quinta-feira, junho 01, 2017

Curitiba: cidade modelo


Curitiba é hoje uma das cidades mais elogiadas e copiadas do mundo. O modelo urbano premiado surgiu na década de 1970 quando um engenheiro foi nomeado prefeito de Curitiba pelo regime militar.
Ao invés de nomear um político, como havia sido feito em outros locais (Collor, por exemplo, foi indicado prefeito de Maceió), na capital paranaense resolveram colocar como gestor um técnico: Jaime Lerner. Eu vi propagandas políticas de Lerner e posso garantir que ele nunca seria eleito. Não era um político. Seus vídeos eram ele com um pincel atômico, desenhando suas propostas. Parecia um técnico apresentando sua proposta para clientes.
No entanto, lá estava ele, no comanda da capital paranaense e o resultado todos conhecem: ele transformou uma cidade provinciana, quase desconhecida em uma referência mundial de planejamento e mobilidade urbana. Um planejamento tão acertado que impediu até mesmo que a cidade tivesse uma cracolândia, já que não há áreas por onde as pessoas não passam (a cidade foi pensada para promover essa movimentação de pedestres).
No entanto, nunca ouvi nenhum defensor de Bolsonaro ou dos militares citar Curitiba ou Jaime Lerner. Da mesma forma, nunca vi nenhum desses citar o general Golbery, um dos mentores do regime militar, grande gênio, conhecedor de filosofia, política, sociologia. É curioso que nenhum desses seja sequer citado.

O grande ídolo dessa patota é o coronel Ustra. E o que fez Ustra? Aproveitou o momento único do regime militar para transformar uma cidade, transformando-a em modelo mundial? Não. Foi um grande pensador, um homem inteligentíssimo que teceu as bases do regime? Não. Ustra é lembrado apenas por ser um homem bruto, um valentão de colégio cuja única qualidade é a violência. O fato de fãs de Bolsonaro idolatrarem alguém assim mostra que tipo de Brasil querem e quais são suas motivações. 

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