quarta-feira, setembro 21, 2016

O homem que inventou o natal




Até o início do século XIX o natal era uma data pouco comemorada e muitas vezes proibida por ser considerada não-cristã. Tudo mudou em 1843, quando Charles Dickens escreveu seu pequeno conto de natal sobre um homem rico e avaro que é visitado por fantasmas.
É sobre esse livro que se debruça Les Standiford no volume O homem que inventou o Natal.
O autor entremeia a biografia do autor (da infância miserável ao sucesso, passando pela decadência nas vendas, da qual seria salvo exatamente pelo Conto de Natal) ao processo de criação da história, passando pela ideologia de Dickens, segundo o qual a ignorância e a miséria eram males a serem combatidos (e seu conto seria uma arma importante nessa guerra).
Algo a se destacar é que o pequeno livro de Dickens (que dificilmente daria mais de 100 páginas) gerou uma obra de quase 200 páginas, o que mostra o quanto era rico o texto original.
Standiford faz um bom histórico do natal antes de Dickens e uma boa análise de como o conto influenciou a visão que hoje temos dessa data, com quase todos os elementos presentes na obra do autor inglês (exceto a troca de presentes, aspecto comercial que não se encaixava na proposta de Dickens).
A prosa é fluída mesmo quando o autor se dedica a analisar literariamente o texto de Dickens.
Talvez o aspecto mais fraco seja a parte referente às adaptações. São referenciadas apenas as adaptações diretas e o autor simplesmente ignora duas adaptações de grande sucesso. A primeira, delas, o Tio Patinhas (cujo nome original, Uncle Scrooge, é uma referência direta ao protagonista do conto de natal). A segunda, o filme Do mundo nada se leva, de Frank Kapra, talvez o mais famoso filme de natal de todos os tempos, diretamente retirado do livro seguinte de Dickens sobre o tema, Os Carrilhões.

sábado, setembro 17, 2016

Decorar é aprender?

Uma cena que tem sido usada como exemplo tanto pelos adeptos das escolas militarizadas quanto do escola sem partido (ao que me parece, são o mesmo grupo) é de um militar tomando a tabuada de crianças numa escola. A cena é aplaudida como exemplo do sucesso desse modelo ao mostrar crianças sabendo a tabuada de cor. 
Mas a pergunta essencial aí é: isso é aprender? 
A verdade é que decorar a tabuada não é relevante. O que é realmente relevante é o que se faz com a tabuada. Uma pessoa pode saber a tabuada de cor e salteado e ser incapaz de passar um troco. 
Por outro lado, Benoit Mandelbrot não aprendeu a tabuada (de família judia ele passou a infância fugindo dos nazistas e não teve uma educação matemática formal), mas criou a geometria fractal e foi um dos mais importantes matemáticos do século XX. 
Eu nunca decorei a tabuada (quando a professora tomava a tabuada eu tinha um método próprio para responder às perguntas). No entanto, acabei me especializando, dentro do campo da comunicação justamente na teoria da informação, na cibernética e teoria do caos, todas de base matemática.
Entender a lógica por trás de algo é muito mais importante do que decorar. Até mesmo um papagaio pode ser ensinado a recitar a tabuada.

terça-feira, setembro 13, 2016

Gazeta do Povo considera livro sobre a Grafipar um dos destaques da Bienal de Quadrinhos


Meu livro sobre a Grafipar, que resgata a história da antológica editora paranaense, foi considerado um dos destaques da Bienal de Quadrinhos pelo jornal Gazeta do Povo. Confira a matéria aqui.

Gazeta do Povo considera livro sobre a Grafipar como um dos destaques da Bienal de Quadrinhos


Meu livro sobre a Grafipar, que resgata a história da antológica editora paranaense, foi considerado um dos destaques da Bienal de Quadrinhos pelo jornal Gazeta do Povo. Confira a matéria aqui.

A escola sem partido e a moral


A maioria das pessoas que defende o projeto Escola sem partido acredita que quem será afetado será aquele professor militante político, o cara que vai para a escola vestindo boina e camisa de Chê Guevara. Outros se baseiam apenas no nome da lei, um nome completamente enganoso, já que a lei não proíbe partidos de fazerem campanhas eleitorais dentro das escolas.
Na verdade, a coisa toda foi muito bem pensada: acharam um nome com o qual todo mundo concordasse para agradar um grupo de radicais, parecer fazer o bem e, ao mesmo tempo, estimular ao máximo denúncias contra professores.
Quase ninguém que defende o Escola sem partido leu o projeto, que no seu preâmbulo parece lindo, diz favorecer o debate na sala de aula, os vários pontos de vista etc...
Mas a coisa realmente complica é no trecho que define o que é proibido, o que é denunciável.
Como políticos são políticos, eles envolveram sua pílula num doce bonito e gostoso, mas o que era realmente importante estava no artigo 3:

"Art. 3º. São vedadas, em sala de aula, a prática de doutrinação política e ideológica BEM COMO A VEICULAÇÃO DE CONTEÚDOS OU A REALIZAÇÃO DE ATIVIDADES QUE POSSAM ESTAR EM CONFLITO COM AS CONVICÇÕES RELIGIOSAS OU MORAIS DOS PAIS OU RESPONSÁVEIS PELOS ESTUDANTES"

Observem como  as palavras foram muito bem escolhidas para permitirem o máximo de denúncias. O texto poderia ter parado em doutrinação política e ideológica (e até aí eu concordo plenamente). Mas observe que depois vem a proibição de qualquer conteúdo ou atividade que possa estar em conflito com as convicções religiosas ou morais dos pais.
Observem como é evitada a palavra ética em prol da palavra moral.
A ética trata de princípios básicos, universais, de convivência humana. O que é ético, é sempre ético. A moral varia de pessoa para pessoa, de cultura para cultura e até de época para época. Não é à toa que a lei fala em convicção, o que destaca o valor individual da moral. 
Não faz muito tempo, o casamento entre uma mulher branca e um homem negro era considerado imoral (para algumas pessoas ainda é). A escravidão foi considera moral, embora não fosse ética. 
Em alguns momentos, ética e moral podem se encontrar, como por exemplo, na questão de não roubar outra pessoa. Mas na grande maioria das vezes, são coisas muito distintas. 
Um exemplo: uma professora que joga lixo no chão está sendo anti-ética. Seu comportamento pode ser imitado pelos alunos e jogar lixo no chão prejudica toda a comunidade. Mas dificilmente alguém diria que a atitude da professora foi imoral. 
Por outro lado, para muitas pessoas a tatuagem é considerada imoral, portanto um professor que tem tatuagens é imoral, enquanto que para outras pode ser algo absolutamente normal. Ao dizer que estão proibidas a "VEICULAÇÃO DE CONTEÚDOS OU A REALIZAÇÃO DE ATIVIDADES QUE POSSAM ESTAR EM CONFLITO COM AS CONVICÇÕES RELIGIOSAS OU MORAIS DOS PAIS OU RESPONSÁVEIS PELOS ESTUDANTES" a lei deixa para o pessoal e subjetivo a decisão sobre o que é aceitável ou não em sala de aula. 
Em outras palavras: a lei estimula todo tipo de denúncia. Pior: pela lei isso deverá ser afixado na frente de todas as portas de aula. Políticos são espertos: eles sabem que isso vai estimular ainda mais as denúncias num leque extremamente amplo de atividades ou conteúdos que possam estar contra a moralidade deste ou daquele indivíduo.

domingo, setembro 11, 2016

A tal ideologia de gênero...

Uma das principais justificativas para a criação da lei Escola sem partido é a tal ideologia de gênero. 

99,9% dos professores não sabe e não tem a menor intenção de saber o que é essa tal de ideologia de gênero. 
Mas o Brasil e especialmente os professores viraram reféns de dois grupos radicais, um a favor e um contra a ideologia de gênero, ambos apoiados por políticos que têm interesse em piorar a educação brasileira para facilitar a manipulação. 

E essa tal de ideologia de gênero tem sido usada para justificar todo tipo de absurdo, de tratar professor como bandido a aprovar uma lei generalista e denuncista que vai permitir demissões em massa de professores concursados (e que é tão manipuladora que permite partidos políticos fazerem campanha dentro das escolas).

Se esses dois grupelhos de radicais morresse não fariam a menor falta e os educadores receberiam a notícia com um suspiro de alívio porque, finalmente, se começaria a discutir os problemas reais da educação brasileira, como a total falta de estrutura das escolas, as turmas lotadas, professores ganhando menos que um salário mínimo, o déficit de mais de 170 mil professores etc.

quarta-feira, setembro 07, 2016

Bienal de quadrinhos: Livros de Gian Danton em promoção


Estarei na mesa 48, na Bienal de quadrinhos, vendendo meus livros por preços exclusivos.
Confira abaixo as promoções:

UIVO DA GÓRGONA
De: 35 reais
Por 20 reais

COMO ESCREVER QUADRINHOS
De: 25 reais
Por: 20 reais

FAMÍLIA TITÃ
De: 30 reais
Por: 20 reais

FRANCISCO IWERTEN - BIOGRAFIA DE UMA LENDA
De: 20 reais
Por: 15 reais

GRAFIPAR, A EDITORA QUE SAIU DO EIXO
De: 40 reais
Por: 25 reais


Bienal de Quadrinhos de Curitiba - programação com Gian Danton


Blecaute e Uivo: uma comparação

O leitor Rodolfo Neto publicou em sua página no Facebook uma interessante resenha sobre O Uivo da Górgona, comparando-o com o livro Blecaute, de Marcelo Rubens Paiva.
Confira abaixo:

Quando eu tinha meus 16 anos mais ou menos tive contato com um livro chamado “Blecaute” escrito pelo Marcelo Rubens Paiva, o livro conta a história de três amigos que, quando voltam de um acampamento, descobrem que a cidade de São Paulo simplesmente paralisou no tempo. Dali em diante eles precisam recomeçar as suas vidas e lidar com a desolação de serem as únicas pessoas no mundo inteiro. O livro todo me chamou atenção por ser uma ficção pós-apocalíptica que se passa no Brasil, tratando de espaços em que o leitor pode facilmente reconhecer.

Agora, fazendo minhas leituras do material que comprei no GorpaCon 2016, me deparo com o “Uivo da Górgona” escrito pelo Gian Danton. O livro apresenta um grupo de pessoas que precisa sobreviver em uma cidade que foi totalmente dominada por seres errantes e sem vontade própria. Mas, enquanto em “Blecaute” o clima é de total perda de sentido da vida, no livro do “Uivo...” existe uma urgência motivada pelo instinto de sobrevivência desde as primeiras páginas, o que faz com que o livro seja tenso – algumas mortes acontecem quando você menos espera – e ao mesmo tempo rápido já que tanto os personagens quanto o leitor aprendem a ficarem em alerta para os perigos que rondam a cidade. O que me chamou mais atenção no livro é que em vários momentos eu me peguei pensando que algumas daquelas situações não acontecem apenas em ambientes extremos, mas que, diante do conforto do dia a dia, nós escolhemos não dar muita atenção pra certas coisas. Seja uma coisa bacana quando uma personagem diz que, devido a necessidade, começou a prestar mais atenção no cheiro das coisas ou mesmo casos de violência familiar que nós decidimos simplesmente não pensar muito a respeito.
Tanto “Blecaute” quanto “O Uivo da Górgona” conseguem chamar atenção por pensarem num Brasil apocalíptico, algo que a maioria dos leitores não está acostumado em ver. Mas, particularmente, o que me chama atenção em ambos os livros é que no fim das contas é que é um livro sobre pessoas. Sobre perda, ilusão e autodescobrimento. No fim o apocalipse é apenas o pano de fundo para uma jornada de descobrimento e amadurecimento das personagens e do próprio leitor. Sendo uma leitura recomendada para todos aqueles que apreciam uma boa ficção pós-apocalíptica com altas doses de desolação e questionamento moral.

quarta-feira, agosto 31, 2016

Como vai funcionar o escola "sem partido"


Não é segredo para ninguém que políticos querem acabar com a educação pública e desviar os recursos para seus próprios bolsos. O sucateamento das escolas é um bom exemplo disso. A maioria das escolas não tem nem mesmo sabão nos banheiros. São salas de aula com goteiras, sem quadras, sem bibliotecas, sem laboratórios.
Mas existe um recurso obrigatório: o pagamento do salário dos professores. Não há como cortar isso.
O escola sem partido oferece uma solução satisfatória para isso. E o melhor: dando a entender que é algo positivo.

O plano é simples e está bem amparado por um projeto de lei extremamente amplo, que permite denunciar o professor por praticamente qualquer coisa que desagrade um aluno ou pai de aluno. O projeto inclui até a obrigação de cartazes na frente das salas de aula, estimulando os alunos a denunciarem seus professores. E, claro, se o professor denunciado for defendido pelos alunos, isso acaba sendo mais uma prova de que ele "doutrinou seus alunos". Ou seja: o projeto inteiro é feito para não permitir defesa.

Então:
1) Os pais são estimulados a denunciar professores.
2) O professor denunciado é demitido.
3) O diretor chama o pai e diz: "Olha, não temos professor para colocar no lugar dele e vamos juntar duas turmas".
4) O processo é repetido na mesma turma.
5) Quando já estão três ou quatro turmas reunidas numa única turma, o último professor é denunciado e demitido e é contratado um substituto temporário, com salário menor que um salário mínimo.


O melhor é que todos, inclusive os pais, ficam felizes. Genial, não?
E, para quem duvida que os concursos para professores temporários pagarão menos de um salário mínimo, melhor dar uma olhada aqui.

O projeto escola "sem partido"


Quem apoia o escola "sem partido"


sexta-feira, agosto 19, 2016

Bolsonaro ensina a resolver de maneiras simples problemas complexos

Bolsonaro, os salários dos professores estão entre os mais baixos entre os profissionais com a mesma qualificação. Isso tem provocado uma fuga de professores a ponto de muitas vezes alunos passarem meses inteiros sem aula por falta de professor. Além disso, a maioria das escolas não tem biblioteca ou laboratórios. Em algumas não há nem mesmo cadeiras para os alunos se sentarem. Em algumas escolas a situação de higiene é tão grave que há verdadeiras epidemias entre os alunos. Nas regiões mais quentes o calor dentro das salas de aulas é insuportável. Como podemos resolver todos esses problemas?

Bolsonaro: Simples, vamos perseguir todos os professores de esquerda. Quando não houver mais professores de esquerda, todos esses problemas serão resolvidos.

Bolsonaro ensinando a resolver de maneiras simples problemas complexos 

terça-feira, agosto 16, 2016

Como foi o Gorpacon

Guarapuava é, segundo pesquisa da Amazon a partir de compras realizadas no site, a cidade mais nerd do Brasil. Então nada mais natural que a cidade sediasse um evento nerd: o Gorpacon, que aconteceu dias 13 e 14 de agosto. Tive a honra de ser um dos convidados do evento. Participei de mesa-redonda, lancei livros e conversei com leitores. E tirei muitas fotos. Abaixo, algumas delas.
Minha mesa no evento, com minhas publicações. 

Mesa do fã-clube Dr. Who. 


Mesa-redonda que participei sobre mercado literário. 


Exposição de esculturas do incrível Walmir Gustani. 



Mesa do fã-clube De volta para o futuro. 

Até o Dr. House compareceu à minha mesa. 



Mesa do fã-clube do Senhor dos Anéis. 




Mesa do fã-clube de Sherlock Holmes. 




Mesa do fã-clube de Jornada nas Estrelas. 

Mesa do fã-clube de Tim Burton. 


segunda-feira, agosto 15, 2016

Álbum paranaense do Gralha vence HQMIX


O livro paranaense “O Gralha – Artbook” (2015) venceu a categoria “Publicação Independente de Grupo” do tradicional Troféu HQMIX, uma espécie de “Oscar dos quadrinhos” no Brasil. O resultado da 28ª edição foi divulgado no início da tarde desta segunda-feira (15).
“É gratificante, pois deu uma trabalheira danada fazer o livro e o resgate do material”, diz um dos organizadores de “O Gralha – Artbook”, Antonio Eder. Junto com Leonardo Melo (“Clássicos Revisitados”) e Gian Danton (“A insólita família Titã”), Antonio pesquisou e resgatou material relacionado ao Gralha, personagem criado nos anos de 1990 por um grupo de nove artistas em Curitiba. Leia mais

quinta-feira, agosto 11, 2016

Os caçadores de comunistas-go


Além dos caçadores de pokemón, existe uma nova espécie nas redes sociais: os caçadores de comunistas-go.
São pessoas que passam o dia na redes sociais em busca de comunistas. Eles podem ser encontrados em qualquer lugar, em qualquer esquina ou atrás de qualquer armário. Qualquer um pode ser um comunista, da revista Veja a um site Neo-liberal.
Há um certo padrão nesses caçadores de comunistas. A maioria deles tinha uma vida extremamente confortável no início da Era Lula - época em que houve um boom da economia (ocasionado por uma série de fatores). A pessoa ganhava 20 mil reais ou mais por mês. E gastava 20 mil reais.
Quando começou a crise, as empresas tinham de decidir quem seria demitido. E, claro, demitiam o funcionário-problema: o que comprava briga com tudo mundo, que era antipático, que se sentia uma estrela insubstituível e era cheia de exigência. Ou seja: na hora de cortar, cortavam aquele que ninguém queria ter por perto. Em alguns casos a crise era apenas uma boa desculpa para demitir uma pessoa que já vinha dando problema há bastante tempo.
Essa pessoa, que, de uma hora para a outra se via sem 20 mil para gastar por mês - e que não havia economizado um único centavo, precisa achar um culpado. E os culpados, claro, só poderiam ser os comunistas.
Essas pessoas se transformam em caçadores de comunistas. E o primeiro comunista que encontram, óbvio, é o patrão que as havia demitido. Mas ainda há muitos comunistas a serem encontrados. Nunca se sabe de onde vai sair um comunista.

Gian Danton é um dos convidados da Bienal de Quadrinhos de Curitiba

Foi divulgada a lista de convidados nacionais da Bienal de Quadrinhos de Curitiba. Entre diversos nomes reconhecidos na área está o roteirista de quadrinhos e escritor Gian Danton. Clique aqui para conferir a lista completa.

terça-feira, agosto 09, 2016

Gian Danton é destaque em evento nerd em Guarapuava


Por Marcelo Naranjo
Data: 8 agosto, 2016
A cidade paranaense de Guarapuava, localizada a 250 km de Curitiba, será sede de um encontro inédito de cultura nerd e HQs. Trata-se da GorpaCon 2016 – Primeira Convenção Regional dos Nerds de Guarapuava.
Programado para 13 e 14 de agosto deste ano, o evento terá entrada gratuita nas dependências daFaculdade Guairacá (Rua XV de Novembro, 7.050, Centro) no horário das 13h às 20h.
Um dos principais destaques da programação é o setor de quadrinhos, com lançamentos de livros e realização de debates.
Os quadrinhistas Gian Danton (A insólita família Titã) e Antonio Eder (O Gralha: Artbook) farão a divulgação em primeira mão do livro Francisco Iwerten – biografia de uma lenda – mistura de “biografia ficcional” e relato, a obra revela os bastidores de criação do mito em torno do personagem Gralha. Leia mais

‘Mestres do Terror’ com lançamento em evento nerd

Muito cuidado quando for ao banheiro. A Loira Fantasma pode estar à sua espera. Já numa floresta desconhecida, você corre o risco de encontrar Zora, a Mulher Lobo!
No entanto, o pior mesmo é topar com as histórias feitas por Gian Danton, Sidemar de Castro e Rodolfo Zalla. Elas despertam o medo mais latente que habita o ser humano; incluindo até mesmo aqueles que se dizem corajosos.
A nova edição da lendária revista brasileira de quadrinhos “Mestres do Terror” promete calafrios e sustos em seus leitores. Com exclusividade, a reportagem do CORREIO teve acesso às primeiras páginas do material. É promessa de leitura aterrorizante!
No próximo sábado (13), o editor Daniel Saks vem a Guarapuava para apresentar a edição 65 da “Mestres…”, recém-saída da gráfica nesta terça-feira (9). Saks e sua coleção de terror (revistas “Calafrio”, “Mestres…” e outros materiais) são uma das atrações da GorpaCon 2016, maior evento de cultura nerd/geek do Centro-Sul do Paraná.
Com entrada franca, a convenção inédita nos quase 200 anos de Guarapuava será no próximo fim de semana (dias 13 e 14 de agosto), nas dependências da Faculdade Guairacá, no horário das 13 às 20 horas.
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História clássica na pena de Rodolfo Zalla
Inclusive, outro convidado do evento é um dos colaboradores da “Mestres…” #65: Gian Danton. Escritor e pesquisador, Danton iniciou no universo dos roteiros de quadrinhos nos anos de 1980, quando começou sua parceria com o desenhista Joe Bennett (conhecido pelos trabalhos para editoras como a Marvel Comics).
Nos anos de 1960/80, o gênero de terror era bastante forte no mercado editorial brasileiro, contando principalmente com produções feitas no país. Era o caso das revistas “Calafrio” e “Mestres do Terror”, criadas pelo artista Rodolfo Zalla (1931-2016) e publicadas pela D-Arte (estúdio e editora).
As duas publicações tiveram uma série histórica entre as décadas de 80 e 90. Nesse período, veteranos do quadrinho nacional e jovens talentos passaram por suas páginas, escrevendo e desenhando histórias nacionais. Um deles era Danton, que produziu clássicas aventuras de terror ao lado de Bennett.
MESTRES
Agora, a edição 65 de “Mestres…” apresenta material inédito de Gian Danton (roteiro), feito com o desenhista A. Lima. Em “Loira Fantasma”, uma lenda urbana dá as caras na primeira página da história.
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Uma das história inéditas tem roteiro de Gian Danton
“Acho que o mais interessante dessa história é o fato dela brincar com a questão da lenda urbana. Mas é também uma HQ sobre um tema muito atual: a violência contra mulher”, explica o roteirista. Leia mais

quinta-feira, julho 28, 2016

Grade ou matriz curricular?


É comum ouvir os defensores do projeto escola sem partido falarem de uma tal de "grade da escola", que deveria ser seguida rigidamente pelo professor. Mas o que é essa tal de "grade da escola"?
Para começar, não existe grade da escola. Quer dizer, existe. Algumas escolas têm grades nas janelas. Mas o que a pessoa, especialista em educação, deve estar se referindo é a "grade curricular", um termo que não é mais usado há muito tempo. Hoje usa-se matriz curricular.
Grade significação prisão: é uma normatização rígida da educação que não deixa margem para adaptações.
Um ótimo exemplo de grade curricular é a frase "Vovô viu a uva". Crianças do Rio Grande do Sul ao Amazonas eram alfabetizadas com ela. Crianças que nunca tinham visto uma uva aprendiam a ler com uma frase que não lhe dizia nada. Mas todos deviam seguir a grade curricular, então todos os professores, de norte a sul, seguiam a grade curricular.
Já a matriz curricular permite adaptações, é flexível.
Um exemplo. Certa vez, quando lecionava redação, cheguei na sala de aula e descobri que os alunos só falavam do fim do mundo. No dia anterior, uma matéria do Fantástico mostrara um grupo de fanáticos que acreditava que o mundo iria acabar aquela semana. O livro me indicava um determinado tema para a redação, mas eu o modifiquei. Fizemos um pequeno debate sobre o que os alunos achavam sobre a questão do fim do mundo e depois cada um escreveu uma redação sobre o tema.
Isso é matriz curricular, algo, aliás, que o escola sem partido quer acabar. Pelo escola sem partido, todos os professores deverão seguir rigidamente um modelo rígido, inflexível. Voltaremos ao "Vovô viu a uva".

segunda-feira, julho 25, 2016

As crianças criadas em bolhas


Um dos fenômenos mais preocupantes da saúde pública atual são as alergias. Cada vez mais crianças se tornam alérgicas a tudo, de animais domésticos a amendoim (nos EUA há escolas em que é proibido entrar com amendoim, tamanha a quantidade de alunos alérgicos a esse alimento).
Isso é provocado pela super-proteção por parte dos pais. Se por um lado há milhares de crianças das classes mais pobres que são criadas sem nenhuma assistência ou cuidado, no outro oposto temos crianças cujos pais as protegem de tudo.
Antigamente as crianças brincavam na rua, se sujavam, conviviam com cãs, gatos, galinhas, insetos, andavam descalças. Hoje, os pais protegem as crianças de tudo: não pode andar descalça, não pode ter contato com a terra, não pode tudo. O resultado: o organismo não aprende a lidar com o mundo, tudo passa a ser considerado uma ameaça, e como consequência o número cada vez maior de crianças alérgicas a tudo.
Isso é ainda mais concreto quando se trata de questões mais subjetivas. A mentalidade é de que as crianças devem ser criadas numa bolha e protegidas de tudo. Não pode existir publicidade infantil porque a criança que ver publicidade vai comprar descontroladamente, vai comer descontroladamente.
Livros de Monteiro Lobato devem ser proibidos na escolas porque as crianças negras precisam ser protegidas do racismo do Sítio do Pica-pau Amarelo.
O projeto Escola sem partido é um dos ápices dessa super-proteção. Crianças não podem na escola ter contato com ideologias diversas das dois pais. Devem viver numa bolha idelógica em que só se tem contato com aquilo que os pais acreditam, inclusive em termos religiosos. A ideia de que a vida é feita de vários pontos de vista e que a maturidade surge exatamente da percepção dessas diferenças e da análise crítica das mesmas é inconcebível. O importante é proteger as crianças.
Quando o tem é sexo a bolha é ainda mais encorpada.
Nas décadas de 1960 e 1970, adolescentes e pré-adolescentes compravam em bancas os catecismos de Carlos Zéfiro e era neles que descobriam o sexo. Se vivesse hoje em dia, Zéfiro seria um escândalo. Jornaleiros seriam presos. Bolsonaro faria vídeos irados acusando Zéfiro de pedofilia ou de estimular a sexualidade.
Na década de 1980 milhares de adolescentes adentraram os mistérios da sexualidade com o famoso comercial do primeiro sutiã que mostrava uma garota pré-adolescente ganhando seu primeiro sutiã do pai. Sutil e bonito foi quase uma aula para muitos garotos e garotas para aceitarem as transformações em seus corpos e lidarem com isso. Hoje em dia, um comercial desse tipo seria impensável. Estrearia num dia e no dia seguinte teríamos um vídeo irado de Bolsonaro afirmando que o comercial incitava a pedofilia.
Amigos desenhista que divulgam seus trabalhos no Facebook costumam reclamar que qualquer desenho um pouco mais sensual é imediatamente denunciado por pais preocupados caso seus filhos vejam aquela imagem. A paranóia por parte dos pais de impedir os filhos de terem contato com qualquer coisa que tenha mínima relação com o sexo em alguns casos alcança níveis extremos.
Não admira que a área da medicina que mais cresca seja exatamente a das disfunções sexuais. Superprotegidos de qualquer contato com qualquer coisa que lembre sexo, a nova geração fica totalmente perdida quando finalmente adentra na vida sexual (e, no outro extremo, as crianças criadas sem nenhuma orientação, cuja entrada na vida sexual é acompanhada de doenças e principalmente gravidez indesejada).

Proteger as crianças virou desculpa para proibir qualquer coisa. Não faz muito tempo, um deputado e delegado da polícia federal pediu a proibição do filme Ted com a justificativa de que não era adequado a crianças. Pouco importava que o filme fosse direcionado a adultos. O importante era proteger as crianças e criá-las numa bolha, longe de qualquer coisa que os pais considerem inadequado. 

sábado, julho 16, 2016

Biografia do criador do Capitão Gralha em pré-Venda


Na década de 1940 um quadrinista curitibano criou um dos primeiros super-heróis brasileiros, o Capitão Gralha com uma ampla galeria de histórias e vilões e foi resgatado na década de 1990 por jovens artistas que, em sua homenagem, criaram o personagem O Gralha. Ele, na verdade, numa existiu, mas se tornou lendário, ganhou prêmio, tornou-se famoso e quase foi homenageado por uma escola de samba. É essa história que é revelada no livro Francisco Iwerten – biografia de uma lenda, de Gian Danton e Antonio Eder, editora Quadrinhópole, que está em pré-venda ao preço promocional de 14 reais até o dia 29 de julho.
O livro é do tipo vira-vira, com dois lados que se completam. Na primeira parte, é contada a biografia fictícia de Iwerten como se ele de fato tivesse existido, sua vida, seus anseios, as inspirações para o Capitão Gralha e as dificuldades com a concorrência dos quadrinhos americanos e a perseguição local contra seu personagem. No outro lado, é contada a história “real”, com o contexto da criação de Iwerten e as consequências da história fake, que, de uma brincadeira para dar verossimilhança ao personagem Gralha, escapou do controle de seus autores e se tornou muito maior do que cada um poderia esperar. A lenda Iwerten cresceu tanto que se chegou a dizer que ele foi um dos criadores do Batman.  

Um dos destaques do livro são as capas criadas por JJ Marreiro. No lado “A história do Capitão Gralha”, Iwerten aparece em sua prancheta, ilustrando o capitão e tendo seus quadrinhos ao fundo. No outro lado, em que se conta a história por trás da lenda, Iwerten aparece dentro dos próprios quadrinhos, sendo desenhado por uma mão em estilo realista. As capas representam os dois aspectos abordados na obra: Iwerten como autor e Iwerten como personagem.
O livro traz ainda o processo de criação visual de Iwerten, feita por JJ Marreiro e Fernando Lima a partir de manipulação digital de fotos antigas.
Gian Danton e Antonio Eder fizeram parte do grupo de autores que criou o Gralha e elaborou a lenda de Iwerten e do Capitão Gralha. O livro integra a pesquisa doutorado em Arte e Cultura Visual de Gian Danton realizada na FAV-UFG, sob orientação do professor Dr. Edgar Franco.
Francisco Iwerten – biografia de uma lenda -  será vendido a 20 reais, mas na pré-venda sairá por 14 reais, com frete incluso. A pré-venda vai até o dia 29 de julho, quando os exemplares começarão a ser enviados. Os pedidos podem ser feitos para o e-mail: profivancarlo@gmail.com.

SERVIÇO
Pré-venda do livro Francisco Iwerten – biografia de uma lenda, de Gian Danton e Antonio Eder
Valor: 14 reais (frete incluso)

Contato: Através do e-mail profivancarlo@gmail.com

terça-feira, julho 12, 2016

domingo, julho 03, 2016

Escola sem partido: demissão, prisão e perda de bens


Ainda sobre o projeto Escola sem partido, é interessante verificar o cenário que descortina caso a lei seja aprovada. 
Como já disse, uma lei que proíba o assédio moral nas escolas é bem-vinda, mas não é o caso. A lei parece ser ampla para enquadrar qualquer coisa que desagrade os pais de alunos. 
Vejam o artigo terceiro: 
"Art. 3º. São vedadas, em sala de aula, a prática de doutrinação política e ideológica BEM COMO A VEICULAÇÃO DE CONTEÚDOS OU A REALIZAÇÃO DE ATIVIDADES QUE POSSAM ESTAR EM CONFLITO COM AS CONVICÇÕES RELIGIOSAS OU MORAIS DOS PAIS OU RESPONSÁVEIS PELOS ESTUDANTES".
Leiam a parte em destaque. O professor fica proibido de veicular qualquer conteúdo ou realizar qualquer atividade que vá contra as convicções religiosas ou morais dos pais ou responsáveis. 
Recentemente, em Manaus, alunos evangélicos se recusaram a fazer um trabalho sobre a África e ler clássicos como Iracema e Macunaína alegando convicções religiosas. Se a lei já estivesse em vigor, a situação se enquadraria perfeitamente na veiculação de conteúdos e atividades que entram em conflito com as convicções religiosas dos alunos. 
No site da Escola sem partido há um modelo de notificação extra-judicial que pode ser usada pelos pais para ameaçar professores. No item 15 é dito que até conteúdos científicos (aqui provavelmente se referindo às ciências chamadas "duras", como física, biologia etc) deve-se tomar o máximo de cuidado para não desagradar pais de alunos: 


"15.    Nesse domínio, ademais, a linha que separa a ciência da moral, além de não ser muito nítida, pode variar de indivíduo para indivíduo, conforme o estágio de amadurecimento, a sensibilidade e a formação de cada um. Portanto, ATÉ MESMO PARA FAZER UMA ABORDAGEM ESTRITAMENTE CIENTÍFICA, O PROFESSOR DEVERÁ ATUAR COM O MÁXIMO DE CUIDADO, SOB PENA DE DESRESPEITAR O DIREITO DOS ESTUDANTES E O DE SEUS PAIS."
Na mesma notificação extra-judicial, os professores que fizerem ou abordarem qualquer assunto que desagrade os pais são chamados de "abusadores de crianças" e ameaçados com prisão, demissão e perda dos bens: 
"9.    Junto com a liberdade e o cargo ou emprego, esses abusadores de crianças e adolescentes podem perder ainda o seu patrimônio, caso os pais dos seus alunos ‒ que são muitos ‒ decidam processá-los por danos morais". 
Em outras palavras: no futuro da escola sem partido, um professor poderá ser preso, demitido e até perder os bens apenas porque mandou um aluno ler livros como Iracema ou ensinou teoria da evolução. 
Além dos péssimos salários, das escolas sucateadas, agora mais essa para os professores: a constante ameaça de demissão, prisão e perda dos bens por terem feito ou ensinado algo que desagradou os pais. 

Ps: Vale lembrar que o projeto permite uma brecha que foi aproveitada pelo próprio autor da PL: político pode fazer campanha política em escolas. Leia aqui a matéria. 


quinta-feira, junho 30, 2016

Fãs de Bolsonaro querem decidir até se a Mônica usa aparelho


A mais nova polêmica envolvendo Bolsonaro, Olavo de Carvalho e fãs é uma história da Turma da Mônica Jovem.
Na história, a turma encana com o fato da Mônica ter dentões e a maioria decide que ela deveria usar aparelho. A discussão termina com a dentunça dizendo que o corpo é dela e ela decide o que fazer com ele.
Os fãs de Bolsonaro e do Olavo passaram a acusar a história de ser um discurso feminista e de ter sido escrita para encucar o feminismo na cabeça das jovens leitoras. Segundo eles, a deixa para isso estaria na frase: "Meu corpo, minhas regras", que seria um estímulo ao aborto.
Fãs de Bolsonaro não costumam ser conhecidos pela inteligência. Mas dessa vez exageraram, inclusive na teoria da conspiração. Não há na história a menor menção a aborto ou qualquer coisa parecida. A discussão inteira apenas é se a Mônica deve ou não usar aparelho.
No fundo, no fundo, o que incomoda Bolsonaro e seus fãs é outra coisa.
O contexto ali é muito claro: existe de um lado o indivíduo e do outro, o coletivo (o grupo de amigos). O coletivo quer decidir sobre a vida da Mônica, sobre como ela deve ser e aparentar.
Entre o indivíduo e a pressão do coletivo, Bolsonaro e seus fãs ficam do lado do coletivo - querem decidir sobre como as pessoas levam suas vidas. Incomoda a eles que a Mônica decida continuar a ter dentes grandes quanto a pressão social é para que ela use aparelho.
Da mesma forma, os fãs de Bolsonaro querem decidir sobre como as pessoas vivem sua vida, sua sexualidade, sua aparência.
Esse pensamento é a base do comunismo: o coletivo está acima do indivíduo e o coletivo decide sobre a individualidade. Na URSS, por exemplo, as pessoas não podiam decidir que curso fazer - essa escolha era do estado. Se faltava médicos, a pessoa ia fazer medicina. Se faltava engenheiros, ia fazer engenharia.
A predominância do coletivo sobre a individualidade é a base do comunismo.
Ao se incomodarem com a história dos dentes da Mônica, os fãs de Bolsonaro deixam claro que são, no fundo, os comunistas que tanto dizem combater.


quarta-feira, junho 29, 2016

O nazismo era de esquerda?


Leandro Karnall, filósofo e historiador brasileiro, doutor em história, diz que se espantou quando lhe disseram que o nazismo era de esquerda. Em todos esses anos participando de congressos científicos de história, nunca tinha ouvido isso.
Mas agora pululam na internet teóricos da conspiração dizendo que Hitler era de esquerda. 
Pegam uma frase fora de contexto, uma moeda que ninguém sabe me dizer a procedência (que mostra uma foice e um martelo) e o nome do partido, que teria a palavra socialista. 
Um dia escrevo um texto mais detalhado, mas, resumindo: Hitler era mais ou menos como Bolsonaro. Aproveitava-se do que lhe daria popularidade. Bolsonaro, por exemplo, quando percebeu que parecer liberal lhe daria votos, começou a se dizer liberal, apesar de não ter nada de liberal. Bolsonaro antigamente tinha forte discurso anti-gays. Quando percebeu que isso poderia ser bom para um deputado, mas seria um problema para um candidato à presidência, começou a dizer que ama gays (Hitler também abafou o discurso anti-gays quando lhe foi conveniente, mas quando chegou ao poder, começou a mandar gays para campos de concentração). 
Hitler, da mesma forma, surfava na onda que lhe parecia mais popular. Entrou como espião num partido que ficava entre o socialismo e o nacionalismo, tornou-se líder do mesmo e deu uma guinada na direção oposta do socialismo (embora, em um primeiro momento, o discurso socialista lhe tenha sido conveniente, para garantir o apoio dos trabalhadores do partido, que logo seriam convencidos de que o problema não era o capitalismo, mas os judeus). 
Quando chegou ao poder, Hitler se tornou o mais feroz inimigo do socialismo e um grande amigo dos empresários, que ficaram ainda mais ricos em seu governo (eu cheguei a ter em casa uma televisão Telefunken, que era fabricada por uma empresa alemã da época do nazismo - e quem não conhece o Fusca, o carro alemão criado durante o governo nazista?).
Hitler se apropriou de um símbolo budista, transformando-o na suástica, e nem por isso era budista. Ele, como Bolsonaro, apenas se apropriava daquilo que achava que lhe seria interessante. Até a questão homossexual. Profundamente homofóbico, Hitler se aliou a um declarado homossexual, Ernest Rohm, líder das SA, espécie de gangues que funcionaram como braço armado do partido nazista. Quando chegou ao poder, Hitler que até então amava os gays, mandou matar Rohm e os principais líderes das SA e passou a mandar homossexuais para os campos de concentração (faz lembrar Bolsonaro, que depois de várias declarações que ser gay é falta de porrada, agora se diz amigo dos homossexuais)

Sobre a moeda? Não era uma moeda. Era um broche do dia do trabalhador e tinha a foice o martelo porque essa foice e martelo fazem parte do brasão da Áustria, que não tinha e não tem nada a ver com comunismo. Muito antes do comunismo, o martelo e a foice já eram símbolos do trabalho da cidade e do campo. E a foice e o martelo não estão juntos, mas cada um em um lado das asas da águia nazista. Clique aqui para uma explicação detalhada do significado desse broche.
Brasão da Áustria. 

Mas numa coisa estão perfeitamente corretos: os nazistas, assim como os comunistas tinham muito em comum, em especial a ideia de que o autoritarismo é a solução e de que as liberdades individuais devem se curvar diante do coletivo. Exatamente como pensa Bolsonaro.