terça-feira, maio 07, 2013

Os xiitas do Facebook

Um aluno, sabendo que torço para o Cruzeiro, me deu uma camisa de treino do time. Uma camisa azul clara, bem simples, apenas com o brasão, pequeno, na frente. Eu estava em um restaurante com ela quando um homem se aproximou querendo brigar. Como entendo pouco de futebol, não consegui distinguir qual era o time dele pela camisa que usava (certamente não era um dos mais conhecidos). O Cruzeiro não tinha jogado naquele dia, então não havia chance de ser alguém cujo time perdeu para o Cruzeiro. Era simplesmente alguém que se sentia no direito de agredir alguém que torcia por outro time. Só isso. Felizmente, como não respondi às provocações, ele foi embora.

Esse tipo de atitude, meio maluca, está se tornando cada vez mais comum no Facebook. E não só com times. Há todo um grupo de xiitas do Facebook prontos a perseguir qualquer pessoa que tenha um pensamento diferente. O indivíduo não se dá ao trabalho nem mesmo de ler todo o post. Lê apenas uma frase e começa o ataque. Como diziam no velho oeste, atire antes, pergunte depois. Não se trata de um debate de ideias, mas de ataques muitas vezes gratuitos, alguns dos quais não têm nem mesmo relação com o que foi dito.

Eu já havia sofrido ataques de fãs do Feliciano, mas nas últimas sofri ataques dos militantes de esquerda por conta de minha opinião sobre o caso do menor que matou uma dentista queimada e descobri que eles podem ser muito mais xiitas.

Eu escrevi que:

1) O menor tinha controle da situação. A dentista não oferecia nenhum perigo para ele. Queimá-la não foi uma ato reflexo, algo impensado. Foi algo calculado por alguém que não tem mais respeito pela vida humana. Isso pode indicar que ele é um psicopata assassino e, como tal, deve ser preso e separado da sociedade.
2) É necessária a criação de uma legislação que permita trabalhar com psicopatas, independente da idade, que devem ser retirados do convívio dos outros, especialmente no caso de menores, pois representam um perigo para menores infratores não-psicopatas.
3) Vários fatores levam uma pessoa a virar um assassino. Fatores sociais influenciam, mas não são determinantes. Há vários outros fatores envolvidos, inclusive a própria decisão pessoal. Afinal, duas pessoas em situação social idênticas podem, uma se tornar assassino e outra não. Não somos escravos de determinações sociais que traçam nosso destino no dia em que nascemos. Nem todo mundo que mora em favela é bandido. Aliás, 99% das pessoas que moram nas favelas são pessoas de bem. Mais uma prova de que fatores sociais não são determinantes: o país que mais tem serial killers é os EUA, o mais rico do mundo. E a grande maioria são homens brancos e de classe média ou classe média alta. Aliás, pelas poucas informações que a imprensa veiculou, esse rapaz que matou a dentista é de classe média.

Mas, na cartilha dos militantes de esquerda, a pessoa pode ter sido criada em um palácio, se cometeu um assassinato e for menor, é transformada, imediatamente, em vítima da sociedade.
Fui chamado de reacionário, eleitor do Maluf, etc. Uma pessoa sugeriu que eu estava pedindo pena de morte para menores carentes. Outra disse que eu tirava minhas ideias do programa do Datena, programa que não assisto há mais de dez anos e que nem lembrava mais que existia (não costumo assistir televisão). Outro disse: Seu ignorante, vá ler Fulano de tal, como se Fulano de tal fosse um Deus a quem todo mundo devesse obedecer. Outro perguntou se eu não me envergonhava de defender políticos corruptos (?). E, finalmente, a obra-prima: "Você não vê que milhares de bois estão morrendo no nordeste?". Quando perguntei qual a relação dos bois morrendo no nordeste com o que estava sendo discutido, recebi a pecha de ignorante.
São os xiitas do Facebook, que não admitem que alguém possa pensar diferente deles.
Pelo jeito, a única forma de se livrar deles é não expressar opinião sobre nada e passar o resto da vida compartilhando fotos bonitinhas e mensagens de auto-ajuda.

3 comentários:

  1. Olá, acredito que você fez uma confusão quando escreve que fatores sociais não são determinantes, e cita a sociedade americana. Acredito que você está pensando em fatores econômicos e não nos determinantes sociais, até por que os assassinos em série dos estados unidos são fruto da sociedade americana, muito ligada as armas e as liberdades individuais em detrimento da coletividade. É só assistir aos filmes do cineasta Michel Moore, principalmente, Tiros em Columbine, aí, sem maniqueísmos, podemos diferir sobre as condições de possibilidade no pensamento sobre a violência e a juventude no Brasil. Fato, no mínimo, muito complexo. Abçs

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  2. Olá Anônimo. Obrigado pelo comentário, mas discordo: se você mesmo diz que o fenômeno é complexo, não podem existir fatores determinantes. A teoria da complexidade surgiu exatamente para criticar o determinismo na ciência.

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  3. Discordar é a necessidade do pensamento científico, a ciência se faz nessa pluralidade do pensar, apenas acredito que seu argumento é por demais frágil e equivocado, e isso não é em relação aos determinante sociais ou a complexidade da sociedade, e sim ao que argumenta sobre, por exemplo, a psicopatia juvenil. Vale a pena, ler um pouco sobre a "origem" dos estudos culturais, anterior a teoria da complexidade, e, acredito, muito mais relevante cientificamente e socialmente.
    Grande abraço e parabéns pelo Blog.

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