrou-se daquela história que o encantara quando criança. Assim, ele chamou um talentoso desenhista de origem alemã, Rudolf Dirks para criar personagens baseados em Max e Moritz.
     Dirks criou a série Katzenjammer Kids, algo como os garotos ressaca. Nela, são apresentados dois gêmeos, Hanz, de cabelos escuros, e Fritz, de cabelos claros, que passam o dia fazendo traquinagens. A mãe dos dois pestinhas, Mama Katzenjammer (no Brasil Dona Chucrutz) acha que tem dois anjinhos em casa e passa o dia fazendo deliciosas tortas para os dois.
     As vítimas inevitáveis da arte dos garotos são o capitão e inspetor escolar. Esses dois malandros gostariam de passar o tempo vadiando, mas acabam gastando metade do dia castigando os gêmeos e a outra metade sendo vítimas deles.
     Em 1913, Dirks passou seus personagens para o New York World, de propriedade do Joseph Pulitzer, o maior inimigo de Hearst. Esse considerou a deserção uma ofensa e resolveu brigar nos tribunais pelos personagens.
     Travou-se uma longa batalha judicial, mas o tribunal decidiu-se por uma solução conciliadora. Dirks poderia continuar desenhando seus personagens para o World, mas teria que trocar o título e Hearst poderia continuar publicando em seu jornal os personagens com o título e personagens originais. Para isso, o dono do New York Journal chamou o talentoso Harold Kner, que manteve o mesmo nível de qualidade da HQ.
      A discussão com os personagens de Dircks teve como resultado o primeiro syndicate: a International News Service - que ficaria conhecida mais tarde como King Features Syndicate.
      A partir daí os artistas dei­xavam de trabalhar para os jornais e passavam a produzir para os syndica­tes, que reproduziam suas histórias e vendiam para vários jornais. Isso ba­rateou muito o preço das HQs, pois a mesma tira era vendida para diversos jornais dos EUA e posteriormente de todo o mundo.
Um dos primeiros personagens a serem internacionalizados foi Pafún­cio, de George MacManus. Desenha­do em estilo “art-decó”, Pafúncio e Marocas (esse era o nome da série no Brasil) refletia a abastança da classe média americana no início do século. A pompa e a futilidade do norte-americano médio foram muito bem satirizadas nessa tira diária de MacManus.
A onda de quadrinhos humorísticos acabaria com a crise de 1929, que fez com que os leitores preferissem os quadrinhos de aventura.

Deadpool 2



Confesso que nunca li uma história em quadrinhos do Deadpool. Também não assisti ao primeiro filme. Mas fui atraído pelo segundo filme pela ótima campanha de marketing – a começar pelo ótimo cartaz com os dizeres: “Do mesmo estúdio que matou o Wolverine”.
Não vá ao cinema se espera algo mais profundo. Deadpool é pura diversão e só isso.
Não há assunto que não seja alvo do sarcasmo do personagem – da classificação do filme, que o proíbe para menores de 18 anos, ao próprio criador do personagem, Rob Liefield, definido como alguém que não sabe desenhar pés. Alguns dos melhores momentos, aliás, são metalinguísticos, com o personagem comentando o roteiro ou outros filmes de super-heróis.
Ryan Reynolds, que interpreta o personagem, é também produtor do filme, o que provavelmente contribuiu para o bom resultado: o ator nitidamente está se divertindo com tudo, assim como toda a equipe.
As definições de filme-pipoca foram redefinidas.

quarta-feira, junho 20, 2018

Creepshow Trailer (1982)

Suplemento Marco Zero Kids


Em 1998 eu fui convidado por um empresário de comunicação a editar um jornal. Ironicamente, embora o nome fosse Diário Marco Zero, era um semanário, indo para as bancas todos os sábados.
Seguindo uma antiga tradição – hoje praticamente extinta, o jornal tinha um suplemento infantil chamado Marco Zero Kids, com matérias sobre desenhos animados, filmes e quadrinhos. Além disso publicava uma série minha, Dragon Fire, desenhada pelo amigo Falex.
O jornal foi lançado em um jantar com empresários, políticos etc. os garçons entregavam exemplares de mesa em mesa. Ao final da festa, a maioria dos jornais estava jogado no chão. Enquanto isso, as crianças estavam disputando exemplares do Kids, o que reforça algo que sempre suspeitei: crianças adoram ler.

Jornal da BD e os quadrinhos seriados


Jornal da BD foi uma publicação semanal portuguesa surgida em 1980 e publicada até 1987, perfazendo um impressionante total de 264 edições (com tiragem de 50 mil exemplares!). Em tempo: o nome se refere à forma como os quadrinhos são chamados em Portugal: Banda Desenhada, portanto, BD.
É uma publicação no estilo europeu, com várias séries publicadas em capítulos de seis ou sete páginas – na França e na Bélgica é comum depois de publicados os capítulos, unir tudo em um álbum. No caso do Jornal da BD, em alguns números eles apresentavam também uma história completa.
A relação de séries publicadas reúne o melhor do quadrinho franco-belga: Asterix, Blueberry, Valerian, Lucky Luke, Iznogoud (só para citar os mais conhecidos no Brasil).
Eu consegui comprar em um sebo de Curitiba um lote que vai do 17 ao 32 e é um dos itens mais queridos da minha coleção.
Curiosamente, as séries que eu mais gostava eram as menos conhecidas aqui: Cori, o grumete, de Bob de Moor, e O filho do Barba Ruiva, de Charlier (roteiro) e Hubinon (desenhos).
Cori, o Grumete se passa na época da expansão marítica dos países europeus e da guerra entre Inglaterra e Espanha (spoiller: embora tivesse a maior armada, a Espanha foi derrota, o que transformou a Inglaterra na maior pontência naval da época). Trabalhando em um barco holandês, Coris se vê envolvido nos principais acontecimentos do período, chegando a ser até mesmo espião da rainha da Inglaterra.
O filho do Barba Ruiva é uma série sobre piratas, tendo como protagonista o filho adotivo de um dos maiores corsários de todos os tempos.
Tanto uma série como outra são exemplos perfeitos do quadrinho franco-belga de aventura e o Jornal da BD permite entender como eles foram inicialmente concebidos. Cada página funciona como um pequeno capítulo que termina em uma situação de supense que só irá se resolver na página seguinte, que, por sua vez, trará, ao final, outro suspense. Isso que permitia o sucesso dessas publicações semanais: os leitores ficavam viciados na narrativa, curiosos para saber o que aconteceria a seguir e, assim, compravam toda semana.
Tanto Bob de Moor quanto Charlier sabiam fazer isso com maestria e, além disso, desenvolver perfeitamente os personagens, com protagonistas e secundários extremamente carismáticos.
Veja abaixo algumas páginas. 

Esa é a primeira página da série O filho do Barba Ruiva. O protagonista em álbuns anteriores descobriu que é herdeiro de uma grande herança. Para isso ele vai, sem avisar, até a casa de seus parentes. A página ambienta o leitor na história e, ao mesmo tempo apresenta os personagens, com suas características principais: além do protagonista, seus dois escudeiros, o fiel Babá e o esperto Três pernas. O último quadro mostra um homem enforcado: mau sinal. Os donos do local são violentos e poderão não aceitar dividir a herança com Erico. O que acontecerá a seguir? Charlier é habilidoso: ao invés de dizer com o texto que os personagens estão em perigo, ele mostra isso, visualmente com a imagem do homem enforcado e, ao mesmo tempo, deixa o leitor em suspenso, curioso sobre o que acontecerá a seguir.
Na segunda página da história, os personagens são melhor desenvolvidos (percebemos, por exemplo, que Três Pernas é um estrategista). Ao final, mais uma situação de suspense. Muitos acreditam que suspense é colocar o personagem em perigo, o que não é verdade. Suspense significa deixar o leitor curioso para saber o que ocorrerá em seguida. Quando Eric se apresenta no castelo, um serviçal se desespera achando que viu um fantasma. Esse mistério deixa o leitor curioso para continuar lendo a história e entender o que realmente está acontecendo. Repare que a história é montada de tal forma que a situação de suspense fica para o último quadro. Se a história continua na mesma edição, basta virar a página. Se é o fim do capítulo, o leitor irá comprar na próxima semana para saber o que ocorrerá a seguir.
Essa é uma página do meio da história Os espiões da rainha, da série Cori, o grumete. O espião mirim foi descoberto pelo chefe de um bando de vagabundos e corre perigo. Quando o "general" vai bater no rapaz, surge uma voz misteriosa, ameaçando-o. Quem será o salvador do rapaz? Isso o leitor só descobrirá na próxima página (ou na próxima semana, se for final de capítulo).
Nesta página descobrimos que o salvador de Cori é Harm, um personagem que ele acreditava morto. Cori está a salvo. Mas o que acontecerá com Harm? Só na próxima página ou próxima semana!

Calafrio 60 traz HQ de Gian Danton sobre palhaço assassino


Está na gráfica a edição 60 de Calafrio, que estará disponível a partir de sábado e chegando nas suas lojas favoritas.

Nesta edição com uma capa muito bacana de Ivan Lima, que nos remete às capas clássicas das editoras paulistas dos anos 1950 e 60, há mais uma HQ inédita de Sidemar e Elmano; Ivan Lima vem agradando e dá as caras novamente; Mylle Silva e Fulvio Pacheco apresentam um vampiro Kaingang (etnia indígena parananense) que arrebenta num evento na Gibiteca de Curitiba; Gian Danton e Guto Dias relatam a história real John Wayne Gacy, o palhaçdo assassino. Como não pode faltar, HQ clássica de Rodolfo Zalla.

Gian Danton e Guto Dias contam a história do serial killer que se vestia de palhaço. 

Ainda, pôster colorido por Fulvio Pacheco, Luiz Saidenberg, Mala Direta, Quem é Quem e Capa Clássica prestam reverência a Elmano. CineCalafrio, Eventos, os personagens curitibanos de quadrinhos de horror, e a segunda parte da Matéria sobre as revistas nacionais especializadas em HQs.
Calafrio 60 conta com o formato de sempre, 20,5 x 28cm, 52 páginas em preto e branco ao preço congeladíssimo de R$15,00. 
A revista pode ser pedida através do e-mail: Correio Calafrio revistacalafrio@gmail.com.

terça-feira, junho 19, 2018

A era dos comics



No início do século surgi­ram dois personagens que modi­ficaram bastante a cara das HQs. Chamavam-se Mutt e Jeff,  cria­ção do desenhista Bud Fisher. Os dois trapa­lhões introduziram um novo veículo para as histórias em qua­drinhos americanas: a tira diária. Antes de­les os quadrinhos vinham separados do jornal, em suple­mentos dominicais. Depois de “Mutt e Jeff”, as HQs passaram a aparecer todos os dias nos jor­nais, fazendo parte da leitura diá­ria de milhares de pessoas em todo o mundo. O novo veículo se deu tão bem que até hoje são ra­ros os jornais que não têm tiras diárias. Além disso, o sucesso dessas séries humorísticas fez com que, nos EUA, os quadrinhos fossem chamados de comics.
O aparecimento das tiras provocou uma modificação for­mal nas histórias em quadrinhos. Surgiram dois tipos de tiras: as cômicas, em que o quadrinista tem que passar sua mensagem e fazer o leitor rir em, no máximo, cinco quadrinhos, e as seriadas, nas quais cada tira era só uma parte de uma história maior — que conti­nuava todos os dias nos jornais. Neste último tipo, a maior carga de suspense e informação tem que es­tar sempre no último quadrinho para prender o leitor à história.
Ferdinando, de AlI Capp, satirizou bastante essas situações de suspense, chegando a absurdos para prender a atenção do leitor.
    All Capp ficou famoso por introduzir a crítica social nos quadrinhos.
    Uma de suas histórias mais famosas é a dos Shmoos - animaizinhos brancos que colocam em pane o sistema capitalista.
    Encontrados por Ferdinando num vale perdido, os Shmoos não comiam nada, mas se reproduziam numa velocidade estupenda. Gostavam de brincar de apostar corrida e começavam com dois, mas no final já havia centenas. Muitas vezes o vencedor nem tinha nascido quando a corrida iniciara.
    Os Shmoos eram tão bons que morriam de compaixão quando viam alguém com fome. Se fossem cozidos viravam carne de porco, se fossem as­sados, viravam frango e se fossem fritos viravam peixe. Os Shmoos davam leite e ovos o bastante para ali­mentar toda a população ameri­cana. Sua pele era o melhor couro e até seus olhos eram aproveitados na forma de botões para as roupas.
    Quando Ferdinando chega com o casal de Shmoos, que agora já haviam se tornado centenas, todos na cidade ficam felizes, menos o dono da mercearia, pois ninguém mais compra dele. Assim, onde ia conseguir dinheiro? “Agora ninguém mais precisa de dinheiro”, respondem os outros.
    Como esses animaizinhos, mendigos não precisam mais esmolar, apaixonados já podem se casar e motoristas e mordomos se despedem de seus patrões.
    O dono de uma empresa de carne de porco vê suas vendas despencarem e chama um exterminador de pestes. Enquanto senhoras mal-amadas fazem passeatas contra os shmoos, por considerá-los anti-americanos, o exterminador traça seu plano: é necessário matar todos os bichinhos. Eles são enfileirados em grupos de seis para economizar munição.
    O exterminador de pestes acaba com os Shmoos e o dono da fábrica fica eufórico. Para comemorar, manda aumentar o preço de suas mercadorias.
    Essa história recentemente foi adaptada indevidamente pela versão televisão do Sítio do Pica-pau Amarelo, mas sem o conteúdo político. Na história, os Shmoos eram chamados de transgênios.

Como foi a participação do Brasil na II Guerra?


Os mais de 25 mil soldados brasileiros que desembarcaram na Itália em junho de 1945 não eram ume exército experiente. A maioria vinha de famílias humildes e tinha pouco treinamento. Além disso, o uniforme era inadequado para a temperatura, uma vez que a Europa vivia o pior inverno dos últimos 50 anos.
Com medo e com frio, os soldados brasileiros tiveram que aprender a lutar no front.
Apesar das dificuldades, os brasileiros eram conhecidos pela coragem. Conta-se de um oficial norte-americano teria declarado que os brasileiros eram verdadeiros “demônios”, avançando contra o inimigo. Os brasileiros, com seu jeitinho, também se sobressaiam quando a situação não se encaixava nos manuais. Quando os aliados conseguiam um rádio nazista, geralmente era um brasileiro que primeiro conseguia operá-lo.
O Brasil venceu importantes batalhas, como a de Monte Castelo e Montese. Também fizeram prisioneiros um batalhão alemão inteiro, façanha que não foi repetida nem pelos militares norte-americanos.
Os aviadores brasileiros também tiveram destaque nos ataques aliados. Os aviões brasileiros traziam o desenho de um avestrus e a expressão “Senta a pua!”. 

Introdução à metodologia científica



O sucesso do Manual de redação científica me estimulou a lançar um novo livro, mais amplo, denominado Introdução à metodologia científica. A obra abarcava os mais diversos assuntos, desde os tipos de conhecimentos à formatação de projetos de pesquisas, além, claro, das regras da ABNT para trabalhos acadêmicos. O livro foi lançado em 2004 por uma faculdade na qual eu trabalhava na época e teve tiragem de mil exemplares. Em nosso acordo, eu fiquei com metade da tiragem e a faculdade com a outra metade. Em seis meses eu tinha vendido todo o meu estoque. O livro foi adotado em várias faculdades e a tiragem de mil exemplares se esgotou em menos de um ano.

segunda-feira, junho 18, 2018

COMO ESCREVER QUADRINHOS ||Roteirizando INDICA

Antologia Deuseus


Os livros virtuais tiveram pelo menos três fases no Brasil. Na primeira, no início dos anos 2000, foi capitaneada pela Virtual Books. Numa época de internet discada, os livros precisavam ser leves, com poucas imagens e até as capas costumavam ser em baixa resolução. O PDF predominava.
Posteriormente surgiria a Amazon e seu novo formato de leitura e venda, mas antes dela houve uma segunda onda, com livro em PDF descolados, capas bonitas, boa diagramação, ilustrações internas... e uma das editoras que mais se destacaram nesse período foi a Infinitum, que se publicava principalmente pelas antologias.
Uma dessas antologias, Deuses, foi lançada em 2011 e reunia histórias sobre mitos. Eu participei com uma história que misturava mitologia egípcia e reencarnação chamada “Canção pra você viver mais”.
O blogueiro Joe de Lima destacou o conto na resenha sobre a publicação: “simples e bonito. Mesmo sem usar recursos complexos, traz uma história de amor cativante em uma trama direta e linear. (meu lado fã adorou a referência ao Pato Fu)”.

A arte fantástica de John Buscema

John Buscema foi um dos principais desenhistas da Marvel de todos os tempos. Os editores dos títulos brigavam por ele. Seu traço elegante, anatômico e, ao mesmo tempo, com forte influência da arte expressiva de Jack Kirby, garantia as vendas de qualquer título. Assim, ele passou por várias revistas, do Quarteto aos Vingadores, passando por uma fase inesquecível no Surfista Prateado, até descobrir seu título definitivo: Conan. Seu traço deu ao personagem o ar feroz e selvagem pelo qual o personagem ficaria conhecido. Confira abaixo alguns de seus trabalhos fantásticos.














domingo, junho 17, 2018

Fanzine Ideias de Jeca-tatu



Ideias de Jeca-tatu foi um fanzine publicado por mim entre os anos de 1992 a 1996. Foi um dos primeiros fanzines brasileiros dedicados totalmente à literatura.
Ele nasceu como um espaço de experimentação, em especial nos primeiros números. Eu publicava a biografia de um autor, como Edgar Alan Poe e um conto meu no estilo daquele autor.
Posteriormente a publicação ganhou um formato mais livre.
A produção era completamente artesanal: eu datilografava os textos numa máquina Remington, depois diminuía o tamanho do texto na xerox. Depois recortava as colunas e colava na matriz.
As imagens eram retiradas de revistas e muitas vezes reproduzidas em xerox para eu ter uma ideia de como ficariam na reprodução. Em alguns casos eu precisava retocar com corretor. Títulos e números eram feitos com Letraset ou retirados de revistas. Um autêntico past-up (as novas gerações nem deve saber o que o termo significa).
Uma sessão fixa do zine era o Gládio do Gian no qual eu comentava os fanzines recebidos (como todo zine raiz, o Ideias não era vendido, era trocado por outros fanzines) com o texto todo escrito em aliteração.

Qual é o melhor jogo sobre a II Guerra mundial?


O melhor jogo é Medal of Honor, desenvolvido pela DreamWorks Interactive e idealizado por Steven Spielberg. O jogo foi lançado em 11 de novembro de 1999, na esteira dos sucessos do filme O resgate do soldado Rian e da série  Band of Brothers.
Medal of honor reproduz com perfeição as grandes batalhas da II Guerra Mundial. Uniformes, armas e blindados foram pesquisados para que o jogo fosse o mais real possível.
Um dos melhores momentos – e também um dos mais difícieis – é a fase que reproduz o Dia D. Quem assistiu ao Resgate do Soldado Ryan perceberá imediatamente a semelhança entre as cenas.
No estilo primeira pessoa, o vídeo-game faz com que a pessoa se sinta como um soldado, Jimmy Patterson, ligado à OSS, uma organização secreta dos EUA.
O objetivo é completar diversas missões, como sabotar tanques, caminhões e roubar planos secretos. A semelhança histórica e a excelente jogabilidade fizeram com que o jogo se tornasse um sucesso, originando vários jogos semelhantes.

Na Alemanha o jogo causou controvérsia por apresentar suásticas, um símbolo proibido no país, mas o contexto não é de exaltação ao nazismo. Ao contrário, o legal é justamente ter a chance de matar alguns (ou muitos) nazistas.