segunda-feira, março 19, 2018

Redação científica: fichamento



O Fichamento é, na verdade, um instrumento de pesquisa, mas é comum professores pedirem fichamentos como forma de testar a capa-cidade de leitura e compreensão do aluno.
Originalmente, como instrumento de pesquisa, as fichas se dividem em bibliográfica, de citações e de leitura.

FICHA BIBLIOGRÁFICA
A ficha bibliográfica é a primeira a ser feita e constitui a primeira par-te de uma pesquisa. Nela anotamos todos os documentos (sites, artigos em revistas, livros, textos em jornais) que possam ter qualquer tipo de interesse para nosso trabalho.
Ela serve para que, depois, possamos ter uma boa idéia do tipo de bibliografia com o qual podemos contar e onde se encontram esses documentos.
A estrutura da ficha bibliográfica é a seguinte:
-Tema da pesquisa
- Indicação bibliográfica das obras pesquisadas.


Exemplo de ficha bibliográfica 


Cibernética
          
EPSTEIN, Isaac. Teoria da informação. São Paulo: Ática,1986.
EPSTEIN, Isaac (Org.). Cibernética e comunicação. São Paulo: Cutrix,1973.
PIGNATARI, Décio. Informação. Linguagem. Comunicação. São Paulo:Perspectiva, 1976.

FICHA DE CITAÇÃO

         A ficha de citações serve para anotarmos trechos das obras que pretendemos citar no trabalho. Ela é muito útil, por exemplo, quando estamos lendo um livro da biblioteca, ou emprestado por um amigo.
         A estrutura da ficha de citação é a seguinte: tema, bibliografia, citações entre aspas seguidas da página onde estas se encontram.


EXEMPLO DE FICHA DE CITAÇÃO
Megalópolis de informação

MCLUHAN, M.; FIORE, Q. Os meios são as massa-gens.
Rio de Janeiro:Record, 1969.

“A cidade do futuro, de circuitos elétricos, não será esse fenomenal aglomerado de propriedade imobiliária concentrada pela ferrovia. Ela adquirirá um significado inteiramente novo sob condições de movimentação extremamente rápida. Será uma megalópolis de informação. O que resta da configuração das cidades ´anteriores´se parecerá muito com as Feiras Mundiais –lugares onde se exibem novas tecnologias, não Lugares de trabalho ou de moradia”. (p. 100)

FICHA DE LEITURA

A maioria dos professores, quando pede o fichamento do um livro, está se referindo a uma ficha de leitura, ou ficha de resumo. A estrutura dessa ficha é muito mais completa e pode mudar de autor para autor. Aqui é usada uma estrutura básica, que inclui: Tema, referência bibliográfica da obra, informações sobre o autor, resumo, comentários e citações.
O exemplo abaixo foi feito como instrumento de pesquisa para uma dissertação de mestrado e inclui comentários sobre a possibilidade de utilização do livro no trabalho. No caso de um trabalho pedido aos alunos como exercício de leitura, esse tipo de comentário é dispensável. Aliás, quanto ao comentário, é melhor não tê-lo do que ter comentários pessoais, do tipo “Não gostei desse livro” ou “Acho esse livro muito importante”.


Exemplo de ficha de leitura

Determinismo na ciência

EPSTEIN, I. Teoria da Informação. São Paulo: Ática, 1986.

                Epstein é uma autoridade na área de cibernética e teoria da informação. Foi autor de um dos primeiros livros sobre o assunto publicados no Brasil: Cibernética e Comunicação, de 1971. Doutor em filosofia, é professor do Programa de Pós-graduação em Comunicação da Universidade Metodista de São Paulo.
                Esse, embora seja um livro de introdução ao assunto, acabou se tornando uma referência obrigatória para a Teoria da Informação. Epstein fala de códigos, mensagens, decifração de mensagens codificadas, redundância e sintaxe. Outros temas: entropia, redundância, fontes ergódicas e quantificação da informação.
                De fundamental importância é o terceiro capítulo: “O que é informação”. Nesse, Epstein trabalha o conceito de entropia e explora os conceitos de Demônio de Maxwell e Demônio Laplaciano. O Demônio Laplaciano é uma entidade imaginada por Laplace para explicar o determinismo da natureza. De posse de informações sobre todas as partículas do universo, seria capaz de prever o futuro. O Demônio de Maxwell, ao contrário, trabalha com a indeterminação e opera utilizando a entropia a seu favor.
                “A inteligência suposta por Laplace seria onisciente, mas impotente para provocar qualquer modificação no curso dos eventos. Restaria a ela um olhar entediado sobre o porvir, pois nada poderia ocorrer que não tivesse já previsto” (p. 30-31).



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