quinta-feira, abril 27, 2017

O uivo da górgona - parte 45


45
Sofia tentava acostumar-se com a escuridão. A sala formava um L com o corredor e a luz que vinha dele era incapaz de iluminar o que havia do outro lado. Com o tempo, a menina conseguiu distinguir uma espécie de mesa. Não, não era uma mesa, era algo diferente. Parecia de metal, mas era alta e estreito demais para ser uma mesa. A menina teria pensado que se tratava de uma cama, mas nem mesmo isso se encaixava no que seus olhos conseguiam vislumbrar.
Sofia sentiu o coração palpitar e suas mãos agora estavam suando.
Havia algo em cima da mesa estranha, como um saco de dormir, ou um amontoado de roupas. O que poderia ser?
Ela olhou à volta, em busca de um interruptor e achou-o na quina do fim do corredor.
Então deu um passo cauteloso na direção dele, seus tênis arrastando contra o chão.

A luz acendeu e a menina custou a discernir o que via. Talvez porque seus olhos estivessem acostumados à penumbra. Parecia um manequim humano, como aqueles que ela vira em várias lojas, mas faltavam os braços e as pernas, sobrando apenas o tronco. Sofia imaginou que fosse o manequim de uma mulher por causa dos cabelos negros com corte feminino. O rosto estava virado para a parede.
A menina se aproximou e seus olhos, agora acostumados à claridade, repararam em algo estranho. De onde deveriam sair pernas e braços saiam linhas negras, como se alguém tivesse costurado a pele.
Agora mais perto, a menina reparou que o manequim não tinha textura de plástico, mas de pele. Pele humana. Que tipo de pessoa faria um manequim tão realista? Por que razão? Ou talvez... ou talvez fosse realmente uma mulher?

Foi nesse momento que a mulher se virou e olhou para ela. 

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