segunda-feira, outubro 26, 2015

A "doutrinação" na prova no Enem




Passada a fase inicial de espanto e piadas, vamos falar sério. Essa questão do Enem mostra o quanto a teoria da ferradura está certa (opostos se tornam cada vez mais parecidos nos seus extremos). 
De um lado, os bolsonarinhos denunciando o marximo cultural da prova e do outro lado as feministas comemorando como se fosse o acontecimento do ano. Ambos ignorando completamente que uma questão de prova é apenas uma questão de prova. Colocar o pensamento de alguém e pedir para contextualizar esse pensamento não significa doutrinar alguém ou obrigar a pessoa a concordar com esse pensamento. Eu mesmo discordo em quase tudo da escola de Frankfurt, em especial Adorno, mas coloco em provas e peço para os alunos contextualizarem as ideias dele. 
Você pode discordar plenamente da Simone de Beauvoir e ainda assim acertar a questão. 
Uma frase de Hitler na prova não significa que quem elaborou a prova queira que você se torne nazista. Assim como a frase de Santo Agostinho na prova não tinha o objetivo de tornar as pessoas católicas. 
Mas, como falo em meu texto sobre a maldade humana (http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp…) pessoas excessivamente comprometidas com um grupo, seja qual for ele se tornam totalmente irracionais.

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