terça-feira, abril 04, 2017

O uivo da górgona - parte 29


29
O barulho lá fora já era como algazarra infernal e indistinguível. Um barulho ensurdecedor de dezenas, centenas de vozes. Então houve mais um estrondo.
- Entraram em outro apartamento. – constatou Jonas.
- Aqui do lado. – completou Alan.
Os próximos seriam eles. Edgar não sabia quanto tempo a barricada aguentaria.
Então começaram a forçar a porta do apartamento. Ela cedeu alguns centímetros e se vergou, como se sofresse sob o peso de dezenas de pessoas. O sofá resmungou contra a lajota barata e arredou um pouco.
(vão entrar! Vão entrar!)
Voltaram a empurrar e o sofá voltou a ranger. Jonas e Alan se aproximaram e o empurraram. Mas até eles sabiam que isso seria inútil. Logo o compensado iria ceder e os zumbis entrariam.
Foi quando aconteceu o estrondo.

Edgar sentiu o apartamento tremer. A princípio achou que fosse um terremoto e imaginou o quanto seria temerário estar dentro de um prédio como aquele durante um tremor de terra.
Mas então ouviu o barulho e percebeu que era outra coisa. Tinha que ser outra coisa. Lá fora, as coisas pareciam ter silenciado, como se o estrondo as tivesse assustado também.
O professor olhou para Jonas e Alan. Seus olhares eram igualmente assustados, como se não compreendessem o que tinha acontecido. Então houve outro estrondo, mais forte que o primeiro.
- Explosões. – concluiu Jonas.
Edgar acenou com a cabeça, em concordância. Explosões. O que estará explodindo? Lá fora, as coisas voltaram a fazer sua algazarra indecifrável, mas agora pareciam estar se distanciando.

- Vamos ver. – disse, levando a menina no colo e indo na direção do quarto. 

Sem comentários:

Enviar um comentário

Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.