domingo, março 05, 2017

Logan

O Wolverine foi o símbolo máximo de uma das piores épocas dos quadrinhos de super-heróis. Na década de 1990, a maioria dos heróis se tornaram clones do carcaju: violentos, rasos, cabeça-quente.
Depois de uma fase inicial interessante, nas mãos de Chris Claremont e John Byrne, o personagem se tornou apenas isso: um cara violento, cabeça-quente, que resolve tudo na porrada. E, isso, claro, se refletiu nos filmes do personagem (vale lembrar a introdução do primeiro filme, em que ocorre uma briga imensa por uma pedra que um empresário usava como peso de papel e que ele entregaria tranquilamente se alguém pedisse).
Assim, Logan é uma agradável surpresa por fugir completamente do padrão estabelecido para o personagem e mostrar uma profundidade inesperada.
(ATENÇÃO: SPOILER!)
Nesse novo filme, o Wolverine, muito a contragosto, tem que salvar uma garota que foi clonada a partir de suas células, sendo, de certa forma, sua filha. Agentes governamentais, envolvidos no projeto que criou a menina, farão qualquer coisa para tê-la de volta. Esse plot lembra muito o ótimo A incendiária, um livro pouco conhecido de Stephen King.
A película é um road movie: à medida em que fogem, a relação entre os dois vai se estabelecendo até culminar na cena de crédito, com a ótima música de Johny Cash. O professor Xavier completa o trio, com alguns dos melhores momentos do filme.
A história tem tudo na medida certa: violência, efeitos especiais (que você mal percebe) e até humor, sempre sempre resvala no humor negro.

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