terça-feira, março 07, 2017

O uivo da górgona


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Edgar não entendeu porque a mulher estava fazendo aquilo. Ela corria e gritava, como se estivesse em uma crise histérica.
Não demorou muito para que a multidão a visse e ouvisse. Agora parecia um corpo compacto, um monstro que já não se arrastava como antes, mas se movimentava rapidamente, como um animal de rapina.
A mulher ficou lá parada, como que hipnotizada.
No último momento pareceu entender o que ia acontecer e tentou escapar. Mas já era tarde demais.
Um homem com um macacão azul segurou seus cabelos. A mulher gritava e puxava desesperadamente, e quanto mais fazia isso, mais firmes as mãos a agarravam. Então, num esforço supremo, ela conseguiu se livrar, deixando um enorme tufo de cabelos nas mãos do outro. Mas isso só serviu para aumentar a sua dor, pois nesse momento outro já havia agarrado sua perna e outro o braço.
A horda a envolveu, como formigas em volta de um doce. Edgar podia ver uma mão se esticando ou um pé, e ouvir os gritos de desespero e dor. Tentou levantar-se, talvez no impulso de ajudá-la, mas o homem negro o conteve com um gesto.

- Não faça barulho! 

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