terça-feira, janeiro 16, 2018

Marvel: a origem da casa das ideias


Em 1961, uma partida de golfe mudaria a história dos quadrinhos de super-heróis. Os jogadores eram Martin Goodman, da Atlas (atual Marvel) e Jack Liebowitz, da National (atual DC Comics). Liebowitz comentou que a revista da Liga da Justiça, recentemente lançada, era um sucesso entre os leitores.
Goodman despediu-se e foi para a editora, pedir a Stan Lee que criasse uma cópia da Liga para aproveitar aquele interesse dos leitores por heróis clássicos reunidos num grupo.
Acontece que Stan Lee já estava de saco cheio daquilo. Ele se sentia mal, num campo editorial enfraquecido pela concorrência da televisão e perseguido por pais e professores. Além disso, queria fazer algo diferente. Ele tinha algumas idéias em mente, mas tinha medo de apresentá-las. Foi sua esposa que o convenceu que aquela era uma oportunidade de fazer o que queria: ¨Querido, se não der certo, o pior que pode acontecer será Goodman demiti-lo¨.
Então, ao invés de promover uma reunião de personagens clássicos, como Namor e o Capitão América, ele propôs algo completamente diferente. O novo grupo era um quarteto de astronautas que, ao fazer uma viagem espacial, foram bombardeados por raios cósmicos e ganharam incríveis poderes: o Quarteto Fantástico! O grupo era composto por um cientista que conseguia se esticar como elástico, uma moça que podia se tornar invisível, um rapaz que pegava fogo e virava uma tocha humana e um ser grotesco, o Coisa. Esse último personagem foi o mais diferente, e logo cativou os leitores. Até então, os heróis pareciam muito felizes com seus poderes, mas Bem Grimm não. Os raios cósmicos o haviam transformado num monstro de pedra. Inconformado, ele vivia resmungando pelos cantos e comprando brigas com os outros.
Isso era uma novidade: até então os heróis pareciam coroinhas ou escoteiros: todos muito bonzinhos e afáveis. Um herói ranzinza e um grupo que se parecia mais com uma família (inclusive com suas brigas) foi algo que provocou estranhamento, mas logo conquistou os leitores. Além disso, as histórias começaram a apresentar uma cronologia. Até então as histórias eram sempre isoladas e não havia uma continuidade. Nas histórias do Quarteto, se um personagem pegava uma gripe numa história, na história seguinte ele continuaria gripado. Para arrematar, Lee deu a seus heróis um caráter humano que permitia uma identificação dos leitores: os heróis Marvel, a despeito de seus incríveis poderes, eram pessoas normais, que levavam fora das namoradas, sentiam ciúmes, eram esnobados, ficavam doentes... e até morriam.
A revista do Quarteto Fantástico tinha desenhos de Jack Kirby, o rei dos quadrinhos de super-heróis. Seu traço expressionista influenciou praticamente todos os artistas americanos a partir de então e criou as bases do visual dos super-heróis.
Kirby era um mestre épico, das grandes sagas intergaláticas e dos heróis super-poderosos. Já Lee era o mestre do lado humano, dos dramas e comédias da vida normal. Os leitores se identificavam com a humanidade colocada nas histórias por Lee e se projetavam no grandioso, especialidade de Kirby.

Stan Lee era um roteirista e editor querido por todos os artistas. Era um um gente-boa, que dava liberdade criativa para seus artistas e conseguia deles o seu melhor. Ele também usava e abusava da promoção pessoal, colocando em destaque o seu nome e o dos artistas nas páginas das revistas.  Além disso, ele criou o chamado método Marvel de escrever roteiros. Como exercia a função de editor e escrevia diversas revistas, ele não tinha tempo de produzir scripts completos, então fazia apenas um resumo da história e entregava para o desenhista. Este ilustrava, entregando depois para que Lee colocasse os textos e diálogos. Esse aspecto fez com que alguns colocassem em dúvida a verdadeira importância de Stan Lee, mas hoje são poucos os pesquisadores que descartam a relevância desse roteirista para o sucesso da editora que ficou conhecida como ¨A casa das idéias¨. 

As piores capas de discos

A gente reclama do Photoshop, mas antes dele já se fazia muita bobagem em design gráfico. Olhem essas capas de discos!Não tinha uma foto pior não? Talvez uma em que todos estivessem olhando para o mesmo lugar...
Reparem na expressão da menina à direita. Essa aí deve ser vilã de novela das 8.

Em ocasiões felizes você ouve esse tipo de música e faz papel de idiota?

Sem comentários.
Borat fez escola.

Podia ser um pouco menos sutil. Ningem deve ter entendido a mensagem. E a produção, a meu Deus, a produção! Gastaram tudo mandando fazer um sapato gigante e colocaram de cenário uma esteira...

segunda-feira, janeiro 15, 2018

The Handmaid’s Tale (2017) Trailer Legendado

Grafipar, a editora que saiu do eixo


No final da década de 1970, Curitiba se tornou a sede da principal editora de quadrinhos nacionais. A produção era tão grande que se formou até mesmo uma vila de quadrinistas. No livro Grafipar, a editora que saiu do eixo, eu conto em detalhes essa história. O livro inclui também algumas HQs publicadas na época e análise das mesmas.
Pedidos: profivancarlo@gmail.com.

Esquadrão classe A


Esquadrão Classe A foi um dos seriados de maior sucesso em meados da década de 1980. No Brasil, passava no SBT e era um programa obrigatório para a garotada.
Em muitos sentidos, o Esquadrão era uma releitura dos Sete Samurais, filme clássico de Akira Kurossawa, no qual um grupo de samurais desempregados ajuda uma vila de agricultores atormentada por bandidos. Esse tema de heróis lidando com seus próprios problemas, mas encontrando tempo para ajudar pessoas necessitadas será a base de todos os episódios do seriado. Em todos eles, o grupo de soldados da fortuna é contratado por alguém com dificuldade com malfeitores.
Além da referência básica aos Sete Samurais, o Esquadrão trazia um contexto histórico. Veteranos da guerra do Vietnã, eles são condenados por um crime que não cometeram, conseguem fugir, mas têm sempre os militares em seus calcanhares.
O texto de abertura resumia bem o clima das histórias:
“Em 1972 uma unidade especial das forças armadas foi condenada no tribunal militar por um crime que não cometeu. Esses soldados logo conseguiram escapar da prisão de segurança máxima, se estabelecendo clandestinamente em Los angeles. Hoje, procurados pelo governo, eles sobrevivem como soldados da fortuna. Se você tem um problema, se ninguém pode ajudá-lo e se você puder achá-los, talvez você possa contratar o ESQUADRÃO CLASSE A”
A estrutura narrativa era quase sempre a mesma: fugindo dos militares, os heróis chegam em um local e se deparam com pessoas sendo oprimidas, seja por patrões cruéis, bandidos ou políticos. Comovidos, resolvem ajudar, mesmo sabendo que essa ajuda poderá fazer com que sejam finalmente pegos, o que quase acontecia, em todos os episódios.
A equipe era liderada pelo Coronel John Hannibal Smith (George Peppard), um líder nato, fanático por charutos. Bom ator, Hannibal costumava protagonizar o início dos únicos episódios em que a estrutura era um pouco diferente: nestes, alguém tentava contatar o grupo de soldados da fortuna, mas se deparava com alguém inconveniente, como um vendedor de cachorros quentes muito chato. Era o coronel. A maquiagem fazia com que mesmo os telespectadores mais assíduos fossem enganados, de modo que uma das diversões do seriado era tentar descobrir quem era Hannibal disfarçado. O nome do personagem é uma referência ao general cartaginês que quase destruiu o exército romano. Assim como o seu homônimo histórico, o líder da equipe é um grande estrategista e seus planos mirabolantes eram uma das atrações da série.  
Para concretizar seus planos, Hannibal conta com uma equipe bastante heterodoxa.
O Capitão H.M. Murdock é um especialista em pilotar qualquer tipo de aeronave, mas gastava a maior parte do tempo fazendo macacadas, conversando com a própria mão ou algo do gênero. Careteiro, Dwight Schultz, que interpretava o personagem, era um espécie de Jim Carrey da época e dava o toque humorístico ao seriado.
O tenente Templeton Cara-de-Pau , interpretado por Dirk Benedict, era o galã da série e o responsável por conseguir tudo necessário para colocar em ação os planos do Coronel. Com seu charme, ele conseguia tudo, mesmo que para isso precisasse trocar seus sapatos novos por uma bota de trabalhador.
Completando o grupo, havia o carismático Sargento Bosco Barracus ou B.A. (abreviação de Bad Attitude ou temperamento ruim), interpreado por Mr.T., um grosso de cabelos moicanos, mas que adorava leite, crianças e morria de medo de voar. Como em muitas missões era necessário embarcar num avião, ou num helicóptero, uma das atrações era tentar adivinhar que estratégia seria usada pelos outros para dopá-lo. Além disso, as brigas de B.A. com o Murdock criaram uma das grandes tensões do seriado, geralmente com resultados humorísticos. O personagem também era um gênio em mecânica e era essencial para colocar em prática os planos. Como a televisão da época não podia mostrar nada mais violento que algumas explosões e pessoas saltando, os roteiristas tinham que inventar geringonças, como uma máquina que atirava repolhos.
Mesmo com uma estrutura rígida e personagens estereotipados, o Esquadrão Classe A conseguia surpreender dar uma grande lição: é necessário ajudar os outros, deixando nossos interesses em segundo plano. 

The Heap e a história por trás dos monstros do pântano

Swamp.jpgConheça a história por trás de duas criações quaseidênticas da Marvel e DC.
No início da década de 70, dois “novos” personagens fizeram sua estreia nos quadrinhos da Marvel e da DC Comics. Eram eles o Homem-Coisa (da Marvel) e o Monstro do Pântano (da DC). Eles são o legado do The Heap, um monstro da Era de Ouro que se desdobrou em um amontoado de referências e plágios sem fim! Clique aqui para ler o texto do Pirata Psíquico. 

A incrível arte dinâmica de Leinil Francis Yu


Leinil Francis Yu é um artista filipino de quadrinhos cujo estilo ele mesmo define como dinâmico pseudo-realista. Ele começou sua carreira nos comics trabalhando para a Wildstorm e depois fez trabalhos para a Marvel e DC.  










 


Conhecimento empírico

Como fazer para o sal não endurecer no saleiro? Qual a melhor época para plantar? Como tirar manchas da roupa? Essas são perguntas com as quais o homem se depara em sua vida diária. A maioria delas permite uma resposta sem que seja necessário recorrer à ciência. O homem comum sabe que, se colocar grãos de arroz no saleiro, o sal ficará soltinho e será fácil retirá-lo de lá.
         Esse conhecimento é chamado de empírico, ou vulgar. É o conhecimento que nasce da observação diária dos fatos. O ser humano observa relações de causa e conseqüência, aquilo que os semióticos chamam de índice: se há uma poça no chão, é por que choveu e há uma goteira no teto. Se vejo fumaça saindo da floresta, intuo que há fogo.
         Observando essas relações de causa e conseqüência, o homem vai criando um conhecimento que lhe permite fazer diversas atividades diárias.
         Entretanto, esse é um conhecimento não sistemático, assim como sua transmissão. O homem comum não faz diversas experiências com vários tipos de materiais até chegar ao grão de arroz como o mais apropriado para colocar no saleiro. Simplesmente alguém um dia colocou um grão de arroz lá e observou que deu certo.
         Também é um conhecimento que não vai aos porquês. O homem comum sabe que o arroz faz com que o sal saia facilmente do saleiro, mas não sabe porque.  Não sabe que o arroz tira a umidade do ar e que o atrito com os grãos faz com que as moléculas do sal fiquem soltas.
         Apesar de suas limitações, o conhecimento empírico tem feitos realizações realmente extraordinárias. A utilização de plantas medicinais é uma delas. Os ribeirinhos da Amazônia sabem coisas sobre as propriedades curativas das plantas que a ciência só tem descoberto muito recentemente (inclusive muitas pesquisas científicas estão indo buscar, justamente nesse conhecimento empírico, informações sobre essas plantas).

         Um outro exemplo é a maniçoba. Descobrir que a planta da maniva deveria ser cozida durante sete dias e sete noites deve ter sido uma aventura tão surpreendente quanto qualquer pesquisa científica. É de se supor que tenha havido muitas tentativas antes de se chegar ao ponto ideal de cozimento (infelizmente muitos heróis devem ter morrido no meio do caminho).

Bastardos inglórios


Bastardos Inglórios é um filme de Quentim Tarantino, de 2009. Sem dúvida alguma, um dos filmes do ano. Tarantino parece ter chegado à maturidade narrativa num filme que junta o que tem de melhor em toda a cinematografia e ainda acrescenta um fundo histórico interessante. Para quem não sabe, a história é sobre um grupo de soldados judeus-americanos (os bastardos do título), que entra na França ocupada pelos alemães com o objetivo de matar o máximo de nazistas possível. Em uma trama paralela, temos uma garota judia cuja família foi morta, que agora tem uma identidade francesa e administra um cinema que acaba sendo escolhido para o lançamento de um filme alemão ao qual irá comparecer toda a elite nazista. As duas tramas paralelas, claro, irão se juntar no final, quando a garota, por um lado, e os bastardos por outro, irão tentar matar os oficiais.

Tarantino faz flash back em cima de flash back, mas a sequência mais memorável do filme é a primeira, em que uma calma conversa de um fazendeiro francês com um oficial nazista termina em um banho de sangue. Nessa cena, duas coisas se destaca: a ótima direção de Tarantino (quando a câmera começa a se movimentar em círculo ao redor dos dois homens, sabemos que algo vai acontecer) e o talento do ator Christoph Waltz, que faz o Coronel da SS Hans Landa. O charme desse personagem é um dos atrativos do filme. Onde Hans Landa aparece, ele rouba a cena.

Já nos créditos percebemos que o filme é uma farsa, quando começa a tocar a música de Ennio Morricone, famoso pelos filmes de faroeste de Sérgio Leone. Muitos cineastas trabalharam muito bem com a trilha sonora, mas Tarantino a transformou em elemento narrativo.

Entre as várias cenas memoráveis está aquela em que Brad Pitt, com forte sotaque americano, tenta convencer Landa de que é um italiano. O cinema todo gargalhou.

domingo, janeiro 14, 2018

O conto da aia


Um dos gêneros literários mais importantes do século XX são as distopias. Três dos mais importantes livros do século são nesse gênero: 1984, de George Orwell, Fahrenheit 451, de Ray Bradbury e Admirável Mundo Novo, de Adous Huxley. Uma obra que merece constar nessa lista é O conto da aia, de Margaret Atwood.
Escrito em 1985, o livro foi redescoberto diante do cenário político atual dos EUA. Foi transformado em uma premiadíssima série do serviço de streaming Hulu.
Mas o que diferencia O conto da aia de seus similares distópicos mais famosos? Essencialmente, o olhar feminino. Tanto o livro de Orwell quanto de Bradbury quanto o de Huxley foram escritos por homens e tinham homens como protagonistas. Margaret Atwood não só escreveu uma distopia com uma protagonista feminina: ela criou uma distopia cujas principais vítimas são mulheres.
Na história, os EUA são dominados por um grupo religioso puritano, que impõe uma rígida disciplina sobre as mulheres. Na história, um desastre em uma usina nuclear, associado a outros fatores, fez com que boa parte das mulheres se tornassem inférteis.
Mães solteiras, ou mulheres divorciadas ou casadas com homens separados são sequestradas e transformadas em mães de aluguel dos comandantes do regime. São obrigadas a usarem um vestido vermelho, que as identifica, e uma aba branca, que limita a visão, da mesma forma que é feito com cavalos. Sua função é ter relações com os comandantes cujas esposas são estéreis. O fruto dessas relações será posteriormente criado pelo casal. Se conseguir gerar um filho, a aia estará livre de se tornar uma Não-mulher e ser mandada para as colônias para onde são enviadas as mulheres inférteis, os gays, pessoas ligadas à indústria pornô e outros. O principal trabalho dessas colônias é limpar material radioativo, de modo que poucos duram mais que três anos.
A protagonista é sequestrada enquanto tentava fugir com o marido e a filha – e boa parte da angústia do livro é ela não saber o que lhes aconteceu.
O horror, em O conto da aia, está nos detalhes. Apesar da rígida rotina, em que uma palavra errada ou um gesto equivocado pode levar mulheres para a tortura ou para as colônias, o que mais impressiona são os detalhes, os pequenos gestos que demonstram a que essas mulheres foram reduzidas.
Em determinado ponto da história, por exemplo, uma das aias consegue conceber uma criança. Todas as aias da região são levadas ao hospital, assim como todas as esposas de comandantes. As esposas seguem em um carro luxuoso, enquanto as aias seguem em uma caminhonete com bancos de madeira. No hospital, as esposas se regalam com um banquete comemorativo enquanto para as aias é servido suco em pó – e a protagonista se sente feliz porque alguém se lembrou de colocar um pouco de álcool na bebida. “Somos úteros de duas pernas, apenas isso: receptáculos sagrados, cálices ambulantes”, diz ela à certa altura.
Outros detalhes são igualmente impactantes, em especial as pequenas coisas que antes a protagonista podia fazer e agora lhe são terminantemente proibidas, tornadas pecados, como poder falar quando quiser, usar sandália no verão, ler uma revista no consultório de um médico...
O livro mostra como essas mulheres, submetidas a uma forte doutrinação são dominadas pelo complexo de Estocolmo: em determinado ponto elas começam a achar que o modo de vida que lhes foi imposto é o mais seguro, elas começam a gostar da prisão nas quais foram aprisionadas. Quando, em determinado ponto, ela consegue folhear uma revista feminina, ela se repreende por não se sentir má ao fazê-lo.
É interessante notar como, na trama o que começou pequeno vai se alastrando. Quando o regime se instala, as pessoas ligadas à pornografia e prostituição simplesmente somem. A protagonista vai comprar cigarros, a moça da loja comenta o assunto e diz que se sente até mesmo aliviada com isso, afinal é apenas o pessoal que trabalha com pornografia. No dia seguinte, a moça não está mais lá. No começo, todas as pessoas ligadas a uma religião parecem não sofrer com o novo regime, mas logo quackers, batistas e católicos começam a se enforcados e pendurados no muro para que todos vejam o que acontece com que não segue a religião oficial. No começo, todos os casamentos religiosos são aceitos, mas logo qualquer mulher que não tenha se casado na religião oficial poderá ser sequestrada e transformada em uma aia. Ou seja: se o totalitarismo não for barrado logo no início, ele logo engole até mesmo aqueles que apoiaram inicialmente o regime ou se acharam isentos de sua intervenção.

Da mesma forma que 1984 foi essencial na época em que foi escrito, O conto da aia se torna fundamental, numa época em que começa a se delinear um novo tipo de totalitarismo. 

O crítico (ou meu conto de Lobato)



Sérgio tinha um sonho: ser ator. Passava os dias modorrentamente numa repartição pública, remoendo essa frustração.

Já não bastasse o sonho não realizado, Sérgio ainda tinha de agüentar chacota dos colegas de repartição. A verdade é que era quase impossível ver aqueles homenzinho de testa larga, cabeça calva, sem esboçar um sorriso. Duas lentes garrafais pendiam de sua protuberância nazal, ocupando a maior parte do rosto, que por sinal afinava no queixo, dando impressão de que faltara massa ao conjunto. A barriga, enorme, era uma exibida e teimava em pular para fora da camisa. Seu andar tinha o rigor quacquacqueano dos patinhos na lagoa: barriga inclinada para a baixo e a região glútea inclinada para cima, com os pezinhos de menina se movimentando lá embaixo.

Já que não tinha coragem de realizar seu sonho, contentava-se em estragar os dos outros. Costumava dizer que era um crítico e estava ali para criticar.

- E criticava?

Desbundava. Nos debates, após as apresentações, bastava que ele abrisse a boca a pronunciasse o fatídico “Eu vejo erros!” para que os atores estremecessem.

Seu olhar de rancor conseguia encontrar erros mínimos, que passavam despercebidos para todos os outros. Sérgio eram também um profundo pensador e havia criado para si uma teoria de teatro tão flexível e ao mesmo tempo tão ortodoxa que lhe permitia criticar qualquer um, dos pobres atores de periferia aos grandes astros nacionais.

Ignora-lo era pior. Quando percebia que não estavam levando a sério suas críticas, entrava em pânico. Não era justo. Aquela era o único momento em que ele brilhava e não podiam, de forma alguma, tirar-lhe essa glória! Recomposto da mágoa, ele se levantava, deslizava seus pezinhos pelo salão, cortava a palavra dos outros, apontava nervosamente o dedo e gritava sua máxima:

_ Isso não é teatro! Vocês estão brincando de fazer teatro! Isso não é teatro!

Pronto! Estava feito. Agora era a Ursa Maior, brilhando intensamente por todo o teatro e cegando com sua luz todos os hereges que ousavam discordar dele. Para melhor efeito, ele se sentava de quando em quando, para, de repente, estourar no meio da frase de alguém:

- Isso não é teatro!

Tumultuar era-lhe uma delícia!

Um dia leu uma frase de Augusto Boal que o deixou particularmente preocupado: “Qualquer um pode fazer teatro, até mesmo os atores”.

Ora, se qualquer um podia fazer teatro, por que ele – justo ele! – não podia? Isso era especialmente irritante.

Nesse dia, Sérgio deslizou seus pezinhos pela repartição, coçando a cabeça e fazendo retângulos imaginários no chão. Pensou primeiro em diminuir a importância de Boal. Bastava para isso recorrer à sua infalível máxima: “Isso não é teatro!” e tudo estaria resolvido. Boal não fazia teatro, não sabia o que era teatro e, portanto, não podia ensinar nada a ele... bom... muito bom... mas nem tanto. Se Augusto Boal não fazia teatro, que fazia? Não, não convinha discordar dele... era famoso demais, respeitado demais... e, quem sabe, talvez Boal tivesse razão e qualquer um podia fazer teatro... até... ele!

Era isso! Ia tomar coragem e realizar seu sonho. Imaginou-se fulgurante no palco, olhando de cima os pobres espectadores, a quem só restaria assistir boquiabertos. Não havia dúvidas: seria um sucesso! Anos e anos de crítica teatral tinham lhe dado experiência o bastante para fazer o melhor espetáculo possível.

O problema era encontrar um grupo. Sérgio dizia que os que os que existiam estavam por demais viciados “pelos erros que se espalhavam como uma peste pelos espaços cênicos”. Não. Ele cortaria o mal pela raiz. Descobriria uma terra ainda virgem para plantar nela os frutos do que considerava o verdadeiro teatro.

A notícia se espalhou. Sérgio, o crítico, estava montando uma peça e a apresentaria à cidade para mostrar a todos o que era um teatro sério. Quanto ao elenco, alguém indicou-lhe um grupinho de colégio, repleto de fedelhos em fraudas.

Convence-los a se deixar dirigir foi moleza. Bastou alguns termos técnicos e uma conversa fiada sobre marcação e expressão corporal para que os pobres coitados tivessem que recolher o queixo do chão.

De posse da trupe, o grande dilema foi escolher a peça a ser encenada. Passou nisso um mês, matutando. Não descobriu, por fim, nenhum autor nacional que estivesse à sua altura. Não montaria nada menor que Shakespeare. Decidiu, então, montar Sonhos de uma noite de verão.

Sérgio nunca pensou que fosse tão difícil e desgastante montar uma peça. Os vinte uma atores dificilmente podiam ser reunidos num só dia; o dinheiro saía aos borbotões de seus bolsos para gastos que iam da passagem dos atores ao lanche que os miseráveis exigiam quando o ensaio se alongava.

O cenário, mandou-o fazer por um cenógrafo paulista de passagem pela terra. Mas acabou não gostando. Foi obrigado a pagar, entre ameaças de prisão e troca de gentilezas de ambas as partes. Jogou tudo fora e se concentrou na tarefa de produzir, ele mesmo, com ajuda de alguns carpinteiros, o cenário. Como não queria cair no mesmo erro da cenografia, desenhou pessoalmente a roupa de cada personagem, acompanhando passo a passo sua confecção.

Mais alguns gastos com pequenos detalhes, e secou a mina. Teve de pedir emprestado a amigos para cobrir a sonoplastia, a iluminação, o frete do caminhão que traria a cenografia... Para pagar a chamada na TV, foi obrigado a recorrer a uma agiota com jeito vampiresco que fazia antever um futuro preocupante.

Finalmente chegou o dia da estréia. Após um ano de árduos ensaios, de noites sem sono, de aborrecimentos sem fim, havia afinal chegado o grande dia.

O teatro lotou. Todos estavam curiosos para ver como seria a grande obra do crítico. Tratava-se de um momento histórico.

Tocaram as três sinetas e Sérgio, que tinha reservado para si o papel de Auberon, entrou. Parou no foco e olhou para a platéia. Então uma revolução começou a acontecer dentro dele, a começar pelas pernas, que bambearam de todo. Ele abriu a boca, gaguejou as primeiras palavras do texto, piscou seis vezes e caiu para trás, completamente fulminado de medo.

Virou mártir. Os amigos inventaram a história de que ele havia tido um ataque cardíaco durante o espetáculo e escreveram nos jornais, louvando a bravura daquele grande herói cênico, e explicando sua contribuição para o teatro regional, nacional e (quem sabe?) internacional. Seu nome foi cantando como de um campeão de Olimpíada, analisaram as possíveis contribuições de seu legado, o apnhado kitch da cenografia, o surrealismo do figurino...

Sérgio, curiosamente, nunca mais pisou num palco. O mais perto que chegava deles era nos debates, aos quais voltou com fúria redobrada:

- Isso não é teatro!

A experiência religiosa de Philip K. Dick, por Robert Crumb


Em 1974, o escritor de ficção-científica Philip K. Dick teve uma experiência mística em que se sentiu como uma pessoa que viveu no Império Romano, numa época em que os cristãos eram perseguidos. A experiência o marcou pelo resto da vida e pode ter sido responsável por sua morte. Se olharmos o episódio pela ótica da doutrina espírita, Dick teve um episódio de mediunidade. Robert Crumb, um dos maiores nomes do quadrinho underground americano, transformou em quadrinhos o relato do escritor. O resultado pode ser lido aqui.

sábado, janeiro 13, 2018

Batima resolvendo enigmas

Cão de briga

Cão de Briga é um filme de 2005 dirigido por , com Jet Li e Morgan Freeman. 
Cão de briga é um ótimo filme de ação, com cenas muito bem dirigidas e lutas coreografadas de tirar o fôlego, mas o que realmente diferencia esse filme dos outros é o roteiro do cineasta Luc Besson, do ótimo O profissional.
Cão de Briga conta a história de Danny (Jet Li), um rapaz criado como cachorro desde criança por um mafioso, que o usa para bater nos comerciantes que se recusam a pagar-lhe proteção. O rapaz usa uma coleira que o impede de atacar, mas basta tirar a coleira para que ele se torne uma máquina de destruição. Tratado como cachorro, ele vive preso, sem saber ler e quase sem contato social. (Emblemática a cena em que uma dessas pessoas que pagam proteção decide impedir que ele tire a coleira de Danny. O rapaz apenas observa o seu "dono" ser surrado, incapaz de tomar uma decisão)
É então que ele conhece um pianista cego (Morgan Freeman), que o levará a resgatar sua humanidade.
Pode não parecer, mas é um belíssimo filme sobre educação. Podemos educar para a submissão e para o controle social, ou podemos educar para a liberdade, para a cidadania.
Morgan Freeman lembra  Edgar Morin ao mostrar que as pessoas não estão presas a condicionamentos sociais e podem ser responsáveis por suas próprias vidas.

A arte romântica de Delacroix


A maioria das pessoas atualmente, quando pensa em romantismo, pensa em romances amorosos e melosos, que, na história da arte estão mais associados ao período conhecido como rococó. O romantismo está na verdade associado a fortes emoções, a uma arte passional e muitas vezes engajada politicamente. Poucos nomes representaram tão bem isso na pintura quanto o francês Eugène Delacroix. Sua vida, aliás, foi absolutamente romântica e aventureira: ele visitou a África e chegou a se infiltrar em haréns (sua experiência na África se refletiria em vários temas de seus quadros). Sua arte se destacou destacou com temas sociais: seu quadro O massacre de Quios relatava um episódio dramático na guerra entre a Grécia e Turquia em que civis gregos foram massacrados. Seu quadro de denúncia incluía até mesmo uma criança mamando no seio da mãe morta, um episódio aparentemente real, relatado por um amigo. Seu quadro A liberdade guia o povo, sobre a revolta de 1930 em Paris, se tornou uma das obras de maior impacto político de todos os tempos.















Conhecimentos não-científicos

Durante muito tempo, o conhecimento científico foi tido como o único tipo de conhecimento válido. A frase “isso não é científico” virou sinônimo de “isso não é verdadeiro”.
     Filósofos recentes têm procurado resgatar a necessidade de valorizarmos os mais variados tipos de conhecimento, pois eles são complementares ao científico.
     Edgar Morin, um dos mais importantes pensadores de nossa época, com obras na área de educação, metodologia e comunicação, é um dos mais severos críticos da supervalorização da ciência e de sua compartimentação em disciplinas estanques. Para ele, os diversos conhecimentos devem dialogar entre si.

Não se trata de querer dizer que o conhecimento teológico, por exemplo, é do mesmo tipo do científico, mas de demonstrar a importância de cada um desses tipos de conhecimento. 

O rei e a verdade

Certa vez o Rei acordou tão ocupado com seus sonhos de onipotência que se esqueceu de vestir roupa. Foi assim mesmo, nu, para a reunião com os ministros. Quando chegou, os ministros se entreolharam, mas ninguém teve coragem de dizer nada.
- E então, como estão os preparativos para minha caminhada triunfal por entre o povo? – perguntou o Rei.
Nisso um ministro se levantou:
- Vossa Majestade me desculpe, mas o Vossa Excelência não pode comparecer assim, sem roupas, entre o povo. Todos irão rir!
O Rei, sem se dignar a olhar para baixo, ficou furioso com o ministro:
- Como assim, estou sem roupa? Estou com a minha melhor roupa, trazida para mim do além-mar.
- Mas majestade, o senhor está sem roupa... – tentou argumentar o ministro, mas foi cortado pelo rei, que perguntava para os outros ministros:
- Por acaso estou sem roupa?
- Claro que não, majestade. – respondeu um ministro.
- Linda roupa, majestade. – disse outro.
- Nunca vi roupa tão esplêndida em toda a minha vida. – garantiu outro.
O Rei, com um sorriso no rosto se virou para o ministro atônito:
- Está vendo? Se estou dizendo que estou vestido é porque estou vestido. E não admito que me contradigam. Considero isso uma ofensa! Exijo que se retrate imediatamente, ou corto sua cabeça.
Dizendo isso, o Rei chamou dois guardas, que se postaram ao lado do ministro, prontos para usar suas afiadas cimitarras. O pobre homem, sem opção, ficou de joelhos e, de cabeça baixa, negou tudo que dissera antes.
O Rei, aproveitando que ele já estava numa posição conveniente, ordenou que um dos guardas lhe cortasse a cabeça.

MORAL DA HISTÓRIA: Dizer a verdade não garante a cabeça de ninguém quando se está lidando com o Rei.

sexta-feira, janeiro 12, 2018

Internet e educação


O surgimento da internet tem um impacto fundamental sobre a educação, independente da escola querer isso ou não.
Segundo McLuhan, a forma como o homem se comunica, a tecnologia usada para essa comunicação, molda o pensamento do homem.
Assim, a comunicação na época da aldeia era uma comunicação oral, na qual emissor e receptor estavam em pé de igualdade. O discurso não era unidirecional, mas bidirecional, com dois interlocutores assumiam tanto o papel de emissores quanto de receptores. A comunicação era vinculada à prática. Enquanto ouvia o pai explicar como se pescava, o menino via o pai pescando. Em uma sociedade como essa, a tribo ia até onde podia chegar a voz do seu líder, razão pela qual as comunidades eram pequenas, ligadas quase sempre por laços familiares.
A invenção da escrita mudou tudo. Com a escrita, era possível ao Rei ter controle sobre um amplo domínio e as cidades se tornaram grandes, surgiu a burocracia o discurso começou a se desvincular da prática. A invenção da imprensa, foi outra revolução não só na maneira de se comunicar, mas também na forma de pensar.
O pensamento escolástico da Idade Média deu lugar ao pensamento cartesiano, mais adequado a uma época em que uma grande quantidade de pessoas podia ter acesso fácil a informações que antes eram restritas a um pequeno grupo. A imprensa moldou o pensamento para a linearidade, distanciamento físico entre emissor e receptor, feedback passivo. Também deu ensejo à moda de categorizar as coisas, naquilo que os cibernéticos chamaram de informação classificadora. Da mesma forma que os livros em uma biblioteca, as coisas devem ser classificadas em categorias mutuamente excludentes.
McLuhan alertou, na década de 60, que esse mundo criado por Gutemberg, estava sendo substituído por outro, em que havia uma volta aos tempos de aldeia. Mas não era mais a mesma aldeia, era uma aldeia global.
A aldeia global, que era apenas entrevista na década de 60, é uma realidade hoje, com milhões de pessoas conectadas em tempo real. Anacronicamente, a escola é uma ilha, onde ainda prevalece a Galáxia de Gutemberg, com disciplinas isoladas, conteúdos apresentados de forma linear em que sobra pouco espaço para a imaginação e a curiosidade do aluno. E essa curiosidade vai ser satisfeita na internet, numa leitura de hipertexto com links e mais links que são acessados ao sabor do momento. Assim, se pesquiso sobre Edgar Alan Poe, descubro que esse autor norte-americano influenciou Jorge Luís Borges e logo estou numa página sobre Borges. Em Borges, descubro que uma das obsessões do escritor argentino eram os tigres e logo estou em um texto sobre esses felinos.
Como a escola pode se adaptar a essa situação? Primeiro, é necessário admitir que não é fácil. A grande maioria dos professores ainda não tem sequer e-mail. Iniciativas governamentais de informatização das escolas seria um excelente primeiro passo, inclusive há uma proposta do Ministério da Educação de distribuir notebooks a preços baixos a alunos das escolas públicas.
Entretanto, pouco adianta informatizar escolas e alunos se o paradigma, o modo como visualizamos o mundo, não muda. Não adianta o professor usar computador em suas aulas se ele ainda o faz com a lógica da Galáxia de Gutemberg. Vale lembrar também que tecnologias valem muito pouco sem conteúdo. Infelizmente, a experiência tem demonstrado que mudar paradigmas é muito difícil. Muitos professores irão morrer sem serem capazes de usar as novas tecnologias na sala de aula. Outros se sentirão angustiados diante de alunos que têm informações atualizadas sobre o assunto de sua disciplina. 

quinta-feira, janeiro 11, 2018

Mistérios no espaço

            
Na década de 1950, com a crise nos quadrinhos de super-heróis, as editoras tentaram vários gêneros alternativos. Um dos gêneros de maior sucesso foi a ficção-científica.
            Embora a FC existisse nas tirs de jornais desde o final da década de 1920, foi só na década de 1950 que os gibis do gênero começaram a fazer grande sucesso nos gibis. Strange adventures (1950) e Mystery in Space (1951), dois lançamentos da National, puxaram a fila. As revistas eram compostas de histórias curtas, sem continuação ou personagens fixos. A ação estourava em qualquer lugar do espaço ou em qualquer período temporal.
            A editora EC Comics, embora fosse especializada em terror, deu uma grande contribuição à FC nos quadrinhos, aproximando-a do que era feito na literatura. Aliás, Ray Bradbury, um dos grandes escritores do gênero, era fã e colaborador da editora.
            As histórias da EC eram instigantes, sempre com finais surpreendentes. Numa história, por exemplo, os terrestres vão ter seu primeiro contato com seres de outro planeta. À medida que se aproximam, contam, pelo rádio, a história da humanidade e de suas guerras. No final, ao descerem, descobre-se que os terrestres são ratos, a única espécie que sobreviveu a uma guerra atômica.
            Com a perseguição aos quadrinhos, os gibis de ficção da EC foram cancelados e os da National se tornaram inócuos, com histórias bobas, como a de um robô que precisa encontrar a cabeça na qual está a informação que salvará a terra.
            Em 1958, o escritor Gardner Fox voltar a dar vitalidade ao gênero, relacionando-o com os super-heróis. Ele recebeu, do editor Julius Schwartz, a missão de criar um herói espacial para estrelar a revista Mystery in Space. Então criou Adan Strange, um norte-americano que era arremessado a 25 trilhões de milhas no espaço ao ser capturado pelo raio zeta, indo parar no planeta Rann. Lá, usando apenas sua esperteza e um par de jatinhos que lhe permite voar, ele se torna o herói local.
            O sucesso de Adan Strange fez com que a DC encarregasse Gardner Fox de ressuscitar um herói da era de ouro, o Gavião Negro. Na versão clássica, ele era Carter Hall, a reencarnação de um príncipe egípcio. Na nova versão, era Katar Hol, um policial do planeta Thanagar que vem à Terra. Com arte de fenomenal de Joe Kubert, a série tornou-se um sucesso.

            Tanto o Gavião negro quanto Thanagar passaram a exercer papel fundamental na cronologia da DC Comics desde então. E uma versão feminina da personagem consta no ótimo desenho animado da Liga da Justiça, atualmente em exibição.