segunda-feira, maio 07, 2018

O sequestro do metrô



Comprei o livro O sequestro do metrô , de John Godey (editora Abril Cultural) por dois reais em um sebo. Poucas vezes dois reais foram tão bem investidos.
O livro narra a história de um quarteto de ladrões que sequestra um vagão de metrô e exige um milhão de dólares em sessenta minutos, ou matarão os passageiros.
O autor, Morton Freedgood usou o pseudônimo de John Godey, pois pretendia guardar seu nome verdadeiro para livros mais sérios. No entanto, foi este livro que o tornou famoso e fez com que ele entrasse na história da cultura pop quando o livro se transformou em filme apenas um ano depois de ter sido lançado, em 1973.
A primeira qualidade que salta aos olhos no texto é o foco narrativo: cada capítulo é focado em um personagem, e alguns são focados em um grupo de personagens, como jornalistas, assessores do prefeito, a multidão que se forma em torno do sequestro. Com isso o autor consegue dar uma visão ampla de um fato, mostrando-o sob os mais diversos pontos de vista.
Soma-se a isso os diálogos afinados, que muitas vezes refletem as críticas sociais do autor à sociedade de sua época. As ligações recebidas pelos jornais, com vários movimentos tentando assumir a autoria do atentando ou de leitores sugerindo soluções para o empasse refletem bem isso.
Além disso, Freedgood, como se escrevesse uma reportagem, fez uma extensa pesquisa sobre cada detalhe do metrô de Nova York e sobre as forças policiais, seus modos de ação: tudo é descrito nos mínimos detalhes.
A forma narrativa escolhida pelo autor faz com que o livro não tenha um protagonista. É como se o próprio metrô fosse o personagem principal, ao redor do qual tudo gira.

Uma curiosidade é que no filme de 1974 os bandidos se chamam por cores, uma estratégia adotada posteriormente por Tarantino no filme Cães de aluguel. A partir daí, usar palavras para os bandidos se chamarem a si próprios tornou-se um padrão na cultura popular, como podemos ver em La casa de papel, em que os assaltantes da casa da moeda usam nomes de cidades como codinome.
O sucesso do filme fez com que as autoridades do metrô de Nova York temessem que alguém tivesse a mesma ideia. Uma das consequências disso é que foram banidas as saídas de trens de Pelham no horário de 1h e 23 minutos (exatamente o trem escolhido pela quadrilha pelo golpe).
O filme ainda foi inspiração para uma canção de Carter USM e outra de Beastie Boys.
Em 2009, o filme ganhou um ótimo remake dirigido por Tony Scott com Denzel Washington e John Travolta no elenco intitulado O sequestro do metrô 123 (disponível na Netflix).

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