segunda-feira, fevereiro 20, 2017

Heróis politizados


No início da década de 1970 a juventude achava que podia mudar o mundo. Nos EUA, os jovens lutavam contra a guerra do Vietnã, contra o preconceito racional e a favor da natureza. Era uma geração politizada, que desprezava os velhotes que mandavam no país. Essa geração adorava os quadrinhos. A perseguição que os gibis haviam sofrido por parte dos setores mais conservadores da sociedade fizeram com que os jovens rebeldes simpatizassem com eles. Além disso, as histórias em quadrinhos da Marvel, com heróis realistas, ídolos com pés de barro, mostravam que os gibis não eram simplesmente uma questão da luta do bem contra o mal.
            Foi nesse contexto que surgiu um dos trabalhos mais revolucionários do gênero super-heróis: a série do Lanterna e do Arqueiro Verde.
            A idéia começou com um pedido do editor Julius Shwartz ao roteirista Dennis O´Neil para que ele reformulasse a revista do lanterna Verde. O gibi não estava vendendo bem, mas a DC Comics não queria cancelar o título. O´Neil era um desses jovens rebeldes do final dos anos 1960. Além escrever quadrinhos, ele trabalhava como jornalista e já havia publicado um livro sobre as eleições presidenciais. Ele admirava profundamente o novo jornalismo e se perguntava se seria possível fazer algo semelhante nos quadrinhos. Além disso, ele participava de passeatas contra a guerra, assinava abaixo assinados, era fã de Martin Luther King. O convite para reformular o Laterna pareceu-lhe uma oportunidade de colocar essa atuação política no gênero superheroiesco.
            Seu princípio básico foi: o que aconteceria se um super-herói fosse colocado num contexto real, para lidar com problemas reais? O Laterna era um policial, um militar, assim como aqueles que batiam em estudantes ou matavam pessoas no Vietnã. Tudo porque nunca haviam questionado as ordens que recebiam. E se o Lanterna começasse a questionar suas ações?
            Para ter um contraponto, O´Neil resgatou um personagem menor, que nunca tivera popularidade suficiente para estrelar uma revista: o Arqueiro Verde. Ninguém parecia estar muito preocupado com Arqueiro, do modo que o roteirista teve total liberdade para transformá-lo de Playboy em um anarquista vigoroso, de pavio curto. Era ele que colocaria o lanterna contra a parede, apresentando-o ao mundo real das pessoas que passavam fome, sofriam abusos e eram exploradas.
            Para desenhar a história foi chamado Neal Adams. Adams e O´Neil já tinham trabalhado juntos no Batman e feito um ótimo trabalho, tornando-o mais adulto e sombrio. Mas seria nessa série do Lanterna e do Arqueiro que eles fariam sua obra-prima. Os dois artistas não tinham nada em comum. Ao viajarem juntos para uma excursão promocional, descobriam que não conseguiam concordar nem mesmo sobre que canal assistir na televisão. Mas quando produziam quadrinhos, eram perfeitos. 
     Logo na primeira história, ¨O mal sucumbirá ante à minha presença¨, O Lanterna Verde é confrontado com o fato de que até então ele estivera defendendo capitalistas exploradores contra trabalhadores. Essa primeira história deu o tom da série, que iria abordar alguns dos maiores problemas do mundo, da fome à destruição da natureza.
     O gibi foi um sucesso de crítica, sendo mencionada em dezenas de jornais e revistas. Os autores eram convidados para falar em programas de TV e em universidades. Além disso, todo mês chegavam centenas de cartas elogiosas. Apesar disso, a revista foi cancelada no número 13. Os editores alegaram vendas baixas, mas, como essa série é republicada até hoje, sempre com sucesso, o mais provável é que a editora estivesse assustada com o tom crítico que o gibi estava tomando e temesse uma reação conservadora contra os seus quadrinhos.

     De certa forma, o fim da revista foi positiva, pois sua continuação levaria O´Neil a vasculhar os jornais, em busca de novas causas: ¨No fim, iríamos degenerar a série até a autoparódia, um gibi de ´causa do mês´¨.  

É verdade que Hitler se mostrou covarde na I Guerra Mundial?

Não é verdade. Quando ele começou a se tornar um líder político famoso, alguns de seus adversário tentaram usar isso contra ele, mas logo descobriram que ele foi um soldado exemplar durante a guerra.
Nos quatro primeiros anos do conflito ele foi condecorado duas vezes com a cruz de ferro por sua coragem e dedicação. Apesar disso, só conseguiu ser promovido a cabo por causa do elitismo do exército germânico.
Hitler foi designado para uma das tarefas mais perigosas: levar e trazer mensagens da frente de batalha. Por causa disso, ele sempre estava exposto na linha de fogo e, mais de uma vez, salvou a si mesmo e aos colegas com sua dedicação.
Ele lutava com fervor, pois acreditava piamente na causa alemã.
Em 1916, foi ferido na perna e enviado de volta para a Alemanha. Lá ele viu os grupos pacifistas, a maioria composta de marxistas, e essa experiência o faria, posteriormente, afirmar que a Alemanha havia perdido a guerra por causa dos traidores internos.

Em 1918 ele foi intoxicado por gás e ficou temporariamente cego. Só recuperou a visão no dia 9 de novembro, dois dias antes do fim da guerra.  

domingo, fevereiro 19, 2017

Oliver Twist


Clássico do escritor inglês é uma aula de roteiro  
Já vi gente dizendo que queria ser roteirista de quadrinhos, mas não lia, ou lia apenas quadrinhos e, pior, só lia quadrinhos de super-heróis, ou só manga. Não é possível escrever, o que quer que seja, com o mínimo de competência, sem ser um leitor voraz, inclusive de livros.
E, entre todos os livros, existem aqueles que são leitura obrigatória por terem definido formas de narrativa. Entre eles, Oliver Twist, de Charles Dickens. O livro foi publicado em capítulos em jornais no ano de 1837, quando o autor tinha apenas 25 anos reflete a vida do próprio Dickens, cuja família passou necessidades na época em que seu pai foi preso por dívidas e os filhos tiveram que trabalhar.
O livro se passa em plena era vitoriana, quando o império britânico era o maior e mais poderoso do mundo. Mas todo esse poder e riqueza não se refletia sobre a população, que, em grande parte vivia na miséria. As péssimas condições de vida da época da são demonstradas na figura de um pequeno órfão, Oliver Twist, cuja mãe morreu de seu parto e passou a ser criado em um orfanato onde passava fome e era submetido a maus-tratos. Seguindo a ideologia científica da época, muitos dizem que Oliver, por ser filho de uma mulher sem virtudes, se tornará um ladrão e acabará na forca.
Uma das cenas mais antológicas do livro e certamente a de imagem mais forte, é a do refeitório, no qual as crianças, ao perceberem que vão morrer de fome, sorteiam um deles para pedir mais sopa (uma papa rala de cereais com cebola duas vezes por semana). O pequeno órfão é encarcerado e a reclamação é vista como mais um exemplo de que sua inclinação ao crime o levará à forca.
Depois disso, Oliver é quase colocado como limpador de chaminés (um dos trabalhos mais cruéis executados por crianças na época, já que elas eram descidas de cabeça para baixo e muitas vezes morriam por causa da fumaça ou do fogo) e acaba como aprendiz de um agente funerário, de onde acaba fugindo depois de ser vítima de uma armação.
Em sua fuga, o pequeno Oliver acaba indo parar em Londres e mas garras de um receptador especializado em adestrar crianças na arte do roubo, Fagin, o judeu (um personagem tão forte que posteriormente Dickens teve que escrever um texto tentando desfazer o anti-semitismo que o seu romance involuntariamente provocara).
E, mesmo em meio às desgraças, Oliver mantém-se sempre honesto e bom.
O livro vale tanto pela denúncia das condições sociais da época da Inglaterra à época da revolução industrial quanto pela genialidade do autor em sua narrativa repleta de ironia. Dickens é o mestre absoluto do recurso, como se observa no trecho a seguir: “Nos primeiros seis meses, após a mudança de Oliver Twist, o sistema esteve em pleno funcionamento. Foi um pouco dispendioso, a princípio, em consequência do aumento na conta do agente funerário e da necessidade de apertar as roupas de todos os indigentes, que flutuavam soltas nas suas formas encolhidas, mirradas, depois de uma semana ou duas de papas. Mas o número de inquilinos do asilo tornou-se dessa maneira reduzido; e o conselho muito se alegrou com esse resultado”.
O esquema de folhetins, precursores das atuais telenovelas, e dos quadrinhos, já existia, mas Dickens transformou-o em verdadeira literatura numa trama repleta de reviravoltas e suspense, com um protagonista ingênuo, mas bom, que se vê envolto por um destino cruel, mas triunfa no final graças à sua pureza de caráter. Lembra muito a estrutura das telenovelas clássicas, que lhe devem muito, mas nenhuma telenovela igualou-se a Dickens na crueza das descrições, nos perfis detalhados dos personagens, na crítica social e até mesmo no poder narrativo.
A sequência em que um ladrão assassina sua consorte está entre as páginas mais poderosas já escritas em todos os tempos. Os pequenos gestos, executados instintivamente, desvelam o conflito interno do personagem de forma muito mais efetiva que vários tratados de psicologia.

Existem várias versões reduzidas do livro à venda, inclusive uma da coleção O prazer da leitura, da editora Abril, que foi vendida em bancas e pode ser facilmente encontrada em sebos. Mas se puder, leia a versão integral (é possível conseguir em sebos). A necessidade de reduzir o texto faz com que a maioria das versões condensadas deixe de lado exatamente o que Dickens tem de melhor: sua fina ironia e as descrições detalhadas de personagens e ações. Mas, se não encontrar uma versão integral, leia a versão condensada: o livro é uma aula de como prender o leitor com uma narrativa folhetinesca. 

É verdade que Hitler foi considerado inapto para servir o exército?

Sim. Em 1914 ele tentou se alistar no exército alemão, mas o médico considerou-o inapto para qualquer tipo de atividade militar. No seu relatório, o examinador dizia que Hitler era muito fraco e incapaz para carregar armas.
Quando estourou a I Guerra Mundial, Hitler alistou-se como voluntário. Como em época de guerra os registros médicos não eram conferidos e os exames físicos eram quase inexistentes, Hitler acabou sendo aceito no exército sem comentários. Em uma semana era mais um dos soldados do 16º. Regimento de infantaria da reserva da Baviera.

Quando recebeu seu primeiro fuzil, ele o olhou com o prazer de uma mulher olhando para um jóia, segundo o depoimento de um colega de regimento. 

sexta-feira, fevereiro 17, 2017

Aniversário do Fantasma


Hoje o personagem criado por Lee Falk completa 81 anos de publicação.

O que é o anti-semitismo?

O anti-semitismo é o ódio ou aversão aos judeus, sua religião ou costumes. Embora o termo tenha surgido na alemanha, em 1879, em um livro escrito por  de Wilhelm Marr, o anti-semitismo é muito antigo. Os cristãos inicialmente acusaram os judeus de deicidio, pela morte de Jesus. Quando essa acusação caiu em desuso, foi substituída por outra: a de que os judeus sabiam que Jesus era o Messias, mas se recusavam a reconhecê-lo. Na época mais cruel da Inquisição, os judeus que se negavam a repudiar sua religião eram presos, torturados e muitas vezes mortos. O simples fato de alguém tomar banho todos os sábados podia ser considerado judaismo e, portanto, levar aos horrores da Inquisição.
Escritores como o russo Nicolai Gógol e o inglês Charles Dickens retrataram o judeu como um ser mesquinho e repelente, o que mostava bem como o anti-semitismo estava difundido na sociedade européia muito antes do nazismo.
Até mesmo filósofos como Hegel contribuiram para a idéia de que os judeus eram responsáveis pelos males da Alemanha.
Outro pensador, Arthur Joseph de Golineau teorizou que os judeus seriam inferiores aos arianos, moral e fisicamente. Esse pensamento seria a base da ideologia nazista, uma ideologia centrada no ódio a uma raça.
No livro Minha Luta, Hitler escreveu: “ O Judeu, este nunca foi nômade e sim um parasita, incorporado ao organismo de outros povos. Sua mudança de domicilio, uma vez por outra, não corresponde a suas intenções, sendo resultado da expulsão sofrida por ele (...) O fato dele se espalhar pelo mundo é um fenômeno próprio a todo o parasita (...) o povo que o hospeda vai se exterminando”. Para Hitler, o judeu vivia de parasitar outros povos até exterminá-los completamente.
O livro analisa a ação do judeu. Este chega em uma comunidade com poucas mercadorias. Logo começa a emprestar dinheiro a juros altos, depois monopoliza o comércio. Logo está rico. Mas em nenhum momento vai trabalhar a terra ou produzir algo que seja benéfico para a sociedade.
A análise de Hitler desconsidera completamente os séculos durante os quais a Igreja Católica proibiu os judeus de trabalharem da terra e os isolou em guetos.

Para Hitler, junto com o poder econômico vinha o poder político, pois o objetivo dos judeus era dominar o mundo. Para isso a propaganda nazista sempre se apoio no Protocolo dos Sabios de Sião, um documento falso, forjado na época dos Czares russos. 

quinta-feira, fevereiro 16, 2017

Os heróis brasileiros


Na década de 1960, o sucesso do terror nacional fez com que as editoras incentivassem seus colaboradores a investirem em novos gêneros. Desses, um dos de que tiveram mais sucesso foram os super-heróis. O estudioso Worney Almeida de Souza lista 34 super-heróis brasileiros surgidos antes dos anos 1970, sem contar os super-vilões e heróis não-mascarados.
Nosso primeiro grande super-herói foi o Capitão 7, no início dos anos 1960, baseado num seriado homônimo exibido pela TV Record, de autoria de Ayres Campos. O Capitão 7 é um menino do interior de São Paulo levado a um planeta distante, de onde volta com super-força, super-inteligência, capacidade de voar e um uniforme atômico. O personagem, cujo visual foi criado por Jayme Cortez, foi desenhado por Júlio Shimamoto, Juarez Odilon, Sérgio Lima e Getúlio Delfim e fez muito sucesso, durando muitos números, até por estar ancorado em uma atração televisiva. Chegou a existir até mesmo fantasias do personagem para a época de carnaval.
O sucesso do capitão 7 fez com que a Estrela, maior fábrica de brinquedos da época, encomendasse a criação do capitão estrela, em uma revista lançada pela continental (a mesma do concorrente), que acabou não fazendo sucesso.
O caminho aberto pelo capitão 7 foi explorado por outros artistas, que se aproveitaram do fato de muitos heróis ainda não serem conhecidos no Brasil. Exemplo disso é o Raio Negro, criado por Gedeone Malagola para a editora GEP. Gedeone tinha apresentado o Homem-lua (que depois seria aproveitado), mas como ele não parecia tão super-herói, os editores pediram que ele desse uma olhada no novo Lanterna Verde. Misturando os poderes do Lanterna com o uniforme do Ciclope dos X-men, surgiu o Raio Negro, um dos personagens de maior sucesso da época.
Um dos heróis mais interessantes surgidos no período foi o Golden Guitar, um herói criado para aproveitar o sucesso da jovem guarda. Os donos da editora Graúna queriam licenciar os personagens da série Archie para tentar captar o interesse do público jovem. Como não conseguiram, encomendaram para Macedo A. Torres um herói juvenil inspirado no movimento musical Jovem guarda. O resultado foi um herói psicodélico, que usava como arma uma guitarra, através da qual disparava dardos tranqüilizantes e outras maluquices. Além dos quadrinhos, o gibi trazia letras das músicas de Roberto Carlos, Erasmo e Wanderléa. Essa é atualmente uma das revistas mais raras do período e também uma das mais procuradas pelos fãs.
A estréia dos chamados heróis Shell (os personagens da Marvel foram lançados no Brasil numa campanha dessa rede de postos de gasolina) criou um grande interesse pelo gênero e fez com que surgissem vários gibis nacionais. Eugenio Colonnese criou Mylar, o homem mistério, para a editora Taika.
Outro herói de sucesso foi O Escorpião. Tratava-se de uma cópia descarada do fantasma, feita por Wilson Fernandes a pedido da editora Taika, em 1966. Como a revista começou a vender muito (os dois primeiros números esgotaram a tiragem de 50 mil exemplares), a editora ficou com medo da King features Syndicate, e pediu ao desenhista Rodolfo Zalla e ao roteirista Francisco de Assis que reformulassem o personagem. Assim, o escorpião tornou-se um defensor das selvas amazônicas e continuou sua carreira de sucesso.
Mas nenhum herói do período fez tanto sucesso quanto o Judoka, lançado pela Ebal com roteiros de Pedro Anísio e desenho de vários artistas. O personagem usava um collant com um quimono verde e branco, além de uma máscara. Seu mestre no judô era o sábio Minamoto. Além disso, ele contava com a ajuda de sua namorada Lúcia. A revista pegava a onda ufanista do período militar e exaltava as belezas do Brasil. Para isso, o personagem percorria diferentes pontos do país.

Os heróis brasileiros não resistiram aos anos 1970. uma das razões disso era a censura prévia. As revistas tinham de ser enviadas a Brasília, sendo analisadas por censores, que muitas vezes cortavam cenas, páginas, ou mandavam reformular histórias inteiras. Era mais fácil para as editoras importar quadrinhos americanos, até porque esses não costumavam despertar a atenção dos censores. Além disso, o endurecimento da ditadura e crise econômica foram acabando com o sentimento patriótico e ufanista dos leitores. A moda passou a ser achar bom o que vinha de fora, especialmente dos EUA. Com isso os super-heróis foram desaparecendo. Pior: começou a se achar que esse era um gênero que não podia ser trabalhado por brasileiros, pois tinha pouco a ver com a realidade nacional. De um lado os quadrinhos nacionais de super-heróis eram perseguidos pelos censores da ditadura. Por outro lado, eram perseguidos pelos intelectuais de esquerda, que achavam que eles eram colonialismo imperial norte-americano.  

É verdade que Hitler chegou a ser mendigo?

Ele não se tornou propriamente um mendigo, mas chegou muito perto disso. Em 1907, ele sacou toda a herança deixada pelo pai e partiu para Viena, na Áustria, onde pretendia entrar na famosa Academia de Belas-artes de Viena. Ele fez os exames sem conseguir êxito, mas ficou por lá mesmo, para fazer novas tentativas. Com o tempo, o dinheiro da herança foi acabando e em 1910 ele deixou de receber a pensão a que tinha direito como órfão.
Ele foi ficando cada vez mais isolado e excêntrico. Ele perambulava pela cidade como um vagabundo, dormindo em quartos baratos ou abrigos municipais, alimentando-se de pão, leite e da sopa distribuídas nas igrejas. O pouco dinheiro que tinha vinha de pinturas que ele fazia de edifícios famosos da capital austríaca e que vendia como cartões postais.
Segundo o historiador Sebastian Haffner, os mendigos o chamavam de Ohm Kruger.
Era conhecido pelos desocupados como indolente e mau-humorado, mas muito austero, pois nunca bebia, não fumava e nunca era visto com mulheres.
Suas únicas paixões eram a ópera e a política. Ele falava sobre a superioridade da raça ariana a qualquer hora, a qualquer um que tivesse disponibilidade para ouvi-lo e ficava particularmente histérico quando discursava sobre o perigo que os judeus representavam para o glorioso povo alemão.

Ele gostava também de ler jornais, especialmente os de conteúdo anti-semita. 

O uivo da górgona - Gian Danton - Livro

quarta-feira, fevereiro 15, 2017

Quem eram os pais de Hitler?

Hitler era filho de um inspetor de alfândega, Alois Hitler. Alois era filho ilegítimo de Anna Schicklgruber, que mais tarde casou-se com um moleiro desempregado chamado Hiedler. Por um erro do escrivão, Hiedler virou Hitler.
Alois era um homem severo e despótico. Um campeão da lei e da ordem, como o descreve a noticia de sua morte. Conta que o pai era agressivo e Adolf provavelmente nutria grande ressentimento por ele.
Se o sentimento com relação ao pai era de ódio, com a mãe a relação era de carinho. Klara Hitler era uma mulher gentil e afetuosa. Era adorada pelo filho, que recebeu um forte golpe com sua morte, quando ele tinha 18 anos.
Alguns pesquisadores acham que a relação com os pais, especialmente com o violento e autoritário pai, foi fundamental na formação do futuro ditador.  

terça-feira, fevereiro 14, 2017

Alfa - A Primeira Ordem começa captação de recursos no Catarse

Álbum que trará equipe de super-heróis nacionais começa dia 15 de fevereiro processo para captar fundos e se tornar realidade.


O álbum Alfa - A Primeira Ordem vem causando furor nas redes sociais desde que foi anunciado, em meados de 2016. Finalmente, o projeto começa a tomar forma e inicia a captação de recursos para se tornar realidade no site Catarse. A estratégia do roteirista Elenildo Lopes era despertar a curiosidade dos leitores para só então solicitar o apoio.

Os interessados podem acessar www.catarse.me/ALFA e escolher a melhor opção de apoio, com uma série de brindes diferenciados, tais como revista autografada, pôsteres e artes exclusivas, revistas impressas e digitais dos heróis da liga. A meta é de R$ 20 mil (vinte mil reais) e o prazo vai até o dia 21 de abril. Caso consiga o montante desejado, a previsão de lançamento do álbum é em agosto de 2017.

Lopes destaca que houve uma pequena mudança com relação à sua ideia original: "O plano era fazer apenas uma edição, mas como isso exigiria um valor maior, decidimos dividir o projeto em duas partes, para não onerar demais os colaboradores. Assim, todo mundo pode colaborar com um valor menor", explica. "Mas claro que, se atingirmos um valor superior à meta, a ideia é aumentar as páginas da revista ou, quem sabe, já nem lançar a campanha para o segundo volume".

O roteirista, que também é criador do herói brasileiro Capitão R.E.D. em 2012, acaba de ser premiado pelo álbum Protocolo: A Ordem, lançado em 2016. A HQ recebeu o troféu Ângelo Agostini - prêmio dado anualmente aos destaques dos quadrinhos brasileiros, em comemoração ao Dia do Quadrinho Nacional, celebrado em 30 de janeiro - na categoria "Melhor Lançamento Independente". "Este prêmio é de vocês, que colaboraram para que este sonho se tornasse realidade", declarou Lopes, em sua página no Facebook, oferecendo o troféu aos colaboradores do Catarse.


Alfa - A Primeira Ordem - Parte 1 terá 48 páginas, totalmente em cores, e retoma os eventos de onde a história anterior parou. Um enorme caos se instalou no País após a invasão alienígena e os heróis como Capitão R.E.D., Lagarto Negro, Jaguara, Jou Ventania e Velta procuram soluções e respostas para apresentar à população. Ao mesmo tempo, o vilão Aéris, um antigo inimigo de heróis como Capitão 7, Capitão Gralha, Flama, Raio Negro e Homem-Lua, ameaça ressurgir em nossos dias, obrigando a união dos clássicos personagens com a equipe atual, formando a liga ALFA - A Primeira Ordem.

Além de trazer a união de mais de 20 super-heróis 100% nacionais, Alfa - A Primeira Ordem resgata a memória de super-heróis clássicos que estão sumidos do mercado há vários anos, como Capitão 7 (o primeiro super-herói brasileiro, criado em 1954) e Raio Negro, entre outros. É uma forma de regatar esses personagens, que são patrimônio de nossa cultura e apresentá-los às novas gerações. 


O projeto contará com roteiros do experiente Gian Danton - autor de A Família Titã e Como Escrever Quadrinhos, entre outras obras - e arte de Márcio Abreu, profissional que trabalha com editoras como Dynamite Entertainment e Zenescope Entertainment. As cores ficam a cargo de Vinícius Townsend, que também já trabalhou para a Dynamite Entertainment. 

Linguagem científica

Uma das grandes dificuldades de quem vai produzir uma monografia é confundir texto científico com texto de divulgação científica. Ao pedir para alunos textos científicos, a maioria me traz revista como a Galileu, a Superinteressante ou a Revista dos Curiosos. Essas revistas são exemplos do que é chamado de comunicação científica secundária.
Na comunicação científica primária, o cientista fala para outro cientista. Exemplos de comunicação científica primária são as monografias, teses, dissertações de mestrado e papers. Na comunicação científica secundária, o cientista, ou um repórter, divulga conhecimentos científicos a um público leigo, formado na sua maioria por não cientistas.
Embora revistas como a Superinteressante tenham características de textos científicos (é importante lembrar que o texto jornalístico tem muitas semelhanças com o científico), elas não seguem normas de apresentação de trabalho exigidas em comunicações científicas.
Entre as características dos textos científicos, podemos citar os seguintes:
1.Linguagem unívoca;
2.linguagem impessoal;
3.uso de citações (argumento da autoridade – paradigma);
4.referências;
5.clareza.

5.1.1 - Linguagem unívoca
         Em um texto científico, cada palavra-chave deve ter um sentido único e indistinto e, deve ser usada com esse sentido durante todo o trabalho. É por essa razão que quase todos os trabalhos na área de ciências sociais sempre iniciam com definição de termos. Se a sua monografia é sobre o uso da teoria das inteligências múltiplas na escola, na parte inicial do trabalho você deverá explicar o que significa “inteligências múltiplas”.
         O contrário da linguagem unívoca é a linguagem plurívoca, típica da poesia, que permite várias interpretações. Às vezes, a linguagem plurívoca pode aparecer em uma frase mal construída. Veja o exemplo:
         Os tetos que não são pintados freqüentemente oxidam. (FEITOSA, 1991, p. 135)
         O que o autor quer dizer? Que os tetos que não são freqüentemente pintados oxidam ou que os tetos que não são pintados oxidam freqüentemente? 
         Embora pareça só um jogo de palavras, o significado muda, pois a primeira interpretação diz que os tetos devem ser pintados freqüentemente para não oxidarem. A segunda interpretação dá conta que basta pintar uma vez para que não haja oxidação.

5.1.2 - Linguagem impessoal
Em textos científicos evita-se expressões pessoais. Ao invés de dizer “Os resultados do trabalho realizado por mim”, diz-se: “Os resultados deste trabalho”.
         Em monografias evita-se expressões como acho, penso, creio.
         A linguagem impessoal também se expressa em oposição à linguagem subjetiva. Assim, ao invés de dizer “A sala estava suja”, o cientista dirá: “O entrevistado, enquanto falava, deixou cair cinzas de seu cigarro no chão. Viam-se restos de cigarros apagados e fragmentos de papel no chão”. Ao invés de dizer “A sala era grande e espaçosa, dirá “A sala media 12 m de comprimento por 8 m de largura”. (CERVO ; BERVIAN, 1983, p. 136)

5.1.3 - Uso de citações  e referências
A citação ocorre quando se utiliza uma frase, uma idéia ou informação coletada por outro autor. Ela é a base do argumento da autoridade, em que o autor usa uma autoridade para reforçar seu pensamento.
Embora Karl Popper duvide da validade do argumento da autoridade, Kuhn demonstrou que os cientistas se baseiam no paradigma, que é uma autoridade. Assim, um autor marxista irá certamente citar Marx em seus trabalhos. Um físico não pode ignorar os trabalhos de Einstein, e, se puder, vai citá-lo para reforçar seu raciocínio.
         Em todo caso, mesmo autores influenciados por Popper admitem que em algumas áreas, como o direito, o argumento da autoridade é inevitável. É impossível, por exemplo, escrever um texto jurídico sem citar leis.
         Mas é bom ter cuidado com as citações. É necessário antes verificar se o autor citado é realmente uma autoridade na sua área. Além disso, deve-se verificar se a citação tem relação com seu argumento.
         O direito de citação é garantido pela lei 9610, de 19.02.98:
Art. 46. Não constitui ofensa aos direitos autorais:
®III - a citação em livros, jornais, revistas ou qualquer outro meio de comunicação, de passagens de qualquer obra, para fins de estudo, crítica ou polêmica, na medida justificada para o fim a atingir, indicando-se o nome do autor e a origem da obra.

         As citações podem ser diretas ou indiretas.
         Na citação indireta, usa-se a idéia do autor, mas não exatamente suas palavras. A citação não vem entre aspas, mas deve ser referenciada.
         Exemplo de citação indireta:
         Para Aristóteles (1996), a comédia é a imitação das pessoas inferiores. O filósofo ressalta, no entanto, que o cômico se refere a um tipo de feio específico, no qual não cabe a dor. Um exemplo disso é a máscara cômica usada no teatro grego que, apesar de feia, não expressa dor.
         Na citação direta, a idéia é expressa exatamente como o autor citado a escreveu.
         Exemplo de citação direta:
         Para Aristóteles (1996, p. 35), a comédia é a imitação das pessoas inferiores e refere-se à feiúra. Entretanto, para ele, a comicidade “(...) é um defeito e uma feiúra sem dor nem destruição; um exemplo óbvio é a máscara cômica, feia e distorcida, mas sem expressão de dor.”.
         As citações curtas (de até três linhas) devem vir dentro do texto, entre aspas. As citações longas devem vir em parágrafo próprio com um recuo de quatro centímetros.
         Um detalhe importante sobre as citações é que elas não podem ser muito extensas. Citações maiores devem ter autorização por escrito do autor. Assim, pegar um capítulo inteiro de outro autor não é citação, é plágio.
         Toda informação ou idéia colocada no texto que tenha sido criada ou coletada por outra pessoa, deve ser referenciada. Como vimos, as citações são um procedimento científico normal, mas citar sem dizer quem é o autor original é plágio.
         A boa citação deve vir, obrigatoriamente, acompanhada de referência bibliográfica que indique o autor, a obra e a página da qual foi tirada a citação.
         Há dois sistemas de referência: o autor-data e de notas de rodapé. Atualmente, em decorrência da internet, a maioria das instituições tem aconselhado o usa do sistema autor-data.
         No sistema autor, data, coloca-se o sobrenome do autor, virgula, ano de publicação, vírgula, a abreviatura de página e o número da página. 
Exemplo: (RUIZ, 1979, p. 86)
         No caso de dois autores, coloca-se o sobrenome dos dois, separados por ponto e vírgula.
Exemplo: (CERVO; BERVIAN, 1983, p. 136).
         Quando o nome do autor já aparece no texto, apenas o ano e a página aparecem entre parênteses e o nome do autor é grafado em caixa baixa.
Exemplo: Para Ruiz  (1979, p. 86), “o conhecimento científico...”.
         Quando se trata de uma citação que foi retirada de um livro de outro autor que não o autor original , deve-se colocar o sobrenome do autor da frase, seguida pela expressão apud e pelo sobrenome do autor do livro consultado. Quando o nome do autor vier fora do parênteses, admite-se a expressão “citado por”.
Exemplo: (POPPER apud HEGENBERG,1979, p.86).
Ou: Popper citado por Hegenberg (1979, p.86).
         Quando a citação se refere a uma idéia do autor e não a uma informação ou frase específica, a página não é obrigatória na referência.
         Exemplo: Num estudo recente (BARBOSA, 1980) demonstrou-se que...
         Quando houver dois autores com o mesmo sobrenome, coloca-se o prenome abreviado.
         Exemplo:
         (BARBOSA, C., 1956)
         (BARBOSA, O., 1956)
         Quando forem citados vários documentos do mesmo autor publicados no mesmo ano, acrescenta-se, após a data, letras minúsculas, sem espacejamento (essas letras também devem aparecer na bibliográfica, sempre após o ano).
         Exemplo:
         (OLIVEIRA, 1999a)
         (OLIVEIRA, 1999b)
         Quando se tratar de informação oral (palestras, debates, comunicações pessoais), utiliza-se, entre parênteses, a expressão informação verbal.
         Exemplo:
         Franco de Rosa afirma que a Grafipar começou a contratar desenhistas de outros estados no ano de 1980 (informação verbal).
         Quando o texto não tiver autor, a entrada é feita pelo título ou pela instituição.  Quando o título for extenso, pode-se abreviá-lo, colocando a primeira palavra seguida de reticências.
         Exemplos:
         (UNESCO, 2001)
         (CROSSGEN..., 2003)
         Quando a citação direta tiver até três linhas, deve vir entre aspas, no corpo do próprio texto.
Exemplo:
Mais recentemente, os estudos sobre buracos negros terminaram de enterrar o demônio laplaciano. Stephen Hawking descobriu que os buracos negros não são completamente negros: “O que pensamos como espaço vazio não é realmente vazio, mas é preenchido com pares de partículas e antipartículas. Estas aparecem juntas em algum ponto do espaço e tempo, movem-se separadamente e então, juntam-se e aniquilam-se” (HAWKING, 2004).
Quando a citação direta tiver mais de três linhas, deve vir em parágrafo à parte, com recuo de quatro centímetros, fonte em tamanho menor, espaçamento simples e sem aspas, itálico ou negrito.
Exemplo:
A noção do universo como relógio deu origem à idéia ao determinismo científico, expresso publicamente pela primeira vez pelo cientista francês Laplace. Acreditava-se que a natureza seguia regras fixas que podiam ser descobertas com o uso da razão, como no caso de um relógio. Para Laplace,

4 cm.
 
Uma inteligência que conhecesse em determinado momento todas as forças da natureza e posição de todos os seres que a compõem, que fosse suficientemente vasta para submeter estes dados à análise matemática, poderia exprimir numa só fórmula os movimentos dos maiores astros e dos menores átomos. Nada seria incerto para ela, e tanto o futuro como o passado estariam diante de seu olhar. (LAPLACE apud EPSTEIN, 1986, p. 30)

5.1.4 - Clareza
         Um texto científico deve ser claro. Ao contrário do que muitos acham, escrever cientificamente não é escrever de maneira difícil. Claro que há um certo grau de dificuldade para o público, mas essa dificuldade está na linguagem técnica, não na formatação das frases.
         Para garantir a clareza do texto, deve-se evitar o excesso de períodos compostos, que dificultam a compreensão e podem dar margem a  dupla interpretação, como no exemplo abaixo:
Carlos, que foi preso pelo policial, que é pessoa violenta, que roubou a casa de uma pessoa que mora no bairro do Congós e é caixa em um supermercado muito conhecido nesta cidade.
         As mesmas informações ficam muito mais claras com a melhor organização da frase:

Carlos, pessoa violenta, foi preso pelo policial. Ele é acusado de roubar a casa de uma pessoa no bairro do Congós. A vítima trabalha em um supermercado muito conhecido na cidade. 

segunda-feira, fevereiro 13, 2017

Projeto de pesquisa: hipótese

A hipótese é uma resposta provisória para o problema. É sempre representada por uma frase afirmativa e deve, preferencialmente, estabelecer a relação entre as mesmas variáveis do problema:

EXEMPLO:

PROBLEMA: O uso do computador torna as pessoas mais solitárias?

HIPÓTESE: O computador promove a socialização de tímidos.

         As hipóteses podem ser indutivas ou dedutivas. Se forem indutivas, pesquisa-se vários casos para se chegar a uma lei geral. Parte-se do singular para o universal. A hipótese dedutiva parte do universal para o singular. Assim, formula-se uma lei geral, que deve ser confirmada ou falseada pelo estudo dos casos. Atualmente a hipótese dedutiva é mais usada.
         Lembre-se: sua hipótese pode ser confirmada ou falseada.
         Sua hipótese deve permitir o falseamento, assim, quanto mais específica for, melhor. Popper já dizia que o enunciado “Vai chover amanhã” não é científico, pois certamente vai chover amanhã em algum lugar do mundo. É impossível falsear essa hipótese.
         Imaginemos o seguinte problema:
         A doença X é causada por uma bactéria ou um vírus?
         A hipótese pode ser ou “A doença X é causada por uma bactéria” ou “A doença X é causada por um vírus”.  A hipótese: “A doença X é causada por uma bactéria ou por um vírus” não é científica, pois é difícil de ser falseada.
         Rudio (2002, p.990) explica que uma hipótese deve ser: a) plausível; b) consistente; c) específica; d) verificável; e) clara; f) simples; g) econômica; h) explicativa.
         A seguir, analisaremos cada um desses critérios.
Plausível
A hipótese deve indicar uma situação possível de ser admitida. Assim, diante da problemática “O remédio X cura a inflamação de garganta?”, não serve a formulação: “O remédio X cura imediatamente não só a inflamação de garganta, como a diarréia, o câncer de mama e alergia”. A hipótese não é científica porque, primeiro, nenhum remédio cura imediatamente uma doença e, segundo, nenhum remédio consegue curar doenças tão díspares quanto inflamação de garganta, diarréia e câncer de mama. Formulações desse tipo são características da pseudociência, não da ciência.

Consistente
         A consistência indica que a hipótese não está em contradição com o conhecimento científico existente. Ela também indica que o enunciado não tem contradições internas. Assim, não serve a hipótese: “O remédio X cura a inflamação de garganta, pois essa  doença não tem causas físicas e só pode ser curada  através de um processo espiritual”. A hipótese está errada, pois o conhecimento científico tem demonstrado que a inflamação de garganta tem sim causas físicas. Além disso, o enunciado tem uma contradição interna. Se a doença só pode ser curada através de um processo espiritual, então um remédio físico não pode curá-la.
         É importante notar que há situações incomuns em que as hipóteses vão contra o paradigma dominante. Entretanto, essas hipóteses revolucionárias são baseadas em fatos científicos que não se encaixam na explicação do paradigma, as chamadas anomalias.

Específica
         O enunciado deve ser específico. Hipóteses muito amplas são impossíveis de serem falseadas. Assim, não serve a hipótese: “O remédio X cura doenças”. Quais são as doenças que ele cura? Em que situação? Outro exemplo: “Em qualquer caso, em qualquer situação, o uso de psicotrópicos levará seus consumidores a praticarem crimes”. É impossível observar qualquer caso, qualquer situação referente a esse fenômeno. Por outro lado, uma hipótese específica caracteriza-se como científica: “Os jovens do bairro do Congós em Macapá, envolvidos em crimes no ano de 2000, na sua maioria, são consumidores de drogas psicotrópicas”.
Verificável
         A hipótese deve ser verificável em termos do conhecimento científico atual. Assim, a hipótese “O remédio X cura doenças de origem espiritual” não é científica porque não tem como investigar o espírito humano. Outro exemplo de hipótese que não pode ser verificada: “Os crimes são cometidos por influência de forças malignas”
Clara
         A hipótese deve ser a mais clara possível. Termos não muito claros devem ser evitados, assim como frases repletas de períodos compostos. Exemplo: “Num contexto holístico humano, dentro de uma perspectiva pós-moderna do neoliberalismo contigente, o remédio X pode servir de paliativo numa situação de enfermidade crônica”.
Simples e econômica
         Deve-se evitar todas as palavras que não são necessárias à hipótese. Não enrole ou use uma linguagem pomposa. Exemplo: “Diante do problema dado, pode-se afirmar que o remédio X, de ótima fórmula, cura a doença Y, que tantas vítimas tem feito”. Para começo, toda a parte inicial da hipótese pode ser simplesmente eliminada. “Diante do problema dado” não acrescente nada à hipótese. Ademais, expressões como “de ótima fórmula” ou “que tantas vítimas tem feito” só servem para embelezar a frase, mas não trazem nenhuma informação. Podem, portanto, ser cortadas.
Explicativa

         A hipótese deve, obrigatoriamente, se relacionar com o problema. Uma hipótese que não responda à problemática não tem utilidade. Assim, diante do problema “O remédio X cura a doença Y? “ não serve a hipótese: “O remédio X tem um sabor agradável”.

domingo, fevereiro 12, 2017

Projeto de pesquisa: problema

Todo trabalho começa com um questionamento, uma pergunta que deve ser respondida. De acordo com Köche (2003, p. 106), um problema inteligente é aquele que contem uma possível resposta e delimita a pesquisa, além de relacionar duas ou mais variáveis: “Um problema de investigação delimitado expressa a possível relação que possa haver entre, no mínimo, duas variáveis conhecidas. Deve ser uma pergunta inteligente, isto é, que indique os possíveis caminhos que devem ser seguidos pelo investigador”.

Assim, o problema abaixo não é uma pergunta inteligente:

Qual o impacto das novas tecnologias sobre o comportamento das pessoas?

         O que há de errado com ele? Primeiro, ele não delimita a pesquisa, segundo ele não faz relação entre variáveis. O mesmo problema poderia ser melhor expresso da seguinte maneira:

O uso do computador torna as pessoas mais solitárias?

Formulado assim, o problema nos dá uma idéia de como deveremos fazer a nossa pesquisa e até a respeito da metodologia necessária para responder a essa pergunta. Ele estabelece uma relação entre uma variável independente (uso do computador) e uma variável dependente (aumento de solidão).
         A problemática deve ser elaborada de forma clara e precisa.
         Um outro exemplo:
         Qual a causa do grande número de assassinatos com armas brancas em Macapá?
         A problemática acima, embora seja uma pergunta, não cumpre a função de delimitar a pesquisa e indicar uma relação entre variáveis.
         O mesmo problema seria melhor descrito da seguinte maneira:
         O grande número de assassinatos com armas brancas em Macapá é provocado pelo uso abusivo de bebidas alcoólicas?
         Redigida assim, o problema dá ao pesquisador uma boa noção de como fazer a pesquisa. Ele deverá procurar uma relação entre os assassinatos com arma branca (variável dependente) e o consumo abusivo de bebidas alcoólicas (variável independente).
         Segundo Rudio (2002, p. 94), o problema deve apresentar três qualidades fundamentais: a) enunciar uma questão cuja melhor solução seja uma pesquisa; b) apresentar uma questão que possa ser resolvida através de processos científicos; c) ser factível com relação à capacidade de pesquisa do investigador. 
         Assim, indagar quantos dias tem o ano não é um problema científico, pois a resposta é conhecida e não é necessário pesquisar para descobri-la.
         Da mesma forma, questões que não possam ser resolvidas cientificamente não servem. Por exemplo: qual é a cor das asas dos anjos? Até o momento, a ciência não desenvolveu instrumentos que permitam descobrir a resposta para essa pergunta. Esse, portanto, não é um problema científico.

         Quanto ao item c, muitas vezes os alunos escolhem um problemática que demanda grandes recursos ou toda uma equipe. Exemplo: “O papel da mulher sofreu alterações na literatura de todos os países do mundo na virada do século XIX para o século XX?”. Uma problemática dessas é impossível de ser realizada por um único pesquisador. Semelhante tema poderia ser melhor formulado da seguinte maneira: “O papel da mulher sofreu alterações significativas na literatura brasileira durante a virada do século XIX para o século XX?”.

O Capitão Gralha


Em meados da década de 1940 surgiu nas bancas de Curitiba o que talvez seja o primeiro super-herói brasileiro. Criado por Francisco Iwerten e usando um bigodinho característico, asas e camisa gola polo, o Capitão Gralha foi esquecido e redescoberto, marcando para sempre os quadrinhos nacionais.
O super-herói surgiu após uma viagem aos EUA. Em plena II Guerra Mundial, os americanos temiam que o Brasil se aliasse ao Eixo e iniciaram a politica de boa-vizinhança, que tinha como objetivo estreitar as relações dos Estados Unidos com os países vizinhos. Assim, artistas viajaram para o Brasil, a exemplo de Disney e Orson Welles, e brasileiros foram levados a conhecer a terra de Tio Sam, a exemplo de Érico Veríssimo.
Mas os americanos queriam alguém ligado aos quadrinhos,  já que as histórias em quadrinhos estavam tendo papel fundamental na propaganda de guerra (a maioria dos heróis dos gibis se engajaram na guerra, a exemplo do Capitão América, que aparecia socando Hitler na capa de seu primeiro gibi).
O escolhido acabou sendo Francisco Iwerten especialmente por conta de sua história familiar. Ele fugira da Alemanha nazista ainda criança e fora adotado por um casal de tios, em Curitiba.
Iwerten ficou maravilhado com o sucesso dos quadrinhos de super-heróis e mais ainda ao conhecer o estúdio de Bob Kane, que seria para sempre seu modelo a ser seguido. Ele decidira que o Brasil também teria seu herói!
O personagem foi criado na viagem de volta e foi de uma versão inicial que lembrava o herói mitológico Ícaro à ficção científica. Também surgiu uma curiosa galeria de vilões capitaneada pelo Dr. Destruição, um maníaco fascinado pela letra D, que falava apenas usando palavras iniciadas por essa letra.
Apesar de um sucesso mediano no começo, a revista foi diminuindo suas vendas até ser cancelada. Iwerten passou a publicá-la então num esquema alternativo, com baixas tiragens e acabou gastando todo o dinheiro da herança com isso. Morreu pobre, desconhecido e os montes e gibis que lotavam sua casa foram queimados.
Essa é a história que foi resgatada na revista Metal Pesado Curitiba, em 1997, por um grupo de quadrinistas curitibanos. Num texto inicial, explicava-se que o personagem O Gralha era uma releitura e homenagem ao Capitão Gralha.
A partir daí o quadrinista e seu herói foram redescobertos, surgiram artigos em jornais, revistas, Iwerten ganhou prêmio e quase foi tema de escola de samba.
Em 2015, os criadores do Gralha vieram a público revelar a verdade: Iwerten nunca existira. Ele seu herói haviam sido criados para promover e dar um passado célebre para o personagem O Gralha. Para alguém que não existia de fato, Francisco Iwerten se tornou bastante célebre.
 

sábado, fevereiro 11, 2017

Projeto de pesquisa: tema

Cada instituição tem suas regras próprias para a elaboração do projeto de pesquisa, mas uma estrutura básica deve conter os seguintes itens:

Tema

Delimitação do tema

Problema

Hipótese

Objetivo

Justificativa

Metodologia

Cronograma

Revisão de literatura

 

4.1- ESCOLHA DO TEMA

É o passo inicial. Geralmente a escolha do tema está relacionada a fatores internos do pesquisador (afetividade com o tema, tempo disponível para a realização da pesquisa) e fatores externos (significação do tema escolhido, originalidade, relação com a linha de pesquisa da instituição, etc). Antes de se decidir sobre um tema, faça uma pesquisa geral sobre o mesmo para verificar se a sua pesquisa já foi realizada antes. Um cientista não deve reinventar a roda. Novas abordagens sobre temas já pesquisados também são válidas.

 

 

4.2 - DELIMITAÇÃO DO TEMA

A tendência dos pesquisadores novatos é querer “abraçar o mundo com as pernas”. Temas muito amplos tornam difícil e demorada a pesquisa. Quanto mais delimitado o tema, melhor se sai o pesquisador.

         Uma boa maneira de fazer isso é delimitar a pesquisa no tempo e no espaço.

Exemplos de delimitação:

Tema amplo: Arquitetura

Tema delimitado: Catedrais góticas na Itália do séc. XV.

Tema amplo: Aborto


Tema delimitado: Aspectos legais do aborto em caso de violência sexual.