Houve uma época em que o título dos Novos Titãs se tornou
tão popular que, além da série mensal, ganhou uma minissérie intitulada Tales
of the New Teen Titans. Dividia em quatro partes, ela destrinchava as origens de
alguns personagens da turma.
Na trama, o grupo vai passar um final de semana no Grand Cannyon.
Entre fogueira, tendas e churrasco, eles conversam e vão aos poucos revelando detalhes
sobre o passado.
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| Os heróis finalmente têm um descanso e isso os leva a conversar sobre suas vidas. |
O primeiro número é focado no Ciborg e coloca em destaque o
tema da série: o conflito de gerações e esse conflito já surge desde a
infância. O personagem foi criado pelos pais cientistas como se fosse uma
cobaia de suas experiências: “Eles me examinavam, testavam, plugavam e sabe
Deus o que mais”.
A pesquisa fez com que ele fosse isolado a ponto de nem
mesmo ir para a escola. Assim, quando um dia ele sai e quase é atropelado, isso
faz com que ele se torne amigo do rapaz que o salvou. Aqui Marv Wolfman
introduz um outro tema na história: a questão do racismo, já que o novo amigo do
Ciborg é um militante anti-racista.
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| Ciborg foi criado como uma cobaia. |
O leitor acompanha toda a saga do personagem: sua quase
morte num experimento da mãe, a tentativa do pai de salvá-lo implantando partes
cibernéticas e o ódio que este alimenta pelo progenitor: “Maldito seja... sou
exatamente o que você quer agora. Eu te odeio, velho. Eu te odeio. Por que não
me deixou morrer?”.
Há duas inovações na forma como super-heróis adolescentes
eram mostrados nos quadrinhos. Antes, eles se acostumavam rapidamente e se
sentiam até felizes com os novos poderes. Além disso, demonstravam uma
verdadeira idolatria por personagens mais velhos, como pais ou tutores. Ciborg é
exatamente o oposto: ele odeia os próprios poderes e mais ainda o pai.
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| O tema da história é o conflito de gerações. |
Claro, que, como toda jornada, ele vai aprender a lidar com
essas aflições e aqui ele já demostra uma reconciliação com o pai. “Por sua
causa, meus verdadeiros amigos, comecei a amar o meu pai... e o amei até a hora
da minha morte”.
Da mesma forma que os X-men, Novos Titãs mostravam heróis
adolescentes em um grupo que cada um se ajudava no duro processo de
amadurecimento. Não espanta, portanto, que fossem as duas revistas que mais
vendiam na época.
No Brasil essa minissérie foi escolhida pela editora Abril para estrear a revista Novos Titãs. Uma forma inteligente de começar a nova revista e, ao mesmo tempo, apresentar os personagens para novos leitores.




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