sábado, dezembro 26, 2020

A saga da Viúva Negra

 

A Viúva Negra é uma das personagens mais populares da Marvel no cinema. Entretanto, nos quadrinhos poucas vezes ela ganhou protagonismo. Uma dessas poucas vezes foi uma ótima minissérie em quatro partes publicada na revista Marvel Fanfare no ano de 1982.
A história reunia uma dupla realmente impressionante. O roteiro era de Ralph Macchio, um cara especializado em histórias de ação que, inclusive, escreveu algumas das primeiras histórias o Justiceiro. Os desenhos ficaram a cargo do mestre George Perez, cuja arte estava em plena ascenção rumo ao deslumbre que seria seu trabalho mais conhecido, Crise nas infinitas terras.
Na HQ, a heroína é chamada para investigar o desaparecimento do cientista Ivan Petrovich, o homem que a criou. Tudo leva a crer que ele desertou para a União Soviética, mas as reviravoltas do roteiro irão mostrar uma trama muito mais complexa.
A primeira história, embora bastante forçada, dava o tom da série: uma equipe da Shield ataca Natasha quando ela está tomando banho enquanto Nick Fury conta a história da personagem para algum leitor desavisado que comprou a revista sem saber quem é a Viúva Negra.
Eu realmente gostaria de saber qual a necessidade de atacar uma espiã extremamente perigosa que é uma possível aliada, colocando em risco sua vida e principalmente dos outros agentes só para testar suas qualidades– mas vamos admitir que a Shield tem métodos bem estranhos de recrutamento.

Para quem não sabe, Natasha Romanov era uma espião russa encarregada de sabotar as indústrias Stark e roubar segredos industriais. Mas como Stan Lee recebeu muitas cartas elogiando a personagem, resolveu transformá-la em heroína. Nas primeiras histórias ela usava um modelito nada discreto para uma espiã: um maiô preto, meias arrastão, capa azul e uma máscara. Só depois surgiu o modelito preto minimalista (apenas com os braceletes e um cinto) que ela usa nessa história.
Como dito, a Viúva Negra é atacada numa empolgante sequência de ação – mérito principalmente para a narrativa visual de George Perez. Quando ela surge pela primeira vez, em uma belíssima splash page com o uniforme, os cabelos vermelhos molhados, segurando uma arma com uma mão e um soldado com a outra – os leitores certamente perceberam que aquela série marcaria época.
No segundo número, a espião se depara com um grupo de seis inimigos, cada um especializado em um tipo de combate – há desde um lutador de sumô a uma vaqueira que maneja uma laço. Além de uma sétima, supostamente a mais perigosa, serpente negra. Cada capítulo termina com uma splash page, com a heroína derrotada, criando um gancho de suspense para o capítulo seguinte.
Tirando os exageros e clichês, era uma ótima história, que prendia o leitor. Uma pena que a Marvel não tenha tido a ideia de criar uma revista para a personagem com essa equipe criativa.

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