segunda-feira, maio 22, 2017

O uivo da górgona - parte 59


59
Edgar teve que se esforçar para entrar sem levantar ainda mais a porta. Já tinha mais de quarenta anos e o peso da idade já começava a cobrar seu preço. Alan já estava lá dentro, esperando por ele.
- Vamos. – cochichou o rapaz, ajudando o professor a se levantar.
Olharam à volta. A luz da claraboia praticamente não entrava ali e, num primeiro momento, sentiram-se cegos. Ficaram lá, parados, esperando que suas retinas se acostumassem à parca luminosidade antes de continuarem.
Era uma loja média, com várias gôndolas repletas de cabides com roupas. Quem quer que fosse, poderia estar escondido atrás de cada um deles.
                Os dois homens avançaram separados, vasculhando os corredores por entre as gôndolas. Iam passo a passo, cuidadosos, tentando vislumbrar algo por entre as trevas. Já estavam quase no fim quando ouviram algo lá atrás.
- É alguém correndo! – sussurrou Alan.
Uma das gôndolas ainda balançava e tilintava. Edgar compreendeu: alguém se escondera no meio das roupas e se aproveitara que estavam longe para procurar um refúgio melhor.
Os dois correram na direção do som, mas não viram nada.
- Ali. – disse Edgar, apontando para os provadores.
Era uma boa hipótese. Os provadores ficavam perto da gôndola na qual a pessoa se escondera.
O cômodo estava ainda mais escuro que a loja. Edgar fez um gesto e entraram, ao mesmo tempo em que abriam a primeira cortina. Não havia nada ali. Seguiram para a segunda cortina. Nada. Começavam a abrir a terceira cortina quando ouviram um grito e algo passou por eles.
Alan deu um salto rápido e segurou alguém pela cintura. Por um instante, Edgar achou que fosse uma atitude imprudente. Se fosse um daqueles zumbis... mas, quando foram para a área mais clara, compreendeu: era uma garota, de pouco mais de 17, talvez 18 anos. Alan a segurava e a arrastava para a luz, enquanto ela gritava:
- Me larguem! Me larguem!
Edgar correu na frente e abriu a porta corrediça, de modo que logo estavam no corredor, sob a iluminação da claraboia.
- Calma. – disse. Não vamos lhe fazer mal.
Só então pôde observá-la. Tinha cabelos lisos e negros, cortados à altura do ombro, grandes olhos pretos e vivos. Sua figura oscilava entre a beleza e a fragilidade.
Alan a soltou e ela se encolheu junto à parede.
- Por favor, não me machuquem!
- Já lhe disse. Não vamos lhe fazer mal.
Alan olhava para a moça, fascinado.
Edgar aproximou-se dela, cauteloso, a mão aberta estendida.
- Calma. Não vamos machucar você. Imagino que tenha passado por maus bocados. Estamos aqui para ajudá-la.
A garota pareceu mais confortável ao ouvir essas palavras. Edgar aproximou-se e tocou em seu ombro.
- Qual é o seu nome?
- D... Daniela. Mas pode me chamar de Dani.
Edgar fez que sim com a cabeça:
- Muito bem, Dani. Um de nós está ferido. É uma menina. Precisamos voltar para a farmácia e ver como ela está. Você nos acompanha?

A garota concordou. 

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