O número 211 da série Perry Rhodan apresenta uma estratégia interessante, usada pelo escritor K. H. Scheer como forma de criar suspense: focar a narrativa ora em Rhodan, ora em Atlan.
O escritor nomea os capítulos como “Relatório
de Atlan” e “Relatório de Perry Rhodan”, o que é um equívoco, já que nenhum dos
textos apresenta uma estrutura de relatório – e os textos focado em Rhodan o
são em terceira pessoa.
Na história, os dois amigos brigam, pois
Atlan quer sair do sistema Horror o mais rápido possível e Rhodan quer
investigar a superfície do planeta do qual escaparam a grande custas.
O arcônida pede, e recebe, uma nave espacial
menor, com a qual segue para fora do sistema.
Nesse meio tempo, a Crest II é atacada por
uma força misteriosa quando se aproxima do planeta. Todos são dominados por uma
dor cruscitante e quando acordam, estão na superfície do planeta, que parece
dominado por cadeias de montanhas e florestas, algo que parece impossível, já
que do espaço o planeta parecia todo um vale com pequenas dunas e alguma
vegetação rasteira. Scheer explora muito bem essa discrepância como elemento de
suspense. A mudança da superfície do planeta parece ter alguma coisa a ver com
o que aconteceu com a nave, mas qual seria essa relação?
A alternância entre a narrativa foca em
Rhodan e a narrativa focada em Atlan, que volta ao planeta para saber o que
aconteceu aos terranos, é trabalhada magistralmente para instigar a imaginação
do leitor.
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A capa alemã. |
Infelizmente, a ilustração de Johnny Bruck e
a decisão editorial de colocar a imagem como capa acabou com todo o suspense: a
imagem mostra um astronauta segurando na mão uma versão menor da Crest enquanto
pequenos soldados correm e um avião sobrevoa a cena (diga-se de passagem, não
aparece um único avião na história).
A capa entrega logo de cara o grande segredo
que Scheer faz de tudo para esconder com seu texto: o fato de que a Crest II
diminuiu de tamanho, o que explica porque o planeta com algumas dunas e grama
tinha se tornado um local com montanhas e florestas.
Ainda assim, o livro traz sequências maravilhosas,
como quando um dos soldados que acompanha Atlan joga no chão o toco de cigarro
que está fumando e isso é visto pelos astronautas miniaturizados como uma
terrível bomba de fumaça.
Esse é um exemplo de como uma capa mal
escolhida pode arruinar todo o esforço de um escritor.
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