quinta-feira, outubro 22, 2020

Tentou comentar no blog e não conseguiu?

 


- Gian, entrei no seu blog e tentei comentar numa matéria, mas não consegui. 
- Infelizmente eu tive que bloquear os comentários. 
- Mas por quê? 
- Olha o tipo de comentário que os bolsominions estavam postando. 
- Caramba, são dezenas de comentários iguais o cara já começa te chamando de stalinista! 
- Pois é, é o culto à personalidade. Como eles consideram o Bolsonaro um semi-deus, qualquer um que não o idolatre só pode ser comunista. E pode colocar na conta vários outros "comunistas": Jim Starlin vira comunista, Raul Seixas vira comunista, Alan Moore vira comunista. E, para eles, comunista precisa ser preso. 
- O cara está te chamando de lulo-petralha?!!!
- Pois é, eu que nunca votei no PT, que sempre critiquei o PT de repente virei petralha só porque me recuso a idolatrar o mito. 
- E você praticamente nem fala de política no seu blog. 
- Pois é. Mas a estratégia deles é Dart Vader: ou você idolatra o Capitão ou é comunista. Teve um "amigo" bolsominions que ameaçou me dar um soco só porque eu disse que político é para ser cobrado não para ser idolatrado. Outro disse que o pior tipo de "comunistas" são os "isentões": isentão aí significa alguém que se recusa a idolatrar o mito deles, mas ao mesmo tempo não idolatra o Lula, que se recusa a tecer elogios à ditadura militar, mas também não elogia a Coréia do norte. Antigamente para ser comunista precisava ser fã do Karl Marx, precisava ler o Manifesto Comunista, precisava acreditar em ditadura do proletariado. Hoje em dia, para ser comunista, basta não idolatrar o mito.
- Ele te acusa de cometer um gesto lulo-petista. Que gesto lulo-petista é esse?
- Me recusar a idolatrar o mito. Para quem escreveu esse comentário, qualquer um que não idolatre o mito está cometendo um gesto lulo-petista. Ou seja, na cabeça dele, está cometendo um crime.
- Caramba, estou lendo aqui. O cara está ameaçando te denuncia... Te denunciar para quem? 
- Para os militres, provavelmente. 
- Estou vendo aqui. Ele te acusa de doutrinar os alunos. Fui seu aluno e você nunca falou de política em sala de aula. 
- Deve ser porque uso camisas da Marvel em sala de aula. Dizem que estou doutrinando os alunos a gostarem da Marvel. Nisso, confesso, sou culpado. Mas em minha defesa posso dizer que gosto da DC quando ela é desenhada pelo Garcia-Lopez.... rsrs... 
- Nossa, o cara diz que vai fazer você perder o emprego! Chega até a te chamar de estelionatário! 
- Só faltou dizer que vai me prender e  torturar pessoalmente para que eu confesse todos os meues crimes...kkkk Tudo isso porque eu me recuso a idolatrar o Capitão. E é esse pessoal que diz que é a favor da liberdade. A liberdade que eles querem é a liberdade de poder denunciar e prender quem pensa diferente deles. E como você pode ver, postaram essas ameaças dezenas de vezes no blog antes que eu bloqueasse os comentários. É por isso que não é mais possível comentar no meu blog. Infelizmente, tive que bloquear essa possibilidade de contato com meus leitores por causa desse tipo de comentário ameaçador.   
- Assustador, melhor manter os comentários do blog fechados mesmo.  

A imprecisão do tempo


Com a criação do relógio, surgiu a visão mecanicista e determinista do mundo. Ou seja, o mundo passou a ser visto como um relógio, uma máquina determinada e previsível. Até mesmo a educação e o trabalho passaram a ser regidos pelo relógio. Um professor, por exemplo, passou a ser pago quantidade de horas que lecionava.
Mas essa visão mecanicista do mundo parte da idéia newtoniana de que o tempo é um valor absoluto. Ou seja, o templo flui da mesma maneira em todos os lugares do universo. A teoria da relatividade de Einstein, no entanto, mostrou que essa idéia é equivocada. O tempo não é um valor absoluto, mas relativo. O mesmo evento visto por duas pessoas pode ser percebido em momentos diferentes, dependendo do ponto de observação.
Tanto a velocidade quanto a gravidade podem afetar o tempo. O tempo passa mais devagar para pessoas que estão em alta velocidade. Isso é exemplificado pelo chamado “paradoxo dos gêmeos”. Temos dois gêmeos, João e Maria. Um deles, Maria, faz uma viagem espacial à velocidade da luz. Para ela, a viagem dura apenas um ano, mas quando ela volta, descobre que seu irmão está 10 anos mais velho. Em viagens de avião, essa diferença é mínima, mas pode ser percebida por relógios atômicos. Isso significa que enquanto você faz uma viagem de avião, o tempo corre mais lento para você do que para quem está parado.
Da mesma forma, o tempo passa mais lentamente para quem vive em um planeta com alta gravidade. Esse achatamento do tempo já foi demonstrando em submarinos, que estão mais próximos do centro gravitacional da Terra.
Fora os aspectos físicos, há aspectos psicológicos que influenciam na percepção do tempo. Situações de tensão e preocupação podem fazer o tempo correr mais lentamente. Foi o que descobriu o professor Antônio Damásio, diretor do Departamento de Neurologia da Universidade de Iowa. Na edição nacional da revista Scientific American (n.5), ele publicou um artigo explicando como o cineasta Alfred Hitchcock dilatou o tempo no filme Festim Diabólico. A película conta uma história que se inicia às 15:30 e termina às 21:15. ou seja, o tempo dramático é de 105 minutos. Ocorre que o filme foi feito em tempo real, sem cortes, e resulta em 8 rolos de 10 minutos. Ou seja, 80 minutos. 

Em outras palavras, o tempo real do filme não bate com o tempo percebido pelos expectadores.
Como o filme deixa os expectadores tensos o tempo todo, parece que se passou mais tempo. Segundo Damásio, “Quando estamos incomodados e preocupados, freqüentemente sentimos o tempo passar mais devagar, porque nos concentramos nas imagens negativas associadas à nossa ansiedade”.
Em outras palavras, uma aula monótona e desinteressante parece decorrer em maior tempo do que uma aula divertida e interessante, que parece passar mais rapidamente, por mais que nos dois casos, os professores passem exatamente 50 minutos do relógio em sala de aula (aliás, pela lógica do relógio, o primeiro professor deveria ganhar mais, já que passou mais tempo em sala de aula).
Essa extensão do tempo pode mesmo ser uma estratégia de sobrevivência, pois nos dá maior prazo para reação em situações de perigo.
Em setembro de 1980, o piloto de testes da marinha americana Russ Stromberg sofreu um acidente após decolar de um porta-aviões. Até o avião mergulhar no mar, ele teve 8 segundos para decidir o que fazer para se salvar. Tudo entrou em câmara lenta, disse ele, depois. Ele primeiro tentou religar o motor. Como isso não funcionou, ele decidiu se ejetar, mas para isso ele precisava verificar se estava segurando corretamente a barra do assento ejetor. No final, ele acabou se ejetando 10 metros acima da água. Mais tarde ele tentou descrever tudo que lhe passara pela cabeça durante a queda e levou 45 minutos. Ou seja, embora o tempo de relógio do acidente tenha sido de 8 segundos, para Stromberg se passaram algo em torno de 45 minutos...

A república do Cunani


A região amazônica tem uma rica história, muitas vezes desconhecida da própria população local. Exemplo disso é uma república independente surgida no estado do Amapá cuja história é contada no livro “Os selos postais da República do Cunani”, de autoria do alemão Wolfgang Baldus, recentemente lançado pelo Senado Federal.
No segunda metade do século XIX a região entre os rios Araguari e Oiapoque era uma terra de ninguém. A região também chamda de contestado, era reinvindicada tanto pela França quanto pelo Brasil, mas ninguém se animava a gastar pólvora para conquistá-la. A solução foi declarar o local uma região neutra até que se encontrasse uma solução definitiva para o ligítio. Era uma terra de ninguém.
Em 1880 um aventureiro francês, Ferréol Guigues, um suíço, Paul Quartier e dois norte-americanos descobriram ouro na região. Após a morte dos americanos, os dois resolveram criar uma empresa para explorar o ouro.  Guigues foi a Paris em busca de investidores e conheceu Jules Gross, escritor, jornalista e membro da sociedade geográfica. Gros ajudaria os aventureiros a conseguirem dinheiro.
Em algum momento surgiu a ideia de transformar a região em uma república independente como forma de atrair ainda mais os investidores.
O local escolhido para a sede do novo país foi a região do Cunani (a forma como os índios locais chamavam o peixe tucunaré). O localidade consistia em 30 cabanas e 200 almas.
Nessa época a região era dominada por capitanias, cada uma chefiada por um capitão.
O capitão do Cunani era Trajano Supriano Benítez, um ex-escravo que viera de Belém ao ouvir boatos de que havia ouro na região. Ele escolhera o local porque a região era essencialmente habitada por negros e, como eles, queria que a região fosse governada pela França, já que naquele país a escravidão havia sido abolida.
No ano de 1887, Ferréol Guigues e Paul Quartier chegaram ao Cunani com armas e alguns barris de run.
Sentados em um cabaré, eles convidavam todos que passavam a beber com eles. A única condição era assinar um documento. Esse documento era a declaração de independência da região do Cunani. Sessenta pessoas assinaram, o que dá uma boa ideia da quantidade de run oferecida pelos aventureiros.
O documento dava a presidência do novo país para Jules Gross e nomeava um ministério – todo composto por europeus, a maioria dos quais nunca nem soube da honraria, a exemplo do Ministro da Educação Pública e da Cultura, um negociante de selos de Bruxelas.
Qual a primeira coisa que um governante de um novo país faz? Selos, claro! Pode parecer surreal, mas os selos eram uma forma de legitimar um país: se ele tinha selos, tinha Correios e naquela época isso era sinônimo de civilização. Além disso, se o selo era usado em cartas internacionais, significava que outros países reconheciam a existência da república.
Mas esses primeiros selos eram tão primários que pareciam ter sido feitos por uma criança de cinco anos. Além da imagem simples (uma estrela), trazia o preço invertido – o que faz acreditar que quem imprimiu não tinha muita noção do processo de impressão, já que letras e números devem estar invertidos na matriz para ficarem corretos no impresso, o que não aconteceu.  
O trio também cunhou moedas e criou uma bandeira (toda verde com as cores da França num quadrado no canto superior esquerdo). Eles passeava por Paris como se fossem autoridades estrangeiras e a auto-propaganda era tanta que acabou chamando a atenção das autoridades. A república fictícia teve até uma “guerra civil”, quando Guigues depôs Jules Gros do cargo e esse não aceitou a situação.
A coisa se arrastou por anos, teve outro presidente, outros ministros (alguns sabendo, outros não) até que as autoridades resolvessem acabar com a brincadeira. A essa altura, a anedota havia se tornado séria: já haviam sido recrutados 12 mil homens para invadir a região e garantir a existência do da República do Cunani.
Essa não foi a primeira vez que a região se tornou um país fictício. Em 1874 um tal de Prosper Chaton, ex-consul francês no Pará proclamou-se Presidente da República do Cunani. Essa primeira República do Cunani acabou por puro azar: Infelizmente Chaton era um jogador e acabou perdendo o seu país numa mesa de jogo de Caiena.  

Os quadrinhos de faroeste


            Com a queda na venda dos super-heróis, as editoras começaram a investir em outros gêneros e um dos que tiveram melhor retorno foi o faroeste. As primeiras incursões aconteceram já na década de 1920, nas tiras de jornais e depois nos gibis. Entre os personagem dessa época, destacam-se Bufallo Bill (de Harry O´Neil), Rei da Polícia Montada (de Allen Dean) e Red Ryder (de Fred Harman), que depois mudaria seu nome para Bronco Piler, sem qualquer explicação aos leitores.
            Em 1932 surgiu aquele que seria provavelmente o mais famoso herói de faroeste: Lone Ranger (Cavaleiro Solitário). O personagem, um cowboy que usava máscara para esconder sua identidade e tinha como companheiro o índio Tonto, surgiu no rádio, criação de George Trendle e Fran Stiker. Depois foi para as tiras de jornais, no traço de Charles Flanders e para os gibis, com desenhos de George Wilson. No Brasil, esse personagem foi batizado de Zorro, que era o nome de outro personagem, o herói de capa e espada criado por Johnston McCulley. Em decorrência disso, tivemos, no país, dois personagens diferentes com o mesmo nome, o que sempre foi motivo de confusão.
            Assim como o Lone Ranger, vários outros cowboys do rádio ou do cinema migraram para os quadrinhos. Entre os mais famosos, estão Roy Rogers, Durango Kid (que mereceu até uma música de Raul Seixas), Tom Mix e até o cachorro Rintintin.
            Mas nem sempre essa transposição era imediata. Um dos faroestes mais bem realizados, Cisco Kid, com texto do americano Rod Red e desenhos do argentino José Luís Salinas, surgiu na literatura, virou filme em 1929 e só 20 anos depois ganhou sua versão em quadrinhos.
            No rastro de Lone Ranger, muitas outras editoras lançaram heróis mascarados, como Black Diamond, Fantasma Vingador e O Cavaleiro Negro (Black Rider). Esse último, desenhado por Sid Shores, alcançou grande sucesso no Brasil, O título chegou a mais de 200 edições lançadas. Quando a Marvel cancelou o título nos EUA, a RGE, que publicava a revista no Brasil, não quis largar o osso e adaptou o personagem espanhol Gringo para que ele fizesse as vezes do Cavaleiro Negro. Primaggio Mantovi e Walmir Amaral eram responsáveis por adaptar os desenhos. Aparentemente, os leitores não perceberam a troca, pois a revista continuou vendendo bem.
            Outro personagem de sucesso da Marvel foi Two-Gun Kid, a HQ de Western mais duradoura dos EUA, tendo durado 31 anos e sendo cancelada apenas em 1979. O personagem era um mocinho que fora injustamente acusado de assassinato e vivia sendo perseguido por xerifes e caçadores de recompensa.
            Em 1955 surgiu Rawhide Kid (Billy Blue, no Brasil). Foi um personagem de sucesso até o final da década de 1970, mas ficou marcado mesmo pelo seu retorno em 2003, numa história em que se revelava que ele era gay.
            A DC Comics também investiu pesado no faroeste, embora seu personagem mais famoso, Jonah Hex, tenha surgido só na década de 1970.
            Existiu até um cowboy nacional. Era Jerônimo, o herói do sertão. Sempre ajudado pelo moleque Saci, ele surgiu no rádio, mas migrou para os quadrinhos em 1957, tendo estrelado 92 gibis mensais e cinco almanaques especiais. Era escrito por Moysés Waltman e desenhado por Edmundo Rodrigues e publicado pela RGE.
            Depois do auge do gênero, na década de 1950, os cowboys foram entrando em decadência. Muitos acreditam que isso se deve à corrida espacial. Com a chegada do homem ao espaço, os leitores (em especial os norte-americanos) não queriam mais olhar para o passado, mas para o futuro. Isso deu um novo destaque aos super-heróis, cuja temática podia ser melhor adaptada aos novos tempos científicos.
            Poucas editoras norte-americanos ainda investem nos cowboys. Curiosamente, os países europeus é que ainda mantém o interesse pelo gênero, em especial os franceses (com personagens como o tenente Blueberry) e os italianos (com personagens como Tex).

Capitão América – o Caveira Vermelha vive!

 

Stan Lee e Jack Kirby fizeram várias histórias curtas para as revistas mix de terror e monstros da Marvel (na época em que ela nem se chamava Marvel). Quando os super-heróis estouraram, eles trouxeram essa expertise para o gênero, produzindo histórias fechadas, que tinha o clima dos contos de fantasia e terror, mas, ao mesmo tempo, continuavam, perfazendo uma trama maior e mais complexa.

Exemplo disso é a história O caveira vermelha vive, publicada em Tales of suspense 79.

Uma das técnicas usadas nessas histórias curtas é apresentar uma situação inusitada, aparentemente incompreensível, que aguça a imagina do leitor e faz com que ele vá até o final para saber o que realmente está acontendo.

Na história em questão, o capitão está enfrentando homens uniformizados numa splash page grandiosa típica de Kirby, com o herói pulando sobre os vilões, que atiraram a esmo, sem conseguir acertá-lo. Mas nas páginas seguintes descobrimos que ninguém mais está vendo os vilões. Para o público que passa na rua, o capitão está lutando contra ele mesmo.

Chega um ponto em que o próprio herói começa a duvidar de sua sanidade – e procura um médico, que aconselha psicanálise, ao que ele retruca: “Mas a psicanálise pode levar meses! Não tenho tanto tempo!”.

Claro que, no final de tudo descobre-se que era tudo um plano do Caveira Vermelha para desacreditar o sentinela da liberdade – um plano que acaba naufragando graças à astúcia do capitão.

Era por esse tipo de história, repletas de ação e suspense, que o Capitão América se tornou um dos melhores personagens da Marvel. 

quarta-feira, outubro 21, 2020

5 Efeitos Visuais Que REVOLUCIONARAM o Cinema

A arte magnífica de Alex Ross


Alex Ross é dos mais aclamados desenhistas de quadrinhos da atualidade. Ele se tornou famoso após o sucesso da minissérie Marvels, com roteiro de Kurt Buziek, um dos trabalhos melhores quadrinhos publicados nos anos 1990. Sua arte pintada se tornou disputada pelos editores a partir de então. Além de quadrinhos, ele fez capas de diversas revistas. Seu estilo é inconfundível, casando perfeitamente realismo com a grandiosidade dos heróis dos quadrinhos.


























Obsolência programada

Há algum tempo comprei um relógio Cosmos e a pulseira acabou rasgando. Normal. Todo equipamento, em algum momento, tem uma peça que se desgasta. E, no caso do relógio, a pulseira nem é uma peça tão complexa. Ela não impede, por exemplo, o funcionamento do dispositivo. Mas sem ela não dá para usar.
Procurei relojoeiros e todos me diziam a mesma coisa: esse tipo de pulseira, só na autorizada. Na autorizada não tinha, mas podia encomendar, pagando 20 reais adiantando (e mais 400 no ato da entrega). Dois meses depois, acabei desistindo e pedindo meu dinheiro de volta. A moça da relojoaria me disse que pulseira para esse tipo de relógio é realmente muito difícil e que a fábrica não faz a mínima questão de disponibilizar.
O caso me fez acreditar que se trata de um caso de obsolência programada. O produto é feito para ser jogado fora, descartado, em pouco mais de um ano. O preço da pulseira (quase metade do preço do produto) e a dificuldade de conseguir têm como objetivo fazer com que o consumidor desista de tentar consertar o velho e resolva comprar um novo.
Um amigo, que vive de consertar eletrodomésticos, me dizia que algumas peças são tão caras quanto o produto em si. Impressora, por exemplo, não compensa consertar. Melhor jogar fora e comprar outra.
Isso sem falar nos produtos tecnológicos, como celulares, que são lançados hoje e daqui a um mês têm uma versão mais avançada, cujo objetivo é fazer a pessoa descartar o "velho" e comprar uma nova versão.
Se isso é muito bom para as empresas, é péssimo para o meio ambiente. O impacto ambiental de um relógio que você usa 20 anos é muito menor do que um relógio que você usa um ano e joga fora.

A ciência e a razão nos quadrinhos


Em 1996 fiz minha primeira apresentação no Congresso Intercom de ciências da comunicação. No artigo "A ciência e a razão nos quadrinhos" comparei uma obra moderna, Flash Gordon, e uma obra pós-moderna, Watchmen, e identifiquei como a ciência era mostrada em cada uma. 
Para ler o artigo: http://www.portcom.intercom.org.br/…/1892e2989eee33d8479a02…

Os primeiros quadrinhos de Jornada nas Estrelas

 


Em 1967, a editora Gold Key adquiriu os direitos para adaptar para os quadrinhos o seriado Jornada nas Estrelas. A editora era especializada em adaptações, já tendo publicado gibis da Família Adams, Perdidos no Espaço, Zé Colmeia, entre outros.

Essa expertise, no entanto, não adiantou muita coisa no caso de Jornada. Os responsáveis pela produção da revista, o roteirista norte-americano Dick Wood e os desenhitas italianos Alberto Giolitti e Nevio Zaccara simplemente não viram nenhum episódio do seriado para produzir os primeiros números. Apenas receberam alguns cartões com as fotos e nomes dos personagens e começaram a produzir a partir disso.

Assim, embora as HQs fossem até inventivas e até bem escritas e desenhadas, eram bizarras por não terem relação nenhuma com a série na qual era baseada.

Spock, por exemplo, era emotivo e dado a frases como: “Coitado!”; “Vocês me salvaram, mereciam uma condecoração”; “Estaremos esperando ansiosamente, Capitão”.

Além disso, o grupo de descida (chamado de grupo de exploração) usa um macacão e mochilas, além de armas que lembram pistolas do velho oeste e lançam raios laser. Além disso, o tricorder era mostrado como um mecanismo de comunicação. Embora o desenho fosse bom, como não havia muita familiaridade com os atores, em alguns momentos fica difícil identificar quem é o personagem retratado. O único que é facilmente reconhecido é Spock, claro. Difícil errar na orelhas pontudas e no rosto singular de Leonard Nimoy. Para piorar, a maioria das histórias girava em torno de algum monstro do semana e tinha muito pouco a ver com a filosofia de Jornada.

Exemplo disso é a história da primeira edição, o Planeta da morte.



Nessa HQ, a entreprise chega a um planeta totalmente dominado por esplendorosa vegetação. Ao descerem, são atacados por uma planta canibal. A ideia é interessante: uma raça vegetal que tem aldeias, bichos de estimação (bolas de musgo) e captura animais para se alimentar.

Como não tinham assistido ao seriado, os quadrinistas não tinham a menor ideia do que era a primeira diretriz. Então a solução é simplesmente usar a enterprise para fritar o planeta com seus raios laser, eliminando toda a civilização vegetal. “Destruição! Um trabalho que precisava ser feito antes de continuarmos nosso trabalho de pesquisa”, dizia o texto final.

Posteriormente, a qualidade dos roteiros melhoraria muito com a introdução de nomes de peso, como Len Wein, mas esses primeiros números ficaram famosos exatamente pela falta de familiaridade com o material original.

No Brasil essa revista chegou em 1972 pela Ebal e seguia o modelo original, com fotos do seriado na capa. Essas edições podem ser baixadas aqui: http://guiaebal.com/hiper1.html

terça-feira, outubro 20, 2020

Legião Alien – um dia para morrer


A Legião Alien era uma das séries preferidas pelos leitores da saudosa revista Epic Marvel. A ideia de uma legião de soldados das mais variadas raças realizando missões impossíveis no espaço dividia espaço com ótima caracterizações de personagens, roteiro bem amarrado e desenhos e diagramação inovadores.  Todas essas qualidades podem ser observadas na história Um dia para morrer, publicada no número 15 da coleção Graphic Novel, da Abril.

A história começa com um instrutor contando a recrutas sobre a glórias da Legião e seu mais famoso representante, o Capitão Vektor, que, encurralado por milhares de inimigos, enfrentou-os bravamente com apenas quatro homens. Dele restou apenas o braço mecânico, mantido como relíquia no museu da Legião.



Em seguida, a narrativa pula para o Capitão Sarigar, que recebe a missão de assassinar o líder dos tecnóides (um grupo de pessoas que abdica de seus corpos de carne para se tornarem androides), intalar o caos na capital tecnóide e colocar no lugar um governo favorável à Galarquia.

E o grupo que executará essa missão não poderia ser mais disfuncional: um só pensa em lucros, o outro está amargurado por ter sido abandonado pela noiva, o outro entra numa crise de consciência por ter de organizar um assassinato a sangue frio. Cada um deles muito bem representado tanto visualmente, com seus corpos alienígenas, quando psicologicamente.

E a trama é muito bem bolada, com um enredo que ecoa diretamente a famosa frase do filme O homem que matou o fascínora: “Quando a lenda é mais fascinante que a realidade, publique-se a lenda”.

Retrato de August Gabriel Godfroy, de Chardin

Jean-Baptiste-Siméon Chardin foi um dos principais artistas do rococó, um estilo artístico cuja especialidade era a representação de momentos frívolos da nobreza ou da burguesia.
A especialidade de Chardin eram cenas cotidianas e domésticas: retratos, cenas domésticas, casais enamorados, crianças. Um de seus quadros mais famosos representa o filho de um banqueiro para o qual Chardin fez vários outros trabalhos. A obra mostra o garoto se divertindo com um pião em um momento de distração dos estudos. O pião representava a inconstância do caráter infantil e o equilíbrio instável entre as várias forças que governam o destino humano.
Esse tipo de pintura, com tema frívolo cairia em desuso com a revolução francesa, quando pintores neo-clássicos e altamente comprometidos com temas épicos e políticos se tornam a nova baliza para a arte.

Revista acadêmica publica artigo de Gian Danton sobre verossimilhança hiper-real

Meu artigo Verossimilhança hiper-real nos quadrinhos de Alan Moore foi publicado na revista Cajueiro. No artigo, eu analiso uma estratégia, usada por Alan Moore, para fazer com que seus quadrinhos pareçam reais a ponto de alguns leitores acreditarem que aquilo que é narrado aconteceu mesmo. Alguns exemplos: os anexos de Watchmen e a série 1963, que emula perfeitamente as revistas da Marvel na década de 1960.
A edição, totalmente dedicada aos quadrinhos, tem a colaboração de vários grandes nomes da pesquisa em quadrinhos no Brasil, como Gazy AndrausNatania A S Nogueira e Valéria Fernandes Da Silva.
Para acessar os artigos, clique no link:https://seer.ufs.br/index.php/Cajueiro/issue/view/1023 

Os quadrinhos de guerra

Na década de 1960 os super-heróis, que sempre foram as estrelas dos gibis, entraram em crise. Os editores começaram a procurar outros gêneros, que pudessem chamar a atenção da garotada. A E.C. acertou a mão com o terror, mas seu sucesso teve um fim com a perseguição dos conservadores norte-americanos. Outras editoras tentaram o gênero romântico, com algum sucesso.
      Uma das iniciativas mais interessantes foram os quadrinhos de guerra, um gênero muito bem explorado pela DC Comics na revista Our Army at War. Foi nessa revista que surgiu o Sargento Rock, o mais famoso herói de guerra dos quadrinhos. O personagem foi criado por Robert Kaningher, um veterano escritor e editor de gibis. Ele é tido com um dos mais prolíferos autores do gênero, tendo publicado e escrito histórias da Mulher-maravilha, Canário Negro, Besouro Azul e Capitão Marvel, mas ficou conhecido mesmo por seus heróis de guerra.
      Kaningher criou o sargento baseando-se no lutador Rocky marciano, um grande ídolo do boxe norte-americano. Rocky jamais perdeu uma luta e sua grande arma era a obstinação. A primeira história do sargento Rock mostra justamente ele como lutador, numa narrativa paralela à sua atuação na guerra. Por pior que estejam as coisas, por maior que seja a dor ou a adversidade, ele sempre está de pé, dizendo seu bordão: ¨Vamos, lute!¨.
      Para ilustrar essa pequena HQ, que se tornou antológica, Kaningher chamou Joe Kubert, um jovem desenhista, mas que já se tornara um referencial de qualidade no meio. Ele havia criado, por exemplo, os quadrinhos 3-D, que precisavam ser lidos com óculos especiais e foram uma grande febre na década de 1950, rendendo dinheiro o suficiente para que ele comprasse sua casa. Kubert tinha um traço elegante e inovador para a época. Sua arte-final suja casou perfeitamente com o personagem durão.
      A primeira história do personagem, intitulada apenas como Rock, foi publicada na revista G.I. Combate 68.
      Mas a estréia oficial se deu com a história A Rocha da Companhia Moleza (The Rock of Easy Co.), publicada na revista Our Army at War 81, de abril de 1959. Por alguma razão, Kurbert não assumiu o desenho, que acabou sendo feito por Ross Andru e Mike Esposito. Nessa história o sargento ganhou um batalhão, a companhia moleza, composta de vários personagens carismáticos.
      A partir daí o personagem virou a grande atração da revista, ao ponto do gibi mudar de nome para Sargento Rock, na década de 1970.
      A revista foi publicada por 11 anos, sendo descontinuada apenas em 1988. Mas, mesmo assim, o sargento e sua companhia continuaram fazendo aparições especiais em aventuras de outros personagens.
      Outra grande criação da dupla Kaningher-Kubert foi Ás Inimigo. Criado na década de 1970, o personagem era um aviador alemão da I Guerra mundial, um homem que tinha como único amigo um lobo da floresta.
      Os roteiros de Kaningher descreviam em detalhes as batalhas aéreas, as táticas dos pilotos e as regras que regiam o comportamento dos mesmos. Kubert não ficou atrás e pesquisou pesado para caracterizar o personagem: ¨Como sempre fazia, fui a bibliotecas e livrarias atrás delas. Procurei saber o máximo sobre batalhas aéreas da 1ª. Guerra Mundial. Eu queria que os leitores aceitassem o Ás Inimigo como algo realmente crível, assim como eu havia aceitado a premissa da história. Então estudei os interiores dos aviões, seus detalhes e sua construção. Onde a madeira era usada? Qual era a aparência do esqueleto do avião? Descobrir as respostas para essas perguntas ajudou-me a compreender melhor qual a sensação de voar naquelas máquinas antiquadas¨.
      O resultado disso é que, embora Kubert tenha feito vários personagens de sucesso, o Sargento Rock e o Ás Inimigo são sempre os mais lembrados pelos leitores.

segunda-feira, outubro 19, 2020

Livro O roteiro nas histórias em quadrinhos de graça no site da editora


 

Meu livro O roteiro nas histórias em quadrinhos está sendo disponibilizado de graça no site da editora Marca de Fantasia. A obra foi um dos primeiros textos publicados no Brasil sobre a atividade de escrita para quadrinhos e desde então se tornou bibliografia básica sobre o assunto. Para baixar, clique aqui

A flor de vidro


Em 1995, George Martin, autor de Guerra dos Tronos, era um desconhecido no Brasil. A apresentação de sua novela a flor de vidro, publicada na revista Isaac Asimov Magazine 4, dizia o seguinte: “George R.R. Martin escreveu vários episódios de Além da Imaginação e um conto seu, publicado em 1985, ganhou um dos prêmios nébula daquele ano e concorreu ao oscar da ficção científica, o troféu Hugo”. Ou seja: era só mais um autor publicado pela revista. Entretanto, sua novela ganhou destaque na capa e abriu a revista, reflexo direto da qualidade da narrativa.
Martin propõe uma trama interessante: um jogo da mente. Três jogadores disputam como prêmios corpos de três prisioneiros. Se forem vencendores, ganham o novo corpo. Mas os jogadores podem também disputar entre si – nada impede, por exemplo, que um assuma o corpo do outro. Da mesma forma, os prisioneiros podem escapar ilesos, ganhando a liberdade.
A narradora é a Sábia, a mestra responsável por comandar o jogo, que se vê diante de uma situação inusitada quando um androide resolve participar. O androide que afirma ser um lendário herói espacial.
A narrativa de Martin é minunciosa, focada principalmente na caracterização dos personagens e na construção lenta da trama (características também fundamentais em Guerra dos Tronos). Há também as elipses, momentos não contados da trama, que o leitor deve deduzir, outra característica dos livros sobre Westeros.
Há também um forte tom alegórico, a começar pela flor de vidro do título, que torna-se um símbolo de toda a discussão por trás da trama.
E, claro, uma referência óbvia: a coisa toda parece um enorme RPG.

O ruído na comunicação


 

Claude Shannon, o criador da Teoria da Informação, percebeu que a capacidade de transmissão de informações de cada canal era limitada. A partir de um certo ponto, a mensagem era dominada por ruídos.

              Os ruídos são, portanto, os elementos mais prejudiciais à transmissão de informações.
              Podemos definir como ruído qualquer elemento que atrapalhe o processo de comunicação.
              O termo “ruído”pode dar a entender que se trata apenas de um intruso sonoro, ou seja, um barulho. Nada mais falso. Qualquer coisa que atrapalhe o transporte da informação pode ser considerada ruído: um erro de impressão, chuviscos em uma mensagem televisiva, estática no rádio...
              Algumas vezes o ruído pode ser ocasionado por um problema no receptor. É o que o ocorre, por exemplo, com a surdez, total ou parcial. A velhinha surda do programa humorístico, que entende de maneira totalmente distorcida a fala dos outros personagens é uma ótima representação do conceito de ruído.
              Em algumas situações o ruído pode provocar uma perda total da mensagem. É o caso de um jornal que saia da gráfica totalmente empastelado. Em outras situações, ocorre apenas uma interpretação equivocada da mensagem. Décio Pignatari cita como exemplo do segundo caso a manchete do jornal O Estado de São Paulo, de 1976: “Bertioga vai ser eliminada”. Na verdade, a cidade seria iluminada.
              O ruído pode ser definido igualmente como algo que não faz parte da mensagem e, portanto, atrapalha a recepção. Assim, uma música clássica, ainda que agradável, é ruído para quem pretende ouvir uma conversa. Alguém falando é ruído para quem pretende assistir à televisão.
               É importante lembrar que a probabilidade de ruído está diretamente relacionada à característica do canal. Uma rádio AM sofre mais ruído que uma FM. Uma conversa ao telefone tem mais ruído que uma carta.
              Da mesma forma, as várias possibilidades de interrupção (telefone, filhos, visitas) fazem com que o vídeo-cassete tenha mais ruído que o cinema, no qual estamos numa sala isolada com a nossa atenção focada apenas no filme.
              Isaac Epstein lembra, no entanto, que o ruído pode se tornar um importante fator de reorganização do sistema.
              É o que acontece, por exemplo, na evolução biológica.
              As mutações nada mais são que ruídos na transmissão do código genético. Em geral esses ruídos provocam a criação de indivíduos monstruosos, totalmente inadaptados às condições ambientais. Mas se surge uma mudança no habitat, os mutantes podem ser a grande saída da espécie para continuar a existir.
              O caso das girafas é clássico e serviu de objeto de debate entre os cientistas do século XIX.
              Lamarc sustentava que as girafas, de tanto esticar o pescoço para alcançar as folhas mais altas, iam encompridando o mesmo e essa característica era transmitida aos herdeiros.
              Darwin demonstrou que o processo era totalmente aleatório e ocasionado por um ruído genético. Entre as várias girafas surgiu uma mutação de pescoço mais comprido. Devido às novas características ambientais (provavelmente uma seca), essa espécie pôde se alimentar melhor, comendo as folhas do topo das árvores. Assim, melhor alimentada que as outras, ela se reproduziu mais, transmitindo aos filhotes suas características genéticas.
              Muitas vezes, a criação de coisas novas surge de um processo de ruído. O champanhe, por exemplo, foi um vinho que fermentou.
              Há de se destacar também a importância dos ruídos nas mudanças sociais.
              O movimento hippie, quando surgiu, era um ruído para a sociedade da época.
               No entanto, não fosse o movimento hippie, talvez hoje não estivéssemos tão preocupados com questões essenciais para a sociedade atual, como a ecologia.
              Na época do surgimento do movimento, o mundo ocidental estava tão envolvido com a euforia do consumismo que não atentou para a tendência entrópica desse fenômeno.Se a sociedade continuasse como estava, as cidades se tornariam locais completamente não funcionais, as florestas seriam totalmente destruídas e em breve estaríamos em cidades completamente caóticas, sem recursos naturais disponíveis.
              Claro que não vivemos em um mundo perfeitamente ecológico, mas hoje até políticos conservadores falam da importância de se preservar as florestas e reciclar materiais que degradam a natureza.
              Os ruídos também são importantes na construção de novos paradigmas científicos. Segundo Thomas Khun, as revoluções científicas ocorrem quando os cientistas novos começam a pesquisar anomalias, fenômenos que eram considerados até então ruídos, erros de observação.
              A teoria de Kepler, de que a órbita dos planetas era elíptica, surge justamente da observação de um desvio de rota dos planetas, que até então era considerado um erro de observação.
              Isaac Newton, ao fazer a luz passar por um prisma e decompô-la em todas as cores do arco-íris, descobriu que cada cor separada é pura, sendo que o branco é uma mistura delas.
              Até então se achava que as cores surgiam de uma mistura de preto e branco. A experiência de Newton era um ruído para a ciência da época.
              Da mesma forma, a teoria do caos, ao prestar atenção na irregularidade dos fenômenos, estuda justamente aquilo que, para a ciência clássica, era apenas um ruído.
              Não é por outra razão que os cientistas revolucionários são constantemente desprezados e perseguidos pelos colegas.
              Esse estado de coisas é exemplificado pela reclamação de Galileu Galilei:

              “Eu nunca pude entender de onde originou-se o fato de que tudo aquilo eu dos meus estudos achei conveniente publicar, para agradar ou servir aos outros, tenha encontrado em muitas pessoas uma certa animosidade em diminuir, defraudar e desfraudar aquele pouco valor que, se não pela obra, ao menos pela minha intenção, eu esperava merecer”. (O Ensaiador in Galileu e Newton, coleção Os Pensadores).