sábado, agosto 30, 2025

Pssica – triller de suspense nas águas da Amazônia

 


A mais nova sensação da Netflix é a minissérie Pssica, dirigida por Quico Meirelles, filho de Fernando Meirelles (que chega a dirigir um capítulo).

Baseado no romance homônimo de Edyr Augusto, a atração acompanha Janalice (Domithila Cattete), uma garota sequestrada por uma rede de tráfico humano e sua tentativa de escapar do seu destino. Em narrativas paralelas temos Preá (Lucas Galvino), filho do líder de uma gangue de ratos d´água (piratas fluviais que roubam barcos na Amazônia) e Mariangel (Marleyda Soto), uma ex-guerrilheira cuja família foi morta e busca vingança.  O destino dos três vai se entrelaçar ao longo da trama.

O que chama atenção em Pssica é o ritmo frenético da direção e do roteiro, com as ações se acumulado e se sucedendo rapidamente a ponto de não deixar o expectador respirar.

A minissérie é baseada no livro homônimo do escritor paraense Edy Augusto cuja escrita se caracteriza pelas frases curtas. O diretor emula isso tanto nas cenas e nos cortes rápidos quanto na introdução de cartelas, com frases do livro.

A minissérie tem elenco de atores e atrizes nortistas e nordestinos, a maioria dos quais desconhecida do grande público. Apesar de alguns erros geográficos, como mostrar Breves como se fosse Soure (a terra dos búfalos), Pssica reproduz com perfeição o cenário amazônico com destaque para as cenas eletrizantes nos rios, com aquelas em que os ratos d´água cruzam os rios em jet skis que não deixam nada a dever às melhores cenas de perseguição de carros de Hollywood.

Apesar de todas as qualidades, a série tem algo de lamentável: mais uma vez a Amazônia sendo mostrada sob o olhar de um diretor e uma equipe vinda toda de fora. Já é mais do que tempo da região norte começar a ser mostrada sob o olhar dos amazônidas. 

Em tempo: Pssica, na linguagem nortista, é um tipo de maldição. Jogar pssica sobre alguém significa desejar azar para ela.


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