quinta-feira, junho 30, 2016

Querem decidir até se a Mônica usa aparelho


A mais nova polêmica é uma história da Turma da Mônica Jovem.
Na história, a turma encana com o fato da Mônica ter dentões e a maioria decide que ela deveria usar aparelho. A discussão termina com a dentunça dizendo que o corpo é dela e ela decide o que fazer com ele.
Existe um grupo cada vez mais forte no Brasil cujo objetivo é implantar um regime autoritário que acusou a história de ter sido escrita para encucar o feminismo na cabeça das jovens leitoras. Segundo eles, a deixa para isso estaria na frase: "Meu corpo, minhas regras", que seria um estímulo ao aborto.
Fãs de Bolsonaro não costumam ser conhecidos pela inteligência. Mas dessa vez exageraram, inclusive na teoria da conspiração. Não há na história a menor menção a aborto ou qualquer coisa parecida. A discussão inteira apenas é se a Mônica deve ou não usar aparelho.
No fundo, no fundo, o que incomoda é outra coisa.
O contexto ali é muito claro: existe de um lado o indivíduo e do outro, o coletivo (o grupo de amigos). O coletivo quer decidir sobre a vida da Mônica, sobre como ela deve ser e aparentar.
Entre o indivíduo e a pressão do coletivo, esse grupo de pessoas fica do lado do coletivo - querem decidir sobre como as pessoas levam suas vidas. Incomoda a eles que a Mônica decida continuar a ter dentes grandes quanto a pressão social é para que ela use aparelho.
Da mesma forma, querem decidir sobre como as pessoas vivem sua vida, sua sexualidade, sua aparência.
Esse pensamento é a base do comunismo: o coletivo está acima do indivíduo e o coletivo decide sobre a individualidade. Na URSS, por exemplo, as pessoas não podiam decidir que curso fazer - essa escolha era do estado. Se faltava médicos, a pessoa ia fazer medicina. Se faltava engenheiros, ia fazer engenharia.
A predominância do coletivo sobre a individualidade é a base do comunismo.
Ao se incomodarem com a história dos dentes da Mônica, esse grupo deixa ainda mais claro que são os comunistas que tanto dizem combater.


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