sábado, outubro 24, 2015

No frigir dos cérebros


Tampe os ouvidos! Pois um barulho horripilante pode fritar parte de seu cérebro e ativar os instintos mais canibais e violentos do ser humano. Poucos escapam e muitos se transformam em uma coisa horrorosa e faminta. É o uivo de uma criatura mitológica em ação sobre a Terra!
Esse é o mote do projeto literário ‘O uivo da górgona’, escrito pelo premiado roteirista, professor e pesquisador Gian Danton (de ‘A insólita família Titã’ e ‘Como escrever quadrinhos’). Ele conta com o trabalho do desenhista guarapuavano João Ovitzke em ilustrações de deixar os cabelos em pé.
Em campanha no site Catarse, o projeto arrecada recursos via financiamento coletivo (a tal ‘vaquinha virtual’) para tirar as ideias do projeto e transformá-las no romance ilustrado ‘O uivo da górgona’, uma história de terror sobre zumbis. Aliás, Gian é uma das referências do gênero no quadrinho nacional, sendo responsável nos anos de 1990 por sua renovação ao lado de Joe Bennett (desenhista brasileiro com carreira em editoras como a Marvel e a DC Comics).
A dupla Gian/Joe produziu histórias para as clássicas revistas ‘Calafrio’ e ‘A hora do crepúsculo’. No ano 2000, Gian escreveu a graphic novel ‘Manticore’, que transformava o fenômeno chupa-cabra numa trama de horror e ficção-científica e faturou diversos prêmios. Nos últimos anos, além de quadrinhos, tem se dedicado à literatura, participando de diversas antologias de fantasia e terror. Seu primeiro romance, ‘Galeão’, é uma história de fantasia sobre um navio à deriva no Atlântico.
E agora, ‘O uivo da górgona’, que se passa durante um ‘apocalipse zumbi’. Graças a um som desconhecido (chamado de ‘uivo da górgona’ por um dos personagens), pessoas têm as células do neocórtex destruídas e passam a ser governadas pelo complexo reptiliano, num comportamento violento e puramente instintivo.
A partir desse caos, o leitor acompanha um grupo eclético de sobreviventes que tenta se virar como pode em meio aos mortos-vivos.
Em entrevista ao CORREIO, Gian conta que o livro começou a ser gestado muito tempo atrás. “O nome, por exemplo, vem de um livro que li em 1983, chamado ‘Os escravos da górgona’, um livrinho de bolso, mal escrito, mas com uma premissa interessante: uma luz que transforma as pessoas, algumas em monstros de pedra, outras em seres irracionais. Também sempre me incomodou nas histórias de zumbis o fato dos zumbis estarem mortos. Como assim? Se estão mortos, por que sentem fome? Então creio que ‘O uivo da górgona’ surgiu da junção desses dois conceitos acrescidos de meus estudos sobre os comportamentos coletivos e como as partes do cérebro governam esses comportamentos”. Leia mais

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