
Longan’s run conta a história de uma cidade hermeticamente fechada onde as pessoas vivem para o prazer. Mas há um porém. Ao chegarem aos 30 todos precisam ser “renovados”. A renovação acontece durante um evento chamado carrossel em que as pessoas, flutuando no ar, são atingidas por raios que, supostamente teriam a capacidade de renová-los. Na verdade, as pessoas são mortas e para dar lugar a crianças.

Aí há algumas diferenças entre o filme e o seriado. No filme, Logan e uma jovem chamada Jéssica conseguem fugir, mas se deparam com um mundo destruído por uma guerra nuclear. Depois de muito caminharem, chegam em Washington, onde encontram um velho. Eles voltam para a cidade, que acaba sendo destruída e termina com os seus jovens habitantes ao redor do velho, admirados com um tipo de pessoa que nunca haviam visto.

Minha idolatria pela série fez com que eu encontrasse uma ressonância em obras distópicas, como 1984, de George Orwell, Admirável Mundo Novo, de Adous Huxley e Farenheith 451, de Ray Bradbury e isso talvez explique porque eu gostei tanto desses livros. Em todos eles havia a concepção de uma sociedade despótica em que não eram as próprias pessoas que decidiam sobre seus destinos.
Nesse sentido, Logan’s run me ajudou a definir minha filosofia política. Eu percebi que os sistemas autoritários surgem geralmente respaldados pelos cidadão comuns.

Outro aspecto interessante é observar uma sociedade formada exclusivamente por jovens (há uma cena em que uma garotinha vê a personagem Jéssica, de 24 anos, e diz que ela é uma velha bonita) em um filme lançado no auge do movimento hippie.

No filme, as pessoas, quando querem sexo, entram no circuito, que permite escolher qualquer outra pessoa que esteja no circuito (uma antecipação dos chats eróticos?) e há a loja do amor, onde qualquer um pode se relacionar com qualquer um. Ao fugirem, Jéssica e Logan redescobrem as sociedades antigas e as uniões estáveis e decidem que serão marido e mulher e terão filhos. Seria uma espécie de auto-crítica da geração do amor livre? Como um jovem refletindo sobre suas mais importantes questões, a série não dá respostas. Se no filme, Jéssica e Logan tornam-se um casal (amável esposa, amável esposo), no seriado os dois fogem juntos, mas não fica claro a relação entre os dois. Ou seja, a série é mais um reflexão sobre um comportamento do que uma censura do mesmo.
O filme também antecipa toda a discussão ecológica sobre o aquecimento global. Numa sociedade em que restauram poucos recursos naturais, a solução encontrada é o controle populacional e o reaproveitamente dos recursos (creio que esqueci de mencionar que as pessoas mortas no carrossel são secretamente transformadas em comida para o mais jovens).

O seriado nunca mostrou os personagens chegando ao santuário, o que foi um decepção para alguns fãs, mas por outro lado deixou em aberto a situação, permitindo que cada um visualize o santuário a seu modo. O santuário, assim, passou a significar menos um local e muito mais um sentimento de esperança de que o homem um dia consiga encontrar uma maneira de viver sem ser dominado por regimes autoritários, em que cada pessoa viva feliz, sendo responsável e livre para fazer suas próprias escolhas.
Embora Logan’s run tenha permanecido no limbo durante muitos anos, Hollywood redescobriu a história e tem se falado muito em uma refilmagem, inclusive com direção de Brian Singer (Superman). Espera-se que nessa nova versão a riqueza da história seja preservada, e que o filme não seja transformado em mais um filme em que a ação se sobrepõe à reflexão.
5 comentários:
Eae!!
Difícil a refilmagem ter a mesma pegada e qualidade do original...já me tornei descrente com o cinema mainstream atual...
Fiquei curioso quanto ao filme de 1970!!
Muito bom, Gian.
Chegou a ler a adaptação em quadrinhos lançada pela Marvel?
Abração!
É, Matheus, dificilmente o filme vai ser tão bom quanto o da década de 1970. Provavelmente vão fazer só uma película de perseguição com muita ação e esquecer totalmente o conteúdo político.
Oi Roberto, eu já li sobre a versão da Marvel, mas nunca li.
O visual das personagens femininas deve ter arrebentado corações à época, he he. Ao menos essa parte da série original deve sair bem nesse fake remake...
Assisti ao filme há alguns meses. Eu a conhecia série de TV e adorava. O filme me desagradou um pouco. Embora haja boas idéias, não creio que tenham sido devidamente aproveitadas. Nesse sentido, me perdoem os puristas, a série de TV se saía melhor.
Se como obra artística pecou um pouco, como reflexão vale a pena.
Rita
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