terça-feira, abril 25, 2017

O que eram os protocolos dos sábios de Sião?

Os protocolos dos sábios de sião é um texto falso, redigido na época da Rússia Czarista, que descrevia um projeto de dominação mundial por parte dos judeus. Segundo o livro, o texto seria a ata de uma reunião ocorrida a portas fechadas na Basiléia no ano de 1807, na qual vários maçons, judeus, bolcheviques e rosacruzes teriam se reunido para elaborar um plano de destruição do cristianismo.
Entre os planos estavam explosões em cidades européias e inocular tifo em chefes de estado. Quando o mundo estivesse totalmente dominado, esses grupos iriam estuprar as mulheres cristãs e escravizar seus maridos.
Desde sua primeira publicação, várias investigações foram feitas e todas demonstraram que se tratava de uma fraude. Um artigo no The Time of London, de 16 a 18 de agosto de 1921 demonstrou que o texto era plágio de vários outros textos, entre eles sátiras políticas, como O diálogo no inferno entre Maquiavel e Montesquieu, de Maurice Joly. A inovação ficou por conta do caráter anti-semita do texto.
O quadrinista Will Eisner realizou uma extensa pesquisa sobre o assunto, publicada na graphic novel O complô.  Na HQ, Eisner mostra que a origem do texto se deve a uma intriga política na Rússia.

Os protocolos foram o principal argumento usado pelos nazistas para justificar o extermínio de judeus. 

Grafipar, a editora que saiu do eixo


No final da década de 1970, Curitiba se tornou a sede da principal editora de quadrinhos nacionais. A produção era tão grande que se formou até mesmo uma vila de quadrinistas. No livro Grafipar, a editora que saiu do eixo, eu conto em detalhes essa história. O livro inclui também algumas HQs publicadas na época e análise das mesmas.
Pedidos: profivancarlo@gmail.com.

Horror em Dunwich


segunda-feira, abril 24, 2017

Hitler gostava de futebol?

Aparentemente não. Ele não costumava ir aos estádios assistir aos jogos, mas mesmo assim tentou usar o jogo como instrumento de propaganda política. A crise mundial de 1929 quebrara a Federação Alemã de Futebol (DFB) e o ditador se ofereceu para ajudar financeiramente à instituição. A idéia era divulgar a superioridade da raça alemã através de vitórias no futebol.
Um dos que mais colaboraram nesse processo Joseph Herberger. Apesar de conhecer as atrocidade cometidas pelo regime nazista, eles sempre defendeu o regime, pois queria tornar-se técnico da seleção, o que conseguiu em 1937. Herberger continuou no cargo após a II Guerra e chegou a ganhar a copa do mundo de 1964.
Outro exemplo de como o regime nazista tinha interesse no futebol foi o caso do atacante austríaco de origem judia Matthias Sindelar. Ele era tão magro que os austríacos o conheciam como Der Papiereme (Homem papel), mas jogava um bolão. Quando Hitler anexou a Áustria, vários jogadores passaram para o time alemão, mas Matthias se recusou. A recusa o colocou numa situação difícil: ficava claro que, além de judeu, ele era uma adversário do nazismo.
No jogo comemorativo pela unificação da Áustria e a Alemanha ele protestou errando vários gols até marcar um na vitória de 2 a 0 do time austríaco Ostmark sobre o alemão Altreich.

Tal atrevimento não poderia ficar impune e ele logo foi encontrado morto em um hotel, envenenado por monóxido de carbono. A maioria dos historiadores acredita que ele foi morto pela polícia secreta nazista.   

O uivo da górgona - parte 43


43
O grupo encontrou sabonete, xampu e outros itens de higiene nos banheiros. Quando terminaram, desceram para a sala de estar.
Roberto e Zulmira haviam cuidado do almoço, que já estava pronto quando o grupo desceu.
Zulmira antipatizara totalmente com Roberto e até mesmo o arroz fizera questão de preparar separadamente. Essa separação se refletia na mesa: de um lado, um grande prato de carne assada, sala de batatas, arroz e farofa; do outro, arroz e uma mistura de batata com batata doce e salada.
O grupo simplesmente ignorou a parte vegetariana e atacou a carne. Apenas a pequena Sofia, talvez por solidariedade, se serviu da comida feita por Zu.
- Vocês têm ideia de quanto esses animais sofreram que vocês comessem essa carne? – indagou Zulmira. Já ouviram falar de pocilga de sequestro? Os porcos são colocados num mesmo ambiente. Eles vêm os outros sendo mortos e tentam fugir.
- Eu já ouvi falar disso. Hoje em dia se aplica um choque neles para que não sofram. – disse Roberto.
- O choque é insuficiente, porque um choque maior queimaria a carne e isso diminuiu os lucros. A maioria recobra a consciência quando estão sendo sangrados. É como se alguém entrasse nesta sala e começasse a nos matar um a um...
Alan bufou:
- Você está ficando louca? Ninguém vai nos matar um a um. O perigo está lá fora.
- Alguns de vocês viram zumbis comendo pessoas. Qual a diferença de nós comendo animais?
- Zulmira, você está passando dos limites. – decidiu Edgar. Estamos comendo.  Não é uma boa hora para falar desse tipo de coisa...
- Além disso, esses animais já estavam mortos quando começou a coisa toda. – completou Alan. O melhor que podemos fazer é comer essa carne deliciosa...

Zu silenciou e dedicou-se ao seu prato de comida... 

Esquadrão Atari

            
Em 1984, a editora DC lançou uma versão em quadrinhos baseada nos jogos de vídeo-games da Atari. Não era a primeira adaptação de games da Atari, mas esse estava destinado a entrar para a história como um dos melhores trabalhos da era de bronze dos quadrinhos. A equipe criativa era composta por dois grandes nomes dos comics: o roteirista Gerry Conway e o desenhista José Luis Garcia Lopes.
            Gerry Conway, nascido em 1952, começou a escrever quadrinhos ainda na juventude com histórias para revistas de histórias curtas da DC Comics, como a House of Secrets, mas seu grande sonho era trabalhar com um título de super-heróis. Graças a um amigo, ele conheceu Roy Thomas, editor da Marvel, lhe entregou um argumento e pediu que ele desenvolvesse. Roy gostou do resultado e, com 19 anos, Conway foi efetivado no cargo de roteirista oficial do Homem-aranha.
            Apesar de inseguro no início (as primeiras histórias eram co-escritas com o desenhista do título, John Romita Senior), Conway logo se destacou e acabou escrevendo algumas das mais importantes histórias do aracnídeo na década de 1970, entre elas a controversa morte de Gwen Stacy. Conway foi também, junto com o desenhista Ross Andru, responsável pela criação do Justiceiro, que surgiria como personagem secundário na série do Aranha, mas se tornaria um dos mais populares da Marvel na década de 1980.
            Em meados da década de 1970, ele foi contratado pela DC, onde faria o primeiro crossover entre as duas maiores editoras do mercado norte-americano: o encontro de Superman e homem-aranha.
            José Luis Garcia Lopez nasceu na Galícia, mas mudou para a Argentina ainda jovem, onde leu muito quadrinho norte-americano, especialmente os trabalhos de Alex Raymond e Roy Crane.
            Indo para os EUA, Garcia Lopes substituiu Joe Kubert na revista Tarzan, o que acrescentaria mais uma influência seu traço, já que na época era comum um desenhista que entrava num título imitar o anterior, para os leitores não sentirem o impacto da mudança.
               Depois de trabalhar para a Charlton, ele se fixou na DC Comics, onde desenvolveria um dos traços mais dinâmicos e bonitos dos comics americanos. Seu visual do Super-homem atlético praticamente redefiniu a imagem do Homem-de-aço. Uma das imagens mais famosas, do personagem arrebentando correntes com a simples flexão dos músculos do peito, é de autoria de Garcia Lopes.
Garcia Lopes foi responsável pelo traço do segundo grande encontro da década de 1970: entre o Hulk e Batman, com roteiro de Len Wein.
Esquadrão Atari juntava, portanto, dois dos nomes mais importantes da era de bronze dos quadrinhos americanos. E ambos não decepcionaram. A primeira história mostrava personagens bastante originais: os mercenários Dart e Blackjack, o gigante bebê, que é seqüestrado de seus planeta natal, a telepata Morféa, vinda de uma civilização em que as crianças são criadas sem identidade (e sempre se refere a si mesmo como “este ser”), o ladrão Paco Rato, o rapaz Tormenta, que tem a  capacidade de se teleportar e seu pai, Martin Champion, um homem obcecado com a idéia de que o universo está sendo ameaçado por uma força poderosíssima chamada Destruidor Negro. Esse time improvável irá se juntar, alguns contra a vontade, para salvar o universo.
Embora a primeira história fosse essencialmente uma apresentação de personagens, ela já apresentava algumas das mais interessantes características da série: a ação vertiginosa e o suspense muito bem trabalhado. A estrela dos primeiros números é Dart, que junto com seu namorado Blackjack vão cobrar uma dívida e são atacados por um exército, mas conseguem escapar. A sequência inicial mostrava os dois lutando contra os soldados do general Ki numa página dupla que é um dos momentos mais clássicos dos quadrinhos da era de bronze. Dart e Blackjack estão no quadro maior, que é invadido por uma mão vinda de fora do quadro, apontando uma arma para Dart. Na sequência lateral, a heroína nocauteia o dono da mão. Ali estão os elementos que fariam de Garcia Lopes um dos desenhistas mais requisitados para capas: a composição inovadora, o dinamismo e o perfeito domínio da anatomia.   
Se Garcia Lopes tinha perfeito domínio da parte visual, Gerry Conway se revelou um mestre do roteiro, com uma ótima caracterização de personagens, narrativas paralelas, e uma trama muito bem costurada. Os dois, inclusive, voltariam a se encontrar anos mais tarde, na minissérie Cinder e Ash, com grande sucesso.
A dupla foi responsável pelo título até o número 12. O número 13 contou com roteiro de Conway e desenhos do estreante Eduardo Barreto, que emulava o estilo de Garcia Lopes. No número 14 a equipe se modificou completamente com a entrada de Mike Baron no texto. Ainda assim a revista continuou com um bom nível de qualidade até o número 20, quando a trama finalmente fechou.

No Brasil, Esquadrão Atari era uma das principais atrações de revistas como Herois em Ação e Superamigos. Infelizmente, questões de direitos autorais com a Atari fizeram que com essa série não fosse republicada, razão pela qual poucos leitores da nova geração conhecem essa obra-prima da ficção-científica. 

Asterix e sua tribo


domingo, abril 23, 2017

O que é o mito ariano?

O mito da raça ariana surgiu no século XIX, quando etnológos propuseram que todos os povos europeus brancos eram descendentes de um povo denominado ariano.
Essa idéia foi usada por diversos teóricos do colonialismo, numa época em que era interessante a idéia de um raça superior às outras. Entretanto, nenhuma dessas correntes deu ao conceito o aspecto macabro do nazismo. Para os nazistas a raça ariana não só era a superior, mas era também a única com direito à existência. Raças indesejadas, como ciganos e judeus, deveriam ser eliminadas e pessoas resultantes da mistura de raças deveriam ser escravas dos arianos.
O mito ariano tem uma relação estreita com as idéias de Herbert Spencer de sobrevivência do mais forte. Entretanto, esse conceito não se encaixa na idéia original de Darwin que dizia não ser a mais forte ou melhor raça a sobreviver, mas a mais adaptada ao seu meio naquele momento.
Um autor importante para as idéias nazistas foi Huston Chamberlain, genro de Wagner. Em sua obra "Fundamentos para o século XX", de 1899, ele disse que a raça superior ariana ainda estava intacta na Alemanha e no Norte Europeu.


Tornou-se popular a idéia de que os arianos germânicos, os mais puros, de acordo com a propaganda nazista, deveriam ser loiros, de olhos azuis e testa alta. Entretanto, muitos dos principais nazistas não se encaixavam nesse padrão. Hitler era baixo e tinha cabelos escuros, embora seus olhos fossem claros. Josef Mengele, possuía olhos e cabelos escuros e Joseph Goebbels, estava longe de ser um exemplo de físico Nórdico em todos os sentidos. 

O uivo da górgona - parte 42


42
O grupo passou por uma porta fechada. Alan colocou a mão na fechadura, mas Roberto o impediu:
- Essa porta dá acesso ao porão, que estava em reforma quando começou tudo isso. Peço que não entrem aí. Há pregos e madeiras espalhadas e não tenho lâmpadas. Alguém pode se machucar.
- Desculpe-me. – disse Alan.
- Oh, não há nenhuma razão para se desculpar. – garantiu Roberto, com um sorriso. Vamos subir para o segundo andar? É lá que ficam os quartos. Não sei se tenho quartos para todo mundo. Espero que não se importem de ficar dois em um quarto.
- Você diz isso porque não sabe o que passamos. Depois de toda a confusão dos últimos dois dias eu dormiria até num canil.
Roberto riu e foi acompanhado pelo resto do grupo. Apenas Zu não riu.
                - Isso deve ter custado uma fortuna! – exclamou Alan.
Estavam num corredor no andar superior. Havia dormitórios dos dois lados e um no final, o maior deles. Os quartos eram amplos, tinha televisão com DVD e banheiros internos.
Roberto sorria.
- E o melhor é que todos os quartos têm isolamento acústico. A não ser que um de vocês resolva passear lá fora, estarão seguros aqui...
Zu chamou Edgar para um canto:
- Que razão um de nós teria para passear lá fora sozinho?
Edgar olhou-a, severo:
- Zulmira, você está passando dos limites.
Depois desceram para a cozinha. Havia uma geladeira e dois freezers. Um deles estava repleto de carne.
- Como tenho energia elétrica, assim que aconteceu a coisa, fui em mercados e peguei carne para estocar.
Zulmira e Jonas e aproximaram para ver.
- Cadáveres. – comentou Zu.
Roberto pareceu desconcertado:
- Cadáveres? Como...?
- Ela é vegetariana. – esclareceu Alan.

- Oh, sim. – suspirou Roberto. Tenho também muitas verduras. Não é por isso que vão passar fome... 

Nas montanhas da loucura


sábado, abril 22, 2017

O que aconteceu com os cientistas judeus na Alemanha?

A maioria fugiu, a exemplo de Albert Einstein, que foi para os EUA em 10 de março de 1933, logo no início do regime nazista.
A situação desses cientistas ficou bem clara em 6 de maio de 1933. Nesse dia, Max Planck, um dos cientistas mais importantes da época e pai da física quântica, teve uma reunião com Hitler. Ele queria evitar a demissão do químico Fritz Haber, de origem judia. Haber havia sido um dos principais responsáveis pelo uso de produtos químicos na I Guerra Mundial. Além disso, a técnica de fixação da amônia a partir do nitrogênio, inventada por ele, permitiu a criação tanto de explosivos quanto de fertilizantes baratos.
Planck argumentou que existiam diversos tipos de judeus, alguns valiosos e outros inúteis para a humanidade e que Haber estava entre os que eram valiosos. Hitler ficou histérico e começou a berrar, tremendo de raiva: “Se a ciência não pode passar sem os judeus, teremos que passar sem a ciência”.

Era a sentença de morte para todos os cientistas de raças indesejáveis que continuassem na Alemanha. Muitos do que fugiram para os EUA iriam contribuir para que aquele país fosse o primeiro a desenvolver a bomba atômica. 

PassaVida

Messias Indeciso - Raul Seixas

O uivo da górgona - parte 41


41
Havia uma pessoa ali, um homem de cerca de trinta e cinco anos. Vestia uma calça jeans e tênis e uma camisa gola polo. Estava entrando em uma casa e o portão automático fechava-se. Era uma pessoa normal e não tinha visto eles!
Jonas começou a gritar e Edgar levou algum tempo para entender que o outro estava tentando chamar atenção do desconhecido.
- A buzina! – gritou Alan, lá atrás.
Edgar acelerou enquanto pressionava a buzina. Mas quando pararam ao lado do portão, ele havia se fechado, escondendo o interior
Olharam à volta: era um muro imenso, de mais de três metros. Havia câmeras lá no alto. Olhos cegos, pensou Edgar. Não funcionam sem energia. Mas espantou-se ao ver que elas se movimentavam.
Então o portão se abriu com um estalo.
O enorme portão de metal foi se abrindo lentamente, revelando um amplo quintal. O proprietário deveria ter comprado dois terrenos para a casa. O chão da garagem era todo de granito. Havia um carro branco ali, mas teria espaço para pelo menos dois outros veículos. O homem estava lá, em pé, com o controle na mão e um sorriso no rosto.
- Nossa, vocês não têm ideia de como estou feliz de ver pessoas normais!
Edgar ficou lá, parado e abismado. O portão abrindo, as câmeras se mexendo, as luzes acesas... aquela casa tinha energia!
- Melhor vocês entrarem. É perigoso deixar o portão aberto tanto tempo.
Edgar manobrou para dentro da garagem e o homem fechou o portão o mais rápido possível. Quando os sobreviventes saíram, ele estava lá, um sorriso radiante no rosto, as roupas escrupulosamente levadas e passadas, os tênis brancos.
No meio de toda a confusão dos últimos dias, Edgar sentia-se um trapo. Provavelmente sua roupa estava suja e amarrotada e ele duvidava que seu rosto estivesse melhor. Assim, ver aquele homem era quase como encontrar uma criatura dos sonhos.
- Sejam bem-vindos. – disse ele. Eu sinceramente achei que todos tinham se transformado naquelas coisas. É muito bom ver pessoas normais.
O grupo desembarcou e, ao ver a menina, o homem se abaixou para cumprimentá-la:
- Uma criança! Qual é o seu nome, menina?
Sofia não respondeu. Olhou para o homem e depois para Edgar.
- Ela é surda. – explicou o professor.
- Surda? – repetiu o homem. Isso explica porque ela não se transformou...
O homem se levantou e fez um carinho da cabeça de Sofia:
- Seja bem-vinda, menina. Aqui você está segura.
Edgar adiantou-se e apertou a mão do desconhecido:
- O nome dela é Sofia. O meu é Edgar.
- Prazer em conhece-lo, Edgar. Meu nome é Roberto.
Edgar apontou à volta:
- Estou impressionado. Achei que a energia tivesse caído em toda a cidade.
- E caiu. – respondeu Roberto. Eu tenho um gerador de energia movido a óleo diesel. Enquanto a cidade tiver combustível, teremos energia. E ainda existem vários postos por aí, apesar de um deles ter explodido ontem...
- Nós passamos pelo posto. Havia muita gasolina derramada. O sol deve ter feito o resto... 
- Entendo.
O grupo foi apresentado e Roberto convidou todos a entrarem em sua casa. Era uma casa limpa e asseada, elegante. As paredes eram grossas:
- Toda a casa tem isolamento acústico. Por isso eu não me transformei numa daquelas coisas quando soou o... que nome dar para aquilo?
- Edgar chama de uivo da górgona. – explicou Jonas.
- É justo. – disse o outro, após alguns minutos de reflexão. Vamos, entrem.
O grupo foi entrando, meio abismado com tudo. Sofia acercou-se, maravilhada, de uma televisão.
- Nenhum canal está pegando, mas posso colocar desenhos animados e jogos. Ela gosta, não gosta?
Edgar deu de ombros:
- Eu realmente não sei.
- Vamos descobrir. Aqui tenho tudo. Energia, comida, isolamento acústico. Aqui estarão seguros e alimentados. Venham, vou lhes mostrar o resto da casa.
O grupo o seguiu, mas Zulmira puxou Edgar na direção oposta:
- Tem alguma coisa errada nisso tudo.
- Como assim? – perguntou Edgar.
- Eu realmente não sei. Mas tudo isso está bom demais. Perfeito demais. De repente achamos alguém que nos dá tudo que precisamos. Não acha isso estranho?
- Eu ainda não vi motivos para desconfiar de Roberto. Ele parece muito simpático e nitidamente está muito feliz de ver pessoas que não se transformaram em zumbis.
- Esse é o problema. – garantiu Zu. Ele é simpático demais. Parece um ator numa propaganda. E tem mais uma coisa: por que ele fez isolamento acústico na casa toda? Você tem ideia de quanto deve ter custado isso?
- Eu sei muito bem. Fazer apenas no meu quarto já foi caro. Mas ele parece um homem rico e deve gostar de silêncio. Eu e você não gostamos da barulheira. Deveríamos ser os primeiros da dar razão a ele.
- Ainda assim...
Edgar virou-se na direção do grupo:
- Começo a achar que você é paranoica.

Zu deu um longo suspiro e seguiu o professor, resmungando. 

Xuxulu toma banho


O Mestre do Kung Fu

          
  Na década de 1970, a grande moda eram as artes marciais. No cinema, os filmes de Bruce Lee eram sucesso de bilheteria. Na televisão, a série Kung Fu, com David Carradine (o “pequeno gafanhoto”) ganhava cada vez mais fãs. Não ia demorar muito, portanto, para que essa mania chegasse aos quadrinhos.
            A Marvel lançou o super-herói Punhos de Ferro, enquanto a DC lançou O Dragão do Kung Fu, sem falar nas pequenas editoras, que também publicaram revistas para aproveitar a febre. Mas o personagem mais famoso e mais emblemático dessa onda seria Mestre do Kung Fu, criado por Steve Englehart (roteiro) e Jim Starlin (desenhos).
            Os dois procuraram o editor-chefe da Marvel, Roy Thomas, com a proposta de adaptar para os quadrinhos o seriado de TV. Thomas lembrou que a série pertencia à Warner Bros, dona da DC. Então, ao oferecer a proposta para a Warner eles não só receberiam um não, como ainda dariam uma ótima idéia à DC Comics. Mas a editora do Super-homem já estava pensando em adaptar o seriado. Roberto Guedes, no livro A era de bronze dos super-heróis conta que Denny O´Neil teria alertado o Publisher da DC, Carmine Infantino,sobre a possibilidade da Marvel lançar esse material. “Não se preocupe. Se a Marvel lançar o Kung Fu, nós fazemos o Fu Manchu”. Fu Manchu era um vilão clássico dos pulp fiction (revistas baratas de contos, muito populares até a década de 1930). Roy Thomas ficou sabendo disso e resolveu comprar os direitos do personagem, transformando Fu Manchu no pai do herói da série.
            Assim, a revista em quadrinhos contava a história de Shang-Chi, um jovem mestre nas artes marciais, criado como uma arma viva por seu pai, Fu Manchu, que pretendia usá-lo para dominar o mundo. Ao descobrir as intenções de seu pai, Shang-Chi foge e se alia à agência britânica de espionagem, a MI-6, onde conhece aquela que seria sua namorada, Leiko Wu.
            A história estreou na revista Special Marvel Edition, 15 que passou a se chamar Master of Kung Fu a partir do número 17 por conta da popularidade do personagem.
            Embora Shang-chi tenha sido criado por Steve Englehart, foi Dough Moench que se estabeleceu no título, escrevendo as mais importantes histórias. Com a entrada de Paul Gulacy, estava formada a dupla favorita dos fãs.
            Gulacy tinha um traço fotográfico que espantou os fãs. Para tornar o trabalho mais realista, ele conseguiu uma cópia do filme Operação Dragão, projetou numa tela e fotografou as cenas congeladas. Assim, o personagem ficava com a cara de Bruce Lee.
            Gulacy desenhou a revista até o número 50, quando foi substituído por Jim Craig. Como este não conseguia cumprir os prazos, foi substituído por Mike Zeck.
            Mike Zeck costumava errar muito em anatomia e não tinha o traço fotográfico de Paul Gulacy, mas trouxe outras qualidades para a série. Seu desenho era fluido e elegante, e combinava muito bem com a nova fase do personagem, mais introspectiva. Depois das sagas centradas nas aventuras de espionagem, o gibi começou adentrar na filosofia zen budista e a explorar mais as relações entre os personagens.
            Esse foco ousado para um gibi de luta fez com que Mestre do Kung-Fu se destacasse de todas as revistas do gênero e durasse até o número 125, superando em muito o modismo das artes marciais. O último número, seguindo a linha introspectiva introduzida por Moench, mostrava o personagem se aposentando para se dedicar à filosofia oriental.

            Sem dúvida, a revista foi um dos grandes momentos da Era de Bronze dos quadrinhos americanos.  

sexta-feira, abril 21, 2017

Existiu uma oração a Hitler?

Sim. Na época do III Reich o culto a figura do fuhrer chegou a tal ponto que era comum comparar Hitler com Jesus, vendo-o como Messias enviado por Deus para salvar a Alemanha.
Essa comparação chegou ao seu cúmulo na criação da oração a Hitler. Essa oração era rezada por crianças de orfanatos e consistia das seguintes falas:

Führer, mein Führer, von Gott mir gegeben, beschütz und erhalte noch lange mein Leben
Du hast Deutschland errettet aus tiefster Not, Dir verdank ich mein täglich Brot
Führer, mein Führer, mein Glaube, mein Licht
Führer mein Führer, verlasse mich nicht.

A tradução aproximada a reza seria algo como:

Führer, meu Führer, que me foste dado por Deus, protege-me e mantém-me vivo por muito tempo.
Salvaste a Alemanha da mais profunda miséria, a ti te devo o meu pão de cada dia
Führer, meu Führer, minha fé, a minha luz

Führer meu Führer, não me abandones.

Família Titã


No inicio da década de 1990, o desenhista Joe Bennett ainda não tinha iniciado sua vasta produção para o mercado norte-americano de super-heróis, no qual atuaria com personagens como Batman, Homem-Aranha, Thor e tantos outros. Ele ainda assinava seus trabalhos como Bené Nascimento.
Na época, um segmento que andava em alta era o de quadrinhos eróticos, e Bené tinha total liberdade de criação para realizar seus trabalhos para a Editora Sampa. Foi nessa fase que ele, em parceria com o escritor Gian Danton, produziu diversas HQs focadas no horror e na fantasia.
A Insólita Família Titã foi publicada nessa época em diversas revistas eróticas (numa tiragem total de mais de 150 mil exemplares), e ganhou muitos fãs, além de ter conquistado novos adeptos a partir do ano 2000, quando foi difundida na Internet.
Em 2014 a editora Opera Graphica relançou a história no formato de álbum de luxo, com textos sobre a importância da história e biografia dos autores, além de mais uma HQ, Powers, tornando-se um item de colecionador para os fãs dos super-heróis brasileiros.
Valor: 25 reais, frete incluso. 
Pedidos: profivancarlo@gmail.com.  

Xuxulu acorda de mal-humor


quinta-feira, abril 20, 2017

Quem era o mais famoso espião nazista?

O mais famoso espião nazista era conhecido pelo codinome  de Cícero, alcunha do turco Elyesa Bazna, criado doméstico do embaixador inglês na Turquia Sir Hughe Knachbull-Hugessen.
Quando o embaixador dormia, muitas vezes embriagado, ele entrava em seu quarto e mexia em sua pasta, fotografando documentos sigilosos dos ingleses sobre a guerra.
Seu verdadeiro patrão era o vienense Moyzisch, adido comercial junto à Embaixada alemã, dirigida por Von Papen, mas na verdade Coronel da Gestapo ou da SS.
Cícero aproximou-se do coronel nazista graças ao seu fraco por mulheres. Baixo e feio, ele precisava de dinheiro para sustentar suas amantes. Assim, ele repassava de dia para Moyzisch muitos dos segredos de guerra fotografados durante a noite em troca de 300 mil libras esterlinas.
Sua perdição foi seu gosto por mulheres. Um dia, ao encontrar-ser com o coronel nazista, viu ao seu lado a secretária, um bela moça, Cornélia Kapp. Não resistiu e passou longo tempo conversando com ela. Para impresioná-la contou que era o famoso espião nazista. Não sabia que a jovem era uma espiã a serviço do secreto norte-americano.
Depois de uma discussão com Moyzisch, a jovem Cornélia fugiu, indo se refugir entre os norte-americanos e revelando o segredo sobre a identidade de Cícero. Alertado, Elyesa pediu demissão e fugiu, levando consigo as 300 mil libras esterlinas.
Começou a vender carros usados e depois tornou-se empreiteiro, construindo na Turquia um luxuoso hotel, no estilo Hilton.
Mas se Cícero foi o mais famoso espião nazista, foi também o mais enganado. Acontece que Moyzisch o havia pago com libras falsas.
Esse dinheiro fazia parte de um plano nazista para derrubar a moeda inglesa, injetando moedas falsas em países neutros, como a Turquia. Depois desistiram da idéia e usaram esse dinheiro para pagar o espião.
Os ingleses rastrearam o dinheiro de pagador em pagador e finalmente chegaram a Cícero, que ficou sem um tostão e ainda teve de aturar a desilusão de ver sua amante grega ir embora.
Essa foi apenas a primeira vez que Cícero foi enganado por Moyzisch. Pouco tempo depois, o coronel escreveu e publicou um livro intitulado Operação Cícero, de enorme sucesso. Elyesa Bazna não levou um tostão. Depois o livro foi transformado em filme e o espião procurou o diretor, que o expulsou achando que se tratava de um louco.

Em 1968 Cícero apresentou-se em um programa de televisão dizendo-se paupérrimo e reclamando do governo alemão 250 milhões de marcos por serviços prestados durante a guerra. Não recebeu um tostão. 

Não existe pré-projeto de pesquisa



A palavra projeto vem do latim “projectu”, que significa lançar para a frente. Ou seja, é algo que ainda não existe, é algo que está sendo projetado, que só existirá concretamente no futuro.
Em ciência, projeto significa um planejamento da pesquisa, com tema, delimitação, problema, hipótese, metodologia etc. O futuro do projeto dará origema algo pronto, seja um artigo, uma monografia, uma dissertação de mestrado, uma tese.
No entanto, de uns tempos para cá tornou-se comum usar a expressão ‘pré-projeto” de pesquisa. Como é necessário nomear o projeto final, passaram a usar projeto para o resultado da pesquisa. Assim, a monografia vira um projeto, subvertendo completamente o sentido da palavra “projeto”. Se está pronto, não pode ser projeto.
A situação é tão bizarra que dia desses um amigo arquiteto disse que ia me mostrar o projeto de um prédio. Achei que fosse uma maquete, ou uma planta baixa. Cheguei lá era o prédio pronto.
Provavelmente, em algum momento alguém leu um projeto de pesquisa e comentou que estava tão ruim que não era nem um projeto, mas um pré-projeto, ou seja um esboço. Alguém ouviu, achou a palavra bonita e pensou que fosse um elogio. E aí começou a confusão de se chamar o produto final de projeto e o que vem antes de “pré-projeto”.

Então, crianças: não existe pré-projeto. Se ainda não está pronto, se é apenas um planejamento, é projeto. E o produto final é o produto final, não um projeto, seja uma monografia, uma dissertação ou um edifício.  

Galeão


Galeão é uma obra de fantasia histórica escrita por Gian Danton que se passa em algum lugar do Atlântico, no século XVII.

Depois de uma noite de terror, em que algo terrível acontece, os sobreviventes descobrem que estão em um navio que não pode ser governado e repleto de mistérios. A comida está sumindo, alguém está cometendo assassinatos, uma mulher é violentada e o tesouro do capitão parece ter alguma relação com todo o tormento pelo qual estão passando.

Galeão mistura vários temas da ficção fantástica e outros gênero numa trama policial, já que um psicopata parece estar agindo entre os sobreviventes. A história torna-se, assim, um quebra-cabeça a ser desvendado pelo leitor.

Valor: 25 reais - frete incluso. 

Pedidos: profivancarlo@gmail.com. 

O uivo da górgona - parte 40


40
- Estão cada vez mais próximos! – avisou Jonas.
- Melhor ir embora. Não é seguro aqui. – pediu Alan.
Edgar olhou no relógio. Tinha prometido quinze minutos para Zu e, apesar do perigo, queria cumprir a promessa.
- Entrem no carro. Vou esperar de motor ligado.
O professor ligou a chave e olhou novamente o relógio. O urro dos zumbis estava cada vez mais próximo.
Faziam exatamente quatorze minutos do prazo quando Zulmira apareceu na esquina. Segurava a galinha nos braços e corria, desesperadamente. Assustada, Pimpinela cacarejava, mas era impossível ouvi-la, tamanha era a balbúrdia da horda.
- Ela não vai conseguir. Estão perto demais! – avisou Alan, lá atrás.
Edgar engatou a primeira e saiu com o carro.
- Você vai....? – perguntou Jonas, ao seu lado.
- Vou resgatá-la. Preparem-se para abrir a porta de trás.
Ao contrário do que se esperava, o carro foi na direção da horda. Passou por Zulmira e fez a volta. Alan abriu a porta.
- Entre! – gritou Edgar.
Zu entrou e a menina ao seu lado abriu um sorriso de felicidade.
Mas esse pequeno espaço de tempo foi suficiente para que a multidão se aglomerasse ao redor deles.

Edgar engatou a primeira e tentou sair. Mas não conseguiu. A multidão aglomerara-se à frente do carro, como uma verdadeira parede humana.
- Pisa fundo! – pediu Jonas.
- Estou no máximo!
Os zumbis gritavam e batiam na lataria do carro. Um deles acertou a janela com tanta força que ela se estilhaçou em mil pedaços. A força usada fora enorme e provavelmente quebrou sua mão, mas ele parecia não se importar. Com a outra mão tentou agarrar Sofia.
Em desespero, Edgar engatou a ré e acelerou. Felizmente, a barreira atrás do carro era menos compacta e isso lhe deu algum espaço para manobrar. A roda traseira pareceu passar sobre algo e ouviu-se um gemido molhado. A manobra deu certo e agora havia menos pessoas na frente.
Edgar acelerou.
O carro guinchou, suas rodas patinando loucas contra o asfalto, mas enfim se livrou da multidão. Edgar aumentou a velocidade e, viu, aliviado, os zumbis lá atrás, se afastando. A experiência anterior tinha lhe ensinando a não seguir em frente para evitar que a horda os seguisse, então virou à direita e depois à esquerda.
- Todo mundo bem? – disse, olhando pelo retrovisor.
Havia vidro quebrado espalhado pelo banco e Alan, Zulmira e Sofia tinham olhares assustados. A galinha se aninhara no braço da dona, e tremia. Fora isso, pareciam bem. Ao menos, não havia nenhum ferimento aparente.
- Ei, camarada, veja isso. – disse Jonas.

Edgar olhou para a frente e por um momento seu coração acelerou. 

quarta-feira, abril 19, 2017

V de vingança é uma crítica ao nazismo?

V de vingança, mini-série em quadrinhos escrita por Alan Moore e desenhada por David Lloyd, e transposta para a tela pelos irmãos Irmãos Wachowski (Matrix), é uma crítica a todos os regimes totalitários, mas a referência ao nazismo parece mais clara. Na história podemos ver os campos de concentração, a perseguição a minorias étnicas e sexuais (gays e lésbicas) e o controle do estado sobre todos os atos da população.
A história foi publicada originalmente entre 1982 e 1983 na revista britânica Warrior, mas ficou inacabada. Em 1988, com o sucesso de outros trabalhos de Alan Moore, como Monstro do Pântano, a editora DC convenceu os dois artistas a continuarem a série.
Em V de Vingança, o partido fascista chegou ao poder na Inglaterra após uma guerra nuclear. Com ele vieram um controle estrito sobre a população, com um sistema de espiões e câmeras, e a perseguição a grupos minonitários, que eram presos em campos de concentração e serviam como cobaias para pesquisas.
É justamente o sobrevivente de um desses campos de concentração que se torna V, um misterioso anarquista que, inicialmente parece estar apenas se vingando de seus algozes, mas, conforme a história avança, percebe-se que seus planos são muito mais amplos.
V é culto e, embora execute friamente seu plano para derrubar o regime, parece ser muito sensível.

A história de Valerie, uma lésbica companheira de prisão de V, é um dos momentos mais marcantes da HQ e o único que foi transposto literalmente para as telas. Através de Valerie, Alan Moore mostra o pavor dos regimes totalitários a pessoas que não seguem um padrão de comportamento sexual. 

Promoção

Promoção: quem comprar algum dos meus livros nos meses de abril e maio ganha um brinde: um exemplar da revista Turma da Tribo. Gostaram? Aproveitem. 😁

Crepax: a psicanálise chega aos quadrinhos


O quadrinho erótico sofisticado, surgido na França, encontrou na Itália o seu ponto de maior sucesso de público e crítica.
Gonçalo Júnior, no livro Tentanção à Italiana, diz que as HQs eróticas italianas foram diretamente influenciadas pelos filmes de cineastas como Fellini, Visconti e Pasolini e pelas transformações  pelas quais passava a sociedade italiana da época, que abandonava a rígida moral católica para entrar de cabeça na revolução sexual.
Entre os autores que se destacaram por colocar o quadrinho erótico italiano na categoria de o mais popular e respeitado do mundo, um nome se destacou por ter sido o primeiro a explorar o erotismo como uma forma de arte e pelo uso arrojado da linguagem quadrinística: Guido Crepax.
Crepax se interessou por quadrinhos desde muito pequeno. Aos 12 anos, ele fez a adaptação do romance O Médico e o Monstro. Quando cresceu, estudou arquitetura, engenharia e ficou famoso pelas capas de LPs e pelas ilustrações para livros, revistas e publicidade. Com o tempo, começou a ser visto como um artista gráfico revolucionário.
Em 1965 surgiu a revista Linus, voltada para fãs de quadrinhos. Era dirigido por alguns dos mais importantes intelectuais italianos, entre eles o filósofo Umberto Eco. Crepax foi convidado a colaborar por causa de seu trabalho gráfico inovador. Para sua estréia, ele criou o personagem Neutron, uma espécie de super-herói com poderes mentais. Logo na primeira história, ele é apresentado a uma elegante fotógrafa chamada Valentina. A personagem chamou tanta atenção dos leitores, que o desenhista resolveu transformá-la em protagonista, abandonando Neutron.
Fisicamente, a personagem era semelhante a Elisa Crepax, mulher do desenhista, com cabelo curto e franja cobrindo toda a testa. Valentina lembrava também, e muito, a atriz norte-americana Louise Brooks, estrela do filme “A caixa de Pandora”, de 1929. Crepax era tão apaixonado pelo filme que resolveu homenageá-lo em sua série. Assim, Valentina resolvera adotar aquele visual após assistir ao filme, como ele explicaria mais tarde.
A personagem era independente e sensual, encarnando a mulher de seu tempo e tornando-se símbolo da revolução sexual. Também se diz que foi em Valentina que Freud encontrou os quadrinhos eróticos. Cada HQ de Valentina era como uma sessão de terapia, na qual ela liberava suas fantasias eróticas com uma imaginação desenfreada. Outro em ponto em contato com os anos 1960 eram as viagens psicodélicas (embora estas não fossem motivadas por drogas). A personagem imaginava-se em meio a fantasias lésbicas, sadomasoquisas e surreais.
Os recursos gráficos usados por Crepax eram absolutamente inovadores para a época, com closes, planos detalhes, cortes bruscos e uso genial do claro-escuro e da hachura. Além disso, Crepax transformou os cenários e a até as roupas em elementos que ajudavam a compor a história. Poucas vezes a lingiere foi mostrada tão detalhadamente em uma HQ e certamente nunca a roupa íntima feminina serviu tão bem aos propósitos eróticos.
Depois do sucesso de Valentina, Crepax criou Bianca, uma aluna em um colégio interno, e Anita, que ficou famosa ao fazer sexo com o televisor. Mas o auge da carreira desse quadrinista foram as adaptações de obras literárias eróticas, como A história de O, Emmanuele e A Vênus das peles.
Nessas obras, Crepax não se esmerava em desenhar homens. Muito pelo contrário, eles constantemente pareciam grotescos, mas caprichava nas mulheres. Elas eram sempre altas, magras e sensuais.

Quando Crepax morreu, em 2003, era uma celebridade que abrira as portas para que os quadrinhos eróticos italianos fossem vistos como uma forma de arte. 

Você sabe a diferença entre ficção e fraude?


Atualmente nos quadrinhos, na literatura, na arte, existem trabalhos tão hiper-reais, tão verossimilhantes que muitos acreditam que se trata de realidade. Por conta dessa confusão, há quem diga que trabalhos que utilizam essa estratégia são na verdade fraudes.
Isso aconteceu, por exemplo, com o e-book Delegado Tobias, de Ricardo Lísias. A narrativa usa recortes de jornais e documentos jurídicos fictícios e vários outros simulacros para tecer a narativa.
Alguém, ou ingênuo, ou mal-intencionado, denunciou-o à justiça por falsificação de documentos jurídicos e instalou-se um processo para investigar o caso. Justiça federal, Ministério Público Federal e Polícia Federal foram mobilizados para investigar o caso, com enorme gasto de dinheiro público. Quando ficou claro do que se tratava, cada órgão jogou a culpa no outro e todos declararam que não investigavam ficção. A própria justiça teve que declarar oficialmente aquilo que todo mundo deveria saber: falsificação é falsificação e ficção é ficção (por mais verossimilhante que seja).
A situação é simples: se o autor do livro tivesse entrado num fórum e adulterado documentos jurídicos reais, ele estaria cometendo uma fraude. Ao criar um documento jurídico e incluir em seu livro, o autor só está criando... ficção.
Um outro exemplo, famoso, agora na área de quadrinhos.

No final de cada capítulo de Watchmen, o leitor encontra uma série de anexos: matérias de jornais, recortes de artigos e até o prontuário médico do personagem Roschach.
Esses anexos são fraudes? Não.
Seria uma fraude se Alan Moore tivesse, por exemplo, ido em uma clínica médica e modificado o prontuário de um paciente real. Mas criar o prontuário médico de um personagem fictício é apenas... ficção!
Mas Gian, eu acreditei que determinado personagem de um quadrinho existia! No quadrinho que eu li tinha até a carteira de identidade dele! Isso não é uma fraude?
Não. Isso só demonstra que o autor do quadrinho conseguiu usar bem a verossimilhança para caracterizar esse personagem.
Isso seria uma fraude se, por exemplo, alguém criasse um personagem chamado Peter Parker e forjasse uma carteira de identidade dele para inscrevê-lo no tribunal eleitoral para que esse "personagem" pudesse votar. Ou usar essa identidade para pegar dinheiro emprestado e não pagar.
- Mas, Gian, o quadrinista cobrou pela HQ. Então ele teve lucro. Isso não é fraude?
Claro que não. Se fosse assim, qualquer um que vendesse uma HQ estaria incorrendo em fraude, já que toda HQ usa em maior ou menor grau, estratégias de verossimilhança.
O que caracteriza a fraude é a manipulação de DOCUMENTO OFICIAL visando prejudicar alguém. E todos nós sabemos, crianças, que uma história em quadrinhos não é um documento oficial. História em quadrinhos é apenas... ficção!

Como escrever quadrinhos


Usando como referência sua experiência de mais de 30 anos como roteirista de quadrinhos, Gian Danton explica neste livro os elementos básicos da construção de roteiro e principalmente as especificidades do texto para quadrinhos.
Valor: 25 reais, frete incluso.
Pedidos: profivancarlo@gmail.com.

O uivo da górgona


Um som se espalha pela cidade (ou pelo estado, ou pelo país, ou pelo mundo?). Um som que ouvido transforma as pessoas em seres irracionais cujo único o objetivo são os instintos básicos de violência e fome. É o uivo da Górgona.
Acompanhe a história dos sobreviventes neste livro de terror, uma história de zumbis diferente, em que qualquer um pode se transformar, bastando para isso ouvir o terrível uivo da górgona.
Escrito em capítulos curtos, o livro transforma o suspense em elemento de fantasia, prendendo o leitor da primeira à última página. 
Pedidos: profivancarlo@gmail.com. 

O uivo da górgona - parte 38


39
Zu olhou à volta, indecisa. De fato, era impossível ter certeza de para onde tinha ido a galinha. Então viu o saco de lixo aberto. Aqui e ali vermes saindo dele.
A mulher lembrou-se que Pimpinela gostava daqueles vermes e provavelmente teria tido sua atenção despertada pelas coisinhas se remexendo no asfalto. Era uma boa aposta.
Mas, alcançado aquele ponto, nem sinal da galinha. Talvez ela tivesse virado na esquina, mas para que lado? Direita ou esquerda? A resposta era pura intuição. Confiando em seu faro, Zu virou à esquerda.
Ia andando devagar, o olhar baixo, atenta tanto aos sons quanto aos movimentos. Duas esquinas depois viu uma lixeira. De onde estava não era possível ver a galinha, mas sabia, ou sentia que estava indo na direção certa.
- Pimpinela! – gritou.
A galinha surgiu de trás do lixeiro. Mas, praticamente junto com ela, apareceu um zumbi na esquina.

Zulmira estancou. Agora não era apenas um zumbi, mas vários. Vinham descendo a rua e a tinham visto.
Pimpinela descia a rua, apavorada e não demoraria para ser capturada pelo grupo. A mulher já tinha visto uma horda daquelas devorando um cachorro e sentiu calafrios.
- Pimpinela, pimpinela! – gritou, indo na direção da galinácea e torcendo para que desse tempo.
O grupo já se tornara maior quando a galinha finalmente a alcançou e pulou em seus braços. Os zumbis estavam próximos, muito próximos. Urravam de ódio, os corpos desconjuntados naquela dança caótica.

Zulmira beijou a galinha e correu. Correu como nunca correra em sua vida. Correu e rezou. 

terça-feira, abril 18, 2017

O que é totalitarismo?

Totalitarismo é um regime político em que o Estado se estende a todos os aspectos e níveis da sociedade, controlando a sociedade e os indivíduos.
O totalitarismo geralmente é caracterizado por um partido único e pelo extremismo ideológico, tanto de esquerda quanto de direita.
O totalitarismo é um fenômeno das sociedades de massas e constantemente se ancora na propaganda e na psicologia das massas. A idéia é o controle total da sociedade, transformada em uma massa homogênea, pronta a seguir uma figura paterna, um líder, que lhe diga o que fazer. Não é por acaso que Hitler era chamado de fuhrer (líder) e Mussolini de Dulce (líder).
Embora regimes como de Hitler e Stalin sejam antagônicos do ponto de vista ideológico, eles têm em comum justamente o que define o totalitarismo. Alguns autores acreditam que os regimes totalitários pretendem o domínio total e universal da sociedade.

Uma das melhores definições da vida sob um regime totalitário foi dada por George Orwell no romance 1984: “Se queres imaginar o futuro, pensa numa bota pisando um rosto humano... para sempre!”. 

Como cancelar serviços da NET


A NET é uma empresa que oferece serviços de TV a cabo, internet e telefone. A coisa mais fácil do mundo é conseguir contratar um serviço deles: você liga e às vezes no mesmo dia aparece um técnico para instalar o equipamento. Cancelar os serviços, no entanto, é um verdadeiro calvário.
Quando morava em Curitiba eu assinava um pacote de internet mais telefone passei por todas as dificuldades que todos enfrentam na hora de cancelar o serviço.
Assim, preparei um passo-a-passo para evitar que outras pessoas passem pelas mesmas dificuldades na hora de cancelar pacotes da NET:

1) Não ligue para o 0800. Eu liguei seis vezes. Em todas elas as ligações demoraram quase uma hora, com atendente me passando para atendente. Em todas eu, teoricamente, conseguia o cancelamento do serviço. Pedia inclusive que me enviassem por e-mail o número de protocolo. Quando ligava de novo, descobria que não havia nenhum registro de pedido de cancelamento.

2) Não se preocupe com número de protocolo. Mesmo quando mandam por e-mail, são apenas números, não dizem nada - até porque o e-mail não traz o assunto ao qual aquele protocolo se refere. Em um processo pode-se descobrir, por exemplo, que aquele número de protocolo se refere a uma gravação vazia. Número de protocolo de ligação não tem nenhum valor legal.

3) Leve o equipamento diretamente na loja. Eles agendaram dia para pegar equipamento e simplesmente não apareceram. Quando meu filho foi levar o equipamento na loja, descobriu que não havia nenhum registro de pedido de cancelamento (apesar das minhas seis ligações).

4) Exija na loja comprovante de entrega do equipamento e de cancelamento do serviço.

5) Se a conta estiver no débito automático, procure o banco para cancelar o débito automático. Mesmo depois de entregue o equipamento e cancelado o serviço, eles provavelmente ainda vão cobrar uma ou duas mensalidades. Eles fazem isso por uma razão muito simples: se o consumidor entrar na justiça, o máximo que irá conseguir será seu dinheiro de volta em dobro. O máximo. E quem vai contratar um advogado e ter todo stress de um processo judicial para receber 300 reais de uma cobrança indevida? Se o débito automático for cancelado e a NET colocar o nome do consumidor no SPC- Serasa, fica caracterizado o dano moral. Aí sim vale a pena um processo, pois os valores altos de indenização por inclusão indevida no SPC-Serasa compensam o processo.

segunda-feira, abril 17, 2017

A bomba atômica foi fundamental para a vitória dos Aliados?

Na manhã de dia 6 de agosto de 1945 um avião norte-americano jogou sobre a cidade de Hiroshima, uma única bomba, de urânio. Ela foi detonada a 600 metros de altura. Em segundos, mais de 100 mil vidas humanas foram ceifadas. Os sobreviventes tiveram que lidar com um mundo de terror: sombras de pessoas, gravadas da pedra, eram as únicas lembranças da vítimas no epicentro da explosão, cavalos pegando fogo andavam pelas ruas, vidros tinham explodido perto de pessoas, fazendo com que os cacos grudassem em suas peles.
No dia seguinte, uma segunda bomba, agora de plutônio, foi jogada sobre Nagasaki, provocando 80 mil mortes.
A pergunta que se faz até hoje é: era realmente necessário utilizar as bombas atômicas? Ou: o lançamento das bombas foi fundamental para o fim da II Guerra Mundial? A resposta a essas perguntas é provavelmente não.
Em agosto de 1945 o III Reich já estava totalmente destroçado, oferecendo pouquíssima resistência aos exércitos aliados. Além disso, se fosse realmente para terminar a guerra, a bomba poderia ser lançada contra Berlim.
A decisão sobre a bomba parece muito política do que estratégica. Além do objetivo evidente de apressar a derrota do Japão, os EUA pretendiam mostrar seu poder militar aos russos. Até aquela altura, os norte-americanos tinham sido os aliados mais fracos na aliança que juntou Inglaterra, Rússia e EUA. Com o lançamento da bomba atômica os americanos mostraram quem seria a grande potência dali para a frente.

Além disso, provavelmente, os militares e cietistas norte-americanos queriam saber o que aconteceria quando a bomba fosse usada para matar pessoas. Ou seja, Hiroshima foi um espetáculo e um laboratório.