sexta-feira, agosto 19, 2016

Bolsonaro ensina a resolver de maneiras simples problemas complexos

Bolsonaro, os salários dos professores estão entre os mais baixos entre os profissionais com a mesma qualificação. Isso tem provocado uma fuga de professores a ponto de muitas vezes alunos passarem meses inteiros sem aula por falta de professor. Além disso, a maioria das escolas não tem biblioteca ou laboratórios. Em algumas não há nem mesmo cadeiras para os alunos se sentarem. Em algumas escolas a situação de higiene é tão grave que há verdadeiras epidemias entre os alunos. Nas regiões mais quentes o calor dentro das salas de aulas é insuportável. Como podemos resolver todos esses problemas?

Bolsonaro: Simples, vamos perseguir todos os professores de esquerda. Quando não houver mais professores de esquerda, todos esses problemas serão resolvidos.

Bolsonaro ensinando a resolver de maneiras simples problemas complexos 

terça-feira, agosto 16, 2016

Como foi o Gorpacon

Guarapuava é, segundo pesquisa da Amazon a partir de compras realizadas no site, a cidade mais nerd do Brasil. Então nada mais natural que a cidade sediasse um evento nerd: o Gorpacon, que aconteceu dias 13 e 14 de agosto. Tive a honra de ser um dos convidados do evento. Participei de mesa-redonda, lancei livros e conversei com leitores. E tirei muitas fotos. Abaixo, algumas delas.
Minha mesa no evento, com minhas publicações. 

Mesa do fã-clube Dr. Who. 


Mesa-redonda que participei sobre mercado literário. 


Exposição de esculturas do incrível Walmir Gustani. 



Mesa do fã-clube De volta para o futuro. 

Até o Dr. House compareceu à minha mesa. 



Mesa do fã-clube do Senhor dos Anéis. 




Mesa do fã-clube de Sherlock Holmes. 




Mesa do fã-clube de Jornada nas Estrelas. 

Mesa do fã-clube de Tim Burton. 


segunda-feira, agosto 15, 2016

Álbum paranaense do Gralha vence HQMIX


O livro paranaense “O Gralha – Artbook” (2015) venceu a categoria “Publicação Independente de Grupo” do tradicional Troféu HQMIX, uma espécie de “Oscar dos quadrinhos” no Brasil. O resultado da 28ª edição foi divulgado no início da tarde desta segunda-feira (15).
“É gratificante, pois deu uma trabalheira danada fazer o livro e o resgate do material”, diz um dos organizadores de “O Gralha – Artbook”, Antonio Eder. Junto com Leonardo Melo (“Clássicos Revisitados”) e Gian Danton (“A insólita família Titã”), Antonio pesquisou e resgatou material relacionado ao Gralha, personagem criado nos anos de 1990 por um grupo de nove artistas em Curitiba. Leia mais

quinta-feira, agosto 11, 2016

Os caçadores de comunistas-go


Além dos caçadores de pokemón, existe uma nova espécie nas redes sociais: os caçadores de comunistas-go.
São pessoas que passam o dia na redes sociais em busca de comunistas. Eles podem ser encontrados em qualquer lugar, em qualquer esquina ou atrás de qualquer armário. Qualquer um pode ser um comunista, da revista Veja a um site Neo-liberal.
Há um certo padrão nesses caçadores de comunistas. A maioria deles tinha uma vida extremamente confortável no início da Era Lula - época em que houve um boom da economia (ocasionado por uma série de fatores). A pessoa ganhava 20 mil reais ou mais por mês. E gastava 20 mil reais.
Quando começou a crise, as empresas tinham de decidir quem seria demitido. E, claro, demitiam o funcionário-problema: o que comprava briga com tudo mundo, que era antipático, que se sentia uma estrela insubstituível e era cheia de exigência. Ou seja: na hora de cortar, cortavam aquele que ninguém queria ter por perto. Em alguns casos a crise era apenas uma boa desculpa para demitir uma pessoa que já vinha dando problema há bastante tempo.
Essa pessoa, que, de uma hora para a outra se via sem 20 mil para gastar por mês - e que não havia economizado um único centavo, precisa achar um culpado. E os culpados, claro, só poderiam ser os comunistas.
Essas pessoas se transformam em caçadores de comunistas. E o primeiro comunista que encontram, óbvio, é o patrão que as havia demitido. Mas ainda há muitos comunistas a serem encontrados. Nunca se sabe de onde vai sair um comunista.

Gian Danton é um dos convidados da Bienal de Quadrinhos de Curitiba

Foi divulgada a lista de convidados nacionais da Bienal de Quadrinhos de Curitiba. Entre diversos nomes reconhecidos na área está o roteirista de quadrinhos e escritor Gian Danton. Clique aqui para conferir a lista completa.

terça-feira, agosto 09, 2016

Gian Danton é destaque em evento nerd em Guarapuava


Por Marcelo Naranjo
Data: 8 agosto, 2016
A cidade paranaense de Guarapuava, localizada a 250 km de Curitiba, será sede de um encontro inédito de cultura nerd e HQs. Trata-se da GorpaCon 2016 – Primeira Convenção Regional dos Nerds de Guarapuava.
Programado para 13 e 14 de agosto deste ano, o evento terá entrada gratuita nas dependências daFaculdade Guairacá (Rua XV de Novembro, 7.050, Centro) no horário das 13h às 20h.
Um dos principais destaques da programação é o setor de quadrinhos, com lançamentos de livros e realização de debates.
Os quadrinhistas Gian Danton (A insólita família Titã) e Antonio Eder (O Gralha: Artbook) farão a divulgação em primeira mão do livro Francisco Iwerten – biografia de uma lenda – mistura de “biografia ficcional” e relato, a obra revela os bastidores de criação do mito em torno do personagem Gralha. Leia mais

‘Mestres do Terror’ com lançamento em evento nerd

Muito cuidado quando for ao banheiro. A Loira Fantasma pode estar à sua espera. Já numa floresta desconhecida, você corre o risco de encontrar Zora, a Mulher Lobo!
No entanto, o pior mesmo é topar com as histórias feitas por Gian Danton, Sidemar de Castro e Rodolfo Zalla. Elas despertam o medo mais latente que habita o ser humano; incluindo até mesmo aqueles que se dizem corajosos.
A nova edição da lendária revista brasileira de quadrinhos “Mestres do Terror” promete calafrios e sustos em seus leitores. Com exclusividade, a reportagem do CORREIO teve acesso às primeiras páginas do material. É promessa de leitura aterrorizante!
No próximo sábado (13), o editor Daniel Saks vem a Guarapuava para apresentar a edição 65 da “Mestres…”, recém-saída da gráfica nesta terça-feira (9). Saks e sua coleção de terror (revistas “Calafrio”, “Mestres…” e outros materiais) são uma das atrações da GorpaCon 2016, maior evento de cultura nerd/geek do Centro-Sul do Paraná.
Com entrada franca, a convenção inédita nos quase 200 anos de Guarapuava será no próximo fim de semana (dias 13 e 14 de agosto), nas dependências da Faculdade Guairacá, no horário das 13 às 20 horas.
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História clássica na pena de Rodolfo Zalla
Inclusive, outro convidado do evento é um dos colaboradores da “Mestres…” #65: Gian Danton. Escritor e pesquisador, Danton iniciou no universo dos roteiros de quadrinhos nos anos de 1980, quando começou sua parceria com o desenhista Joe Bennett (conhecido pelos trabalhos para editoras como a Marvel Comics).
Nos anos de 1960/80, o gênero de terror era bastante forte no mercado editorial brasileiro, contando principalmente com produções feitas no país. Era o caso das revistas “Calafrio” e “Mestres do Terror”, criadas pelo artista Rodolfo Zalla (1931-2016) e publicadas pela D-Arte (estúdio e editora).
As duas publicações tiveram uma série histórica entre as décadas de 80 e 90. Nesse período, veteranos do quadrinho nacional e jovens talentos passaram por suas páginas, escrevendo e desenhando histórias nacionais. Um deles era Danton, que produziu clássicas aventuras de terror ao lado de Bennett.
MESTRES
Agora, a edição 65 de “Mestres…” apresenta material inédito de Gian Danton (roteiro), feito com o desenhista A. Lima. Em “Loira Fantasma”, uma lenda urbana dá as caras na primeira página da história.
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Uma das história inéditas tem roteiro de Gian Danton
“Acho que o mais interessante dessa história é o fato dela brincar com a questão da lenda urbana. Mas é também uma HQ sobre um tema muito atual: a violência contra mulher”, explica o roteirista. Leia mais

quinta-feira, julho 28, 2016

Grade ou matriz curricular?


É comum ouvir os defensores do projeto escola sem partido falarem de uma tal de "grade da escola", que deveria ser seguida rigidamente pelo professor. Mas o que é essa tal de "grade da escola"?
Para começar, não existe grade da escola. Quer dizer, existe. Algumas escolas têm grades nas janelas. Mas o que a pessoa, especialista em educação, deve estar se referindo é a "grade curricular", um termo que não é mais usado há muito tempo. Hoje usa-se matriz curricular.
Grade significação prisão: é uma normatização rígida da educação que não deixa margem para adaptações.
Um ótimo exemplo de grade curricular é a frase "Vovô viu a uva". Crianças do Rio Grande do Sul ao Amazonas eram alfabetizadas com ela. Crianças que nunca tinham visto uma uva aprendiam a ler com uma frase que não lhe dizia nada. Mas todos deviam seguir a grade curricular, então todos os professores, de norte a sul, seguiam a grade curricular.
Já a matriz curricular permite adaptações, é flexível.
Um exemplo. Certa vez, quando lecionava redação, cheguei na sala de aula e descobri que os alunos só falavam do fim do mundo. No dia anterior, uma matéria do Fantástico mostrara um grupo de fanáticos que acreditava que o mundo iria acabar aquela semana. O livro me indicava um determinado tema para a redação, mas eu o modifiquei. Fizemos um pequeno debate sobre o que os alunos achavam sobre a questão do fim do mundo e depois cada um escreveu uma redação sobre o tema.
Isso é matriz curricular, algo, aliás, que o escola sem partido quer acabar. Pelo escola sem partido, todos os professores deverão seguir rigidamente um modelo rígido, inflexível. Voltaremos ao "Vovô viu a uva".

segunda-feira, julho 25, 2016

As crianças criadas em bolhas


Um dos fenômenos mais preocupantes da saúde pública atual são as alergias. Cada vez mais crianças se tornam alérgicas a tudo, de animais domésticos a amendoim (nos EUA há escolas em que é proibido entrar com amendoim, tamanha a quantidade de alunos alérgicos a esse alimento).
Isso é provocado pela super-proteção por parte dos pais. Se por um lado há milhares de crianças das classes mais pobres que são criadas sem nenhuma assistência ou cuidado, no outro oposto temos crianças cujos pais as protegem de tudo.
Antigamente as crianças brincavam na rua, se sujavam, conviviam com cãs, gatos, galinhas, insetos, andavam descalças. Hoje, os pais protegem as crianças de tudo: não pode andar descalça, não pode ter contato com a terra, não pode tudo. O resultado: o organismo não aprende a lidar com o mundo, tudo passa a ser considerado uma ameaça, e como consequência o número cada vez maior de crianças alérgicas a tudo.
Isso é ainda mais concreto quando se trata de questões mais subjetivas. A mentalidade é de que as crianças devem ser criadas numa bolha e protegidas de tudo. Não pode existir publicidade infantil porque a criança que ver publicidade vai comprar descontroladamente, vai comer descontroladamente.
Livros de Monteiro Lobato devem ser proibidos na escolas porque as crianças negras precisam ser protegidas do racismo do Sítio do Pica-pau Amarelo.
O projeto Escola sem partido é um dos ápices dessa super-proteção. Crianças não podem na escola ter contato com ideologias diversas das dois pais. Devem viver numa bolha idelógica em que só se tem contato com aquilo que os pais acreditam, inclusive em termos religiosos. A ideia de que a vida é feita de vários pontos de vista e que a maturidade surge exatamente da percepção dessas diferenças e da análise crítica das mesmas é inconcebível. O importante é proteger as crianças.
Quando o tem é sexo a bolha é ainda mais encorpada.
Nas décadas de 1960 e 1970, adolescentes e pré-adolescentes compravam em bancas os catecismos de Carlos Zéfiro e era neles que descobriam o sexo. Se vivesse hoje em dia, Zéfiro seria um escândalo. Jornaleiros seriam presos. Bolsonaro faria vídeos irados acusando Zéfiro de pedofilia ou de estimular a sexualidade.
Na década de 1980 milhares de adolescentes adentraram os mistérios da sexualidade com o famoso comercial do primeiro sutiã que mostrava uma garota pré-adolescente ganhando seu primeiro sutiã do pai. Sutil e bonito foi quase uma aula para muitos garotos e garotas para aceitarem as transformações em seus corpos e lidarem com isso. Hoje em dia, um comercial desse tipo seria impensável. Estrearia num dia e no dia seguinte teríamos um vídeo irado de Bolsonaro afirmando que o comercial incitava a pedofilia.
Amigos desenhista que divulgam seus trabalhos no Facebook costumam reclamar que qualquer desenho um pouco mais sensual é imediatamente denunciado por pais preocupados caso seus filhos vejam aquela imagem. A paranóia por parte dos pais de impedir os filhos de terem contato com qualquer coisa que tenha mínima relação com o sexo em alguns casos alcança níveis extremos.
Não admira que a área da medicina que mais cresca seja exatamente a das disfunções sexuais. Superprotegidos de qualquer contato com qualquer coisa que lembre sexo, a nova geração fica totalmente perdida quando finalmente adentra na vida sexual (e, no outro extremo, as crianças criadas sem nenhuma orientação, cuja entrada na vida sexual é acompanhada de doenças e principalmente gravidez indesejada).

Proteger as crianças virou desculpa para proibir qualquer coisa. Não faz muito tempo, um deputado e delegado da polícia federal pediu a proibição do filme Ted com a justificativa de que não era adequado a crianças. Pouco importava que o filme fosse direcionado a adultos. O importante era proteger as crianças e criá-las numa bolha, longe de qualquer coisa que os pais considerem inadequado. 

sábado, julho 16, 2016

Biografia do criador do Capitão Gralha em pré-Venda


Na década de 1940 um quadrinista curitibano criou um dos primeiros super-heróis brasileiros, o Capitão Gralha com uma ampla galeria de histórias e vilões e foi resgatado na década de 1990 por jovens artistas que, em sua homenagem, criaram o personagem O Gralha. Ele, na verdade, numa existiu, mas se tornou lendário, ganhou prêmio, tornou-se famoso e quase foi homenageado por uma escola de samba. É essa história que é revelada no livro Francisco Iwerten – biografia de uma lenda, de Gian Danton e Antonio Eder, editora Quadrinhópole, que está em pré-venda ao preço promocional de 14 reais até o dia 29 de julho.
O livro é do tipo vira-vira, com dois lados que se completam. Na primeira parte, é contada a biografia fictícia de Iwerten como se ele de fato tivesse existido, sua vida, seus anseios, as inspirações para o Capitão Gralha e as dificuldades com a concorrência dos quadrinhos americanos e a perseguição local contra seu personagem. No outro lado, é contada a história “real”, com o contexto da criação de Iwerten e as consequências da história fake, que, de uma brincadeira para dar verossimilhança ao personagem Gralha, escapou do controle de seus autores e se tornou muito maior do que cada um poderia esperar. A lenda Iwerten cresceu tanto que se chegou a dizer que ele foi um dos criadores do Batman.  

Um dos destaques do livro são as capas criadas por JJ Marreiro. No lado “A história do Capitão Gralha”, Iwerten aparece em sua prancheta, ilustrando o capitão e tendo seus quadrinhos ao fundo. No outro lado, em que se conta a história por trás da lenda, Iwerten aparece dentro dos próprios quadrinhos, sendo desenhado por uma mão em estilo realista. As capas representam os dois aspectos abordados na obra: Iwerten como autor e Iwerten como personagem.
O livro traz ainda o processo de criação visual de Iwerten, feita por JJ Marreiro e Fernando Lima a partir de manipulação digital de fotos antigas.
Gian Danton e Antonio Eder fizeram parte do grupo de autores que criou o Gralha e elaborou a lenda de Iwerten e do Capitão Gralha. O livro integra a pesquisa doutorado em Arte e Cultura Visual de Gian Danton realizada na FAV-UFG, sob orientação do professor Dr. Edgar Franco.
Francisco Iwerten – biografia de uma lenda -  será vendido a 20 reais, mas na pré-venda sairá por 14 reais, com frete incluso. A pré-venda vai até o dia 29 de julho, quando os exemplares começarão a ser enviados. Os pedidos podem ser feitos para o e-mail: profivancarlo@gmail.com.

SERVIÇO
Pré-venda do livro Francisco Iwerten – biografia de uma lenda, de Gian Danton e Antonio Eder
Valor: 14 reais (frete incluso)

Contato: Através do e-mail profivancarlo@gmail.com

terça-feira, julho 12, 2016

domingo, julho 03, 2016

Escola sem partido: demissão, prisão e perda de bens


Ainda sobre o projeto Escola sem partido, é interessante verificar o cenário que descortina caso a lei seja aprovada. 
Como já disse, uma lei que proíba o assédio moral nas escolas é bem-vinda, mas não é o caso. A lei parece ser ampla para enquadrar qualquer coisa que desagrade os pais de alunos. 
Vejam o artigo terceiro: 
"Art. 3º. São vedadas, em sala de aula, a prática de doutrinação política e ideológica BEM COMO A VEICULAÇÃO DE CONTEÚDOS OU A REALIZAÇÃO DE ATIVIDADES QUE POSSAM ESTAR EM CONFLITO COM AS CONVICÇÕES RELIGIOSAS OU MORAIS DOS PAIS OU RESPONSÁVEIS PELOS ESTUDANTES".
Leiam a parte em destaque. O professor fica proibido de veicular qualquer conteúdo ou realizar qualquer atividade que vá contra as convicções religiosas ou morais dos pais ou responsáveis. 
Recentemente, em Manaus, alunos evangélicos se recusaram a fazer um trabalho sobre a África e ler clássicos como Iracema e Macunaína alegando convicções religiosas. Se a lei já estivesse em vigor, a situação se enquadraria perfeitamente na veiculação de conteúdos e atividades que entram em conflito com as convicções religiosas dos alunos. 
No site da Escola sem partido há um modelo de notificação extra-judicial que pode ser usada pelos pais para ameaçar professores. No item 15 é dito que até conteúdos científicos (aqui provavelmente se referindo às ciências chamadas "duras", como física, biologia etc) deve-se tomar o máximo de cuidado para não desagradar pais de alunos: 


"15.    Nesse domínio, ademais, a linha que separa a ciência da moral, além de não ser muito nítida, pode variar de indivíduo para indivíduo, conforme o estágio de amadurecimento, a sensibilidade e a formação de cada um. Portanto, ATÉ MESMO PARA FAZER UMA ABORDAGEM ESTRITAMENTE CIENTÍFICA, O PROFESSOR DEVERÁ ATUAR COM O MÁXIMO DE CUIDADO, SOB PENA DE DESRESPEITAR O DIREITO DOS ESTUDANTES E O DE SEUS PAIS."
Na mesma notificação extra-judicial, os professores que fizerem ou abordarem qualquer assunto que desagrade os pais são chamados de "abusadores de crianças" e ameaçados com prisão, demissão e perda dos bens: 
"9.    Junto com a liberdade e o cargo ou emprego, esses abusadores de crianças e adolescentes podem perder ainda o seu patrimônio, caso os pais dos seus alunos ‒ que são muitos ‒ decidam processá-los por danos morais". 
Em outras palavras: no futuro da escola sem partido, um professor poderá ser preso, demitido e até perder os bens apenas porque mandou um aluno ler livros como Iracema ou ensinou teoria da evolução. 
Além dos péssimos salários, das escolas sucateadas, agora mais essa para os professores: a constante ameaça de demissão, prisão e perda dos bens por terem feito ou ensinado algo que desagradou os pais. 

Ps: Vale lembrar que o projeto permite uma brecha que foi aproveitada pelo próprio autor da PL: político pode fazer campanha política em escolas. Leia aqui a matéria. 


quinta-feira, junho 30, 2016

Fãs de Bolsonaro querem decidir até se a Mônica usa aparelho


A mais nova polêmica envolvendo Bolsonaro, Olavo de Carvalho e fãs é uma história da Turma da Mônica Jovem.
Na história, a turma encana com o fato da Mônica ter dentões e a maioria decide que ela deveria usar aparelho. A discussão termina com a dentunça dizendo que o corpo é dela e ela decide o que fazer com ele.
Os fãs de Bolsonaro e do Olavo passaram a acusar a história de ser um discurso feminista e de ter sido escrita para encucar o feminismo na cabeça das jovens leitoras. Segundo eles, a deixa para isso estaria na frase: "Meu corpo, minhas regras", que seria um estímulo ao aborto.
Fãs de Bolsonaro não costumam ser conhecidos pela inteligência. Mas dessa vez exageraram, inclusive na teoria da conspiração. Não há na história a menor menção a aborto ou qualquer coisa parecida. A discussão inteira apenas é se a Mônica deve ou não usar aparelho.
No fundo, no fundo, o que incomoda Bolsonaro e seus fãs é outra coisa.
O contexto ali é muito claro: existe de um lado o indivíduo e do outro, o coletivo (o grupo de amigos). O coletivo quer decidir sobre a vida da Mônica, sobre como ela deve ser e aparentar.
Entre o indivíduo e a pressão do coletivo, Bolsonaro e seus fãs ficam do lado do coletivo - querem decidir sobre como as pessoas levam suas vidas. Incomoda a eles que a Mônica decida continuar a ter dentes grandes quanto a pressão social é para que ela use aparelho.
Da mesma forma, os fãs de Bolsonaro querem decidir sobre como as pessoas vivem sua vida, sua sexualidade, sua aparência.
Esse pensamento é a base do comunismo: o coletivo está acima do indivíduo e o coletivo decide sobre a individualidade. Na URSS, por exemplo, as pessoas não podiam decidir que curso fazer - essa escolha era do estado. Se faltava médicos, a pessoa ia fazer medicina. Se faltava engenheiros, ia fazer engenharia.
A predominância do coletivo sobre a individualidade é a base do comunismo.
Ao se incomodarem com a história dos dentes da Mônica, os fãs de Bolsonaro deixam claro que são, no fundo, os comunistas que tanto dizem combater.


quarta-feira, junho 29, 2016

O nazismo era de esquerda?


Leandro Karnall, filósofo e historiador brasileiro, doutor em história, diz que se espantou quando lhe disseram que o nazismo era de esquerda. Em todos esses anos participando de congressos científicos de história, nunca tinha ouvido isso.
Mas agora pululam na internet teóricos da conspiração dizendo que Hitler era de esquerda. 
Pegam uma frase fora de contexto, uma moeda que ninguém sabe me dizer a procedência (que mostra uma foice e um martelo) e o nome do partido, que teria a palavra socialista. 
Um dia escrevo um texto mais detalhado, mas, resumindo: Hitler era mais ou menos como Bolsonaro. Aproveitava-se do que lhe daria popularidade. Bolsonaro, por exemplo, quando percebeu que parecer liberal lhe daria votos, começou a se dizer liberal, apesar de não ter nada de liberal. Bolsonaro antigamente tinha forte discurso anti-gays. Quando percebeu que isso poderia ser bom para um deputado, mas seria um problema para um candidato à presidência, começou a dizer que ama gays (Hitler também abafou o discurso anti-gays quando lhe foi conveniente, mas quando chegou ao poder, começou a mandar gays para campos de concentração). 
Hitler, da mesma forma, surfava na onda que lhe parecia mais popular. Entrou como espião num partido que ficava entre o socialismo e o nacionalismo, tornou-se líder do mesmo e deu uma guinada na direção oposta do socialismo (embora, em um primeiro momento, o discurso socialista lhe tenha sido conveniente, para garantir o apoio dos trabalhadores do partido, que logo seriam convencidos de que o problema não era o capitalismo, mas os judeus). 
Quando chegou ao poder, Hitler se tornou o mais feroz inimigo do socialismo e um grande amigo dos empresários, que ficaram ainda mais ricos em seu governo (eu cheguei a ter em casa uma televisão Telefunken, que era fabricada por uma empresa alemã da época do nazismo - e quem não conhece o Fusca, o carro alemão criado durante o governo nazista?).
Hitler se apropriou de um símbolo budista, transformando-o na suástica, e nem por isso era budista. Ele, como Bolsonaro, apenas se apropriava daquilo que achava que lhe seria interessante. Até a questão homossexual. Profundamente homofóbico, Hitler se aliou a um declarado homossexual, Ernest Rohm, líder das SA, espécie de gangues que funcionaram como braço armado do partido nazista. Quando chegou ao poder, Hitler que até então amava os gays, mandou matar Rohm e os principais líderes das SA e passou a mandar homossexuais para os campos de concentração (faz lembrar Bolsonaro, que depois de várias declarações que ser gay é falta de porrada, agora se diz amigo dos homossexuais)

Sobre a moeda? Não era uma moeda. Era um broche do dia do trabalhador e tinha a foice o martelo porque essa foice e martelo fazem parte do brasão da Áustria, que não tinha e não tem nada a ver com comunismo. Muito antes do comunismo, o martelo e a foice já eram símbolos do trabalho da cidade e do campo. E a foice e o martelo não estão juntos, mas cada um em um lado das asas da águia nazista. Clique aqui para uma explicação detalhada do significado desse broche.
Brasão da Áustria. 

Mas numa coisa estão perfeitamente corretos: os nazistas, assim como os comunistas tinham muito em comum, em especial a ideia de que o autoritarismo é a solução e de que as liberdades individuais devem se curvar diante do coletivo. Exatamente como pensa Bolsonaro.  

Bolsonaro comunista

O meme não traz mais uma característica de Bolsonaro e seus fãs: ser contra a liberdade individual. Ótimo exemplo é a recente polêmica sobre a revista da Turma da Mônica e sobre a Mônica usar ou não aparelho. Para os fãs de Bolsonaro, não cabe à Mônica decidir se usa aparelho ou não, mas ao coletivo (no caso, seus amigos). Se isso não for comunismo, não sei o que é.

O Uivo da Górgona | YOUNG

Chamada GorpaCon 2016 Gian Danton

domingo, junho 26, 2016

Fórum Nacional de Pesquisadores em Arte Sequencial


Promovido pela Associação de Pesquisadores em Arte Sequencial (ASPAS) em parceria com o Grupo de Pesquisa Interdisciplinar em Arte Sequencial, Mídias e Cultura Pop; e com o Grupo de pesquisa Criação e Ciberarte,  contando com o apoio do Programa de Pós Graduação em Arte e Cultura Visual da Faculdade de Artes Visuais da Universidade Federal de Goiás, o III Fórum Nacional de Pesquisadores em Arte Sequencial (FNPAS) terá como tema “A Arte dos Quadrinhos”.
As abordagens passam pela relação do artista com a obra e /ou mercado; criações de artistas que se apropriam da linguagem dos quadrinhos; o quadrinho como arte; processos de criação em quadrinhos; história dos quadrinhos; interseções entre HQs e outras mídias e/ou formas artísticas e temas correlatos que tenham no escopo a arte e as múltiplas visualidades.
O evento concentrará suas atividades entre os dias 21 a 23 de outubro de 2016 na Faculdade de Artes Visuais – FAV, da Universidade Federal de Goiás – UFG. O III FNPAS terá uma programação que incluirá mesas redondas, sessões de apresentações orais, oficinas, performance e lançamento de livros, fanzines e revistas. A programação detalhada será disponibilizada posteriormente.
Clique aqui para baixar o Edital completo em PDF. Clique aqui para mais informações. 

Fãs de Bolsonaro culpam a vítima

Em tempo: o pai da menina defende que seja criada uma legislação específica para psicopatas, que devem ficar presas para sempre, independente da idade em que cometam a atrocidade. Mas o pai não concorda com o uso sensacionalista que Bolsonaro tem feito do caso da filha, defendendo inclusive que toda criança infratora seja tratada como psicopata.
Leia aqui a carta do pai na íntegra.

sábado, junho 25, 2016

Vestibular da escola sem partido

O homem surgiu: 
a) Através da evolução da espécie.
b) foi criado por Deus no sétimo dia. 
c) foi criado por seres alienígenas que vieram à terra fazer experiências científicas.
d) Todas as respostas anteriores.
Resposta correta: D

Escola sem partido: séculos de atraso

O Brasil está prestes a aprovar leis estaduais, municipais e federais do chamado movimento escola sem partido (alguns deles de autoria da família Bolsonaro). É um dos fatos mais preocupantes dos últimos tempos - a longo prazo mais preocupante inclusive do que a crise econômica ou política - mas parece que a maioria das pessoas não se tocou do que está acontecendo. 
Claro, qualquer pessoa normal seria favorável a um projeto que proibisse a partidarização das escolas. Pedir votos em sala de aula para determinado candidato, por exemplo. Mas o que está sendo aprovado não é isso, são leis que deixam em aberto propositalmente para que qualquer coisa possa ser denunciada.
Segundo o Movimento Escola sem partido, os professores não podem ensinar nada que vá contra as convicções ideológicas e religiosas dos alunos. Mais: se tocar em um assunto polêmico, deve aceitar com válidos todos os posicionamentos sobre o assunto. Todos.
Durante séculos a escola ensinou coisas como "A terra é o centro do universo e o sol gira ao redor da terra" ou "O mundo foi criado em seis dias e no último Deus descansou". A grande revolução aconteceu no final da Idade Média, quando a escola começou a ensinar ciência. O que era ensinado nas escolas era aquilo que era aceito pela comunidade científica. O resultado disso: os países que mais rapidamente aderiram a esse novo tipo de escola foram os países que tiveram maior evolução científica, tecnológica e econômica.
Quando mais educação científica, mais avanço. Assim, no século XIX houve mais avanços científicos do que em toda a história da humanidade. Nas duas primeiras décadas do século XX houve mais progresso científico do que em todo o século anterior. Hoje, em um ano temos mais avanço técnico e científico do que em todo o século XIX.
Países que não aderiram a esse novo tipo de escola ficaram na periferia desse crescimento.
O que a Escola sem Partido propõe é voltarmos à escola antiga, em que uma teoria da conspiração ou uma convicção religiosa qualquer tem tanta relevância quanto o conhecimento científico elaborado por especialistas e aceito pela comunidade científica. Assim, a teoria da evolução tem tanta relevância quanto o criacionismo e quanto a teoria de que fomos colonizados por alienígenas.
Todo o conhecimento científico sobre o nazismo vai ter o mesmo valor em sala de aula de quem diz que o nazismo era de esquerda ou que o nazismo era budista (sim, a suástica é um símbolo budista) ou que os nazistas eram espíritas como já vi uma pessoa dizendo.
Imaginem como será essa escola em que qualquer bobagem vai ter o mesmo valor do conhecimento científico pesquisado e consolidado.
Isso é muito mais preocupante que a crise econômica. Crises passam. Um país atrasado cientificamente viverá uma era de trevas num mundo de evolução cada vez mais constante. Seremos sempre apenas mão-de-obra barata para os países evoluídos tecnologicamente.
Esse é o futuro que nos reserva o projeto Escola sem partido.


PS: Curiosamente, os adeptos do movimento escola sem partido querem colocar Bíblias em todas as escolas, o que diz muito sobre tudo isso. A Bíblia é vista por eles como a verdade que ultrapassa o conhecimento científico.

quinta-feira, junho 16, 2016

Onde estão os revoltados?

Quando vazou o áudio da Dilma e do Lula, em que ela dá a entender que vai dar-lhe o cargo de ministro para protegê-lo do Lavajato, no mesmo dia, tinha bandeiraço e apitaço em cada esquina. Teve amigo aqui fazendo postagens iradas. 
Aí vazou os áudios do Machado, deixando bem claro um plano bem estruturado não para livrar uma ou outra pessoa do Lavajato, mas para literalmente acabar com o Lavajato, inclusive aprovando leis que acabam com a delação premiada, quando vazou esse áudio, que é muito mais grave, o pessoal da camisa verde e amarela fez cara de paisagem.

Se amanhã descobrirem um plano para matar Sérgio moro, vão fazer de conta que é em outro país. 
E quem antes fazia postagens iradas, agora posta desenhos e gatinhos.

quinta-feira, junho 09, 2016

Superman - Lendas do homem de aço


Superman lendas do homem de aço José Luiz-Garcia López 2 é uma daquelas publicações absolutamente imperdíveis para fãs de super-heróis. 
Este volume reúne histórias do Super-homem em encontro com outros heróis publicadas na coleção DC Comics Presents (essas histórias foram publicas no Brasil pela Ebal na coleção Clássicos da década pouco antes da editora perder os direitos dos heróis DC para a Abril). 
O destaque aqui vai todo para o desenhista. Na verdade, o desenho é tãobom que os roteiristas ficam em desvantagem - nenhum dos roteiros parece ir além do bom comparado com a arte fantástica de Garcia-López.
Chama atenção principalmente a primeira história, escrita por Martin Pasko, em que o Super e Flash. É uma história longa, que explora perfeitamente os heróis e principalmente o contexto de ficção-científica, na qual o desenhista era um mestre. A solução final é frustante (eu fiquei me perguntando: por que os heróis não fizeram isso antes?), mas o desenvolvimento vale.
O encontro do Super com Adam Strange, com roteiro de David Micheline, também é um bom momento. A dupla enfrenta uma ameaça grandiosa, que coloca em perigo dois mundos e explora bem o visual FC.
O encontro do Super com o Arqueiro Verde é certamente o momento mais fraco do álbum, com os heróis enfrentando um empresário ganancioso. O escritor Denny O´Neil usa o estilo social que havia feito sucesso nas histórias do Lanterna e do Arqueiro, mas aqui, com alguém tão poderoso quanto o Super-homem, parece que a história simplesmente não funciona.
Mas mesmo nessa história vale a pena perder alguns minutos só apreciando a belíssima arte.
Em tempo: a primeira história DC que li, quando era criança, foi justamente o encontro do Super-homem com o Flash. Posteriormente, quando a Abril passou a publicar a revista do personagem, li alguma coisa e não vi nada parecido com o heroismo grandiloquente dessa HQ (não sei porque, a Abril, que eu saiba nunca publicou essas histórias).

sexta-feira, junho 03, 2016

Livro de Gian Danton concorre ao HQ Mix


O livro Como escrever quadrinhos, segunda publicação de Gian Danton sobre o tema de roteiro para quadrinhos, está concorrendo ao troféu HQ Mix. Para fazer o cadastro para votar, clique aqui.

quarta-feira, junho 01, 2016

Juliette Society


Sasha Grey era uma garota meio nerd que queria ser atriz pornô, apesar de não se encaixar no gênero gostosona. Conseguiu, depois aposentou-se e tornou-se atriz e escritora.
Juliette Society é seu primeiro livro e mostra que existe sim, vida inteligente no mundo pornô.
O livro é bem escrito, com uma prosa leve, mas nem de longe pobre.
O Julliete Society do título é uma organização secreta da qual participam os homens que mandam no mundo.
O nome é uma referência a um dos romances mais famosos do Marquês de Sade, Justine. Julliete é a irmã devassa da pudica Justine. Na obra de Sade, enquanto Justine é castigada pelo destino, sua inocência sendo constantemente punida, Julliete é brindada com o sucesso quanto menos inocente e mais sexualizada se mostra.
O capítulo que explica o título mostra bem que se trata de um livro diferente da maioria dos eróticos. Sasha Grey (cujo pseudônimo é uma homenagem ao romance O retrato de Dorian Gray) discorre sobre história, filosofia, literatura. E cinema. A protagonista é uma estudante de cinema, o que leva a diversas citações e referências a obras famosas da sétima arte, como A bela da tarde, de Buñuel.
Na verdade, o livro funciona pouco do ponto de vista do erotismo. É mais um triller usando como fundo o conhecimento da autora sobre o meio pornô recheado de filosofia, cinema e literatura.
A parte menos interessante é o final, mal-amarrado, em que o livro, que até então ia em pleno realismo, flerta com o fantástico.
Ainda assim, vale a leitura.

domingo, maio 29, 2016

Fãs de Bolsonaro, a justificativa do estupro e o vitimismo


Quando uma juíza responsável por casos de violência contra a mulher foi atacada por um homem, fãs de Bolsonaro, esquecendo completamente qualquer tipo de sentimento humano, usaram o caso politicamente, primeiro insinuando que o agressor era de esquerda, depois insinuando que a juíza merecia ser atacada por atuar na questão da violência contra a mulher - segundo eles, uma bandeira da esquerda. 
Agora, enquanto o Brasil inteiro se comove com o caso da menina de 16 anos violentada por 30 homens, um fã de Bolsonaro, desenhista de quadrinhos, tenta usar o caso politicamente afirmando que os homens não podem ser presos porque segundo a ideologia de gênero eles são mulheres e, portanto, não podem estuprar uma mulher (se você conseguir entender algo desse raciocínio, me avise) revelando uma total falta de compaixão pelo próximo e, de certa forma, justificando o estupro, que, segundo ele, teria acontecido por causa da ideologia de gênero (como diria o Didi: Acuma?).
Depois da declaração maluca e polêmica, o desenhista perde o contrato com o estúdio que agenciava seus trabalhos para os EUA. E se diz perseguido pelos esquerdistas, num típico vitimismo bolsonete.
Não em uma sociedade civilizada suportar nenhum tipo de justificativa ao estupro ou mesmo usar a violência sexual contra uma garota de 16 anos como justificativa para suas crenças ideológicas extremistas.
Se um esquerdista estivesse por aí propondo que mulheres burguesas fosse violentadas devia ser igualmente execrado.

quarta-feira, maio 25, 2016

A novela do impeachment


Lendo as gravações, fica cada vez mais claro o roteiro da novela do impeachment. Toda a classe politica estava em polvorosa com a prisão do Delcídio e o avanço da Lavajato, de Lula ao primeiro a ser comido.
Então combinaram um grande pacto cujo objetivo era evitar novas prisões de políticos e novas delações. O PSDB e o STF não aceitavam fazer parte do pacto enquanto Dilma fosse presidente. Lula, Renan e provavelmente Sarney tentaram convencer Dilma a renunciar ou se licenciar. Ela não aceitou. Sarney, então, articulou tudo para o impeachment, provavelmente com a anuência de Lula, que, publicamente defendeu Dilma para não se queimar com os militares do PT, mas pelos bastidores convenceu deputados a votarem pelo impeachment.
O impeachment aconteceu e, aparentemente, o pacto funcionou. Nenhum outro político foi preso. O projeto de lei do MPF de combate à corrupção está engavetado. Os protestos pararam. E em breve, na surdina, Renan ou outro senador deve apresentar o projeto de lei que regulamenta as delações, inviabilizando novas delações.
Nem George Martin conseguiria bolar uma trama tão bem urdida.

sábado, maio 07, 2016

O que são os Direitos Humanos, que Bolsonaro tanto combate?

O que Bolsonaro, Fidel Castro, a ditadura da Coréia do Norte e a ditadura chinesa têm em comum? Todos são contra os direitos humanos (na China comunista, pesquisar sobre direitos humanos na internet é considerado crime). Essencialmente eles são contra isso aqui:

Artigo 1.º
Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.
Artigo 2.º
Todos os seres humanos podem invocar os direitos e as liberdades proclamados na presente Declaração, sem distinção alguma, nomeadamente de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou outra, origem nacional ou social, fortuna, nascimento ou outro estatuto.
Além disso, não será feita nenhuma distinção fundada no estatuto político, jurídico ou internacional do país ou do território da naturalidade da pessoa, seja esse país ou território independente, sob tutela, autónomo ou sujeito a alguma limitação de soberania.
Artigo 3.º
Todas as pessoas têm direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.
Artigo 4.º
Ninguém pode ser mantido em escravidão ou em servidão; a escravatura e o comércio de escravos, sob qualquer forma, são proibidos.
Artigo 5.º
Ninguém será submetido a tortura nem a punição ou tratamento cruéis, desumanos ou degradantes.
Artigo 6.º
Todos os indivíduos têm direito ao reconhecimento como pessoa perante a lei.
Artigo 7.º
Todos são iguais perante a lei e, sem qualquer discriminação, têm direito a igual proteção da lei. Todos têm direito a proteção igual contra qualquer discriminação que viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação.
Artigo 8.º
Todas as pessoas têm direito a um recurso efectivo dado pelos tribunais nacionais competentes contra os atos que violem os seus direitos fundamentais reconhecidos pela Constituição ou pela lei.
Artigo 9.º
Ninguém pode ser arbitrariamente preso, detido ou exilado.
Artigo 10.º
Todas as pessoas têm direito, em plena igualdade, a uma audiência justa e pública julgada por um tribunal independente e imparcial em determinação dos seus direitos e obrigações e de qualquer acusação criminal contra elas.

Laranja mecânica


Laranja mecância, de Stanley Kubrick, é um dos filmes mais famosos de todos os tempos. Difícil conhecer alguém que goste de cinema e nunca o tenha visto. Entretanto, poucos leram o livro. A edição recente da Aleph talvez ajude a tornar a obra literária mais conhecida. 
Laranja mecânica surgiu de um diagnóstico errado. Um médico dera ao autor, Anthony Burgess, um ano de vida e este resolveu escrever o máximo de livros possível antes da morte como forma de deixar sustento para sua esposa. O Laranja começou a ser escrito nessa leva, mas foi terminado depois. Felizmente o diagnóstico foi equivocado (Burgess viveu ainda muitos anos).
A ideia para o livro surgiu quando o autor, depois de passar vários anos na Malásia, voltou para a Inglaterra e encontrou tomada de gangues de adolescentes. Não só o fenômeno social chamou atenção do escritor. Linguista amador, ele ficou fascinado com as gírias das guangues. Burgess situou seu livro num futuro em que a deliquência juvenil é um sério problema social e as guangues falam uma língua quase incompreensível para os que não participam de seus grupos.
A primeira coisa a se dizer é que é um um livro difícil. O narrador, Alex, é o umni líder de uma shaika horrorshow e falta constantemente à escolacola para incursões de violência gratuita para krastar alguma tia pecúnia e fazer o bom e velho entraesai com alguma ptitsa novinha.
Sim, é um livro difícil de ler - que deve ter sido dificílimo de traduzir (pontos aqui para o tradutor Fábio Fernandes). Há um glossário no final, mas nem todas as expressões estão nele. além disso, o ideal mesmo é ir lendo o texto com todo o estranhamento que ele causa só olhando no glossário quando alguma frase se torna incompreensível.
O filme de Kubrick é bastante fiel ao livro, seguindo praticamente a mesma cronologia (há algumas mudanças: por exemplo, as meninas que Alex conhece na loja de discos são crianças de 10 anos no livro e adolescentes no filme).
A maior diferença está no final. O livro foi publicado nos EUA sem o último capítulo porque o editor local considerou que ali era o ponto que a história deveria terminar, com uma sequência sarcástica na qual antevemos que Alex voltará ao normal e ainda tirará proveito de tudo pelo qual passou. O livro vai mais além, mostrando sua volta para a sociedade e seu processo de amadurecimento. Burgess queria fazer de seu livro uma fábula do processo de amadurecimento e o livro segue essa linha. Mas o capítulo final parece mais como se alguém continuasse contando a piada após o seu clímax. Nesse sentido, o final do filme é perfeito ao deixar os acontecimentos em aberto, por conta da imaginação do leitor. 

domingo, maio 01, 2016

O Super-homem de Garcia-López e Gerry Conway


No início da década de 1970, Garcia-López era apenas um espanhol criado na argentina recém-chegado aos EUA e procurando um espaço no mercado dos comics. E Gerry Conway era um roteirista iniciante, chegando na DC depois de uma fase memorável na Marvel, escrevendo o Homem-aranha. 
O início da parceria dessa dupla (que se tornaria uma das mais afinadas dos comics, principalmente na obra-prima Esquadrão Atari) que podemos acompanhar no primeiro volume das Lendas do Homem de Aço. É curioso ver como ambos, tanto roteirista quanto desenhista, vão tentando se acostumar com o personagem. Conway demora para dar verossimilhança para o personagem (a explicação para Clark Kent continuar apresentando o jornal enquanto o Superman atua é sofrível) e Garcia-Lopez sofre com arte-finalistas que não combinam com seu desenho limpo. O confroto com a Mulher-Maravilha é nitidamente o ponto que os dois se acertaram (apesar da arte-final de Dan Adkins muitas vezes sujar o traço limpo de Garcia-López). Conway constrói uma boa trama retrô e o desenhista demonstra toda sua capacidade para anatomia, perspectica e diagramação de página. 

A última história do álbum, "A mensagem do sonhador" é o ponto em que podemos a dupla finalmente afinada, com um contexto de ficção-científica que certamente antecipa Esquadrão Atari e uma trama interessante, sobre um alienígena que deve entregar uma mensagem de paz, mas tem sua nave atingida por um meteoro.
Infelizmente, Garcia-López ficou pouco tempo no título. Logo ficou claro que seu traço vendia e ele era chamado para desenhar os primeiros números de novas revistas, como forma de alavancar as vendas, ou fazer capas de outras.
Posteriormente o desenhista foi chamado para fazer o guia de estilo dos personagens da DC, ficando também responsável pelas imagens promocionais - trabalhos belíssimos, que passaram a estampar lancheiras, camisas e tudo mais que tivesse personagens da DC.