domingo, maio 28, 2017

Superaventuras Marvel 8

No início da década de 1980, Conan se tornou uma espécie de coringa da Marvel na editora Abril. Sua popularidade alavancava as vendas. Por isso ele se tornou a estrela da recém-lançada Superaventuras Marvel. A revista só tomou uma cara própria (e deixou de publicar Conan) a partir do número 16, quando estreou o arrasa-quarteirão X-men, cujos direitos até então pertenciam à RGE. A partir daí os personagens de fantasia da revista passaram a ser Sonja e o rei Kull.

Quem era Winston Churchill?


Winston Churcill foi o primeiro-ministro inglês durante o período da II Guerra Mundial e um dos grandes responsáveis pela Inglaterra ter resistido aos ataques alemães.
Churcil era filho de nobres ingleses. Foi jornalista antes de se dedicar à política. Chegou a lutar na I Guerra Mundial, numa atuação pouco importante e, segundo alguns, desastroza.
Na câmara dos comuns ficou famoso por suas duras críticas ao nazismo, que considerava um perigo para a Inglaterra. Várias vezes ele insistiu na necessidade do país se preparar militarmente para uma investida alemã. Seu acerto de previsão fez com que ele fosse eleito primeiro-ministro após a invasão da Polônia por parte do III Reich.
Seus discursos memoráveis, aliado à aproximação dos EUA foram fundamentais para a futura vitória dos aliados na guerra. Seu famoso discurso, prometendo sangue, suor e lágrimas para os ingleses foi um dínamo que alavancou a esperança da população.
Apesar da vitória na guerra, os conservadores perderam as eleições de 1945 para os socialistas e Churcill foi destituído do cargo, mas voltaria a ele em 1951.
Ele chegou a receber o prêmio nobel por suas memórias da guerra e foi saudado como o maior inglês vivo.

Apesar de ter sido líder da Inglaterra no período de guerra, ele primava pelo pacifismo e dizia que a II Guerra tinha sido uma guerra desnecessária, pois os países da Europa poderiam tê-la impedido evitando que a alemanha recomposse suas forças armadas. 

O uivo da górgona - parte 65

65
Edgar estava sonhando. Em seu sonho, ele estava em um parque. Lá em cima brilhava um sol forte, mas tranquilizador. Pássaros cantavam nas árvores em uma miríade de tons e acordes. No chão, a relva tinha uma tonalidade de verde claro e luminoso.
O professor olhou à sua volta e viu pessoas sentadas em esteiras e toalhas. Algumas conversavam, outras comiam e bebiam e alguém parecia cantar uma música que se confundia com a orquestra dos pássaros.
Então, lá longe, ele as viu.
Sua mulher e sua filha.
Algo pareceu apertar seu coração, uma mistura de angústia e alegria... e ele começou a correr na direção delas, chamando seus nomes.
Mas elas não o viam e não ouviam.
Ele corria, corria, corria. Mas distância parecia enorme.
Então, em determinado momento, a menina se virou e um sorriso surgiu em seu rosto. Embora estivessem muito longe, ele pareceu ouvi-la:
- Papai!
Agora eram elas que corriam na direção dele e isso o inundou de uma alegria tão grande que o fez chorar. As lágrimas escorriam, soltas, de seu rosto.
                Então, no meio do caminho, tudo mudou. O sol desapareceu, como se uma luz tivesse sido apagada e foi substituída pelas trevas da noite. Já não havia mais parque, relva, pessoas lanchando felizes em esteiras. O cenário era de prédios cinza destruídos, de tristeza e desolação.
As duas continuavam correndo na direção dele, mas a expressão delas havia mudado. Agora estavam em desespero.
Então surgiu o lamento terrível da multidão e dezenas, centenas, milhares de mãos as agarraram e as envolveram numa mistura de sangue e terror.

Edgar acordou assustado. Por um minuto achou que tivesse gritado, mas então percebeu que todos ainda estavam dormindo. Ficou lá, longo tempo, olhando para o teto do cinema, rezando para que o pesadelo não voltasse e lutando contra o sono, até dormir novamente.  

sábado, maio 27, 2017

Pancada

Pancada foi uma revista surgida no rastro do sucesso da MAD. Publicada pela editora Abril fez bastante sucesso na década de 1970. Durou 33 números, de 1977 a 1979.

Como os três grandes dividiram o mundo?

A terceira reunião dos três grandes aconteceu em Postdam, a 20 quilômetros de Berlim, em julho de 1945. A escolha do local tinha um significado específico. Postdam era uma espécie de casa de veraneio dos antigos reis prussianos. Foi nessa localidade que Frederico, o grande, mandara construir o belíssimo palácio de Sans Souci. Reunir-se sobre o local que simbolizava a glória germânica era um sinal de que Hitler estava definitivamente acabado.
Os trés grandes, com excessão de Stalin, já não eram mais os mesmos. Churchil perdera o cargo de Primeiro-ministro e Roosevelt havia morrido, sendo substituído por Harry Truman.
A balança agora pendia para o lado dos norte-americanos, pois um dia antes da reunião explodiu a primeira bomba atômica sobre o deserto do Novo México.

Começou ali a guerra fria, com URSS e EUA lutando pela supremacia. A Alemanha foi dividida em quatro partes, uma francesa, outra inglesa, outra russa e finalmente uma quarta norte-americana e cada aliado foi autorizado a tirar reparações de sua parte. Decidiu-se que as populações alemãs seriam deslocadas dos territórios orientais, que seriam entregues aos poloneses. 

O uivo da górgona - parte 64


64
De fato, a maioria da comida ainda estava congelada.
- O shopping tem gerador. Deve ter funcionado por algum tempo antes que acabasse o combustível.
- Isso significa que...
- Sim. Se conseguirmos combustível, vamos poder ligar novamente o gerador e ter energia.
Jonas cuidou de cozinhar alguns hambúrgueres na chapa e fritar batata-frita, que já estava cortada, o que facilitava muito o serviço.
Sofia foi quem mais apreciou a refeição, embora Edgar tenha se preocupado com a quantidade de maionese e catchup que ela colocou no sanduíche.
Zu comeu apenas pão e batata frita. Edgar comeu apenas um pouco de pão. Estava sem fome.
Alan e Dani comeram lado a lado. Alan molhava batata-frita no catchup e lhe dava na boca. A garota parecia feliz com isso.
Quando terminaram, Edgar e Jonas pegaram o corredor. Tinham rumo certo: a lojas Americanas, onde o professor queria pegar alguns itens, como travesseiros, toalhas, sabonetes, pasta e escovas de dente.
Enquanto Jonas abria a fechadura, o professor voltou a pensar no assunto: onde ele aprendera isso?
- Estive pensando em uma coisa. – disse Jonas.
- Hm? – fez Edgar.
- Os zumbis lá embaixo. No estacionamento. Precisamos cuidar deles.
- Até agora eles não subiram. Não parecem ameaça e temos outra saída.
- Até agora havia uma única pessoa no shopping. Agora aumentou o número de pessoas e, portanto, o barulho. Não vai demorar muito para que isso chame a atenção deles. Além disso, para ligar o gerador, precisamos descer ao estacionamento.
A tranca se abriu com um estalo e a porta corrediça subiu.
- O que sugere? – perguntou Edgar.
- Vamos ter que descer lá e resolver isso. Ou estaremos em eterno perigo.
- Você diz?
- Vamos ter que matar todos eles.
Edgar pegou sacolas grandes e as encheu com um kit de travesseiro, cobertor, toalhas, escovas e pastas de dentes. Ao voltarem, deu um para cada.
Jonas descobriu que nos banheiros dos funcionários havia chuveiros e todos, exceto Zulmira tomaram banho.

Dormiram sentados nas cadeiras do cinema. Edgar sentia-se desconfortável. Estava acostumado a dormir de lado. No dia seguinte iria procurar um colchão, pensou, enquanto observava Alan e Dani. Os dois estavam deitado lado a lado, lá na frente, próximo à tela, e também não estavam dormindo. “Eu devia ter pego camisinha”, pensou. 

Heróis da TV da minha coleção - melhores capas

Essas são algumas das capas que mais gosto dessa revista que marcou época. O que acharam? Concordam?

TV Pirata - O mundo é falso!

Pulp fictions

Pulp fictions foram publicações anteriores ao surgimento das revistas em quadrinhos (comic books, nos EUA). Publicava contos, inicialmente de autores consagrados, como Poe e H. G. Wells. Posteriormente começaram a contratar novos escritores. Alguns dos autores mais famosos do século XX, como Isaac Asimov, surgiram nos pulps. O nome se deve ao fato do papel ser feito com a polpa da madeira, um papel vagabundo ao extremo, que vazava as letras para o outro lado e se esfarelava com o tempo. Como precisavam se destacar nas bancas, essas revistas tinham capas chamativas, algumas das quais se tornaram clássicas. Abaixo algumas capas de pulps.






O rei do quarto mundo


Em 1970, Jack Kirby foi contratado como estrela pela National (hoje DC Comics) com liberdade total para criar. Na década de 1960 ele, juntamente com Stan Lee haviam transformado a Marvel (principal rival da DC) na editora mais revolucionária dos quadrinhos americanos num movimento que a fez dominar o mercado de super-heróis, domínio esse  que dura ate hoje.
Kirby estreou num titulo autoral chamado Novos Deuses. Ele ficara famoso na Marvel ao desenhar principalmente o Thor, então o título era um recado: os velhos deuses da Marvel estavam mortos. Agora a supremacia seria dos novos. O texto de abertura do gibi era quase uma declaração nesse sentido: “Chegou o tempo em que os velhos deuses morreram! O corajoso pereceu com o ardiloso! O nobre definhou, aprisionado na batalha devido ao mal desencadeado! Foi o último dia para eles! Uma era antiga terminara com um feroz holocausto!”.
O texto demonstrava muito da mágoa de Kirby com a Marvel. Ele sentia que sua importância na reformulação da editora havia sido diminuída pelo excesso de exposição de Stan Lee, que sempre foi ótimo em marketing pessoal e era constantemente entrevistado pelos jornalistas que queriam falar dos novos quadrinhos Marvel, que haviam conquistado a nova geração, inclusive de intelectuais.
Na DC, Kirby, criativo com sempre (o roteirista Alan Moore diz que conseguia criar um mundo antes do café da manhã), queria criar toda uma saga que passaria pelas revistas Novos Deuses, Forever People e Mister Milagre... A ideia era posteriormente reunir essas narrativas, que ficaram conhecidas como Quarto Mundo, numa série de livros em capa-dura.
A saga contava a história de Nova Gênesis, um lar de deuses, em sua luta contra Apokolips, dominada pelo terrível Darkseid.  Ambos os planetas ficam na dimensão conhecida como o Quarto Mundo, a  maneira mais segura de se chegar a essa dimensão é através de  Tubos de Explosão.
Kirby criou todo um universo, e, a despeito do pouco sucesso e do cancelamento dos títulos de forma precoce, Os Novos Deuses foram  incorporados à cronologia do universo DC e têm participação importante em varias sagas cósmicas da editora.
Jack Kirby criou vários outros personagens, como Etrigan, o demônio, Kamandi e Omac. Também fez o Super-homem, mas como seu traço diferia muito do estilo dos outros desenhistas do homem de aço, o rosto do personagem era feito pelos outros artistas. Essa foi a gota d´água no já estremecido relacionamento do “Rei” com a DC comics .
Pouco tempo depois, Kirby acabou voltando para a Marvel, onde criou os Eternos (Fruto das suas leituras de Eram os deuses Astronautas de Eric Von Danikem)  Embora seu trabalho na DC fosse totalmente inovador e de ótima qualidade, faltava humanidade para os personagens. Nas histórias de deuses e criaturas super-poderosas faltava justamente aquilo que Stan Lee colocava nas histórias: o lado humano.
Mesmo não tendo feito grande sucesso de público, o Quarto Mundo redefiniu o universo DC. Para começar, a editora finalmente ganhou um vilão sério, alguém que se poderia temer. Antes dele, o melhor que a DC havia chegado em termos de vilões eram o palhaço Coringa e o cientista louco Lex Luthor.

A criação de Kirby ecoa até hoje nos quadrinhos da DC Comics. A editora foi marcada definitivamente pelas mãos do rei dos quadrinhos. 

sexta-feira, maio 26, 2017

Heróis da TV 40

Publicada em outubro de 1982, a revista Heróis da TV 40 trazia como principal atração a origem de Conan por Roy Thomas e Barry Windor-Smith. Essa história é considerada fraca até mesmo pelos autores, então a editora havia introduzido o personagem com histórias melhores e só depois publicou sua origem com uma capa que não era a original. Conan se tornaria o personagem mais popular dessa fase da Marvel na Abril.

Valerian


Direto da estante: minha coleção Capitão América




MAD


As aventuras do pequeno Xuxulu











Como foi a segunda reunião dos três grandes?

A segunda reunião aconteceu em Ialta, de 7 a 11 de fevereiro de 1945. Naquela ocasião já era certo que os alemães perderiam a guerra e os três grandes se concentraram em discutir o que seria feito com a Europa depois da queda do nazismo. Churcil dizia que as forças do Eixo estavam sendo “esganadas por um cinturão de ferro e aço”.
O foco da reunião foi a proposta de Churchil de estabelecer áreas de influência sobre as áreas libertadas, ou tomadas dos nazistas. Pela proposta, os ingleses ficariam com a Grécia e metade da Iuguslávia, enquanto os russos teriam a Hungria, a Romênia e a Bulgária. A Polônia ficaria livre. Stalin discordou desse ponto e bateu o pé numa Polônia comunista. O máximo que o líder inglês conseguiu foi uma promessa de eleições. Roosevelt deixou claro que não pretendia passar muito tempo com suas tropas na Europa. Para ele era necessária uma co-existência pacífica com a União Soviética, o que enfraqueceu os argumentos de Churchil com relação à Polônia.
O único ponto em que todos concordaram foi com relação à Alemanha. Decidiu-se dividi-la em quatro áreas de influência. Uma seria governada pelos EUA, outra pela Inglaterra, outra pela URSS e outra pela França.
Stalin foi vingativo: queria que os alemães indenizassem todos os países atacados, pagando tudo que havia sido destruído, de usinas a navios. 50% dessa indenização ficaria com os russos. Além disso, os alemães teriam seus investimentos em países estrangeiros expropriados e serviriam como força de trabalho para reconstruir os países afetados.

Henry Morgenthau, secretário do Tesouro americano foi mais além: defendeu a pastorilização da Alemanha, ou seja a destruição ou remoção de todo o parque industrial do país, fazendo com que os germânicos voltassem à Idade Média. Rooselt declarou que a dieta dos alemães deveria ser sopa três vezes ao dia. Também ficou acertada a criação de um tribunal para julgar crimes de guerra.  

Mocumentário: testando as fronteiras entre a realidade e a ficção



Um gênero cinematográfico que sempre suscitou discussões sobre a questão da realidade-ficção foi o documentário. Em uma abordagem mais clássica, o documentário é visto como o oposto da ficção, reproduzindo a bipolaridade ficção-realidade.
            Mas um novo gênero surge exatamente para contestar essa diferenciação: o mocumentary (ou, aportuguesando, mocumentário). 
            Provavelmente o primeiro exemplo célebre de mocumentário tenha sido Zelig, de Woody Alenn, de 1983. O pseudo-documentário é ambientado na década de 1920 e fala sobre Leonard Zelig, um um homem que tem a capacidade de mudar sua aparência para se adequar ao meio. Se ele está no meio de mafiosos, começa a se parecer com mafiosos, se está no meio de médicos, parece um médico. É um verdadeiro camaleão humano.

Uma das estratégias usadas para diluir o limite entre realidade e ficção é o uso de pessoas reais, como a escritora Susan Sontag, o psicólogo Bruno Bettelheim, que, com seus depoimentos, reforçam a verossimilhança da narrativa. O filme ainda usa outros recursos de documentários, como imagens de cinejornais, fotos da época e até mesmo áudios das consultas do protagonista com sua psicóloga (devidamente acrescidos de ruídos que os tornam mais realistas).
O mocumentário, portanto, testa os limites entre o ficcional e o real, entre o documentário e a ficção, levando o espectador a indagar-se até que ponto essa separação é válida.
Atualmente há vários exemplos famosos de mocumentários. Entre eles destaca-se o filme Borat, e o seriado Modern Family.
Borat, filme dirigido por Sasha Baron Cohen, de 2006, satiriza o modo de vida americano ao apresentar “O segundo melhor repórter do glorioso país Cazaquistão viaja à América”, como diz seu subtítulo, que vai aos Estados Unidos aprender sobre o modo de vida daquele país.
Como elemento reforçador dessa sátira, o ator permanece no personagem mesmo quando dá entrevistas de divulgação do filme.

Modern Family é um seriado criado por Christopher Lloyd e Steven Levitan. A série mostraria as gravações de um cineasta europeu que no passado havia feito um intercâmbio na casa dos Pritchett e decidiu retornar aos Estados Unidos para fazer um documentário sobre “sua família americana”. Após a recusa de outras produtoras, a ABC resolveu produzir a série, mas com a condição de que a trama do diretor fosse retirada da história, ficando apenas as ações das três famílias e seus depoimentos para a câmera, que comentam e costuram os acontecimentos.
O enorme sucesso de público e de crítica (o seriado já está na sétima temporada e já recebeu 15 prêmios Emmy) despertou atenção para o gênero mocumentário, mostrando sua importância atual.

Embora não utilize totalmente a linguagem dos documentários, os depoimentos para a câmera e a abordagem sobre temas recentes (como a liberação do casamento gay) criam um clima de verossimilhança próprio dos documentários ou reality shows. Seu sucesso é indício da familiaridade da audiência com obras que testam os limites entre o ficcional e o real.  

O uivo da górgona - parte 63


63
- Você voltou lá embaixo desde então? – perguntou Edgar.
A garota balançou a cabeça, em negativa. O professor podia ver o pavor em seus olhos.
- Fiquei o tempo todo aqui em cima.
- Nunca encontrou ninguém além de nós?
- Não. Desde então tenho comido apenas doces do quiosque e dormido no cinema.
Edgar coçou o queixo:
- Isso salvou você do uivo da górgona...
- Uivo da górgona? – perguntou a garota.
- Foi o que começou tudo isso. – explicou Jonas. É uma espécie de barulho que transforma as pessoas em seres irracionais, como aqueles que você viu no estacionamento. Depois da primeira noite ele soou outra vez. Mas não sabemos se isso acontecerá sempre.
- Vamos precisar de comida. Não podemos passar o resto de nossos dias comendo doce. – avisou Zulmira.
Jonas apontou para as lojas de refeições.
- Há muitas lojas na praça de alimentação. Em muitas delas deve haver freezer. Mesmo desligados, eles conseguem manter a comida preservada por um bom tempo.
- Mas para isso precisamos abrir os cadeados.
- Eu cuido disso, mas vou precisar da ajuda de alguém. Edgar?
- Conte comigo.
Os dois se aproximaram de um McDonad´s. Jonas testou a fechadura da porta de correr:
- Está trancado.
- Imaginei que estaria. – respondeu Edgar.
Jonas remexeu nos bolsos:
- Não que isso seja um problema tão grande.
Edgar viu-o pegar alguns clipes e remexer com eles na fechadura e perguntou-se: onde ele aprendera aquilo?
Enquanto testava a fechadura, Jonas olhou para trás, apontando para Dani. Alan se aproximara dela e estavam conversando.
- Há algo de estranho sobre essa garota...
- Sem dúvida é estranha a história dela. Ninguém ficaria sozinha no shopping apenas porque não consegue contato com a mãe. Qualquer outra pessoa teria arranjado outra maneira de voltar para casa...
Jonas concordou. Na fechadura, algo estalou.
- Há outra coisa que gostaria de conversar com você. Uma suspeita. Não queria falar na frente dos outros.
Edgar aproximou-se do outro. Então era por isso que ele lhe pediria sua ajuda.
- Duvido que isso mude alguma coisa. – disse Jonas. Mas eu precisava desabafar sobre isso com alguém...
Edgar fez um gesto com a cabeça, estimulando o outro a continuar.
- Lembra-se do almoço que tivemos na casa de Roberto?
- Claro. Mas...
- Eu sabia que havia algo errado ali. Por que uma pessoa teria tanta carne guardada na geladeira?
- Do que está falando?
Jonas parou o serviço e olhou fixo para o outro:
- Escute, eu já trabalhei como açougueiro. Conheço cortes de carnes. Aquela carne não era nem de porco, nem de boi...
- Está dizendo que comemos...
O outro fez que sim com a cabeça e continuou o serviço.

Edgar engoliu em seco. De repente tinha perdido a fome. 

Capitão Gralha sem número - item raro da coleção

Este é um dos itens mais raros da minha coleção. Comprei em um sebo em Curitiba, na década de 1990. A capa estava em péssimo estado de conservação, mas o miolo ainda estava intacto. Infelizmente, os danos à capa tornaram impossível descobrir qual é o número desse gibi (e não há informações no miolo), mas acredito que seja já da fase final do personagem, pouco antes da morte de Iwerten.

quinta-feira, maio 25, 2017

Quem eram os três grandes?


Três grandes foi como a imprensa apelidou os líderes mundiais que se uniram contra o nazismo. Eram Franklin Roosevelt, presidente dos EUA, Winston Churchil, pelo Império Britânico, e Joseph Stalin, líder da União Soviética.
Os três juntos contralavam um território de 55 milhões de quilômetros habitado por um terço da população terrestre. Stalin dizia que eram um clube fechado no qual só entrava quem tivessem mais de cinco milhões de soldados.
Os três se encontraram pela primeira vez em novembro de 1943. Esse primeiro encontro havia sido postergado ao máximo por Stalin, que não estava em guerra com o Japão e temia uma retaliação desse país. Essa decisão acabou ajudando-o, pois quando eles finalmente se sentaram para conversar, os russos estavam botando para correr os alemães, o que lhe dava grande poder de barganha.
A primeira discussão do encontro foi sobre a Polônia. Churchil queria uma Polônia livre, com regime democrático e argumentava que a Inglaterra entrara na guerra justamente para defender a Polônia. Stalin deixou claro que, por questão de segurança, queria o poder sobre o país. Na verdade, não havia muito o que discordar, pois as tropas soviéticas já estavam tomando a Polônia.

Nessa primeira reunião, Roosevelt propôs a tese de rendição incondicional. Em outras palavras, os alemães não poderiam exigir nada em troca da rendição. Os outros dois aceitaram essas condições. Combinaram também em fornecer armas para a resitência iuguslava. Churchil presentou Stalin com uma espada cravejada de jóias, homenagem pela vitória em Stalingrado. Também ficou acertado que Inglaterra e EUA criariam uma frente ocidental na Europa, o que deu origem ao dia D.  

O uivo da górgona - parte 62

62
Dani andou por entre as mesas e cadeiras da área de alimentação. Nenhum som, nenhum movimento. Não havia ninguém ali. Ela imaginou que de noite o shopping teria seguranças, mas ela não encontrou nenhum – e os funcionários que falaram com ela haviam simplesmente desaparecido. Nunca se sentiu tão sozinha e desolada. Incapaz de saber o que fazer, ela se sentou em um banco e ficou lá, parada, extática. Finalmente o cansaço superou o medo e ela se deitou de lado no banco duro. Ficou lá por alguns minutos, os olhos fixos no nada, tentando entender, tentando saber o que fazer.
Naquela noite ela teve pesadelos. Sonhos com pessoas estranhas se dilacerando, com gritos, uivos e multidões.
Quando acordou, custou a entender onde estava. Depois de um longo tempo percebeu que ainda se encontrava no shopping e que tudo era real. A luz do dia entrava pela claraboia e a cegava.
Ela se levantou e foi até o banheiro. Lavou o rosto e se olhou no espelho. O que era aquilo em seus olhos? Medo?
Felizmente havia a fome e isso era uma prova de que ela ainda estava viva. Ela andou pela praça de alimentação e percebeu que todos os quiosques estavam fechados com portas de enrolar. Sentia fome e tinha comida muito perto dela, mas era como se estivesse inalcançável.
Num corredor próximo encontrou um quiosque de doces e balas. Não era nada muito nutritivo, mas pelo menos evitaria que ela desmaiasse de fome.
Ela ficou lá parada muito tempo. Sentia que era fácil arrombar o quiosque, mas... e se aparecesse alguém? Como explicaria isso?
Por fim, decidiu-se. Deu um murro no acrílico, que cedeu um pouco, mas não quebrou.
Dani olhou à volta. O barulho tinha repercutido no corredor e de repente parecia que alguém surgiria, mas o silêncio continuava imperando. Talvez estimulada por isso, ela andou até uma barra de madeira que devia segurar alguma coisa, mas agora parecia apenas um espantalho no meio do corredor. Voltou com ela e bateu no acrílico, que cedeu, deixando à mostra uma porção de minhocas de gelatina.
Dani pegou um punhado delas e abocanhou-o. Fazia bem para o estômago, mas precisaria de algo mais substancial. A garota pegou um pacote de papel e encheu-o de minhocas. Depois, andou pelos corredores, procurando alguém.
Mas não havia ninguém.
Não havia pessoas que trabalhavam em momentos que o shopping estava fechado? Seguranças, pessoal da limpeza?
Não havia ninguém. Nem no terceiro, no segundo ou no primeiro andar. No primeiro andar, próximo à entrada do estacionamento ela imaginou ouvir barulhos e resolveu descer.
                A luz das claraboias não chegava à área de estacionamento e Dani teve grande dificuldade para acostumar seus olhos à escuridão. Ficou lá longo tempo, em silêncio e parada, até começar a perceber algo.
                Então surgiu algo, lá na frente. Ela se escondeu atrás de um carro, o coração disparado, como se adivinhasse que estava diante de um perigo.
                O movimento surgiu e desapareceu diante dela. Pareciam pessoas. E então, como um som que fosse sendo ligado aos poucos, uma algazarra foi tomando forma, primeiro muito baixa, depois muito nítida.
                Era um grupo de pessoas, andando muito próximas umas das outras. Andavam como alucinados, arrastando os pés e soltavam lamentos agudos e desordenados. Dani viu vários deles com uniformes de segurança. Outros pareciam ser da limpeza. O uivo aumentava e diminuía e, alguns momentos, o único barulho ser das botas arrastando no chão.

                Em silêncio, com medo até mesmo do som de sua respiração, ela voltou para os andares superiores. 

Epic Marvel

Epic Marvel foi uma revista lançada pela editora Abril em 1985 com material da linha Epic da Marvel (na qual os criadores tinham direitos sobre seus personagens). Tinha um formato maior que o famoso formatinho da Abril e custava mais caro. Talvez por isso - e por apresentar um abordagem à frente de seu tempo, sem super-heróis - a revista durou apenas 6 números. No entanto, o personagem Dreadstar, de Jim Starlin, ganharia uma legião de fãs, de modo que a editora Globo anos depois lançou uma revista só com suas histórias. Atualmente o personagem está sendo publicado em álbuns de luxo pela editora Mythos.

Galeão


Galeão é uma obra de fantasia histórica escrita por Gian Danton que se passa em algum lugar do Atlântico, no século XVII.

Depois de uma noite de terror, em que algo terrível acontece, os sobreviventes descobrem que estão em um navio que não pode ser governado e repleto de mistérios. A comida está sumindo, alguém está cometendo assassinatos, uma mulher é violentada e o tesouro do capitão parece ter alguma relação com todo o tormento pelo qual estão passando.

Galeão mistura vários temas da ficção fantástica e outros gênero numa trama policial, já que um psicopata parece estar agindo entre os sobreviventes. A história torna-se, assim, um quebra-cabeça a ser desvendado pelo leitor.

Valor: 25 reais - frete incluso. 

Pedidos: profivancarlo@gmail.com. 

Guerras secretas

Em 1980, Jim Shotter, editor-chefe da Marvel, queria revolucionar o universo dos quadrinhos de super-heróis com uma história grandiosa. Para isso, ele bolou uma série em 12 partes que mostraria os principais heróis e vilões da editora se enfrentando.
Em Guerras Secretas, uma entidade super-poderosa, denominada Beyonder, cria um planeta e transporta para lá os mais importantes personagens da editora. E avisa: destruam seus inimigos e todos os seus desejos serão realizados. 
Os personagens dividem-se entre heróis e vilões e começam os conflitos. Entre os heróis, há estranhamento pela presença de Magneto, um notório vilão dos X-men. Entre os vilões, começam as brigas pela liderança.
Entre os heróis havia vários medalhões da editora, como o Homem-aranha, X-men,  Vingadores, Hulk, Coisa. Do lado dos vilões, peso-pesados, como Doutor Destino, Lagarto, Ultron e Galactus. A presença de Galactus no time de vilões tem causado, até hoje, controvérsias. Criado por Jack Kirby e Stan Lee em uma aventura do Quarteto Fantástico da década de 1960, ele é uma entidade cósmica super-poderosa, capaz de devorar planetas inteiros. Sua presença no time de vilões desequilibraria qualquer disputa.
Para desenhar a história foi chamado Mike Zeck, que vinha se destacando nas histórias do Mestre do Kung Fu com seu traço elegante.
A história fez grande sucesso e remodelou a vida de vários personagens da editora. O mais afetado foi o Homem-aranha, que ganhou um uniforme preto, fruto de uma simbiose com um ser alienígena. Posteriormente esse uniforme se transformaria no vilão Venon.
Guerra Secretas foi muito bem resumida por uma funcionária da Marvel responsável pelo mercado direto: “Guerras Secretas é ruim, mas vendeu muito bem!”.
Dizem que Jim Shotter pediu tantas mudanças nos desenhos que, ao terminar, mandou para o desenhista Mike Zeck uma garrafa de champanhe. Zeck abriu a garrafa e jogou todo o conteúdo na pia.

No Brasil a história foi lançada em 1986 para servir de divulgação para a linha de bonecos da Gulliver. Mas os heróis estavam atrasados em relação à cronologia americana e, para adequar essa inconsistência, a série foi cortada e mutilada. Até mesmo personagens, como Vampira e Capitã Marvel, foram apagados e o final da saga foi totalmente modificado para se adequar ao momento que a Marvel vivia no Brasil. Ou seja: o que já não era bom, ficou ainda pior. 

quarta-feira, maio 24, 2017

Doutor Estranho


O que foi a batalha de Stalingrado?

Foi a tentativa alemã de tomar a cidade industrial de Stalingrado, chamada assim em homenagem ao ditador russo.
O ataque começou no dia 19 de agosto de 1942. Era uma disputa não só por uma cidade, mas por um símbolo, já que o local levava o nome de Stalin. Tomá-la seria um ato simbólico. Assim, Stalin deu ordem para que a cidade fosse defendida a todo custo.
Com a sua superioridade tecnológica, os alemães dominaram boa parte da cidade. Depósitos de combustível explodiam como fogos de artifício e muitos derramavam seu líquido no rio Volga, queimando navios e barcos. O sistema de comunicação e o depósito de água da cidade foram atingidos, de modo que os bombeiros podiam apenas assistir o incêndio dos prédios, limitando-se a auxiliar as vítimas. Mas os russos resistiram em uma guerra urbana, entricheirando-se nos prédios da cidade. A seu lado, tinham o “general inverno” se aproximando.
 O general Tchicov percebeu que a Luftwaffe tinha papel fundamental no modo de guerra nazista e, para neutralizá-la, decidiu iniciar uma guerra em que os russos deveriam aproximar-se dos alemães e fazê-los lutar por cada centímetro de terreno. A proximidade dos dois exército tornava impossível a ação dos aviões alemães.

Com a chegada do inverno a sorte soprou a favor dos russos, que recebiam reforços de tropas descansadas. 

O uivo da górgona - parte 61


61
Há quanto tempo tinha acontecido? Há um dia, dois? Três?
Ela nunca saía de casa sozinha, mas naquela noite resolvera que queria assistir a um filme no shopping.
Ela imaginou que alguém lhe perguntaria por que isso era algo diferente, mas ninguém se lembrou disso. Ficavam ali, parados, apenas olhando para ela, esperando por mais e mais palavras dela. Especialmente o rapaz mais novo. Ele lhe olhava de maneira diferente e Dani não sabia se gostava ou não disso.
Não aconteceu nada durante o filme. Parecia uma sessão de cinema como qualquer outra. Quando terminou, as pessoas foram saindo uma a uma. Dani também pensou em sair, mas algo – ela sabia muito bem o que era – a impediu. Ela tentou ligar para sua mãe, mas o número não atendia. Ela ficou ali, na sala de espera do cinema, vendo os funcionários fecharem a loja de comidas e bebidas e limparem tudo. Ela os olhava e tentava ligar para sua mãe, mas o maldito celular não atendia.
Então um dos funcionários se aproximou e disse que ela não podia ficar ali, que eles teriam que fechar, mas tudo que Dani conseguia prestar atenção era na mancha amarela na camisa do uniforme dele. Ela observava e se prendia a isso, como fosse uma forma de adiar o inevitável.
Dani saiu do cinema e olhou à volta, no shopping. Não havia ninguém lá. Todas as pessoas que estava com ela na sessão de cinema provavelmente deveriam estar em casa a essa hora. E, ainda assim, o celular de sua mãe não atendia.
O que fazer? Sair e pegar um ônibus? Já era tarde demais e, além disso, ela sabia muito bem que nunca sairia sozinha. A simples ideia de sair do local sozinha lhe era terrível. Haveria, talvez, a possibilidade de pegar um taxi, se encontrasse algum.
A garota olhou no relógio: meia noite e meia. Talvez ainda conseguisse pegar um taxi, mas antes de sair ela se certificaria de que poderia achar algum. Havia um local envidraçado do qual podia observar o ponto de taxi e ter certeza de que encontraria um. Mas a imagem que viu lhe pareceu estranha. A rua estava deserta. Havia dois taxis no ponto, mas não havia ninguém por perto. Um deles estava com a porta aberta, mas ela não via qualquer sinal do motorista. Que tipo de taxista abandonaria seu carro assim, aberto?

Ela tentou de novo o celular e novamente chamou, chamou, até não atender. Isso lhe deu um arrepio na espinha. Mas ela só entrou realmente em desespero quando tentou vários outros números – de amigos, parentes, de colegas de colégio – e ninguém, ninguém atendeu. 

Capitão Gralha, venha nos ajudar!

Em dias terríveis como estes, só o Capitão Gralha poderá nos ajudar.

Efeito borboleta


terça-feira, maio 23, 2017

O que foi a campanha da criméia?

A campanha da Criméia começou no dia 8 de maio de 1942, sob o comando do general Erich von Manstein. Os soviéticos haviam se entricheirado no pequeno Istmo de Parpatch e foram atacados. Em dez dias a cidade de Kertch cai. Os russos são derrotados e os alemães conseguem uma grande quantidade de prisioneiros e armas. São feitos 170 mil prisioneiros.
As forças alemães dirigiram-se, então, para o porto de Sebastopol, no mar Negro. Os russos, na defesa, contam com nove divisões de infantaria, diversas unidade blindadas, além de uma pequena força aérea e apoio naval.
Os alemães, além dos blindados, contam com canhões de 305 mm, 350 mm e 450 mm, além dos gigantescos morteiros Thor e Odin, de 600 mm. Outra arma importante era a colossal Dora, com calibre de 820 mm e cujo projétil pesava sete toneladas.

A batalha acaba se centrando na artilharia, com enorme poder de fogo e no fim os russos são derrotados. O porto cai nas mãos dos alemães, que fazem 90 mil prisioneiros. 

Promethea


O uivo da górgona - parte 60


60
- Ela é linda. – comentou Alan, enquanto iam para a farmácia.
- Shhhiii. – fez Edgar. Tinha acabado de conhecer a garota. A última coisa que queria é que ela se sentisse de algum modo constrangida. Mas, de fato, era obrigado a concordar com Alan. Ela era bonita. De um jeito peculiar – ela parecia estranha, com seus cabelos desgrenhados escondendo o rosto como se tivesse medo de todos e o usasse como uma espécie de escudo – mas era bonita.
Quando entraram na farmácia, encontraram Sofia já estava recobrada, no colo de Zu. Abrira os olhos e sorriu ao ver o professor. Havia uma fileira de pontos pretos em seu pescoço e ela parecia fraca, mas fora isso não parecia haver nada de errado com a menina.
- Essa é a pessoa que estava nos observando. – disse Edgar. Seu nome é Daniela, mas podem chamá-la de Dani.
Dani foi cumprimentada por todos. Tinham se sentado no chão da farmácia e Alan trouxeram alguns sucos, barras de cereais e chocolates.
Edgar fez um resumo do que haviam passado até ali. A garota ouvia e mastigava uma barra de Twix.
- É isso. – concluiu Edgar, após contar até o momento em que haviam entrado no shopping. Agora queremos saber de você. Quem é você,  como chegou aqui.
A menina pigarreou, tímida, como fosse difícil falar sobre si mesma.

Então começou. 

Onde você quer dizer com isso?



Dizem que Vicente Mateus, o presidente do Corinthias, pediu para a secretária fazer uma convocação, marcando uma reunião para uma sexta-feira. A secretária perguntou:
- Sexta-feira se escreve com x ou com s?
E ele:
- Marca a reunião para a quinta.
Se fosse hoje, ele diria:
- Coloca onde.
E a frase ficaria algo como “A Diretoria do Corinthias marca uma reunião para a onde-feira”.
Parece piada, mas é exatamente o que estão fazendo com o “onde”. “Onde” é advérbio e se refere a lugar. Tem o sentido e “no lugar em que”. Mas essa palavra virou o coringa da língua portuguesa, sendo usado no lugar de qualquer palavra que a pessoa não se lembre no momento. Assim, ele tem substituído palavras tão díspares quanto “porém”, “pois”, “quando”, “assim”, “e”, “em que”, “no qual”,  “enquanto”, “todavia” e muitas outras.
Assim, temos frases como:
A teoria ONDE o filósofo argumenta...
O rapaz roubou o pão ONDE estava com fome.
Eu gosto de pizza, ONDE vou comer tudo.
A Educação a distância é um processo mediado de aprendizagem ONDE professores e alunos estão separados.
Compre o produto ONDE ganhe o cupom.
O atentado aconteceu ONDE o secretário estava de férias.

Se formos levar ao pé da letra, a interpretação dessas frases seria:

A teoria NO LUGAR EM QUE o filósofo argumenta...
O rapaz roubou o pão NO LUGAR EM QUE estava com fome.
Eu gosto de pizza, NO LUGAR EM QUE vou comer tudo.
A Educação a distância é um processo mediado de aprendizagem NO LUGAR EM QUE professores e alunos estão separados.
Compre o produto NO LUGAR EM QUE ganhe o cupom.
O atentado aconteceu NO LUGAR EM QUE o secretário estava de férias.

Na verdade, o que se queria dizer era:

A teoria NA QUAL o filósofo argumenta...
O rapaz roubou o pão, POIS estava com fome.
Eu gosto de pizza, PORTANTO vou comer tudo.
A Educação a distância é um processo mediado de aprendizagem NO QUAL professores e alunos estão separados.
Compre o produto E ganhe o cupom.
O acidente aconteceu ENQUANTO o secretário estava de férias.

Algumas vezes é quase impossível entender o que o autor queria dizer, como em:
Sempre com novas atração, onde nosso objetivo é sua opinião.


E o cúmulo quando encontrei o seguinte exemplo em um trabalho universitário:
Faça sua pesquisa donde tire uma hipótese.


Além de ser gramaticalmente incorreto, o uso indevido do ONDE dificulta a compreensão do texto, prejudicando o processo de comunicação e ocasionando equívocos. Assim, da próxima vez em que for usar a palavra ONDE, pense bem e veja se é isso mesmo que você está querendo dizer. Na dúvida, troque o “onde” por “no lugar em que”. Se der certo, o onde está correto, caso não, coloque a palavra correta. 

Amazing Fantas 15y


Pessoas que não entendem de quadrinhos tendem a achar que o número 1 de uma revista em quadrinhos é a mais valorizada. Nem sempre. O melhor exemplo disso é este: a revista Amazing Fantasy 15 (de 1962) é de longe a mais valorizada da série por uma razão simples: foi a primeira a publicar uma história do Homem-aranha. Stan Lee aproveitou a revista, que seria cancelada para introduzir seu personagem e testar sua popularidade (o dono da Marvel achou que as crianças não iriam gostar de um personagem baseado em uma aranha). Posteriormente o herói ganhou revista própria.

A marca da pantera

Os anos 60 foram o auge da luta pelos direitos civis nos EUA. Figuras como Martin Luther King e Malcom X serviam de inspiração para milhões de negros americanos, cansados de serem tratados como cidadãos de segunda classe.
A Marvel comics era a editora que na época estava mais antenada com os anseios daquele momento de mudanças profundas. Stan Lee e Jack Kirby faziam sua própria revolução nas paginas coloridas das Hqs.
Em 1966 a dupla criou um personagem coadjuvante no numero 52 do  Fantastic Four, era o príncipe africano T'Challa, mais conhecido como o Pantera Negra o primeiro herói negro dos comis americanos.  A polemica não ficava apenas no nome (que  Stan Lee ficou receoso em utilizar), uma alusão direta ao movimento Black Panther que fez tremer a direita americana nos anos 60, mas em como o personagem era apresentado.
Até aquela época os negros eram retratados pelos comics americanos de forma caricata e preconceituosa, como por exemplo o Ebano ajudante do the Spirit de Will Eisner ( que anos depois pediu desculpas a comunidade negra pelo modo racista com que escrevia o personagem) dentro do estereotipo do Pai Tomas, o do negro preguiçoso, burro e malandro.
Pantera Negra é o nome do  uniforme cerimonial da nação africana de Wakanda. Filho do rei T'Chaka, T'Challa  ingeriu na infância uma poção preparada  com uma erva mágica em forma de coração, que, de acordo com uma antiga tradição, deve ser ingerida por todos os futuros reis de Wakanda em um ritual secreto. A poção desperta os poderes do "Espírito da Pantera": força e agilidade sobre-humanas e sentidos super-aguçados.

Antes de obter os poderes, porém, T'Challa praticou todas as artes marciais do mundo e estudou nos melhores colégios (e universidades) da Europa e dos Estados Unidos, onde se formou como físico. Esta formação, por sinal, permitiu que ele no futuro criasse seu uniforme feito de Vibranium, um metal que absorve som e impacto e que é a principal fonte de renda de Wakanda, o "país mais rico e desenvolvido tecnologicamente de toda África do Norte".
Embora tenha sido criado na era de prata, o personagem ficou realmente famoso na era de bronze, quando estreou aventuras próprias, escritas por Don MacGregor e desenhadas por Billy Graham. A partir do número 5 da revista Jungle Action, de 1973, os leitores puderam acompanhar o herói em uma aventura em que ele volta para a África para combater uma revolta armada liderada pelo vilão Terror Negro. Roteirista e desenhista não perderam a oportunidade de aprofundar a mitologia e a personalidade do Pantera Negra. As histórias eram eletrizantes e o desenho de Graham perfeitos para mostrar a savana africana. A série também apresentou ótimos vilões, como o Salamander Kruel e Rei Cadáver.
Com uma visão inovadora de um  personagem negro, com doses de nobreza, inteligência e principalmente falando de um reino da Africa distante da miséria e de todos os esteriotipos vendidos pelas produções de Hollywwod, o Pantera Negra abriu caminho para uma nova visão dos heróis negros dos quadrinhos (Falcao, Raio Negro,  Lanterna Verde John Stuart etc) e no cinema ( Blade).

Ainda  hoje o principe T'Challa e seu uniforme negro são símbolos do orgulho negro. 

Texto escrito em parceria com Jefferson Nunes. 

segunda-feira, maio 22, 2017

Jerry Spring

Criado por Jijé, Jerry Spring foi um dos principais personagens da HQ franco-belga. Surgiu em 1954 e foi publicado até 1977. O personagem chegou a ser desenhado por Moebius na sua fase clássica.

O que era o plano azul de Hitler?

O plano azul (fall blau) foi uma estratégia criada por Hitler para acabar de uma vez por todas com a resistência russa. A idéia era destruir definitivamente os exércitos russos, tomar o Cáucaso e consolidar o domínio nazista na Ucrânia. Para isso, o grupo de Exércitos Sul deveria receber reforços vindos dos outros dois exércitos (Centro e Norte).
Os alemães contavam com 88 divisões, sendo 28 eram compostas de exércitos húngaros, romenos, italianos, e eslovacos, além de noruegueses e voluntários espanhois.

O fall blau ia contra a opinião de muitos dos generais de Hitler, que achavam que o momento era de reorganização e descanso das tropas, além da chegada de mais recursos. Mas o ditador foi firme em sua posição, argumentando que necessitava de uma vitória rápida no front russo. 

Detective Comics #408 (1971)

Lançado em Fevereiro de 1971 com capa por Neal Adams e Gaspar Saladino, roteiro pelas lendas Len Wein e Marv Wolfman e com os desenhos do próprio Neal Adams, o número 408 da revista Detective Comics tem uma das capas mais marcantes de toda a história.
Na trama, Batman está há 24 horas procurando por Robin, que sumiu sem deixar rastros. Sua busca chega então a uma misteriosa casa nos arredores de Gotham... E que não existia até um dia atrás. Ao ter um vislumbre aterrorizante do parceiro, o Cavaleiro das Trevas vive uma sequência de eventos do mais profundo terror, onde sua sanidade é testada ao limite por um inimigo que parece invisível e invencível.

Histórico da publicação dessa edição no Brasil:

* Batman n° 26 - Ebal dezembro de 1971
* Batman Bi n° 42 - Ebal fev/mar de 1972
* Coleção Invictus n° 24 - Nova Sampa julho de 1995


Fonte: Capas clássicas de quadrinhos (vale a pena curtir e acompanhar as postagens)