Terça-feira, Maio 21, 2013

IV WEF - Workshop de Escrita de Ficção

Ocorrerá em junho a quarta edição do Workshop de Escrita de Ficção, evento conduzido por Alexandre Lobão e Oswaldo Pullen que traz palestras e oficinas com técnicas utilizadas pelos principais escritores de sucesso nos EUA e na Europa. 
Esta é uma oportunidade única para os autores que desejam aprender os recursos que Dan Brown, Sieg Larsson e J.K.Rowling utilizam tão bem e que resultam em livros que, simplesmente, o leitor não consegue parar de ler. Incrivelmente estas técnicas são pouco conhecidas na América Latina, onde encontramos faculdades para a formação de críticos literários, mas não de escritores. Nos Estados Unidos e Europa, universidades vêm aperfeiçoando seus cursos para escritores há mais de cinquenta anos, gerando um conjunto de técnicas que qualquer autor comprometido com a qualidade de seu trabalho não pode ignorar. 
O uso destas técnicas (consolidadas no exterior sob o nome de storytelling, ou a arte de contar) se reflete em obras bem estruturadas, coesas e altamente instigantes, que cativam o leitor e se tornam grandes sucessos de venda. Basta dizer que enquanto a CBL considera que uma obra de autor nacional que venda 20.000 exemplares pode ser considerada um sucesso de vendas, outras, de autores estrangeiros, como “O Código da Vinci” chegam a centenas de milhares e até a milhões de exemplares no país. 
O workshop abrange a teoria e exercícios práticos destas técnicas, ajudando o escritor a organizar seu trabalho desde a estruturação inicial da ideia que dará origem ao livro, conhecida como premissa, indo passo a passo até a produção das cenas e o seu refinamento. 
Esta forma de trabalho evita os erros comuns como pontas soltas na trama, personagens inconsistentes, além dos finais arranjados e sem uma ligação natural com a estrutura da estória, além de evitar o temível “bloqueio de escritor”. 
Assim aspectos ligados ao arco da trama, aos pontos de virada, à estrutura da cena e outros são discutidos e exercitados ao longo do seminário, que também conduz os participantes à construção de personagens consistentes e que falem à alma do leitor. 
Como resultado, temos um evento que ultrapassa as expectativas dos participantes - veja depoimentos em http://workshop.escritacriativa.net. Vagas limitadas – inscreva-se já!

Textos para o Twitter: 
• As edições anteriores foram um sucesso. Veja depoimentos e inscreva-se no IV Workshop de Escrita de Ficção em http://bit.ly/Escrita 
• Quer aprender a escrever como os profissionais? Inscreva-se já no IV Workshop de Escrita de Ficção em http://bit.ly/Escrita! 
• Descubra os segredos dos autores de best-sellers internacionais! IV Workshop de Escrita de Ficção, inscrições em http://bit.ly/Escrita 
• Sabe aquele livro que você não consegue largar? Quer aprender as técnicas do autor? IV Workshop de Escrita de Ficção http://bit.ly/Escrita 
• Conheça as técnicas p/ aperfeiçoar sua arte de Escrever. Inscreva-se! IV Workshop de Escrita de Ficção http://bit.ly/Escrita #Literatura

Perguntas Frequentes
O que é o IV Workshop de Escrita de Ficção?
 É um seminário voltado para os interessados em escrever ficção. Isto envolve aqueles escritores que querem trabalhar com romances, contos, além de roteiristas, pois o nosso trabalho lida com o que os americanos chamam de storytelling e que em português a gente poderia traduzir como a arte de contar estórias. 
E qual é o seu conteúdo? 
O que nós ensinamos e fazemos os praticantes exercitar são as técnicas de estruturação da trama, da construção de cenas e suas partes, desenvolvimento de personagens e os artifícios para prender a atenção dos leitores. O workshop apresenta técnicas para estruturar o trabalho do escritor desde a ideia inicial até o planejamento das cenas, dos pontos de virada e do clímax da estória, oferecendo uma organização que orienta seu trabalho e evita os temíveis “bloqueios de escritor”. 
O que é que acontece durante o workshop? 
Nós acreditamos que somente a prática pode levar ao aprendizado e é este o enfoque didático que damos ao treinamento. Assim, o peso das oficinas equivale ao das palestras, e todos os tópicos abordados são objeto de exercícios individuais ou em grupo. 
Por que é que vocês resolveram ministrar este workshop? 
Os escritores latinos em geral têm sua capacidade literária mais desenvolvida do que seu lado técnico, aquele voltado para o storytelling. Isto não é nenhuma característica diferenciada de nossa parte, mas sim porque as universidades e as academias no Brasil estão muito mais voltadas para o aspecto literário do que para a eficiência do contar. 
O que é que ele tem de diferente em relação aos outros workshops? 
Como dissemos, a não ser quando ministrado por raros professores visitantes, os workshops realizados no Brasil não envolvem as técnicas de escrita de ficção, sendo muito mais voltados para o lado da estética da escrita, ou seja, seu lado literário. Focam em detalhes do texto ao invés de prover uma visão mais ampla sobre a trama e o seu desenvolvimento. 
Qual é a vantagem de escrever um livro de forma planejada? 
Para iniciar, é o ganho de tempo. O livro se inicia já com o seu destino conhecido. Isto evita as idas e vindas de um livro escrito sem o planejamento, assim como pontas soltas na trama, imprecisão no arco dos personagens, e finais inconsistentes. 
Será que escrever assim não perde a graça? 
Quem tem que ter a surpresa é o leitor. O escritor deve manter o controle da estória, planejando o que vai mostrar e até onde vai esconder suas armas. Planejar e desenvolver de forma calculada as cenas e os personagens de uma trama são objeto de um grande prazer para os autores. 
Onde e quando será? Como consigo mais informações? 
O IV Workshop de Escrita de Ficção acontecerá no CCB, Centro Cultural de Brasília, de 21 a 23 de junho de 2013, e será coordenado pelos escritores Alexandre Lobão e Oswaldo Pullen. Mais informações e inscrições no site do evento: HTTP://Workshop.EscritaCriativa.Net

Associação contra poluição sonora em Macapá

Estou articulando a criação de uma Associação de combate à poluição sonora em Macapá. A ideia é pressionar as autoridades para iniciativas tanto de repressão quanto de conscientização. Quem estiver interessado em participar, já temos um grupo no Facebook. Para acessar, clique aqui.

Domingo, Maio 19, 2013

Planeta 51

Planeta 51  é um filme de animação espanhol-inglês dirigido por Jorge Blanco, escrito por Joe Stillman. A história se passa em um planeta extraterrestre semelhante à Terra dos anos 1950. O protagonista é Lem, um garoto de 16 anos que sonha um dia dirigir o planetário da cidade. Sua vida é mudada quando ele descobre, escondido no planetário, um astronauta terrestre se escondendo das autoridades. 
O filme é uma espécie de ET ao contrário, com um humano em um planeta alienígena tentando voltar para a nave e tendo de fugir da perseguição oficial. 
Os fãs de ficção científica mais atentos vão se deliciar com as centenas de referências a outros filmes. Um cachorrinho, por exemplo, tem a cara do Alien e urina ácido. Outro grande referencial é Vampiros de almas, de Don Siegel, 1956, filme em que extraterrestres tomam o lugar de humanos em uma pequena cidadade do interior dos EUA.  Vampiros de almas foi escrito como uma crítica à paranóia anti-comunista que dominou a América nos anos 1950, em que se imaginava que qualquer um podia ter se tornado um comunista. Planeta 51 retoma essa premissa na cena em que o general acusa um hippie de ter sido transformado em zumbi pelo terrano apenas porque ele usa cabelo comprido. 
Planeta 51 tem, portanto, uma mensagem política. É sobre o medo do novo e sobre o conservadores versus inovações sociais. A cena em que os soldados avançam sobre os hippies com cacetetes é, nesse sentido, emblemática.  


Sábado, Maio 18, 2013

A dança dos dragões

A Dança dos dragões é o quinto livro da série Crônicas de Gelo e Fogo. É o segundo maior, perdendo por algumas páginas para A tormenta da espadas. Para tantas páginas, esperava-se mais história, mais reviravoltas e, principalmente, mais conclusões. Muita coisa fica em aberto, especialmente a trama de Daenerys. A história de Theon Greyjoy, que vem ganhando espaço e interesse desde o livro anterior, também fica em aberto. Considerando-se que o sexto livro ainda nem foi escrito, é decepcionante ler centenas de páginas de uma trama que não fecha minimamente. Pior: mais e mais tramas vão se abrindo. A impressão que temos é de que George Martin acabou sendo dominado por sua própria obra.

Sexta-feira, Maio 17, 2013

Após denúncia de José Sarney, Justiça bloqueia conta de blogueira no AP

Por meio de uma decisão judicial publicada pelo Juizado Especial de Fazenda Pública e 10ª Zona Eleitoral de Macapá (AP), o ex-presidente do Senado, José Sarney, conseguiu o bloqueio das contas bancárias da professora aposentada e blogueira Alcinéia Cavalcante.
Ex-presidente do Senado vai receber indenização de R$ 2 milhões
Segundo informações do Canal Tech, o juiz José Luciano Assis, responsável pelo caso, ainda determinou a cobrança de R$ 2 milhões, com juros e multa, por danos causados a Sarney. Leia mais

Quarta-feira, Maio 15, 2013

Érotica Steampunk

Chegaram os meus exemplares do livro Erótica Steapunk, antologia da qual participo com o conto "A beleza roubada". Veio com sacola da editora e marcadores de página.
Para comprar o livro, clique aqui.

Terça-feira, Maio 14, 2013

Morreu Ray Harryhausen, o mestre do stop motion



Ray Harryhausen, faleceu no dia 7 de maio de 2013, aos 92 anos, em Londres, na Inglaterra. A notícia foi divulgada pela família do artista, no Facebook.
Depois de assistir King Kong, o clássico filme de 1933, Ray se apaixonou pelo cinema e pela técnica de stop motion, do qual se tornaria um dos maiores mestres. Começou sua carreira criando efeitos para filmes B, como O Monstro do Mundo Proibido, de 1949; A 20 Milhões de Milhas da Terra, de 1957; a trilogia Simbad.
Seus filmes mais conhecidos são Jasão e os Argonautas de 1963, com a famosa batalha de esqueletos, e Fúria de Titãs de 1981.
Sem Ray Harryhausen a sessão da tarde nunca seria a mesma. 


Ps: Essa notícia é antiga e não comentei aqui no blog porque foi exatamente no período em que eu estava viajando. Mas não poderia deixar passar em branco. Os filmes de Ray Harryhausen povoaram a minha infancia. Quando eu era criança, a trilogia Simbad passava quase todo mês na sessão da tarde, sinal de que dava muita audiência.  Suas criaturas fantásticas tinham movimentos elegantes e diferenciados. Era tudo tão perfeito que se podia realmente acreditar na existência de monstros, deuses e esqueletos que retornam da morte para travar sua última batalha. A animação por computador pode até ser mais realista, mas não tem o mesmo charme.

Segunda-feira, Maio 13, 2013

Apagão: São Paulo é dominada por gangues em nova graphic novel



Após um misterioso blecaute, a cidade de São Paulo torna-se um território inóspito e perigoso dominado por violentas gangues: neonazistas, traficantes gananciosos, fanáticos religiosos e outros grupos agressivos. Em meio a todo este caos, um grupo conhecido como Macacos Urbanos tenta proteger a população.
Os Macacos são órfãos adotados pelo visionário Apoema, que treinou os garotos nas artes das ruas: le parkour, skate, capoeira, grafite, sobrevivência e agricultura. Eles lutam para continuar vivos em uma cidade sem eletricidade e estão em busca de um misterioso escolhido, que apareceu como a única salvação em uma visão de seu líder.
Esse futuro paralelo é o tema central da graphic novel “Apagão – Cidade Sem Lei/Luz”, do roteirista Raphael Fernandes (Ditadura No Ar, Ida e Volta) e do desenhista Camaleão (Imaginários em Quadrinhos, MAD). O álbum terá a produção editorial por conta da Editora Draco, selo dedicado a publicações de qualidade 100% brasileiras.
Quem se interessou pela obra poderá participar de um projeto de crowdfunding – financiamento colaborativo – promovido através da plataforma Catarse. Esse canal tem se mostrando um efervescente espaço para a produção de histórias em quadrinhos e possuí um grande número de projetos bem sucedidos.
As recompensas são as mais diversas e ficam cada vez melhores conforme a pessoa contribui mais para projeto. Além de cópias impressas do livro e originais da capa e páginas da história em quadrinhos, poderão ser adquiridos itens como cards colecionáveis, miniaturas em resina, pôsteres, fanzines e até mesmo um colete de couro sintético dos Macacos Urbanos.
Com 80 páginas coloridas, a obra será lançada no próximo FIQ – Festival Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte, em novembro de 2013.

Domingo, Maio 12, 2013

Depoimentos sobre o livro "Grafipar, a editora que saiu do eixo"


"Sou sobrinha do Seto, filha da Kinue. Estou lendo o livro e praticamente já acabei, adorei!! O livro é fantástico!!!  Convivi muito com o Seto, desde muito pequena, e me lembro de todas essas revistinhas ...mas nem imaginava o que vinha por trás daquela sala de revistas.
É um alento para essa saudade enorme que ele deixou ver o quão querido ele era, e o reconhecimento do seu trabalho, e ao mesmo tempo frustrante, por nunca ter percebido quem ela o tio Chu de verdade..." (Tânia Seto)

"Acabei de receber o livro. Comecei a ler e nao queria parar. Além da historia da grafipar ser muito boa, teu talento como sempre me deixa ligado no texto. Parabens compadre" (Joe Bennett, desenhista do Gavião Negro)

"Simplesmente sensacional. Um árduo trabalho de pesquisa em um país sem memória! Um momento mágico da HQB, com grandes feras que considero mestres. E o livro ficou bonito, até com as capas das edições coloridas! Incrível. A vontade que dá é ter um fac-símile de todas essas edições pra conhecê-las, tenho muito poucas, umas 5, se muito...Parabéns pela obra!" (Edgar Franco, quadrinistas e um dos principais pesquisadores brasileiros sobre quadrinhos)


Argo - o cinema como farsa

Argo é um filme de 2012 dirigido por  Ben Affleck, ganhador de diversos prêmios, entre eles o Oscar de melhor filme. O sucesso de público e de crítica é merecido. A história é intrigante e o filme muito bem dirigido, criando uma espécie de "triller cabeça", em que o suspense se mistura a questões políticas e históricas.
A película é baseada em fatos reais: em 1979 a embaixada americana no Irã é invadida por manifestantes e todos os seus ocupantes são feitos reféns. Mas seis pessoas conseguem escapar pelas portas dos fundos e se refugiam na casa do embaixador canadense. Para resgatar essas pessoas um agente do FBI cria um filme falso de ficção científica chamado Argo. A ideia é tirar os funcionários da embaixada disfarçados de membros da equipe de filmagem.
Affleck surpreende, criando um filme denso, repleto de suspense: o perigo surge a todo momento e, se a farsa for descoberta, todos serão mortos pelo regime iraniano. Fatos reais, como pessoas enforcadas em gruas de construção, ajudam a dar o clima das cenas.
Uma curiosidade é que para tornar a farsa crível foi criado até um cartaz, um story board e desenhos de produção. Boa parte desses desenhos ficou a cargo de Jack Kirby, o rei dos quadrinhos de super-heróis. Reproduzo abaixo algumas dessas imagens.




Sábado, Maio 11, 2013

Fantasia em imagens

Kekai Kotaki é um ilustrador especializado em fantasia medieval. Seu trabalho impressiona não só pelo realismo das imagens (que nos fazem acreditar em dragões e outros seres míticos), como pelos ângulos inusitados. Confira abaixo algumas de suas imagens.






Sexta-feira, Maio 10, 2013

Billy Wilder: o mestre do cinema, parte II

Billy Wilder é um dos mais importantes diretores do cinema mundial. Judeu austríaco, mudou-se para a América fugindo do nazismo e fez obras-primas, como Crepúsculo dos Deuses. Conhecido por seu ecletismo, ele dirigia tanto ótimas comédias (a melhor delas, Quanto Mais Quente, Melhor) e ótimos dramas (como o filme sobre alcoolismo Farrapo Humano). 

Em artigo anterior, destacamos alguns pontos que fazem de Wilder um diretor tão especial. Neste, apresentamos outras características. 

Bons finais sempre
Há muitos cineastas cujos filmes são obras-primas. Filmes muito bem escritos, com composições visuais excelentes e interpretações impecáveis. Mas quando chegam ao final, acabam de maneira estranha, que não condiz com a qualidade do restante, enfim, finais passáveis. Com Billy Wilder chega a ser impressionante a coerência de sua carreira no que se trata de tramas bem construídas e bem encerradas. 

Talvez o caso mais emblemático deste quadro seja o filme Testemunha de Acusação (1958). Neste, o final é tão surpreendente e importante para a trama que quem assiste ao filme inteiro com exceção dos minutos finais pode ficar com a impressão de que se trata de um filme menor. Nos créditos, há um pedido para que os espectadores não comentem a respeito do final com amigos. Wilder sabia que a força do filme estava no final.




Também temos o que possivelmente é o melhor final de um filme de todos os tempos. Na ultima cena de Quanto Mais Quente Melhor (1959) vemos aquele que é considerado o melhor diálogo final de um filme em todos os tempos. Jack Lemmon, disfarçado de mulher e usando o nome de Daphne, tenta convencer o milionário Osgood que não pode se casar com ele:

Daphne: É, Osgood. Não posso me casar no vestido da sua mãe. É que, eu e ela, nós não temos o mesmo tamanho.

Osgood: Nós podemos alterá-lo.

Daphne: Oh, não faça isso! Osgood, Eu vou falar de uma vez. Não podemos nos casar de forma alguma!

Osgood: Por que não?

Daphne: Bem, em primeiro lugar, eu não sou loira de verdade.

Osgood: Não importa.

Daphne: Eu fumo! Eu fumo o tempo todo!

Osgood: Eu não ligo.

Daphne: Bem, eu tenho um péssimo passado. Faz três anos que eu moro com um saxofonista.

Osgood: Eu te perdoo.

Daphne: Nunca poderemos ter filhos!

Osgood: Podemos adotar alguns.

Daphne: Mas você não entende, Osgood! Eu sou um homem!

Osgood: Bem, ninguém é perfeito!

Esse final, escrito em parceria com I. A. L. Diamond, grande parceiro do diretor, ficou tão famoso que Wilder mandou escrever em seu túmulo: "Eu sou um escritor... mas ninguém é perfeito". 

Isso tudo só ocorre porque Wilder, seguindo o princípio consagrado por alguns movimentos cinematográficos que estabelece condições para que um diretor seja também um autor, também roteiriza todos os seus filmes. Esse fato que lhe permitia muito mais liberdade criativa. Esse fator, somado à liberdade que os estúdios lhe davam (poucos diretores desfrutavam deste luxo à época) contribuía para que ele quase sempre optasse pelo melhor final no seu ponto de vista. 

Direção de atores
Wilder não era um mestre só ao manejar a câmera. Era também um especialista em tirar de seus atores suas melhores interpretações. O exemplo mais clássico talvez seja Marilyn Monroe em Quanto Mais Quente Melhor. Conta-se que na época ela já estava com problemas psicológicos tão graves que não conseguia decorar nem mesmo uma frase simples, como "I´m sugar!". Ainda assim, sua atuação no filme é perfeita. A cena em que ela tenta conquistar Tony Curtis, que, por sua vez, tenta se fazer de tímido, é uma das melhores do cinema com atuação brilhante dos dois atores. Aliás, essa mesma cena é um exemplo perfeito da maneira como o diretor manejava o diálogo de modo a permitir várias interpretações. Nela, quase toda fala tem duplo sentido. 

Eclético
Billy Wilder costumava dizer "ninguém gosta de comer todos os dias a mesma coisa" para justificar a variedade de seus filmes. Ele fez um dos melhores dramas jornalísticos de todos os tempos (A Montanha dos Sete Abutres) e a melhor comédia da história do cinema (Quanto Mais Quente, Melhor). E passeou pelos gêneros noir (Pacto de Sangue), comédia romântica (A Incrível Suzana, Sabrina), filme de guerra (Sete Covas do Egito e Inferno n. 17), comédia de costumes (Se Meu Apartamento Falasse, O Pecado Mora ao Lado), metalinguístico (Crepúsculo dos Deuses) e até policial (A Vida Íntima de Sherlock Holmes). Dos gêneros mais conhecidos de Hollywood, os únicos que ele não abordou foram a ficção científica e o faroeste. 


Roteiros
Já foi dito sobre os finais perfeitos de seus filmes, mas quem conhece o trabalho Billy Wilder sabe que tudo em seus filmes era feito em torno do roteiro. A textura da trama era perfeita, sem pontas soltas ou deus ex-machinas (situações ou soluções que não se encaixam no contexto). Até mesmo quando Wilder parece falhar no roteiro, isso na verdade faz parte da trama, como em Testemunha de Acusação, quando uma personagem aparece do nada apresentando provas fundamentais para o julgamento. Além disso, ele manejava o diálogo como poucos, revelando detalhes sobre os personagens a cada fala. Exemplo disso é quando Kirk Douglas, em A Montanha dos Sete Abutres diz que irá conseguir uma grande notícia, mesmo que para isso precise morder um cachorro, mostrando, nessa simples fala, a falta de ética do personagem. 

Todos esses fatores e muitos outros fazem com que Billy Wilder seja obrigatório para qualquer um que goste de cinema. 

Texto escrito em parceria com Alexandre Magno Andrade.
Pubicado originalmente no Digestivo Cultural.