domingo, março 01, 2026

Titãs - a série

 


Quando foram divulgadas as primeiras fotos não oficiais da série Titãs, o seriado recebeu uma enxurrada de críticas. Os fãs morderam a língua. Titãs é o melhor seriado de super-heróis de todos os tempos e melhor que 90% de todos os filmes de super-heróis já lançados.
Para quem não conhece quadrinhos, Titãs é baseado no grupo de parceiros mirins da DC Comics. Sim, durante um longo período todo super-herói tinha que ter um parceiro mirim. Batman tinha o Robin, Mulher Maravilha tinha a Moça Maravilha, Flash tinha o Kid Flash e assim por diante.
Na década de 60 a DC teve a ideia de reunir esses heróis mirins em uma revista, Teen Titans. Não deu muito certo. Os personagens usavam gírias da década de 40 ou 50, eram extremamente respeitosos com os heróis principais e tinham a metade do tamanho desses. Ou seja, não agiam como jovens.
Na década de 1980, o roteirista Marv Wolfman, que odiava o gibi quando era jovem, resolveu mostrar como se faz uma série para a juventude. Além de criar novos personagens, como Ravena, Estelar e Mutano, ele mudou a relação dos parceiros com os heróis. Robin, por exemplo, passou a ter uma relação de conflito com o Batman. Foi um sucesso tão grande que levou à criação de três animações (a mais recente voltada ao público infantil) e o live action, criado, entre outros pelo roteirista de quadrinhos Geoff Johns e lançado recentemente pela Netflix.
E o que Titãs tem de revolucionário?
Essencialmente a forma como é estruturado um seriado de super-heróis. Tirando os heróis urbanos da Marvel, como Demolidor, a maioria desses seriados é focada em heróis em uniformes coloridos lutando a cada episódio contra um vilão, em meio a uma grande quantidade de efeitos especiais meia-boca (o orçamento dos seriados é bem menor que o dos filmes).
Titãs quebra com esse esquema ao se estruturar como um seriado de mistério. O expectador não sabe quem são os personagens e, em alguns casos, nem eles mesmos sabem (como é o caso de Estelar e Ravena) e mesmo aqueles heróis que conhecemos como tal desde o início, a exemplo do Robin, têm algo a ser revelado. Além disso, há uma trama maior, que também se revela um mistério - quem quer matar Ravena?
Essa estrutura faz com que o seriado seja interessante não só para os fãs de quadrinhos, mas para os expectadores em geral.
Além disso, muda o foco da trama da ação e os efeitos especiais para o desenvolvimento dos personagens – e esses são muito bem desenvolvidos. Nesse sentido, a escolha de atores foi acertadíssima. Destaque para Teagan Croft, no papel de Ravena e Anna Diop, no papel de Estelar. Aliás, a criticada roupa usada por Anna Diop na série acaba fazendo todo sentido, dentro da proposta do seriado.
Os efeitos especiais, quando aparecem, são em momentos chave, e muitas vezes, nem exigem o famoso CGI. Há uma cena, por exemplo, em que Ravena usa seus poderes que é feita exclusivamente com maquiagem, interpretação e montagem.
Bons diretores já haviam mostrado que para fazer produções sobre seres super-poderosos não é necessário uma fortuna em efeitos especiais – basta uma boa direção, bom roteiro e bons atores. Scanners, filme de 1981, de David Cronenberg, é um exemplo. Mais recentemente, a trilogia de Shyamalan (Corpo Fechado – Fragmentado – Vidro) é outro.
Titãs parece mostrar que a DC aprendeu essa lição: Boa direção, efeitos especiais na medida certa, bons atores, bons roteiros e uma trama que vai num crescendo até o capítulo final.
Se não bastasse tudo isso, há o ótimo capítulo com a Patrulha do Destino (que o tradutor da Netflix rebatizou como Patrulha dos Condenados) e uma visão do Batman muito mais adequada que todos os últimos filmes da DC. A forma como o Homem-morcego - e Gothan - é mostrado na série (ou não é mostrado) é simplesmente genial e lembra grandes obras dos quadrinhos, como Asilo Arkhan.

Super-homem contra Bizarro

 


Bizarro é um dos personagens mais interessantes da mitologia do homem de aço e um dos que mais simbolizam a era de prata. Originalmente ele era o equivalente ao super-homem num planeta em que tudo era o oposto da terra.

Claro que um personagem tão emblemático não poderia ficar de fora da reformulação de John Byrne, mas o quadrinista canadense deu ao personagem uma formulação completamente diferente.

Na versão de byrne, Bizarro é resultado de uma tentativa de Lex Luthor de criar uma versão própria do super-homem.

A história começa com uma referência à armadura de Luthor da era de prata. 


O confronto entre os dois foi publicado em Man of stell 5, com desenhos e texto de John Byrne.

A história já começa com uma referência anedótica à mitologia da era de prata. O Super agarra uma armadura, como as usadas por Lex Luthor na era de prata e diz: Você está ficando descuidado, Luthor! Mas quem está dentro da armadura não é Luthor, mas um lacaio (que irá morrer em breve: “Esse traje foi desenvolvido para a Nasa, mas depois descobrimos que qualquer um dentro dele mais de uma hora vira um vegetal”). Nessa nova versão, Luthor é um empresário ganancioso e frio, que não suja as mãos e, portanto, não iria sair por aí vestindo uma armadura.

Na versão de Byrne, Bizarro é uma criação de Luthor. 


A história pula para várias sequências: um ambulância tem seu pneu furado e não conseguirá chegar a tempo no hospital, mas é transportada pelo que parece o Super-homem, a irmã de lois lane tenta suicidio, mas é salva pelo que parece o homem de aço.

Todas essas boas ações eram, na verdade, de Bizarro.

O quaro em branco mostra a solidão da irmã de Lois Lane. 


Tudo isso é mostrado numa narrativa simples, mas eficiente, assim como o traço de Byrne. Exemplo disso é a sequência que mostra o drama da irmã de Lois Lane, que ficou cega numa história anterior.

Uma pena que a opção foi simplesmente matar Bizarro ao final da história.

Guerras Secretas – Ataque a Galactus

 


O número nove da série Guerras Secretas começa com uma situação extremamente tensa. Galactus terminou seu equipamento e está prestes a devorar o planeta criado por Beyonder.

Aí você percebe porque Galactus foi colocado no meio da disputa, embora sua presença ali desequilibrasse totalmente a balança a favor dos vilões. Era uma estratégia narrativa de Jim Shooter para criar uma ameaça maior do que a própria disputa e garantir um clímax dramático para a história. Ou talvez fosse porque os fabricantes de brinquedo acharam que Galactus ia ficar legal na coleção. Vá saber.

O Senhor Fantástico lidera a luta contra Galactus... 


Quando o Homem de Ferro consegue passar pelos robôs e pelo próprio Galactus, Reed Richards muda de ideia e decide que os heróis não devem mais atacar o deus cósmico.  O argumento do Senhor Fantástico é que se vencer a disputa, Galactus terá seu desejo realizado por Beyonder e deixará de exterminar planetas.

... depois decide não lutar... 


Essa é uma das características mais irritantes do roteiro de Jim Shoooter em Guerras Secretas. Os personagens mudam o tempo todo de opinião, indo de 8 a 80 em segundos, numa total desconexão com o que foi mostrado antes. Quem estava muito disposto a lutar em uma página está tentando convencer os outros a não lutarem na página seguinte. 

... depois decide lutar de novo. 


No caso do senhor fantástico, ele é um dos principais líderes da luta contra Galactus, depois muda de ideia e decide que Galactus deve devorar o planeta, depois se torna um dos mais empolgados na luta contra Galactus. O humor dele vai variando de acordo com as necessidades narrativas do roteirista.

Reed faz uma visita  à nave de Galactus e este o convence a lutar. Roteirismo puro. 


Enquanto isso, o Doutor Destino elabora um plano para roubar todo o poder de Galactus usando para isso o corpo do Garra Sônica, que é fatiado por ele. Isso cria uma boa base de suspense para a história, fazendo com o que o leitor se pergunte se ele sairá vitorioso dessa arriscada empreitada.