segunda-feira, maio 20, 2019

Mentira de artista e o fake na arte

Mentira de artista, de Fabio Fon é um livro fundamental para quem quiser entender a arte contemporânea. 
Fábio se debruça sobre casos em que a arte utilizou o fake como elemento criador - estratégia antecipada na frase de Picasso, segundo o qual a arte é uma mentira que revela a verdade. 
A estratégia não é nova. Edgar Allan Poe, inovador como sempre, a usou no episódio conhecido como A balela do balão, em que criou uma viagem imaginária da França aos EUA a bordo de um balão e provocou furor entre os leitores do jornal The Sun.
Mas Fábio se concentra na arte contemporânea, e não por acaso.
Num mundo de simulacros, em que é cada vez mais difícil separar realidade de ficção, a arte se torna essencial para refletirmos sobre esses processos.
Os capítulos vão desde artistas fakes a robôs que se fazem passar por artistas, passando pelo ótimo filme F for Fake, de Orson Welles, o mesmo que protagonizou o episódio Guerra dos Mundos, em a dramatização do clássico livro de H.G. Wells foi tida como verdade e provocou alvoroço nos EUA (tanto Welles quanto Wells foram processados e ambos absolvidos).
A arte que lida com o fake é algo tão novo e perturbador que mesmo entre os estudiosos da arte, muitos não consideram arte, até porque muitas dessas obras contestam até mesmo as noções atuais do que é arte ou do que legitima uma obra como artística.
Mas arte é exatamente isso. A arte verdadeira não conforma, não nos acomoda em nossas noções cristalizadas, mas nos faz pensar, refletir e colocarmos em cheque nossas convicções. E o livro Mentira de artista apresenta vários casos em que a arte fez exatamente isso.

Versailles – série histórica da Netflix



No século XVIII a França vivia uma grande transformação. O poder, que até então estivera nas mãos da nobreza feudal, começou a ser abocanhado pelo rei no processo que ficaria conhecido como absolutismo francês. O maior exemplo disso foi Luís XIV, o rei-sol, que dizia: “O estado sou eu”. E a maior representação desse poder foi o palácio de Versailles.
Versailles foi construída no antigo pavilhão de caça do pai de Luis XIV e tinha dois objetivos: um deles era sair de Paris, diminuindo as possibilidades de uma revolta por parte dos nobres feudais. O segundo objetivo era abrigar os nobres que se conformavam com a nova situação. Destituídos de seu poder e de suas terras, estes recebiam, em troca, um emprego na corte (podia ser abotoar o sapato do rei, por exemplo), onde viviam em meio ao luxo no maior e mais espetacular palácio da Europa.
A vida na corte era um eterno teatro cujo principal ator era o rei-sol. Nobres se acotovelavam para ver o rei acordar ou se recolher, como se vissem o espetáculo do nascer e do por-do-sol. Ou se amontoavam para vê-lo almoçar – os de mais prestígio eram chamados até mesmo para comer junto com o soberano. E Luis parecia ser também o centro sexual do palácio, com suas várias amantes e várias mulheres que pretendiam cair em sua graça.
Versailles era um local de festas eternas, mas também era um local de intrigas palacianas. Os nobres jamais se conformaram em perder o poder e houve vários complôs contra o rei.
A série Versalhes, lançada no Brasil pela Netflix, se propõe a abordar a construção do castelo, o luxo e as intrigas que envolviam a corte francesa. E não decepciona. O figuro é realmente esplêndido, assim como cenário. Há incongruências, claro. Em algumas cenas, o palácio, filmado atualmente, aparece inteiro, com partes que não existiam na época em que a história decorre. Mas elas passam facilmente despercebidas diante do bom roteiro, da direção inspirada e principalmente das grandes atuações – a começar pelo protagonista, George Blagden (de Vikings). A série tem duas temporadas na plataforma e já se fala em uma terceira. 
Versalhes é perfeito para quem gosta de histórias de intrigas palacianas. É um Guerra dos Tronos sem dragões. E com um final realmente de tirar o fôlego. 

Kardec – o filme



Kardec foi o codificador da doutrina espírita, o homem que tornou o espiritismo famoso mundialmente. Mas sua vida em si não teve grandes atrativos, sendo sua jornada muito mais espiritual e intelectual. Transformar essa jornada em algo interessante era o objetivo de Wagner Assis. O diretor já tem uma relação com o tema: foi o responsável por transpor para as telas o livro Nosso Lar, de Chico Xavier.
Hypolite Leon Denizard Rivail era um revolucionário professor francês. Influenciado por Pestalozzi, propunha uma relação de afeto entre alunos e professores e uma educação que despertasse a curiosidade científica nos estudantes. Quando, por ordem de Napoleão III, as escolas foram obrigadas a ter aulas de religião começou seu primeiro grande combate. Seu método de ensino ia na contramão da catequese em que se transformaram as escolas. A solução foi se aposentar.
O filme inicia exatamente nesse momento, em que, desempregado, o célebre professor, autor de vários livros sobre educação, se vê numa situação de crise. Entremeada a essa crise, uma moda, inicialmente rechaçada por ele: a das mesas girantes. Pessoas lotavam teatros onde faziam perguntas a mesas que flutuavam no ar.
Como bom cientista, Hypolite rechaçou o fenômeno, imaginando que se tratava apenas de truques de ilusão.
De fato eram, como ele logo descobriu – mas havia também fenômenos autênticos, em grupos que envolviam até mesmo cientistas renomados. Aos poucos ele foi se deixando convencer pelos fatos, como mensagens para ele com informações que só ele ou sua esposa conheciam, ou um conto escrito por um autor falecido, mas cuja letra era absolutamente idêntica à letra do autor original.
O filme explora bem essa trajetória – do rejeição inicial ao momento em que o professor elabora um método para evitar fraudes: fazer a mesma pergunta a vários médiuns e comparar as respostas. Até que ele as codifica em uma obra – o Livro dos Espíritos.
Como foi dito, é uma jornada espiritual e intelectual – portanto há quase nenhuma ação ou conflito.
O momento de maior conflito ocorre quando a igreja católica bane o livro (Houve inclusive uma queima pública da obra, em Barcelona) e consegue a proibição das reuniões espíritas.
Entretanto, o filme consegue se sustentar bem com esse material, mantendo o interesse do expectador.
Como o orçamento é nitidamente baixo, os cenários de Paris do século XIX são recriados digitalmente e o filme todo tem um tom excessivamente teatral, o que barateia bastante os custos, mas torna um pouco forçada algumas cenas.

Jogador número 1

Jogador Número 1 conta a história de um futuro tão desolador que as pessoas vivem a maior do tempo em um jogo, o Oasis, criado por nerd. Ao morrer, ele deixa três chaves que, uma vez descobertas, tornarão seu dono proprietário da rede social. Ocorre que uma empresa rival quer desvendar o segredo para transformar o Oasis numa distopia. 
O filme é uma homenagem de Steven Spielberg à cultura pop, em especial aos jogos, filmes e seriados. São milhares de referências (ou easter eggs) espalhados pela trama, do carro do protagonista a uma das armas usadas por ele (o cubo Zemeckis). Destaque para a sequência-homenagem ao filme O Iluminado. 
É também uma reflexão sobre o mundo hiper-real em que vivemos, em que o virtual se torna mais importante que a realidade concreta. Spielberg consegue manipular com perfeição essas instâncias, a ponto de muitas vezes o expectador não perceber onde começa um e termina outro. O simples fato de que a pessoa que ganhar um jogo virtual se tornará a pessoa mais rica do planeta é o melhor exemplo disso.
Uma aventura divertida, dirigida por um mestre do cinema, um filme homenagem e, principalmente, uma reflexão necessária para os tempos atuais.

As aventuras do pequeno Xuxulu


domingo, maio 19, 2019

O roteirista profissional: televisão e cinema

Marcos Rey.foi um dos principais roteiristas brasileiros de cinema e televisão. Na década de 1970 ele foi o rei da pornochanchada, escrevendo alguns dos principais filmes do gênero. Ele reuniu boa parte de sua experiência no livro O roteirista profissional: televisão e cinema. 
.
Antes de mais nada, é bom avisar que não se trata exatamente de um manual. O autor até dá algumas dicas de como formatar o roteiro, mas não vai muito além da cabeça CENA 1 - LOCAL - EXTERIOR/INTERIOR - DIA/NOITE.
Na verdade, a obra é mais um relato de experiência com o qual podem aprender muito so que forem inteligentes e atentos. Escrito de forma coloquial, a impressão que temos é de estar conversando com um veterano e aprendendo de forma não muito sistemática.
Personagens

Uma das dicas é que Marcos Rey fazia uma espécie de questionário com qual "conversava com os personagens". Perguntas como: "Onde você nasceu? Qual a sua profissão? Gosta dela? Tem alguma religião? Já viveu algum grande amor? Tem algum ideal político? Gosta de repetir alguma palavra?" ajudam a compor o personagem. Todo mundo se lembra, por exemplo, do Coronel da novela Renascer que sempre dizia: "Certo, muito certo, certíssimo!".
No caso dos heróis, é bom dar-lhe um defeito, para torná-lo mais humano: Sherlock Holmes era um dependente de drogas, Poirot um vaidoso, Columbo um relaxado, só para ficar nos detetives.
Também é bom dar marcar fisicamente o personagem. Sherlock Holmes é conhecido pela roupa xadrez, pelo boné e pelo cachimbo. Kojak é careca e fuma uma piteira.
Se a dica é boa para seriados de TV, é melhor ainda para os quadrinhos, uma mídia que depende muito do visual.
RÚBRICAS

São marcações nas falas dos personagens para ajudar o diretor (ou o desenhista) a entender o tom da fala. Por exemplo:

JANDIRA (categórica): Neste hotel não vejo, não escuto, não falo!
PASCOAL (de boca cheia): É bom fazer coisa nova. a freguesia tá mudando!

DIÁLOGOS
Marcos Rey dá uma lição básica, mas importantíssima:
É preferível uma ação muda do que complementada por diálogos inúteis. Imagens também falam.
Nunca coloque em palavras o que a imagem já está tornando explícito.
Nesse sentido, ele critica os primeiros roteiristas de telenovelas, que, vindos do rádio, tinham o vício de fazer os personagens falarem o que estavam fazendo:
JANDIRA: Agora estou abrindo a porta. O que é isso? está tudo escuro? Ligaram uma luz! O quê? Fecharam a porta! Estou presa!
É, tem roteirista de quadrinhos que ainda faz esse tipo de coisa. Aliás, Marcos Rey devia estar pensando nos primeiros comics quando escreveu: "certos autores usam o diálogo como simples muletas de ação. Parece que escrevem histórias em quadrinhos".
NOVELAS
Marcos Rey conta que a maioria dos diretores mexia muito nos seus roteiros a ponto de muitas vezes ele não reconhecer seus textos na tela. De fato, normalmente diretores têm mais poder que os roteiristas e muitas vezes se dão o direito de mexer no texto. Isso só não acontece no caso das novelas. Os roteiristas são as grande estrelas e têm poder absoluto sobre suas novelas. Os diretores não costumam mudar quase nada. E a razão é simples: a produção de telenovelas é tão estafante e apressada que o diretor só tem tempo de filmar e editar. Curioso, não? É justamente o fato das novelas serem uma produção industrial que faz com que elas possam ser obras pessoais a ponto de conseguirmos distinguir o estilo do roteirista. Uma novela de Benedito Rui Barbosa, por exemplo, é completamente diferente de uma do Manoel Carlos.


ADAPTAÇÕES
Talvez o capítulo mais interessante seja sobre adaptações. Uma dica de Marcos Rey: adaptações ao pé da letra, fidelíssimas, são péssimas. De fato, esse talvez tenha sido o maior problema do filem Watchmen. Aliás, passado o vislumbre de ver nas telas uma transposição quase literal dos quadrinhos, o que ficou foram duas criações do diretor: a cena de abertura, com a música do Bob Dylan, perfeita, e o final, cientificamente muito mais correta do que a da história em quadrinhos.
Marcos Rey foi um dos roteiristas da excelente série do Sítio do Pica-pau amarelo da década de 1970. Hoje, 10 em cada 10 críticos diz que aquela adaptação da obra de Monteiro Lobato foi um marco, que encantou toda uma geração, mas na época a maioria dos itelectuais simplesmente odiou. E aí vai outra grande lição: nem sempre quem critica uma adaptação conhece a obra original.
Três exemplos:
1 Os críticos acharam uma heresia colocar uma televisão na sala da Dona Benta, mas não se tocaram que o Lobato já tinha colocado um rádio lá em plena década de 1920, quando esse aparelho era novidade absoluta.
2 Um episódio, Narizinho atômica foi muito criticado por estar deturpando a obra de Lobato. E era adaptação fiel de uma história menos conhecida de Lobato no qual ele falava do perigo das bombas atômicas.
3 A jornalista Cléo foi vista como absurda criação dos roteiristas, mas foi criada por Lobato, um visionário, que já imagina o dia em que as mulheres exerceriam o jornalismo.

Endomarketing


O contrário da fidelidade é deserção. Existem muitas razões para que o cliente deixe de ser fiel a uma empresa. A principal delas, depois da má qualidade do produto, é o desempenho deficiente de funcionários. Funcionários desmotivados, emburrados e despreparados são um verdadeiro afasta-clientes. Por outro lado, trabalhadores competentes, motivados e fiéis à empresa tendem a conhecer melhor o cliente e garantir sua satisfação.
Manter o funcionário motivado para que ele atenda bem o cliente tem sido um desafio diário para a maioria das empresas. Inúmeras estratégias têm sido desenvolvidas com essa finalidade, mas não há consenso sobre o que de fato funciona.
Então, como saber se estamos no caminho certo?
Primeiro, olhe atentamente para seus funcionários: eles parecem felizes ou parecem estar ali apenas cumprindo uma obrigação? Eles sabem com clareza qual é o seu papel na estrutura da empresa? Eles têm consciência do que a empresa espera deles?
As respostas para essas perguntas vão dar uma noção do grau de envolvimento e motivação dos funcionários com a empresa. E funcionário motivado é funcionário que produz.
Motivar é dar motivos a alguém para que se porte de determinada forma. Logo, se eu quero que meus funcionários encantem meus consumidores, tenho que dar motivos a eles para tal. Convencê-los. E isso não é tarefa fácil, todos sabem. Mas é uma das mais valiosas estratégias mercadológicas, e a que mais contagia.
Um funcionário que acredita na empresa vai multiplicar a crença de que vale a pena trabalhar ali. E, por conseguinte, que vale a pena consumir ali.

Empresas como Volvo, Caterpillar e Serasa, sempre listadas no guia Exame de melhores empresas para trabalhar certamente já fazem a sua parte para desenvolver o endomarketing e, com isso, conquistar mais mercados.

Canto para Minha Morte


Raul Seixas e Paulo Coelho

Eu sei que determinada rua que eu já passei,
Não tornará a ouvir o som dos meus passos
Tem uma revista que eu guardo há muitos anos
E que nunca mais eu vou abrir
Cada vez que eu me despeço de uma pessoa
Pode ser que essa pessoa esteja me vendo pela ultima vez
A morte, surda, caminha ao meu lado
E eu não sei em que esquina ela vai me beijar
Com que rosto ela virá?
Será que ela vai deixar eu acabar o que eu tenho que fazer?
Ou será que ela vai me pegar no meio do copo de uísque
Na música que eu deixei para compor amanhã?
Será que ela vai esperar eu apagar o cigarro no cinzeiro?
Virá antes de eu encontrar a mulher, a mulher que me foi destinada,
E que está em algum lugar me esperando
Embora eu ainda não a conheça?
Vou te encontrar vestida de cetim,
Pois em qualquer lugar esperas só por mim
E no teu beijo provar o gosto estranho
Que eu quero e não desejo,mas tenho que encontrar
Vem, mas demore a chegar.
Eu te detesto e amo morte, morte, morte
Que talvez seja o segredo desta vida
Morte, morte, morte que talvez seja o segredo desta vida
Qual será a forma da minha morte?
Uma das tantas coisas que eu não escolhi na vida?
Existem tantas... um acidente de carro.
O coração que se recusa a bater no próximo minuto
A anestesia mal aplicada.
A vida mal vivida, a ferida mal curada, a dor já envelhecida
O câncer já espalhado e ainda escondido, ou até, quem sabe
Um escorregão idiota, num dia de sol, a cabeça no meio-fio...
Oh morte, tu que es tão forte,
Que matas o gato, o rato e o homem
Vista-se com a tua mais bela roupa quando vieres me buscar
Que meu corpo seja cremado e que minhas cinzas alimentem a erva
E que a erva alimente outro homem como eu
Porque eu continuarei neste homem
Nos meus filhos, na palavra rude
Que eu disse para alguém que não gostava
E até no uísque que eu não terminei de beber aquela noite...
Vou te encontrar vestida de cetim,
Pois em qualquer lugar esperas só por mim
E no teu beijo provar o gosto estranho que eu quero e não desejo,mas tenho que encontrar
Vem, mas demore a chegar.
Eu te detesto e amo morte, morte, morte
Que talvez seja o segredo desta vida
Morte, morte, morte que talvez seja o segredo desta vida

Conhecimento artístico na revista Filosofia


A revista Conhecimento Prático Filosofia era uma publicação da Editora Escala voltada para professores de Filosofia. Eu colaborei com o número 17 com uma matéria sobre O conhecimento artístico. Trata-se de uma abordagem nova, ancorada em autores como Edgar Morin, segundo o qual a arte é uma forma de adquirirmos conhecimento sobre o mundo. Através da arte (aqui entendida de forma geral, incluindo quadrinhos, cinema, literatura etc), podemos compreender melhor o mundo em que vivemos e até antecipar como será o mundo futuro. Na matéria, além de Morin, cito Jung, pesquisas sobre o lado direito e lado esquerdo do cérebro, Stephen King, Flash Gordon, Arquivo X etc.

Revista Tintin

A revista Tintin Semanal foi publicada pelo editorial Bruguera em 1968. A revista publicava o melhor do quadrinho franco-belga, de Tintin a Asterix, no estilo das publicações européias: em capítulos de poucas páginas com continuação (na Europa esses capítulos posteriormente são reunidos em um álbum). A publicação durou até o número 26.

sábado, maio 18, 2019

Congresso de quadrinhos irá reunir pesquisadores da região norte



Acontece de 6 a 8 de junho, no Sebrae, o II Aspas Norte – congresso de quadrinhos da região norte. O evento é organizado pela Associação de Pesquisadores em Arte Sequencial – ASPAS – e este ano acontece dentro de um evento maior, o III Comertec.
               O I Aspas Norte aconteceu em outubro do ano passado, na Unifap e na Biblioteca Pública Elcy Lacerda, e contou a apresentação de 16 trabalhos acadêmicos sobre quadrinhos de pesquisadores do Amapá e do Pará.
               Este ano, além das apresentações de trabalhos haverá uma oficina sobre roteiro para quadrinhos ministrada pelo roteirista Gian Danton.
               Para inscrever o trabalho, basta o resumo da apresentação – o artigo completo será enviado posteriormente. O edital pode ser lido no site: https://www.comertec.org/gt-s.
               As inscrições podem ser feitas até o dia 31 de maio através do endereço https://www.comertec.org/eventos. O valor da inscrição é dois quilos de alimentos não perecíveis ou dois quilos de ração.

SERVIÇO
II Aspas Norte
De 6 a 8 de junho
Inscrições até o dia 31 de maio através do endereço: https://www.comertec.org/eventos

Revista Múltiplo publica HQ de ficção científica de Gian Danton e Toninho Lima

Múltiplo, uma das mais longevas revistas alternativas brasileiras, publicou no seu número 31 uma história minha com desenhos de Toninho Lima. A HQ Vácuo une psicologia e ficção científica: nela, um homem com claustrofobia pode colocar toda uma estação espacial em risco.
Clique aqui para baixar a revista.

A arte de Murphy Anderson, o homem de prata


Murphy Anderson foi um dos principais nomes da DC na era de prata dos super-herois. Seu trabalho em personagens como Adam Strange se tornaram antológicos. Confira algumas de suas obras.











Jornal Meia-hora faz capa com personagens de quadrinhos


Lembro que quando comecei a falar de quadrinhos no curso de Jornalismo tinha muita gente - inclusive alunos - que fazia chacota. Hoje os quadrinhos estão em tudo quanto é lugar, inclusive nas capas dos jornais.

Vamos ser dominados pelas máquinas?

Uma possível revolta das máquinas é tema recorrente na ficção. Do computador Hall às divertidas revoluções robóticas do desenho animado Futurama,(do mesmo americano criador de “Os Simpsons”, Matt Groenig) a ficção científica sempre refletiu o medo humano de que nossa espécie venha a ser suplantada por nossas próprias criações.
                Tal preocupação começou a afligir a humanidade no início do século XX, quando a construção de máquinas de calcular tornou possível a criação de inteligência artificial.
                O filme Inteligência Artificial, de Spielberg, baseado no livro de Brian Aldiss, Superbrinquedos duram o verão todo(e com roteiro cinematográfico de Stanley Kubrick), levanta a possibilidade de no futuro as máquinas não só serem capazes de pensar, mas também de ter emoções.
                Mas será realmente possível criar inteligência artificial? Alguns autores cibernéticos acreditam que sim.
                Em 1950, Alan Turing declarou que uma máquina inteligente seria aquela capaz de conversar com alguém e se fazer passar por um humano. Isso ficou conhecido como teste de Turing. Para ele, no ano de 2000 os computadores passariam facilmente no teste.
                Um marco da busca de inteligência artificial foi a tartaruga Elsie, criada por Grey Walter na década de 50. A tartaruga, um primitivo robô em formato de quelônio e provido de rodas, alimentava-se de luz. Quando estava em um local escuro, ela procurava cômodos em que a lâmpada estivesse acesa.
                Esse robô tinha uma característica essencial dos seres vivos: a busca pela alimentação. Todos os animais e plantas buscam comida. Mas justamente a abrangência do comportamento demonstra que Elsie não era exatamente um exemplo de inteligência artificial. Afinal, até mesmo uma minhoca busca comida.
                Talvez um passo mais interessante tenha sido dado no Brasil, na década de 70. Foi nesse período que o pesquisador Isaac Epstein construiu, com imãs, alfinetes de mapas e caixas de ovos, Gabriela, um computador cuja função era jogar jogo da velha.
                A grande inovação de Gabriela é que ela aprendia. Ela começava perdendo e, no final, sempre empatava ou ganhava.
                Até então aprender parecia ser um comportamento dos animais, em especial os humanos.
                A maneira como Gabriela aprendia também seguia as regras da natureza: através de um processo de tentativa e erro.
                Para cada jogada, Gabriela tem três bolinhas de uma determinada cor. A cada derrota, uma bolinha equivalente à última jogada é retirada, diminuindo as chances dessa jogada voltar a se repetir, mas não as eliminando totalmente. Ou seja, para cada erro, Gabriela é punida, mas a punição não é excessivamente severa.
                Epstein utilizou em seu computador o mesmo método da natureza: ela faz aprimora as espécies fazendo tentativas de mudanças, que podem dar certo ou não, de acordo com a capacidade de adaptação ao novo ambiente.
                Nós humanos também usamos o processo de tentativa e erro para aprendermos. A criança aproxima a mão e a queima. O erro é seguido, portanto, de uma punição (mas não uma punição tão grande a ponto de desencorajar novas tentativas). Com o tempo a criança aprende que pode lidar com o fogo, mas deve ter cuidado com ele.
                Pessoas inteligentes são aquelas capazes de aprender com seus próprios erros.
                Gabriela era, portanto, inteligente, pois conseguia aprender com seus próprios erros.
                Uma outra característica dos seres vivos que foi assimilada pelos entes cibernéticos é a capacidade de auto-reprodução. O vírus de computador é um exemplo perfeito de um ser artificial e auto-replicante. Uma vez instalado em um computador, ele se reproduz e providencia meios de se espalhar para outros computadores (através de disquetes, ou da Internet).
                Poderia-se argumentar que o vírus, quando se auto-reproduz, nada mais faz que seguir uma programação anteriormente inculcada nele.
                Isso é verdade, mas nós também nos reproduzimos porque somos programados para tal. A diferença é que nossa programação é genética.
                O desenvolvimento das pesquisas em inteligência artificial fez com que Ray Kurzweil, o inventor do sintetizador eletrônico, previsse que em 2030 haverá computadores tão evoluídos quanto o David do filme Inteligência Artificial.
                Kurzweil descobriu que desde 1900, quando surgiram as primeiras máquinas de calcular, a capacidade de cálculo dos computadores dobra a cada geração.
                Assim, em 2029, um PC comum teria a mesma capacidade de cálculo de um cérebro humano. Isso, somado ao fato de que nos próximos 30 anos, a ciência terá descoberto tudo sobre o cérebro humano, permitirá a construção de um cérebro eletrônico.
                Além disso, a nanotecnologia permitirá a construção de neurônios artificiais, o que tornariam os cérebros robóticos ainda mais semelhantes aos nossos, com uma diferença: eles estarão ligados à Internet 24 horas por dia, o que lhes daria acesso a grande parte do conhecimento humano instantaneamente. Fazendo um paralelo com a teoria de Jung, a internet seria para os robôs o que é para nós o inconsciente coletivo.
                Como resultado dessa evolução, Kurzweil vê um futuro em que os humanos se tornarão obsoletos.
                Previsões como essa assustaram Bill Joy, o criador do linguagem Java, que tornou possível a internet.
                Para ele, máquinas inteligente(s) e auto-replicantes são perigosas demais porque fugirão do nosso controle.
                No futuro estima-se que grande parte das coisas será feita de nanorobôs, de roupas a paredes das casas. As vantagens são óbvias. Uma roupa nanotecnológica poderá mudar de forma de acordo com a vontade do dono. Se estiver frio, um casaco, se estiver calor, uma camiseta regata. Também será possível acompanhar a moda com muito maior rapidez (razão pela qual a moda, provavelmente, irá passar por modificações cada vez mais aceleradas).
                No conto “Superbrinquedos quando vem o inverno”, de Brian Aldiss, todas as pessoas têm em seus estômagos células Croswell, nanorobôs encarregados de consumir o excesso de gordura adquirida durante a alimentação. Esse “verme” artificial permitiria ao seu hospedeiro comer até cem por cento a mais de comida sem perder a silhueta.
                Tecnologias como essas serão irresistíveis e se espalharão rapidamente, mas se algo der errado, não poderemos fazer muita coisa para consertar a situação.
                E se uma célula Croswell resolvesse consumir também o estômago do hospedeiro?
                Para Bill Joy, em breve viveremos uma ditadura cibernética.
                Opinião absolutamente oposta à de Jaron Lanier, o criador da expressão realidade virtual.
                Para Lanier, nós nunca seremos dominados pelas máquinas em razão do que ele chamou de estupidez artificial.
                As máquinas são estúpidas porque seguem uma programação e não conseguem fugir dela, pois não conseguem perceber em que situações a programação não funciona.
Entretanto, programas como Google tradutor, que aprendem com traduções feitas por humanos podem ser indício de que a inteligência artificial já não é mais tão burra.

Jornalismo é...


sexta-feira, maio 17, 2019

Matérias para a Folha de Londrina

Entre os anos de 1993 e 1994 eu trabalhei no jornal Folha de Londrina. Embora fosse um jornal de interior, vendia mais que o da capital, a Gazeta do Povo. Também, pudera: a Folha produzia um jornalismo revolucionário para a época, com uma diagramação mais leve, textos curtos e muita experimentação. Enquanto isso, a Gazeta era um jornal extremamente conservador.
Nesse período fiz várias matérias em parceria com Ariel Palácios, hoje corresponde internacional da Globo da revista Época. Também entrevistei gente como Carla Camurati, Neil Gaiman e Sebastião Salgado.
Fiz também várias matérias históricas (eu era o único na redação que tinha saco de passar horas na biblioteca pública consultando documentos, como jornais antigos).
Como a Folha era um jornal inovador, isso nos permitia fazer experimentações.
Na redação eu era conhecido como a pessoa que tirava leite de pedra. Uma pauta básica sobre turismo em Curitiba virava motivo para um texto literário sobre o pouco conhecido Parque do Mate.
Um dos textos que mais gosto dessa fase é a entrevista com Carla Camurati, que segue o modelo de entrevista perfil, com descrições intercaladas à fala da personagem.

Cujo, de Stephen King


Antes de mais nada, um alerta de spoiller: se você gosta de textos que não tenham informações sobre a trama dos livros, pule esta resenha. Impossível falar de Cujo sem contar um pouco da história.
Dito isso, Cujo é um dos livros mais impressionantes de Stephen King. É também um dos mais angustiantes. É uma obra sobre como algo pequeno pode tomar dimensões cada vez maiores, sobre como algo pequeno pode se tornar um verdadeiro terror quando ninguém parece prestar atenção ao que está vindo.
Na história, um enorme cão São Bernardo é mordido por um morcego e contrai raiva. O leitor antecipa a tragédia que se aproxima, mas nenhum dos personagens que poderiam fazer algo percebe de fato o nível do que está acontecendo, nem mesmo o mecânico dono da fazenda, que acaba sendo morto pelo cão. A trama de fato se desenvolve quando uma mulher chega com seu filho para consertar o carro e fica presa no mesmo, com a fera raivosa do lado de fora. Enquanto isso, uma infeliz união de coincidências, como o marido estar em uma viagem de negócios, faz com que o socorro pareça cada vez mais distante.
A narrativa é centrada, portanto, na mulher presa ao carro, tentando a todo custo sobreviver e manter vivo seu filho enquanto lá fora uma fera raivosa de 90 quilos parece ter como único objetivo matá-los.
Como nas melhores histórias de King, Cujo não é apenas uma história sobre um perigo externo: é também sobre os conflitos internos dos diversos personagens. O balanço entre esses dois elementos é absolutamente equilibrado, deixando o leitor constantemente com sentimento de angústia pelo destino dos protagonistas. O livro tem 330 páginas. Ali pela página 150 é impossível largar.
Cujo é, portanto, um dos livros obrigatórios de King. E a edição da Suma é um item de colecionador, com a belíssima capa dura em vermelho com a imagem da pegada do cachorro.

Marketing: O cliente


            O primeiro público com a qual a empresa deve se relacionar é o cliente. O objetivo do marketing de relacionamento é desenvolver uma ligação economicamente eficaz a longo prazo entre a organização e seus clientes para benefício mútuo.
            Essa ligação vale a pena. Claro que existem muitos clientes nos quais a empresa não está interessada, como os ladrões ou os beligerantes, mas, no geral, vale a pena investir na relação com o cliente.
Além de ser muito mais barato manter um cliente atual do que conquistar novos clientes, pesquisas indicam que quanto mais tempo um cliente fica com uma empresa mais lucrativo se torna atendê-lo. Existem várias razões para isso. A primeira delas é que as compras do cliente tendem a aumentar com os anos. O homem solteiro se casa e começa a comprar não só para si, mas também para a família, por exemplo.
Além disso, conforme o cliente vai se tornando fiel, vão diminuindo os custos operacionais. Ele já conhece melhor o produto ou serviço e precisa de menos assistência. Se não bastasse isso, o cliente fiel gera lucro a partir da indicação do produto ou serviço para outros clientes, num buzz marketing mais eficiente que a publicidade convencional.
Assim, a fidelidade é o estado desejado. Ela acontece quando o cliente está disposto a continuar comprando com a empresa durante anos.
Philip Kotler, no livro Marketing para o século XXI, diz que empresas inteligentes, hoje em dia, não se veem como vendedoras de produtos, mas como criadoras de clientes lucrativos.
Uma das formas de criar clientes lucrativos é oferecer mais benefícios.
customização é um dos benefícios mais procurados atualmente. Hoje todo mundo quer se sentir único. Um anúncio enviado diretamente para o consumidor, com o nome dele, tem muito mais valor do que um anúncio geral. Assim, muitas empresas têm mandado cartas de felicitações para clientes no dia do seu aniversário, muitas vezes oferecendo ofertas especiais.
A empresa norte-americana Mars envia cartões personalizados para gatos: “Caro Félix, parabéns pelo seu segundo aniversário. Receba nossos cumprimentos e cupons especiais para compra de alimentos adequados para essa nova fase da sua vida.” Os proprietários do Félix ficam encantados e aumentam sua preferência pelas rações Mars.
Outro fator relevante para a fidelização é a comodidade para o cliente. Quanto mais fácil for comprar e usar o produto melhor. Vejam, por exemplo, o sucesso das lojas de conveniência.
Outro exemplo são os bancos. Antigamente dizia-se que os bancos norte-americanos seguiam a regra 3-6-3: capte recursos a três por cento, empreste-os a seis por cento e chegue ao campo de golfe às três da tarde. Se o cliente precisasse fazer uma operação bancária depois desse horário, não tinha como. Quando o primeiro banco passou a oferecer serviços de caixa eletrônico, conseguiu, com isso, facilitar a vida dos clientes, ganhando sua fidelidade. O mesmo aconteceu quando o primeiro banco passou a oferecer serviços pela internet.
Hoje, uma das áreas que mais crescem é o comércio eletrônico. Afinal, é muito cômodo para o cliente ter acesso a um mundo de produtos sem sair de casa, sem enfrentar filas e sem gastar gasolina.
A comodidade para o cliente combina com a rapidez no serviço. Um banco norte-americano afixou um cartaz em suas agências: “Cinco minutos ou cinco dólares.” O cartaz prometia depositar cinco dólares na conta do cliente que tivesse que esperar mais de cinco minutos para ser atendido. Essa é uma ótima estratégia para conquistar e manter clientes. Afinal, quem é que gosta de esperar horas numa fila?
As lanchonetes fast-food existem justamente pela promessa de um lanche saboroso em pouco tempo. Na rede McDonald’s, o cliente acaba de pagar e já recebe seu sanduíche.  
Outro fator relevante é oferecer mais e melhores serviços ou produtos. Antigamente, os biscoitos água e sal vinham em embalagens grandes. No caso de uma família pequena ou pessoas que moram sozinhas, que não conseguiam consumir tudo de uma vez, os biscoitos logo ficavam moles e tinham de ser jogados fora. O surgimento das embalagens individuais foi uma revolução que ajudou muito a vida do consumidor.
Outro exemplo são as lâminas de barbear. A criação do barbeador descartável facilitou a vida dos consumidores, que não precisam mais montar a lâmina no aparelho. Além disso, o barbeador descartável é mais seguro. Então, a Gillette inventou o barbeador com duas lâminas, muito mais eficiente. Quando as duas lâminas deixaram de ser um produto ampliado e se tornaram elemento quase que obrigatório em barbeadores descartáveis, a Gillette inventou uma fita deslizante que facilitava ainda mais o ato de barbear. Quando até mesmo essas fitas foram imitadas pelos concorrentes, a empresa veio com uma fita antialérgica. Assim, a Gillette tem pesquisado ano a ano inovações que deixem seus consumidores mais satisfeitos, conseguindo sua fidelidade.