sexta-feira, outubro 19, 2012

Álcool, porta de entrada para drogas

A questão das drogas tem dominado boa parte da discussão para a eleição de prefeito de Macapá, em especial nas propagandas do candidato Roberto Goes. Acho bastante louvável a preocupação do atual prefeito e as propostas para enfrentar esse problema cada vez mais grave, mas estranhei a falta de referências ao álcool.
O álcool é a porta de entrada para outras drogas. Quem diz isso é o presidente da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas (Abead), Carlos Salgado. Segudo o psicólogo, essa é a droga que mais afeta a juventude: "Quanto mais disponíveis estão as drogas, mais são utilizadas. Disponibilidade tem a ver com preço e aceitação social. O álcool e tabaco são drogas que, apesar de todas as resistências, têm elevada aceitação social. Por isso, acabam sendo muito usadas".
O álcool é também a droga que mais afeta a sociedade. É, por exemplo, a principal causa de violência doméstica. O consumo de álcool está associado também a acidentes de trânsito e homicídios.
O interessante aí é que a prefeitura pode interferir diretamente nesse quadro, fiscalizando os bares. Um estudo mostrou que fechar bares uma hora mais  cedo diminui em 16% a criminalidade.
A cidade de Diadema, em São Paulo, considerada a mais violenta do Brasil, diminuiu em 80% os homicídios com uma medida simples: impondo um horário de 23 horas para fechamento dos bares.  Os poucos bares que têm autorização para funcionar além desse horário deve cumprir uma rigorosa legislação, que inclui isolamento acústico, proibição de venda de bebidas para menores, etc.
Em Macapá não existe legislação limitando o funcionamento de bares, ou, se existe, ela não é respeitada. No dia da eleição, por exemplo, os bares funcionaram normalmente, mesmo com a Lei Seca. Moro ao lado de um bar e vejo que ele funciona até a hora em que o proprietário decide. Pior: vejo muitos pais trazerem seus filhos para o bar, inclusive bebês, que ficam no carrinho enquanto os pais enchem a cara. Em Macapá não há qualquer fiscalização, nem com relação ao horário e funcionamento, nem com relação à presença de criançças.
Pode até ser que os pais não consumam drogas pesadas, mas essas crianças, ensinadas desde cedo que é normal consumir substâncias químicas em grande quantidade, têm grande chance de se tornarem usuários de crack, cocaina e outras drogas.
É mais fácil evitar que os jovens entrem no mundo das drogas do que tirá-los delas. 

O próximo prefeito, assim como os vereadores eleitos, em conjunto com polícia e MP, poderiam ter um compromisso com esse grave problema que assola Macapá: o das  drogas, que começa pelo álcool.
Fica como sugestão para os dois candidatos. 

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